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CURSO DE DIREIRTO

TEXTOS DE APOIO

DIREITO INTERNACIONAL ECONÓMICO

MAPUTO, MAIO DE 2022

Preparado por: Elsa Alfai 1


DIREITO INTERNACIONAL ECONÓMICO

•Introdução
•Enquadramento Histórico
•Conceito de DIE
•Caracterização
•Fontes do DIE

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Origem: Enquadramento Histórico e Económico

• As Relações Económicas Internacionais (REI),


antecederam a criação do direito que as disciplina.
Deste modo, o Direito Internacional Económico (DIE)
é uma disciplina jurídica jovem, com antecedentes
que remontam a antiguidade.

• As regras do DIE tem por objecto regular as REI e são


resultado dos acontecimentos após 2ª Guerra
Mundial. Neste período, oscilou entre o liberalismo e
o intervencionismo do Estado na economia, em
função das tendências económicas da altura. 

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Regime Jurídico das REI
• Antes do início da 1ª GM, Séc.XIX: predominância de
ideias liberais nas REI (livre cambismo), que tiveram
com percursores Adam Smith, David Ricardo, Stuart
Mill.

 Liberalismo: O Estado desempenhava papel de


polícia, controlava as regras do jogo e não intervinha
na regulação das REI.

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Período entre as duas grandes Guerras (Pós 1ª GM)

• A Depressão de 1929 e as reacções das maiores potências


comerciais face a crise tiveram o seu impacto nas REI.
• Regresso do proteccionismo que teve o seu auge em 1930 com
a aprovação da Lei Americana aduaneira de Smooth-Hawley
(onde os direitos aduaneiros sobre as importações tiveram uma
subida em cerca de 60%) e que tinha como objectivo proteger a
economia nacional americana, levou a reacções de políticas
proteccionistas por parte de outros Estados.
• Registaram-se influências notáveis das doutrinas de Keynes: o
Estado tinha um papel intervencionista nas REI.
• A economia internacional tornou-se vulnerável houve a adopção
de medidas unilaterais proteccionistas adoptadas pelos Estados.

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Período: Após a 2ª GM

• Reconhecimento da natureza do bem público e


necessidade da existência de regras estáveis para o
desenvolvimento da economia internacional
assentes em princípios liberais;  

• Fracasso das doutrinas de Keynes no combate ao


desemprego e a inflacção levaram a conjugação do
liberalismo e do proteccionismo.

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Período: Após a 2ª GM (Cont.)

• Procurou-se a conjugação do liberalismo e do


proteccionismo (uma ordem que coordenasse os
agentes económicos e as medidas tendentes a
proteger o mercado de si próprio).

• Recurso a instrumentos multilaterais (distingue-se dos


plurilaterais) e a criação de uma complexa rede de
organizações internacionais económicas, coordenadas,
formal ou informalmente, pelas Nações Unidas.

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Conceito: Duas concepções:
1. Sentido amplo – Conjunto de regras que regem operações
económicas de qualquer que seja a natureza desde que
tenham conexão com 2 ou mais ordens jurídicas (quadro mais
vasto do que um só Estado).
• Ex: Uma venda internacional entre pessoas de Estados
diferentes estaria sujeita ao DIE.

• Crítica: Extensão ilimitada; o DIE regularia um conjunto de


situações caracterizadas pela sua heterogeneidade (diferença
de sistemas) e diluir-se-ia numa pluralidade de
regulamentações, cada uma com o seu próprio objecto sem
qualquer finalidade comum.

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2. Sentido restrito
• Conjunto de regras que regem a organização das REI
– relações macro-económicas por oposição as
relações micro-económicas.

•  As regras do sistema comercial internacional são regidas pelo


DIE excluindo a venda internacional, esta que seria regulada
pelo Direito do Comércio Internacional.

• O DIE é o ramo do Direito que regula, por um lado, o


estabelecimento e investimento internacional e, por outro
lado, a circulação internacional de mercadorias, serviços e
pagamentos.

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2. Sentido restrito (Cont.)

• O DIE ocupa-se da criação internacional da riqueza e


da sua mobilidade ↔ instalação sobre o território de
factores de produção (capital e trabalho)
provenientes do estrangeiro e as trocas que se
efectuam entre espaços económicos nacionais.

•  A designção mais adequada seria Direito das


Relações Económicas Internacionais no lugar de DIE.

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Parâmetros DIE DIPU DCI DIP
Tipo Direito de expansão Direito de Protecção
(enriquecimento dos (preservação da
Estados). Os Edos não independência e
tem o mesmo estatuto soberania dos
jurídico) Estados). Edos tem o
mesmo estatuto
jurídico
Sujeitos Estados (perspectiva Estados (perspectiva Comerciantes Particulares
plural), OI´s e Empresas singular) e OI´s (particulares)
multinacionais. Alguns defendem o
Estado despido de ius
imperi
Objecto Relações Económicas Relações entre os Actividade mercantil Normas de conflito –
Internacionais Estados soberanos internacional Determinação da lei
(política) aplicável
Sanções Repor a situação anterior Repor a legalidade e Sanções atípicas Não há sanções
a violação exemplaridade (indemnização) tradicionais

Natureza Dtº público Dtº Público Dtº Privado Dtº Privado

Finalidade Enriquecimento dos Cooperação entre os Tornar a actividade Identificação do


Estados (criação da estados mercantil mais direito aplicável, nas
riqueza) célere. relações entre
sujeitos de dois
ordenamentos jurícos
distintos
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Caracterização do DIE
• O fundamento do DIE assenta na independência e
interdependência dos Estados.
• O DI e o DIE estão ligados a existência de Estados-nações
independentes, cujas as fronteiras constituem limites a sua
acção política e económica.
a) DIREITO DE EXPANSÃO
• O enriquecimento dos Estados é um fim legítimo;
b) INFORMALISMO
• O DIE privilegia o informalismo ao formalismo. Os Estados, em
matéria de economia internacional, concertam actos que
materialmente revelam uma vontade comum, mas que
formalmente não constituem convenções internacionais –
COMPROMISSOS NÃO OBRIGATÓRIOS

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Informalismo – (Cont.)
• Caracterizam-se pela sua fluidez e volatilidade e a acção dos
Estados é ditada pela urgência e deve responder a um triplo
objectivo – EFICÁCIA, TECNICIDADE E RAPIDEZ.
Ex: A determinação das margens de flutuação das taxas de
câmbio não podem esperar pela celebração de tratados ou
acordos internacionais, mas sim medidas concertadas entre
Estados.
c) MODELIZAÇÃO CONVENCIONAL
• Consiste no estabelecimento de cláusulas de natureza interna e
internacional que servem de base a negociação internacional
ou bilateral em certo domínio.  
• É um modelo que serve de base a negociação. (Leis modelos)

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c) MODELIZAÇÃO CONVENCIONAL
• Consiste no estabelecimento de cláusulas de natureza
interna e internacional que servem de base a
negociação internacional ou bilateral em certo
domínio;  
• É um modelo que serve de base a negociação. (Leis
modelos);
• São desprovidos de força jurídica, mas com uma certa
autoridade de facto (capacidade de propagação no
plano político) .

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As Fontes do DIE

• As fontes estão agrupadas em 3 categorias


(critérios):
1. Ordem jurídica
2. Qualidade dos Autores;
3. Fontes de carácter misto

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Quanto a Ordem jurídica

• Nacional – Actos Unilaterais dos Estados (legislativo,


administrativo e judicial). Ex: fixação de taxas de câmbio;

• Internacional – Convencionais (Bretton


Woods/OMC/ACP/SADC) e não Convencionais (Resoluções da
NU);

• Híbrida – Concertação dos operadores económicos, que


resultam em regras e normas aplicáveis nas REI.
Ex: A influência que as Sociedades Multinacionais exercem
no sistema comercial Mundial.

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Quanto a Qualidade dos Autores
• Direito Público – acção soberana dos poderes
públicos;

• Direito Privado – acção concertada dos operadores


económicos, que muitas vezes escapam ao controle
tanto da Ordem nacional bem como da Internacional.
.Ex: - As 7 empresas que dominavam o mercado
mundial do petróleo (Seven Sisters).

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Fontes de carácter misto
• Actos convencionais entre um Estado e um nacional
de outro Estado. Ex: Acordos de Investimentos
Internacionais
• O DIE funda-se num conjunto de fontes de direito
interno, internacional concorrendo para o mesmo
objectivo, que é a ordenação dos movimentos
macro-económicos, onde se incluem tratados,
normas costumeiras, entre outras, porém os actos
unilaterais dos Estados e das Organizações
Internacionais é lhes atribuído maior importância.   

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Sanções no DIE

•  Sanções particulares, diferentes de outros ramos de


direito;
• Constitui o reflexo das suas fontes.
• O DIE se insere em diferentes ordens jurídicas (OJ) as
sanções aplicáveis em resultado da violação das suas
regras releva também de uma pluralidade OJ -
nacionais e internacional;

• A estrutura da sociedade económica internacional


influencia o mecanismo das sanções.

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Sanções no DIE – cont..
• São do domínio ou iniciativa dos Estados;
• Outros actores da sociedade económica
internacional com estatutos jurídicos muito
diferenciados exercem influência. (privilegia-se
soluções mistas – p.ex:arbitragem mistas - ou
seja, arbitragens entre Estados e nacionais de outros
Estados. É o que se passa frequentemente no
domino do contencioso do investimento
internacional.
•  Existem também sanções puramente internacionais
aplicáveis às violações das regras do DIE.
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Características das sanções no DIE:
1. Preferência dada ao informalismo em relação ao
formalismo,
2. Flexibilidade dos diferentes mecanismos, os quais têm
uma grande adaptabilidade às situações económicas
internacionais que eles têm por missão fazer respeitar;
3. Especialidade e proporcionalidade das sanções
económicas internacionais.
• Em resumo: as sanções do DIE orientam-se mais por
critérios de oportunidade e eficácia enquanto que as
sanções de DI se preocupam mais com a legalidade e
a exemplaridade.

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Sujeitos do DIE
• Os Estados (Soberania Económica)
• As Organizações Internacionais Económicas (OIE) -
Enquadramento Geral: Tipo de OIE’s
• Os Agentes Económicos Internacionais (As
multinacionais)

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Estados
• No plano internacional:
– Existem vários Estados Soberanos
– Vigora a igualdade entre os Estados (DIP)

 Coordenação - colaboração entre os Estados

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Noção de Estado
• Estado Singular- Todos os Estados são iguais.

• Perspectiva de Estado plural – Os Estados não são


iguais (capitalistas/socialistas; desenvolvidos (PD),
em desenvolvimento (PVD) e menos desenvolvidos
(LDC/PMA)

• Inicialmente o DIE era um direito dos países


capitalistas, no entanto sofreu uma evolução nos
últimos anos, passando a incluir os socialistas.

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Os Estados (Soberania Económica)
• A noção de soberania estatal, ao longo da história
moderna, assume papel de fundamental constituindo-se
num verdadeiro paradigma jurídico da modernidade.
• Soberania Nacional Económica recebe  tratamento
destacado dentro da ordem constitucional por ser,
certamente através da economia que um país irá afirmar
sua posição de independência no cenário internacional.
Uma nação dependente económica e tecnologicamente não
concretizará sua soberania política.
• A soberania seria um poder que só encontraria limites
na lei divina e na lei natural. Esse poder seria exercido em
numa parcela espacial restrita e determinada, logo, haveria
tantas soberanias quantos forem os territórios e, sendo
nenhum superior aos demais, todos deveriam conviver
em harmonia.
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Os Estados (Soberania Económica)
• A soberania económica deve ser observada, tanto na elaboração de políticas
públicas no âmbito interno, como na celebração de tratados e acordos internacionais.

• No campo internacional, a soberania económica está consagrada na Carta de


Direitos e Deveres Económicos dos Estados, Proclamada pela Assembleia Geral
da ONU, em 1974, que estabeleceu uma nova Ordem Económica Internacional.
Na sua parte introdutória, afirma-se que a Carta se constituiria num instrumento eficaz
para criar um novo sistema de relações económicas internacionais, baseado na
equidade, na soberania e na interdependência dos interesses dos países
desenvolvidos e dos países em desenvolvimento.

• São elementos centrais da soberania económica de um país, fundamentalmente


em tempos de globalização: a defesa da produção nacional, a conquista de novos
mercados no exterior, com o consequente crescimento da participação do país no
mercado internacional, o equilíbrio das contas externas e a geração de uma tecnologia
nacional altamente competitiva.

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Os Estados (Soberania
Económica)
• Hobbes, na sua elaboração sobre a origem do Estado,
sustenta que os homens, visando obter uma convivência
pacífica impossível no estado de natureza, submetem-se às
leis e a um poder tal que torne a desobediência das normas
desvantajosas.
• Nesse sentido, os homens acordavam em renunciam a seu
poder transferindo-o para uma única pessoa, o soberano.
Este acordo explicava a obrigação de obedecer a tudo que o
detentor do poder ordenar, desde que os demais façam o
mesmo (Pacto de União).

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Os Estados (Soberania Económica)
• A tese do contrato social foi também desenvolvida por outros
expoentes do pensamento político como Rousseau e John Locke,
com matizes significativamente diferenciados, tanto que, mesmo
concordando quanto à titularidade do poder soberano (sempre
pertencente ao povo ou a nação), Hobbes, por exemplo, é pela
alienação dos direitos naturais do homem a favor do soberano, chega
ao absolutismo do monárquico do Estado, enquanto que Rousseau,
através de seu conceito de vontade geral, acaba por corroborar com
um absolutismo das maiorias irresponsáveis.

• Assim, internamente, a soberania quer dizer que “o poder do


Estado é o mais alto existente dentro do Estado, é a summa
potestas, a potestade.” o único capaz de autodeterminar-se e
autolimitar-se , enquanto que, externamente, “significa que, nas
relações recíprocas entre os Estados, não há subordinação nem
dependência, e sim igualdade”.
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As Organizações Internacionais
Económicas (OIE)
• Definição: As organizações inter-governamentais são associações
voluntárias de Estados que podem ser definidas sociedade entre
Estados, constituída através de um Tratado, com a finalidade de
buscar interesses comuns através de uma permanente cooperação
entre seus membros. (SEITENFUS, 1997).

• Uma organização internacional pressupõe a existência de objectivos


de interesse comum entre os países membros.
- Os Estados associam-se livremente às organizações
internacionais. Os Estados fundadores destas são definidos como
membros originários e os demais membros ordinários ou
associados.

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Enquadramento Geral: Tipo de OIE’s
• Organização internacional é uma associação voluntária de sujeitos
de direito internacional (quase sempre Estados), constituída mediante
um acto internacional (geralmente um tratado), de carácter
relativamente permanente, dotada de regulamento e órgãos de direção
próprios, cuja finalidade é atingir os objectivos comuns determinados
pelos seus membros constituintes.

• As organizações internacionais, uma vez constituídas, adquirem


personalidade internacional independente dos seus membros
constituintes, podendo, portanto, adquirir direitos e contrair obrigações
em seu nome e por sua conta, inclusive por intermédio da celebração
de tratados com outras organizações internacionais e com Estados,
nos termos do seu acto constitutivo.

• A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e


Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais, de
1986, disciplinou as normas de direito internacional aplicáveis ao poder
convencional das organizações internacionais.

Preparado por: Elsa Alfai 30


As Organizações Internacionais Económicas
(OIE)
As que interessam em DIE são as organizações internacionais
económicas :
•Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma organização
internacional que visa assegurar o bom funcionamento do sistema
financeiro mundial pela monitoria das taxas de câmbio e da balança
de pagamentos, através da assistência técnica e financeira.
•Banco Africano de Desenvolvimento é uma instituição pan-africana
para o desenvolvimento financeiro. A sua missão é fomentar o
crescimento económico e progresso social em África.
•Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD)
usa instrumentos de investimento para ajudar a construir as.
economias de mercado e democracias em 27 países da Europa
Central à Ásia Central.
Preparado por: Elsa Alfai 31
Organizações Internacionais de
Cooperação e de Integração
Pode-se discriminar as organizações em:
Intergovernamentais (os objectivos podem ser específicos ou
generalizados):
a) globais: ONU (Organização das Nações Unidas) –
objectivo generalizado; UNESCO (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura) – objectivo
específico, visa à cooperação.
b) regionais:
Não-governamentais:
Greenpeace - objectivo específico.
Organização das Nações Unidas (ONU)

Preparado por: Elsa Alfai 32


Os Agentes Económicos (As
Multinacionais)
• Os agentes económicos detentores de multinacionais
desempenham um papel preponderante na arena
económica internacional, como fazedores de opiniões.

• Há multinacionais com rendimentos que superam o PIB


de muitos países e que determinam as políticas dos
países onde se baseiam. A falência de uma
multinacional pode ter consequências desastrosas na
economia dos países onde elas se baseiam.

Preparado por: Elsa Alfai 33


• A Ordem Internacional Económica de
Inspiração Liberal

• A Nova Ordem Internacional Económica


(NOEI)

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Percurso Histórico da OIE
Definido em função da predominância de ideias
liberais e proteccionistas:
Século XIX até 1ª GM (1815-1914)Liberalismo nas
trocas comercias (modelo de uma economia de
mercado)
Período pós 1ª GM – Entraves ao comércio
internacional, proteccionismo, agravamento de
Tarifas Aduaneiras e RQ ao comércio (medidas
unilaterais dos Estados).

Preparado por: Elsa Alfai 35


História – Cont....
Período pós 2ª GM – Retorno ao liberalismo:

• Criação de instituições que impediam o retorno a


instabilidade económica (OIE) - FMI, BM, NU;

• Estabelecimento de relações monetárias estáveis e de


um regime de comércio Internacional aberto e
ordenado (através de instrumentos multilaterais);

• Incorporação das reivindicações dos PVD – GATT-


Parte IV.

Preparado por: Elsa Alfai 36


Ordem Internacional Económica (OIE)
Conjunto de princípios jurídicos, regras e instituições que
moldam a OIE factual (REI)
Promove a segurança jurídica;
 Visando a redução dos custos das transações
internacionais,
Contribuem para uma afectação de recursos eficiente.
Simplificando: é o conjunto de regras e princípios
reguladores da economia internacional.

Preparado por: Elsa Alfai 37


Funções Básicas da OIE
• Promoção de uma afectação eficiente dos
recursos mundiais escassos;

• Coordenação das actividades económicas


descentralizadas sem flutuações excessivas de
preço;

• Distribuição equitativa dos benefícios e dos


custos.

Preparado por: Elsa Alfai 38


A Ordem Económica de Inspiração Liberal
• Foi prepararada essencialmente a nível bilateral pelos
EUA e Reino Unido, e alargada aos seus aliados (Tratado
de Chevalier 1860 com a França);

• Este conjunto de acordos bilaterais celebrados pelas


potencias europeias e por alguns Estados Americanos
constituiu uma rede que funcionou como um sistema
multilarelal de regulação das REI em condições de
reciprocidade.

