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Que os alunos sejam capazes de:

Responder às seguintes questões:


Explicar a definição etimológica do conceito de Filosofia.

• Explicar a definição etimológica do conceito • Caracterizar o conceito de Filosofia. A


de Filosofia. A origem etimológica (amor à Filosofia é a reflexão sobre a totalidade da
experiência humana, tem o sentido de dar
sabedoria) expressa não a posse mas o sentido à própria experiência humana, a
desejo e o interesse pela aventura do vida, pois uma vida não examinada não
conhecimento. Enquanto actividade merece ser vivida. A Filosofia é a procura
intelectual de procura do conhecimento, a dos fundamentos últimos da própria
Filosofia põe em causa as evidências do existência. Enquanto actividade intelectual
de procura do conhecimento, a Filosofia
conhecimento habitual interrogando-se põe em causa as evidências do
sobre questões essenciais do ser humano e conhecimento habitual interrogando-se
procurando a sua razão de ser. Enquanto sobre questões essenciais do ser humano
actividade prática de procura de sabedoria, a e procurando a sua razão de ser. Enquanto
Filosofia concebe formas de entender o actividade prática de procura de
sabedoria, a Filosofia concebe formas de
mundo e a vida, constituindo-se como uma entender o mundo e a vida, constituindo-
busca de sentido e orientação racional para a se como uma busca de sentido e
existência, tendo em vista o auto orientação racional para a existência,
aperfeiçoamento do indivíduo na busca da tendo em vista o auto aperfeiçoamento do
felicidade. A Filosofia é reflexão crítica, ela é indivíduo na busca da felicidade. A
Filosofia é reflexão crítica, ela é a
a compreensão das teorias originais compreensão das teorias originais
elaboradas pelos filósofos. elaboradas pelos filósofos.
• Eis as características da Filosofia:
• Historicidade:
Sinopse: • A filosofia é uma realidade histórica. Tanto os filósofos como as suas obras devem ser
compreendidas num determinado tempo.
• Os filósofos são efeito de múltiplas circunstâncias, de crenças, de instituições, das
políticas do seu tempo.
• A filosofia está inserida na história e tem a sua história, mas não se reduz à história. A
Concluindo podemos compreender filosofia é inseparável da história – interpela a história.
que a Filosofia é a reflexão sobre a • Sublinha a dimensão temporal de tudo o que é feito pelo homem.
•  
totalidade do real, é a auto reflexão do
•  
espírito humano em todas as suas • Universalidade:
dimensões. • Todos filosofam. Todos os homens são filósofos ( só o homem tem razão).
Através da reflexão filosófica • É a ciência do ser e do universal ( S. Tomás).
• Sistema de verdades universais.
conseguimos compreender melhor o
• Problemas universais ( tem que ver com a existência do homem).
carácter problemático daquilo que nos • Estes problemas são próprios da humanidade, pois exprimem inquietações e
rodeia, pensamos em coisas que nunca esperanças inerentes ao próprio homem.
nos tinham passado pela cabeça, •  
esclarecemos pontos de vista e • Autonomia:
•  
reavaliamos as nossas atitudes.
• A filosofia é autónoma em relação às outra fontes do saber.
A reflexão filosófica deve ser, em • Autonomia significa independência e não auto suficiência.
primeiro lugar autónoma, depois • A filosofia é autónoma porque é a afirmação da liberdade de pensar.
radical (pois nunca nos devemos dar •  
por satisfeitos com o saber adquirido, • Radicalidade:
• A filosofia é radical porque vai à raiz dos problemas. Opõe-se ao superficial, não se
temos de continuar a desejar aquilo contenta com as aparências, vai à raiz dos problemas.
que ainda falta saber) e, finalmente, • Porque vai à raiz dos problemas é a busca de princípios, causas, fundamentos.
deve ser crítica e problematizadora. • É a ausência de pressupostos.
Universalidade e historicidade. • É a exigência de justificações consistentes.
• É exclusão do dogmatismo.
Argumentação Filosófica
Explicar o carácter argumentativo da
Identificar um problema filosófico: actividade filosófica.
•  O carácter argumentativo da actividade
•   filosófica está relacionado com a actividade
reflexiva e crítica da Filosofia, a tarefa dos
Filósofos é pensar criticamente sobre um
conjunto de problemas visando, por um lado
uma melhor compreensão da realidade e,
por outro, o auto aperfeiçoamento. Pensar
criticamente é avaliar as afirmações em vez
de as aceitar passivamente, ou porque são
óbvias, ou porque são defendidas por
alguém com autoridade. Os argumentos
servem para pensar de forma coerente
através do discurso. O discurso é um
conjunto coerente de argumentos que visam
expor um determinado assunto, formular um
problema e apresentar uma resposta
devidamente justificada.
Acção Humana

