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OS CAMINHOS DA

CULTURA
Simbolismo e a Arte Nova
Simbolismo
A MUSA VENAL
Ó musa de minha alma, amante dos palácios,
Terás, quando janeiro desatar seus ventos,
No tédio negro dos crepúsculos nevoentos,
Uma brasa que esquente os teus dois pés violáceos?

Aquecerás teus níveos ombros sonolentos


Na luz noturna que os postigos deixam coar?
Sem um níquel na bolsa e seco o paladar,
Colherás o ouro dos cerúleos firmamentos?

Tens que, para ´ganhar o pão de cada dia,


Esse turíbulo agitar nas sacristia,
Entoar esse te Deum que nada têm de novo

Ou, bufão em jejum, exibir teus encantos


E teu riso molhado de invisíveis prantos
Para desopilar o fígado do povo.
A MUSA VENAL
Ó musa de minha alma, amante dos palácios,
Terás, quando janeiro desatar seus ventos,
Mulher como prostituta
No tédio negro dos crepúsculos nevoentos,
Uma brasa que esquente os teus dois pés violáceos?
Nesta expressão o poeta vê
a mulher como uma figura Aquecerás teus níveos ombros sonolentos
mitológica, sendo esta uma Na luz noturna que os postigos deixam coar?
característica do Sem um níquel na bolsa e seco o paladar,
simbolismo. Colherás o ouro dos cerúleos firmamentos?
o poeta se sente envenenado por
Tens que, para ´ganhar o pão de cada dia, ela e ela tenta roubar, e roubar
Esse turíbulo agitar nas sacristia, no sentido de fazer o poeta
Entoar esse te Deum que nada têm de novo perder-se de amores por ela,
mas tudo no mundo do erotismo

Ou, bufão em jejum, exibir teus encantos


E teu riso molhado de invisíveis prantos
Para desopilar o fígado do povo.
A MUSA VENAL
Ó musa de minha alma, amante dos palácios,
Terás, quando janeiro desatar seus ventos,
No tédio negro dos crepúsculos nevoentos,
Uma brasa que esquente os teus dois pés violáceos?

Aquecerás teus níveos ombros sonolentos


Para além do uso das Na luz noturna que os postigos deixam coar?
figuras mitológicas, a Sem um níquel na bolsa e seco o paladar,
sensualidade e o Colherás o ouro dos cerúleos firmamentos?
misticismo também
estão presentes neste Tens que, para ´ganhar o pão de cada dia,
poema.
Esse turíbulo agitar nas sacristia,
Entoar esse te Deum que nada têm de novo

Ou, bufão em jejum, exibir teus encantos


E teu riso molhado de invisíveis prantos
Para desopilar o fígado do povo.
ALEGORIA
É uma bela mulher e que opulenta deixa
Arrastar em seu vinho a fluídica madeixa.
Nela, garras de amor, venenos de espelunca,
À sua pele enfim tudo morre ou se trunca.
Ela zomba da morte e despreza o deboche,
Monstros de foice á mão são-lhe sempre fantoche,
Na sua destruição sempre guardam respeito
Ao rude esplendor de seu rígido peito.
Possui andar de deusa e sono de sultana;
Ela tem no prazer a crença maometana,
E com braços que são aos seios larga taça,
Com seu olhar convoca inteira a humana raça.
É que esta virgem sabe: o seu ventre é infecundo,
No entanto necessário à marcha deste mundo,
E que a sua beleza é sempre um dom sublime
E que extrai o perdão de todo infame crime.

Ah, que ela ignora o Inferno e olvida o Purgatório,


E quando vier- Ó Noite- o seu fim ilusório.
Há de encarar a Morte sem nenhum gemido
Sem ódio e sem rancor-como um recém-nascido.
ALEGORIA Temática sensual e misticismo.

É uma bela mulher e que opulenta deixa


Arrastar em seu vinho a fluídica madeixa.
Nela, garras de amor, venenos de espelunca,
À sua pele enfim tudo morre ou se trunca.
Ela zomba da morte e despreza o deboche,
Desta forma a mulher Monstros de foice á mão são-lhe sempre fantoche,
é retratada pelo Na sua destruição sempre guardam respeito e com grandes seios.
poeta como uma Ao rude esplendor de seu rígido peito.
deusa bela, opulente Possui andar de deusa e sono de sultana;
Ela tem no prazer a crença maometana,
E com braços que são aos seios larga taça,
Com seu olhar convoca inteira a humana raça.
É que esta virgem sabe: o seu ventre é infecundo,
No entanto necessário à marcha deste mundo,
E que a sua beleza é sempre um dom sublime
E que extrai o perdão de todo infame crime.
Para além disso, é “virgem”,
Ah, que ela ignora o Inferno e olvida o Purgatório, sendo esta ideia reforçada
E quando vier- Ó Noite- o seu fim ilusório. pelo facto de o seu “ventre
Há de encarar a Morte sem nenhum gemido [ser] infecundo”.
Sem ódio e sem rancor-como um recém-nascido.
ALEGORIA Temática religiosa