Preparado por: Elsa Alfai 39


Período de 1929 - 1939
• Ruptura da OEI liberal, abalada pelas recessões das
últimas décadas do séc XIX e com a 1ª GM;

• A liberalização das trocas internacionais foi posta em


causa com depressão de 1929;

• O regresso do proteccionismo em 1930, (Smoot–Hawley


Tariff Act. - A Lei determinou o aumento das tarifas de
mais de 20.000 produtos provenientes de outros paises
para o EUA aumentando dtos aduaneiros das
importações em 60%);

• A lei recebeu várias retaliações dos parceiros


comerciais (criou uma vulnerabilidade da economia
mundial).

Preparado por: Elsa Alfai 40


Retaliações dos parceiros
Comerciais- (Formas)
Adopção de medidas unilaterais de cariz proteccionista:

 Tarifas aduaneiras proibitivas,


 Práticas comerciais desleais,
 Restrições quantitativas (RQ);
 Taxas de câmbio múltiplas,
 Nacionalizações,
 Congelamento de capitais, etc.

Preparado por: Elsa Alfai 41


Período Pós 2ª GM
• Início do processo de cooperação internacional entre os
Estados;

• Criação de uma nova ordem política internacional (ONU,


BIRD, FMI E OIC/GATT), com objectivo de evitar o retorno
à desastrosa instabilidade económica dos anos 30;

• Estabelecimento de relações monetárias estáveis e um


regime do comércio internacional aberto e ordenado;

• Estas instituições agiam numa perspectiva liberal e o


modelo de cooperação foi determinado pelos países
dominantes (Industrializados – Paises desenvolvidos -
PD).

Preparado por: Elsa Alfai 42


Princípios basilares da OIE
• Liberdade de comércio e pagamentos

• Igualdade de tratamento

• Reciprocidade das vantagens

Significado:
A liberalização das trocas comerciais e seu
financiamento deve realizar-se de modo não
discriminatório, cada país concedendo e
recebendo para os seus nacionais um
tratamento igual simbolizado pela existência
do princípio da NMF instituído pelo GATT.

Preparado por: Elsa Alfai 43


Críticas a OIE
• Regulavam apenas transacções entre operadores
económicos especializados no comércio
internacional, tendo funcionado em favor de ricos e
contra pobres;

• O proteccionismo não foi eliminado;

• As Empresas Multinacionais escapam a


regulamentação do DIE;

• O princípio da igualdade dos Estados era formal


(igualdade real Vs Níveis diferentes de
desenvolvimento.
Preparado por: Elsa Alfai 44
A Nova Ordem Económica
Internacional (NOEI)
• Foi resultado das lições apreendidas após as crises
das décadas 20 e 30 e da 2ª GM;

• Reconhecimento da natureza de bem público e a


existência de regras estáveis para o desenvolvimento
de uma economia internacional assente em princípios
liberais;

• Resultado da reclamação dos países socialistas e


dos novos países saidos do processo de
descolonização, que procuravam uma ordem
económica alternativa.

Preparado por: Elsa Alfai 45


NOEI (Cont.)
•Reivindicações dos aíses do 3º Mundo (PVD)
Conferência de Bandung (1955) contestavam a
ordem vigente e exigiam uma NOEI com
igualdade real dos Estados, e um tratamento de
acordo com a situação do Estados (Tratamento
diferente ao que é diferente);

• A criação de 1 NOEI supunha 1 limitação dos


princípios liberais em que assentavam as trocas
internacionais e exigia a transferência de
importantes poderes para uma entidade central;

Preparado por: Elsa Alfai 46


NOEI - Cont…
• Institucionalizada em 1964 através da CNUCED
– Resoluções nº 1995 (XIX) da Assembleia
Geral das ONU de 30/12/64 e nº 21 (II) de
20/03/68 que adopta o princípio da criação de
um sistema generalizado de preferências;

• Em 1974 é expressamente reconhecida a NOEI


como uma ordem de cariz liberal que incorpora
muitas das reivindicações dos PVD. TB
rectificada através da resolução nº 2904 (XXVII)
de 26/09/1972

Preparado por: Elsa Alfai 47


Princípios da NOEI - Solidariedade efectiva
dos Estados-
Liberdade – comércio s/ barreiras

Desigualdade - os PVD querem ser


tratados de uma forma mais favorável que
lhes permita crescer economicamente

Não reciprocidade - a vantagem


concedidad a 1 PVD não faz sentido que
este país tenha que conceder uma
vantagem recíproca porque essa vantagem
foi concedida para o seu crescimento.
Preparado por: Elsa Alfai 48
Conclusão
O grande êxito da NOEI - Reforma do Sistema
Comercial internacional em benefício dos PVD;
A NOEI contribuiu para trazer p/ agenda
internacional temas c/o direito ao desenvolvimento,
perdão da dívida dos PVD, tratamento preferencial
desses países nas relações comerciais e financeiras,
etc.
A NOEI marcou o apogeu do poder reivindicativo
dos países em desenvolvimento.
Cfr. Art. 1 do GATT, parte IV do GATT art. 36 e ss

Preparado por: Elsa Alfai 49


Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)
• O Tratamento Especial Diferenciado surge da constatação da incapacidade dos
Países Menos Desenvolvidos competirem em igualdade de circunstancias com os
mais desenvolvidos.

• 1954 a 1964, negociações visando acomodar as preocupações dos Países em


desenvolvimento. Em 1979, em Tóquio, foi adoptada a enabling clause -
estabeleceu o Princípio do tratamento diferenciado privilegiando o acesso
preferencial ao mercado sem reciprocidade, introdução de regimes comerciais
preferenciais, tratamento especial aos PMA.

• UNCTAD, Conferência das Nações Unidas sobre o Comercio e Desenvolvimento,


criada em 1964, é a instituição onde os países em desenvolvimento apresentam a
sua agenda para o comércio internacional. Ajudou a criar o Sistema Generalizado
de Preferências (GSP).

Preparado por: Elsa Alfai 50


Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)
• 1979 – enabling clause (cláusula de habilitação) permite que os Estados
membros acordem em conceder mutuamente tratamento mais favorável
e diferenciado aos países em desenvolvimento.
• Tipo de tratamento diferenciado:
– Tarifas preferenciais a produtos provenientes de países em
desenvolvimento de Acordo com o Sistema Generalizado de
Preferenciais.
– Tratamento diferencial e mais favorável no que se refere as clausulas
do GATT relativas a não tarifas.
– Arranjos regionais e internacionais entre países menos desenvolvidos
no que se refere a redução mutua de tarifas.
– Tratamento especial entre os países menos desenvolvidos e os países
em desenvolvimento

Preparado por: Elsa Alfai 51


Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)
• SGP é um instrumento voluntário por parte dos países
desenvolvidos aplicado em simultâneo com a redução
generalizada dos direitos aduaneiros, resultante da aplicação da
cláusula da nação mais favorecida.

• A Parte IV do GATT refere-se ao Comércio e Desenvolvimento e


surge da necessidade de incorporar as preocupações dos países
menos desenvolvidos e a grande diferença em termos
desenvolvimento entre os países desenvolvidos e os países em
desenvolvimento em especial os menos desenvolvidos.

Preparado por: Elsa Alfai 52


Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)

• Apelava-se a diversificação das economias dos países menos


desenvolvidos.
• Os países desenvolvidos não deviam esperar reciprocidade
dos países menos desenvolvidos.
• Existem 2 sectores que tratam de desenvolvimento: o Comité
sobre Comercio e Desenvolvimento e Subcomité dos países
menos desenvolvidos.
• O conceito de tratamento especial diferenciado foi
consagrado para Parte IV do GATT com o titulo comercio e
desenvolvimento através da enabling clause.

Preparado por: Elsa Alfai 53


Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de preferências (SGP)
• Existem cláusulas específicas nos diferentes acordos da OMC e
constituem o sistema multilateral da OMC:
– Cláusulas que visam aumentar as oportunidades de comercio para os
países em desenvolvimento. Ex: artigo XXXVII do GATT 1994.
– Cláusulas que conduzem os membros da OMC a salvaguardar
interesses dos países em desenvolvimento quando adoptam medidas
de comercio protectoras.
– Cláusulas que permitem a flexibilidade para os países em
desenvolvimento no uso das politicas económicas e comerciais –
artigo XVII do GATT 1994.
– Cláusulas que concedem períodos prolongados aos países em
desenvolvimento na implementação de compromissos.
– A concessão de assistência técnica para os países em
desenvolvimento.
Clausulas que se referem especificamente aos países menos
desenvolvidos.
Preparado por: Elsa Alfai 54
Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)
• A Organização Mundial do Comércio (OMC) traz como vantagens
o Sistema Generalizado de Preferências, onde os países menos
desenvolvidos intervêm nas relações comerciais internacionais
adoptando iniciativas com base da não reciprocidade,
desigualdade, tratamento favorável beneficiando de iniciativas
como por ex.a African Growth Oportunity Act (AGOA), Everything
But Arms.
• Com a criação da OMC foi definida a Parte IV do GATT referente
ao direito do desenvolvimento que em grande parte prevê
cláusulas que beneficiam os países menos desenvolvidos
actuando com base nos princípios da não reciprocidade e do
tratamento preferencial

Preparado por: Elsa Alfai 55


Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)
• Em 1996, na Conferencia Ministerial da OMC em Singapura, foi adoptado o
Plano de Acção da OMC para os países Menos Desenvolvidos. O plano estava
focalizado no desenvolvimento da capacidade humana e institucional e no
acesso ao mercado dos produtos exportáveis que interessem aos países
menos desenvolvidos.
• Estabeleceram-se tarifas preferenciais para os PMAs
• Apela-se a colaboração entre a OMC e outras agências que se preocupam no
apoio aos PMAs.
• Em 1997 foi definido um Quadro Integrado da Assistência Técnica dos
aspectos relacionados ao comércio. Participação (ITC, FMI, UNCTAD, PNUD,
W. Bank e OMC).
• Objectivo era de assistir os PMAs a colocar o comercio nos Planos de
Desenvolvimento e nos Planos de Acção para Redução da Pobreza (PARP).

Preparado por: Elsa Alfai 56


1. Conceito de globalização
2. Conceito de integração regional
3. Integração regional globalização
4. Importância da integração regional
5. Teorias da integração regional
6. Fases da integração regional

Preparado por: Elsa Alfai 57


Conceito de Globalização
• A ideia de globalização como hegemonia dos valores liberais
pode tomar duas formas:
– (a)- o questionamento da existência do fenómeno da
globalização, o conceito neste caso seria uma mera criação
ideológica que procura legitimar a actual ordem internacional;

– (b)- inversamente o segundo enfoque considera que este


fenómeno é real e observável, e que este confunde-se com a
supremacia historicamente determinada da ordem liberal.
• Choque dos petróleos de 1973 implicou reestruturação
produtiva das economias – inovação tecnológica,
liberalização da política financeira por parte de algumas
potências.
Preparado por: Elsa Alfai 58
Conceito de Globalização
• A globalização pode ser entendida como um processo de integração de
mercados domésticos na formação de um mercado mundial integrado, pode-
se individualizar três dimensões de sua actuação: comercial, produtiva e
financeira.

• Globalização Comercial é a integração dos mercados nacionais por meio da


redução das barreiras comerciais e consequente aumento do comércio
internacional.

• Globalização Financeira é a integração dos mercados financeiros nacionais


em um grande mercado financeiro internacional. Crescimento de transacções
financeiras para alem das fronteiras nacionais. Papel do sistema monetário
internacional criado em Bretton Woods 1944.

• Globalização Produtiva é o processo de integração das estruturas produtivas


domésticas, em uma estrutura produtiva internacional. Investimentos
estrangeiros, mudanças tecnológicas, competição das empresas e industrias.
Preparado por: Elsa Alfai 59
Componentes da Globalização
• A globalização está a acontecer principalmente dentro de mega-
blocos comerciais e de investimentos (União Europeia e a North
American Free Trade Agreement (NAFTA). Pacto comercial
contorverso assinado em 1992 que eliminou gradualmente a
maioria das tarifas e outras barreiras comerciais sobre produtos e
serviços que transitam entre os Estados Unidos, Canadá e México.
Chama se aqui a intervenção da OMC, BM, FMI.
• Com efeito, a maior parte do comércio, da produção industrial e
do investimento externo directo da economia mundial se dá entre
dois blocos regionais – a União Europeia e o NAFTA – por
intermédio de empresas multinacionais baseadas besses paises.
• Estas, juntamente com as instituições internacionais e os
governos dos países desenvolvidos, são os agentes propulsores do
processo de globalização e regionalização das economias.
Preparado por: Elsa Alfai 60
Agentes da globalização
• Estados – entidade organizada formada por território,
população e um governo- soberania. Blocos
económicos regionais.
• Empresas multinacionais – determinam fluxos de
investimento estrangeiro, emprego
• Organizações internacionais (Governamentais e não
governamentais).

Preparado por: Elsa Alfai 61


Globalização, desenvolvimento e exclusão
• Reformulação das noções de soberania e autonomia dos
Estados.
• Necessidade de clareza das politicas comerciais - estratégias
de desenvolvimento do sector produtivo, politicas que
asseguram a competividade das empresas.
• Participação dos países menos avançados (avanços
tecnológicos, competitividade).
• A questão da cláusula social - impacto da globalização e
fragilidades da economia na sociedade.

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Efeitos da Globalização
• Dentre os efeitos da globalização aponta-se o crescente poder económico e
uma mudança no papel do Estado, principalmente, no que se refere à
actividade privada em especial no Comércio Internacional.
• A característica mais notável da globalização é a presença de marcas
mundiais.
• A globalização afecta todas as áreas da sociedade, principalmente
comunicação, comércio internacional e liberdade de movimentação, com
diferente intensidade dependendo do nível de desenvolvimento e
integração das nações ao redor do planeta.
• Os efeitos no mercado de trabalho da globalização são evidentes, com a
criação da modalidade de outsourcing de empregos para países com mão-
de-obra mais baratas para execução de serviços que não é necessário alta
qualificação, com a produção distribuída entre vários países, seja para
criação de um único produto, onde cada empresa cria uma parte, seja para
criação do mesmo produto em vários países para redução de custos e
ganhar vantagem competitivas no acesso de mercados regionais

Preparado por: Elsa Alfai 63


Efeitos da Globalização
• O aumento dos riscos globais de transacções financeiras, perda de parte da
soberania dos Estados com a ênfase das organizações supra-governamentais,
aumento do volume e velocidade como os recursos vêm sendo
transaccionados pelo mundo, através do desenvolvimento tecnológico etc.

• Facilidade de circulação de bens, serviços não havendo grande controle. A


globalização serve para os mais fracos se equipararem aos mais fortes pois
tudo se consegue adquirir através da internet.

• A grande instabilidade económica que se cria no mundo, pois qualquer


fenómeno que acontece num determinado país atinge rapidamente outros
países criando-se contágios que tal como as epidemias se alastram a todos os
pontos do globo como se de um único ponto se tratasse.
• Os países cada vez estão mais dependentes uns dos outros e já não há
possibilidade de se isolarem ou remeterem-se no seu ninho pois ninguém é
imune a estes contágios positivos ou negativos.
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Integração regional e globalização
• A regionalização por meio da integração regional foi resposta a
globalização. O FMI, BM, OMC, tem ajudado no processo.

• Década de 80 intensificação da regionalização dos processos


comerciais, produtivos e investimentos.

• Regionalismo – processo de formação de uma área integrada


pelo estabelecimento de normas comuns e extinção ou
adopção de tarifas preferenciais entre países signatários.
-

Preparado por: Elsa Alfai 65


Conceito de integração regional
• Conceito de integração regional surge após a 2ª Guerra
Mundial.
• Após 1950, o termo ganha precisão significando processo de
interdependência de economias separadas.
• Tipos de integração:
– Integração geral e integração sectorial
– Integração positiva e integração negativa
– Integração natural e integração estratégica
– Integração económica e integração politica
• Regionalismo, globalização, ordem económica mundial
• Identidade nacional e o despertar do regionalismo
• Incremento das organizações regionais e o papel das Nações
Unidas
Preparado por: Elsa Alfai 66
Teorias da Integração regional
• Um processo de integração regional consiste em um
conjunto de medidas de carácter económico que tem por
objectivo promover a aproximação e a união entre as
economias de dois ou mais países.

• Em outras palavras, é um processo de constituição de um


mercado integrado, em uma região contínua ou não, a partir
da retirada progressiva das barreiras ao comércio, podendo
estender-se à livre circulação de factores de produção e à
criação de instituições que possam coordenar e/ou unificar as
políticas económicas de seus Estados-membros

Preparado por: Elsa Alfai 67


Teorias da Integracao regional

Destacam-se três teorias para explicar a integração regional,


nomeadamente: 
•a teoria neofuncionalista,
•a teoria institucionalista e;
•a teoria intergovernamentalista Mariano e Marcelo Passini.

Preparado por: Elsa Alfai 68


Teorias da Integração regional

• A teoria neofuncionalista, defendida por Haas, refere que “para os


neofuncionalistas, a integração significa o processo de
transferência das expectativas excludentes de benefícios do
Estado-nação para alguma entidade maior”.

• Aqui o processo de integração regional “é impulsionado por um


núcleo funcional constituído por governos e as burocracias
especializadas, que dinamiza as acções dos Estados para formular
a sua estratégia política

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Preparado por: Elsa Alfai
Teorias da Integração regional
• Para esta teoria, a integração visa promover a segurança e a cooperação
para obter desenvolvimento na região. Existe aqui o interesse de uma
nação mais forte controlar e dirigir políticas de outros aliados menores. Há
um interesse comum dos Estados em constituir a unificação das
comunidades nacionais numa entidade mais ampla.

• A integração regional não se restringe à esfera governamental ou à


cooperação intergovernamental, atinge a sociedade como um todo,
gerando interacções entre grupos de interesse e representantes das
sociedades que fogem ao controle estatal.

• Distinguindo a cooperação e a integração regional, Mariano defende que a


cooperação pode ser uma estratégia contextualizada que pode ser
abandonada de acordo com a conveniência, enquanto que a integração
regional é menos flexível. Abandonar a integração pode gerar resistências
e altos custos para os governos que optaram por esta decisão desde que
o processo tenha atingido um determinado patamar de interacção entre
as sociedades envolvidas - especialmente quando a sua estrutura
institucional ganha autonomia e legitimidade.

Preparado por: Elsa Alfai 70


Teorias da Integração regional
– Moçambique ao optar pelo processo de integração regional e ao assumir
determinados compromissos a nível da OMC e da SADC deve estar ciente
das consequências e expectativas a serem produzidas com a aderência a
estas organizações.

– Segundo Shams, podem ser obtidos alguns ganhos devido a competição


com o resto do mundo. No seu ponto de vista, a integração ajuda a formar
posições comuns dos Estados que fazem parte do bloco regional com as
terceiras partes, exemplo disso é a União Europeia. A integração aumenta a
segurança, evita conflitos entre os Estados parceiros, criando a tendência
de preservar as respostas em bloco.

– Partilhar um bloco regional não significa partilhar os mesmos interesses


económicos, apesar disso, são apontados alguns benefícios para os Estados
menores quando envolvidos em processos de negociações em bloco, que
em muitos casos beneficiam da experiência dos demais países para
resposta das questões que os preocupam
Preparado por: Elsa Alfai 71
Teorias da Integração regional

• Indica-se que a integração regional reduz os custos das


transacções envolvidas no alcance de uma posição óptima
negocial, unifica os países membros do bloco regional, há a
diversificação do comércio uma vez que as importações se
tornam mais baratas, possibilita o acesso ao mercado,
aumenta a competitividade, a eficiência, aumenta os
investimentos estrangeiros dos países membros do bloco
regional, aumenta o fluxo do conhecimento, partilha de
tecnologias.

