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EVOLUÇÃO

CONCEITOS DE ESPÉCIE E
VARIAÇÃO INTRA-ESPÉCIFICA

Eliana Rodrigues de Sousa


Lucélia de Brito Batalha
CLASSIFICAÇÃO

Ação ou efeito de classificar.


Distribuição sistemática em diversas
categorias segundo as analogias e
caracteres comuns.
Fonte: http://www.dicio.com.br/classificacao/
CLASSIFICAÇÃO

As classificações de quaisquer objetos


que têm afinidades em grupos é um
procedimento corriqueiro nas civilizações
humanas.

Móveis
Veículos
CLASSIFICAÇÃO EM BIOLOGIA

Reino

Filo

Classe

Ordem

Famíli
a

Gêner
o

Espéci
e
ESPÉCIE

• É a unidade natural fundamental;


• São informadas de acordo com o sistema
binomial lineano.

Ex: Haliaeetus leucocephalus (águia careca);


Drosophila melanogaster (drosófila)
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE

 Características morfológicas ou fenéticas;

 Caracteres que podem ser usados para


reconhecer os membros da espécie;

 Presentes na espécie estudada e ausente nas


espécies próximas.
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE

Águia careca

Águia dourada

Coloração é usada como marcador


para diferenciar as duas espécies
CONCEITOS DE ESPÉCIE
Horizontais => visa definir que indivíduos pertencem a quais
espécies em um dado momento (no presente).

Verticais => visa definir que indivíduos pertencem a quais


espécies, o tempo todo.
CONCEITO BIOLÓGICO DE ESPÉCIE
Define as espécies em termos de
intercruzamento

Mayr (1963) “espécies são grupos de


populações naturais que intercruzam e
estão reprodutivamente isoladas de outros
grupos desse tipo.”
¨REPRODUTIVAMENTE ISOLADAS¨

 Significa que membros de uma espécie não cruzam


com membros de outras espécies, devido a presença
de atributos que impedem esse cruzamento.

 Formação de unidades evolutivas


CONCEITO BIOLÓGICO DE ESPÉCIE

• Usado desde o século XVII


• Defendido por vários nomes influentes da síntese
moderna:
Dobzhansky
Huxley
Mayr

• É o conceito de espécie mais aceito atualmente


CONJUNTO GÊNICO

Uma comunidade de organismos


intercruzantes forma um conjunto gênico

Teoricamente o conjunto gênico é a unidade


na qual as frequências gênicas mudam

A espécie, nesse conceito é a unidade


evolutiva

Os indivíduos não evoluem, mas as espécies e


os grupos taxonômicos mais elevados
CONJUNTO GÊNICO

Macho
Espéci
eA

Prole com
genes
combinados
Fêmea
Espéci
eA

Esse conjunto gênico compartilhado confere


identidade à espécie, e por isso, diferentes
espécies desenvolvem aparências diferentes.
FLUXO GÊNICO

A movimentação dos genes em uma espécie, por meio de


migrações e intercruzamentos.

Explica por que cada espécie constitui um agrupamento


fenético.
Induz uma pressão seletiva a favor dos genes que interagem
bem com genes de outros locos para produzir um organismo
adaptado.

Quando observamos os organismos atuais, estamos


observando os efeitos da seleção no passado.
HÍBRIDOS

No entanto, os genes de diferentes espécies não passaram


pelo crivo da seleção.

Quando combinados em um único organismo podem


produzir aberrações.
COESÃO

Os cruzamentos entre os indivíduos (intercruzamento) de


uma espécie produz o que Mayr (1963) chamou de coesão
(coesividade).

Os caracteres morfológicos compartilhados entre os


indivíduos são indicadores de que há uma unidade de
cruzamento, um único conjunto gênico.

Não existe motivo para esperar que diferentes unidades


evolutivas mantenham os mesmos caracteres se não há
coesão.
CONCEITO DE RECONHECIMENTO

Paterson (1993) Espécies são grupos de organismos que


compartilham o mesmo sistema de reconhecimento de
parceiros.

Exemplo dos grilos: 30 ou 40 sp diferentes podem estar em


reprodução em um mesmo habitat. Os machos atraem as
fêmeas por suas canções.

O conjunto de organismos que são definidos como espécie


usando os conceitos de reconhecimento e biológico são
similares porque compartilham o sistema de
reconhecimento de parceiros.
CONCEITO ECOLÓGICO DE ESPÉCIE

Populações formam diferentes agrupamentos fenéticos, que


são reconhecidos como espécies, devido aos processos
ecológicos e evolutivos que controlam como os recursos são
divididos.

