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CRITÉRIOS DE ANÁLISE

DO
BRINCAR INFANTIL NA
ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA
Brincar é coisa séria!
DESAFIOS QUE
ENVOLVEM A
ENTREVISTA LÚDICA:
•Por não ser um processo
estruturado;
•Por se tratar de um material clínico
não sistematizado;
•Por depender fortemente da
experiência clínica, da capacidade
de
•interpretação e observação, bem
como da experiência do psicólogo.
•Pela diversidade de orientações
quanto aos critérios de análise do
•brincar infantil.
PROPOSTAS
ENCONTRADAS NA
LITERATURA
Critérios de avaliação citados em textos
psicanalíticos clássicos:
•Padrões de relação objetal contidos nos
enredos das brincadeiras e na relação
transferencial (Klein, 1932/1981);
•As fantasias de análise de cura e doença
(Aberastury, 1962/1986);
•Mecanismos de defesa (Freud, 1936/1986);
•Contratransferência (Winnicott, 1947/2000);
•Esses aspectos seriam passíveis de
observação com o uso de indicadores
relacionados à expressão das ações da
criança na entrevista. Assim, o jogo, a
brincadeira e o desenho seriam formas de
comunicar o que está no inconsciente.
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR S.
I. GREENSPAN E GREENSPAN (1993)

•Há alguns anos, S. I. Greenspan e


Greenspan (1993) propuseram princípios de
estruturação da observação sistemática da
criança visando definir com mais clareza
critérios de análise do brincar infantil.
•Em sua proposta, os autores descrevem
sete categorias de observação que avaliam
níveis gerais de organização da criança em
relação a diferentes dimensões do
desenvolvimento.
•Em cada uma das categorias, deve-se
atentar para a descrição detalhada do
comportamento observável e para a
adequação desse comportamento à idade
da criança (Quadro 18.1).

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QUADRO 18.1
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR S.
I. GREENSPAN E GREENSPAN (1993)
___________________________________________
1. Desenvolvimento físico e neurológico
• Coordenação geral (postura, marcha, equilíbrio, coordenação motora
fina e grossa, tenacidade dos membros);
• Qualidade e tom da voz Reações às sensações e dificuldade para
processá-las (dificuldades para ouvir, para ver, de tato);
•Bem-estar físico geral (altura, peso, tonalidade da pele e saúde geral);
•Nível de atividade (no início e durante a entrevista).

2. Humor (tom emocional geral)


•Evolução do humor ao longo da sessão;
•Discrepância entre o tema abordado e o sentimento expresso
(expressão facial);
•Conteúdo da entrevista;
•Sentimento subjetivo do avaliador

3. Capacidade para relacionamentos humano


•Indicadores gestuais (contato visual, ato de apontar, sons ou
vocalizações simples, expressões faciais, gestos motores, diferentes
expressões sutis de afeto, etc.);
•Modo como se relaciona com o avaliador;
•Modo como se relaciona com outras pessoas (família, sala de espera,
etc.);
•Qualidade de vinculação e relacionamento;
• Grau de calor humano e profundidade de vinculação;
• Capacidade para representar e simbolizar a experiência (usar
palavras e jogos de faz de conta para negociar a relação com o
entrevistador);
• Capacidade para negociar baseada na lógica (perguntar se
pode realizar algo).
4. Afetos e Ansiedades
• Estados afetivos nas várias etapas da sessão (início, meio,
fim);
• Estados afetivos nos vários temas abordados (dependência,
agressão, curiosidade, competição, inveja, excitação, etc.);
• Capacidade de uso de símbolos e de representações de
afetos;
• Riqueza e profundidade dos afetos (superficiais, intensos, etc.);
• Estabilidade dos afetos;
• Perturbação súbita no desenvolvimento de um tema
(ansiedade);
• Natureza da ansiedade (medo de danos corporais, de
separação, etc.);
• Sequência dos temas;
• Mudança nos níveis representacionais (mais e menos
evoluídos).
5. Uso do ambiente (na sala de espera e na sala de
jogos)
• Capacidade de integração de toda a sala.
6. Desenvolvimento temático
•Organização temática (presença ou ausência de elos
lógicos entre os temas);
•Riqueza e profundidade temática (grau em que a criança
pode desenvolver uma história antes de encontrar
restrições ou bloqueios que impeçam seu desdobramento);
•Sequência temática (natureza das preocupações da
criança, níveis desenvolvimentais dos conflitos nucleares e
defesas usadas);
•Pertinência dos temas apropriados à idade (nível etário a
partir do qual os conflitos da criança derivam-se e o modo
como ela lida com os conflitos);
•Características da comunicação temática;
•Capacidade de uso de representações ou ideias nos jogos
de faz de conta ou no uso intencional das palavras
(descrição de objetos versus representação de objetos);
•Amplitude de Temas
7. Reações subjetivas do avaliador
•Sentimentos que a criança evoca no avaliador;
•Fantasias que ocorrem ao avaliar durante o curso do diagnóstico.