Preparado por: Elsa Alfai 72


Teorias da Integração regional

• Contudo, recomenda-se que antes de cada País decidir pela adesão ao processo
de integração regional deve fazer análises económicas e políticas de cada fase
da integração. Cada acordo rubricado deve ser profundamente analisado e
avaliadas as implicações internas da sua aplicabilidade em cada País.

• Para os neofuncionalistas, a integração económica requer mais do que a


remoção de barreiras administrativas e fiscais ao comércio, ela leva a
politização do processo. A integração mobiliza grupos de interesse existentes
na sociedade, sendo importante a democratização do sistema político para o
seu sucesso.

• De acordo com a teoria neofuncionalista, haveria necessidade de criar uma


burocracia voltada à administração das questões referentes a integração, esta
burocracia de preferência deveria ter carácter supranacional

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Preparado por: Elsa Alfai
Teorias da Integração regional
• A teoria institucionalista, defende que as instituições internacionais
influenciam os interesses dos Estados e as acções humanas criam
alterações nessas instituições.
 
• O institucionalismo é aqui entendido como a habilidade dos
Estados em se comunicar e cooperar através de instituições,
dependendo os Estados destas instituições que são elaboradas
pelos homens, que variam historicamente e tecnicamente na sua
natureza. Neste caso, há integração quando os actores possuem
interesses em comum. Os países cooperam de modo a obter.

• Segundo a teoria institucionalista, as instituições e as pessoas


influenciam nas questões a serem consideradas por determinado
Estado, embora se considere importante olhar para as opiniões dos
sectores da sociedade deste Estado. Segundo esta teoria,
reconhece-se o papel da autoridade política de cada Estado na
decisão das escolhas a serem adoptadas pelo País a nível externo e
o envolvimento da sociedade

Preparado por: Elsa Alfai 74


Teorias da Integração regional
• Refere-se aqui que qualquer decisão que não seja a mais
adequada para determinado Estado, que tenha sido tomada
sem prévia preparação ou consulta aos principais
intervenientes, pode trazer consequências sem precedentes
para o referido Estado, correndo o risco de ser contestada a
posição dos que tomaram e defenderam tais decisões.

• Para esta teoria, as estruturas burocráticas, que são as


organizações internacionais participam e coordenam a
integração e são actores decisivos porque influenciam nas
decisões a partir dos seus objectivos como organizações.

Preparado por: Elsa Alfai 75


Teorias da Integração regional
• É assim que o processo de consulta interna antes da tomada da
decisão sobre a aderência a determinados blocos regionais ou
das decisões nelas emanadas é sempre recomendada sob pena
dos países verem as suas economias diluídas ou dominadas
pelas mais poderosas. O papel dos especialistas em diferentes
áreas e dos decisores políticos é assim importante para as
reflexões a terem lugar.
• No caso de Moçambique, como consta na Estratégia de
Moçambique para o processo da integração regional, uma
questão que se coloca é de saber sobre os procedimentos ou
processos que antecederam a tomada de decisão da aderência
de Moçambique ao Protocolo Comercial da SADC. Questiona-se
se terá havido um processo de consulta prévia, análise de cada
sector, identificação as potencialidades do País, dentre outras
questões Preparado por: Elsa Alfai 76
Teorias da Integração regional
• A teoria intergovernamentalista defende que “os Estados são dotados de uma certa
racionalidade, sendo que o seu comportamento reflecte às pressões sofridas
internamente vindas de grupos presentes na sociedade e de pressões externas criadas
pelo próprio ambiente internacional”.
• Esta teoria baseia no facto da integração regional requerer um comportamento racional
do Estado de modo a analisar os custos e benefícios da interdependência económica. As
decisões governamentais não são aleatórias.
• Segundo a teoria intergovernamentalista não cooperar pode ser mais prejudicial que
cooperar, pois com a não cooperação os governos perdem a possibilidade de obter
ganhos que não conseguiriam isoladamente, mesmo que os referidos ganhos sejam
menores do que os que o governo obteria se cooperasse.
• Para Mariano, o intergovernamentalismo defende o comportamento racional do Estado
de modo a analisar os custos e benefícios do processo de integração regional, havendo
aqui a definição de interesses nacionais, defende ainda a formação da preferência
nacional pois os países definem a sua política externa tendo em conta os interesses
nacionais, há uma decisão nacional. Segundo esta teoria não existe aqui alterações nos
Estados participantes.

Preparado por: Elsa Alfai 77


Teorias da Integração regional
• Para sustentar a integração regional os intergovernamentalistas entendem que há
necessidade de negociação inter estatal onde cada Estado deverá entender as
políticas domésticas como condição para análise da interacção estratégica entre os
Estados.

• Segundo a teoria intergovernamentalista, de modo a lograr benefícios positivos da


integração regional, é importante que os Estados membros tenham suporte a nível
nacional para que o processo seja implantado no País, deve-se encontrar soluções
para os problemas trazidos pela integração regional.

• Esta teoria estaria assim centrada em três elementos essenciais: a) o


comportamento racional do Estado onde se analisam os custos e benefícios do
processo de integração regional, b) a formação da preferência nacional tendo e
conta as políticas nacionais, c) os interesses do Governo de cada Estado conjugados
com os dos grupos sociais nacionais e a negociação a nível do Estado levando os
pontos de convergência para os processos de negociação e criando-se uma agenda
nacional positiva

Preparado por: Elsa Alfai 78


Os tipos, os benefícios
e os custos da integração regional
• Os diversos tipos de acordos para a formação de áreas integradas podem
ser considerados, quanto ao grau de integração, de dois modos.

• O primeiro modo, considerado de grau mais “profundo”, diz respeito aos


tratados que têm como objetivo a livre circulação de pessoas e
harmonização de políticas macroeconômicas, como é o caso do mercado
comum.

• O segundo modo, denominado de integração “superficial”, acontece com


a formação de áreas de livre comércio, visando apenas à livre circulação
de mercadorias e de capitais.

• Outra forma que consta na literatura é mais uma espécie de cooperação


econômica do que integração, denominando-se Acordo Preferencial de
Comércio.
Preparado por: Elsa Alfai 79
Tipos de integração regional
• Pode-se mencionar cinco tipos de integração, que também
podem ser considerados estágios, visto seu caráter
progressivo:
– Área de Livre Comércio;
– União Aduaneira; Mercado Comum;
– União Económica; e
– Integração Económica total.

Preparado por: Elsa Alfai 80


Organizacoes regionais economicas e Blocos
regionais
Organizações regionais internacionais, estabelecem formas
especificas para a administração conjunta de um interesse
nacional. Exemplos:
- UE
-NAFTA – Area de Livre Comercio da America do Norte (EUA,
Canada e Mexico)
- ASEAN – Associacao das Nacoes do Sudueste Asiatico
- MECOSUL – Mercado Comum do Sul
-COMESA
-SADC

Preparado por: Elsa Alfai 81


Organizacoes internacionais
• UN Commission on Sustainable Development,
• UN Development Programme (UNDP), UN Economic Commission for Europe, Comissão
das Nações Unidas sobre Direito do Comércio Internacional,
• Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD),
• Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social,
• Comissão das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o\
• Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD),
• Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa,
• Comissão das Nações Unidas sobre Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento
(CSTD),
• Programa Ambiental da ONU (UNEP),
• Informação das Nações Unidas e da Comunicação da Força-Tarefa para Tecnologias (ICT
Task Force das Nações Unidas),
• Aliança Global das Nações Unidas para o ICT eo Desenvolvimento (GAID ONU), e as
Nações Unidas Campanha Mundial de Aids. Conferência sobre Financiamento para o
Desenvolvimento,
• Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável,
• Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação.
Preparado por: Elsa Alfai 82
Estágios de Integração Regional
1º estágio Área de Livre Comércio * Livre circulação de bens e serviços
dentro do bloco
• * Inexistência de barreiras tarifárias e técnicas
2º estágio União Aduaneira
• * Livre circulação de bens e serviços dentro do bloco
• * Existência de uma Tarifa Externa Comum
• * Harmonização das políticas comerciais
3º estágio Mercado Comum
• * Livre circulação de bens, serviços e pessoas
• * Criação de instituições supra-nacionais
• * Harmonização da legislação fiscal e trabalhista
• * Criação de um orçamento comunitário para políticas comuns

Preparado por: Elsa Alfai 83


Estágios de Integração Regional
4º estágio União Econômica
• * Livre circulação de todos os fatores de produção
• * Coordenação conjunta das políticas econômicas
• * Criação de um banco central da União
• * Harmonização da política fiscal e monetária
• * Criação de uma moeda única
5º estágio Integração Econômica Total
• * Unificação completa das economias
• * Criação de uma política comum de relações externas
• * Criação de uma política de defesa e segurança comum
• * Unificação dos códigos de leis
• * Criação de uma autoridade supra-nacional
• * Unificação política
Preparado por: Elsa Alfai 84
•Dinâmicas da integração regional na OMC,
em África e na SADC
•GATT, Tratado de Abuja, Protocolo Comercial da
SADC
•Barreiras comerciais e custos de transporte
•Concorrência imperfeita/economia de escala

Preparado por: Elsa Alfai 85


Dinâmicas da integração regional em
África
• A integração regional em África foi a principal preocupação dos Países
Africanos desde a criação da então Organização da Unidade Africana
(OUA). Várias declarações foram feitas pelos Estados Membros no sentido
de fazer avançar o processo de integração em África. De igual modo, o
Tratado de Abuja, o Plano de Acção de Lagos, O Fórum do Sector Privado
Africano, entre outros, sublinham a necessidade de promover a integração
regional em África.

• O Tratado de Abuja assinado a 3 de Junho de 1991 e que entrou em vigor a


12 de Maio de 1994 estipula que os Estados Africanos devem envidar os
esforços para reforçar as Comunidades Económicas Regionais (CERs),
particularmente através da coordenação, harmonização e integração
progressiva das suas actividades com vista a realizar a Comunidade
Económica Africana (AEC) que seria gradualmente instalada durante um
período de transição de trinta e quatro (34) anos subdividido em seis (6)
fases diversas.

Preparado por: Elsa Alfai 86


Dinâmicas da integração regional em
África
• O Tratado de Abuja estabelece o plano para a criação da Comunidade
Económica Africana (AEC), de acordo com o qual as economias dos Estados
Membros da UA serão totalmente integradas.

• O objectivo da AEC é transformar as cinquenta e três economias da África


numa única união económica e monetária, com uma moeda comum, livre
mobilidade de capital e de mão-de-obra.

• É o desejo dos lideres do continente, tal como estipulado no Tratado de Abuja


que um Banco Central Africano, um Fundo Monetário Africano e um Banco de
Investimento Africano sejam instalados quando a AEC estiver inteiramente
operacional. Isto pressupõe que a África como um todo tenha passado por
todas as fases de integração.
• As CERs, que constituem os pilares da AEC, nessa fase fundiriam os seus
programas num único.
Preparado por: Elsa Alfai 87
Dinâmicas da integração regional em
África
• No quadro da avaliação dos progressos na
implementação do Programa de Integração Económica
da África em conformidade com o Tratado que cria a
Comunidade Económica Africana, a Comissão da União
Africana (CUA) realizou a primeira avaliação em 2008.

• Apesar dos progressos feitos pelos Estados Membros


para a cooperação económica, a criação da AEC é
dificultada por conflitos bem como problemas de
governação política, económica e social em algumas
partes do continente.

Preparado por: Elsa Alfai 88


Dinâmicas da integração regional em África
• A Comissão da União Africana (CUA) e a Comissão Económica das Nações
Unidas para a África (CEA) continuam a envolver-se em actividades e
programas destinados a apoiar a visão estratégica da União Africana (UA) de
construir uma África unida e integrada alicerçada pela integração política,
económica, social e cultural.

• Do ponto de vista da direcção da União Africana (UA), a integração total do


continente permitiria a África superar os seus desafios de desenvolvimento,
porque a sinergia económica seria obtida na medida em que a vantagem
económica de toda a Comunidade Económica Africana é maior do que a soma
dos benefícios económicos dos Estados Membros separados.

• A necessidade de uma integração total é também impulsionada por uma nova


ordem económica mundial, com a formação de blocos regionais em todos os
continentes, globalização sem fronteiras, avanços na tecnologia de informação
e comunicação (TIC) e negociações comerciais multilaterais no âmbito da
Organização Mundial do Comércio OMC) entre outros.

Preparado por: Elsa Alfai 89


Dinâmicas da integração regional em
África
• O mandato da CUA de prosseguir as actividades e os
programas de integração regional, resumidos na Visão
Estratégica da Comissão, provem do Acto Constitutivo que
estabeleceu a União Africana, a Declaração de Sirte de 9 de
Setembro de 1999, o Tratado de Abuja, e o Plano de Acção de
Lagos.
• Fase Inicial: Formação do Governo da União;
• Segunda Fase: Consolidação do Governo da União; e
• Terceira Fase: Formação dos Estados Unidos da África.

Preparado por: Elsa Alfai 90


Dinâmicas da integração regional em
África
• A África está a fazer progressos consideráveis nas suas
iniciativas para a integração.

• Contudo, os resultados estão misturados, Apesar dos


constrangimentos e desafios, foram registadas melhorias nas
áreas de comércio, políticas macroeconómicas, infra-
estrutura, e tecnologias de informação e comunicação (TICs).

Preparado por: Elsa Alfai 91


Dinâmicas da integração regional em África
• CEDEAO
– Desde 2007, o Secretariado Executivo da Comunidade Económica dos Estados da
África Ocidental (CEDEAO) tem sido transformado numa Comissão e os seus
principais órgãos foram reestruturados para apoiar a aceleração de integração e
desenvolvimento na sub-região da África Ocidental.
– CEDEAO caracteriza-se pela existência no seu seio de um bloco de oito países que
pertencem à União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) e que não
só têm uma moeda comum, o franco CFA, ligado ao Euro, mas também um passado
colonial comum com a excepção da Guiné Bissau.
– A visão de COMESA é ser uma comunidade económica totalmente integrada de
prosperidade, internacionalmente competitiva, preparada para se fundir na União
Africana. Os Estados Membros de COMESA constituídos por Burundi, Comores,
República Democrática do Congo, Djibouti, Egipto, Eritreia, Etiópia, Quénia, Libia,
Madagascar, Malawi, Mauricias, Ruanda, Seychelles, Sudão, Suazilândia, Uganda,
Zâmbia e Zimbabwe.

Preparado por: Elsa Alfai 92


Dinâmicas da integração regional em África
• COMESA
– O Mercado Comum para a África Oriental e Austral foi criado em 1993
como um sucessor da Zona de Comércio Preferencial da África
Oriental e Austral (PTA), que foi criada em 1981. A COMESA sucedeu
formalmente a PTA em 8 de Dezembro de 1994 após a ratificação do
Tratado.
– O estabelecimento de COMESA resultou do cumprimento das
exigências do Tratado de PTA, que estipulou a transformação de PTA
num mercado comum dez anos após a entrada em vigor do Tratado
de PTA.
– A Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo do Mercado Comum
da África Oriental e África Austral (COMESA) realizou a sua Cimeira em
Nairobi, Quénia, em Maio de 2007. A Autoridade apelou todos os
Estados Membros que ainda não aderiram à Zona de Comércio Livre
(FTA) a fazê-lo antes do lançamento da União Aduaneira do COMESA
em Dezembro de 2008.

Preparado por: Elsa Alfai 93


Dinâmicas da integração regional em
África
COMESA
– A Cimeira adoptou a estrutura da Tarifa Externa Comum do
COMESA, que é constituída por quatro escalões: 0 por cento
sobre matérias-primas, 0 por cento sobre bens de capital, 10
por cento sobre bens intermédios, e 25 por cento sobre
produtos finais.
– No que diz respeito a questões monetárias e financeiras, a
Cimeira solicitou os Estados Membros que ainda não
ratificaram o Fundo do COMESA a fazê-lo, para lhes permitir
beneficiar do Fundo de Desenvolvimento Regional. O Fundo
do COMESA é um instrumento financeiro regional que
permite os Estados Membros receber o financiamento para o
desenvolvimento.
Preparado por: Elsa Alfai 94
Dinâmicas da integração regional em
África
• EAC
– A Comunidade da África Oriental (EAC) realizou a sua 6ª
Cimeira Extraordinária em Arusha, Tanzânia, em Agosto de
2007. A Cimeira realçou que a República do Burundi e a
República do Ruanda, que aderiram à Comunidade em
Julho de 2007, tinham finalizado o processo de adesão
com o depósito dos instrumentos de ratificação dos
Tratados de Adesão junto do Secretário Geral. A Cimeira
sublinhou igualmente a necessidade de se proceder à
emenda de algumas disposições do Tratado que cria a
Comunidade da África Oriental para facilitar a participação
efectiva dos dois novos Estados parceiros nos Órgãos e
Instituições da EAC. Aprovou assim as emendas aos Artigos
13, 17, 19, 48, 62 e 65 do Tratado da EAC

Preparado por: Elsa Alfai 95


Dinâmicas da integração regional em
África
• CEN-SAD
– A Cimeira da Comunidade dos Estados Sahelo-Saharianos
(CEN-SAD) foi realizada em Sirte, na Jamahiriya Árabe Líbia
em Junho de 2007.
– Os Chefes de Estado e de Governo aceitaram admitir, como
plenos membros da Comunidade, a República da Guiné e a
União de Comores, levando a adesão de CEN-SAD a 25
países nomeadamente: Benin, Burkina Faso, República
Centro Africana, Chade, Comores, Côte d’Ivoire, Djibouti,
Egipto, Eritreia, Gambia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Libéria,
Líbia, Mali, Marrocos, Níger, Nigéria, Senegal, Sierra Leone,
Somália, Sudão, Togo e Tunísia.

