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Ensino Básico - Introdução

O ensino básico é o alicerce da aprendizagem futura dos alunos.


Constitui fundamento sobre o qual a sociedade, de acordo com
as suas oportunidades e recursos, desenvolvem possibilidades de
aprendizagem, suas habilidades, fomenta valores, atitudes e
adquire conhecimentos fundamentais e essenciais para a vida.
O que se pretende é o que o aluno trabalhe habilidades que
permitam a comunicação adequada, a leitura e a escrita, que
aprenda a resolver operações e problemas aritméticos básicos,
que saiba aplicar o conhecimento as situações quotidianas, que
solucione problemas quotidianos, que desenvolva
comportamentos sociais e democráticos que lhe permitam
estabelecer relações harmoniosas com os seus semelhantes.
Ensino Básico - Introdução

Saber ler, escrever e compreender o que está escrito são habilidades


indispensáveis, apenas para uma comunicação adequada, mas também
para que o aluno possa continuar aprendendo e se desenvolvendo.
Nesse sentido, o ensino básico deve estimular atitudes de cooperação, de
participação, de comportamento, de tolerância à diversidade, de resolução
de conflitos de forma harmoniosa, de solidariedade, de ajuda mútua, de
trabalho coletivo, tudo isso, de preferência, a partir de vivências concretas
e bons exemplos.
Os alunos devem ser capazes de aprender observando a sua realidade,
descrevendo-a e reflectindo sistematicamente sobre o que observam, uma
vez que essa prática desenvolve a capacidade de pensar por conta própria
e facilita a aquisição de conhecimentos essenciais que devem estar
relacionados à diversidade de temas a serem desenvolvidos durante a
vivência.

 
Ensino Básico - Moçambique

Os planos de trabalho propostos no ensino básico com os


conhecimentos linguísticos prioriza a ortografia e a gramática.
Quanto à grafia das palavras, são abordadas as regularidades e
algumas irregularidades ortográficas, o uso de maiúsculas, a
divisão silábica e a acentuação gráfica. Os conteúdos
gramaticais enfocados referem-se: às classes de palavras, com
suas subclassificações e flexões (por exemplo: substantivos,
adjectivos, artigos, pronomes, verbos, substantivos colectivos,
adjectivos pátrios, masculino e feminino, singular e plural,
presente, passado e futuro); à formação de palavras (alguns
prefixos e sufixos); e à concordância nominal e verbal .
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A pontuação também é explorada. Com menor frequência, focalizam- se


alguns aspectos semânticos: sinonímia e antonímia, diminutivo e
aumentativo, com seus valores afectivos e pejorativos. O funcionamento
dos recursos linguísticos no texto e nas relações texto-contexto só,
excepcionalmente, é abordado na colecção. A variação da linguagem,
segundo o grau de formalidade da situação e segundo a região e a classe
social do falante, não é trabalhada.
Quanto às competências, exige-se que o aluno possa expressar-se,
oralmente e por escrito, em diferentes situações; ler e interpretar
mensagens de natureza diversa; produzir mensagens orais e escritas de
forma criativa; usar a língua como meio de acesso à ciência; participar
em situações de intercâmbio sócio-cultural, económico e político;
manifestar atitudes moral e civicamente corretas (INDE, 2003).
Ensino Básico - Moçambique

Há grande recorrência de exercícios de aplicação de regras


ortográficas e de noções gramaticais e, embora sejam
propostas algumas actividades lúdicas, de maneira geral,
os exercícios apresentam pouca variação na formulação e
na abordagem, o que pode tornar o trabalho cansativo.
O encaminhamento metodológico predominante nos
planos temáticos está mais voltado para a transmissão dos
conteúdos gramaticais. As oportunidades de reflexão estão
presentes nos rápidos convites à observação e em alguns
momentos de condução a generalizações e sistematizações
dos conhecimentos trabalhados.
Ensino Básico - Moçambique

A linguagem falada é explorada na oralização de textos escritos


(leitura em voz alta, dramatização) e também nas propostas de
debates na sala de aula, actividades que pouco contribuem para o
desenvolvimento das capacidades de produção e compreensão dos
géneros orais presentes em diferentes práticas sociais de uso
público da linguagem.
Os recursos gráficos, nos três ciclos, são bastante funcionais: a
anteposição de sumários iniciais oferece uma visão geral das
unidades e a hierarquização dos títulos e subtítulos indica
adequadamente as diversos componentes. A obra recorre a
diferentes linguagens e distribui de maneira equilibrada imagens e
textos.
Ensino Básico - Moçambique

A leitura e escrita constituem necessidades básicas de


aprendizagem que mais se destacam, porque são competências
básicas e imprescindíveis para a formação do pensamento e
espírito crítico do indivíduo, e que possibilitam ter acesso a outros
conhecimentos e continuar aprendendo ao longo da vida.
Sendo assim, considera-se que se estas competências não forem
devidamente adquiridas e desenvolvidas a partir dos primeiros
anos de escolaridade, os alunos podem enfrentar problemas que
podem impedir a sua progressão nos níveis subsequentes de ensino
– aprendizagem ou até mesmo na sua vida profissional. Pois,
muitas das habilidades requeridas pelo mundo do trabalho
pressupõem um domínio destas competências.
Ensino Básico - Moçambique