___________________________________
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA UTILIZADOS POR KERNBERG E
COLABORADORES (1998)

• Em outra tentativa de sistematizar a análise da


entrevista lúdica, dessa vez para um enfoque
psicoterapêutico, Kernberg, Chazan e Normandin
(1998) propuseram o Children’s Play Therapy
Instrument (CPTI);
• Esse instrumento se caracteriza como uma
medida compreensiva das atividades de jogo de
crianças na psicoterapia individual, baseado em
três diferentes níveis de análise (subescalas):
segmentação da atividade da criança; análise
dimensional da atividade de jogo; e padrão de
atividade da criança ao longo do tempo. Essas
subescalas poderiam ser utilizadas de forma
separada ou em conjunto, de acordo com os
objetivos do avaliador (Quadro 18.2).
• Obs.: Tanto a proposta de S. I. Greenspan e
Greenspan (1993) quanto a de Kernberg e
colaboradores (1998) priorizam o uso de
indicadores clinicamente observáveis, ou seja, de
aspectos do comportamento que podem ser
descritos.
QUADRO 18.2
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA UTILIZADOS POR KERNBERG E
COLABORADORES (1998)
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR
ARZENO (1995)
• Arzeno (1995), ao refletir sobre os critérios utilizados para
a análise da criança em uma entrevista lúdica
diagnóstica, parece priorizar os indicadores teóricos ao
lembrar a importância do registro da transferência, da
contratransferência e do simbolismo do material
produzido por ela. Além disso, ressalta a relevância de
indicadores como o nível de angústia e o nível de
preocupação com o motivo manifesto, bem como o nível
de insight da patologia.
• Baseada em autores como Klein e Baranger, a autora
sugere a análise das fantasias inconscientes do paciente
quanto à doença, à cura e à análise.
• Para isso, o psicólogo deve prestar atenção à
comunicação verbal e não verbal (gestos, lapsos,
atuações) de seu paciente (Quadro 18.3).
QUADRO 18.3
_________________________________________________
 Transferência
 Contratransferência
 Simbolismo do material
 Nível de angústia
 Nível de preocupação com o motivo manifesto
 Nível de insight da patologia
 Fantasias inconscientes de doença, de cura e de análise
 Comunicação verbal e não verbal (gestos, lapsos,
atuações)
_________________________________________________
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR
KORNBLIT (1979/2009)