Preparado por: Elsa Alfai 96


Dinâmicas da integração regional em
África
• AMU
– A União do Magreb Árabe (AMU) está a prosseguir os
programas e actividades destinados a reforçar a
integração nos seus cinco Estados Membros.
– A direcção adoptou uma estratégia de desenvolvimento
que será implementada em quatro fases, nomeadamente,
através da criação de uma zona de comércio livre, uma
união aduaneira, um mercado comum e uma união
económica. Realizações concretas da AMU até agora
incluem inter-conexão da electricidade entre os cinco
Estados Membros, criação de um sistema conjunto de
controlo de lençol freático para o Sahara, Albian Aquifer
System partilhado por três Estados Membros (Argélia,
Líbia e Tunísia) e estabelecimento de uma União dos
Bancos do Magreb em Tunes.
Preparado por: Elsa Alfai 97
Dinâmicas da integração regional em
África
• CEEAC
– A Cimeira da Comunidade Económica dos Estados Africanos da África Central
(CEEAC) realizou-se em Brazzaville, Congo, em 30-31 de Outubro de 2007. A
Cimeira reafirmou o seu compromisso de promover o desenvolvimento e o
crescimento económicos através da integração dos mercados dos Estados
Membros. Exortou os Estados Membros a conjugar esforços para:
• harmonização da tarifa externa comum da Comunidade Económica e
Monetária da África Central (CEMAC), com vista a realizar uma união
aduaneira em 2008; eliminação de barreiras não tarifárias; harmonização
de documentos aduaneiros; livre circulação de pessoas, particularmente
operadores económicos; desenvolvimento de infra-estruturas de apoio,
tais como adopção do plano director de transportes, criação de uma
reserva de energia para a sub-região; adopção de um programa de
segurança alimentar; e estabelecimento de um imposto comunitário (CCI)
de 0,4 por cento para o financiamento da integração regional

Preparado por: Elsa Alfai 98


Dinâmicas da integração regional em
África
• Assistência técnica sobre o reforço de capacidades e
cooperação
– Para reforçar o papel das CERs como instituições da
política de desenvolvimento regional, a CEA deve
continuar a apoiar as CERs nas suas actividades de
desenvolvimento de capacidades humanas, especialmente
sobre informação e estatística, facilitação do comércio e
desenvolvimento de políticas de TIC. A CEA proporcionará
também assistência técnica aos Estados Membros, no
reforço das suas capacidades para a implementação de
programas de integração da UA e seu programa de NEPAD
assim como apoiar as CERs a integrar os seus programas
para o estabelecimento da Comunidade Económica
Africana (AEC).

Preparado por: Elsa Alfai 99


Situação da integração em África
• Dado os actuais progressos no reforço da integração regional em África, e
os desafios enfrentadas pelo processo, são feitas as seguintes
recomendações à atenção dos Órgãos da União Africana, as CERs e os
Estados-Membros
• Os Estados-Membros devem implementar decisões, tratados e
protocolos. A falta de implementação, pelos governos tende a mostrar
que há falta de vontade política. Por exemplo, se os Estados-Membros das
CERs são obrigados a ratificar e implementar um protocolo sobre a
liberalização comercial ou a livre circulação de pessoas, os cidadãos dessa
CER e outras partes interessadas podem ficar insatisfeitos com o Estado-
Membro que não ratificar e implementar o protocolo. Os Estados-
Membros devem empenhar-se no processo de integração para além das
assinaturas visto que a falta de transparência e de controlo, sem as
estruturas adequadas de comunicação deve resultar em fracasso
absoluto.

Preparado por: Elsa Alfai 100


Situação da integração em África
• Há necessidade de mais esforços para harmonizar as actividades das
CERs. Embora algumas CERs tenham acordos de cooperação entre elas em
vários sectores de actividade, é necessário acelerar o processo de
integração através de medidas de desenvolvimento de confiança. Em vez
de serem vistas como CERs competindo umas contra as outras, devem
concentrar-se na integração continental. Isto implica necessariamente
uma gestão "eficaz" que terá, sem dúvida, um impacto positivo sobre a
integração.
• Há necessidade de dispor de informação transparente e conhecimento
sobre os Estados-Membros "compromisso com o processo de integração,
que irá, sem dúvida, oferecer uma via aos intervenientes para que tenham
noção do desempenho dos Estados-Membros, serve como uma agência
de contenção, e motiva os Membros a honrarem os seus compromissos.

Preparado por: Elsa Alfai 101


Situação da integração em África
• É imperioso envolver o povo Africano, incluindo a sociedade civil, grupos
profissionais e os sindicatos no esforço de integração. Os intervenientes
também devem estar capacitados a participar no acompanhamento do
processo de integração da África, a fim de aumentar a responsabilização das
instituições regionais mandatadas para liderar o processo, dentro das suas
respectivas sub-regiões. Uma plataforma para fornecer informações holística
e conhecimentos sobre a agenda de integração e os processos da África
proporcionaria os meios através dos quais é possível investigar e examinar o
que transparece no seio destas instituições e, assim, facilitar a divulgação e
democratização do processo de integração.

• Os intervenientes, incluindo a sociedade civil, sector privado e outros grupos


sociais não estão normalmente equipados com as informações relevantes
necessárias para uma boa apreciação da agenda da integração, processos,
progressos e desafios dentro dos seus países e regiões. É através da
participação activa de todos estes grupos nos processos de integração
regional que a integração regional seria sentida e apoiada a nível nacional.
Preparado por: Elsa Alfai 102
Situação da integração em África
• A CUA deveria convidar as Instituições Financeiras Pan-Africano
a apoiar os projectos continentais aprovados pela UA em
particular, apoiando as CERs na implementação do programa
mínimo de integração (PMI).
• A UA tem de desenvolver infra-estruturas institucionais,
como o Tribunal de Justiça da África a fim de facilitar a
adjudicação, entre outros, de questões relacionadas com
negócios no continente.
• A UA tem de estabelecer as suas instituições financeiras, ou
seja, o Banco Central Africano, Fundo Monetário Africano e o
Banco Africano de Investimento, a fim de acelerar a integração
monetária e desenvolver as economias Africanas.

Preparado por: Elsa Alfai 103


Situação da integração em África
• Reuniões sectoriais entre a CUA e as CERs, embora já
acordadas, devem ser mais incentivadas a apoiar na melhoria
do processo de integração. Essas reuniões poderiam resolver
questões relativas à aceleração da integração continental,
bem como pôr em prática uma estratégia para a
implementação da recomendação feita.
• As CERs devem ser incentivadas a partilhar informações
sobre a utilização das melhores práticas, especialmente nas
instituições que foram criadas e estão a fazer progressos na
promoção do processo de integração.
• A capacidade de acompanhamento e avaliação do processo
de integração, bem como a avaliação dos resultados, deve ser
reforçada.
Preparado por: Elsa Alfai 104
Situação da integração em África
• Os Beneficiários/cidadãos devem participar activamente no
planeamento e na divulgação do processo de integração, que
até agora se limita a apenas um pequeno grupo de pessoas. A
criação e o funcionamento da comissão regional e social
poderia ser utilizada para este fim.
• As CERs também devem envidar esforços para mobilizar os
recursos necessários, através do desenvolvimento de
projectos que são apoiados pelo povo da região e por
assegurar o uso racional desses recursos.  
• Uma estratégia viável de Desenvolvimento das
Comunicações deverá ser desenvolvida pela Comissão da
União Africana para apoiar o processo de integração e o plano
estratégico da União Africana.
Preparado por: Elsa Alfai 105
Situação da integração em África
• A União Africana em colaboração com as CERs e outros
parceiros, como a ECA e ADB devem criar mecanismos
regionais de apoio para prevenção de crises e promover
também a recuperação e consolidação da paz.

• A integração regional é, no entanto, afectada por alguns


desafios notáveis conforme mencionado anteriormente. No
entanto, a maioria desses desafios pode ser superada, devido
a uma forte vontade política por parte dos Estados-Membros.

Preparado por: Elsa Alfai 106


Integração regional no Mundo
• Uniao Europeia
• Mercosul
• ASEAN – Association of South East Asian
Nations
• NAFTA – Mercado Livre das Americas do
Norte
• ALCA (Mercosul e NAFTA)

Preparado por: Elsa Alfai 107


Integração regional na SADC -
Introdução
• Cerca de 70% da população da SADC é de base rural onde a
agricultura e utilização de recursos naturais são as
principais actividades económicas para a segurança
alimentar e apoio à subsistência. A agricultura em si é a
maior utilização da terra e contribui para
aproximadamente 35 por cento do Produto Interno Bruto
(PIB) regional.

• Fazem parte da SADC 15 Estados: Angola, Botswana,


República Democrática do Congo, Lesotho, Madagáscar,
Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles,
África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

Preparado por: Elsa Alfai 108


Integração regional na SADC - Objectivos da
SADC
A SADC tem os seguintes objectivos:
• Realizar o desenvolvimento e crescimento económico, reduzir a
pobreza, melhorar o padrão e qualidade de vida dos povos da Africa
Austral e apoiar os desfavorecidos do ponto de vista social através da
integração regional;
• Desenvolver sistemas de valores políticos comuns e instituições;
Promover e defender a paz e a segurança;
• Promover o desenvolvimento auto-sustentado na base de
autoconfiança colectiva, e a interdependência dos Estados Membros;
• Realizar a complementaridade entre estratégias e programas
nacionais e regionais;
• Promover e maximizar o emprego produtivo e a utilização dos
recursos da Região;
• Concretizar a utilização sustentável de recursos naturais e protecção
efectiva do ambiente;
• Reforçar e consolidar as afinidades e laços históricos, sociais e
culturais existentes há muito tempo entre os povos da rgião.
Preparado por: Elsa Alfai 109
Integração regional na SADC
• De modo a estabelecer políticas, estratégias visando consolidar
o processo de integração regional e facilitar a livre circulação de
pessoas, bens e serviços na SADC, em Agosto de 1996, os países
membros rubricaram um Protocolo Comercial, que foi assinado
por 11 dos 14 Estados membros. A implementação do Protocolo
iniciou em Janeiro 2001 tendo Moçambique ratificado em 1999.

• O Protocolo Comercial foi ratificado por Moçambique pela


Resolução do Conselho de Ministros n.° 44/99, de 28 de
Dezembro por África do Sul, Botswana, Lesotho, Namíbia,
Malawi, Maurícias, Moçambique, Swazilândia, Tanzânia, Zâmbia
e Zimbabwe. Não aderiaram ao Protocolo Comercial Angola,
República Democrática do Congo (RDC) e as Ilhas Seycheles.
Preparado por: Elsa Alfai 110
Integração regional na SADC
• O Protocolo define como objectivos:
– o fomento da liberalização do comércio intra-regional em matéria de
bens e serviços, na base de acordos comerciais justos, equilibrados e
de benefício mútuo, complementados por protocolos em outras áreas
específicas;
– garantir uma produção eficiente e eficaz dentro da SADC;
– contribuir para a melhoria do ambiente favorável ao investimento
nacional, transfronteiriço e estrangeiro e estabelecer uma Zona de
Comércio Livre na região da SADC de modo a incrementar o
desenvolvimento sócio económico especialmente dos países menos
desenvolvidos.

Preparado por: Elsa Alfai 111


Integração regional na SADC
• Para operacionalizar o Protocolo Comercial da SADC, em Janeiro
de 2008, a região da SADC iniciou com o processo de redução
gradual das tarifas aduaneiras visando a implantação de uma
Zona de Comércio Livre até 2008, uma das etapas do processo de
integração regional que será seguida pela criação da União
Aduaneira até 2010, do Mercado Comum até 2015 e da União
Monetária até 2018.

• O cumprimento do calendário para a consolidação do processo


de integração regional, em especial o estabelecimento da União
Aduaneira, encontra-se compromentido, pois constata-se que
alguns Estados Membros da SADC são também membros do
COMESA, que pretende ter a sua própria união aduaneira em
2009. Preparado por: Elsa Alfai 112
Integração regional na SADC
• A União Africana constata que os Estados membros não podem
ser parte de duas uniões aduaneiras ao mesmo tempo, pois isto
afecta aos Estados Membros que pertencem às mesmas
Comunidades Económicas Regionais (SADC e COMESA), por
conseguinte, os Estados Membros terão de aderir apenas a
uma única união aduaneira que pode constituir um desafio
tanto para o COMESA como para a SADC.

• A SADC, aprovou o seu Plano Estratégico Indicativo de


Desenvolvimento Regional. O referido plano prevê estratégias
de desenvolvimento da região de modo a torná-la mais
competitiva. No RISDP, estão previstas estratégias para
ultrapassar os desafios nas áreas de comércio de serviços,
trabalho, desenvolvimento da força de trabalho, dentre outras
Preparado por: Elsa Alfai 113
Integração regional na SADC
• Para além do Protocolo Comercial da SADC e do RISDP, os países
membros da SADC aprovaram em Agosto de 2005 o Protocolo sobre
a facilitação da livre circulação de pessoas, visando facilitar o
desenvolvimento de políticas que propiciem a remoção de
obstáculos à livre circulação de pessoas na região da África austral.

• No que se refere a facilitação da circulação de pessoas entre os


países membros da SADC, Moçambique para além de ter aderido em
2005 ao Protocolo da SADC sobre a facilitação da circulação de
pessoas, rubricou e ratificou acordos bilaterais com alguns países da
SADC nomeadamente, a Swazilândia, Zâmbia, Tanzânia, Botswana,
Maurícias e África do Sul visando facilitar ao livre-trânsito de
pessoas.
Preparado por: Elsa Alfai 114
Integração regional na SADC
• Atendendo que a componente da formação é importante
para o desenvolvimento da região, em Setembro de 1997, os
países membros da SADC assinaram o Protocolo sobre a
educação e formação, visando estabelecer as bases para a
definição de programas de desenvolvimento, utilização e
aumento da produtividade dos recursos humanos tendo em
conta as dimensões nacionais, regionais e a competitividade.
Este Protocolo define as bases para definição de políticas
harmonizadas de formação dos recursos humanos da região
de modo a serem mais competitivos no mundo.

Preparado por: Elsa Alfai 115


ACTIVIDADES E PROGRESSOS
ZONA DE COMÉRCIO LIVRE (FTA)

• A FTA da SADC entrou em vigor em Janeiro de 2008 e foi oficialmente lançada pela
Cimeira durante a sua Sessão Ordinária de Agosto de 2008, em Sandton, África do
Sul. Contudo, os principais problemas que afectam a FTA da SADC incluem,
implementação efectiva, participação activa de todos os membros que ainda estão a
finalizar as respectivas ofertas ou consultas para esse efeito, compromisso total da
comunidade empresarial da região e do público em geral.

• O Secretariado também concentrou esforços na realização de estudos preliminares


que levaram aos preparativos das negociações para a União Aduaneira (CU) da
SADC. Os primeiros dois estudos referem-se ao Modelo da União Aduaneira e a
compatibilidade de Políticas do Comércio. Em virtude das consultas e discussões que
resultaram desses estudos, o Conselho aprovou o estabelecimento de grupos de
trabalho técnicos (TWGs) para a realização de estudos nas áreas essenciais de CU,
nomeadamente: tarifa externa comum: mecanismo de cobrança, distribuição e/ou
partilha de receitas (incluindo o fundo de desenvolvimento); planos jurídicos e
institucionais; e harmonização de politicas industriais, agrícolas, de infra-estruturas,
de concorrência e outras sectoriais.

Preparado por: Elsa Alfai 116


ACTIVIDADES E PROGRESSOS
Infra-ESTRUTURA E SERVIÇOS
• Na área de Infra-estrutura e Serviços as preocupações da SADC
incidiram sobretudo na crise energética. Os défices de energia
devem persistir até 2012, altura em que alguma potência adicional
que se eleva a 44 000 Mega Watts será produzida na sequência da
implementação dos principais projectos regionais.
• Contudo, as medidas a curto prazo para a abordagem da actual
crise energética podem ajudar a minimizar as dificuldades nesta
área. Elas incluem o fornecimento previsto de mais 400 mega Watts
da Hidroeléctrica de Cabora Bassa, e a reabilitação de outras
unidades de produção em Botswana, República Democrática do
Congo, República da África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe, o que pode
proporcionar 1 700 Mega Watts durante 2008/09.

Preparado por: Elsa Alfai 117


ACTIVIDADES E PROGRESSOS
LIVRE CIRCULAÇÃO DE PESSOAS
• No que se refere à livre circulação de pessoas, os progressos feitos pela
SADC são os seguintes:
– A entrada de cidadãos de um país membro no território de outro
país membro não é sujeita à obtenção de visto por um período máximo de
noventa dias por ano.
– A autorização de residência no território de um país membro deve ser
obtida mediante pedido de uma autorização das autoridades do país em
questão em conformidade com a legislação desse estado membro.
– O direito ao estabelecimento consiste numa autorização concedida a um
cidadão de um outro país membro por um estado membro em conformidade
com a sua legislação nacional para a realização de uma actividade económica
ou uma profissão, quer como um assalariado quer como um investidor.
– Os Estados Membros devem actualmente concluir os Acordos de Isenção
do Visto bilaterais para os cidadãos da SADC até o final de 2009. No caso de
não-cumprimento, os Estados Membros devem submeter os relatórios sobre
o ponto de situação ao Conselho no primeiro trimestre de 2009 explicando os
motivos para o não-cumprimento e a assistência que necessitam parao
cumprimento.

Preparado por: Elsa Alfai 118


ACTIVIDADES E PROGRESSOS
LIVRE CIRCULAÇÃO DE PESSOAS
• Alguns progressos foram igualmente registados na aceleração de livre
circulação de bens, serviços e capital, destacando-se os seguintes:

• Iniciativas que visam a harmonização dos procedimentos e instrumentos


aduaneiros (incluindo intercâmbio electrónico de dados aduaneiros)
foram realizadas.
• Um único documento administrativo aduaneiro (SADC CD) foi elaborado
para facilitar a harmonização da declaração aduaneira na região da SADC.

• Uma lei sobre o modelo aduaneiro para facilitar a harmonização das


legislações aduaneiras nacionais.
• Uma nomenclatura de tarifas comuns foi adoptada.
• Uma proposta de quadro de trânsito regional foi desenvolvida
• Uma revisão das normas de origem iniciou em 2007.

Preparado por: Elsa Alfai 119


ACTIVIDADES E PROGRESSOS
LIVRE CIRCULAÇÃO DE BENS, SERVIÇOS E CAPITAL
• Um software de facilitação do comércio: por exemplo, Promoção
de um único balcão nos postos fronteiriços e a implementação de
regulamentos da Garantia da Cadeia de Trânsito da SADC;
• Actualização das barreiras não tarifárias realizada em 2007
comum plano de acção que visa informar, controlar e eliminar as
barreiras não tarifárias;
• Harmonização da liberalização do comércio através de um Grupo
Especial formado por SADC, COMESA e EAC;
• Um projecto de protocolo sobre comércio e serviços; um
protocolo sobre livre circulação de pessoas, bens, capital e serviços;
• Quadros de qualificações regionais, harmonização de sistemas de
educação na região com vista a facilitar a livre circulação de
pessoas e de mão-de-obra.

Preparado por: Elsa Alfai 120


DESAFIOS
• A União Aduaneira que a SADC pretende no ano de 2010 pode
apresentar um problema que a SADC deve ter uma estratégia para
a sua realização a tempo. No seio da SADC existe também SACU,
que está numa fase adiantada de integração. É necessário que
todos os Estados Membros da SADC cheguem ao nível dessa união
aduaneira. Alguns Estados Membros da SADC são também
membros do COMESA, que pretende ter a sua própria união
aduaneira em 2009. Os Estados Membros não podem ser parte de
duas uniões aduaneiras ao mesmo tempo. Isto afecta os Estados
Membros que pertencem às mesmas CERs (SADC e COMESA); por
conseguinte, os Estados Membros terão de aderir apenas a uma
única união aduaneira que pode constituir um desafio tanto para o
COMESA como para a SADC. Há necessidade de as duas CERs
partilharem a sua formulação e ver como podem fundir-se e fazer
avançar o processo de integração.

