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Introdução

- Algumas perguntas básicas:


básicas
- Será que é correto fazer isso?
- O mundo deveria ser assim?
- Por que o mundo é assim?
São questionamentos que constantemente fazemos
quando estamos diante de problemas ou situações
difíceis.
Essas perguntas fazem parte do nosso cotidiano.
É preciso saber responder bem este tipo de
questionamento.
 Situações de vida:
- Diante de um amigo em perigo devo ajudá-lo
mesmo correndo riscos?
- Um amigo está se “afundando” em problemas,
posso e devo “me intrometer” em sua vida, ou
“cada um sabe o que faz” e devo me manter
indiferente?
- Frente aos problemas do mundo: menores
abandonados, corrupção do mundo político e
econômico, devo tomar alguma atitude ou devo
manter-me alheio e cuidar dos meus interesses.
O problema é que não estamos muito
acostumados a refletir sobre estas questões.
Na maioria das vezes respondemos de uma forma
quase instintiva, automática, reproduzindo
alguma fórmula ou receita presente no meio social
Geralmente seguimos as normas da sociedade ou
do nosso grupo social, e, assim, nos sentimos
dentro da normalidade. E isso nos dá segurança, e
o alívio de não termos que nos responsabilizar por
alguma atitude diferente da tomada por outros.
As normas da sociedade estão relacionadas com
os valores morais
Os valores morais se expressam nas normas da
sociedade e, muitas vezes, adquirem um caráter
normativo
Normas, normativo, normal, moral e costumes =
palavras interligadas
 Etimologia

