Você está na página 1de 182

CURSO DE DIREITO

Disciplina: Ciência Política e Teoria do Estado


Professor: Dr. Leandro Teixeira dos Santos
Aula: Apresentação do programa da disciplina e
Breve introdução à Ciência Política e à Teoria do
Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

INTRODUÇÃO

Objetivos

a. Apresentar a Ciência Política e a Teoria do Estado


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Tentativas de definir a Política

– Iniciar o debate sobre Ciência Política: o que é a política?

• Política

– Tarefa árdua
» As circunstâncias históricas objetivas
» Maneira subjetiva como cada pensador enxerga a
realidade social.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Tentativas de definir a Política

•Atualmente, a maioria dos tratadistas e escritores se divide em duas


correntes. Para uns, Política é a Ciência do Estado; para outros, é a
Ciência do Poder (AZAMBUJA, 2003, p. 2).

•Como conceito geral, a prática da arte ou ciência de dirigir e


administrar Estados ou outras unidades políticas (The Concise Oxford
Dictionary of Politics [3 ed.])
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Tentativas de definir a Política

• Política x politicagem:

– Oposto do que o conceito original procura nos informar


– Somente o radical em comum
– Politicagem:
» O termo expressa uma forma de agir (corrompida) que
tem por propósito último atender a interesses pessoais
ou trocar favores particulares em benefício próprio.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Tentativas de definir a Política

• Não se deve pensar que os


– Escândalos de corrupção,
– Nepotismo,
– Enriquecimento ilícito de agentes públicos,
– Entre outras situações que nos entristecem no dia a dia
quando acessamos as mídias,
• sejam fenômenos típicos da Política.
• Esta tem como ponto essencial práticas que buscam o bem
comum e a liberdade dos cidadãos.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

• Infelizmente, há quem
entenda que os termos
são sinônimos, sendo
que a significação
compartilhada seria
exatamente aquela
concedida à politicagem.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

A Política e as relações de poder

• Política pode ser entendida


como tudo aquilo que diz
respeito à relação entre os
cidadãos (como membros de
um corpo social) com seus
governantes, quando essa
(relação) tem por fundamento
um tema do interesse do
corpo social (os negócios
públicos) (LIMA, GÓES, 2015,
p. 11).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

A relação entre política e poder

•Anthony Giddens:

– [...] o poder consiste na habilidade de os indivíduos ou grupos fazerem


valer os próprios interesses ou as próprias preocupações, mesmo diante
da resistência de outras pessoas. Às vezes, essa postura envolve o
emprego direto da força, como no caso em que autoridades se utilizam
da violência para fazer valer o que almejam (LIMA, GÓES, 2015, P. 14).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

A Ciência Política e seu objeto de estudo

– Uma definição possível: “A Ciência política é uma área do saber


dedicada ao estudo dos fenômenos políticos que possibilitam o
funcionamento dessas comunidades e a convivência entre os seus
membros” (LIMA, GÓES, 2015, p. 16).

– Dentre estes fenômenos políticos estão:

• Governo, poder, autoridade, conflito, etc.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

A Ciência Política e seu objeto de estudo

• Definida tradicionalmente como a Ciência do Estado, a ciência


política tem por objetivo o estudo do fato político – que é todo o
ato ou situação relativos à formação, estrutura ou atividade do
poder do Estado (AZAMBUJA, 2003).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Esboço histórico da Ciência Política

– A vida política e os fatos políticos (ou fenômeno) foram sempre


objeto de observação e reflexão por parte de filósofos, escritores e
poetas em todos os tempos.

– Darcy Azambuja (2003, p. 13) divide a história do pensamento


político em duas fases, no mundo ocidental.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Esboço histórico da Ciência Política

– Primeira: Do séc. IV a. C. até fins do séc. XIX

• Platão e Aristóteles são considerados os “pais” Ciência Política.

• Platão:
– Nos livros República, Política e Leis procura construir o
Estado ideal
» Onde os governantes seriam filósofos e os filósofos
seriam governantes.
» Definiu o Estado sob uma perspectiva idealista.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Esboço histórico da Ciência Política

• Aristóteles
– Obra “Política”
– Partindo de uma observação da realidade, procurou descrever
o que seria um bom governo.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Esboço histórico da Ciência Política

• Sto. Agostinho e Sto. Tomás

– Contribuição do pensamento cristão para a Ciência Política


– Sto. Tomás de Aquino introduziu conceitos que se tornaram a
base do pensamento liberal moderno.

• Machiavelli

– O Príncipe
– Expõe “a arte de conquistar, manter e exercer o poder”
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Esboço histórico da Ciência Política

• Montesquieu

– O “Espírito das Leis”


– Usou a observação sistemática, histórica e comparativa, e
divulgou o princípio da divisão de poder.

• Tocqueville (A Democracia na América) e Auguste Comte (O


Sistema de Política Positiva)

– Os dois mais importantes pensadores da Ciência Política do


século XIX.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Esboço histórico da Ciência Política

– Segunda fase: Séc. XX até nossos dias.

• Surgimento da Ciência Política como disciplina: estudar e analisar as


estruturas e os processos de governo
• As obras políticas são numerosíssimas, com orientações e métodos
diversos
• Depois da 1ª GM, e sobretudo de 1945 em diante, a ciência política
inicia a fase positiva e se inicia nas Universidades
• Torna-se mais rica e variada
• Renova-se e amplia o campo de conhecimento
• Surgem escolas pensamento, etc.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Relações da Ciência Política com outras Ciências

• Sociologia: O fato social e a sociedade são objeto da sociologia,


e o são da política também.
• Psicologia social (e individual): A opinião pública, as atitudes, o
comportamento, a liderança, são temas comuns a psicologia
social, a psicologia individual e a ciência política.
• Economia: principalmente depois da doutrina marxista.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

Relações da Ciência Política com outras Ciências

• Direito:
– É a atividade do poder que dá o sentido/concretude aos
fatos políticos.
– Essa atividade se exerce por normas que, em sua maior
parte, são o próprio Direito, que de resto é também um fato
político.

• História, geografia humana, demografia humana, antropologia.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

A aplicação da Ciência Política

–Ela tem aplicação objetiva: tem influência na sociedade

• Uso de dados do campo da Ciência Política por empresas


poderosas na organização de campanhas eleitorais.

• Educação cívica, em sentido amplo:

– Não basta, para ser cidadão, votar;


– É preciso conhecer as realidades da vida política:
» Ex.: instituições e regimes políticos.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

TEORIA DO ESTADO

O QUE É E PARA QUE SERVE UMA TEORIA DO ESTADO?

•As teorias têm função cognitiva: buscam captar o mundo, racionalizá-lo, explicá-lo,
dominá-lo.

•A Teoria do Estado (TE):


– Disciplina jurídica originariamente denominada Teoria Geral do Estado (TGE);
– Visa a compreender o Estado como fenômeno social, político e jurídico no
qual nossa vida se desenvolve.
– Aborda as origens, a evolução e o desenvolvimento do Estado. Aborda as
interrelações entre a vida em sociedade, a política, o Estado e o Direito.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

O QUE É E PARA QUE SERVE UMA TEORIA DO ESTADO?

•Perguntas que procura responder:

–O que é o Estado? Qual a sua natureza? Para que serve? Quais são seus fins?
Como surgiram os Estados? Todos são iguais? Como evoluíram? Que formas
assumiram? Que formas poderão assumir?

–O que é o poder estatal? Qual sua natureza e seu fundamento? Como se


distingue das demais formas de poder? Em que circunstâncias o poder estatal é
legítimo? Como limitar o poder do Estado? Quais as estruturas de poder que se
desenvolveram ao longo da evolução do Estado e quais suas vantagens e
desvantagens? Quem exerce o poder estatal e como?
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado

O QUE É E PARA QUE SERVE UMA TEORIA DO ESTADO?

