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TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

As condições necessárias e suficientes da arte não dependem


das características internas dos objetos.

Como é que um objeto adquire o estatuto de obra de arte?

● Teoria institucional da arte


● Teoria histórica da arte
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria institucional da arte

→ Uma obra de arte é um «um artefacto ao qual uma ou várias


pessoas, agindo em nome de uma certa instituição social (o mundo
da arte), conferem o estatuto de candidato à apreciação» (George
Dickie).
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria institucional da arte

→ Estética e Arte são conceitos diferentes


A estética relaciona-se com a experiência individual; a arte relaciona-
se com a prática social. O contexto cultural em que uma obra é
criada e apresentada é o que faz com que ela seja reconhecida como
arte.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria institucional da arte

→ O conceito de arte não tem sentido valorativo, mas de


classificação
O sentido valorativo da arte é aquele pelo qual julgamos se uma obra
é boa ou má arte. O sentido classificativo é o que fornece um
critério para separar o que é arte daquilo que não o é, não
importando o valor estético do objeto.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria institucional da arte

→ A atribuição do estatuto de arte não depende das


características internas dos objetos

→ O que permite que uma obra seja considerada arte é a presença


de determinadas condições: ser um artefacto candidato à
apreciação.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria institucional da arte

«Uma obra de arte no sentido classificatório é: (1) um


artefacto (2) ao qual uma ou várias pessoas, agindo em nome
de uma certa instituição social (o mundo da arte), atribuem o
estatuto de candidato à apreciação.» (George Dickie)

Para ter o estatuto de arte, é necessário que o artefacto seja


tratado como tal e disponibilizado para apreciação do público.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria institucional da arte

→ No “mundo da arte” incluem-se artistas, galeristas, produtores,


editores, entre outros agentes culturais.

→ “Mundo da arte” não deve ser entendido como uma elite, uma vez
que o conceito é usado para se referir à natureza da arte e ao
contexto institucional em que as práticas artísticas ocorrem e
preparam para a apresentação ao público.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Críticas à teoria institucional da arte

→ É considerada uma teoria pobre, por ser incapaz de distinguir a boa da


má arte, servindo apenas para classificar artefactos como artísticos ou não
artísticos.
→ Redunda num círculo vicioso: um objeto de arte é um objeto que é
inserido no mundo da arte para ser apreciado como arte.
→ Não reconhece como artistas aqueles que criam as suas obras à
margem dos circuitos institucionais.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria histórica da arte

A natureza da arte reside em propriedades não manifestas associadas


ao modo como se processa a sua criação.

X é uma obra de arte se, e só se, X for um objeto acerca do qual uma

pessoa (ou pessoas), possuindo a propriedade apropriada sobre X, tiver

a intenção não passageira de que este seja perspetivado como uma

obra de arte como o foram as obras de arte anteriores.


TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria histórica da arte

→ Retrospetiva - estabelece uma relação com a atividade e o


pensamento humanos presentes ao longo da história da arte.

→ Direito de propriedade - o artista não pode transformar em arte


objetos que não lhe pertençam ou em relação aos quais não esteja
devidamente autorizado pelos seus proprietários.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Teoria histórica da arte

→ Intenção não passageira - ter uma finalidade em mente e


desenvolver ações para a atingir. A relação retrospetiva entre o
passado e o presente não se faz através de características das próprias
obras, mas sim das intenções não passageiras do artista.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Críticas à teoria histórica da arte

→ O direito de propriedade não pode servir como condição necessária


para haver arte. Podemos imaginar contraexemplos que mostram o
contrário do que a teoria propõe. Se soubéssemos hoje que Botticelli ou
Da Vinci tinham roubado os materiais com que criaram as suas obras,
estaríamos dispostos a rever o estatuto de obras de arte atribuído a obras
como O Nascimento de Vénus ou A Virgem e o Menino com Santa Ana?
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Críticas à teoria histórica da arte

→ A condição da intencionalidade não passageira não é


necessária para obter o estatuto de arte. O melhor
contraexemplo é fornecido por Kafka. Os manuscritos de O
Processo e O Castelo deveriam ter sido destruídos a pedido do
autor aquando da sua morte. Contudo, as obras foram publicadas
e ninguém questiona a sua artisticidade enquanto obras literárias.
TEORIAS NÃO ESSENCIALISTAS

Críticas à teoria histórica da arte

→ Se toda a arte, para o ser, tem de relacionar-se com a sua história,


as obras primordiais não podem ser arte, porque antes delas não há
arte. Mas se não o são, como podem as obras seguintes ser arte?

→ Levinson afirma que passa a existir uma relação entre o objeto e a


história da arte, mas deixa por explicar o que é em si mesma uma
obra de arte.

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