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COMPRA E VENDA

MERCANTIL

Prof. Mário Teixeira da Silva


Direito Comercial
1. Natureza Mercantil

- a compra e venda considera-se mercantil


quando comprador e vendedor são
empresários. Ex.: contrato de fornecimento;
outra corrente sustenta que pelo menos o
comprador deva ser comerciante;

- diferente dos contratos regidos pelo Código de


Defesa do Consumidor; nestes o comprador é
sempre o consumidor, o destinatário final.
2. Características e elementos
básicos
• a coisa móvel ou semovente, imóvel, cuja venda
é o núcleo do contrato;

• preço que por ela se pagará;

• consensual - basta que as partes acordem


quanto ao seu objeto e preço;

• a condição empresarial dos contratantes.


- O contrato de compra e venda mercantil é
perfeito e acabado desde que o comprador e
vendedor acordem na coisa, no preço e nas
condições (CC, art. 482).

- A partir desse momento, nenhuma das partes


pode arrepender-se sem o consentimento da
outra, ainda que a coisa não tenha sido
entregue nem o preço pago.
3. Formação do Contrato
- é um contrato consensual (encontro de vontades quanto
ao preço, objeto e condições);

- bens de qualquer espécie (imóvel, móvel ou


semovente), exceto as coisas fora do comércio;

- preço pago em dinheiro; caso contrário seria um


contrato de troca e não compra e venda; todavia, o
objeto da compra e venda mercantil é necessariamente
a mercadoria;

- Condições que podem variar, como venda mediante


aprovação do comprador quanto à qualidade (bebidas,
vestuário) ou, entregar o bem adquirido em lugar e
prazo, sob pena de multa ou desfazimento do negócio.
4. Espécies de venda

• A compra e venda à vista (obrigações são


presentes);
• a crédito ou a prazo (a tradição da coisa é
presente, mas o pagamento é futuro). Previsão
legal: CC, arts. 491 e 495;

• A venda feita a contento do comprador (CC,


art. 509) entende-se aquela realizada sob
condição suspensiva, ainda que tenha havido a
entrega da coisa, mas não se aperfeiçoa
enquanto o adquirente não manifestar o seu
agrado;
• A venda sujeita à prova. Assemelha-se à anterior;
• Em ambas, as obrigações do comprador são as
do comodatário, enquanto não manifesta sua
aceitação.
• Na venda sobre documentos (CC, art. 529), a
tradição é substituída pela entrega do título
representativo e outros documentos exigidos
pelo contrato ou pelos usos. Se a
documentação estiver em ordem o comprador
não pode recusar pagamento;
• Na venda com reserva de domínio (CC, art.
521), o vendedor reserva para si a propriedade,
até que o preço seja inteiramente pago. A
cláusula deve ser escrita e registrada para valer
contra terceiros;
• Sendo a venda feita a vista de amostras, não
é lícito ao comprador recusar o recebimento, se
os gêneros corresponderem perfeitamente às
amostras ou à qualidade designada. Na dúvida,
arbitramento.
5. Responsabilidade das Partes

- Celebrado o contrato, o comprador assume a


obrigação de pagar o preço e o vendedor a de
transferir o domínio, ou seja, entregar o bem;

- Até o momento da tradição, os riscos da coisa


correm por conta do vendedor (CC, art. 492);

Caso as partes não cumpram o contrato


(obrigações):

- 5.1 Se for o comprador: responde pelo valor devido,


perdas e danos e demais encargos assumidos;
• Se o comprador sem justa causa recusar
receber a coisa vendida, ou deixar de a receber
no tempo ajustado, terá o vendedor ação para
rescindir o contrato ou demandar o comprador
pelo preço com os juros legais da mora.

• No segundo caso, deverá o vendedor requerer o


depósito judicial dos objetos vendidos por conta
e risco de quem pertencer. Há necessidade de
interpelação judicial.
- 5.2 Se for o vendedor: o comprador terá a
opção de rescindir o contrato ou de demandar
seu cumprimento com os danos da mora, salvo
caso fortuito ou força maior.

