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Filosofia

Problemas do mundo contemporâneo


- O racismo

• Numa sociedade que se quer plural e global,


defensora dos direitos individuais e das
liberdades fundamentais de toda a pessoa, é
eticamente recriminável e legalmente punível
qualquer tipo de discriminação com base na
cor de pele, na raça, etnia ou religião
• Se perguntarmos ás pessoas com quem
habitualmente interagidos se são racistas, a
maioria responderá, certamente, que não.
Não há um reconhecimento assumido do
racismo.
- Definição e breve contextualização
histórico-cultural do racismo

• Nas áreas da psicologia, da sociologia e da antropologia, o racismo passa a ser


abertamente encarado e definido como preconceito.
• O preconceito é a atitude hostil relativamente a uma ou mais pessoas que assumem
um “pré-julgamento”, numa visão pouco ou nada fundamentada do outro e dos seus
comportamentos.
• O racismo, enquanto preconceito, é a atitude que diferencia e condena o outro por
ser de raça diferente.
• Compreender o racismo atualmente implica reconhece-lo em atitudes que se
manifestam não só pela discriminação assente nas diferenças da cor da pele, entre
outras características fenotipicamente identificáveis, mas também na discriminação
assente nas diferentes culturais, como os hábitos, os valores, as formas de estar e
pensar característicos de cada etnia.
• O racismo apresenta-se frequentemente associado à xenofobia.
- A argumentação racista e antirracista
• Principais argumentos a favor do racismo:
- Há diferenças biológicas significativas entre os grupos e os indivíduos que compõem esses mesmos
grupos. E essas diferenças biológicas permitem que determinados grupos/indivíduos subsistam e se adaptem
melhor ao meio do que outros. Logo, há grupos/indivíduos que são superiores em relação a outros.
- Uma vez que existem raças que são biologicamente superiores, esta superioridade traduzir-se-á
numa superioridade psicológica, social, cultural, etc.
- Se existe superioridade de umas raças em relação a outras, então é compreensível e legitimo o
domínio das raças ou grupos superiores sobre os inferiores.
• O antirracismo pode assumir essencialmente duas versões:
- Uma universalista, que denuncia o racismo, apelando à mistura dos diferentes indivíduos e
defendendo a ideia de uma unidade do género humano
- E uma versão diferencialista, que denuncia o racismo, reclamando a defesa da e o respeito pela
diversidade de grupos humanos.
• Uma posição radical antirracista pode, portanto, degenerar em ações discriminatórias.
- Racismo, discriminação, desigualdade e
tratamento preferencial

• Uma das questões fundamentais que o tema do racismo levanta diz respeito ao
exercício da igualdade de direitos e da igualdade de oportunidades para aqueles
que ainda são ou foram, em algum momento da historia da humanidade, vitimas de
racismo.
• Reconhecendo as dificuldades vividas por grupos oriundos de etnias distintas e que
foram alvo de discriminação (negativa) ao longo de vários seculos, os Estados
modernos democráticos consideram a possibilidade de criar leis que não só
garantissem a igualdade de direitos para todos, como também favorecessem os
indivíduos vitimas de discriminação, para que estes, de alguma forma, fossem
compensados.
• A legitimidade do tratamento preferencial (discriminação positiva ou ação
positiva) é também levada a debate por muitos autores e acaba por ser uma questão
de máxima importância no âmbito da filosofia politica contemporânea.
- O debate politico e a luta contra o racismo

• Uma outra questão fulcral incide sobre a


melhor forma de os Estados democráticos
acabarem com o racismo resolverem os
conflitos interculturais dentro das suas
próprias fronteiras.
• Alguns autores defendem que a extinção
do racismo só será possível a partir da
construção de uma verdadeira
democracia.
- Um maravilhoso mundo novo

• A internet apresenta-se como um mundo de oportunidades e de facilidades no


âmbito da comunicação e da informação, de tal forma que quem não a utiliza
pode ser encarado, hoje em dia, como alguém que se encontra desatualizado e/ou
infoexcluído.
• Neste novo mundo online, à distancia de um simples clique e a comunicação
acontece com qualquer pessoa que esteja sentada em qualquer parte do mundo,
um mundo onde as distancias, as diferenças culturais e as fronteiras parecem
esbater-se.
• A cibercultura implica um “conjunto de técnicas, praticas, atitudes, modos de
pensar, valores que se desenvolvem com o crescimento do ciberespaço”. As
novas tecnologias e a comunicação baseadas nas redes digitais são requisitos de
uma nova fase de evolução da comunicação humana e devem ser postas ao
serviço desse projeto humanista.
- Um maravilhoso mundo novo

