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Precatórios

Precatórios
Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de
municípios, estados ou da União, assim como de autarquias e fundações, valores
devidos após condenação judicial definitiva. 

O pagamento de precatórios está previsto na Constituição Federal. Formular a


requisição do pagamento compete ao presidente do Tribunal em que o processo
tramitou.

Os precatórios podem ter natureza alimentar – quando decorrerem de ações


judiciais relacionadas a salários, pensões, aposentadorias ou indenizações ou de
natureza não alimentar, quando tratam de outros temas, como desapropriações e
tributos.
Precatórios
Ao vencer um processo indenizatório contra alguma instância do poder
público na justiça, a pessoa ou empresa que moveu a ação se torna
titular de um ou mais precatórios.
A partir disso, o portador do título tem duas opções: esperar pelo
pagamento ou repassar o precatório a terceiros.

“Como muitas vezes o pagamento desses títulos é demorado, os donos


dos precatórios preferem vender seus direitos para outras pessoas, que
compram esses títulos como uma forma de investimento em renda
fixa.”.
Precatórios
Mas afinal o que é precatórios?

Precatórios são uma espécie de dívida que a Fazenda Pública


(municipal, estadual ou federal) é obrigada a pagar a uma pessoa física
ou jurídica após condenação judicial definitiva.

 Em outras palavras, o precatório é o reconhecimento pelo ente


público de que existe uma dívida em aberto com alguém.
Precatórios
Fator importante:

A partir do momento que o precatório é emitido, fica praticamente


impossível ao orgão governamental recorrer da decisão.

Logo, com a emissão de um precatório o governo fica obrigado a incluir


o valor devido no seu orçamento (LOA) para efetuar o pagamento
assim que possível.
Precatórios
Origem do nome precatório:

O nome precatório tem origem na palavra latina deprecare que significa


pedir ou requisitar algo, que no caso em questão diz respeito a
requisição de pagamento de uma dívida do governo.
Precatórios
Observação importante:
Não é qualquer valor de dívida que é capaz de gerar um precatório,
havendo então um limite mínimo que varia entre municípios, estados e
governo federal.

- Valor igual ou inferior a 60 salários-mínimos no âmbito federal,


- 40 salários-mínimos nos estados e Distrito Federal
- 30 salários-mínimos nos municípios, não há necessidade de emissão de
precatório.
***Neste caso, a ordem é dada diretamente pelo juiz da execução à
autoridade administrativa e o pagamento deve ser feito em até 60 dias,
através da requisição de pequeno valor (RPV).
Precatórios
Precatórios
Quando surgiram os precatórios no Brasil?
Decreto 3.084 de 1898, que consolidou a criação das leis referentes à Justiça
Federal (decreto tratava do pagamento mediante expedição de “precatória”.)

Quase 40 anos depois, os precatórios passaram a ser legitimados na Constituição


Federal de 1934, em seu artigo 182, que dizia o seguinte:

Art 182 – Os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, em virtude de sentença


judiciária, far-se-ão na ordem de apresentação dos precatórios e à conta dos
créditos respectivos, sendo vedada a designação de caso ou pessoas nas verbas
legais.
Precatórios
Quando surgiram os precatórios no Brasil?

Parágrafo único – Estes créditos serão consignados pelo Poder Executivo ao


Poder Judiciário, recolhendo-se as importâncias ao cofre dos depósitos públicos.
Cabe ao Presidente da Corte Suprema expedir as ordens de pagamento, dentro
das forças do depósito, e, a requerimento do credor que alegar preterição da
sua precedência, autorizar o sequestro da quantia necessária para o satisfazer,
depois de ouvido o Procurador-Geral da República.”

Vale destacar que naquela época não havia um limite mínimo para uma dívida
virar precatório.
Precatórios
Quando surgiram os precatórios no Brasil?

Após o tema ser inserido na constituição de 1934, todas as


constituições seguintes mantiveram o uso dos precatórios como forma
de quitação de dívidas governamentais.
Precatórios
Quando uma pessoa física ou jurídica ganha uma ação
judicial contra um órgão público que envolva pagamento de
valores em dinheiro, o precatório é emitido.