•Perguntas que procura responder:

–Relações entre o Estado e o direito: como a força bruta se transformou em


poder jurídico? O que é o Estado de Direito? Quem governa e como governa o
Estado de Direito? Como o Estado cria o direito que o limita?

–Incluem-se entre seus problemas: o estudo das origens do Estado, de seu


fundamento, suas finalidades, características, tendências, configurações futuras
etc.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula 01: Apresentação do programa da disciplina e breve
introdução à Ciência Política e à Teoria do Estado
CURSO DE DIREITO

Disciplina: Ciência Política e Teoria do Estado


Professor: Dr. Leandro Teixeira dos Santos
Aula 2: Principais linhas teóricas sobre a origem do
Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

INTRODUÇÃO

Objetivos

• Estudar as principais linhas teóricas sobre a origem do Estado


• As teorias naturalistas
• As teorias contratualistas
• Hobbes e a fundamentação do Estado absolutista
• Locke e a fundamentação do Estado liberal
• Rousseau e a fundamentação do Estado democrático-plebiscitário
• Outras teorias sobre o surgimento do Estado
• Teorias Coletivistas
• Teoria do Estado de Direito: a concepção jurídica do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

O ESTADO: A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO

•Maquiavel foi o primeiro a fazer uso da palavra a partir do exercício do poder:

• "Todos os Estados, todos os domínios que têm tido ou têm império


sobre os homens são Estados, e são repúblicas ou principados".
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

O ESTADO: A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO

•O Estado é um ente que se define no tempo histórico – não se configurando,


portanto, a partir de um modelo universalizável.

•O Estado indica uma forma de organização do poder político que vai se construindo
na Europa, aproximadamente, a partir do século XIII.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

O ESTADO: A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO

•Estado:
• Derivada do latim status
• Condição ou o específico modo de ser de alguma coisa

•“[...] um determinado território próprio e independente onde habita um


determinado povo, governado por representantes políticos sob a égide de um sistema
de instituições políticas, jurídicas, administrativas, econômicas, policiais etc”.

•Clássica e bem aceita definição de Georg Jellinek: O Estado é "a corporação de um


povo assentada num determinado território e dotada de um poder originário de
mando".
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

O ESTADO: A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

•Numerosas teorias tentam explicar a origem do Estado


• Contradizem-se em suas premissas e em suas conclusões

•Apresentação das principais linhas teóricas sobre a gênese do Estado:

• As teorias naturalistas
• As teorias contratualistas
• As teorias do Estado de Direito
• As teorias coletivistas.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

•A origem do Estado estaria

• No fato do ser humano ter instinto gregário, ou seja, naturalmente ele


busca viver em grupo.

• Ele busca se associar com outros seres humanos.

• Isso é mais conhecido como a ideia clássica de que o homem é um ser


social e um animal político por natureza.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

• O ser humano é um animal político (zoon politikon) inclinado a fazer


parte de uma polis, a cidade, entendida esta como sociedade política.

• A cidade precede a família e até mesmo o indivíduo, tendo em vista que


responde a um impulso social natural do ser humano.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

• Aristóteles:

• Precursor e, certamente, o mais importante nome dentre os que defendem a


teoria naturalista.

• É ele quem afirma: “o homem é por natureza um animal social”, ou seja, é a


sua natureza que o leva à política.

• Assim, em Aristóteles, o que nós estamos denominando por Estado é uma


instituição NATURAL, necessária e que decorre da natureza humana.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

• Aristóteles:

• A ideia de sociabilidade natural é muito forte no pensamento de Aristóteles:

• A escolha pessoal pela vida reclusa e sem contato com outros homens
seria somente possível para dois tipos extremos de ser humano:

1. Ou aquele caracterizado pela vileza, pela barbárie e ignorância total


diante dos fatos da vida

2. Ou – no outro extremo – por aquele caracterizado pela pureza do


ser, pelo desapego incondicional, em um estado de quase santidade
ou divindade.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

• Aristóteles:

• As finalidades do Estado seriam:

• Segurança da vida social


• Regulamentação da convivência entre os homens
• Promoção do bem-estar coletivo
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

• Essa percepção de que o homem é um ser social e um animal político por


natureza não arrefeceu com o tempo.
• Uma percepção intuitiva
• Dalmo Dallari:
• A teoria naturalista seria aquela que não somente possui, na
atualidade, o maior número de adeptos
• Exerce maior influência na vida concreta do Estado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As teorias naturalistas

• Jurista italiano Oreste Ranelletti: o homem de qualquer período histórico


estará sempre buscando a convivência em grupos

• Consenso entre os adeptos das teorias naturalistas da contemporaneidade:

• “[...] viver em sociedade é algo natural e inerente ao ser humano. Por


que fazem isso: sobrevivência, o bem-estar e as facilidades da vida em
grupo.

• Conclusão: “a sociedade é um fato natural”.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As linhas contratualistas

•Requer maior atenção: há muitos aspectos teóricos fundamentais


• Tenta formular explicações acerca dos motivos que levam pessoas a formarem
governos e manter a ordem social.

•Reúne teorias de exercício de poder entre as mais influentes dos últimos séculos.
• Trouxe à tona conceitos jurídico-políticos fundamentais.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

PRINCIPAIS LINHAS TEÓRICAS SOBRE A ORIGEM DO ESTADO

As linhas contratualistas

•Teorias heterogêneas: uma classe abrangente de teorias com características diversas, embora
unidas todas elas pela ideia central de que o Estado é fruto de um contrato (ou pacto) entre
humanos.

•O Contratualismo – um tipo de teorização importante para diversas áreas – Ciência Política,


Filosofia, Direito, etc.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

•Quem foi Hobbes?


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•A capa do livro:

• Imagem que representa o Estado


• Autor da ilustração: Abraham Bosse – célebre artista francês.
• Faz uma clara divisão entre o poder religioso e o poder político, empunhando
na mão esquerda um cetro episcopal posicionando o poder religioso do lado
esquerdo da imagem e, na mão direita, empunhando uma espada,
representando o poder político.
• Todavia, parece querer demonstrar que a Igreja e o Estado se fundem em um só
corpo que é o do monarca, concentrando em si os poderes religiosos e político.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•A capa do livro:
• Na parte superior da imagem está um homem com proporções de um gigante que
abarca todo um território, que tem nas suas mãos o poder civil e religioso, com
uma coroa e uma armadura.
• Essa armadura se assemelha à escamas como se o gigante fosse um monstro
marinho.
• Composto dos corpos dos indivíduos que compõem aquele Estado.
• Todos os indivíduos estão de costas com as cabeças inclinadas. Todos
direcionam os olhares para o grande soberano, como se ele fosse um rei
sol.
           
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•A capa do livro:
• Já na parte inferior aparecem novos símbolos representando o poder
religioso e o poder político.
• Em oposição aparecem, respectivamente:
• castelo-igreja; coroa-mitra; armas de fogo-chifre e forcado
(emblema do diabo); campo de batalha-tribunal eclesiástico.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•Contexto em que foi escrito o livro:

• O Lorde – Protetor Oliver Cromwell se encontrava no poder na Inglaterra.

• Período de confronto entre a Coroa Britânica, representada pela Dinastia


Stuart, e o Parlamento, no qual tinham assento representantes da incipiente
e ascendente burguesia inglesa da época, partidária do liberalismo.

• Esse conflito assumiu também conotações religiosas e se mesclou com as


lutas sectárias entre católicos anglicanos, presbiterianos e puritanos.