Preparado por: Elsa Alfai 121


DESAFIOS
• Com SACU já existente, a EAC que adoptou uma Tarifa Externa
Comum (CET) em 2005 e Mercado Comum da África Oriental e
Austral (COMESA) também no processo de criação da União
Aduaneira em 2009, os Estados Membros da SADC devem avaliar o
impacto de múltiplas adesões e decidir sobre a melhor abordagem
a prosseguir.
• A Cimeira tripartida entre SADC, COMESA e EAC é a iniciativa
adequada para abordar a sobreposição de adesão em relação aos
Estados Membros que pertencem a várias CERs.
• Uma vasta abordagem regional e continental coordenada para o
financiamento de infra-estrutura, harmonização institucional e
coordenação de políticas deve ser seguida para garantir que os
benefícios e oportunidades resultantes do acesso preferencial
sejam optimizados, o que se pode alcançar no quadro geral da
iniciativa da NEPAD. A melhoria da infra-estrutura de transporte no
continente é essencial para a promoção do comércio.

Preparado por: Elsa Alfai 122


DESAFIOS
• Há necessidade também de maior desenvolvimento de infra-estruturas e de
investimento nos sectores de energia e telecomunicações. O investimento público
e assistência ao desenvolvimento que visa o desenvolvimento e manutenção de
infra-estruturas é essencial na falta de investimento privado nacional e estrangeiro
e pode servir para incentivar o investimento privado.
• Alguns problemas cruciais afectam a região no processo de aprofundamento da
integração regional, particularmente tomando em consideração as metas
estabelecidas pelo Plano Regional Indicativo de Desenvolvimento Estratégico
(RISDP). Incluem, entre outros, a questão da sobreposição de adesão, níveis
diferenciados de integração económica no seio da região, o ritmo de
implementação, os constrangimentos de capacidades nos Estados Membros e a
nível Regional/do Secretariado.
• O desenvolvimento de infra-estrutura adequada na região continua a ser a chave
da Integração Regional. Neste sentido, esforços regionais continuaram a
concentrar-se na implementação de programas e projectos essenciais na área de
Infra-estrutura e Serviços. Especial atenção foi dedicada ao sector da Energia onde
a região não pôde evitar uma crise de oferta/procura que está a afectar
actualmente a região.

Preparado por: Elsa Alfai 123


DESAFIOS
• Neste contexto, a região aprovou várias medidas de curto prazo para resolver as
deficiências de energia na região, nomeadamente a elaboração de Projectos de Energia
Eléctrica de Curto Prazo, o Programa de Conservação de Energia, Ambiente Favorável
para o Crescimento e Sustentabilidade do Sector de Energia, Mobilização de Recursos
Extras para o Financiamento de Projectos de Energia. Outros sectores na área de Infra-
estrutura e Serviços são Água, Turismo, transporte e Comunicação. Na área de Turismo,
esforços continuaram para a finalização do sistema de UNIVISA para que, entre outras
coisas, a região possa optimizar os benefícios da Copa do Mundo da FIFA de 2010, na
África do Sul.

• A implementação e seguimento da liberação do comércio confronta-se com a falta de


dados e de capacidade nos estados Membros a nível do comité nacional da SADC.
• A integração regional, crescimento económico e realização de um padrão sustentável
de desenvolvimento em qualquer região requer que a paz prevaleça. A região da SADC
testemunhou grandes dificuldades na área de Democracia, Paz e Segurança. É evidente
que se trata de um desafio que a SADC tem de resolver se os Estados Membros devem
continuar empenhados nas Democracias no quadro do Plano Estratégico do Órgão.

Preparado por: Elsa Alfai 124


PERSPECTIVA FUTURA
• SADC tem objectivos estratégicos que são nomeadamente:
• Criar uma União Aduaneira em 2010, que inclui o
estabelecimento de uma Tarifa externa Comum e harmonização de
políticas fronteiriças, foi adiada para 2011.
• Melhorar todo o clima de negócios e de investimento e realizar a
convergência nos indicadores macroeconómicos seleccionados.
• Intensificar a competitividade industrial e diversificar as
economias da SADC através da promoção do comércio intra-
regional, investimento produtivo e cooperação tecnológica.
• Concretizar um Mercado Comum em 2015, União Monetária em
2016 e União Económica em 2018.

Preparado por: Elsa Alfai 125


PERSPECTIVA FUTURA
• Em relação a um mercado comum, SADC está no
processo de elaboração de um Modelo de politica de
Concorrência adequado para a SADC. De acordo com o
roteiro o quadro de harmonização seria desenvolvido
em 2009 para implementação em 2010.
• O objectivo é criar condições que permitem aos
mercados funcionar de forma competitiva para o
benefício de consumidores e empresas.
• A política de concorrência assegura que haja
concorrência sem distorção, sobretudo pela
eliminação e impedimento de barreiras estatais e
privadas à concorrência.
Preparado por: Elsa Alfai 126
PERSPECTIVA FUTURA
• SADC está actualmente a trabalhar para os preparativos
da realização da União Aduaneira.

• Alguns estudos foram levados a cabo, nomeadamente


sobre “um modelo apropriado para uma União
Aduaneira da SADC” e sobre “Avaliação da
Compatibilidade das Politicas Nacionais do Comércio” e
deram uma contribuição para trabalhos e negociações
posteriores.

Preparado por: Elsa Alfai 127


AS RELAÇÕES COMERCIAIS INTERNACIONAIS
•Antecedentes: a OMC e o GATT de 1947
•As negociações do Ciclo de Uruguai Round e a
génese da OMC
•Do GATT à OMC e suas principais diferenças

Preparado por: Elsa Alfai 128


GATT 1947
• O GATT, Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio foi
estabelecido em 1947 e entrou em vigor em 1948, com o
fracasso da criação da Organização Internacional do
Comercio. Este foi o primeiro mecanismo multilateral de
regulação das questões referentes ao Comercio Internacional.

• O GATT surge da necessidade de se estabelecer uma


instituição para lidar com questões relativas a cooperação
económica internacional juntando-se as instituições de
Bretton Woods (Banco Mundial, Fundo Monetário
Internacional e Nações Unidas).

Preparado por: Elsa Alfai 129


GATT 1947
• A ideia inicial de aprovação do GATT partiu de 50 países
sendo a de criar uma organização mais abrangente, uma
agencia das Nações Unidas que cobriria não apenas as
questões relacionadas com o comercio, mas as referentes ao
emprego.

• Muitos países reduziram as suas tarifas aduaneiras como vista


a dar um novo impulso a liberalização do comercio deixando
de lado as politicas proteccionistas que vigoraram desde os
anos de 1930 que culminaram com a recessão.

• O GATT foi assim um conjunto de acordos que resultou de


diferentes rondas de negociações que entrou em vigor em
1948.
Preparado por: Elsa Alfai 130
GATT 1947
• Apesar de ser um mecanismo provisório, pois GATT resultou
daquilo que seria a ITO (International Trade Organization),
entre 1948 a 1994, este instrumento permitiu que se
estabelecessem as regras que constituíram o Sistema
Comercial Multilateral, sustentou os acordos celebrados
entre os países com vista a garantir a liberalização do
comercio mundial do bens com ênfase para a redução de
tarifas aduaneiras do comercio de produtos manufacturados
e em seguida no acesso as matérias primas.

Preparado por: Elsa Alfai 131


GATT 1947
• Em 1955, o GATT sofreu algumas alterações, em particular no seu artigo
XVIII. No essencial, este artigo passou a reflectir, do ponto de vista da política
económica, a substituição das importações por constituir para a maioria dos
países pobres a estratégia preferida de desenvolvimento económico.

• Em 1955, realizou-se a Conferência de Bandung , na Ilha de Java, na


Indonésia, em que participaram 29 Estados e 30 movimentos de libertação
nacional, na qual o problema do subdesenvolvimento apareceu em grande
destaque e se colocou em causa o princípio da não discriminação. O GATT era
conhecido como “a rich men’s club”.

• Relatório Haberler constituiu o ponto de viragem nas relações do GATT com


os Países em Desenvolvimento, sendo necessário ligar a ajuda ao
desenvolvimento à abertura de oportunidades comerciais em relação aos
produtos agrícolas e manufacturados produzidos pelos países em
desenvolvimento.

Preparado por: Elsa Alfai 132


GATT 1947
• Sob a pressão dos Países em Vias de Desenvolvimento, utilizando para tal
a recém criada Conferência das Nações Unidas para o Comércio e
Desenvolvimento – CNUCED ou UNCTAD as Partes Contratantes aditaram
em 1964 ao Acordo Geral a Parte IV, intitulada “Comércio e
Desenvolvimento”.

• Ao reconhecer o estatuto jurídico diferenciado a favor dos Países em


Desenvolvimento no seio do GATT, a Parte IV foi considerada a primeira
grande vitória dos Países em Desenvolvimento. A Parte IV consagrou o
princípio da não reciprocidade.

• Ao instituir um regime de dualidade de normas nas relações comerciais


internacionais, a Parte IV do GATT contribuiu para o nascimento do
chamado Direito Internacional do Desenvolvimento.

Preparado por: Elsa Alfai 133


A criação da OMC
• A OMC, com sede em Genebra (Suíça), foi estabelecida a 01 de Janeiro  de
1995, e foi criada como resultado das negociações da Ronda do Uruguai
(1986-1994), tendo com membros  146 países (em 04 de abril de 2003).
• Entre suas funções (2003) estão:
– Administrar os acordos comerciais estabelecidos junto a OMC;
– Estabelecer um foro para negociações comercias;
– Resolver as disputas comercias;
– Supervisionar as políticas comercias nacionais;
– Prover assistência técnica e formação destinadas aos países em
desenvolvimento;
– Cooperação com outras organizações internacionais.
• Em Mocambique, os acordos firmados na Ronda de Uruguai, inclusive a
criação da OMC, passaram a vigorar apartir de Agosto de 1995.

Preparado por: Elsa Alfai 134


Rondas de negociações
• As negociações no âmbito do antigo GATT e hoje na OMC são
chamadas de rondas.

• O Art. XXVIII do GATT prevê as rondas como forma dos Membros


da OMC negociarem e decidirem, por exemplo sobre a
diminuição das tarifas de importação e a abertura dos mercados.

• Entre 1947 a 1994 ocorreram 08 rondas de negociações e em


2001 iniciou-se a 09 Ronda, denominada de Ronda Doha, sendo o
principal tema a agricultura, ainda não foram concluídos.

Preparado por: Elsa Alfai 135


Rondas de negociações
• O resumo das Rondas de negociação na história do sistema multilateral de
comércio:
• 1a ronda:Genebra -1947-23 Países participantes- tema coberto: tarifas
• 2a ronda: Annecy - 1949-13 Países participantes- tema coberto: tarifas
• 3a ronda: Torquay -1950,51- 38 Países participantes- tema coberto:tarifas
• 4a ronda: Genebra - 1955,56 - 26 Países participantes- tema coberto:tarifas
• 5a ronda: Dillon - 1960,61- 26 Países participante s- tema coberto: tarifas
• 6a ronda:Kennedy - 1964,67-62 Países participantes - temas cobertos: tarifas e
medidas antidumping
• 7a ronda: Tóquio – 1973/79- 102 Países participantes- temas cobertos: tarifas,
medidas não tarifárias, cláusula de habilitação
• 8a ronda: Uruguai - 1986,93- 123 Países participantes- temas cobertos: tarifas,
agricultura, serviços, propriedade intelectual, medidas de investimento, novo
marco jurídico, OMC.
• 9a ronda: Doha - 2001?- 149 Países participantes - temas cobertos: tarifas,
agricultura, serviços, facilitação de comércio, solução de controvérsias,
"regras".

Preparado por: Elsa Alfai 136


Ronda de Uruguai
• Durou 08 anos, ate ao fim abrangeu mais de 125 países, abrangia
o comércio de uma forma geral e os seus resultados ocuparam
cerca de 26.000 páginas de textos legais e de compromissos
nacionais.
• Permitiu alargar a abrangência das áreas cobertas pelas regras
internacionais de comercio, permitiu a inclusão de regras sobre a
resolução de disputas.
• Nesta Ronda, todos os artigos do GATT forma abertos para
analise.
• A área da agricultura foi uma das mais controversas criando
impasses no processo de negociações.
• A 15 de Abril de 1994 todos os assuntos pendentes foram
resolvidos e o acordo foi assinado pelos Ministros dos 125 países,
incluindo Moçambique, em Marrakesh (Marrocos),
Preparado por: Elsa Alfai 137
Ronda de Uruguai
Matérias abordadas
• Redução e consolidação de direitos aduaneiros;
• Barreiras Comerciais não tarifarias;
• Regras de uso de recursos naturais
• Têxteis e vestuários
• Produtos tropicais
• Agricultura
• Outros artigos do GATT
• Medidas anti dumping
• Subsídios
• Propriedade intelectual
• Medidas de investimento
• Resolução de disputas e comercio de serviços
Preparado por: Elsa Alfai 138
OMC
• A Organização Mundial do Comércio (OMC), World Trade
Organization, é uma organização internacional, com cerca
de 153 que trata das regras sobre o comércio e entre as
nações.

• Os membros da OMC negociam e assinam acordos que


depois são ratificados pelo parlamento de cada nação e
passam a regular o comércio internacional.

Preparado por: Elsa Alfai 139


Funções da OMC
• Gerir os acordos que compõem o sistema multilateral de comércio
• Servir de fórum para comércio internacional (firmar acordos internacionais);
• Supervisionar a adopção dos acordos e implementação destes acordos pelos
membros da organização (verificar as políticas comerciais nacionais).
• Outra função muito importante na OMC é o Sistema de resoluçao de
Controvérsias da OMC, o que a destaca entre outras instituições internacionais.
Este mecanismo foi criado para solucionar os conflitos gerados pela aplicação
dos acordos sobre o comércio internacional entre os membros da OMC.
• Além disso, a OMC realiza Conferências Ministeriais a cada dois anos. Existe um
Conselho Geral que implementa as decisões alcançadas na Conferência e é
responsável pela administração diária. A Conferência Ministerial escolhe um
director geral com o mandato de quatro anos, actualmente o Diretor geral é
Pascal Lamy, que tomou posse em 1 de Setembro de 2005 e o seu mandato foi
renovado em 2009 para mais 4 anos.

Preparado por: Elsa Alfai 140


Princípios
• A actuação da OMC pauta-se por princípios da busca do livre comércio e também da
igualdade entre os países.
• Princípio da Não-Discriminação: este princípio envolve duas considerações. O Art. I
do GATT 1994, na parte referente a bens, estabelece o princípio da nação mais
favorecida. Isto significa que se um país conceder a outro país um benefício terá
obrigatoriamente que estender aos demais membros da OMC a mesma vantagem
ou privilégio. O Art. III do GATT 1994, na parte referente a bens, estabelece o
princípio do tratamento nacional. Este impede o tratamento diferenciado aos
produtos internacionais para evitar desfavorecê-los na competição com os produtos
nacionais.
• Princípio da Previsibilidade: para impedir a restrição ao comércio internacional este
princípio garante a previsibilidade sobre as regras e sobre o acesso ao comércio
internacional por meio da consolidação dos compromissos tarifários para bens e das
listas de ofertas em serviços. Regula também outras áreas da OMC como TRIPS
TRIMS Acordo Geral sobre sobre Barreiras Técnicas ao Comércio.

Preparado por: Elsa Alfai 141


Cont. Principios

• Princípio da Concorrência Leal: este princípio visa garantir um comércio internacional


justo, sem práticas desleais, como os subsídios (alguns Estados dão dinheiro aos
agricultores de seus países, permitindo a produção de itens mais baratos e mais
competitivos perante os itens/produtos dos outros países). Previsto nos Arts. VI e XVI. No
entanto, só foram efetivados após os Acordos Antidumping e de Subsídios, que, além de
regularem estas práticas, também previram medidas para combater os danos delas
provenientes.
• Princípio da Proibição de Restrições Quantitativas: estabelecido no Art. XI do GATT 1994
impede que os países façam restrições quantitativas, ou seja, imponham quotas ou
proibições a certos produtos internacionais como forma de proteger a produção
nacional. A OMC aceita apenas o uso das tarifas como forma de proteção, desde que a
lista de compromissos dos países preveja o uso de quotas tarifárias.
• Princípio do Tratamento Especial e Diferenciado para Países em Desenvolvimento:
estabelecido no Art. XXVIII e na Parte IV do GATT 1994. Por este princípio os países em
desenvolvimento terão vantagens tarifárias, além de medidas mais favoráveis que
deverão ser realizadas pelos países desenvolvidos.

Preparado por: Elsa Alfai 142


Adesão a OMC
Para ser um Membro da OMC deve-se preencher os seguintes requisitos:
• Ser um Estado ou território aduaneiro autónomo (neste caso alguns doutrinadores
discutem pelo facto deste não ter totalmente autonomia económica). A adesão a
OMC só e efectiva após deposito do instrumento de ratificação aprovado pelo
Parlamento do Estado.
• O governo do País candidato deve fornecer dados relativos a sua política comercial
e económica relativa aos acordos da OMC para analise pelo grupo de trabalho
especifico da OMC.
• O País candidato entre em negociações bilaterais paralelas com diferentes
membros da OMC em função dos seus interesses comerciais específicos, em
especial no que se refere aos direitos aduaneiros acesso ao mercado.
• Concluída a análise do regime comercial bem como as negociações bilaterais,
finaliza-se os termos de adesão.
• O pacote final composto pelo relatório, protocolo e listas de compromissos, deve
ser apresentado ao Conselho Geral ou a Conferência Ministerial que deve ser
aprovado por 2/3 dos membros que culmina com a assinatura do Protocolo de
adesão. Em alguns casos o País é obrigado a obter a ratificação do Protocolo de
adesão pelo respectivo Parlamento antes de assinatura pelo Governo.
Preparado por: Elsa Alfai 143
Adesão de Moçambique

• Moçambique é membro da Organização Mundial do


Comércio (OMC), desde Agosto de 1995, sendo classificado
por esta organização como um País Menos Desenvolvido,
ratificou adesão através da Resolução n° 31/94, de 20 de
Setembro, publicada no Boletim da República nº 37.

• O instrumento de ratificação foi depositado em 26.08.1995,


sendo, por isso, membro fundador da OMC.

Preparado por: Elsa Alfai 144


• A estrutura orgânica e os processos de decisão
da OMC
• A estrutura do Acordo OMC e os respectivos
anexos
• Parte IV do GATT e Sistema Generalizado de
preferências (SGP)

Preparado por: Elsa Alfai 145


A estrutura orgânica e os processos de decisão da
OMC

• OMC - constitui o quadro institucional comum para a


condução das relações comerciais entre Estados-
membros em matérias relativas a acordos
multilaterais e plurilaterais e instrumentos legais
associados.

Preparado por: Elsa Alfai 146


A estrutura orgânica da OMC
• Existem 2 níveis:

– Órgãos de formulação de politicas (compostos por


representantes de todos os Estados membros);

– Secretariado (apoio técnico e administrativo ao


funcionamento da OMC), com pessoal permanente.