 O precatório funciona como uma ordem judicial de


pagamento que garante que um determinado valor será
pago a seu credor em uma data futura.

Ex: Imagine por exemplo que uma pessoa entre com um


processo contra a União para cobrar o pagamento incorreto
do benefício da aposentadoria.
Precatórios
Se após os devidos trâmites judiciais for realmente comprovada a
irregularidade, a Justiça emite um precatório e determina que a União
pague os valores corrigidos.

Uma vez transitado em julgado o processo, o presidente do Tribunal em


que ocorreu a ação tem que formular a requisição do pagamento. Feita a
requisição, o valor é alocado no Orçamento para pagamento.

“Mesmo tendo direito a receber uma quantia do governo, um precatório


quase nunca é quitado imediatamente”.
Precatórios
No caso da União: requerimentos feitos até 1º de julho de cada ano
entram no Orçamento do ano seguinte. Requerimentos feitos após essa
data ficam para o ano subsequente.
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Dependendo do tipo de precatório, o prazo de pagamento não é
respeitado. Entre as esferas públicas, o governo federal é um dos poucos
que pagam os títulos em dia.

Estados e municípios têm filas muito grandes, com mais de 15 anos de


atraso no pagamento.
Precatórios
Calendário:
Divulgado anualmente pelo Conselho da Justiça Federal (CJF).
Uma exceção ocorre quando o Instituto Nacional da Seguridade Social
(INSS) é condenado na Justiça Estadual.

“O pagamento dos precatórios está previsto no artigo 100 da


Constituição Federal”.
Quais são os principais tipos de
precatório?
1) Precatórios alimentícios:
2) Precatórios não-alimentícios:

“De acordo com a Constituição Federal, os precatórios de natureza


alimentar devem ser pagos primeiro”.

Na sequência devem ser quitados os precatórios de natureza comum.


Além de respeitar a ordem cronológica, a Constituição estipula também
uma ordem de preferência dentro da categoria dos precatórios
alimentares:

- Pessoas com 60 anos ou mais;


- Portadores de doenças graves; Classificados como “super-preferenciais”
- Pessoas com deficiência
O precatório de natureza alimentícia:
Aquele do qual a pessoa deve receber para se sustentar ou sustentar
sua própria família.

EX: salários, proventos, benefícios previdenciários e pensões.


(Além de indenizações por morte ou invalidez e todo tipo de direito
relacionado a subsistência pessoal).
O precatório de natureza comum:

Os demais que não englobam natureza alimentícia, nem sustento


pessoal.
Indenizações referentes: desapropriações, atrasos, cobranças indevidas
de impostos, descumprimento de obrigações contratuais por parte do
governo, dívidas não pagas etc..
Quem pode receber precatórios?

Qualquer pessoa física ou jurídica que tenha movido uma ação judicial
contra o ente público de qualquer esfera e que com isso tenha obtido
ganho de causa em sentença definitiva.

“Só poderá receber o precatório após terem esgotado todas as


possibilidades de recursos judiciais, também conhecido como “trânsito
em julgado”
Quais são as regras para o pagamento dos precatórios?
Cada tribunal emissor possui sua própria fila de precatórios, que são
organizadas por meio de uma série de regras.

Os critérios que definem a organização, ou seja, o lugar em que cada


credor ocupará na fila são:

• Cronológica;
• Preferencial;
• Super Preferencial;
• Super Prioritário.
1) Ordem cronológica:

Na ordem cronológica, os precatórios mais antigos têm prioridade sobre os precatórios mais


recentes.

Vale reforçar, no entanto, que uma solicitação só entra na fila para pagamento do ano subsequente, se expedido até o dia 1º de julho
do ano corrente. Após esse prazo, ela entrará somente na ordem de pagamento do outro ano.

Ex: Um precatório foi expedido no dia 30 de junho de 2020, ele entrará no orçamento para ser
quitado em 2021, com prazo até o dia 31 de dezembro.