Buendia (2010) refere que o fracasso escolar, constitui um


fenómeno social complexo, porque são muitos os factores que
o provocam. Dentre outros factores destaca-se sem dúvida, que
haja uma relação directa com a aprendizagem inadequada da
leitura e da escrita. Parte- se do pressuposto de que aqueles
indivíduos com dificuldades de leitura dificilmente
desenvolverão o gosto por ela, porque, sem o domínio dessa
competência, o acto de ler torna-se uma tarefa penosa, não
atractiva. Nestas condições, logicamente, ficam muito
limitadas às possibilidades de desenvolvimento intelectual e
cultural, pré-requisito para a participação consciente nas
sociedades do nosso tempo.
O Sistema Nacional de Educação

O Sistema Nacional de Educação (SNE) estabelece como um dos seus


objectivos gerais fundamentais a erradicação do analfabetismo, “de
modo a proporcionar a todo o cidadão o acesso ao conhecimento
científico e o desenvolvimento pleno das suas capacidades”. O SNE
deve, ainda, “proporcionar uma formação básica nas áreas da
comunicação, ciências, meio ambiente e cultural”.
Nesse domínio, cabe ao Ensino Básico “desenvolver a capacidade de
comunicar claramente (…) em Língua Portuguesa, tanto na escrita
como na oralidade”. Em decorrência desse objectivo, o aluno, que
tenha concluído o ensino básico, deve ser capaz de “comunicar
oralmente e por escrito, de forma clara, em Língua Portuguesa”
(INDE/MINED, 2003a:19-22)
Para implementar esses objectivos e desenvolver
esse perfil no domínio da comunicação em língua
portuguesa, são definidos pelo Documento
Curricular do Ensino Básico os objectivos gerais
para a disciplina de Português.
Destacam-se aqui, os objectivos terminais
directamente ligados à aprendizagem da língua e a
sua utilização. No fim do ensino básico, os alunos
deverão ser capazes de:
Objectivo s do SNE para o EB

• Usar a língua como instrumento para a • Compreender mensagens orais relacionadas


compreensão da realidade; com diversas situações do quotidiano;
• Assumir uma atitude crítica em relação à • Usar as formas de comunicação, oral e
realidade; escrita, em situações relacionadas com a
• Exprimir as suas ideias oralmente e por escrito; vida na sua comunidade;
• Ler textos diversos relacionados com situações • Falar sobre aspectos culturais da sua
da vida sócio- económica e cultural do país e do comunidade;
mundo;
• Desenvolver o hábito e o gosto pela leitura; • Contar oralmente histórias relacionadas com
a comunidade em que vive;
• Compreender as regras de organização e
funcionamento da língua; • Ler pequenos textos relacionados com a vida
• Aplicar as regras de organização e sócio-cultural;
funcionamento da língua. Relativamente ao EP1 • Escrever pequenos textos relacionados com
(1.ª-5.ª classes) os objectivos gerais para a a comunidade em que vive;
aprendizagem do português são, de entre vários, • Desenvolver o gosto pela leitura.
os seguintes:
• Usar regras elementares de funcionamento
• ´Reconhecer que a língua é um instrumento de
comunicação e de intercâmbio social e cultural; da língua.
Objectivos do SNE para o EB

São estes os objectivos estabelecidos pelo Currículo do Ensino Básico


que devem orientar o processo de ensino-aprendizagem da língua
portuguesa, isto é; as diferentes actividades educativas desenvolvidas
em sala de aula, que incluem a avaliação formativa, cujo objectivo é a
verificação quotidiana do desempenho dos alunos, isto é, averiguar se
esses objectivos estão ou não a ser atingidos.
Existe uma grande distância entre o que o currículo, por um lado,
preconiza relativamente ao domínio da língua portuguesa e, por outro
lado, o desempenho de grande parte dos alunos do Ensino Básico. É
certo que sempre podem ser constatadas diferenças ou distâncias entre o
que se idealiza o que deva ser aprendido e o que se consegue que os
aprendentes realmente acabem por apreender.
Objectivos do SNE para o EB

