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I IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DAS PESSOAS

SINGULARES - IRPS
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INCIDÊNCIA PESSOAL (artos 18 a 25):


I

Pessoas singulares – Enquadramento de empresas em nome


individual;

ÂMBITO DA SUJEICÃO (ART 20)


 Residentes – Obrigação pessoal – Tributação de base mundial
 Não residentes – Obrigação real – Rendimentos obtidos em

Moçambique
 Conceito de residente (arto 21)
 Rendimentos obtidos em Moçambique (art o 22)
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INCIDENCIA PESSOAL – AGREGADO FAMILIAR (ARTO 18)


INCIDÊ

Por cada um cônjuges, pai ou mãe e adoptante não casado


+ dependentes a seu cargo.

Dependentes (no 4)
a) Filhos, adoptados e enteados, menores não emancipados;
b) Filhos, adoptados e enteados, maiores, até 25 anos, com rendimento aanual não
superior ao mínimo previsto no artigo 56, tenham frequentando a 12 classe ou
superior ou a cumprir serviço militar obrigatório;

c) Filhos, adoptados e enteados, maiores inaptos, com rendimento anual não


superior ao ao mínimo previsto no artigo 56
d) Menores sob tutela, que não aufiram rendimentos;
e) Os ascendentes a cargo do sujeito passivo quando não aufiram um rendimento
anual não superior ao mínimo previsto no artigo 56.
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IINCIDÊNCIA REAL – NATUREZA DO IMPOSTO (ARTO


1)
Imposto directo, sobre o rendimento global anual, pessoal e
progressivo.
Na fase analítica de apuramento do IRPS, existem regras
específicas para cada tipo de rendimento.
Categorias de rendimento
Primeira: rendimentos de trabalho dependente, pensões e rendas
vitalícias;
Segunda: rendimentos empresariais e profissionais;
Terceira: rendimentos de capitais e de mais-valias;
Quarta: rendimentos prediais;
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INCIDÊNCIA REAL – PRIMEIRA CATEGORIA (ARTO 2)


Remunerações pagas ou colocadas à disposição, provenientes de:
1. Trabalho dependente;
a) Trabalho por conta de outrem – contrato individual de trabalho
b) Cotrato de aquisição de serviços, sob a autoridade e a direcção
do adquirente;
c) Função, serviço ou cargo público
d) Pré-reforma, pré - aposentação ou reserva
2. Pensões: pensões, subvenções, rendas temporárias ou vitalícias
(arto 5).

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Primeira categoria – Remunerações acessórias (arto 3):

Conceito: Direitos, benefícios ou regalias, devidos pela prestação de trabalho ou


em conexão com esta, tais como:

a) Abonos de família e prestações complementares na parte que excedam os


limites legais;
b) Subsídio de refeição, na parte que excedam os limites legais;
c) Subsídio de residência ou equivalente ou utilização de casa de habitação
fornecida pela entidade patronal, excepto casas próprias localizadas no recinto
do empreendimento ;
d) Utilização de viatura automóvel que gere encargos para a entidade patronal
quando exista acordo de imputação ao trabalhador, da referida viatura;
e) Viagens e estadas de turismo e similares não conexas com as funções;
f) Impostos e outros encargos legais devidos pelo trabalhador;
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Primeira categoria – Outros rendimentos de trabalho dependente (arto 4)

a) Remunerações de membros de órgãos Estatutários das pessoas colectivas;


b) Importâncias que os empresários em nome individual escriturem como
remuneração do seu trabalho ou agregado familiar;
c) Abonos para falhas na parte que exceda 5% da remuneração fixa;
d) Ajudas de custo e pagamento pela utilização de automóvel próprio, na
parte que excedam os limites legais;

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Primeira categoria – Outros rendimentos de trabalho dependente (arto


4) (CONT.)

e) Verbas para deslocação, viagens ou representação de que não


sejam prestadas contas até ao termo do exercício;

f) Indemnizações pela constituição, extincaõ, ou modificação da


relação jurídica que origine rendimentos de trabalho subordinado,
pelo incumprimento de condições contratuais e pela mudança de
local de trabalho;

g) Gratificações pela prestação de trabalho, por quem não é a


entidade patronal.
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DETERMINACÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL

Rendimentos de trabalho dependente – Deduções ao


rendimento bruto (arto 29, alteração introduzida pela Lei nº
20/2013 de 23 de Setembro):

Para a determinação do rendimento da primeira categoria


não se efectua quasquer dedução, pelo que o rendimento
bruto é que constitui a matéria colectávelQuotizações
sindicais;
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2a Categoria – Rendimentos Empresariais e Profissionais


