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AULA 2

O QUE É A ANTROPOLOGIA?

Seu enquadramento no campo das ciências sociais. Da antropologia clássica aos novos objetos e
problematizações. Iluminismo e razão: Das explicações teológicas à compreensão do mundo pela
ciência. A crença no progresso e os modelos teleológicos. A clivagem nós/outros e a importância dos
esquemas dicotómicos: identidade/alteridade. O outro como objeto de encantamento e de repulsa. A
persistência dos critérios de demarcação identitária.

2 DE OUTUBRO
Antropologia = anthropos + logos

«Ciência do homem no sentido mais lato, que engloba


origens, evolução, desenvolvimento físico, material e
cultural, fisiologia, psicologia, características raciais,
costumes sociais, crenças, etc.» (Dicionário Houaiss da
Língua Portuguesa)

Algumas das ideias incorporadas nesta definição de dicionário são discutíveis (por exemplo as “características
raciais”), outras são irrelevantes para aquilo que nos ocupará nesta unidade curricular (por exemplo a
“evolução” e o “desenvolvimento físico”), mas a definição dá bem conta de que a antropologia pode bem ser um
lugar privilegiado para observar o humano.
Antropologia
Etnologia
Social
Etnografia

Antropologia
Antropologia
Cultural

Do grego ethnos
(povo), que no seu Palavra introduzida Designação preva-
uso eclesiástico, em 1810. Etimolo- lecente no contexto
Estudo do Homem Designação preva-
servia como marca- gicamente significa britânico, subli-
nas suas dimensões lecente no contexto
dor de oposição aos «escrita do povo» e nhando o estudo
somática e bioló- dos EUA. Sublinha
cristãos. Etnologia tornou-se no mar- dos factos sociais e
gica. Inclui a a dimensão compa-
é usada pela pri- cador da primeira das instituições,
Antropologia Físi- rativa, articulando
meira vez em 1787. fase de pesquisa – fazendo da antro-
ca (estudo do Ho- várias dimensões
No final do séc. descrição de um pologia uma socio-
mem em termos da experiência cul-
XIX dedicava-se à povo através da logia das socieda-
biológicos) e a An- tural – língua, tec-
recolha e compara- redação de um tra- des não ocidentais.
tropologia Cultural nologia, dados ar-
ção de informações balho monográfico-
ou Social. queológicos, etc.
sobre os «povos hábitos, costumes,
primitivos». crenças, etc.
DO «SELVAGEM» AO «PRIMITIVO». AS TRANSFORMAÇÕES DO
ETNOCENTRISMO
O ILUMINISMO: DA LEI DIVINA À LEI
NATURAL
-- Entre 1725 e 1840 impera uma forte crença no progresso – existe um caminho ascendente para o Homem.
-- Discute-se a origem da Humanidade e as causas e virtudes do desenvolvimento.
-- A história afirma-se num sentido moderno, permitindo perceber o caminho para a civilização.
-- A racionalidade surge como o instrumento que conduzirá a Humanidade às Luzes e ao conhecimento.

A NATUREZA HUMANA EM DISCUSSÃO: BONS E MAUS


SELVAGENS
-- A rutura com uma conceção fortemente antropocêntrica: da ideia de que o mundo fora criado para benefício da
Humanidade, consolida-se o debate acerca da relação do Homem com a natureza e as outras espécies, afirmando-se
a importância da razão e da escolha racional.
-- Lineu, no seu Sistema Naturae (1735) coloca os homens na mesma ordem que os primatas.
-- Fronteiras indefinidas ainda no século XVIII: orangotangos e crianças selvagens.
-- O bom e o mau selvagem: do homem solitário ao contrato social.
A CLIVAGEM NÓS/OUTROS. A IMPORTÂNCIA DOS ESQUEMAS DICOTÓMICOS.

NATUREZA FÍSICA
A persistência dos critérios de

Tamanho, cor da pele, características consideradas


demarcação identitária.

bizarras.

COMPORTAMENTO SOCIAL
Alimentação, sexualidade, etc.

OUTRAS REFERÊNCIAS CULTURAIS BÁSICAS


Língua, religião, etc.
Sob o título Nova et exacta delineatio Americae partis, este mapa, publicado na
edição de 1599 da obra Voyages de sir Walter Raleigh, indica a existência de
populações de acéfalos e amazonas a norte do rio a que estas últimas deram
nome.
Acéfalos na Ásia, segundo uma ilustração inserida na obra de Jean de
Mandeville, Voyage autour de la terre (séc. XIV).
As raças monstruosas segundo
Hartman Schedel, na obra Liber
chronicarum (1493).
Nalguns casos a morfologia
evocada parece remeter para
algo de tangível. Terá o uso de
pratos labiais inspirado a
lenda da existência de seres
com um lábio inferior tão
desenvolvido que lhes podia
servir de abrigo?
Cinocéfalos “civilizados”, tal como surgem numa ilustração do Livro
das maravilhas do mundo, de Marco Polo.
Icône de século XVII (Museu
Bizantino, Atenas) que apresenta São
Cristovão como Cinocéfalo – neste
caso conservando essa marca mesmo
após a sua conversão.
Repasto de canibais das caraíbas, segundo uma ilustração da obra
Voyages en Afrique, Asie, Indes Orientales et Occidentales, de Jean
Moquet (1617).
José Ruy (1988: 44), Bomvento no
Castelo da Mina, Edições Asa.
Louro & Simões (1991: 44), Jim del Mónaco, A criatura da Lagoa
Negra, Edições Asa.
Carmo Reis & José Garcês (2003: 102) História de Portugal

em Banda Desenhada, Edições Asa.


Louro & Simões (1991: 10), Jim del Mónaco. A

criatura da Lagoa Negra, Edições Asa.

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