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ASPECTOS-CHAVES

4 O conceito de droga legal e ilegal é em grande parte de


fundo moral e cultural;

4 O uso de uma droga remete à uma infinidade de


experiências que envolvem pelo menos três fatores em
interação: pessoa, contexto e propriedades farmacológicas;

4 O álcool é principal droga consumida no Brasil, sendo


responsável com considerável morbi-mortalidade;

4 A queixa sobre o uso abusivo do álcool costuma vir, na sua


maioria, através de um familiar, sendo que o preconceito e
a estigmatização do usuário afastam-no de procurar
ajuda;
ASPECTOS-CHAVES
4 O rastreamento do uso abusivo de álcool deve ser
realizado na APS utilizando-se de instrumentos
adequados ² CAGE, AUDIT;

4 Deve-se diferenciar uso leve v uso de risco/uso nocivo v


dependência ao álcool;

4 As melhores técnicas para abordagem do usuário de álcool


e outras drogas são as que usam os conceitos da entrevista
motivacional e da intervenção breve;
O QUE SÃO DROGAS?

Organização Mundial de Saúde: é considerada ´drogaµ toda


substância que, introduzida no corpo, altera algumas das
funções do organismo (medicamentos...)

4 % +

0: conjunto de drogas que alteram
funções do sistema nervoso central;
O QUE SÃO DROGAS?
4 "    1      

 , 
2

, 

 3   4 
  5
(Henrique Carneiro);

4 Em diferentes momentos históricos, em diferentes


culturas e diferentes territórios, algumas substâncias
são proibidas e em outros permitidas;

4 Legalidade v Ilegalidade:
A ão está relacionada diretamente aos seus efeitos mais ou
menos deletérios sobre à saúde;
A Relaciona-se com questões de ordem política e econômica
históricas.
OS DISCURSOS SOBRE DROGAS
4 %   

   
  
 ;

4 +

 
- privilegia aspectos químicos
das experiências com drogas e suas interações com o
SC (´  µ).

4 Por trás da idéia de ´drogaµ, existe uma imensa



0 
   2 

de usos, de distintas
drogas, de diferentes maneiras, com motivações
múltiplas e sentidos variados.
O PAPEL DA MÍDIA

4 A grande mídia   
   6   7  
, sem questionar-se sobre quais são os fatores sociais,
econômicos e culturais que levam ao seu abuso;

4 Pouco se fala sobre a   89  


 
 
  :   ,
responsáveis pela maioria dos agravos em saúde.
OS DISCURSOS SOBRE DROGAS

à      


 
   
    
      
            
       
      
             

         

              
          
Por que as pessoas procuram as drogas?

Por que as pessoas bebem?

Por que será que sob o efeito da mesma quantidade de


álcool algumas pessoas ficam alegres e outras mais ou
menos violentas?

Por que algumas drogas são proibidas e outras não?


Por que mesmo proibidas as drogas são fáceis de encontrar
para quem as procura?

Por que uma droga alucinógena usada num ritual religioso


tem menos efeito perturbador do que quando usada com
outros propósitos?
Os efeitos de uma drogas dependem de pelo menos três
elementos:

1. Suas  
  ;
(excitantes,
depressoras ou perturbadoras;

2. A personalidade da    que usa, suas condições


físicas e psíquicas, suas expectativas;

3. O  2 (companhias, lugar de uso, representação


social da droga).
EPIDEMIOLOGIA DO USO O BRASIL
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EPIDEMIOLOGIA DO USO O BRASIL

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24/02/2010 ² Folha de SP
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O uso abusivo de remédios prescritos cresce
rapidamente no mundo todo, e o número de viciados
em medicamentos já supera o de usuários de cocaína,
heroína e ecstasy combinados.
ÁLCOOL

4 Uso milenar ² do religioso ao profano;

4 Até Séc. VIII ² problema era visto como restrito


às comunidades urbanas pobres e de periferia
que devariam por si mesmas resolver o problema;

4 Séc IX (Revolução industrial) ² operar máquinas


² vira problema maior de saúde pública;
EPIDEMIOLOGIA E COSEQUÊCIAS DO ABUSO

4 Brasil 8,32L/adulto/ano;

4 Causa mais anos potenciais de vida perdidos do


que o tabaco ou drogas ilícitas (custos).
ESTUDOS LACET SOBRE O BRASIL
PARÂMETROS DE COSUMO DE ÁLCOOL
4 Consumo aceitável:
A Homens: até 21 doses/semana, 4 doses no dia, sem danos à
saúde;
A Mulheres: até 14 doses/semana, 3 doses no dia, sem danos
à saúde;

UMA DOSE = uma lata (350ml) cerveja (1,7 U), um cálice


(90ml) de vinho OU meia dose (20ml) de destilado

4 Bebedor-problema: entre 21 ² 50 doses/semana;


4       10U para H / 7U para M

4 Alcoolista: acima de 50 doses/semana.


ABORDAGEM DO USO DE DROGAS A APS

!  x !