• Caracterizar a acção humana. A acção é uma • Explicar a rede conceptual da acção


interferência consciente e voluntária de um ser humana. A rede conceptual da acção
humano (o agente) no normal decurso das coisas,
que sem a sua interferência seguiriam um caminho remete para uma actividade intencional,
diferente. Caracterizar a acção humana é consciente e voluntária do sujeito ou
compreender a sua especificidade. A especificidade agente da acção, através do qual interage
da acção humana manifesta-se na consciência, que com o mundo, transformando-o de
só o homem tem naquilo que faz. A acção é a acordo com as suas necessidades, e se
intervenção consciente e voluntária no decurso
normal das coisas, que de outro modo seguiriam molda a si mesmo, constituindo-se como
um caminho diferente. humano.
• Concluindo podemos compreender que a acção
humana é algo que o ser humano faz e que tem
consequências. É consciente e voluntário, o que
implica consciência e vontade de agir. A acção
implica um agente criador, alguém que interfere
no normal decurso das coisas, escolhe e é
responsável pelas suas escolhas. O agente tem
uma intenção e um motivo para agir.
• O agente é aquele que realiza de forma consciente
e voluntária uma determinada acção, tem por isso
de ser livre e responsável pela mesma. A intenção
é aquilo que se propõe fazer. Motivo, é aquilo que
o agente deseja obter, a sua finalidade.
•  
•  
Agente – o sujeito Intenção – Motivo – porquê Consciência – Livre
da acção propósito da acção da acção. São as percepção de si arbítrio/vontade –
– para quê? razões e a como autor da a capacidade de
explicação da acção acção escolher