• Outro estudo sobre os critérios de análise da hora


do jogo diagnóstica foi conduzido por Kornblit
(1979/2009). A psicanalista buscou categorizar a
entrevista lúdica diagnóstica de modo a ter uma
visão global e diferente de cada paciente, tornando
possível a comparação com os demais;
• Entretanto, após tentativa inicial, percebeu-se a
necessidade de criar um novo modelo, baseado em
um ponto de vista semiológico e influenciado pelas
teorias de Jacques Lacan, atendendo mais às
formas significantes do que às semânticas,
priorizando a análise das sequências das
brincadeiras, sugerindo a segmentação da conduta
da criança durante a sessão em forma de unidade;
• Sugere observar as condutas que dramatizam
fantasias e, logo após, as condutas que manifestam
mecanismos defensivos ante a ansiedade
provocada pela emergência de fantasias.
• Para sistematizar essa proposta de análise, Kornblit
(1979/2009) indica registrar as sequências das
fantasias (por meio da letra F) e das defesas (por
meio da letra D), levando em consideração os nove
indicadores descritos no Quadro 18.4.
QUADRO 18.4
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR
KORNBLIT (1979/2009)
___________________________________________
Número total das unidades de jogo (associado ao nível mental, à idade e à
quantidade de ansiedade)
Ritmo das sequências
oCurtas, ou seja, fantasia seguida de defesa (F – D) e repetição de pauta (alto grau
de ansiedade)
oLongas, ou seja, aparecimento de várias fantasias até que surja uma defesa (F-F-
F-F-D) (maior liberdade de simbolização do conteúdo inconsciente, menor
necessidade de repressão)
oSomente manifestação de fantasia (F-F-F-F-F) (psicose)
Número de subsistemas dentro do sistema total da hora do jogo
(sequências de mesmo sentido – indicador da capacidade de simbolização da
criança, menor estereotipia, maior capacidade de sublimação)
Grau em que a ansiedade transborda das medidas defensivas e se
manifesta abertamente
Perseverança nas unidades de jogo (tentativa de elaboração de fato
traumático)
Momento de aparecimento do “clímax” da sessão (maior dramaticidade,
expressão de ansiedade)
oNão surgimento (brincadeira defensiva, empobrecimento de ego)
oNa metade da sessão (capacidade de elaboração da ansiedade)
oNo final da sessão (defesas ineficazes ante a ansiedade)
oEm vários momentos da sessão (psicose)
Possibilidade de lidar com os elementos figurativos e não figurativos à sua
disposição e qual foi utilizado primeiro
oPassagem do figurativo ao não figurativo (capacidade de abstração e indicação
para psicoterapia breve)
Quantidade de material empregada (grau de abertura aos conflitos)
oTodos os materiais
oParte dos materiais
oApenas um objeto (necessidade de autodelimitação, ansiedade de tipo
oconfusional)
Quantidade de elementos utilizados em cada unidade de jogo
_________________________________________________________________
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR
COLOMBO E AGOSTA (2005)
• As psicanalistas argentinas Colombo e Agosta (2005), em
uma publicação específica sobre a utilização da hora do
jogo diagnóstica para a avaliação de abuso e maus-tratos
infantis, sugerem que o entrevistador considere uma
relação de oito categorias de indicadores. Por meio
dessas categorias e suas subcategorias, se pode
observar a presença de indicadores diretamente
observáveis e indicadores teóricos. Essas categorias e
suas subcategorias são apresentadas no Quadro 18.5

QUADRO 18.5
___________________________________________________________________________________________________________________________