Entretanto, se esse precatório tivesse sido expedido no dia 2 de julho de 2020, ele entraria na
ordem de pagamento apenas em 2022.

Sendo assim, dentro de um mesmo ano de expedição, os precatórios são organizados pela
ordem de requisição.
2) Ordem preferencial:

Recebem preferência os precatórios que tenham origem alimentar.


(Um precatório alimentar tem preferência em relação a um precatório
comum).
3) Ordem Super preferencial:

Caso o credor do precatório tenha 60 anos ou mais ou seja portador de doença


grave ou deficiência, ele será colocado na ordem super preferencial, de modo a
ficar à frente dos demais credores.

Então, ele terá preferência no pagamento, ainda que limitado a um valor de até
três Requisições de Pequeno Valor (RPVs).

Caso o credor tenha direito a uma quantia maior que isso, o restante do crédito
seguirá na lista de ordem cronológica.

Vale destacar ainda que, se mais de um credor tiver condição de “super


preferência”, os precatórios são organizados dentro de uma ordem cronológica.
4) Ordem Super prioritária:

De acordo com a lei 13.466/2017, idosos com mais de 80 anos devem ser
os primeiros a receber seus créditos de precatórios.
Dessa forma, os credores “super prioritários” passam à frente de todos
os outros.

“Cabe aos Tribunais de Justiça de cada estado organizar e manter as filas


de precatórios devidos sob sua jurisdição”.

“Muitos estados já disponibilizam no site do Tribunal de Justiça a lista de


credores, ordem cronológica de precatórios e calendário de pagamento”.
Fonte: Valor econômico
Cenários:
A dívida de precatoristas da União deve chegar em R$ 580,00 bilhões
até 2036.

“Adiar esses débitos, por imposição de um teto anual, apenas fará com
que as obrigações não pagas aumentem. Dessa forma, com uma
correção futura pela taxa Selic do ano, a bola de neve dos
precatórios causará um impacto bilionário aos cofres públicos”. 
Tema:
PEC dos precatórios
Proposta:
- Pec dos precatórios seguiu abordagem diferente adotada pelo
Tesouro. Que era antecipar em alguns meses a quitaçao de dívidas da
União e reduzir os juros;
- Priorizar dívidas de até 60 mil (teto financeiro determinado)
(Empurrar esses débitos, evitando o pagamento enquanto não houver
caixa. Porém, lembrando das correções anuais pela taxa Selic, essa
estratégia pode gerar um rombo imenso).
(Portanto, além de gerar uma dívida que vai acumular e crescer
anualmente, milhares de pessoas ainda aguardam seus títulos. Inclusive,
há casos de credores que morrem enquanto esperam o pagamento)
Tema:
PEC dos precatórios
- A dívida com precatórios de 2022 já soma R$89,1 bilhões. No entanto,
o governo não tem como arcar com esse montante. Por isso, ao
limitar o teto para o total desses títulos pagos em 2016, com correção
da inflação, a PEC reduz a cifra para R$44,5 bilhões. 
(Sendo assim, o pagamento dos R$44,6 bilhões restantes fica para
2023)

Nesse esquema, também entram os demais precatórios que serão


inscritos. Logo, se considerarmos uma taxa Selic média de 7,85% em
2022, a correção será equivalente a R$3,5 bilhões. Esse índice consta
na última tabela de parâmetros do Ministério da Economia. 
Apenas o valor de juros supera os R$3 bilhões previstos para o
Programa Médicos pelo Brasil no próximo ano.

Conclusão:
Se a situação já parece complicada, é preciso lembrar que a conta da
correção deve ser ainda maior. Basta observar a aceleração da inflação,
que influencia no aumento da taxa básica da economia. 
Atualização sobre o tema:

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou terça-


feira (30/11/21), por 16 votos a 10, a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 23/2021, conhecida como PEC dos Precatórios.

Justificativa dos que votaram a favor:


- A PEC libera espaço fiscal em 2022, estimado em R$ 106 bilhões, para
o pagamento do programa social Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa
Família, por meio do parcelamento do pagamento de precatórios e da
alteração do método de cálculo do teto de gastos.

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