É uma bela mulher e que opulenta deixa


Arrastar em seu vinho a fluídica madeixa.
Nela, garras de amor, venenos de espelunca,
À sua pele enfim tudo morre ou se trunca.
Ela zomba da morte e despreza o deboche,
Monstros de foice á mão são-lhe sempre fantoche,
Na sua destruição sempre guardam respeito
Ao rude esplendor de seu rígido peito.
Possui andar de deusa e sono de sultana;
Ela tem no prazer a crença maometana,
E com braços que são aos seios larga taça,
Com seu olhar convoca inteira a humana raça.
Através da expressão
É que esta virgem sabe: o seu ventre é infecundo,
“crença maometana”, o
No entanto necessário à marcha deste mundo,
poeta representa a
E que a sua beleza é sempre um dom sublime
mulher como uma mulher
E que extrai o perdão de todo infame crime.
muçulmana..
Ah, que ela ignora o Inferno e olvida o Purgatório,
E quando vier- Ó Noite- o seu fim ilusório.
Há de encarar a Morte sem nenhum gemido
Sem ódio e sem rancor-como um recém-nascido.
ALEGORIA Temática sombria

É uma bela mulher e que opulenta deixa


Arrastar em seu vinho a fluídica madeixa.
Nela, garras de amor, venenos de espelunca,
À sua pele enfim tudo morre ou se trunca.
Ela zomba da morte e despreza o deboche,
Monstros de foice á mão são-lhe sempre fantoche,
Na sua destruição sempre guardam respeito
Ao rude esplendor de seu rígido peito.
Possui andar de deusa e sono de sultana;
Ela tem no prazer a crença maometana,
E com braços que são aos seios larga taça,
Com seu olhar convoca inteira a humana raça.
É que esta virgem sabe: o seu ventre é infecundo,
No entanto necessário à marcha deste mundo,
E que a sua beleza é sempre um dom sublime
E que extrai o perdão de todo infame crime.
Esta quadra
Ah, que ela ignora o Inferno e olvida o Purgatório,
E quando vier- Ó Noite- o seu fim ilusório.
Há de encarar a Morte sem nenhum gemido
Sem ódio e sem rancor-como um recém-nascido.
A DESTRUIÇÃO
Sem cessar, ao meu lado, o Demónio arde em
vão;
Nada em torno de mim como um ar vaporoso;
Eu degluto-o e sinto-o, a queimar-me o pulmão,
Enchendo-o de um desejo eterno e criminoso.

Toma, ao saber o meu amor à fantasia,


A forma da mulher, que eu mais espere e ame,
E tendo sempre um ar de pura hipocrisia,
Acostuma-me a boca a haurir um filtro infame.

Longe do olhar de Deus ele conduz-me assim,


Quebrando de fadiga e numa ânsia sem fim,
Às planícies de tédio, infinitas, desertas,

E atira aos olhos meus, cheios de confusão,


Ascorosos rasgões e feridas abertas,
E os aparelhos a sangrar da Destruição
A DESTRUIÇÃO Temática sensual e miticismo.

Sem cessar, ao meu lado, o Demónio arde em


vão;
Nada em torno de mim como um ar vaporoso;
Eu degluto-o e sinto-o, a queimar-me o pulmão,
Enchendo-o de um desejo eterno e criminoso.

Toma, ao saber o meu amor à fantasia,


A forma da mulher, que eu mais espere e ame,
E tendo sempre um ar de pura hipocrisia,
Acostuma-me a boca a haurir um filtro infame.
O “eu” esta envolto
Longe do olhar de Deus ele conduz-me assim, num filtro de amor, que
Quebrando de fadiga e numa ânsia sem fim, o mata aos poucos.
Às planícies de tédio, infinitas, desertas,

E atira aos olhos meus, cheios de confusão,


Ascorosos rasgões e feridas abertas,
E os aparelhos a sangrar da Destruição
Galateia
Artista: Gustave
Moreau
Dimensões: 85x67cm
DOC. 13 o regresso ao transcendente
Criada: 1880
Período: Simbolismo
Os olhos a mais do ciclope podem ser a representação dos
olhos do pintor. Mostrando as características do simbolismo
e a influência que a ninfa tem no ciclope.
As cores escuras podem significar o “disfarce” que este usa
para que a ninfa não o veja

DOC. 13 o regresso ao transcendente


Ao contrario do Ciclope a Ninfa encontra-se na presença
de cores claras e envolta de escuras que mostra a pureza,
beleza e misticidade do seu ser.

DOC. 13 o regresso ao transcendente


Nas pinturas do simbolismo, os pintores
representavam simbolicamente a realidade,
utilizando diferentes perspetivas, dando uso à
sua imaginação e criatividade. Tinham o objetivo
de exprimir a finalidade dos objetos como eles
realmente são, no entanto, à realidade é
adicionada a ideia. A realidade é representada
assim pois os simbolistas consideravam que a
arte se deveria libertar dos preceitos da lógica e
mergulhar nos mistérios do mundo e da alma.

