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Ação Declaratória de

Constitucionalidade
Controle Concentrado no Brasil

• Jurisdição constitucional com forte influência norte-americana. A Constituição Republicana de 1981,


instituiu o controle difuso-incidental da constitucionalidade das leis sob responsabilidade dos órgãos
componentes do Poder Judiciário.

• Decreto nº 848 (de 11/10/1890), que instituiu a Justiça Federal e o Supremo Tribunal Federal, já
salientava o princípio difuso de fiscalização da constitucionalidade.

• Nos documentos constitucionais subsequentes, nota-se um abandono do paradigma inicial. Inspiração


europeia, que criou o modelo concentrado de jurisdição constitucional.

• Constituição de 1934: surgimento da “representação interventiva” na oportunidade era a única


hipótese de controle concentrado no Brasil. O Procurador Geral da República tinha a faculdade de
propor a representação interventiva, junto ao STF para assegurar a observância aos princípios
constitucionais sensíveis.
Controle Concentrado no Brasil
• Carta Constitucional de 1937 (do Estado Novo): retrocesso no controle concentrado, abolindo a
representação interventiva.

• Possibilidade do Parlamento, por manifestação de 2/3 da Casa, após ser provocado pelo
Presidente da República, destituir de efeitos a decisão que prolatara a inconstitucionalidade de
lei ou ato normativo.

• Art 96 - Parágrafo único (Carta Constitucional/1937) - No caso de ser declarada a


inconstitucionalidade de uma lei que, a juízo do Presidente da República, seja necessária ao
bem-estar do povo, à promoção ou defesa de interesse nacional de alta monta, poderá o
Presidente da República submetê-la novamente ao exame do Parlamento: se este a confirmar
por dois terços de votos em cada uma das Câmaras, ficará sem efeito a decisão do Tribunal.

• A Constituição Democrática de 1946 mantém o controle difuso e restabelece o controle


concentrado, recuperando a representação interventiva.
Controle Concentrado no Brasil
• Destaque: Emenda Constitucional nº 16 de 1965, criou a representação de inconstitucionalidade,
de legitimidade exclusiva do PGR – controle concentrado abstrato – lei em tese.

• Constituição de 1988: robustecimento do controle concentrado. Incremento do rol de ações


componentes da via concentrada. Se antes havia apenas a representação de inconstitucionalidade
(ADI/88), surgiram:

• Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental - ADPF;

• Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão – ADO;

• Posteriormente com o advento da EC nº 3/1993 surge a Ação Declaratória de Constitucionalidade –


ADC.
Controle Concentrado no Brasil

• Com o advento da CF/88 também ampliou-se sobremaneira o leque dos legitimados à


propositura das ações do controle concentrado (art. 103 da CF/88). Foram habilitados mais
legitimados à apresentação de ações (antes o único legitimado era o PGR).

• Nota-se que essas mudancas se prestaram a dar mais concretude a possibilidade do controle
abstrato de leis.

• O controle concentrado abstrato de constitucionalidade no Brasil, realizado exclusivamente pelo


STF, possui como instrumentos: ADI, ADC, ADO e ADPF.
Controle de Constitucionalidade Abstrato como
Processo Objetivo.

• O controle de constitucionalidade abstrato, trata-se de um processo objetivo, que se dará por meio
de ações específicas que poderão questionar a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de atos
normativos ou leis em face da Constituição.

• O controle de constitucionalidade abstrato se presta a resolver questões que envolvam a norma ou


a sua interpretação. Não trata de casos concretos, de interesses subjetivos.

• Uma das características do processo objetivo é a inexistência de partes propriamente ditas, pois os
eventuais requerentes não são considerados partes no sentido material (não estão na defesa de
interesse próprio) mas tão somente figurantes processuais (partes em sentido formal).

• Outra característica do controle abstrato é a inexistência de litígio, caracteristica essa marcante no


processo subjetivo.
Controle de Constitucionalidade Abstrato como
Processo Objetivo.

• No processo objetivo não há disputa entre as partes envolvidas no bem da vida. No controle
abstrato pretende-se a proteção da Constituição e o controle do direito em tese.

• É a Lei nº 9.868/99 que cria diretrizes do controle abstrato de constitucionalidade por meio de
processo objetivo, relativo a ADC.
Ação Declaratória de Constitucionalidade.

• A ADC foi introduzida no texto constitucional pela Emenda Constitucional nº 3 de 17/03.1993,


alterando o art. 102, inciso I, alínea ”a”, tendo sua constitucionalidade questionada e e confirmada pelo
STF na ADC 1 – DF.

• Apesar da introdução formal ter se dado somente em 1993, parcela da doutrina enxerga a origem da
ADC na representação de inconstitucionalidade instituída pela EC nº 16 de 1965, posto que o STF
admitia o PGR, único legitimado a época, manejasse a ação com o intuito de ressaltar a relevância da
questão constitucional, podendo se pronunciar pela improcêdencia da mesma,

• Trabalha-se, nessa ação, com a presunção de constitucionalidade das leis, como princípio, visando a
segurança jurídica e a estabilidade do ordenamento jurídico.
Legitimidade Ativa

• Em 1993 quando a ADC foi instituída no ordenamento jurídico brasileiro, seu rol de legitimados era
somente:

• Presidente da República;

• Mesa do Senado Federal;

• Mesa da Câmara dos Deputados e;

• Procurador Geral da República.