à         v      


              
        

´Problema ocultoµ ² medo de exposição,    


7
2 

 
DETECÇÃO DO USO ABUSIVO
4 Perguntar a cada 3-4 anos sobre consumo de álcool (todos,
novo usuário, problemas de SM, doenças crônicas,
acidentes/traumas, vida sexual de risco);

4 CAGE:
A Alguma vez sentiu que deveria diminuir a bebida ou parar?
A As pessoas o aborrecem por que criticam o seu modo de
beber?
A Você se sente culpado pelo modo como costuma beber?
A Você costuma beber pela manhã para diminuir o
nervosismo ou ressaca?

A Detecta abuso e dependência ao álcool,    


  
    


, um minuto;

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<Sensibilidade: 70-85% /
Especificidade: 85-91%@
DETECÇÃO DO USO ABUSIVO
4 Outros instrumentos: "%',"';

4 Envolver a   


C

4 ão deixar de fora os


  ;

4 -9  2   



para detecção.
ITERPRETAÇÃO AUDIT

4 0-7 pontos: Uso de baixo risco;

4 8-19 pontos: Uso de risco / Uso nocivo;

4 20-40 pontos: grande chance de um diagnóstico


de dependência.
COFIRMAÇÃO DIAG STICO DEPEDÊCIA

4 CID-10 (3 ou + critérios no último ano):


A Forte desejo ou senso compulsão para consumo;
A Dificuldades de controlar o comportamento de consumo ²
início, término e níveis;
A Estado de abstinência fisiológica ² tremores, insônia,
ansiedade, palpitação, convulsões, desorientação,
alucinações;
A Evidência de tolerância crescente;
A Abandono progressivo de prazeres e interesses
alternativos;
A Persistência no uso da substância a despeito das
evidências de suas conseqüências.
ROLE-PLAY
4 Como abordar essa situação?

4 Quais são as técnicas com maior probabilidade de


sucesso?
ABORDAGEM DO USUÁRIO DE RISCO / USO
OCIVO DE ÁLCOOL

4 Pergunte sobre o uso (´o que você pensa do seu uso de


álcool?µ ´como é sua relação com o álcool?µ);

4 Impacto do uso:
A Dias de afastamento laboral;
A Dinâmica familiar, financeira;
A Uso de outras drogas;
A Problemas com justiça

4 egociar ´convício saudávelµ com a bebida (meta);

4 Estratégias para evitar intoxicações (riscos acidentes);

4 Fornece material impresso.


ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Ferramenta para ajudar as pessoas a reconhecer e
fazer algo a respeito dos seus problemas;

4 Identificando os estágios de mudança


ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Identificando os estágios de mudança
A Pré-contemplação

4 Informações claras sobre os riscos do uso;


4 Levantar dúvidas ² aumentar percepção sobre riscos e problemas.

A Contemplação:
4 Pensando na possibilidade de diminuir ou parar (ambivalência);

4 Informações sobre os riscos do uso;


4 Estratégias para ajudá-lo;

4 Vantagens e desvantagens do uso;


ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Identificando os estágios de mudança

A Preparação para a ação

4 Ajude a desenvolver um plano;


4 Identificar situações de risco e estratégias de como lidar com elas;

4 Estratégias para parar ou diminuir, ajudar a escolher melhor

forma.

A Ação

4 Encoraje;
4 Tire dúvidas.
ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Identificando os estágios de mudança

A Manutenção

4 Elogie pelo sucesso;


4 Reforce estratégias para prevenir recaídas.

A Recaída

4 Identifique, junto com a pessoa, as situações de risco relacionada


à recaída;
4 Estabeleça estratégias de enfrentamento;

4 Encoraja a recomeçar;

4 ão puna, tranquilize.


ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Princípios gerais
A Expressar empatia
4 Aceitar as pessoas como elas são libertá-as para as mudanças;
4 A não-aceitação insistente pode ter o efeito de mantê-las do jeito

que estão (        );
4 Escuta reflexiva;

4 A ambivalência é normal.

A Desenvolver discrepância
4 Mostrar a discrepância entre o comportamento atual e suas
metas pessoais e o que pensa que deveria fazer;
4 Conscientizar das consequências;

4 Deixar que a pessoa apresente os argumentos da mudança;

4       


    
     

 
ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Princípios gerais:
A Evitar a confrontação / argumentação
4 Defender gera atitudes de defesa;
4 A resistência é um sinal para mudar a estratégia;

4 Rotulação é desnecessária ² ´negaçãoµ, ´dependenteµ,


´resistênciaµ.

A Acompanhar a resistência
4 Entender que a ambivalência e a resistência são normais;
4 Use da própria argumentação da pessoa para contra-argumentar;

4 Oferecer alternativas.

A Promover a auto-eficácia
4 Encoraje a ele próprio fazer a mudança;
4 Mensagem de estímulo.
ETREVISTA MOTIVACIOAL
4 Outras medidas:
A Remover BARREIRAS
4 Facilitar o acesso;
4 Competência cultural.