DOC. 13 o regresso ao transcendente


“Ideias, não coisas”

“Eu pinto ideias, não coisas. […] A minha intenção é menos pintar
quadros agradáveis aos olhos do que sugerir belos pensamentos, que
falem a imaginação e ao coração e que despertem tudo o que há demais
nobre e melhor no Homem”.
DOC. 14 George Frederick Watts, O Minotauro, 1885, página 145
“Ideias, não coisas”
A pintura deixa de ser apenas a representação real dos objetos e os artistas passam a
transpor ideias simbólicas através das formas e cores.

“Eu pinto ideias, não coisas. […] A minha intenção é menos pintar
quadros agradáveis aos olhos do que sugerir belos pensamentos, que
falem a imaginação e ao coração e que despertem tudo o que há demais
nobre e melhor no Homem”.
DOC. 14 George Frederick Watts, O Minotauro, 1885, página 145

George Frederick Watts definiu a sua pintura como uma arte onde não se
representa o real dos objetos e onde os artistas (esta ideia passa para cima.)
Síntese
Arte Nova
Muitos artistas procuravam um novo estilo que
marcasse o seu tempo, e foi no contexto desta
procura que nasceu esta nova corrente artística.

Arte nova Meados do século XIX

Devido as suas características, a


Arte Nova fez sucesso por toda a
Europa entre 1890 e 1914.
Arquitetura

Otto Wagner DOC. 16 1. Otto Wagner, prédio da Rua Linke Wienzeile, Viena, 1898-99
Arquitetura

Antoni Guadi
Arquitetura

DOC. 16 1. Otto Wagner, prédio da Rua Linke Wienzeile, Viena, 1898-99


Antoni Guadi
Centrou o seu trabalho na cidade de Barcelona.
Fachada da Natividade e Cripta de Sagrada Família Cripta da Colónia Güell
Casa Milà
Casa Batlló
Palacio Güell
ParqueCasa
GüellVicens
Arquitetura

Vitor Horta
Casa Tassel, de 1894, um dos ícones arquitetónicos do estilo
Arquitetura

Vitor Horta Vitor Horta, Vestíbulo da Casa Van Eetvelde, 1899


Arquitetura em Portugal
Surge tarde influenciada pelos modelos europeus e durou pouco(1905-1920)
Foi aplicada em prédios da burguesia urbana, em alguns edifícios
espalhados pelas ruas das principais cidades, palacetes, entre outros…
Integrou-se na arquitetura tradicional, não teve volumetrias nem
traçados próprios, mas inovou nos materiais, nas técnicas e no sentido
decorativo.
Foi aplicada em portões, gradeamentos de varanda, de janelas e
escadarias, na escultura decorativa feira em cantaria ou em cimento,
molduras de portas e janelas, mísulas, florões, relevos, etc….
Arte nova em Portugal não foi apenas aplicada na arquitetura mas
também na pintura, na cerâmica, trabalhos gráficos, azulejaria e
ourivesaria.
Portugal
 Atualmente em Portugal a arte nova esta situada
principalmente em Aveiro e Porto. São
principalmente lojas e casa particulares reservadas
para a burguesia que fez fortuna no negócio e na
industria.
 Em Aveiro os edifícios da arte nova concentram-se
na rua João Mendoça e a volta do canal central da
ria
 Apesar de atrasada devido a um lento
desenvolvimento da industria, a propagação da
arte nova em Portugal prosperou em cidades como
porto aveiro nas quais podem ser encontrados
numerosos prédios influenciados por modelos
europeus, em especifico a arquitetura francesa.
• Como não podemos fazer uma visita de estuda
para observar estas magnificas arquiteturas,
decidimos tentar fazer uma replica dum azulejo
do Colégio Roussel de 1905 em Lisboa, uma obra
de J. Pinto.
Design:

• Os artistas ligados à Arte Nova defendiam que a arte está presente em todos os aspetos da vida
quotidiana e, por isso, não deveria haver diferenciação entre a construção e a decoração de um
edifício. Dessa forma, o trabalho do artesão, como um vaso ou uma mesa, passa a ser tão importante
quanto ao trabalho do arquiteto. No design, são utilizadas peças de superfícies ondulantes que
procuram graciosidade e elegância, as formas são inspiradas no corpo feminino e na natureza.
Cartaz:

• O cartaz e a capa de revista fizeram enorme sucesso artístico e comercial identificam a época e a sua
excessiva divulgação trouxe o rápido declínio. Desaparece com a segunda guerra mundial (1939).
Marcou a época histórica e conhecido como Belle Époque (fins do século XIX e inícios do século
XX).
Arte Nova e Simbolismo
• A arte nova foi influenciada pelo simbolismo, e caracterizou pela originalidade e criatividade. Ver
se expressividade faz parte do simbolismo. Gustav Klimt foi muito influenciado pelos simbolistas e
procurou inspiração nos temas envolvendo as figuras femininas numa atmosfera irreal, como vemos
na pintura.
https://app.escolavirtual.pt/lms/playerstudent/assignmentSequence/1620194/NOT_EVALUATIVE/
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(vídeo)
Exercício
• Um quizzi

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