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Recensão Crítica Carta Sobre a Tolerância

OBJECTIVOS

 Apresentação da obra e contextualização na época e na obra geral do autor.

 Síntese do conteúdo da obra em 3 argumentos fortes.

 Crítica à fundamentação do conceito de tolerância (relação com Comte-

Sponville, Ricoeur e Ẑiẑek).

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 APRESENTAÇÃO DA OBRA E CONTEXTUALIZAÇÃO DA
ÉPOCA

 Obra escrita por JOHN LOCKE, filósofo inglês (1634-1704).


 Grã-Bretanha debatia-se com conflitos religiosos entre católicos e protestantes.
 Época de transição da ideia medieval de lealdade para ideia moderna de
liberdade; valor da razão e da vontade; poder da observação e da ciência.
 Tema da tolerância tratado por E. ROTERDÃO e T. MORE.
 Carta Sobre a Tolerância
 No original Epistola de Tolerantia.
 Escrita na fase de refúgio na Holanda, entre 1685 e 1686.
 Destinatário (Phillip de Limborch) e autor (John Locke) mantidos em anonimato.

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 CONTEXTUALIZAÇÃO NA OBRA GERAL

 Posterior ao Ensaio Sobre a Tolerância (1667).

 Na mesma fase surgem Dois Tratados Sobre o Governo (1689), Ensaio

Sobre o Entendimento Humano (1690) e Pensamentos Sobre a Educação

(1693).

 Problemas tratados derivam da problema geral do conhecimento.

 Obra de cariz política; possibilidade de uma sociedade tolerante como

alternativa ao contexto vigente.

 Questões: a crença dá-se por vontade ou por imposição? Como podem a

sociedade e a igreja promover a tolerância?


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 SÍNTESE DO CONTEÚDO

 PRIMEIRO ARGUMENTO

 TOTAL SEPARAÇÃO DOS LAÇOS ENTRE ESTADO E IGREJA.

ESTADO IGREJA

 organização política da sociedade  sociedade de homens livres que se


necessária à protecção e segurança reúnem voluntariamente para adorar
dos indivíduos. publicamente a Deus.
 sociedade formada com finalidade  escolha e adesão livres.
de preservar e promover os bens  único fim é salvação das almas.
civis e cumprir leis civis.  crença acontece como resultado da
 fins da sociedade civil são os consciência e pela luz do espírito.
interesses civis: vida, liberdade,
saúde do corpo e bens materiais.
 importância do contrato social.

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 SÍNTESE DO CONTEÚDO

 SEGUNDO ARGUMENTO
 EM MATÉRIA DE RELIGIÃO, CADA UM É JUIZ DE SI MESMO.

 o caminho espiritual é único.


 cuidado da conduta religiosa é do domínio privado e não pode ser deixado ao
critério de outrem.
 pressupõe o entendimento humano do espírito.
 não pode ser constrangido por nenhuma força exterior; apelo à paz.
 não pode ser imposto pelo poder civil.
 caso de desobediência civil pela não-violência.
 promoção da tolerância é também um dever da Igreja: não interferirem no
domínio das outras igrejas, proibirem o que o Estado proíbe.
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 SÍNTESE DO CONTEÚDO

 TERCEIRO ARGUMENTO
 OS DEVERES DO MAGISTRADO
 não pode legislar em matéria de Fé.
 os rituais eclesiásticos são “coisas indiferentes ao Estado”.
 não pode tentar impor a sua própria religião.
 não lhe cabe a função da salvação das almas.
 salvaguarda a condição dos cidadãos porque Igreja não podem ir contra leis
civis.
 condição de cidadão é igualizadora: os chefes das igrejas não possuem poder
fora desse domínio, nem no domínio de diferentes Igrejas.
 a matéria do civil rege-se por critérios terrenos e temporais.
 garante os direitos de consciência de cada um em matéria de Fé.
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 TOLERÂNCIA EM LOCKE

FORMAS DE Novidade em
TOLERÂNCIA LOCKE e no
Estado Moderno

TOLERÂNCIA TOLERÂNCIA
RELIGIOSA POLÍTICA

DOMÍNIO DA DOMÍNIO DOS


CONSCIÊNCIA INTERESSES CIVIS

 direitos de consciência.  Estado Liberal.