 Tipo de jogo: jogo pós-traumático; ausência total de jogo; jogo


sexualizado; jogo de alimentação; jogo violento; jogo de descarga
 Atitudes da criança: hipervigilância; medo; condutas erotizadas;
rechaço;
 condutas autodestrutivas
 Sentimentos associados ao trauma: anestesia emocional; culpa;
estigmatização; falta de confiança; vulnerabilidade; falta de proteção;
desesperança; suscetibilidade extrema
 Tipos de pensamento: regressivo; egocêntrico; rígido; distorções
cognitivas; incapacidade para aprender; confusão a partir do
segredo
 Mecanismos de defesa (usados de forma massiva e em discordância
com a etapa evolutiva): dissociação; regressão; projeção; repressão;
negação; identificação
 Relação com o agressor (interpretados pelos personagens do jogo):
medo; raiva; dor; ódio
 Imagem de si mesmo e de seu entorno: distorcida; deteriorada;
envelhecida; mundo hostil e perigoso
 Relação com o terapeuta
__________________________________________________________
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA UTILIZADOS POR
EFRON E COLABORADORES (1979/2009)
• De forma semelhante, Efron e colaboradores
(1979/2009) elaboraram um guia de pautas com os
oito critérios que consideram mais importantes para
fins diagnósticos, visando orientar a análise da
entrevista lúdica diagnóstica e gerar inferências
generalizadoras por meio da observação de aspectos
dinâmicos, estruturais e econômicos.
• Para cada uma dessas categorias, as autoras
descrevem aspectos chamados “clínicos”, que
auxiliariam na avaliação da criança (Quadro 18.6).
QUADRO 18.6
________________________________________
 Escolha de brinquedos e de brincadeiras
 De observação a distância (sem participação ativa)
 Dependente (à espera de indicações do entrevistador)
 Evitativa (de aproximação lenta ou a distância)
 Dubitativa (pegar e largar os brinquedos)
 De irrupção brusca sobre os materiais
 De irrupção caótica e impulsiva
 De aproximação, estruturação do campo e desenvolvimento da
atividade
 Modalidades de brincadeiras
 Plasticidade
 Rigidez
 Estereotipia e perseverança
 Personificação (capacidade de assumir e atribuir papéis de forma
dramática)
 Qualidade e intensidade das identificações
 Equilíbrio entre superego, id e realidade
 Motricidade (adequação à etapa evolutiva)
 Deslocamento geográfico
 Possibilidade de encaixe
 Preensão e manejo
 Alternância de membros
 Lateralidade
 Movimentos voluntários e involuntários
 Movimentos bizarros
 Ritmo do movimento
 Hipercinesia e hipocinesia
 Ductibilidade
 Criatividade (unir ou relacionar elementos dispersos em um elemento
novo e diferente)
 Tolerância à frustração
 Desenvolvimento da atividade lúdica
 Aceite das instruções e de seus limites
 Fonte da frustração (mundo interno ou mundo externo)
 Capacidade simbólica
 Riqueza expressiva (busca de materiais, coerência de símbolos)
 Capacidade intelectual
 Qualidade do conflito (conteúdos, estágios do desenvolvimento
 psicossexual)
 Adequação à realidade
 Aceitação ou não do enquadramento espaço-temporal com as limitações
impostas
 Possibilidade de colocar-se em seu papel e aceitar o papel do outro
_________________________________________________________________
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA SEGUNDO
ESQUIVEL E COLABORADORES (1994)
• Outras propostas de interpretação do brincar infantil também
incluem, ao mesmo tempo, fatores descritivos (clínicos) e
interpretativos (teóricos). Para Esquivel, Heredia e Lucio (1994),
os critérios de avaliação da entrevista com a criança devem
incluir a atenção à idade de desenvolvimento da criança e
avaliar em que nível corresponde à conduta e às habilidades
adquiridas (Quadro 18.7).
QUADRO 18.7
________________________________________
 Idade de desenvolvimento da criança (conduta e habilidades
adquiridas)
 Transferência
 Contratransferência
 Expressões verbais
 Expressões que acompanham o discurso
 Apresentação da criança (como se veste, como se senta, seu
tom de voz e tom afetivo que prevalece na sessão)
 Como a criança se relaciona com o avaliador e vice-versa
 Como a criança se separa dos pais
 Como se comporta dentro do consultório
 Espaços que utiliza
 Opinião sobre ter que ir a um psicólogo (significado que tem para
ela ir até a consulta, o que imagina que a espera lá)
 Opinião que a criança tem sobre o psicólogo
 Condutas da criança (o momento em que apresentou tais
condutas orienta a interpretação de seus significados)
______________________________________________________
QUADRO 18.8
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA SEGUNDO SAFRA (1984)
• Safra (1984), por sua vez, entende que, durante a entrevista, deve-se
atentar para as angústias básicas da criança expressas em
comentários verbais, em alterações na forma dos desenhos, em
mudanças no ritmo da sessão, no uso de folhas de papel maiores,
entre outros.