A Proporcionar ESCOLHAS

A Diminuir os aspectos DESEJÁVEIS do comportamento


4 Prós e contras

A Ajudar ATIVAMETE
4 Tomar iniciativas que demonstrem preocupação com a pessoa ²
telefonar, enviar bilhetes.
ITERVEÇÃO BREVE
4 PRIMEIRO PASSO
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    @
A "0
3    (instrumentos) e :3     D
4 Provoque motivação e interesse pela informação.

             


            
      

        
      

A Se houver mais de uma droga envolvida;


4 Escolher junto com a pessoa E
 
  0 .
ITERVEÇÃO BREVE
4 PRIMEIRO PASSO
A '  riscos e   7   
como
usará a informação;
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A - 4   5;


A + 0 7    29 :
4         
4      
   

4         

4          


ITERVEÇÃO BREVE
4 SEGUDO PASSO
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F <  

   @
A ´egociarµ meta (redução ou abstinência) e responsabilizá-
la pela meta;

              



          
               
           
  
ITERVEÇÃO BREVE
4 TERCEIRO PASSO
"0
<  G  @
A Orientações claras sobre a diminuição ou interrupção do
uso;
A Relacionar com seus problemas atuais (úlceras gástricas e
álcool / enfisema e tabaco...);
A Oferecer material informativo.
ITERVEÇÃO BREVE

4 QUARTO PASSO
  $
<   8H @
A Identificar situações de risco que favorecem o consumo:
onde ocorre, em companhia de quem, em que situações;
A Desenvolver habilidades e estratégias para evitar ou lidar
com essas situações;
ITERVEÇÃO BREVE

4 QUARTO PASSO
  $
<   8H @
A Fornecer possibilidades de escolhas:

4 Fazer um diário sobre o uso;

4 Identificar outras atividades que possam substituir o uso


(atividade física, tocar um instrumento...);

4 Reflita sobre as coisas que gosta de fazer, a se descobrir melhor;

4 Tenha opções gratuitas de lazer ² apresentações musicais,


oficinas de artesanato... Grupos... CAPSad... AA... A...

4 Descubra algo que a pessoa gostaria de ter e calcule o quanto irá


economizar sem a substância.
€€€.ALCOOLICOSAOIMOS.ORG.BR
€€€.AL-AO.ORG.BR
ITERVEÇÃO BREVE
4 QUITO PASSO
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@
A Evite comportamento agressivo ou confrontador;
A Disposto a ouvir e entende seus problemas, inclusive a
dificuldade de parar.

4 SEXTO PASSO
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 F< 3 


@
A ´Prósµ e ´contrasµ do uso;
A Promover otimismo e confiança / Reforçar aspectos
positivos;
A Conhecer rede de apoio.
REDUÇÃO DE DAOS
4 Conjunto de princípios e tecnologias de cuidado dirigidas
às pessoas que usam drogas;

4 Discute as políticas proibicionístas;

4 Galeno / Hipócrates (130-200 D.C.): vinho e ópio;

4 Grécia ² dietética dos prazeres


O prazer, para os gregos, não era algo visto como imoral. O
cidadão considerado como exemplo a ser seguido não era
casto, frugal ou abstinente, mas aquele que possuía domínio
sobre seus prazeres. unca um domínio que viesse a impedir
o uso dos prazeres.
REDUÇÃO DE DAOS
4 Idade média ² demônio (Agostinho e Tomás de Aquino;

4 Séx VII ² medicalização;


4 Amsterdam 1984 ʹ Hepatite B;

4 Surgimento HIV/AIDS;

4 Primeira experiência em Santos ʹ David Capistrano;

4 Atualmente
4 Voltada para outras substâncias (coca/crack, maconha, ecsatasy...)

4 Redutor de danos no SUS / CAPS / UBS.


ÁLCOOL

 Procure retardar o início do uso. Quanto mais tarde começar, menos irá
beber;

 Busque sentir o sabor de sua bebida. Já existem grupos que se dedicam ao


deleite como forma de Redução de Danos. Beba devagar. Entre um gole e
outro, deixe o copo sobre a mesa. Aproveite;

 Lembre dos ensinamentos dos avós. Antes de ir para a festa, faça uma boa
refeição. Em caso de abuso, sopas e caldos quentes são ótimas pedidas;

 Para a sede, prefira água. Deixa o álcool para os momentos de deleite;

 Busque consumir bebida de boa qualidade;

 Tente planejar o consumo, e esforce-se para seguir o planejamento;

 ão misture bebidas, nem concilie com o uso de outras drogas;

 Se beber, não dirija.


DICAS
4 Assitir ao filme: ´Bicho de Sete Cabeçasµ;

4 Fazer o curso do SUPERA:


www.supera.org.br

4 Conhecer o CEBRID:
www.cebrid.epm.br
4 Conhecer e articular parcerias com o CAPS, os
serviços hospitalares de referência e as Comunidades
Terapêuticas (propor e fiscalizar);
DICAS

4 Ler o livro: ´Entrevista Motivacional:


Preparando as pessoas para a mudança de
comportamentos aditivosµ

4 Aprofundar-se sobre o tema de Redução de Danos:

http://redehumanizasus.net/blog/2304

http://www.abordabrasil.org/
DIPLOMATIQUE.UOL.COM.BR (SETEMBRO 2009)