• A crise político-religiosa foi agravada pela rivalidade econômica entre os


beneficiários dos privilégios e monopólios mercantilistas concedidos pelo
Estado e os setores que advogavam a liberdade de comércio e produção.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•Contexto em que foi escrito o livro:

• A conjuntura histórica na qual Hobbes escreveu o Leviatã tinha


elementos de natureza política (disputa entre o Rei e o Parlamento pelo
exercício do poder político de fato), de natureza religiosa (lutas
religiosas/sectárias entre católicos anglicanos, presbiterianos e
puritanos), e de natureza econômica (antagonismo entre beneficiários
do protecionismo estatal e defensores do livre – comércio).

• Em suma, o período no qual Hobbes escreveu o "Leviatã" caracterizou-se


por extrema instabilidade política na Inglaterra.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•A estrutura do livro:
• Publicado em 1651 na Inglaterra;
• Provavelmente, a mais conhecida obra de Hobbes
• Para muitos, considerada sua obra-prima.
• Centro teórico da teoria política hobbesiana, uma vez que
o Leviathan apresenta o pensamento hobbesiano de forma mais explícita e
madura do que nas obras anteriores ou posteriores.
• Referência a monstro marinho: Jó 41, 1-3.
• Animal monstruoso, mas que defende os peixes menores de serem
engolidos pelos mais fortes.
• Simbolicamente esta seria a figura que representa o Estado, o poder do
Estado absoluto.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: Interpretação do Livro Leviatã

•A estrutura do livro:

• A obra se divide em quatro partes:


• 1: Do Homem;
• 2: Da República (na tradução da editora Martins Fontes e também na versão
francesa Les classiques des sciences sociales) ou Do Estado (na tradução da
Coleção Os Pensadores);
• 3: Da República Cristã (na tradução da editora Martins Fontes e também na
versão francesa Les classiques des sciences sociales) ou Do Estado Cristão (na
tradução da Coleção Os Pensadores);
• 4: Do reino das trevas.

• Conceitos centrais da teoria social hobbesiana e sua teoria política com


fundamento no contrato social.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

A visão antropológica hobbesiana

•O homem é assediado de forma igualmente apaixonada pelo desejo de se conservar vivo, o que
o leva a temer de forma profunda a morte.

•São duas paixões que convivem simultaneamente

•Mas, o desejo de conservar a vida atenua o apetite pela paixão e glória.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O estado de natureza em Hobbes

•O que é o estado de natureza de forma genérica?

• Situação hipotética, na qual se encontrariam os homens antes de se organizarem


em sociedade.
• O homem estaria fora de qualquer organização política
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O estado de natureza em Hobbes

• Não há normas e leis


• O homem como lobo do homem:
• Inexistência de um poder superior que limitasse o poder de cada um
• É aquele orgulho e aspiração de glória
• Não há no estado de natureza organização social
• O homem hobbesiano é “associal”.
• Isso acarreta um estado de guerra perpétuo:
• A “guerra de todos contra todos”,
• Onde a violência parece ser incontornável.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

Há solução para isso?


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

• A paixão pela glória e a vaidade levam à guerra


• A paixão pela conservação da vida faz com que o homem procure a paz com seus
semelhantes.
• Embora naturalmente egoísta e mau, o homem é também racional.

• Racionalidade calculadora, consequencialista:


• Mede-se a relação custo/benefício para se atingir um determinado fim.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

• O Contrato é transferência mútua de direitos.

• Através dele, os homens se comprometem mutuamente e submetem suas vontades à


vontade de um soberano que passa a ter poderes de decisão acerca dos assuntos de
interesse comum.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

• Surge o Estado, esse Leviatã, para colocar fim ao estado de guerra de todos contra todos
e, através da força, prover a manutenção da ordem social.

• A figura do Leviatã, o monstro bíblico, se justifica para Hobbes, pois a única


forma de pôr um freio às paixões humanas é através do medo, e nada mais
aterrorizador do que a figura de um monstro colossal,
• “Os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar
qualquer segurança a ninguém” (HOBBES, 2003, p. 143).
• Só o medo da punição pode impedir a desobediência do acordo estabelecido
que, no Estado, se transformam em leis.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

• O Estado: a encarnação de um indivíduo (ou assembleia) que exerceria o


poder político.

• O poder político é criação humana, constituindo uma pessoa artificial (o


Leviatã).

• Não há sociabilidade instintiva


• A sociabilidade é artificialmente criada para tornar possível a
manutenção da vida.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

• Uma das características mais importantes do contrato hobbesiano:

• Redigido e assinado por todos em proveito de um terceiro

• Se trata de uma delegação de poder expressa por cada um daqueles que


formarão o corpo social, a fim de que, cada um, abdicando de seu direito de se
autogovernar, autorize o soberano a governá-lo, sempre na condição de que os
demais contratantes façam o mesmo

• O governante escolhido não é signatário do acordo, mas a pessoa que receberá


a delegação para o exercício do poder delegado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

•O Estado, em Hobbes, tem tripla finalidade:

• Representar os cidadãos, pois, personificando aqueles que a ele (Estado)


livremente delegaram todos os seus direitos e poderes, encontra legitimada a
submissão de todos à sua autoridade soberana;

• Assegurar a ordem, ou seja, garantir a segurança de todos, monopolizando o


uso da força estatal;

• Ser a única fonte da lei, porque a soberania, sendo absoluta, dita o que é justo
e o que é injusto.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

•A validade de uma lei:

•Ela não se definiria em sua justeza (conforme a justiça)


•Mas, pela legitimidade de quem a emanou (o poder soberano).
•A concepção de Estado de Hobbes fundamentou o chamado Estado Absolutista.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

HOBBES E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO ABSOLUTISTA

O Contrato hobbesiano

•A defesa do Estado Absolutista:

• Hobbes defende o absolutismo político não teológico, ou seja, o poder


centralizado na pessoa do soberano, embora também discuta que esse poder
possa estar centralizado em torno de uma assembleia.

• Hobbes defende a monarquia justificando a necessidade de se criar um


Estado forte, capaz de colocar a ordem e trazer segurança à vida dos
indivíduos em sociedade.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

Esforço de síntese:

Hobbes parte do pressuposto de que, no estado de natureza, os homens são


extremamente egoístas, com o intuito de ressaltar a necessidade de se instaurar um
poder para disciplinar as paixões humanas. Ao destacar a natureza das paixões
humanas Hobbes ressalta a natureza egoísta dos indivíduos, em que cada um está
preocupado com sua própria sobrevivência e, por conseguinte, com seus próprios
interesses. De onde surge a necessidade de um poder comum capaz de impor uma
certa ordem, já que os homens, entregues a si mesmos, viveriam em um perene
estado de guerra de todos contra todos (Bellum omnia omnes ou Bellum omnium
contra omnes), sob o domínio de suas paixões.
            A solução é um pacto, um contrato, um acordo comum entre os homens, que
dá origem ao homem artificial, o Estado, a República ou o Leviatã.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

O PENSAMENTO POLÍTICO DE JOHN LOCKE

•Contexto histórico:
• Escreveu seus dois tratados sobre o Governo Civil por volta de 1680, durante seu
exílio na Holanda;

• Inglaterra no século XVII:


• Período marcado pelo confronto entre:
• Os defensores do absolutismo monárquico, encastelados na Coroa
Britânica x
• E a burguesia, representada por seus parlamentares na Câmara dos
Comuns.
• Desfecho com a vitória das forças sociais que defendiam o Parlamento, o
liberalismo político, contra as que pugnavam pelo absolutismo
monárquico.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O Estado de natureza em Locke

• Pressupõe a existência de um estado natural


• Existência parece ser uma realidade e não uma ficção.