• Esse autor, baseado em algumas considerações de Raquel Soifer,
sugere que seja utilizado o critério evolutivo, psicopatológico -
relações objetais e para as fantasias inconscientes expressas e, por
fim, as expressões verbais. Esses critérios encontram-se listados no
Quadro 18.8.
_________________________________________
 Angústias básicas da criança
 Comentários verbais
 Alteração na forma dos desenhos
 Mudanças no ritmo da sessão
 Uso de folhas de papel maiores
 Manifestações de conduta da criança adequadas ou não para a idade
 Defesas mais utilizadas (obsessivas, negação, formação reativa, etc.)
 As ansiedades (paranoides, depressivas, confusionais, etc.)
 As formas de relações objetais (dependência, submissão, oposição,
competição, etc.)
 Fantasias inconscientes expressas (especialmente de doença e de
cura)
 Expressões verbais
 Atenção
 Capacidade de elaboração
 Amplitude de interesses
___________________________________________________________
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QUADRO 18.9
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA SEGUNDO KRUG E SEMINOTTI (2012)
• Critérios de análise da entrevista lúdica diagnóstica
também têm sido estudados nas intervenções
diagnósticas grupais. Um trabalho referente a um
grupo terapêutico de crianças (Krug & Seminotti,
2012). sugere especial atenção dos psicólogos às
manifestações de desejos dos infantes, às suas
formas de organização (enredo) e às suas formas
de expressão, entre elas os tipos de ansiedade, os
tipos de modalidades defensivas, a natureza das
interações, os sentimentos manifestos e as
identificações processadas (Quadro 18.9).
________________________________________
 Manifestações de desejos
 Formas de organização (enredo)
 Formas de expressão
 Tipos de ansiedade
 Modalidades defensivas
 Natureza das interações
 Sentimentos manifestos
 Identificações processadas
____________________________________________
QUADRO 18.10
CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA SEGUNDO SATTLER
(1996)
• a partir de um ponto de vista mais descritivo, Sattler
(1996) sugere que o entrevistador observe 13
indicadores durante o jogo infantiorientados por fatores
clínicos descritivos (Quadro 18.10)
_________________________________________
 Entrada ao quarto de jogos
 Início das atividades
 Energia gasta
 Ações manipulativas
 Ritmo do jogo
 Movimentos corporais
 Verbalizações
 Tônus do jogo
 Integração do jogo
 Criatividade
 Produtos do jogo
 Apropriação do jogo à idade
 Atitudes ante os adultos expressas no jogo
________________________________________________
Obs.: embora faça considerações quanto à importância de
questões teóricas no processo interpretativo do jogo, os
critérios elencados em sua proposta são
predominantemente orientados por fatores clínicos
descritivos.
A INFLUÊNCIA DA NOÇÃO DE CAMPO
ANALÍTICO NO PROCESSO AVALIATIVO DE
CRIANÇAS NA ATUALIDADE
• Algumas mudanças vigentes nas concepções
teóricas e técnicas da psicanálise durante as
últimas décadas e que, de uma forma ou de
outra, influenciam o uso de critérios de análise da
entrevista lúdica diagnóstica;
• A comunicação entre psicólogo e paciente
passou a ser exercida de forma menos linear;
• Os paradigmas científicos atuais, utilizam-se de
uma visão mais complexa que inclui processos e
contextos de interação com influências múltiplas;
• Analisar e interpretar a entrevista lúdica
diagnóstica não é uma tarefa fácil, requer do
profissional familiarização com a teoria e com
critérios propostos e capacidade de observar
várias dimensões de forma simultânea.
O USO DE CRITÉRIOS DE ANÁLISE DA
ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA NA ATUALIDADE
• Embora os diferentes autores citados forneçam
orientações técnicas que se assemelham em
relação a diversos aspectos da prática da
entrevista lúdica diagnóstica, percebe-se a
presença de uma série de variações;
• A partir de pesquisa (Krug, 2014) realizada na
área, construiu-se uma proposta de Roteiro de
Análise da Entrevista Lúdica Diagnóstica
abrangente e flexível, que contempla o fazer
avaliativo atual a partir das influências teóricas e
das experiências clínicas contemporâneas
relacionadas aos conceitos de campo analítico e
intersubjetividade;
• Assim o roteiro proposto leva em consideração
tanto as propostas advindas dos autores que
publicam sobre a avaliação psicológica quanto
os desenvolvimentos teóricos clássicos e
contemporâneos da psicanálise associados a
eles e verificados em pesquisa.
CUIDADOS NECESSÁRIOS PARA O USO
ADEQUADO DO ROTEIRO DE ANÁLISE DA
ENTREVISTA LÚDICA DIAGNÓSTICA
• A análise da entrevista com a criança depende
da experiência clínica, do conhecimento teórico e
do preparo pessoal do avaliador.
• Por entender que nenhuma avaliação psicológica
é construída e analisada de forma rígida, o
roteiro proposto não pretende substituir outras