As diferenças observadas na forma e comportamento entre


espécies costuma estar relacionadas com diferenças nos
recursos ecológicos que elas exploram.
CONCEITO ECOLÓGICO DE ESPÉCIE

O conjunto de recursos e habitats


explorados por membros de uma
espécie é chamado de nicho

Define a espécie como o conjunto de


indivíduos que exploram o mesmo
nicho.
PORQUE OS PROCESSOS ECOLÓGICOS
PRODUZEM ESPÉCIES DISTINTAS?

Recursos ecológicos Recursos ecológicos


distribuídos discretamente: distribuídos continuamente:
Relação parasita-hospedeiro Canários (MacArthur, 1958)

Taenia saginata e Taenia solium


EXCLUSÃO COMPETITIVA

Apenas espécies suficientemente diferentes podem coexistir;

Como consequência, é gerado um padrão de espécies


diferentes sobre uma distribuição contínua de nichos.

Se as espécies se interpenetrassem, o competidor superior


poderia levar o inferior à extinção e surgiriam vazios entre
espécies.
CONCEITO FENÉTICO DE ESPÉCIE

Extensão da forma como os taxonomistas definem


espécies: presença de uma determinada característica,
ou conjunto de características, compartilhada pelos
seus membros (organismos fenotipicamente similares).

Não é teórico nem descritivo. Simplesmente registra


que as espécies existem.
CONCEITOS RELACIONADOS

Conceito tipológico: O organismo deve ser suficientemente


parecido com o espécime-tipo para ser considerado da mesma
espécie.

Conceito dos feneticistas numéricos: Uma espécie pode ser


definida como um conjunto de indivíduos estatisticamente
distintos dos demais.

Conceito filogenético: Menor agregado de populações


(sexuadas) ou linhagens (assexuadas) diagnosticável por uma
combinação única de expressão dos caracteres.
BARREIRAS DE ISOLAMENTO

Porque espécies próximas, vivendo na mesma área não


cruzam entre si?

BARREIRAS DE ISOLAMENTO

É qualquer caráter que evoluiu nas duas


espécies que as impede de intercruzar
Isolament • Zigotos nunca são
o pré- formados
zigótico

BARREIRAS DE
ISOLAMENTO

• Zigotos são
Isolament formados
o pós- • Prole híbrida inviável
zigótico
ou estéril
Classificação das barreiras de isolamento reprodutivo de Dobzhansky (1970)

Mecanismos pre-zigóticos, impedindo a formação de zigotos híbridos.

Isolamento ecológico ou de habitat => As populações envolvidas ocorrem em habitats


diferentes, na mesma região

Isolamento sazonal ou temporal => As épocas de acasalamento ou de florescimento


ocorrem em estações diferentes
Isolamento sexual ou etológico => A atração sexual mútua entre espécies diferentes é
fraca ou ausente

Isolamento mecânico => A falta de correspondência física entre genitálias ou entre


partes das flores impede a cópula ou a transferência de polén

Isolamento por polinizadores diferentes => Em plantas floríferas, espécies relacionadas


podem ser especializadas em atrair diferentes insetos como polinizadores

Isolamento gamético => Em organismos com fertilização externa, os gametas M e F


podem não se atrair. Em organismos com fertilização interna, os gametas ou
gametófitos podem ser inviáveis nos dutos sexuais
CICLÍDEOS AFRICANOS – Experimento Seehausen e van Alphen (1998)

Pundamilia nyererei
vermelho

Sem escolha do parceiro


Pundamilia pundamilia Escolha do parceiro
azul

A escolha das fêmeas de machos com diferentes cores depende da incidência de luz
branca. Com luz monocromática num experimento feito em laboratório, não há mais
escolha do parceiro (seleção sexual). Na natureza, coisas parecidas podem acontecer,
como no caso da água se tornar turva, dificultando a visibilidade e escolha do parceiro.
Classificação das barreiras de isolamento reprodutivo de Dobzhansky
(1970)

Mecanismos pró-zigóticos, reduzem a viabilidade ou a infertilidade dos


zigotos híbridos.
Inviabilidade do híbrido => Os zigotos híbridos têm viabilidade reduzida ou
não inviáveis

Esterilidade do híbrido => A F1 híbrida não consegue produzir gametas


funcionais de u ou de ambos os sexos.

Desmoronamento do híbrido => A F2 ou os híbridos retrocruzamentos têm


viabilidade ou fertilidade reduzida
Barreiras pós-zigóticas

 Mortalidade do zigoto

 Inviabilidade ou esterilidade do
híbrido F1

 Valor adaptativo reduzido na F2 ou


>F2

Burros e mulas normalmente não se


reproduzem devido a incompatibilidade
cromossômica (esterilidade da F1)
VARIAÇÃO INTRAESPECÍFICA

Pode ser tanto devida à existência de variação genética intra-


específica, como devido à variação ambiental que ocorre,
simplesmente, por que os fenótipos dos indivíduos (mesmo
compartilhando genótipos idênticos com os demais) podem
diferir em função de diferenças nos parâmetros ambientais,
como nutrição, temperatura, luz, densidade populacional,
espaço, concentração de Oxigênio.
VARIAÇÃO INTRAESPECÍFICA

A distribuição dos diferentes caracteres


dentro de uma espécie é discordante.
Diferentes características formam
diferentes padrões espaciais, relacionados
às diferentes pressões seletivas ou deriva
genética.