• A formação de grupos e de redes sociais não é um fenómeno que tenha


começado no mundo virtual; Responde à necessidade social própria da
natureza humana de ser e comunicar com os outros.
• A virtualização das redes sociais implica necessariamente a
proliferação das relações entre os indivíduos a uma escala muito mais
ampla e a um ritmo muito mais célebre do que é possível offline.
• A comunicação virtual traz novas possibilidades de reflexão e de
participação dos indivíduos no seio das sociedades democráticas e no
espaço publico em geral.
• Tudo isso se traduz em benefícios para todos.
- A desigualdade

• Neste novo mundo dominado pelas novas


tecnologias da informação e da
comunicação, a ausência de
conhecimentos e competências deste tipo
aumenta a dificuldade de adaptação do
individuo à sociedade, que cada vez mais
delas depende. A infoexclusão e a
marginalização sociotecnológica
constituem, por isso, dois problemas hoje
debatidos com alguma frequência e que
resultam, em grande medida, da
desigualdade de oportunidades no
acesso Ao mundo virtual.
- Ataques à privacidade

• Para além desta desigualdade de oportunidades no acesso ao mundo virtual,


os utilizadores da internet e das redes sociais podem ser alvo de verdadeiros
ataques à sua privacidade.
• Devemos considerar a outra face do problema, que se prende com o direito à
informação. A internet permite-nos alimentar esse direito.
• O direito à privacidade ou à intimidade da vida privada é um direito
essencial previsto na Convenção Europeia da Salvaguarda das Liberdades e
Direitos Fundamentais do Homem e também assegurado, em Portugal, pela
Constituição e pelo Código Civil.
- Ataques à privacidade

• Atualmente, para garantir o espaço privado, temos de considerar um conjunto


de direitos essenciais:
- O direito a estar só, em paz;
- O direito de viver sem ser observado;
- O direito ao anonimo;
- O direito de controlar a difusão de informações pessoais e de assegurar
a sua confidencialidade.
• A expressão livre de ideias e a divulgação de informação através de Web tanto
pode constituir uma poderosa arma na defesa dos direitos humanos e dos
interesses do cidadão do mundo como, pelo contrario, promove a sua violação.
- Comportamentos desajustados

• O excesso de tempo dispensado em atividades online assume, por vezes,


dimensões preocupantes e tem sido uma questão estudada e debatida
por diferentes investigadores, nomeadamente da área da psicologia.
• Será que a internet é a causa de novos comportamentos desajustados,
compulsivos, específicos da sociedade atual?
- A tecnologia pode não ser a causa direta e exclusiva de
comportamentos desajustados e compulsivos que aparecem atualmente
associados à comunicação virtual e digital. Isto é, comportamentos
desajustados sempre existiram, e geralmente dependem de variadíssimos
fatores.
- O ciberbullying

• Um dos riscos associados ao mundo das interações virtuais entre


adolescentes é o ciberbullying. O ciberbullying designa a pratica de atos
repetidos de violência psicológica desenvolvida geralmente por
crianças e/ou jovens sobre outras crianças e/ou jovens, através de
recurso às tecnologias de informação, como a internet e o telemóvel.
• São varias as praticas de agressão relacionadas com o bullying virtual.
Alguns autores consideram, por isso, diferentes tipologias de
classificação destas praticas.
• Têm sido desenvolvidos esforços para defender os direitos das crianças e
dos jovens no ciberespaço.
- Regular a “aldeia global”?

• Do mesmo modo que a convivência social no mundo real é regulada, no sentido


de proteger as liberdades individuais, também as redes sociais virtuais, de
modo a evitar alguns dos riscos descritos acima, devem ser reguladas?
• Alguns autores assumem uma posição libertaria, que parte do pressuposto de
que a internet não se encontra dentro das fronteiras de qualquer país e que,
portanto, sendo um mundo à parte, sem fronteiras, não deveria ser regulada
por leis elaboradas por este ou aquele país.
• Os Estados e as organizações internacionais entendem que é necessário
estabelecer regras e definir um quadro de medidas que permita combater a
criminalidade no ciberespaço.
• O combate ao ciberespaço não depende apenas das leis e tratados ou dos
esforços desenvolvidos pelas entidades oficiais competentes.

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