Preparado por: Elsa Alfai 147


A estrutura orgânica da OMC

• Órgãos de formulação de politicas


– Conferencia Ministerial
– Conselho Geral
– 3 Conselhos de Comercio de mercadorias, do comercio de
serviços e dos direitos de propriedade intelectual
relacionados com o comercio.
– Comités e grupos de trabalho especializados (ambiente,
comercio e desenvolvimento, acordos comerciais
regionais, restrições a balança de pagamentos, orçamento
e finanças/ administração)

Preparado por: Elsa Alfai 148


A estrutura orgânica da OMC
• Níveis de decisão:
– Conferencia Ministerial que delibera sobre todas as matérias dos acordos
multilaterais. Reúne-se de 02 em 02 anos.
– Conselho Geral, reporta a Conferencia Ministerial lida com matérias
relacionadas com resolução de disputas e revisão de politicas comerciais.
Reúne-se regularmente.
– Conselhos Específicos, reportam ao Conselho Geral (Comercio de
mercadorias, Comercio de serviços, Conselho sobre aspectos relativos a
propriedade intelectual relacionado com o comercio);
– Existem outros 2 órgãos subsidiários (Comités) que lidam com acordos
plurilaterais, acordos que vinculam os Estados signatários (Acordo sobre
comercio de aviões comerciais e acordos sobre as compras públicas).
– Órgãos subsidiários.
– HODs(Heads of Delegations)- tem papel importante no processo de
obtenção de consensos

149
Preparado por: Elsa Alfai
A estrutura orgânica da OMC

• Secretariado – Dirigido por um Director Geral, mandato de 4


anos coadjuvado por 4 directores gerais adjuntos.
• Não tem funções decisórias em matérias de política
comercial, pois estas matérias cabem aos próprios Estados-
membros.
• Presta apoio técnico aos vários comités e conferencias
ministeriais, assistência técnica aos países em
desenvolvimento, analise sobre o comercio mundial, promove
advocacia sobre o papel da OMC, assistência jurídica na
resolução de disputas comerciais e assessoria aos Governos
de países que pretendam aderir a OMC.

Preparado por: Elsa Alfai 150


Processos de tomada de decisão da OMC

Decisão por consenso.


– Os Governos dos Estados membros é que dirigem a OMC. O poder não é
delegado a um Conselho de Administração como noutras organizações
internacionais.
– Todas as decisões devem ser tomadas por consenso, criando-se um
processo participativo. Os Estados membros devem assegurar a sua
participação nos debates das matérias a decidir.
– A salvaguarda do Sistema Comercial Multilateral deve ser prioridade, deve
encorajar a obtenção de consensos.
– As regras e disciplinas da OMC a serem implementadas pelos países
resultam de um processo de negociação na OMC.
– Sanções comerciais visam assegurar a aplicação de regras.

Preparado por: Elsa Alfai 151


Processos de tomada de decisão da OMC

Decisão por voto.


• Não havendo consenso, as decisões são tomadas por voto.
Um país corresponde a um voto. Este sistema não tem sido
muito usado.
• Existem matérias sujeitas a votação (interpretação do tratado
da OMC ¾ votos, derrogações 3/4 votos, emendas 2/3 mas
ficam válidas para os membros que as fizeram deve-se
respeitar principio do single undertaking, adesão de novos
membros 2/3).

Preparado por: Elsa Alfai 152


Processos de tomada de decisão da OMC
• As alianças
– Assuntos complexos na OMC, a integração regional em curso estimula formulação
de alianças, reforça a capacidade negocial de um grupo de países com interesses
comuns.
– Tem carácter informal
Grupos:
– União Europeia/ Comunidades Europeias, 25 membros,
– ASEAN (Associação das Nações do Sudoeste Asiático), 10 países, dos quais 9 são
membros da OMC – Brinei, Cambodja, Filipinas, Indonésia, Malásia, Myanmar,
Singapura, Tailândia e Vietname
– Grupo CAIRNS (criado em 1986 em Cairns Austrália) – 17 países defendem na sua
maioria interesses na área da agricultura (A. Sul, Argentina, Austrália, Bolívia Brasil,
Guatemala, Canada, Chile, Indonésia, Malásia, etc,).
– Grupo dos 20- criado a 20.08.2003, surge da necessidade de dar resposta a posição
da União Europeia e EUA sobre sua proposta na área da agricultura . (A.Sul,
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile Egipto, Índia, Nigéria, Paquistão).

153
Preparado por: Elsa Alfai
Processos de tomada de decisão da OMC
• Grupo 33, surge também para encontrar posicionamento na
área da agricultura em defesa de produtos estratégicos e
mecanismos especiais de salvaguarda no acesso aos mercados
- Moçambique faz parte);
• O QUAD – Canada, EU, Japão EUA,
• Grupo ACP (79 Países em desenvolvimento da África, Caraíbas
e Pacifico;
• Grupo Africano (38 países africanos membros da OMC),
Moçambique faz parte;
• Grupo dos Países Menos Avançados (PMAs) – 50 países 32
são membros da OMC, Moçambique faz parte

Preparado por: Elsa Alfai 154


Processos de tomada de decisão da OMC
• Grupo dos 90(G90)- junção do Grupo Africano, Grupo ACP,
Grupo PMAs- a troika dos coordenadores do Grupo e que
harmoniza as posições negociais.

• SADC não tem ainda sustentando um bloco comum em


matérias económicas, o nível de integração regional e fraco.

Preparado por: Elsa Alfai 155


A estrutura do Acordo OMC e os respectivos anexos

• Acordos Multilaterais do Comercio de Mercadorias (GATT 1994)


contidos no Anexo 1A;
• O Acordo Multilateral do Comercio de Serviços (GATS), contido
no Anexo 1B;
• O Acordo Multilateral sobre os aspectos dos Direitos de
Propriedade Intelectual relacionados com o Comercio (TRIPS),
contido no Anexo 1C;
• O Acordo Multilateral sobre as regras e procedimentos de
resolução de disputas comerciais (DSU), contido no Anexo 2;
• O Acordo Multilateral sobre o Mecanismo de revisão de politicas
comerciais (TPRM), contido no Anexo 3;
• Os Acordos Plurilaterais de Comercio, contidos no Anexo
4(validos para os subscritores destes).

Preparado por: Elsa Alfai 156


A estrutura do Acordo OMC e os respectivos anexos
• Acordos Multilaterais
– Acordo que cria a OMC
– Acordo Geral sobre Tarifas e Comercio GATT 1994
– Protocolo da Ronda de Uruguai
– Acordo sobre a Agricultura
– Acordo sobre Medidas Saltitarias e Fitossanitárias
– Decisão sobre as Medidas relativas a um possível efeito negativo dos
programas de reformas sobre PMAs e os países em desenvolvimento
importadores líquidos de alimentos
– Acordo sobre Têxteis e Vestuário
– Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comercio
– Acordo sobre as Medidas de Investimento relacionadas com o
Comercio
– Acordo sobre a implementação do artigo VI do GATT(anti-dumping)

Preparado por: Elsa Alfai 157


A estrutura do Acordo OMC e os respectivos anexos

• Acordos Multilaterais
– Acordo sobre a Implementação do Artigo VI do GATT(Valor Aduaneiro);
– Acordo sobre a Inspecção Pré – Embarque;
– Acordo sobre as Regras de Origem
– Acordo sobre os Procedimentos do Licenciamento de Importações
– Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias
– Acordo sobre Salvaguardas
– Acordo Geral sobre Comercio de Serviços (GATS)
– Acordo sobre os Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com
comercio (TRIPS)
– Acordo sobre as Regras e Procedimentos que regulam a Resolução de Disputas

Preparado por: Elsa Alfai 158


A estrutura do Acordo OMC e os respectivos anexos
• Acordos Plurilaterais

– Acordo sobre Comercio de Aviões Comerciais

– Acordo sobre as Compras Publicas (Government Procurement)

– Acordo sobre venda de carne bovina;

– Acordo sobre derivados de produtos lacteos

Preparado por: Elsa Alfai 159


•A OMC, génese, sua importância e principais acordos
internacionais
•Princípios da OMC:
- Nação Mais Favorecida (CNMF)
- Tratamento Nacional (TN)

Preparado por: Elsa Alfai 160


URUGUAI ROUND
• Acta Final do acordo da OMC- resultado das
negociações multilaterais Uruguai, lançadas em
Punta del Leste em 1986.

• A acta final contem decisões ministeriais e


declarações que clarificam certos preceitos dos
acordos anexos.

Preparado por: Elsa Alfai 161


Acta final contendo os resultados da Ronda de
Uruguai
• Os grandes aspectos constantes na acta final são:
– Negociações sobre acesso ao mercado – cada pais
comprometeu-se a reduzir ou eliminar tarifas especificas e
barreiras não tarifarias na área do comercio - os
compromissos são parte integrante da Acta final;

– O compromisso inicial dos países liberalizarem o comercio


nos serviços que igualmente constam da lista de
compromissos tornadas publicas.

Preparado por: Elsa Alfai 162


O Acordo que cria a OMC
• É o acordo que prevê a estrutura institucional da OMC, como
estava previsto no GATT mas modificado pela Ronda de
Uruguai;
• Estrutura compreende:
– Conferencia Ministerial (reúne-se de 02 em 02 anos);
– Conselho Geral que actua como mecanismo de resolução
de disputas e como Mecanismo de revisão de politicas,
reune-se nos intervalos da Conferencia Ministerial;
– 03 Conselhos técnicos de bens, serviços e aspectos relativos
a propriedade intelectual;
– Conselhos especializados para cada area abrangida pelos
acordos da OMC.
• Principio do single undertaking – artigo XII-1 Acordo
constitutivo da OMC - impõe que os Estados membros não
negoceiem os acordos da OMC.
Preparado por: Elsa Alfai 163
GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 1
Parte I
• Princípios gerais GATT – nação mais favorecida - artigo 1,
• Lista de concessões – artigo 2;

Parte II
• Tratamento nacional na tributação e regulamentação interna – artigo
3;
• Medidas de defesa comercial – direitos anti dumping artigo VI,
• Marcas de origem- artigo XI, publicações e aplicação de regulamentos
relativos ao comercio – artigo X, eliminação de restrições quantitativas
– artigo XI, protecção da balança de pagamentos- artigo XII,
• Excepções a regra da não descriminação – artigo XIV,
• Disposições em matéria cambial coordenação com o FMI- artigo XV,
• Subsídios artigo XVI;
• Empresas comerciais do Estado artigo XVII;
Preparado por: Elsa Alfai 164
GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 1
Parte III
• Artigo XXIV, aplicação do GATT as uniões
aduaneiras e zonas de comercio livre;
• Artigo XXV – Acção colectiva;
• Artigo XXVII– Suspensão ou retirada de concessões;
• Artigo XXVIII – Modificação das listas;
• Artigo XXVIII Bis – Negociações pautais;
• Relações do GATT com a carta de Havana, art. XXIX;

Preparado por: Elsa Alfai 165


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 1
Parte IV
• Comercio e desenvolvimento
• Artigo XXXVI – princípios e objectivos;
• Compromissos na redução e eliminação de
barreiras tarifarias e não tarifarias;

Preparado por: Elsa Alfai 166


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 1
• Protocolo da Ronda de Uruguai
– Apêndices I: Secção A: Produtos Agrícolas quotas tarifarias;
– Apêndice II: Concessões na base da nação mais favorecida e outros
produtos;
– Apêndice III: Tarifas preferenciais -Parte II dos calendários quando
aplicável;
– Apêndice IV: Concessões nas medidas tarifarias - Parte III dos calendários;
– Apêndice V: Produtos agrícolas: compromissos que limitam os subsídios -
Parte IV dos calendários, Secção I: apoio domestico sobre medidas,
questões orçamentais e quantitativas, redução de compromissos Secção
III: compromissos limitando o âmbito dos subsídios a exportação;
– Sobre a redução das tarifas ficou acordado que para os produtos não
agrícolas cada membro deveria implementar um plano de redução
compreendendo 5 fases exceptuando os países que notificaram essa
excepção e a 1ª redução teria lugar a 1 de Janeiro de 1995.
– Para os produtos agrícolas ficou acordado o previsto no artigo 2 do Acordo
sobre Agricultura.
Preparado por: Elsa Alfai 167
GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
• As negociações resultaram em 04 partes do Acordo:
– O Acordo sobre a Agricultura propriamente dito –artigos 1 e 2;
– As concessões e compromissos dos membros em relação ao
acesso ao mercado, apoio domestico e subsídios as
exportações - artigos 3 a 12;
– O Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias - artigo
14;
– A decisão ministerial relativa aos países menos avançados e a
rede de importação de alimentos dos países em
desenvolvimento - artigos 15 e 16.

Preparado por: Elsa Alfai 168


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
• O Acordo prevê uma estrutura de reformas de longo
prazo na área da agricultura e apoio domestico.

• As decisões reconhecem que a agricultura é a base de


desenvolvimento dos países, em especial, para maior
parte dos países menos avançados e encoraja que não
se usem praticas distorcivas no apoio domestico.

• As preocupações dos países menos avançados são


tratadas especialmente nos artigos 15 e 16 remetendo
ao tratamento especial diferenciado e rede de
importação de alimentos.

Preparado por: Elsa Alfai 169


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
1. Apoio doméstico
– As caixas(boxes) servem para denominar os
subsídios): green box (subsídios permitidos), blue
box (subsídios para programas de
desenvolvimento específicos relacionados com
aumento da produção) e amber box (subsídios
moderados), red box (subsídios proibidos) não
devem existir na área da agricultura.
– S&D box (caixa de apoio ao desenvolvimento -
artigo 6.2 do AoA).

Preparado por: Elsa Alfai 170


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
a) Amber Box
- Artigo 6 AoA;
- Medidas de apoio domestico que podem distorcer a
produção e comercio(com algumas excepções)-
exeptuam-se as medidas que se enquadram na blue
box e na green box.
- Inclui medidas de apoio aos preços ou subsídios
directos relativos a quantidades de produção.

Preparado por: Elsa Alfai 171


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
b) Blue Box
- Incluem os apoios que podem limitar os agricultores
a reduzir a sua produção paragrafo 5, artigo 6, AoA.
- Semelhante a amber box mas com condições que
visam reduzir as distorções;
- Não existem limitações dos subsídios concedidos no
âmbito da blue box

Preparado por: Elsa Alfai 172


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
c) Green box
- Definida no Anexo 2 do AoA;
- Os subsídios da green box não devem distorcer o
comercio e não devem causar a mínima
distorção. Paragrafo 1 Anexo 2 AoA.
- Devem ser subsídios concedidos pelo Governo e
não devem envolver apoio aos preços.
- São inclusos em programas não direccionados a
produtos específicos.
- Mais flexíveis para cobrir aspectos relacionados
com a protecção do ambiente, desenvolvimento
rural, assistência a criação de animais, etc.
Preparado por: Elsa Alfai 173
ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
• AMS – Aggregated Measurement Support-
(caixa de apoio ao desenvolvimento) - apoio
ao desenvolvimento do sector agricola dos
Paises menos avancados

Preparado por: Elsa Alfai 174


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
2. Na área do acesso ao mercado:
a) Pacote tarifário
– Não devem ser definidas tarifas que aumentem o nível de
protecção no acesso ao mercado;
– A redução das tarifas deve ser feita do seguinte modo: 36% para os
países desenvolvidos, 24% para os países em desenvolvimento.
– As tarifas devem ser reduzidas num período máximo de 5 a 6 anos
para os países desenvolvidos e em 10 anos para os países em
desenvolvimento.
– Os países menos avançados não são abrangidos pelo plano de
redução de tarifas numa 1ª fase.
– O pacote tarifário compreende ainda a manutenção das actuais
oportunidades de acesso ao mercado e da definição de tarifas
mínimas (fixada em 3% para os produtos importados para consumo
interno)

Preparado por: Elsa Alfai 175


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
b) Salvaguardas
• Salvaguardas medidas tomadas para proteger a entrada abrupta de
certos produtos. Na área da agricultura - são regidas pelas normas
gerais do acordo de salvaguarda, mas o AoA tem regime especial artigo
5.

• Salvaguardas na área da agricultura são entendidas por alguns como


medidas proteccionistas.

• Alguns países em desenvolvimento propuseram que apenas eles devem


usar as medidas de salvaguarda na área da agricultura e os países
desenvolvidos não devem usar este mecanismo de defesa.

• Existe um pacote especial de salvaguarda baseado no artigo 5 do


acordo sobre agricultura. Existe ainda um mecanismo especial de
salvaguarda

Preparado por: Elsa Alfai 176


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
c) Outros assuntos relativos ao acesso ao mercado:
– Avanços requerem que se clarifiquem as medidas sobre
produtos geneticamente modificados, doenças recentes
relacionadas com alimentos, substancias tóxicas.
– Legislação sobre defesa de consumidores, consumo de
alimentos, informação aos consumidores, rotulagem (papel
do INNOQ), consumo de carnes.
– Papel dos Comités sobre as barreiras técnicas ao comercio
(Acordo TBT) e SPS(Acordo sobre medidas sanitárias e
fitossanitárias).

Preparado por: Elsa Alfai 177


SPS- Acordo sobre Medidas Sanitarias e
Fitossanitarias)
GATT 1994 - Artigo XX(b) do GATT
• Diferentemente do Acordo SPS e do Acordo TBT, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio
(General Agreement on Tariffs and Trade - GATT)
• O acordo SPS preve medidas para controle, inspeccao e aprovacao de procedimentos.
Âmbito Substantivo de Aplicação
Artigo 1.1 do SPS
• O Artigo 1.1 do Acordo SPS define o âmbito de aplicação do Acordo, quando prevê:
• Este Acordo aplica-se a todas as medidas sanitárias e fitossanitárias que possam direta
ou indiretamente afetar o comércio internacional. Tais medidas serão elaboradas e
aplicadas em conformidade com os dispositivos do presente Acordo.
• Nem todas as medidas destinadas a proteger a saúde pública são medidas sanitárias ou
fitossanitárias para os efeitos do Acordo SPS.
Artigo 1.1 do SPS
• O segundo requisito estabelecido no Artigo 1.1 para a aplicação do Acordo SPS é que a
medida em questão afete direta ou indiretamente o comércio internacional. Prova
empírica da redução no fluxo de comércio não é requerida. Basta demonstrar que a
medida é aplicada a importações e pode ser presumido que há um impacto no
comércio internacional.

Preparado por: Elsa Alfai 178


SPS- Acordo sobre Medidas Sanitarias e Fitossanitarias)
• a) para proteger, no território do Membro, a vida ou a saúde dos animais ou das plantas
contra os riscos decorrentes da entrada, estabelecimento ou disseminação de pragas,
doenças, organismos portadores de doenças ou organismos patogênicos;
• b) para proteger, no território do Membro, a vida ou a saúde das pessoas ou dos
animais contra os riscos decorrentes dos aditivos, contaminantes, toxinas ou
organismos patogênicos presentes nos alimentos, bebidas ou ração animal;
• c) para proteger, no território do Membro, a vida ou a saúde das pessoas contra os
riscos decorrentes de doenças transmitidas por animais, vegetais ou por produtos deles
derivados, ou da entrada, estabelecimento ou disseminação de pragas; ou
• d) para impedir ou limitar, no território do Membro, outros danos decorrentes da
entrada, estabelecimento ou disseminação de pragas.
• As medidas sanitárias ou fitossanitárias incluem toda a legislação pertinente, decretos,
regulamentos, exigências e procedimentos, incluindo, inter alia, os critérios relativos ao
produto final; os processos e métodos de produção; os procedimentos para testes,
inspeção, certificação e homologação; os regimes de quarentena, incluindo exigências
pertinentes associadas com o transporte de animais ou vegetais ou os materiais
necessários à sua sobrevivência durante o transporte; aos dispositivos relativos aos
métodos estatísticos pertinentes, procedimentos de amostragem e métodos de
avaliação de risco; e requisitos para embalagem e rotulagem diretamente relacionados
com a segurança dos alimentos.