Variação de tamanho nos pardais na


América do Norte, em adaptação a
temperatura
INFLUÊNCIA DE COMPETIÇÃO ECOLÓGICA SOBRE
ESPÉCIES
Substituição de características

Quer dizer que os indivíduos das duas espécies


diferem mais quando provem de um local em que
ambas estão presentes do que quando provem de
locais em que só uma das espécies está presente.

Simpatria Alopatria
SUBSTITUIÇÃO DE CARACTERÍSTICAS

Populações SIMPÁTRICAS diferem mais do que as


Populações ALOPÁTRICAS.

Simpatria entre sp
Plethodon Plethodon
cinereus hoffmani
Plethodon hoffmani

Plethodon cinereus
O CONCEITO FENÉTICO DE ESPÉCIE SOFRE SÉRIOS
DEFEITOS TEÓRICOS

• Algumas espécies formam unidades fenéticas óbvias, mas


outras não, e aí precisamos recorrer a outros critérios.

• Duas espécies feneticamente idênticas mas que não


conseguem intercruzarem.

• CRÍPTICAS - são duplas de espécies que diferem


reprodutivamente, mas não morfologicamente.

• POTÍPICAS - são espécies que contem muitas diferenças entre


si, mas que podem intercruzar.
ESPÉCIES CRÍPTICAS

Drosophila persimilis Drosophila pseudoobscura


ESPÉCIE POLITÍPICAS
A ADAPTAÇÃO ECOLÓGICA E O FLUXO GÊNICO SÃO TEORIAS
COMPLEMENTARES OU, EM CERTOS CASOS, COMPETIDORAS
SOBRE A INTEGRIDADE DAS ESPÉCIES

• Se a seleção é fraca, o fluxo gênico (migração) pode unificar


rapidamente as frequências genicas de populações separadas,
por outro lado, em teoria, uma força seletiva intensa pode
manter duas populações diferenciadas, apesar do fluxo
gênico.
A SELEÇÃO PODE PRODUZIR DIVERGÊNCIAS,
APESAR DO FLUXO GÊNICO

Agrostis tenuis
Forma tolerante aos metais Forma sensível ( circundante)
pesados aos metais pesados

A seleção natural trabalha A seleção natural também


intensamente contra as trabalha contra as formas
sementes das formas tolerantes, quando fora do
circundantes quando elas monte de rejeito.
caem no monte de rejeito:
as sementes são
envenenadas
Formas assexuadas podem ou não existir como
espécies distintas. Os micróbios tem espécies mais
evidentes em alguns casos do que em outros.
A seleção e incompatibilidade genética proporcionam
explicações para a aptidão reduzida dos híbridos

• A aptidão dos híbridos é reduzida: eles podem ser estéreis ou


ter viabilidade reduzida.

• Os híbridos tem uma forma intermediária entre as duas


espécies parentais e serem mal-adaptados por que há poucos
recursos para essa forma intermediária.

• Os híbridos podem ter baixa aptidão porque as duas espécies


parentais contem genes que não funcionam bem, quando em
uma prole híbrida
• Incompatibilidade genética: as duas espécies
parentais contêm genes que não funcionam
bem juntos.
Conceitos taxonômicos:
Ideia nominalista X Ideia realista

• Nominalismo: ideia de que as espécies são divisões


artificialmente distintas de um contínuo natural.

• Realismo: a natureza seja propriamente divididas em


espécies ou seja o não intercruzamento entres espécies
distintas.
Conceitos taxonômicos:
Ideia nominalista X Ideia realista

A natureza é contínua e
nós dividimos ela
arbitrariamente em
espécies nominais?

A natureza é dividida em
espécies discretas reais?
Categorias inferiores ao nível de espécie
• Subespécie e raças- os dois termos são quase
intercambiáveis. São definidas como populações geográficas
de uma espécie, que tem uma aparência fenética distinta. A
dificuldade é que a variação intra-específica não forma
agrupamentos fenéticos distintos do modo como acontece
frequentemente com as diferenças interespecíficas.

• Dentro da espécie, qualquer distribuição de caráter é possível.


Esta é parte do motivo pelo qual não se podem reconhecer
raças diferentes na espécie humana.
Portanto...

não há como distinguir, muitas vezes, algumas


espécies, pois é muito obscuro. Assim, na
maioria dos casos, embora não em todos, as
espécies na natureza são unidades de
intercruzamento reais, e não nominais.
A !
AD
I G
B R
O

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