- Neste último caso, o cumprimento será a


obrigação de entregar coisa certa – execução
específica -, além de responder pelo defeito do
bem e sua origem;
- Depois da venda perfeita, o vendedor não
poderá alienar, consumir ou deteriorar a
coisa, sob pena de dar outra igual em
espécie, qualidade ou quantidade, ou na
falta, pagar o valor estimado por
arbitramento;
• Presume-se que o vendedor consentiu na rescisão da
venda se o comprador reenvia a coisa comprada ao
vendedor e este a aceita, sem restrição;

• Não procede a obrigação da entrega da coisa vendida


antes de efetuado o pagamento do preço se, entre o ato
da venda e o da entrega, o comprador sofrer notória
modificação de sua situação patrimonial e não prestar
fiança aos pagamentos nos prazos;

• Desde que o vendedor põe a coisa vendida à disposição


do comprador, são por conta deste todos os riscos e as
despesas que se fizerem com a sua conservação.
6. Regras sobre a coisa
• Sobre a mercadoria a ser transferida,
pode ser atual ou futura. A futura pode ser
certa ou incerta;

• Ainda que a compra e venda deva recair


sobre coisa existente e certa, é lícito
comprar coisa incerta, como por exemplo
lucros futuros.
Regras específicas:
• Não sendo venda a crédito, o vendedor não é
obrigado a entregar a coisa antes de receber o
preço (CC, art. 491);

• A tradição da coisa vendida, na falta de


estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde se
encontrava no tempo da venda;

• Possibilidade de caução (CC, art. 495);

• Salvo estipulação em contrário, o vendedor


responde pelos débitos que gravarem a coisa,
até a tradição;
• Possibilidade de venda com reserva de domínio.
A questão da posse (direta e indireta);

• Aquele que se encontra na posse do bem


(comprador) detém a posse direta;
• Aquele que reservou para si o domínio
(vendedor) detém a posse indireta; ambos
poderão defender a posse contra terceiros;

• A entrega da coisa chama-se tradição, podendo


ser real ou simbólica (CC, art. 492, § 2º).
7. Preço

• O preço deve ser, no mínimo, suscetível de


determinação, e pago em dinheiro (moeda nacional),
ainda que se utilize moeda estrangeira como parâmetro
de correção;

• A fixação do preço pode ser à taxa de mercado ou de


bolsa, em data e local determinados ou em função de
índices;

• Se a fixação do preço ficar a critério exclusivo de um


dos contratantes ou de seu árbitro, o contrato é nulo.
8. Responsabilidade pelo
transporte
- Em princípio, cabe ao vendedor as despesas com a
entrega, caso não tenham combinado as partes outra
forma;

- Há inúmeras classes de contratos, segundo a


distribuição entre as partes das despesas relativas à
entrega;
- Os Incoterms, resumo de costumes comerciais sobre
compra e venda mercantil entre contratantes de países
diversos, foram estabelecidos pela Câmara de Comércio
Internacional (Paris) em 1936, reunidos no Rules for
interpretation of trade terms, espécie de manual
interpretativo das respectivas siglas.
Exemplificando, os mais empregados:

• FOB (free on bord) (posto a bordo): significa que o


vendedor entrega a mercadoria e respectiva
documentação a bordo do navio contratado pelo
comprador, no porto de embarque. O frete, o seguro da
mercadoria e quaisquer outras despesas ocorridas
depois da entrega da mercadoria a bordo do navio no
porto de embarque correm por conta do comprador;

• CIF (cost, insurance and freight) (custo, seguro e frete):


o vendedor entrega a mercadoria a bordo do navio no
porto de embarque, paga o frete ou despesas de
transporte e seguro até o cais no porto do destino.
9. Vícios e defeitos

• O comprador tem o prazo de 10 dias imediatamente


seguintes ao do recebimento, para reclamar do
vendedor falta na quantidade, ou defeito na qualidade.

• No primeiro caso, deverá provar que as extremidades


das peças estavam intactas, e no segundo que os vícios
ou defeitos não podiam acontecer, por caso fortuito, em
seu poder.

• Essa reclamação não tem lugar quando o vendedor


exige do comprador que examine os gêneros antes de
recebê-los, nem depois de pago o preço.
• O vendedor fica responsável pelos vícios e
defeitos ocultos da coisa, que o comprador não
podia descobrir antes de recebê-la;

• sendo tais que a torne imprópria ao uso a que


era destinada, ou que de tal sorte diminua seu
valor, que o comprador, se os conhecera, ou
não a compraria, ou teria dado por ela muito
menor preço.

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