Preparado por: Elsa Alfai 179


SPS- Acordo sobre Medidas Sanitarias e
Fitossanitarias)
Âmbito de Aplicação Temporal
• O Acordo SPS entrou em vigor em 1° de janeiro de 1995.
Nesse sentido, a questão que surge é se as medidas sanitárias
e fitossanitárias existentes antes dessa data estão sujeitas aos
seus dispositivo
Aplicação a outros Órgãos que não o Governo Central
Artigo 13 do SPS
• As disciplinas contidas no Acordo SPS não são apenas
aplicáveis a medidas dos governos centrais. Nos termos do
Artigo 13 do Acordo SPS, os Membros são totalmente
responsáveis pela observância do Acordo SPS e são obrigados
a tomar medidas eficazes para assegurar o cumprimento dos
seus dispositivos por governos que não sejam os governos
centrais.

Preparado por: Elsa Alfai 180


TBT - Acordo sobre Barreiras Técnicas
• Artigo 1.5 do TBT
• Durante a Ronda de Tóquio de negociações comerciais foram
dados os primeiros passos em relação ao tratamento do
problema de barreiras não tarifárias ao comércio, na forma
de regulamentos técnicos, com a conclusão do Acordo sobre
Barreiras Técnicas ao Comércio (Agreement on Tecnhical
Barriers to Trade), comumente conhecido como Código de
Padrões (Standards Code).
• Este acordo não foi muito eficaz e foi, como resultado da
Rodada Uruguai de negociações, substituído pelo novo
Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio da OMC (WTO
Agreement on Tecnhical Barriers to Trade – o Acordo TBT),

Preparado por: Elsa Alfai 181


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
– Indicações geográficas/qualidade dos produtos: termo
usado para descrever a origem e as características de um
produto. São matérias tratadas em 3 áreas: aspectos
relativos a propriedade intelectual - Ex: registo da
proveniência dos vinhos, área da agricultura ou área das
barreiras técnicas ao comercio(lidam com a rotulagem).
– Produtos sensíveis(os governos podem negociar sua
proteccao) e tratamento especial diferenciado

Preparado por: Elsa Alfai 182


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
– Apoio alimentar - há acusações que a OMC forca os
governos de aceitarem produtos alimentares não seguros
baseando na defesa do acesso aos mercados - as medidas
sanitárias e fitossanitárias devem ser melhor interpretadas
e compreendidas;
– Os países menos avançados estão dependentes da
importação de produtos alimentares;
– Deve distinguir-se o apoio alimentar concedido como
doação e como ajuda ao desenvolvimento da agricultura;
– O FMI e Banco Mundial devem dar assistência para apoiar
o financiamento de importação de produtos alimentares

Preparado por: Elsa Alfai 183


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
RELACAO COM SPS- ACORDO SOBRE MEDIDAS SANITARIAS E
FITOSSANITARIAS
GATT 1994 - Artigo XX(b) do GATT
• Diferentemente do Acordo SPS e do Acordo TBT, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio
(General Agreement on Tariffs and Trade - GATT)
• O acordo SPS preve medidas para controle, inspeccao e aprovacao de procedimentos.
Âmbito Substantivo de Aplicação
Artigo 1.1 do SPS
• O Artigo 1.1 do Acordo SPS define o âmbito de aplicação do Acordo, quando prevê:
• Este Acordo aplica-se a todas as medidas sanitárias e fitossanitárias que possam direta
ou indiretamente afetar o comércio internacional. Tais medidas serão elaboradas e
aplicadas em conformidade com os dispositivos do presente Acordo.
• Nem todas as medidas destinadas a proteger a saúde pública são medidas sanitárias ou
fitossanitárias para os efeitos do Acordo SPS.
Artigo 1.1 do SPS
• O segundo requisito estabelecido no Artigo 1.1 para a aplicação do Acordo SPS é que a
medida em questão afete direta ou indiretamente o comércio internacional. Prova
empírica da redução no fluxo de comércio não é requerida. Basta demonstrar que a
medida é aplicada a importações e pode ser presumido que há um impacto no
comércio internacional.

Preparado por: Elsa Alfai 184


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
RELACAO COM SPS- ACORDO SOBRE MEDIDAS SANITARIAS E
FITOSSANITARIAS
• a) para proteger, no território do Membro, a vida ou a saúde dos animais ou das plantas
contra os riscos decorrentes da entrada, estabelecimento ou disseminação de pragas,
doenças, organismos portadores de doenças ou organismos patogênicos;
• b) para proteger, no território do Membro, a vida ou a saúde das pessoas ou dos
animais contra os riscos decorrentes dos aditivos, contaminantes, toxinas ou
organismos patogênicos presentes nos alimentos, bebidas ou ração animal;
• c) para proteger, no território do Membro, a vida ou a saúde das pessoas contra os
riscos decorrentes de doenças transmitidas por animais, vegetais ou por produtos deles
derivados, ou da entrada, estabelecimento ou disseminação de pragas; ou
• d) para impedir ou limitar, no território do Membro, outros danos decorrentes da
entrada, estabelecimento ou disseminação de pragas.
• As medidas sanitárias ou fitossanitárias incluem toda a legislação pertinente, decretos,
regulamentos, exigências e procedimentos, incluindo, inter alia, os critérios relativos ao
produto final; os processos e métodos de produção; os procedimentos para testes,
inspeção, certificação e homologação; os regimes de quarentena, incluindo exigências
pertinentes associadas com o transporte de animais ou vegetais ou os materiais
necessários à sua sobrevivência durante o transporte; aos dispositivos relativos aos
métodos estatísticos pertinentes, procedimentos de amostragem e métodos de
avaliação de risco; e requisitos para embalagem e rotulagem diretamente relacionados
com a segurança dos alimentos.

Preparado por: Elsa Alfai 185


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
RELACAO COM SPS- ACORDO SOBRE MEDIDAS SANITARIAS E
FITOSSANITARIAS)

Âmbito de Aplicação Temporal


• O Acordo SPS entrou em vigor em 1° de janeiro de 1995. Nesse sentido,
a questão que surge é se as medidas sanitárias e fitossanitárias
existentes antes dessa data estão sujeitas aos seus dispositivo
Aplicação a outros Órgãos que não o Governo Central
Artigo 13 do SPS
• As disciplinas contidas no Acordo SPS não são apenas aplicáveis a
medidas dos governos centrais. Nos termos do Artigo 13 do Acordo
SPS, os Membros são totalmente responsáveis pela observância do
Acordo SPS e são obrigados a tomar medidas eficazes para assegurar o
cumprimento dos seus dispositivos por governos que não sejam os
governos centrais.

Preparado por: Elsa Alfai 186


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA RELACAO COM TBT -
ACORDO SOBRE BARREIRAS TÉCNICAS
• Artigo 1.5 do TBT
• Durante a Ronda de Tóquio de negociações comerciais
foram dados os primeiros passos em relação ao tratamento
do problema de barreiras não tarifárias ao comércio, na
forma de regulamentos técnicos, com a conclusão do
Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (Agreement
on Tecnhical Barriers to Trade), comumente conhecido
como Código de Padrões (Standards Code).
• Este acordo não foi muito eficaz e foi, como resultado da
Rodada Uruguai de negociações, substituído pelo novo
Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio da OMC
(WTO Agreement on Tecnhical Barriers to Trade – o Acordo
TBT),

Preparado por: Elsa Alfai 187


ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
– Indicações geográficas/qualidade dos produtos: termo
usado para descrever a origem e as características de um
produto. São matérias tratadas em 3 áreas: aspectos
relativos a propriedade intelectual - Ex: registo da
proveniência dos vinhos, área da agricultura ou área das
barreiras técnicas ao comercio(lidam com a rotulagem).

– Produtos sensíveis(os governos podem negociar sua


protecção) e tratamento especial diferenciado

Preparado por: Elsa Alfai 188


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
3. Subsídios as exportações e competição
– Inclui subsídios a exportação tais como apoio alimentar, credito a
exportação subsidiarizado e seguros, comercio feito pelos Estados através
das empresas publicas.
– 25 países (União Europeia, EUA, Austrália, A.Sul) subsidiam as exportações
mas apenas aos produtos que fizeram compromissos para reduzir os
subsídios. Os que não tem compromissos podem subsidiar todas as
exportações.
– Países em desenvolvimento alegam que os produtos subsidiados podem
fazer decrescer o preço real dos seus produtos criando distorções no
comercio. Argumentam ainda que países desenvolvidos despendem
montantes elevados de dinheiro nos subsídios as exportações quando os
demais devido a escassez de recursos não podem fazer, criando
desigualdades.
– A maior parte destes países fazem parte da rede de importadores de
alimentos..

Preparado por: Elsa Alfai 189


GATT 1994-ANEXO 1A
Subsecção 2 - ACORDO SOBRE A AGRICULTURA
- Argumenta-se que os subsídios as exportações sobre produtos de
interesse dos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos devem
ser eliminados iniciando pela sua redução gradual.

- Muitos defendem há necessidade de regulamentar se a ajuda alimentar


deve ser feita por doação, redução de preços ou credito que o apoio
alimentar deve ser feito com fins humanitários da forma de doação e não
de credito. Não deve distorcer o mercado dos países de destino desses
alimentos, interferindo na produção nacional.

Preparado por: Elsa Alfai 190


GATT 1994
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

• O papel das criações individuais, conhecimentos pessoais,


tem estado a crescer pelo mundo dando contributos na
medicina, industria musica, cinematográfica, literatura,
criação de novas tecnologias.
• A protecção da propriedade intelectual - os criadores devem
ter mecanismos de protecção das suas invenções, desenhos;
• A extensão desta protecção varia de pais para pais.
• O TRIPS traz o entendimento comum de como esta
componente deve ser abordada, reflectindo o consenso em
regras internacionais comuns.
• Define-se o níveis mínimos de protecção que cada Governo
deve garantir a propriedade intelectual
Preparado por: Elsa Alfai 191
GATT 1994
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

• Um regime de propriedade intelectual funcional deve:


– Facilitar a transferência de tecnologia pela forma de
investimento directo estrangeiro, joint ventures e
licenciamento;
– A protecção e geralmente concedida por um período limitado
(cerca de 20 anos no caso das patentes)

Preparado por: Elsa Alfai 192


GATT 1994
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

Principais áreas cobertas pelo TRIPS:


a) Como se aplicam os princípios básicos do sistema do
comercio no acordo sobre a propriedade intelectual;
b) Como dar uma protecção adequada aos direitos de
propriedade intelectual;
c) Como os países membros da OMC podem fortalecer a
sua legislação sobre estes direitos;
d) Como dirimir disputas entre os Estados membros da
OMC no que se refere a propriedade intelectual;
e) Disposições transitórias durante a introdução do novo
sistema.

Preparado por: Elsa Alfai 193


GATT 1994
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

A Propriedade Intelectual divide-se em 2 principais áreas:


• Copyright e direitos relacionados com a propriedade intelectual –
direitos do autor de obras literárias, trabalhos artísticos como
livros e outros escritos, composições musicais, esculturas,
pinturas, programas informáticos, filmes; ao protegidos pelo
Copyright por um período mínimo de 50 anos após a morte do
autor.
• Propriedade Industrial – subdivide-se em 2 áreas: a 1ª protegem-
se os sinais distintivos – marcas bens e serviços e de acordo com
as indicações geográficas visa estimular a competição e a
protecção dos consumidores, a 2ª protecção para estimular a
inovação, concepção e criação tecnológica(exemplo proteccao
feita pelas patentes, segredos de negocios)

Preparado por: Elsa Alfai 194


GATT 1994-ANEXO 1A
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

a) Princípios explanados no acordo: nação mais favorecida, tratamento nacional


e protecção da propriedade intelectual – artigos 3, 4 e 8 TRIPS.
– Principio da protecção da propriedade intelectual – a propriedade
intelectual deve contribuir para a inovação tecnológica e transferência de
tecnologia. Tanto os produtores como os consumidores devem beneficiar-
se economicamente e socialmente destes inovações.
b) Como dar uma protecção adequada aos direitos de propriedade intelectual
– O TRIPS aborda diferentes tipos de propriedade intelectual e como as
mesmas devem ser protegidas devem-se garantir um padrão comum de
protecção entre os membros da OMC - Papel da WIPO (World Intellectual
Property Organization)
– Convenção de Paris sobre a protecção da propriedade intelectual
(patentes, designações industriais, etc);
– Convenção de Berne sobre a protecção da literatura e trabalhos artísticos
(copyrigth).

Preparado por: Elsa Alfai 195


GATT 1994-ANEXO 1A
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

b) Como dar uma protecção adequada aos direitos de propriedade intelectual:


– Copyright – definição artigo 10 - protecção de programas informáticos,
industria cinematográfica, compilação de dados, que contenham
elementos constitutivos, criações intelectuais devem ser protegidos –;
– Marcas – definição artigo 15 - qualquer sinal ou combinação de sinais
susceptível de distinguir os produtos ou serviços de uma empresa das de
outras empresas - artigos 15 a 21;
– Protecção das Indicações geográficas – definição artigo 22 – é uma
indicação que apontem um produto como sendo originário do território de
um Estado membro da OMC ou de uma região desse Estado sendo a sua
qualidade, reputação ou característica do produto atribuída a sua origem
geográfica - artigos 23 e 24 regulação;

Preparado por: Elsa Alfai 196


GATT 1994-ANEXO 1A
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

– Desenhos e modelos industriais – artigos 25 e 26;


– Patentes – artigos 27 a 34
– Configurações de circuitos integrados – artigos 35 a 38;
– Protecção de informações não divulgadas - artigo 39;
– Controle de praticas anticoncorrenciais em licenças
contractuais – artigo 40;

Preparado por: Elsa Alfai 197


GATT 1994-ANEXO 1A
SECÇÃO III- ANEXO 1C - ACORDO SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL
RELACIONADOS COM COMERCIO (TRIPS)

c) Como os países membros da OMC podem fortalecer a sua


legislação sobre estes direitos – artigo 41;

d) Como dirimir disputas entre os Estados membros da OMC no que


se refere a propriedade intelectual – artigos 42- 64;

e) Disposições transitórias durante a introdução do novo sistema


– artigos 65 -72.

Preparado por: Elsa Alfai 198


• Princípios orientadores do GATT/OMC (as regras
sobre o comercio de mercadorias )
– A Cláusula da Nação mais Favorecida
– O Princípio do Tratamento Nacional
– As restrições quantitativas

Preparado por: Elsa Alfai 199


A Cláusula da Nação mais Favorecida
 

• A cláusula de nação mais favorecida (artigo I do GATT), estipula que cada país
signatário tem a obrigação de conceder o mesmo tratamento (mais favorável)
dispensado a outros países.

• Esta cláusula é útil aos países com menor poder no comércio internacional, que
automaticamente se beneficiam das reduções tarifárias negociadas por grandes
produtores e importadores.

• A cláusula de nação mais favorecida, impediria a discriminação entre os países-


membro do acordo geral, assim, estimula as relações multilaterais entre estes
países, ficando estabelecido que toda vantagem, favor, privilégio ou imunidade
concedida a um contratante, devem ser transferidos a todos os demais
membros do sistema multilateral automática e incondicionalmente.

• A NMF põe em prática o princípio basilar da não discriminação, e encontra-se


explicita no artigo 1 do GATT.
• A regra da nação mais-favorecida é um dos pilares do sistema multilateral de
comércio desde 1947.

Jun 7, 2022 Preparado


Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 200
A Cláusula da Nação mais Favorecida
• O tratamento de nação mais favorecida torna obrigatória a extensão
de qualquer concessão comercial a todas as Partes-Contratantes,
funciona como alicerce do sistema implantado com o GATT, pois
promove a liberalização do comércio de forma generalizada e em
bases igualitárias – todos gozarão da liberalização na mesma
medida.

• O Art. III do GATT 1994, na parte referente a bens, estabelece o


princípio do tratamento nacional. Este impede o tratamento
diferenciado aos produtos internacionais para evitar desfavorecê-los
na competição com os produtos nacionais.

• Na sua aplicação, a cláusula de nação mais favorecida pode se


apresentar de dois modos, condicional e incondicional.

• O primeiro requer que, para que o tratamento mais favorável seja


dispensado a determinado parceiro comercial, este deverá oferecer,
em contrapartida, alguma concessão comercial. O segundo é o
modelo adoptado no GATT, em que não há necessidade de
contrapartida.

Jun 7, 2022 Preparado


Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 201
A Cláusula da Nação mais Favorecida
•  A outra discussão diz respeito à definição da origem dos produtos. O
GATT não apresenta critério inequívoco para a solução do problema,
deixando muito à razoabilidade dos países importadores, lacuna que
não foi preenchida com o Acordo sobre Regras de Origem negociado
na Ronda de Uruguai.

• Dois critérios têm sido tradicionalmente utilizados. O primeiro é


baseado no princípio da “transformação substancial”, de acordo com
o qual, como a própria denominação deixa antever, o produto é
atribuído ao País exportador somente se uma transformação
substancial do bem tenha ocorrido no seu território. Parâmetro muito
utilizado é que tenha havido, no País exportador, transformação tal do
bem que sua classificação tarifária tenha sido alterada.

• O segundo critério leva em conta o “valor adicionado” ao produto, ou


seja, somente será considerado originário do País exportador o bem
que, naquele território, tenha sido objecto de determinado acréscimo
de valor.

Jun 7, 2022 Preparado


Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 202
A Cláusula da Nação mais Favorecida
• Tem havido excepções diversas ao princípio do
tratamento de nação mais favorecida, permitidas no
âmbito do Acordo Geral, como as previstas no artigo XX
do GATT, as chamadas “excepções gerais” (medidas que
visam à protecção da moral, à manutenção da ordem
pública etc.), e as que dizem respeito a uniões aduaneiras
e zonas de livre comércio, autorizadas pelo artigo XXIV.

Jun 7, 2022 Preparado


Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 203
O princípio do tratamento nacional
• A cláusula do tratamento nacional (artigo II), produtos importados devem
receber o mesmo tratamento dispensado a produtos nacionais, ou seja, ao
ingressar em um determinado mercado, o produto não pode receber um
tratamento menos favorável do que aquele dispensado ao similar
nacional.

• A obrigação de tratamento nacional é decorrente do princípio da não-


discriminação, que orienta as relações comerciais no âmbito da OMC. Se a
cláusula de nação mais favorecida estabelece que não deve haver
discriminação entre países, ou seja, que toda e qualquer concessão
comercial de um país membro deve se estender a todos os demais, o
princípio do tratamento nacional estipula que não deve haver
discriminação entre produtos, de modo que, uma vez no mercado do país
importador, o produto importado não esteja sujeito a condições que o
coloquem numa posição de desvantagem competitiva.