• O estado de natureza:
• Embora seja um momento anterior ao estado civil ele não é pré-social
• A família e a propriedade caracterizam a existência efetiva do estado natural
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O Estado de natureza em Locke

•Situação em que todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita
liberdade;

•É caracterizado pela equidade entre os indivíduos;

•Situação de convivência pacífica entre os homens: todos iguais e independentes, nenhum


deve prejudicar a outrem na vida, na saúde, na liberdade ou nas posses.

•Na sua concepção individualista, os homens viviam em estágio pré-social e pré-político,


caracterizado pela mais perfeita liberdade e igualdade, denominado estado de natureza.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O Estado de natureza em Locke

• Em um estado de natureza os homens possuem direitos inatos à vida, à


propriedade e à liberdade, bem como a faculdade de castigar qualquer ofensa.

• Ele não é um estado de violência:


• A própria sociedade possuiria o direito de, com suas próprias mãos,
defender a vida, a liberdade e os bens daqueles que vivem de acordo com
essas leis (naturais).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: O direito a propriedade em Locke

•Locke aborda a questão do direito de propriedade conceituando-o segundo duas


significações diferentes:
• A primeira designando-a como algo que representaria, simultaneamente, a
vida, a liberdade e os bens como direitos naturais do ser humano.
• A segunda acepção significa, rigorosamente, a posse de bens móveis e
imóveis.

•Ao contrário de Hobbes, para Locke "a propriedade já existe no estado de natureza e,
sendo uma instituição anterior à sociedade, é um direito natural do indivíduo que não pode
ser violado pelo Estado" (Weffort, 1991, p. 85).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

ADDENDUM: O direito a propriedade em Locke

•O direito à propriedade seria natural e anterior à sociedade civil, mas não inato.
•Sua origem residiria na relação concreta entre os homem e as coisas, através do processo
de trabalho.
• O trabalho é a origem e o fundamento da propriedade - o trabalho era, na
concepção de Locke, o fundamento originário da propriedade.
•Além do trabalho, o uso do dinheiro é uma forma legítima de se exercer o direito à
propriedade.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O Estado de natureza em Locke

Então, por que seria necessário passar do estado de natureza para um estado
civil/político*, se o primeiro (diferentemente da construção pensada em Hobbes) já
teria por pressuposto os direitos à liberdade, à vida e à propriedade?
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O contrato social em Locke

•Resposta:

• A fraqueza humana levaria a comportamentos contra natura (que se opõe ou


contraria as leis naturais) e a lei não-escrita (lei natural) está sujeita a
contestação.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O contrato social em Locke

•Superar inconvenientes:

• Uma possível tendência de os indivíduos se autofavorecerem , assim como a


seus parentes e amigos, na inexistência de uma autoridade superior isenta,
que tivesse poder suficiente para solucionar conflitos entre os interesses dos
indivíduos. Desta maneira, o direito à propriedade e a manutenção da
liberdade e da igualdade estaria ameaçada.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O contrato social em Locke

•Superar inconvenientes:

• Dito de outra forma:


• Desrespeito ao direito de propriedade, entendida como vida, liberdade e
bens;
• Inexistência de juiz isento, imparcial, fato que conduziria à inclinação do
homem para ser juiz em causa própria
• A ausência de uma força coercitiva para impor a execução das sentenças.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O contrato social em Locke

•Resposta:

• Importante: O que realmente se almeja com a criação do estado civil (político) por
meio de um contrato social: maior garantia e respeito aos direitos naturais,
aperfeiçoando o sistema de sanção aos que os violassem.

• O objetivo é salvaguardar os seus direitos naturais (à felicidade, à liberdade, à


igualdade, à propriedade).

• Abre-se mão do seu direito natural de fazer justiça pelas próprias mãos, para
confiar tal direito a uma organização estatal (estado civil).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

Observe: “[...], um dado de suma importância no contrato imaginado por Locke é


que, contrariamente ao indicado em Hobbes, ao entrar na sociedade civil, o indivíduo
não aliena todos os seus direitos, pois, ao confiar o cuidado da sua salvaguarda às
leis, cede tão somente o seu direito de punir”.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O contrato social em Locke

•A criação do Estado civil por intermédio do contrato social concomitantemente cria o direito
positivo.

•As condições da coexistência harmoniosa dos indivíduos iguais e livres são:


• a) uma lei positiva, clara para todos;
• b) um juiz reconhecido como tal por todos, imparcial e competente;
• c) um poder para fazer respeitar a lei.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O contrato social em Locke

•A importância da lei:

• A lei não tem como objetivo


abolir a liberdade
• Mas de gerir a coexistência
das liberdades dos membros
da comunidade política.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O direito de resistência

•Se o governo não for capaz, através das leis, de garantir os direitos à vida, à liberdade e à
propriedade?

• A hipótese de transgressão dos direitos naturais (direitos à vida, à liberdade e à


propriedade) acaba por justificar o direito de insurreição por parte do corpo social.

• O povo tem discernimento para:


• Julgar se os magistrados são dignos da confiança atribuída

• O povo possui o direito de exonerar um príncipe se ele não cumprir sua função de
magistrado civil.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O direito de resistência

• A tirania no pensamento de Locke:

• Situação na qual o soberano, contrariando o poder supremo por ele representado,


desrespeita a lei.
• Não garantia da vida, liberdade e propriedade  governo ilegítimo  legitimidade
de rebelião/resistência.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O direito de resistência – lógica:

•O poder dos governantes seria outorgado pelos signatários (participantes) do contrato


social e, portanto, revogável.

•Com base nessa premissa, sustenta-se o direito de resistência e insurreição sempre que se
fizer presente o abuso de poder por parte das autoridades.

•Quando o governante torna-se tirano, coloca-se em situação de guerra contra o povo.


Este, se não encontrar qualquer reparação pode revoltar-se, e esse direito é uma extensão
do direito natural que cada um teria de punir seu agressor.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O direito de resistência – lógica:

•Se, para o homem, a razão de sua participação no contrato social é evitar o estado de
guerra, e a tirania é um estado de guerra do governante contra seus súditos, então trata-se
de uma quebra do contrato.

•É como se a sociedade retrocedesse a uma situação de estado de natureza, fazendo do


referido contrato letra morta. Diante desse quadro, seria legítimo que o povo, por
intermédio da destituição do governante tirano, tentasse restabelecer o estado civil,
mediante a repactuação do contrato social.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O Estado é uma instituição que deve servir ao indivíduo

•Defende o Estado liberal e não a monarquia absoluta

• A sociedade civil conserva certa autonomia em relação ao governo civil

• A tarefa do governo civil, com o objetivo de atingir o bem público é:


• Produzir leis, executá-las, bem como de utilizar-se da força e das
sanções penais, caso sejam descumpridas.

• Estado deve servir ao indivíduo.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

A principal diferença entre o pacto de submissão de Hobbes e o pacto de consentimento


de Locke:

•No primeiro, os direitos naturais do ser humano são subtraídos pelo soberano, que passa a
concentrar uma soma muito grande de poder e direitos, enquanto que aos súditos só resta o
direito de preservação da própria vida;

•No segundo, os direitos naturais dos indivíduos são mantidos, e o contrato é celebrado
com a finalidade de proporcionar maior proteção aos referidos direito, principalmente ao de
propriedade.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Principais linhas teóricas sobre a origem do Estado

LOCKE – A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO LIBERAL

O primado da lei no Estado. Organização e limites do poder político

• Locke (síntese):

• Teórico no qual o individualismo moderno e a monarquia


constitucional encontram suas bases teóricas.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

“Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”:

•Bases de uma das mais famosas teorias contratualistas


•Busca explicar os fundamentos sobre os quais se firma o processo gerador das
desigualdades sociais e morais entre os seres humanos.
•É nesta obra que temos a conformação do que o contratualista suíço entende por
estado de natureza.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O estado de natureza em Rousseau

•Estabelecimento de 4 premissas ao iniciar o tema:

• Primeira: No estado de natureza, não existiriam agregações sociais, nem


mesmo família.