É por essa razão que especialistas de currículo chamam a atenção para a


necessidade de se redefinir o que é básico, isto é; o que é imprescindível no
currículo da Educação Básica.
As avaliações disponíveis assim como as constatações de diferentes
supervisões pedagógicas confirmam uma grande distância entre a
aprendizagem preconizada pelo currículo do Ensino Básico e o que os
alunos conseguem, efectivamente, aprender. Grande número de professores
e directores de escola, principalmente nas zonas rurais, considera que os
alunos passam de classe sem terem adquirido as competências exigidas pelo
currículo.
Por outro lado, percebe- -se na sociedade, em geral, e nos pais ou
encarregados de educação, em particular, certo descontentamento,
relativamente ao desempenho dos alunos do ensino primário na
aprendizagem da leitura e escrita.
Língua Portuguesa – Período Colonial
 O registo da institucionalização do Português data do período colonial.
 A política linguística do governo colonial valorizava os indivíduos que
falassem correctamente o Português.
 Os esforços do governo colonial no ensino do Português aos nativos
estavam associados ao facto de as colónias serem províncias
ultramarinas e parte integrante do chamado império Português.
 A ideia de transformar a escola num lugar aprazível para todos, num
espaço comum, e a escolha do Português como língua de ensino num
universo plurilinguístico resultou de um processo político totalitário de
socialização, que visava a uniformização do imaginário colectivo.
Português Língua Oficial – Desde a Luta Armada

 O Português é a língua oficial do país, uma decisão que remonta desde a época
de libertação nacional. Desde a sua criação em 1962, a Frente de Libertação de
Moçambique (FRELIMO) escolheu o Português como língua oficial na luta
contra o colonialismo Português.
 A escolha de uma das línguas moçambicanas seria uma medida arbitrária que
poderia ter consequências graves. Há cerca de 39 línguas moçambicanas, uma
língua envolve uma cultura. Haveria espaço para lutas tribais no país.
 Além disso, as instalações técnicas e o número de pessoal à nossa disposição
não permitiu realizar de forma satisfatória o tipo de pesquisa necessária para
tornar as línguas nacionais operacionais, especialmente no campo da ciência.
• Daí a obrigação a usar o Português como língua de instrução e comunicação
entre nós.
Português Europeu ≠ Português de Moçambique

 No Português de Moçambique há alterações que parecem constituir efeitos visíveis de


mudanças mais profundas em relação ao Português Europeu
 A variedade-alvo escolhida como norma pedagógica não é congruente com a norma
que é usada pela maioria dos falantes.
 Em Moçambique, verificamos uma tendência de moçambicanização do português,
resultado natural de contacto de línguas.
 Nós “nacionalizámos” a LP, mas continuamos com as regras da gramática usada em
Portugal. Todavia, temos vindo a observar que na expressão quotidiana, jornalistas,
apresentadores de programas, políticos e até professores falam como o cidadão
comum, sem o rigor que as regras da gramática exigem.
 Parece também haver um compromisso ou acordo orientando as pessoas a falarem de
um certo modo. Na verdade, o que existe é o espaço comum e uma língua a ser usada
de forma diferente. É o Português de Moçambique. [...]
Estudos Realizados sobre a Mudanças do Português em Moçambique

Tudo isto nos leva a reflectir sobre a nossa variedade linguística e o seu funcionamento.
Estudos já realizados sobre o Português de Moçambique tiveram como foco na:
Morfologia e a Sintaxe (Perpétua Gonçalves)
 Política linguística (Armando J. Lopes e Gregório Firmino).
A necessidade da elaboração da Norma do Português de Moçambique tem suscitado
vários estudos e discussões na sociedade moçambicana.
Estudos realizados por Firmino (1987; 1994), Gonçalves, et. al. (1986), Gonçalves
(1990), Gonçalves e Stroud (1997; 2000) e Dias (2002; 2004), referem que o Português
falado em Moçambique é uma variedade distinta da europeia.
Neste contexto, a discussão sobre a aprendizagem da LP leva-nos a afirmar que o
sistema educativo moçambicano enfrenta problemas de natureza linguística e
normativa.
Nativização do Português em Moçambique
 Gregório Firmino fala de indícios da nativização do Português
em Moçambique:
 As inovações que caracterizam a língua portuguesa em
Moçambique abrangem múltiplas dimensões. Dou alguns
exemplos, citando um texto do nosso moderador:
 As palavras e expressões sograria (casa dos sogros); cortar o
ano (réveillon); falar-alto (subornar/corromper); wasso-wasso
(feitiçaria para amar alguém); tchapo-tchapo (rápido); pasta
(mochila); machamba (horta, roça); madala (idoso); baraca
(lanchonete).
Massificação, Equidade e Desigualdade no Ensino

A massificação do ensino refere-se à expansão quantitativa da


escolarização em cada nível do sistema educativo (que era para
poucos e passa a ser para muitos).
Equidade está relacionada à ideia de reduzir as desigualdades
que são geradas por diversos fatores sociais e econômicos e que
podem levar a diferenças na aprendizagem ao se comparar
diferentes grupos. ... A promoção da equidade pode ser feita por
políticas afirmativas, que garantem acesso a oportunidades iguais
Quando falamos de desigualdade escolar estamos falando sobre
as diferenças nos resultados de aprendizagem e, portanto, da
necessidade de um olhar atento para as políticas públicas
educacionais que busquem reduzir essa desigualdade.

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