medidas técnicas descritas pela literatura
psicanalítica e psicodiagnóstica;
• Ao psicólogo cabe manter a atenção flutuante
sem priorizar qualquer elemento do discurso da
criança durante a entrevista;
• Durante as entrevistas lúdicas, o psicólogo
precisará exigir de si duas atitudes: escutar com
base em seus conhecimentos teóricos, suas
experiências e seu esquema referencial e, ao
mesmo tempo, abrir-se ao novo, ao imprevisto,
ao surpreendente;
• As perguntas que compõem o roteiro proposto
são apenas sugestões analíticas. Muitos outros
aspectos podem ser considerados em uma
entrevista lúdica, dependendo de cada caso.
ROTEIRO DE ANÁLISE DA ENTREVISTA
LÚDICA DIAGNÓSTICA
• O roteiro de análise da entrevista lúdica
diagnóstica foi composto por 193 -
questionamentos divididos em quatro dimensões
de análise decorrentes de resultados
encontrados em estudo (Krug, 2014).
• A primeira dimensão, elenca questionamentos
sobre como a criança se relacionou com a
situação de avaliação.
• A segunda e a terceira dimensões abordam a
forma e o conteúdo da atividade lúdica da
criança.
• A quarta dimensão enfoca a análise da
experiência de encontro da criança com o
psicólogo.
QUADRO 18.11
ROTEIRO DE ANÁLISE DA ENTREVISTA LÚDICA
DIAGNÓSTICA NO REFERENCIAL
PSICANALÍTICO
___________________________________________________________________________________________________
DIMENSÃO 1
ANÁLISE DE COMO A CRIANÇA SE RELACIONOU COM A SITUAÇÃO
DE AVALIAÇÃO
___________________________________________________________________________________________________
Como ocorreu a entrada da criança na sala de atendimento?
Como a criança estava na sala de espera quando foi chamada?
Como ocorreu a separação da criança dos pais?
Como os pais reagiram à separação do filho ao entrar na sala de atendimento?
A criança mostra comportamento de estranhamento quanto ao psicólogo?
A criança é mais tímida ou mais espontânea?
A criança irrompe sobre os materiais ou precisa ser estimulada a brincar?
..................
___________________________________________________________________________________________________
DIMENSÃO 2
ANÁLISE DAS FORMAS DA ATIVIDADE LÚDICA DA CRIANÇA
___________________________________________________________________________________________________
A criança brincou durante a sessão? Como ela brincou?
Como a criança se aproximou e explorou os materiais?
A aproximação dos materiais foi feita de forma inibida ou espontânea?
Houve prontidão para a brincadeira?
A criança explorou os materiais ou manteve-se reservada e sem iniciativa?
................................
___________________________________________________________________________________________________
DIMENSÃO 3
ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DA ATIVIDADE LÚDICA DA CRIANÇA
___________________________________________________________________________________________________
Quais foram os objetos, brinquedos ou brincadeiras escolhidos pela criança?
Os materiais escolhidos para brincar são de interesse comum de crianças da idade
do paciente?
A criança se interessou por brinquedos texturizados ou por brincadeiras de
presença e ausência de objetos dentro de outros objetos?
A atividade lúdica restringiu-se a agrupar elementos semelhantes e a organizá-los
em fileiras, sem a criação de enredos?
A criança apenas imitou gestos e ações do avaliador ou de algum brinquedo?
A criança optou por criar histórias de faz de conta com os materiais escolhidos?
................................
___________________________________________________________________________________________________
DIMENSÃO 4
ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DE ENCONTRO DA CRIANÇA COM O
PSICÓLOGO
___________________________________________________________________________________________________
Qual foi a relação estabelecida entre a criança e o avaliador?
Como a criança estabeleceu o vínculo com o avaliador?
Como a criança se apresentou para o psicólogo?
A criança lembrou do nome do psicólogo na segunda sessão?
A criança confiou no psicólogo como parceiro para sua brincadeira,
convidando-o para interagir durante a atividade lúdica?
A criança preferiu brincar sozinha, sem a participação do psicólogo?
...........................................................................
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Portanto, existem diferentes modelos de análise
da entrevista lúdica diagnóstica. Os resultados
encontrados são valiosos no sentido de servirem
como orientadores para a prática docente na
área da avaliação psicológica e da psicoterapia.
REFERÊNCIAS
HUTZ, C. S. et al (Orgs). Psicodiagnóstico. In:
KRUG, J. S. ; BANDEIRA, D. R. Critérios de
análise do brincar infantil na entrevista lúdica
diagnóstica. [recurso eletrônico]. – Porto Alegre :
Artmed, 2016pp. 379 – 417.

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