• Segunda: O estado de natureza parece ser somente uma hipótese.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O estado de natureza em Rousseau

•Terceira: remete a antropologia rousseanuniana – a visão que Rousseau tem do


homem em seu estado essencial.

• Mito da famosa “bondade natural do homem” no estado de natureza.


• “O homem é naturalmente bom”: não existe perversidade original no
coração humano
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O estado de natureza em Rousseau

• Trata-se de uma bondade natural, uma inocência original, que levou a


que o homem no estado de natureza conhecesse um estado de felicidade
do qual poderia nunca ter saído.

• O estado de natureza é o reino da liberdade, da espontaneidade, da


moralidade (natural) e também da felicidade do homem.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O estado de natureza em Rousseau

•Quarta: A ideia de perfectibilidade:

• Ao homem natural é atribuída a perfectibilidade, ou seja, a


faculdade de se aperfeiçoar
• Faculdade de se aperfeiçoar  potencial humano de mudar – o que não
garante que isto o leve para um estágio necessariamente melhor.
• Buscar o melhor de si.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O homem em sociedade: a corrupção do estado natural

• Impossibilidade de manter-se neste estado de felicidade e a formação


de grupos sociais acaba por corromper o homem.

• Como teria se desencadeado o processo histórico de degenerescência?

• Como puderam homens bons dar origem a uma sociedade má?


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O homem em sociedade: a corrupção do estado natural

• A vida em grupo: ao iniciar a vida em grupo, os homens começam a


comparar-se entre si, e estas comparações desenvolvem a sua faculdade
de raciocínio. Com isso, descobrem que vivem sob o olhar do outro.

• Como a desigualdade se originou?


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O homem em sociedade: a corrupção do estado natural

• Como a desigualdade se originou?

• 2 tipos de desigualdades:

• a natural ou física, que resulta da diferença de idade, saúde, vigor,


habilidades físicas, aptidões intelectuais etc.,
• Inevitável

• a desigualdade moral ou política, que é de instituição humana.


• Um problema: é geradora da exploração do homem pelo homem.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O homem em sociedade: a corrupção do estado natural

• Como a desigualdade se originou?

• A desigualdade moral ou política vincula-se à divisão do trabalho


favorecendo reagrupamentos sociais, cuja organização propiciaria um
distanciamento cada vez maior da simplicidade originária.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O contrato social e o governo do povo soberano pelas leis

•O homem foi afastado de seu estado de natureza

• Problema: dar à sociedade uma forma tal que este homem recupere sua
liberdade, mesmo vivendo em sociedade.

• Propõe conciliar a liberdade natural do homem e a necessidade de uma


ordem política, definindo as condições de uma ordem social justa, nas quais
a liberdade e a igualdade sejam salvaguardadas de qualquer forma de
opressão, guiando-se por regras comuns imprescindíveis.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O contrato social e o governo do povo soberano pelas leis

•O homem foi afastado de seu estado de natureza

•Isto deverá se dar por intermédio de um pacto ou “contrato social”.

• Estabelece uma comunidade política fundamentada na soberania do


povo, única fonte legítima do poder.

• O povo constitui um corpo coletivo e moral detentor da autoridade


suprema.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ROUSSEAU E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO-PLEBISCITÁRIO

O contrato social e o governo do povo soberano pelas leis

•Contrato social permite passar da dependência dos homens para a dependência das leis.

•Em Rousseau:

• O Estado regido por leis é uma república, por oposição ao despotismo.


• O pensador rejeita a ideia de democracia representativa de Locke;
• A vontade não se representa.
• A democracia de Rousseau é a democracia direta ou plebiscitária.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

Hobbes (1588-1679) Locke (1632-1704) Rousseau (1712-


1778)
Antes da criação do poder No estado de natureza, Antes de haver
do Estado impera a lei antes de haver o Estado e a sociedade
natural do mais forte. O Estado, os indivíduos já organizada, os seres
Estado de natureza é gozam de direitos humanos são livres,
aquele em que todos se básicos como a iguais e bons. A
julgam com direito a tudo. liberdade, a sociedade é que os
Por isso, ninguém propriedade e o direito corrompe. No estado
reconhece ou respeita a vida. Contudo, não natural há, contudo,
direito algum. A vida existem mecanismos dificuldade de
humana é nesta situação que obriguem ao satisfazer as
um constante conflito e respeito destes direitos necessidades básicas.
está constantemente naturais nem para Não há direitos
ameaçada pela guerra de legitimamente castigar anteriores ao
todos contra todos. os que os violam. contrato.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

Hobbes (1588-1679) Locke (1632-1704) Rousseau (1712-1778)

Ninguém, racionalmente, Para assegurar o Cada membro da


pode aceitar viver uma respeito pelos sociedade abdica sem
situação em que não há direitos naturais, reserva de todos os seus
garantia alguma de que os indivíduos dão direitos em favor da
continuará a viver. Para ao Estado o poder comunidade. Mas como
garantir uma certa segurança, de os defender e todos abdicam, na
ordem e estabilidade, os tutelar. O contrato verdade, cada um nada
indivíduos renunciam social é revogável: perde. Cada membro
incondicional e pode ser revogado enquanto elemento ativo
irrevogavelmente a todos os caso os do todo social, ao
seus direitos. Cedem eles a governantes não obedecer à lei, obedece a
uma só pessoa: o soberano, a respeitem os si mesmo. O contrato não
única autoridade que pode direitos faz o indivíduo perder a
assegurar a ordem e a paz inalienáveis dos sua soberania, pois ele não
sociais. cidadãos. cria um Estado separado
de si mesmo.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

Hobbes (1588- Locke (1632-1704) Rousseau (1712-


1679) 1778)
Consequência Estado autoritário: Democracia Democracia direta.
poder absoluto do representativa
monarca ou do
soberano
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

•Explicações para o surgimento do Estado:


• Teorias naturalistas e contratualistas dominam
• Existem outras linhas teóricas – novo olhar

•Destaques para alguns pontos dos “outros olhares”


• Ampliar nosso instrumental crítico
• Sínteses:
• Teoria do Estado de Direito
• As teorias coletivistas
• Concepção moral do Estado
• Concepção sociológica do Estado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

Teorias Coletivistas

• A concepção moral do Estado:

• Pressuposto:
• Poder totalizante do Estado diante do indivíduo.
• O indivíduo está em posição fragilizada perante a força estatal, não
estando apto a fazer valer supostos direitos fundamentais.
• O Estado que tem direitos perante o indivíduo/cidadão, pois a identidade
real do ser humano inibe-se diante do caráter universal do Estado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

•Teorias Coletivistas

• A concepção moral do Estado:

• Friedrich Hegel:
• O Estado é um todo ético organizado
• Tanto a família, como a sociedade civil são abstrações que praticamente
inexistem em face da única realidade materializada: o Estado.
• O Estado se traduz em entidade que ultrapassa a realidade social
concreta e passa a ser concebido como uma ideia ética fundamental.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

•Teorias Coletivistas

• A concepção moral do Estado:

• Quem foi Friedrich Hegel (1770-1831)?


• Importante filósofo do início do séc. XIX
• Professor em várias universidades alemãs (Universidade de Heidelberg).
• Várias áreas do conhecimento no campo da política
• Viveu em uma Alemanha dividida em territórios independentes
• Cada qual com sua organização jurídica e militar própria.
• Motivo para considerar o Estado “a mais alta realização do espírito
absoluto”.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

•Teorias Coletivistas

• A concepção moral do Estado:

• Quem foi Friedrich Hegel (1770-1831)?