- Moral = mos – mores (latim) = costumes


- Ética = ethos (grego) modo de ser, caráter.
Quando os valores morais e costumes passam a
ser questionados, surge a necessidade de uma
fundamentação teórica:
Ética: “uma reflexão teórica que analisa os
fundamentos e princípios que regem um
determinado sistema moral” (dimensão prática).
A reflexão ética não é somente uma questão
acadêmica. Ela é necessária para a convivência
social
O que devo fazer? Como devo agir? Estas
perguntas indicam:
1º Não nascemos geneticamente programados;
2º Não somos predestinados, determinados
Obs: é importante lembrar que predestinado é
diferente de condicionado biologicamente. Não
estar geneticamente programado e não ser
predestinado significa que em nossas ações temos
espaço para a liberdade.
O ser humano deve construir ou conquistar o seu
ser. Não nasce pronto, acabado. O grande desafio
da vida humana é este processo de construção
Ser humano:
- necessidades naturais (comer, beber)
- Espaço para a liberdade (sonhos, desejos).
1º) Ser humano, ser livre
Ainda que a nossa liberdade não exista de forma
absoluta.
Liberdade = responsabilidade (natureza, sociedade,
outro)
Responsabilidade: somos responsáveis pelas nossas
ações, pelas nossas atitudes. Isto é uma exigência
social e implica muitas vezes um conflito de
interesses (pessoal e coletivo).
2º) Indignação ética
“devo fazer” ou sobre o que “deveria fazer”.
Diferença entre o ser e o dever-ser: pensar sobre
uma outra realidade diferente e melhor.
A indignação ética é uma experiência fundamental.
É a experiência da liberdade frente às normas
injustas e petrificadas aceitas com “normalidade”
(escravidão, discriminação, preconceito,
injustiça).
3º) Intenções e efeitos
Somos responsáveis pelas intenções das nossas ações e,
também, pelas suas conseqüências.
As nossas ações tem motivações conscientes e
inconscientes (internalização de valores e regras
morais)
Quais são as minhas motivações ao agir?
“que faz minha cabeça”
As motivações e as consequências das ações = estão
relacionadas a estruturas e sistemas que interferem no
nosso agir e que, portanto, devem ser conhecido.
Obs: a reflexão ética não pode reduzir-se às motivações
do sujeito, da pessoa: “de boa intenção o inferno está
cheio!”
4º) conflitos inevitáveis
O questionamento ético revela algumas
contradições que fazem parte da nossa vida.
a) Conflito que pode existir entre meu interesse
a curto prazo e meus objetivos a médio ou a
longo prazo.
Ex. vontade de ir a “balada” e o objetivo de passar na
faculdade.
Existem opções e interesses imediatos ou menores
que se chocam com os objetivos maiores e a longo
prazo
b) O conflito de interesse pessoal e coletivo
Sobre o que deve ou não fazer em relação à outras
pessoas ou grupos.
(ninguém pode viver totalmente isolado)
Não absolutizar os meus interesses = ver os direitos
de outros = convivência social.
c) Existem interesses da coletividade que não
são somente diferentes, mas também,
conflitantes com interesses individuais.
Ex.: impostos: necessidade de todas as sociedades
para a realização de serviços públicos.
Consciência ética:
Somos seres morais e as comunidades humanas
sempre criaram sistemas de valores e normas para
possibilitar a convivência social
Ser Humano:
- Precisa organizar o mundo para poder habitá-lo.
Isto significa dar um sentido à vida.
O caos não é algo humano
- Construir um mundo para si (sentido humano) e
construir a si mesmo.
A cultura surge como uma segunda natureza (a 1ª
natureza biológica)
 Definição: a cultura “é a totalidade dos produtos
da atividade do ser humano”. Por ex.: linguagem,
arte, música, religião, leis, normas....
A cultura: algo que nos distingue dos animais
- As criações culturais não estão determinadas por
nossa cultura biológica e genética. Daí nascem as
diferenças culturais.
A cultura é uma criação social
- Ser Humano = grupos sociais: nos inserimos em
determinados grupos para compartilharmos a
maneira de ver as coisas, desde a mesma
perspectiva de valores e normas morais. Neste
sentido, podemos dizer que a cultura não é uma
criação particular, pois nascemos no meio de uma
cultura
- Cultura:
- algo dado
- interiorização de valores
A diversidade de cultura
- A diversidade de cultura nem sempre é algo aceito
pacificamente, muitas vezes temos dificuldade em
aceitar o diferente, aquele que não pensa igual a
mim.
Isto porque:
“o diferente é aquele que não nos deixa esquecer
que a insegurança, a provisoriedade e a
relatividade fazem parte de nossa condição
humana”.
A internalização de uma cultura nunca é
total.
- Isto aponta para a nossa liberdade
- O diferente, o novo: sentimento de insegurança e
medo diante do desconhecido.
a) Fechamento: afirmação da própria realidade
como sendo a única possível; temos a
apresentação da própria realidade social
construída como sendo “a realidade”
b) Expulsão: daqueles que não aceitam subordinar-
se à dinâmica da ordem estabelecida ou, até
mesmo, a eliminação do diferente
c) Legitimação da ordem estabelecida a partir da
integração dos novos e insatisfeitos
d) Legitimação da ordem a partir da crítica dos
novos e insatisfeitos (Ex.: “por que meu irmão
pode e eu não”)
Na história Ocidental:
1) Sociedades tradicionais
Baseadas na tradição, na honra, na família. Nada de
fundamental pode ser modificado. A partir da
tradição justifica-se o valor eterno de alguns
valores morais. Muitas vezes visto como vontade
divina.
2) Sociedades modernas:
Valorização do indivíduo em detrimento do
coletivo. A partir do chamado mito do progresso,
temos a substituição da ética pela técnica.
Mito do progresso:
A esperança do paraíso é deslocada do céu para o
futuro, na história. Esta é construída pelo próprio
ser humano por meio do progresso técnico-
científico
O progresso técnico-científico: legítima a ordem
social e não mais a religião ou a moral, mesmo
que isto implique em fome, miséria, destruição do
meio ambiente
A mudança rápida de valores:
- “a era do vazio”
- “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”
Retorno à ética:
- A interiorização da ordem moderna não é perfeita.
A vida levanta questões que a técnica não consegue
responder e que o progresso não consegue abafar
O mundo atual é um mundo novo
- Novos conhecimentos e novas tecnologias;
- Enorme quantidade de informações;
- Quebrou barreiras étnicas e tornou-se capaz de
promover o encontro entre as culturas;
- Operou uma revolução na comunicação
- Revolucionou as noções de tempo e espaço
Mas não parece capaz de minimizar
- As injustiças sociais,
- A exclusão geradora de violência;
- A ação predatória dos recursos naturais;
- A falta de solidariedade (família, menos
favorecidos).
- A invasão e os efeitos da ordem econômica mundial;
- A crise ecológica;
- A crise demográfica;
- Tensões étnicas e religiosas;
- Crise das relações humanas;
- O uso da guerra como recurso;
- Regimes ditatoriais
- A violação dos direitos humanos
- Organizações criminais transnacionais e o mercado
internacional das drogas;
- Monopólio ocidental do sistema informativo;
- Avanço científico-tecnológico e o bem comum da humanidade
- Conjunto de normas que devem servir para a
conduta das pessoas em qualquer situação;
- O bem e o mal já estão definidos desde sempre
cabe ao indivíduo aceitar as regras e colocá-las em
prática;
- Baseada em princípios transcendentes, princípios
exteriores ao sujeito
- O cumprimento de tais princípios pode ser
assegurado por critérios:
a) Coletivos = pressão por parte de grupos ou
sociedades
b) pessoais = a pessoa tem convicção de agir
segundo a vontade de Deus, a sua consciência ou
por princípios de justiça
Problemas:
a) limita o campo da liberdade humana;
b) Elimina a busca por novas soluções
c) A inflexibilidade das normas;
d) A pessoa segue as normas sem poder questioná-las
- O critério maior para o agir moral é a razão
humana. A própria pessoa de forma absoluta;
- A subjetividade ocupa um lugar central. Cada
pessoa encontra em si mesmo para julgar o seu
agir.
- Os laços de solidariedade cedem lugar à disputa e
à concorrência
- Problema: este tipo não responde às necessidades
da convivência social. Temos aqui a
insensibilidade frente às injustiças.
- Os padrões de conduta são determinados
consensualmente pelo grupo social;
- Os padrões de conduta não são vistos como
universais e imutáveis;
- Orientações: princípios, contexto e pelos efeitos
que podem causar as ações;
- Critérios: a vida humana e o bem do outro
- As normas morais não tem uma origem sagrada e
nem se fundamentam no interesse pessoal
- - Dificuldade: O que significa o bem do outro?
Questionamentos
A ética é expressão antropológica, adulterar a
ética é adulterar a humanidade?
Não basta lembrar a ética:
- É necessário viver, promover e irradiar o sentido
da ética;
- Ética é definição de personalidade;
- Ética é exigência radical da vida humana pessoal e
social
- O ser humano deveria tornar-se inteiramente ético
A ética foi projetada para preservar o destino
da existência humana
Hoje, diversas posições éticas:
A) a ética é apenas fiscalização de procedimentos
pessoais;
B) a ética é ornamento que enfeita a vida social
C) a ética é como instrumento para angariar lucros
(poder econômico)
D) A ética crítica e responsável que orienta a nova
consciência da humanidade
Ética iluminadora:
- Que tipo de ética buscar?
- Que existência ética viver?
- Que conteúdo ético defender e promover?
Bibliografia
Mo sung, Jung – Silva, Josué Cândido da. Conversando
sobre ética e sociedade, 11-24.

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