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Introdução à

Filosofia
Referências bibliográficas

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia – São Paulo: Ed. Ática,


14ª ed., 2010.
MATOS, Olgaria. Filosofia a polifonia da razão – São Paulo:
Scipione, 1997.
SAVIAN FILHO, Juvenal. Filosofia e filosofias: existência e
sentidos – Belo Horizonte: Ed. Autêntica, 1ª ed., 2016.
A Filosofia

Segundo Platão e Aristóteles, a Filosofia começa com o espanto ou a admiração. Ou seja,


podemos perceber que o pensamento filosófico, como uma forma de conhecimento
específico, tem como ponto de partida a curiosidade advinda dos sentimentos de espanto e
admiração de algo, que nos move à sua descoberta. Não à toa que a figura do filósofo se
assemelha à criança que, curioso de um mundo desconhecido, move-se com perguntas e
mais perguntas que a fazem querer conhecer o que é desconhecido, torna-lo conhecido.

Ou como diz o poeta Novalis:

“Na verdade, Filosofia é nostalgia, o desejo de se sentir em casa em qualquer lugar”


A Filosofia é útil? Afinal, filosofia para
que?
É muito comum fazer essa pergunta à Filosofia. Procura-se buscar a utilidade da Matemática,
da Física, da Língua Portuguesa e demais áreas do conhecimento. A resposta, em nossa
sociedade, é buscada no caráter prático e utilitário de determinado conhecimento. Defende-se a
Matemática pela função de calcular, a língua portuguesa como capacidade de ler, escrever e
compreender; ou então, busca-se minimizar determinadas formas de conhecimento como
técnicas e ferramentas que serão úteis para determinada profissão: o engenheiro, o médico, o
cientista, etc. Ou seja, busca-se apoiar no utilitarismo imediatista.

Ora, neste sentido, a Filosofia soa inútil. Ela não tem uma finalidade prática para os outros. E
nesse sentido, perde-se de vista o alcance do pensamento filosófico: a arte do pensamento como
guia para uma vida que vale a pena ser vivida, como disse Sócrates, isto é, o cultivo da reflexão
para seguir o caminho do cuidado com a alma/vida humana. Ou seja, a maior das “utilidades” –
sem ser utilitária.
A Filosofia como cuidado ou pharmakon da
alma
Segundo a tradição da filosofia grega, se é preciso pensar bem, é para viver melhor. Eles
consideravam o vício como desconhecimento da virtude. Assim, a Filosofia tem sua razão de
ser como exercício da virtude contra a ignorância.

Se a medicina se encarregou de curar o corpo, à filosofia coube ser o consolo da alma aflita.
Dizia o filósofo Epicuro:

“Não é necessário fingir filosofar, mas efetivamente fazê-lo, pois temos


interesse não em aparentar boa saúde, mas [em] de fato tê-la (…) Nunca é
cedo, nem tampouco tarde demais para cuidar da saúde da alma.”

Deste modo, a Filosofia forma almas fortes pelo exercício da análise de si, do pensamento
autônomo e pela reflexão independente sobre a vida.
Filosofia: medicina [pharmakon] da alma

Epicuro considerava a filosofia não como uma instrução e aquisição passiva de informações, mas como
uma atividade que, através de um generoso sentimento, a philia (amizade), ultrapassa a dimensão da
sabedoria contemplativa e se expande em amor à humanidade. O logos filosófico traz a verdade
iluminadora: é o discurso que se faz pharmakon, remédio que dissolve crenças e superstições – fonte
do medo e dos males da alma. Tendo a filosofia como objetivo, “não instruir os homens, mas
tranquiliza-los”.
O pharmakon filosófico é o discurso terapêutico que busca a autarquia da alma e do corpo, o domínio
da dor do corpo e da alma através da filosofia. Segundo Epicuro:
“nunca se adie o filosofar quando é jovem, nem [se] canse de fazê-lo quando se é velho, pois
que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da
alma. E quem diz que a hora do filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que
diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz”.
A noção de felicidade, por mais indeterminada que seja, é objeto da filosofia e da medicina. Para os
Filosofia: afastamento do senso comum

A Filosofia é uma forma de conhecimento, como tantas outras. Portanto, qual a


especificidade do conhecimento filosófico?

De um lado há o que os gregos chamavam de doxa, isto é, mera opinião, e portanto,


suscetível a equívocos. Tal forma de conhecimento não podia ser a base para a
sabedoria. Deste modo, todas nossas crenças costumeiras, opiniões sem embasamento
– e, inclusive, todos os preconceitos – não podem ser a base para a Filosofia. Em
oposição às crenças cotidianas e o senso comum, a Filosofia fazia uso do que os
gregos denominavam logos – palavra ou discurso racional; razão e princípio
explicador das coisas.

O logos seria o afastamento da doxa para se aproximar da sabedoria.


Filosofia: atitude crítica

Ao se afastar do senso comum, a Filosofia carrega uma postura crítica: perceber e pensar
com discernimento sobre determinado assunto; avaliar e examinar detalhadamente uma
ideia e emitir um julgamento racional sobre algo.

Portanto, a Filosofia diz um não às crenças costumeiras e aos preconceitos do dia a dia,
abertos a conhecer de modo racional e crítico; e, com isso, admitir que não sabíamos o que
supúnhamos saber.

Ou como dizia a sabedoria socrática: saber ao menos sua ignorância é saber que nada sabe,
para, com isso, humildemente passar a conhecer algo.
A Filosofia e o ato de indagar

À medida que a Filosofia, segundo Platão e Aristóteles, começa pelo espanto ou admiração,
sua atitude natural é indagar, isto é, se fazer perguntas tão simples que demonstrem a
curiosidade espontânea pelo conhecimento de algo.

Tais perguntas costuma ser:

- Perguntar o que é : qual a realidade e significação de algo


- Perguntar como é : como é a estrutura ou sistema de relações que constitui algo
- Perguntar por que é : por que algo existe, qual é a origem ou causa de uma coisa, ideia,
valor, comportamento
A reflexão filosófica e suas
características
O esforço do pensamento em compreender o mundo e a si próprio busca compreender, de tudo que
pensamos, dizemos ou fazemos: 1) os motivos, razões ou causas; 2) o conteúdo e sentido; 3) a
intenção ou finalidade.

Deste modo, podemos definir a Filosofia como um pensamento:

Radical: Rigoroso: Metódico: Sistemático: De conjunto:


vai à raiz da considerar os se baseia na busca um considera as
questão, saindo conceitos e investigação conhecimento coisas em seu
da superfície e assuntos com ordenada e amplo, cujas conjunto, em sua
adentrando a rigor e constante, isto é, partes estão articulação
profundidade coerência, como se apoia em um interligadas intrínseca com
do assunto critério de método de por relações de suas partes
verdade raciocínio concordância internas e seu
interna exterior
Fim da Unidade
Introdução à Filosofia

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