•Obras:
• Fenomenologia do espírito (1807)
• Ciência e Lógica (1812-1816)
• Enciclopédia das ciências filosóficas (1817-1830)
• Elementos da Filosofia do Direito (1817-1830).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

•Teorias Coletivistas

• A concepção sociológica do Estado:


• Tenta explicar o aparecimento do Estado em razão de determinadas
circunstâncias históricas.

• Marx:
• O Estado não seria o reino da razão e/ou do bem-comum
• E sim da força e do interesse de uma parte específica da sociedade.
• O surgimento do Estado é uma forma de garantir que os interesses de
uma dada classe se façam valer no mundo dos fatos.
• A finalidade do Estado não seria a de proporcionar o bem-viver de todos
os membros do grupo
• Mas somente para uma minoria que detém o poder.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

OUTRAS TEORIAS SOBRE O SURGIMENTO DO ESTADO

•Teorias Coletivistas

• A concepção sociológica do Estado:

•Marx:

• O discurso de realização do bem-comum:


• Mecanismo ideológico que busca esconder os verdadeiros interesses
da classe dominante

• Conceder a aparência de legitimidade ao poder por ela exercido.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

TEORIA DO ESTADO DE DIREITO: A CONCEPÇÃO (A ORIGEM) JURÍDICA DO ESTADO

•Teorias dualistas: o Direito e o Estado constituem realidades plenamente distintas.


•Correntes monistas (unidade):
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

TEORIA DO ESTADO DE DIREITO: A CONCEPÇÃO (A ORIGEM) JURÍDICA DO ESTADO

•Correntes monistas (unidade):

• Buscam eliminar o dualismo jurídico estatal.


• O Estado se revelaria com o próprio ordenamento jurídico
• Há uma implicação mútua em suas existências.
• O Direito somente pode ser reconhecido a partir do momento em que o
Estado se desenvolve como Estado
• E o Estado somente tem por reconhecidos seus atos quando emanados
por meio da forma jurídica/por intermédio do Direito.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

TEORIA DO ESTADO DE DIREITO: A CONCEPÇÃO JURÍDICA DO ESTADO

• O Estado se configura como um organismo de caráter político


• Mas, que depende do Direito para regular:
• As relações sociais
• A correta aplicação da força.

• Observe: “Se o Direito é natural decorrência do fenômeno estatal, no chamado


Estado de Direito é também, e de forma concomitante, o instrumento pelo qual
o Estado atua de forma legítima e não arbitrária”.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•Thomas Hobbes e justificativa para as monarquias absolutistas

• O soberano é o rei absolutista


• Os poderes do soberano eram ilimitados.
• O soberano concentrava em suas mãos o poder absoluto do Estado, não
havendo separação entre os poderes estatais.
• Representação do poder ilimitado: Rei absolutista Luís XIV – “O Estado sou
eu!”
• O rei criava todas as leis, as executava e julgava àqueles que a
desrespeitassem. Ele estava acima da própria lei.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•Questionamentos ao Estado Absolutista e nascimento do “Estado de direito”:

• Nasceu depois da Revolução Francesa: marco do fim do absolutismo e a


instauração do governo parlamentarista
• Passa a vigorar o Estado de Direito:
• Forma de Estado justificada pelo John Locke – Segundo Tratado sobre o
Governo.
• No Estado de Direito, o governante não detém poder absoluto.
• A lei está acima de todos, estando acima até mesmo dos
governantes.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•A lei é soberana e está acima de todos, mas quem cria essa lei? E ela atende aos
interesses de quem? 

• A grande questão do Estado de Direito está no fato de que não há


necessidade de contemplar o que chamamos de “vontade geral”.

• O poder não emana necessariamente do povo e não há responsabilidade


com a soberania popular.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•O Estado Democrático de Direito:

• Soberania da vontade geral – Conceito debatido por Rousseau no livro “O


contrato social”. É o atendimento do interesse comum da sociedade.

• No Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo,
respeitando-se a dignidade da pessoa humana.

• Democracia representativa:
• Leis confeccionadas pelos representantes do povo ou por iniciativa popular.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•Valores e princípios do Estado Democrático de Direito:

• (1) Um Estado Democrático de Direito tem o seu fundamento na soberania


popular;

• (2) A necessidade de providenciar mecanismos de apuração e de efetivação da


vontade do povo nas decisões políticas fundamentais do Estado, conciliando uma
democracia representativa, pluralista e livre, com uma democracia participativa
efetiva;
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•Valores e princípios do Estado Democrático de Direito:

• (3) É também um Estado Constitucional, ou seja, dotado de uma constituição


material legítima, rígida, emanada da vontade do povo, dotada de supremacia e
que vincule todos os poderes e os atos dela provenientes;

• (4) A existência de um órgão guardião da Constituição e dos valores


fundamentais da sociedade, que tenha atuação livre e desimpedida,
constitucionalmente garantida;
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•Valores e princípios do Estado Democrático de Direito:

• (5) A existência de um sistema de garantia dos direitos humanos, em todas as


suas expressões;

• (6) Realização da democracia – além da política – social, econômica e cultural,


com a consequente promoção da justiça social;

• (7) Observância do princípio da igualdade;

• (8) A existência de órgãos judiciais, livres e independentes, para a solução dos


conflitos entre a sociedade, entre os indivíduos e destes com o Estado;
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

ESTADO DE DIREITO X ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO:

•Valores e princípios do Estado Democrático de Direito:

• (9) A observância do princípio da legalidade, sendo a lei formada pela legítima


vontade popular e informada pelos princípios da justiça;

• (10) A observância do princípio da segurança jurídica, controlando-se os excessos


de produção normativa, propiciando, assim, a previsibilidade jurídica.

• (11) Separação dos poderes.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Modernização social e as origens do Estado

TEORIA DO ESTADO DE DIREITO: A CONCEPÇÃO JURÍDICA DO ESTADO

•O Estado de Direito é um “gênero”:

• Comporta espécies:
• Estado liberal
• Estado social
• Estado socialista.
• Tais espécies compartilham entre si a vinculação à lei para atuar e atingir
seus fins específicos.
CURSO DE DIREITO

Disciplina: Ciência Política e Teoria do Estado


Professor: Dr. Leandro Teixeira dos Santos
Aula: Estado moderno e os seus elementos
essenciais
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

INTRODUÇÃO/OBJETIVOS

•Retrospectiva:
• Estudo sobre a origem do Estado
•O que vamos estudar a partir de agora?
• Conhecer quais são os elementos essenciais do Estado na
contemporaneidade.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

RAZÃO PELA QUAL POVO, TERRITÓRIO E SOBERANIA TEREM SE TORNADO ELEMENTOS


ESSENCIAIS DO ESTADO:

•Mas o que é “essencial” em alguma “coisa”?

• Essencial é tudo aquilo que faz a coisa ser o que é.