• Destaca-se que esse rol foi mantido pela Lei nº 9.868/99 em seu artigo 13 (não recepcionado).
Somente com a EC nº 45/2004 que houve ampliação dos legitimados, previstos no artigo 103 da
CF/88.
Legitimidade Ativa
• São legitimados:

• I - Presidente da República;
• II - Mesa do Senado Federal;
• III - Mesa da Câmara dos Deputados;
• IV - Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
• V - Governador de Estado ou do Distrito Federal;
• VI - Procurador Geral da República;
• VII - Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
• VIII - Partido político com representação no Congresso Nacional;
• IX - Confederação sindical ou entidade de classe de ambito nacional.

• Quanto aos legitimados, segundo o STF os listados nos incisos I a VII posuem capacidade
postulatória, ou seja estão aptos a ajuizar ação no STF independente de se fazerem representar
por advogado. Por outro lado, os legitimados dos incisos VIII e IX, não possuem capacidade
postulatória sendo necessária a presença de um advogado para o ajuizamento da ação.
Legitimidade Ativa
• Ainda quanto aos legitimados necessário se faz observar a exigencia ou não da demonstraçãode
pertinência temática. O STF fez construção jurisprudencial e diferenciou os legitimados em 2
grupos: UNIVERSAIS E ESPECIAIS.

• UNIVERSAIS: possuem dentre as suas atribuições institucionais defender a ordem constitucional


objetiva, de forma a se presumir o interesse deles na ação, independente de comprovacão de
pertinência temátiva (I, II, III, VI, VII e VIII).

• ESPECIAIS: deverão comprovar pertinência temática, sob pena de a ação não ser conhecida por
ausência de legitimidade ad causam. (IV, V e IX)

• CRITICA: a exigência de pertinencia temática importa em indesejável miscigenação do processo


objetivo com hipótese de interesse de agir típica dos processos subjetivos.
Parâmetro e Objeto

São normas de referência para ADC:

• Normas constitucionais originárias;


• Principios constitucionais não escritos (implícitos);
• Normas constitucionais derivadas, como emendas constitucionais;
• Normas constitucionais fruto de revisão constitucional;
• ADCT enquanto sua aplicação não se esgota e sua aficácia não se exaure;
• Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovadas em cada
Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, 3/5 dos votos, pois equiparados às emendas
constitucionais.
Parâmetro e Objeto

• PREVISÃO LEGAL: O artigo 102, i, ”a”, parte final delimita o objeto da ADC.

• Leis e demais atos normativos federais. Seu objeto é mais restrito do que o da ADI. Somente os
atos normativos federais, não sendo possível a propositura da ADC para declaração de
constitucionalidade de atos estaduais, distritais ou municipais.

• Somente as normas pós constitucionais podem ter sua constitucionalidade discutida em sede de
ADC.

• STF decidiu que é possível discutir em sede de ADC normas editadas entre o período de
05/10/1988 a 17/03/1993.
Competência

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição,


cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação
declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal
Aspectos Procedimentais
• Necessidade de se comprovar relevante controvérsia judicial (art. 14, III da Lei 9.868/99). Trata-se de
controvérsia judicial e não doutrinária. Demonstrar vários julgados de pronunciamentos conflitantes.

• Inexistência de mencão à participação do Advogado Geral da União.

• CRíTICA: caráter dúplice da ADC (art. 24 da Lei 9.868/99), sendo possível a conclusão da ADC em
improcedência, minimamente razoável acionar o Advogado Geral da União para defender a
constitucionalidade do diplloma. A jurisprudência do STF se mantém estável pela desnecessidade do
Advogado Geral da União no procedimento da ADC.

• Amicus curiae: houve veto presidencial oposto ao parágrafo 2º do artigo 18 da Lei 9.868/99, mas tal
não inviabilizou a admissão do amicus curiae, por analogia com o art. 7º, parágrafo 2º da Lei.
Decisão Definitiva - Efeitos

Previsão legal: art. 24, da Lei 9.868/99.

• A decisão produz eficácia erga omnes, efeito vinculante e retroativo (ex tunc, em regra), sendo
admissível a modulação dos efeitos quando da improcedência do pedido.

• O efeito vinculante alcança a todos, inclusive o próprio STF? Há real e efetiva coisa julgada em
controle abstrato de constitucionalidade?

• a vinculação alcança o Poder executivo, mas não o Legislativo, que mesmo após a declaração de
constitucionalidade de eventual lei, pode alterá-la ou revogá-la.
Bibliografia
BARROSO, Luis Roberto. O controle de constitucionalidade no direito brasileiro: exposição
sistemática da doutrina e análise crítica da jurisprudência. 6. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva,
2012.

MARTINS, Ives Gandra da Silva; MENDES, Gilmar Ferreira. Controle concentrado de


constitucionalidade: comentários à lei n. 9.868 de 10/11/1999. São Paulo: Saraiva, 2001.

MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. 3. ed. rev. ampl. atual. Salvador: Editora
Juspodivm, 2015.

MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional. 10. ed.
rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2015.

THAMAY, Rennan Faria Kruger. A coisa julgada no controle de constitucionalidade abstrato: de


acordo com o novo código de processo civil. São Paulo: Atlas, 2015.

THAMAY, Rennan Faria Kruger. A estabilidade das decisões no controle de constitucionalidade


abstrato. São Paulo: Almedina, 2016.

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