 liberdade de culto.  deveres do Magistrado.
 deveres das igrejas.  Contrato social.
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 CRÍTICA AO CONTEÚDO

LOCKE dá importante contributo ao considerar tolerância religiosa e


política como aliança; dá à tolerância legitimidade política.
Humanismo ao reforçar a palavra como forma de persuasão e de
excomunhão, e não o uso da violência.
Laicidade do Estado defendia não pretende separar a Razão da Fé,
mas antes conciliá-las.
Neutralidade do Estado como garante do princípio da igualdade: o que é
válido para mim, é válido para todos.
As manifestações do culto na Igreja podem ser do domínio do exterior,
pelo que o Estado não é absoluta e totalmente indiferente à matéria
religiosa.
A tolerância tem limites: quem não der garantias de cumprimento do
estipulado não deve ser tolerado, a saber, os católicos e os ateus.

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 CRÍTICA AO CONTEÚDO

 ANDRE COMTE-SPONVILLE (1952)

«Se não devemos tolerar tudo, porque seria votar a tolerância à


perdição, tão-pouco devíamos renunciar a toda a tolerância
para com aqueles que não a respeitam.
A tolerância, como força prática (como virtude) funda-se na
nossa fraqueza teórica […] ainda que tivéssemos acesso a uma
verdade absoluta, isso não obrigaria toda a gente a respeitar os
mesmos valores ou a viver da mesma maneira.» [COMTE-
SPONVILLE, 1995]

 tolerância como uma virtude.


 tolerância do domínio da opinião e não do domínio da ciência.
 a casuística da tolerância é o grande problema das sociedades democráticas.
 critério para uso da tolerância é geralmente político.
 reconhecimento da impossibilidade de detenção absoluta da verdade.

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 CRÍTICA AO CONTEÚDO

 PAUL RICOEUR (1913-2005)


« Dois componentes são necessários à intolerância: a
desaprovação das crenças e das convicções do outro e o poder
de impedir que esse outro leve a sua vida como bem entenda. »
[RICOEUR, 2000]
 perda laços com sociedade e responsabilidade pelo futuro.
 não há referências de identidade cultural, nem expectativas comuns.
 grande fosso entre sociedades e comunidades, entre globalização e culturas.
 necessidade de encontrar Bem comum e que cada cultura reflicta o melhor de si e
perca pretensão de posse de verdade (que não é absoluta).
 importância dos princípios de autonomia e de autenticidade.
 afirmação da pluralidade: multiculturalismo deve ser interculturalismo.
 afirmação da alteridade como valor em si; igualdade como direito à diferença.
 tolerância é uma construção política: espaço de discussão e esclarecimento.
 importância de uma ética da deliberação e do diálogo.
 oposição à teleologia dos mercados, poder dos media (homogeneização da
cultura) e exclusão das minorias.
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 CRÍTICA AO CONTEÚDO

 SLAVOJ ẐIẐEK (1949)

«A postura «tolerante» do multiculturalismo esquiva assim a questão


crucial: como reinventar o espaço político no contexto de globalização
que é hoje o nosso?» [Ẑiẑek, 2006]

 noção de tolerância dilui fronteira entre dimensão cultural e dimensão política.


 oposição cidadãos apolíticos, consumidores, autoritários, passivos e
narcisistas.
 atitude de tolerância é passiva quando fica pela imparcialidade (ilusória) e
conduz ao respeito com distância.
 tolerância esconde posse de uma posição universal privilegiada: eu só tolero à
luz do que é tolerável.
 multiculturalismo tolerante trata culturas como indígenas e pretende
domesticá-las.
 elogio da intolerância como convite à crítica e ao agir.

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 CONCLUSÃO

TOLERÂNCIA

PRINCÍPIO
DA
LIBERDADE

IGUALDADE DIFERENÇA

UNIVERSALIDADE INDIVIDUALIDADE

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 CONCLUSÃO

Obrigada pela atenção.

Trabalho realizado por Maria Inês Figueiredo Gomes.

gomes.mariaines@gmail.com

Porto, 07 de Dezembro de 2010.

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