• Ou seja, retirando-se qualquer um dos elementos essenciais da “coisa”, ela deixa
de ser “a coisa”.
• Exemplo do automóvel
• Sem rodas – essencial – não é um automóvel
• Sem rádio – acessório – É um automóvel
• Fica a dica: faltando qualquer um dos elementos considerados essenciais do
Estado, este não poderá mais ser assim considerado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

RAZÃO PELA QUAL POVO, TERRITÓRIO E SOBERANIA TEREM SE TORNADO ELEMENTOS


ESSENCIAIS DO ESTADO:

Estado Moderno

• Estado Nacional propriamente dito


• Surgiu nos momentos derradeiros das guerras religiosas, com o colapso do que
costuma se chamar de Estado Medieval.
• Os três elementos essenciais só irão coexistir após a superação da concepção dual
de poder do Estado Feudal, cuja linha dominante era predominância das guerras
religiosas.
• Disputa mais aguda pela supremacia política
•Poder eclesiástico/espiritual (do Papa) x O poder temporal (do Imperador)
• As deficiências da sociedade política medieval: determinantes para estabelecer as
características fundamentais do Estado Moderno.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

RAZÃO PELA QUAL POVO, TERRITÓRIO E SOBERANIA TEREM SE TORNADO ELEMENTOS ESSENCIAIS DO
ESTADO:

Síntese em relação ao modelo westphaliano de Estado

• Ele simboliza, a um só tempo:

a) a passagem do Estado Medieval para o Estado Absoluto;


b) a criação do Direito Internacional Público, tal qual é concebido nos dias
atuais;
c) o nascimento do Estado Nacional propriamente dito, formado a partir da
coexistência dos seus três grandes elementos essenciais (povo, território e
soberania una e indivisível).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

TERRITÓRIO: A DELIMITAÇÃO ESPACIAL DO PODER

•Elemento material
•Indispensável a existência do Estado
•O território fixa a jurisdição do Estado: os limites dentro dos quais se exerce a soberania do
Estado.
•Conceitos:
• A base geográfica do poder estatal, a base física sobre a qual o Estado irá exercer
sua jurisdição soberana.
• Ferrucio Pergolesi: território é “a parte do globo terrestre na qual se acha
efetivamente fixado o elemento populacional, com exclusão da soberania de
qualquer outro Estado”.
• É a delimitação espacial do poder.
• Zona de impenetrabilidade da ordem jurídica de qualquer outra entidade
política (área interditada para qualquer ação soberana de outro Estado).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

TERRITÓRIO: A DELIMITAÇÃO ESPACIAL DO PODER

•O território e seu caráter multidimensional


• A soberania se estende sobre: a superfície terrestre, o espaço aéreo, as águas
territoriais, o subsolo terrestre e marinho, os rios, lagos, baías, bacias, golfos,
enclaves e qualquer outro espaço destacável do núcleo central do Estado.

•Território descontínuo? A base física dentro da qual se exerce a soberania estatal pode ou não
ser contínua, englobando os espaços geográficos destacáveis da superfície terrestre principal do
Estado.
• Jurisdição territorial do Estado
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

GUERRAS DAS MALDIVAS

•Ilhas Malvinas, Atlântico Sul


•Reservas de petróleo
•Argentinos x Ingleses
•Ingleses: ocupam as Ilhas
Falklands desde 1883.
•1982: Tentativa argentina de
retomada = Guerra das Malvinas.
•Grã-Bretanha (Apoiada pelos
EUA)
•Geopolítica sul-americana:
integração entre Brasil e
Argentina  MERCOSUL
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Síntese – Leitura dirigida: “O conceito de território, na condição de base


físico-geográfica delimitadora da ação soberana do próprio Estado, admite a
descontinuidade geográfica, como é o caso das Ilhas Malvinas. Porém, o que
se deve deixar claro é que o que não se mostra de forma alguma possível é a
existência de um mesmo território sob a convivência de duas soberanias
distintas”. Com efeito, [...], é inadmissível a divisão do exercício da soberania
diante dos princípios da unidade e da indivisibilidade do poder de império do
Estado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

TERRITÓRIO: A DELIMITAÇÃO ESPACIAL DO PODER

•O território e o poder de império do Estado


• Somente com o Estado Moderno é que o território passou a ser considerado
como elemento essencial do Estado.
• Com o “Estado westfaliano”: o conceito de território passou a ser associado
diretamente a um poder de império, dotado de latitude jurídico-política
capaz de impor coercitivamente a vontade do Estado.
• Existe Estado sem território ou não?
• Não de acordo com a doutrina majoritária.
• A perda temporária do território:
• Estado continuará a existir enquanto não se caracterizar que esta perda foi
definitiva, sem possibilidade de reintegração do território perdido.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

TERRITÓRIO: A DELIMITAÇÃO ESPACIAL DO PODER

•O território e o poder de império do Estado


• O território é patrimônio do povo ou é propriedade do Estado?
• O território é patrimônio do povo e não propriedade do Estado.
• Existiria um limite mínimo de extensão para que o Estado seja
reconhecido como tal? Não.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

O CONCEITO ATUAL DO ELEMENTO “TERRITÓRIO”

•São as seguintes as áreas do território marítimo estatal:

• Mar Territorial (MT);


• Zona Contígua (ZC);
• Zona Econômica Exclusiva (ZEE);
• Plataforma Continental (PC).

• Elas estão submetidas a diferentes regimes jurídicos.


• Somente o Mar Territorial pode ser considerado parte do território: somente
nele o Estado Costeiro tem soberania plena.
• Demais áreas: o Estado tem direitos específicos = o Estado não tem soberania
plena nessas áreas do território marítimo.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Mar Territorial – “Uma zona de mar adjacente”

•Ideia antiga
•Defesa do Estado: a fixação do seu limite segundo a potência dos canhões dos navios da época.
•Direito Internacional: 3 (três) milhas
•Razões para a expansão para 12:
• Crescentes possibilidades de exploração das riquezas advindas do solo e do
subsolo marítimo
• Pleito de 12 a 200 milhas.
•Brasil e a defesa das 200 milhas.
• Contestado: ferir o princípio da liberdade dos mares.
• 1970 (Decreto-lei nº 1.098, de 25 de março de 1970) – 1993 (Lei nº 8.617/93):
Brasil e as 200 milhas unilateralmente
• Pressão internacional
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Mar Territorial – “Uma zona de mar adjacente”

•Estende-se até 12 milhas náuticas (uma milha marítima tem 1.852 metros) da linhas
de base: 22,2 km de território marítimo.
•Uma zona de mar subjacente em que a soberania do Estado costeiro estende-se além
de seu território e das suas águas interiores (situadas no interior da linha de base do
mar territorial), englobando o espaço aéreo sobrejacente, bem como o leito e o
subsolo do mar.
•Estado exerce soberania plena sobre a massa líquida, sobre o espaço aéreo
sobrejacente, bem como também sobre o leito e o subsolo deste mar.

•Os navios estrangeiros no Mar Territorial brasileiro estarão sujeitos aos


regulamentos estabelecidos pela lei brasileira.
Lei n. 7565/86. art. 11: O Brasil exerce completa e
exclusiva soberania sobre o espaço aéreo acima de seu
território e mar territorial.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Zona Contígua (ZC)

•Estende-se de 12 (logo após o MT) a 24 milhas marítimas


•Estado costeiro não tem soberania plena – capacidade de controle relativo
• Estado poderá adotar as medidas de fiscalização necessárias para:
• a) Evitar as infrações às leis e aos regulamentos aduaneiros, fiscais, de
imigração ou sanitários, no seu território ou no seu mar territorial; e
• b) Reprimir as infrações às leis e aos regulamentos no seu território ou no
seu mar territorial.
• Ex:
• Inspeções sanitárias em navios (a fim de impedir alguma epidemia no
território)
• Inibir a entrada de imigrantes ilegais
• Evitar que seres humanos sejam transportados de forma degradante
• Adotar medidas aduaneiras e fiscais, etc.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Zona Econômica Exclusiva (ZEE)

•Estende-se das 12 às 200 milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem
para medir a largura do mar territorial
•Estado costeiro exerce direitos específicos para fins econômicos:

• Exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais, vivos


ou não vivos, das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e seu
subsolo, e a outras atividades com vistas à exploração e ao aproveitamento da
zona para fins econômicos.