É alguém que age, Implica a Razões que É a capacidade do A capacidade de


isto é, que por sua deliberação e a permitem agente se aperceber escolha do agente.
opção faz com que definição do compreender a de si mesmo em Heitor escolhe lutar
algo ocorra. propósito da acção. intenção. relação com o meio. quando poderia ter
Heitor Defender a cidade, As razões que É o agente em fugido
a família e os levaram Heitor a situação. Heitor
concidadãos lutar contra reconhece-se e
Aquiles: o dever de assume-se como
defender a cidade, aquele a quem
a família e os incumbe defender a
concidadãos, a sua cidade
honra e dignidade.
Moral Kantiana
• Caracterizar a moral Kantiana; • Caracterizar as Acções por dever e
• A moral kantiana é a moral do dever, dado que a
exigência moral se apresenta à consciência sob forma conforme o dever e contra o dever;
de obrigação. Devemos cumprir a lei moral mesmo que
seja contrária aos nossos interesses, às nossas
• As acções contra o dever são aquelas
inclinações, às nossas paixões, à nossa natureza; é que não se devem praticar, isto é,
preciso obedecer à lei moral e não ceder à
sensibilidade, às tendências espontâneas. Ela é uma são aquelas em que fazemos
ordem que não se discute, é interior à nossa razão. A exactamente o contrário daquilo que
consciência moral é a razão pura prática. Exclui, assim, a
heteronomia, isto é, a submissão a uma lei que nos é devíamos fazer.
exterior, uma vez que a heteronomia se identifica com
alienação. A alienação moral para Kant, é alienação
• As acções conforme o dever tem um
axiológica. O homem deve ser autónomo, isto é, fim em vista, são interesseiras e
legislador e súbdito, é ele que estabelece a lei moral e a legais.
ela obedece. A moral passa a ter o seu fundamento na
consciência racional do homem, pois sem a razão não é
possível agir por dever, não agir racionalmente, isto é,
• As acções por dever são acções
cumprindo a lei moral. verdadeiramente morais, em que a
•   finalidade da acção é a própria acção.
• A moral Kantiana é a moral do dever e caracteriza-se São totalmente desinteressadas,
pelo seu carácter de formalidade, pela sua ausência de
conteúdo, guiando-se pelo dever categórico, é uma valem por si próprias.
moral que se baseia na autonomia da vontade e que
pressupõe a liberdade como fundamento da acção.
• A acção moral só pode ser avaliada pelas intenções
pelas quais os actos são praticados e não pelas
consequências dos seus actos.
•  
Explicar o imperativo categórico e hipotético na acção. (algo nunca dado).
• A F.M.C., obra publicada por Kant em 1785, é a primeira das obras dedicada à moral e tem como
propósito de encontrar, na razão pura, p princípio supremo da moralidade que, num plano
puramente racional, garanta a priori o valor moral das nossas acções e a dignidade do homem. Neste
sentido, o facto da razão natural conter em si o princípio do dever e a necessidade de uma filosofia
prática que evite que este princípio moral seja escamoteado pelas inclinações e necessidades.
• Kant determina então, nesta obra, as condições formais que tornam possível a moralidade a partir da
análise da estrutura da razão no seu uso prático, constituindo, assim, uma moral formal que faz
depender o valor moral das acções do cumprimento do dever pelo dever, considerando que a
vontade humana deve agir movida unicamente pelo respeito devido à lei moral e não pode tomar
como princípio de determinação a utilidade ou a satisfação que o seu cumprimento possa
proporcionar. É que não basta a conformidade da acção com a lei moral para que o acto seja moral, é
preciso, além disso, que tal conformidade resulte apenas do valor da lei em si mesma e a necessidade
da acção, em virtude de tal lei.
• A lei moral apresenta-se à vontade como uma ordem incondicional que ordena obediência absoluta.
Ora, para que possua este valor absoluto, a lei moral não pode resultar da experiência, tem de ser a
priori, isto é, tem de ter o seu fundamento na própria razão pura. Só uma origem não empírica pode
garantir a validade universal da lei moral, pois ela tem valer para todos os homens, para todas as
acções em todas as circunstâncias, independentemente das situações particulares em que cada ser
racional se encontre. Temos aqui, de novo, uma moral marcada pela formalidade. Para garantir esta
universalidade e este valor apodíctico, a lei moral apresenta-se como um princípio formal que
determina a condição a que devem obedecer as nossas acções, expressando-se sob a forma de um
imperativo categórico: “age apenas segundo uma máxima tal que possas querer, ao mesmo tempo
que se torne lei universal”.
Moral Kantiana
• Rejeitando as inclinações como móbiles da vontade, o ser racional só pode (deve) agir por
respeito a tal imperativo – autonomia -, subordinando todas as suas máxima (regras práticas
que toma como princípios de determinação ou móbiles da vontade) a este princípio
objectivo. Assim, a autonomia é a propriedade da vontade que faz da razão prática a única
autoridade a que todo o ser racional deve obedecer. Ora a vontade é dotada de livre arbítrio
o que significa que possui a possibilidade de escolher e optar por acções mesmo contrárias à
lei moral e ao dever. A opção pelo dever é o que torna o homem naquilo verdadeiramente
deve ser – um ser moral ou pessoa – no qual a parte sensível ou fenoménica deve estar
subordinada à razão. É a possibilidade de optar e, simultaneamente, a opção pelo dever que
toma a vontade humana uma boa vontade e faz do ser racional um fim em si mesmo. É que a
liberdade neste sentido metafísico é a autonomia da vontade face a quaisquer princípios ou
influências estranhas à razão. Ser livre é poder autodeterminar-se a si mesmo em função de
uma lei que é criação da própria razão, afirmando, desse modo, a dignidade do homem,
autor da sua própria legislação. Só esta ideia de autonomia, garante a dignidade da pessoa,
dado que implica que a vontade esteja acima das leis naturais e do determinismo
fenoménico.
• A obra F.M.C. é escrita com o objectivo de tornar a moral universal, aceitando como único
sentimento o respeito à lei moral.

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