• Como a própria denominação do princípio deixa claro, que o tratamento


dispensado ao produto importado seja o mesmo dispensado ao produto
nacional.

Jun 7, 2022 Preparado


Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 204
O principio do Tratamento Nacional
• O princípio vem previsto no artigo III do GATT. Quando da
negociação original do GATT, em 1947, as tarifas alfandegárias
eram vistas como o principal entrave ao comércio internacional de
bens, motivo pelo qual o acordo visou, sobretudo, à sua diminuição.

• O ponto fundamental do princípio do tratamento nacional seria


garantir que a liberalização comercial obtida na fronteira, com a
diminuição das tarifas, não fosse frustrada por medidas internas que
favorecessem os produtos nacionais em detrimento dos
estrangeiros.

• Este princípio é uma regra de não-discriminação que prevê a


equivalência de tratamento entre o produto importado, quando este
ingressa no território nacional, e o produto similar.

• De acordo com este princípio, os países em desenvolvimento terão


vantagens tarifárias, além de medidas mais favoráveis que deverão
ser realizadas pelos países desenvolvidos.

Jun 7, 2022 Preparado


Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 205
O principio do Tratamento Nacional
 
• Por via de regra, a cláusula do tratamento nacional
define que uma vez que um produto estrangeiro entre no
País, deverá receber o mesmo tratamento que o similar
nacional no que concerne às leis, regulamentos ou
requerimentos que afetem sua venda interna, oferta,
aquisição, transporte, distribuição e uso. Taxas,
impostos, regulamentos técnicos, exigências de
embalagem, selos ou etiquetas e requerimentos relativos
à proteção da saúde são fatores que podem causar
discriminação entre produtos similares.
• A regra do tratamento nacional tem como beneficiários
os produtos dos outros Países-Membros, e se aplica a
ampla gama de medidas governamentais, consoante
artigo III, parágrafo 1º, do GATT.
• Dificuldades surgem quando a medida governamental
questionada não é explicitamente discriminatória, porém
acaba por favorecer a produção nacional em detrimento
da estrangeira.
Preparado por: Elsa Alfai 206
O principio do Tratamento Nacional

• Por exemplo, o princípio do tratamento nacional é


regulado no GATS no artigo XVII onde se refere que
cada Estado membro da OMC concederá aos serviços e
aos prestadores de serviços de qualquer outro membro
relativamente a todas as medidas que afectem a
prestação de serviços, um tratamento não menos
favorável do que o que concede aos serviços e
prestadores de serviços nacionais comparáveis.

• Exemplo notório de discriminação implícita, diz respeito


às barreiras técnicas ao comércio, ou seja, exigências
técnicas que os países importadores impõem aos
produtos importados, com o objectivo de colocá-los em
desvantagem competitiva em relacao a produção
nacional.
Jun 7, 2022 Preparado
Elsa por:
R. Alfai
Elsa Alfai 207
Principio do Tratamento Nacional
• O tratamento especial e diferenciado tem assim por finalidade
incentivar esses países em seus processos de industrialização
e desenvolvimento económico, levando-se em consideração
sua incapacidade material de concorrer com os países
desenvolvidos em igualdade de condições.

• Como exemplo, destaca-se o prazo especial conferido aos


países em desenvolvimento e menos desenvolvidos relativo a
implementação de determinados acordos no âmbito da OMC,
como o Acordo TRIPs, que previu para os países desenvolvidos
o prazo de 1 ano para implementação, para os "em
desenvolvimento" o prazo de 5 anos e para os LDCs o prazo
de 10 anos.

Preparado por: Elsa Alfai 208


Princípio do Tratamento Nacional
• Este Princípio condena a discriminação entre o produto nacional e o
estrangeiro no que diz respeito ao comércio de bens, serviços
(artigo XVII do GATS) e propriedade intelectual (artigo III do Acordo
TRIPs).

• Quando um produto estrangeiro entra no País, deverá receber o


mesmo tratamento que o similar nacional no que concerne às leis,
regulamentos ou requerimentos que afetem sua venda interna,
oferta, aquisição, transporte, distribuição e uso, taxas, impostos,
regulamentos técnicos, exigências de embalagem, selos ou
etiquetas e requerimentos relativos à proteção da saúde são fatores
que podem causar discriminação entre produtos similares.

• Temos casos de tratamento especial e diferenciado quando é


conferido aos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos
concessões comerciais não-recíprocas, bem como de disciplinas e
obrigações específicas no que se refere ao sistema multilateral de
comércio.

Preparado por: Elsa Alfai 209


Restrições Quantitativas
• São medidas que limitam o valor ou o volume de importação
de um determinado produto, podendo indicar também as
quantidades que cada País pode importar individualmente.
• O Artigo 2 do TRIMS refere que “sem prejuízo dos outros
direitos e obrigações previstos no GATT 1994, nenhum
Membro aplicará qualquer TRIM que seja incompatível com
o disposto nos artigos III ou IX do GATT 1994”.
• São exemplos de restrições quantitativas: quotas de
importação, quotas tarifárias, restrições voluntárias à
exportação e outros acordos de restrição voluntária.
• O artigo XI do GATT proíbe o seu uso (com algumas
excepções).

Preparado por: Elsa Alfai 210


Restrições Quantitativas
Restrições Voluntárias à Exportação:
• Restrição voluntária à exportação é uma forma de restrição
quantitativa em que o país exportador limita as exportações de
determinado produto. Desta forma, o país exportador apropria-se de
ganhos advindos da restrição voluntária ao importador, sendo que
tais ganhos não seriam passíveis de apropriação quando da
imposição de tarifas de exportação.

• As restrições voluntárias à exportação foram muito empregadas nos


anos de 1970 e 1980, especialmente para calçados, automóveis e
autopeças. Tais restrições são proibidas pelo artigo XI do GATT,
com as reformulações estabelecidas na Ronda de Uruguai.

Preparado por: Elsa Alfai 211


Restrições Quantitativas
• As quotas de exportação são restrições quantitativas sobre as
exportações de um determinado país. Elas são utilizadas,
principalmente, a fim de promover a implementação dos processos de
restrição voluntária à exportação.
• As quotas de importação são as formas mais simples de restrição
quantitativa. Consistem na limitação da quantidade de produto
importado a um valor pré-estabelecido. São alocadas sob a base
global ou específica e possuem um sistema de administração e
licenciamento, que pode variar do leilão à concessão discricionária.
• As quotas tarifárias são uma forma de restrição quantitativa. Esse
sistema é constituído pela aplicação de uma tarifa de importação
(tarifa intra-quota) mais baixa sobre uma quantidade de produto pré-
determinada (quota), aplicando-se outra tarifa, mais alta que a
primeira, para importações acima dessa quantidade (tarifa extra-
quota).

Preparado por: Elsa Alfai 212


Obstáculos técnicos ao comércio
• Os regulamentos e padrões técnicos são importantes e variam de País para País.
A existência de uma multiplicidade de padrões técnicos pode criar dificuldades ao
comércio e podem ser usados como medidas proteccionistas.
• Mas estes padrões técnicos são necessários a protecção da saúde humana,
protecção do ambiente, criam segurança no consumidor.
• Surgem pelo reconhecimento que os sistemas internacionais de normalização e
de avaliação da conformidade podem prestar um contributo importante nesta
matéria, aumentando a eficácia da produção e facilitando o comércio
internacional.
• A abordagem e eliminação destes obstáculos visa incentivar o desenvolvimento
dos sistemas internacionais de normalização e de avaliação da conformidade.
• Regulado pelo Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (TBT sigla em
inglês) que faz parte dos acordos multilaterais do GATT visa garantir que os
regulamentos técnicos e normas, incluindo os requisitos relativos à embalagem,
marcação e rotulagem, bem como os procedimentos de avaliação da
conformidade com os regulamentos os e normas, não criem obstáculos
desnecessários ao comércio internacional.

Preparado por: Elsa Alfai 213


Obstáculos técnicos ao comércio
• Todos os produtos, incluindo os produtos industriais e os produtos agrícolas
ficam sujeitos as regras do TBT.

• O Acordo da OMC, TBT refere que os membros assegurarão o principio do


tratamento nacional em matéria de regulamentos técnicos.

• Os regulamentos técnicos não devem ser elaborados, adoptados ou aplicados na


perspectiva ou com o efeito de criar obstáculos desnecessários ao comércio
internacional
• A melhoria da qualidade é uma componente importante para que Moçambique
possa competir a nível internacional. Deste modo, há necessidade de criação de
condições para que a estrutura de normalização de qualidade funcione.

• Em Moçambique, as questões relativas a qualidade são tratadas pelo Instituto


Nacional de Normalização de Qualidade (INNOQ), criado 3 pelo Decreto n°
02/93, de 24 de Março.

Preparado por: Elsa Alfai 214


Obstáculos técnicos ao comércio
• O INNOQ tem na sua estrutura o Conselho Nacional da Qualidade com a
responsabilidade de estabelecer e coordenar a política nacional de qualidade
através das componentes de normalização, metrologia, certificação e gestão de
qualidade, harmonizando as consideradas de interesses de Estado, do produtor
e do consumidor
• O fortalecimento do INNOQ em termos de recursos humanos com capacidade
técnica que possa a nível interno, regional e internacional garantir a elaboração
de normas, o seu acompanhamento e a certificação de qualidade, assim como a
criação de melhores condições de trabalho, colocam-se como desafios.
• Tendo se referido a necessidade de promover uma política de promoção das
exportações e a substituição de importações dos serviços, especialmente no que
se refere a transferência de habilidades, é importante que os aspectos
relacionados com a garantia da qualidade dos serviços estejam salvaguardados
e que haja um investimento substancial na criação do capital humano na
elaboração, análise e monitoria das normas na área de qualidade.

Preparado por: Elsa Alfai 215


Medidas sanitárias
• Como garantir que os países adquirem produtos adequados aos consumo
humano?

• Como garantir que a aplicação destas normas nacionais não se transforme


em um instrumento proteccionista?

• Na OMC foi definido aquando da sua criação, um Acordo sobre as Medidas


Sanitárias e Fitossanitárias, Acordo denominado na sigla inglesa por SPS.

• Este é um Acordo que prevê cláusulas que visam salvaguardar a saúde humana,
animal e vegetal.

• O Acordo faz parte da agenda da OMC, cujo objectivo é reduzir ou eliminar


barreiras ao comércio agrícola. Todos os países têm normativas para garantir
que os alimentos comercializados sejam não lesivos para os consumidores,
assim como para controlar a sanidade animal e preservar os seus recursos
vegetais.
Preparado por: Elsa Alfai 216
Medidas sanitárias
• O Acordo SPS reconhece a autoridade de três organizações internacionais neste
âmbito: a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a Convenção
Internacional de Protecção Fitossanitária (CIPF) e a Comissão do Codex
Alimentarius- FAO.

• Segundo o acordo SPS, as medidas sanitárias e fitossanitárias devem ser


baseadas na aplicação racional e científica sendo uma ferramenta útil para este
fim é a análise de risco.

• Os países devem realizar uma avaliação apropriada dos riscos reais existentes
e, se for solicitado, divulgar os factores levados em consideração, os
procedimentos de avaliação usados e o nível de risco que eles consideram
aceitável.

• Estimula-se o uso da avaliação sistemática de riscos com respeito a todos os


produtos que poderiam ser objecto de aplicação de medidas sanitárias e
fitossanitárias.

Preparado por: Elsa Alfai 217


Excepções gerais
• Artigo XX, as medidas aplicadas não devem servir de forma
de descriminação arbitraria ou injustificada entre países.
• Podem ser aplicadas medidas que visam proteger a
moralidade pública.
• Protecção da saúde e da vida das pessoas e dos animais ou
a preservação de vegetais.
• Importação ou exportação de ouro ou de prata.
• Aplicação de leis não incompatíveis.
• Outros artigo XX.
• Artigo XXIII GATT excepções respeitantes a segurança,

Preparado por: Elsa Alfai 218


Jun 7, 2022
Medidas de defesa comercial
• Medidas de Salvaguarda
• Os direitos Anti-dumping
• Os direitos compensadores e o regime das
subvenções

Preparado por: Elsa Alfai 219


Medidas de defesa comercial
• De modo a responder a pressão dos produtores, muitos Estados
membros da OMC legislaram o uso de medidas de defesa comercial
sendo estes mecanismos usados para a defesa da indústria nacional de
modo a garantir a competitividade das suas indústrias.

• Estas medidas tem sido uma resposta eficaz a competitividade das


importações, visam defender os interesses da indústria e dos
exportadores no mercado nacional e internacional, contra prácticas
desleais de comércio tendo assim por objectivo actuar no combate a
barreiras, entraves e controvérsias internacionais, que tenham impacto
na indústria nacional.

• Índia, Argentina e o Brasil tem usado estas medidas com maior


frequência.

Preparado por: Elsa Alfai 220


Medidas de Salvaguarda
• Tem por base no Artigo XIX do GATT e no Acordo sobre Salvaguardas
da OMC. Permite a um membro do GATT a adopção de uma acção de
“salvaguarda” para proteger uma indústria doméstica específica de um
aumento imprevisto de importações de qualquer produto que esteja
causando ou ameace causar prejuízo grave à indústria.
• Medida provisória, em geral uma tarifa, incidente sobre importações
como forma de prevenir prejuízo à produção doméstica enquanto a
questão estiver sob investigação e até a tomada de uma decisão final.
• O seu objectivo é proporcionar protecção temporária a um sector
produtivo nacional específico, como, por exemplo: sector têxtil, sector
agrícola, etc.
• É adoptada na fronteira, em geral de natureza tarifária, que incide em
carácter provisório sobre importações de bens que causem ou
ameacem causar prejuízo grave a uma determinada indústria doméstica
que produz bens iguais ou similares.

Jun 7, 2022 Preparado por: Elsa Alfai 221


Medidas de Salvaguarda
• Proporciona o tempo necessário para que a indústria
afectada possa enfrentar um processo de ajustamento.
Geralmente é imposta após a realização de investigação na
parte importadora para determinar se o prejuízo grave ou a
ameaça de prejuízo grave afecta a indústria devido a
importações súbitas.

• Podem requerer pessoas físicas ou jurídicas com algum


interesse nas medidas de salvaguarda, tais como, por
exemplo: o peticionário, outros produtores nacionais,
associações comerciais, de negócios ou empresariais nas
quais a maioria de seus membros seja de produtores do
bem investigado, produtores estrangeiros, exportadores,
importadores, governos das partes exportadoras ou
produtoras e consumidores ou as associações que os
representem.

Preparado por: Elsa Alfai


Jun 7, 2022 222
Os Direitos Anti-Dumping
• Dumping é uma prática comercial que consiste em uma ou mais empresas de
um país venderem seus produtos por preços extraordinariamente abaixo de seu
valor justo para outro país (preço que geralmente se considera menor do que o
que se cobra pelo produto dentro do país exportador), por um tempo, visando
prejudicar e eliminar os fabricantes de produtos similares concorrentes no local,
passando então a dominar o mercado e impondo preços altos.

• Acordo Relativo à Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e


Comércio 1994, no Anexo 1 A do Acordo da OMC – acordo da OMC oriundo da
Ronda Uruguai que implementa o Artigo VI do GATT 1994.

• Medidas Antidumping - As medidas antidumping têm como objectivo neutralizar


os efeitos danosos à indústria nacional causados pelas importações objecto de
dumping, por meio da aplicação de aliquotas específicas (fixadas em US Dólares
e convertidas em moeda nacional) que visam proibir a venda de produtos no
mercado de um país a preços inferiores aos do local de origem, visando com
isso, anular a concorrência.

Preparado por: Elsa Alfai 223


Os Direitos Anti-Dumping
• As medidas anti dumping apenas devem ser aplicadas quando a indústria
nacional encontra-se afectada pelo dumping, caso contrário, a não
justificação desta medida pode se levar ao mecanismo de resolução de
disputas da OMC.

• Uma investigação aturada deve ter lugar para identificar a existência de


dumping e apresentar as evidencias, esta investigação deve considerar os
factores económicos relevantes que afectam o estado da industria em
questão.

• Artigo VI do GATT permite que os países adoptem medidas anti-dumping.


O acordo da OMC sobre medidas anti-dumping, clarifica o artigo 6 do
GATT.

• Os países que pretendam adoptar medidas antidumping devem informar


as acções preliminares ao Comite de Practicas Anti-Dumping junto a OMC.

Preparado por: Elsa Alfai 224


Os Direitos Compensadores
• Expressão "direito de compensação" significa um direito especial cobrado
com o fim de neutralizar qualquer premio ou subvenção concedidos, directa
ou indirectamente à manufactura, produção ou exportação de qualquer
mercadoria.

• Direito especial cobrado com o objetivo de compensar qualquer privilégio ou


subsídio aplicado, direta ou indiretamente, sobre a fabricação, produção ou
exportação de qualquer mercadoria.

• Tais benefícios são conferidos a fim de compensar as perdas comerciais da


Parte exportadora. Os benefícios proporcionados deveriam, de modo geral,
ter um valor comercial equivalente às perdas comerciais.

• Nenhum membro da OMC poderá cobrar qualquer direito compensatório


sobre a importação de qualquer produto do território de outro, a menos que
determine que o efeito do subsídio cause ou ameace causar prejuízo
material a uma indústria doméstica estabelecida ou atrase fisicamente o
estabelecimento de uma indústria doméstica.

Preparado por: Elsa Alfai 225


Regime das Subvenções
• Considera-se que existe uma subvenção, por um lado, se existir uma
contribuição financeira dos poderes públicos ou se existir uma forma qualquer de
apoio das receitas ou dos preços ao abrigo do artigo XVI do acordo do GATT de
1994 e, por outro lado, se assim se conferir uma vantagem.

• Existe uma contribuição financeira quando:


– uma medida dos poderes públicos inclui uma transferência directa de fundos
(subsídios, empréstimos, injecções de capital) ou potenciais transferências
directas de fundos ou de responsabilidades (garantia de empréstimo);
– os poderes públicos não procedam à cobrança (créditos fiscais);
– os poderes públicos forneçam bens ou prestem serviços que não constituam
infra-estruturas gerais ou adquiram bens;
– os poderes públicos efectuem pagamentos a um mecanismo de
financiamento ou atribuam a um organismo privado o exercício de executar
várias funções que normalmente incumbiriam aos poderes públicos.

Preparado por: Elsa Alfai 226


Regime das Subvenções
Subvenções passíveis de medidas de compensação
• Uma subvenção apenas é sujeita a medidas de compensação se tiver
carácter específico a uma empresa ou a um grupo de empresas ou de
indústrias. Existe carácter específico caso a entidade que concede a
subvenção limite expressamente a certas empresas o acesso à
subvenção.
• Além disso, o Anexo I do regulamento contém uma lista de exemplos de
subvenções às exportações consideradas específicas.
• Por outro lado, o regulamento define as subvenções que não estão
sujeitas a medidas de compensação. É assim no caso de subvenções
não específicas ou de subvenções que, embora sendo específicas,
incidem sobre actividades de investigação, são concedidas a regiões
desfavorecidas ou favorecem a protecção do ambiente.

Jun 7, 2022 Preparado por: Elsa Alfai 227

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