•Direitos especiais para a investigação científica marinha e para a produção de energia (água,
correntes e ventos).
• Um Estado pode permitir que outro faça investigação científica marinha em sua
ZEE
• O Estado costeiro tem o dever de proteger e preservar o meio marinho desta área.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Plataforma Continental (PC) – Continental Shelf

•Soberania é limitada ao exercício de direitos para efeitos de exploração dos recursos


naturais.
•Mas quais são os seus limites?

• O leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu


mar territorial, em toda a extensão do prolongamento natural de seu
território terrestre, até o bordo exterior da margem continental, ou até
uma distância de duzentas milhas marítimas das linhas de base, a partir
das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo
exterior da margem continental não atinja essa distância.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Plataforma Continental (PC) – Continental Shelf

•Convenção de Montego Bay (1982):


• O limite exterior da PC coincidirá com o limite da ZEE (200 milhas
náuticas).
• Então, é: para que demarcar uma região específica que cumpriria os
mesmos objetivos da ZEE?
• É que os limites entre a ZEE e a PC coincidirão somente se as
inclinações abruptas ocorrerem nos limites das 200 milhas.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Plataforma Continental Estendida

•A faixa de mar que se encontra entre 200 e 350 milhas do litoral.


•A dimensão exata da PC estendida:
• Levantamento físico feito pelo Estado costeiro.
• Brasil fez o levantamento completo de sua PC
• Acabou por ganhar uma área chamada de “Amazônia Azul”
• Pré-sal: exploração das reservas de hidrocarbonetos
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

O POVO: TRAÇOS CARACTERÍSTICOS E DISTINTIVOS

•Uso amplo e indiscriminado: confusão com população e nação


•O conceito de povo em seu sentido jurídico-político:
• Conceito relacionado ao vínculo da nacionalidade entre a pessoa e o Estado.
• Povo: “o conjunto de indivíduos que em um dado momento se unem para
constituir o Estado, estabelecendo, assim, um vínculo jurídico de caráter
permanente”.
• Do vínculo citado surge a NACIONALIDADE:
• Ela é um atributo que capacita os indivíduos a se tornarem cidadãos
• Como cidadão participam da formação da vontade do Estado e do
exercício do poder soberano.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

A diferenciação entre os conceitos de povo e população

•Povo é o elemento humano do Estado. É um conceito mais restrito que o de população.


•Para ser povo precisa do vínculo jurídico-político direto com o Estado: a nacionalidade.
•População:
• Expressão numérica, demográfica ou econômica, que abrange o conjunto de
pessoas que vive no território de um Estado ou mesmo que se encontre nele
temporariamente.
• Ex:
• Brasileiro estudando nos EUA:
• Não faz parte da população brasileira, mas faz do povo
brasileiro. Ele é cidadão brasileiro.
• Faz parte da população dos EUA, mas não é cidadão americano
(não faz parte do povo dos EUA).
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

O conceito de “nação” a partir da análise de “povo”

•Conceito inventado nos séculos XIV e XV. Exportado para o mundo no séc. XX.
•Nação:
• Refere-se a uma coletividade real que se sente unida pela origem comum,
pelos laços linguísticos, culturais ou espirituais, por interesses, ideias e
aspirações comuns.
• Grupo constituído por pessoas que, não necessitando ocupar um mesmo
espaço físico, compartilham dos mesmos valores axiológicos (padrão
dominante de valores) e são movidos pela vontade de comungar um mesmo
destino.
• Elementos importantes que são importantes para configurar uma nação:
• Religião, língua, cultura.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

O conceito de “nação” a partir da análise de “povo”

•Não precisam reunir todos os elementos acima


•O conceito de nação não tem no território um elemento essencial.
•Povos que se reconhecem como parte de uma nação, mas não possuem um território
próprio
• Os Curdos (espalhados em partes do Irã, do Iraque, da Síria e da Turquia)
• Os Bascos (norte da Espanha e sul da França)
• Os caxemires (entre Índia, Paquistão e China).
• Elementos de uma mesma nação podem estar vivendo em Estados
diferentes.
• Embora entendam fazer parte da mesma nação, fazem parte, sob a
perspectiva aqui analisada, de diferentes povos.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

SOBERANIA: O IMPÉRIO ESTATAL E SUA BASE DE SUSTENTAÇÃO

•Uma das bases de sustentação do Estado Moderno


•Uma construção intelectual do Estado Moderno em oposição ao fragmentado poder da
era medieval.
•Perspectiva interna:
• O conceito de soberania expressa uma específica situação de quem
comanda, ou seja, a plenitude da capacidade de direito em relação aos
demais poderes dentro do Estado.

• O poder do Estado é o mais alto existente dentro do Estado.


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

SOBERANIA: O IMPÉRIO ESTATAL E SUA BASE DE SUSTENTAÇÃO

•Perspectiva externa:

• Atributo que possui o Estado Nacional de não ser submetido às vontades


estatais estrangeiras, já que situado em posição de igualdade para com elas
(princípio da horizontalidade).
• Capacidade de subsistência por si da ordem jurídica estadual
• As regras jurídicas estabelecidas no âmbito estatal são derivadas da
emanação do poder soberano do Estado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

A evolução histórica do conceito de soberania

•A soberania é um fenômeno histórico: o conceito é reflexo da realidade


experimentada em uma determinada era política.
•A ideia de soberania nem sempre existiu.
• Ela é entendida como uma construção intelectual do Estado Moderno em
oposição ao fragmentado poder da era medieval.
• Precisava de um alicerce teórico para reafirmar a autonomia do
monarca absoluto.
• O termo soberano existia na Idade Média, mas não se conhecia o termo
“soberania”.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

A evolução histórica do conceito de soberania

•A construção do conceito inicia-se por meio de Jean Bodin.


• 1º grande teórico da soberania.
• Com sua obra Les six livres de République (Os seis livros da República)
• Buscava legitimar o poder do Rei de França no contexto de disputa entre
o poder temporal e o poder espiritual, entre os seus principais rivais.
• Reafirmar independência política em relação ao Império e ao
Sacerdócio.
• Para tanto defendeu a tese da soberania absoluta do Estado.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

Leitura dirigida:

Em Bodin, a soberania é una, indivisível, irrevogável, perpétua, indelegável,


ou seja, é um poder supremo que não pode ser desafiado por qualquer tipo
de oposição. Com esta construção teórica, embora seja um homem de forte
religiosidade, ele coloca em xeque o paradigma do sistema medieval, cuja
concepção de mundo buscava demonstrar a prioridade do poder espiritual
sobre o poder temporal (ou, no limite, concordar sobre a necessidade de
conciliação entre eles). A Idade Moderna aos poucos inverterá esta lógica.
Para consolidar o poder do monarca absoluto, foi necessária a construção de
uma doutrina capaz de fortalecer a posição do monarca absolutista perante
seus principais rivais.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

A evolução histórica do conceito de soberania

•A contribuição contratualista:
• Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau reavaliarão e
desenvolverão a ideia de soberania.
• Hobbes:
• Objetivo de legitimar a supremacia do monarca perante seus súditos
• Apoio aos reis temporais com os objetivos de emancipar-se da
autoridade papal e negociar com liberdade
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

A evolução histórica do conceito de soberania

•A contribuição contratualista:

• Locke:
• A soberania não residia nem no monarca, nem no Estado, mas na
população.
• O Estado somente é merecedor de respeito se ele próprio respeita as
leis civis e as leis naturais.
• Jean-Jacques Rousseau:
• A soberania do povo é inalienável e indivisível
• Faz o deslocamento da soberania em direção ao povo, recusando-se
qualquer limite a esta.
CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: Ciência Política e Teoria do Estado
Aula: Estado moderno e os seus elementos essenciais

A evolução histórica do conceito de soberania

•Um período de mudanças e reflexões:


• A perda de autonomia dos Estados nacionais diante do sistema
internacional pós-social (pós-moderno) .

Você também pode gostar