(artos 8 e 9)

1. Actividade por conta própria de prestação de serviços (n.2, b));


2. Propriedade intelectual ou industrial, ou prestação de informações,
auferido pelo titular originário (n. 2, c) e n. 5);
3. Actividades artísticas, desportivas e culturais ( n.2,d))
E ainda os seguintes rendimentos imputáveis ou conexos:
Prediais, capitais, mais-valias, indemnizações, cessão temporária de
estabelecimento, subsídios ou subvenções, actos isolados (n. 4).
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2a categoria – determinação do rendimento líquido (arto 30)

 Contabilidade organizada – regras do IRPC (arto 34).


Obrigatório para contribuintes com volume de negócios no ano
anterior não inferior a 2.500.000,00 MT (arto 74). Opção para
restantes contribuintes no início de actividade ou Marco do ano
respectivo (arto 33, n.4);

 Regime simplificado de escrituração – com base nos valores


constantes dos livros previstos no arto 73;
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 Regime simplificado de determinação do rendimento


colectável (arto 33)
 Vendas de mercadorias e produtos, coeficiente 0,20
 Alojamento, restauração e bebidas, coeficiente 0,20
 Restantes casos, coeficiente 0,30
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2a categoria – Determinação do rendimento líquido (cont.)

Encargos não dedutíveis (arto 35)


 Princípio da indispensabilidade;

 Os previstos no CIRPC

 Deslocações, viagens ou estadas do s. p. ou membro do


agregado familiar, que com ele trabalhe, no que excede
10% dos proveitos;
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 Encargos com a habitação, também afecta à actividade


empresarial ou profissional, na parte que excede 25% dos
proveitos;
 As despesas ilícitas;
 As remunerações dos titulares de rendimentos ou de membros
do seu agregado familiar, incluindo outras prestações de
natureza remuneratória (ajudas de custo, utilização de viatura,
subsídio de refeição…) não incluídas na alínea b) do arto 4.
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2a categoria – determinação do rendimento líquido (cont.)

Dedução de prejuízos: Em um ou mais dos cinco anos


posteriores (remissão para o artigo 41 do CIRPC);
excepção:
 Aplicação dos métodos indirectos

 Em caso de morte do contribuinte (empresário, trabalhador

independente…), a dedução de prejuízos fiscais só aproveita


ao seu sucessor (arto 35);
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2a categoria – Determinação do rendimento líquido (cont.)

Aplicação de métodos indirectos (arto 38)


Princípio subjacente: Quebra da relação fiduciária entre o fisco e as
declarações e registos do contribuinte (arto 30, n.1-a) do CIRPS e arto
16, n.1 do CIRPC).

Aplicação por ocorrência dos seguintes factos:


 Inexistência, falta, atraso ou irregularidade da contabilidade ou dos
livros de registo;
 Recusa de exibição, ocultação, destruição, inutilização, falsificarão ou
viciação da contabilidade ou dos livros de registo e documentação de
suporte;
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Aplicação por ocorrência dos seguintes factos:

 Existência de diversas contabilidade ou grupos de livros com


o propósito de dissimular a realidade perante a Administração
Tributária;
 Erros ou inexactidões no registo das operações;
 Indícios seguros de que a contabilidade ou os livros de registo
não reflectem a exacta situação patrimonial e o resultado
efectivamente obtido.
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Incidência Real

Terceira categoria – Rendimentos de Capitais e mais-valias (artos 10 e 13


Rendimentos de Capitais

Conceito de rendimentos de capitais


1. Juros: de obrigações, reporte, mora ou dilação do vencimento, mútuos,
aberturas de crédito e de outros contratos que proporcionam a título
oneroso a disponibilidade temporária de dinheiro ou outras coisas
fungíveis, suprimentos, juros apurados ou lançados em conta corrente e
instrumentos de aplicação financeira, como letras, livranças e outros
títulos de créditos negociáveis, enquanto utilizados como tais.
2. Lucros: das entidades sujeitas a IRPC colocados à disposição dos
sócios, adiantamentos por conta de lucros, com exclusão dos referidos
no artigo 23 do CIRPC.
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18 Incidência real

Terceira categoria – Rend. Capitais e mais-valias (arto 10 e 13)


Rendimentos de capitais (cont.)

3. Outros rendimentos – partilha do património de sociedades; utilização


temporária da propriedade intelectual, industrial, prestação de informações,
auferidos por quem não é o titular originário, bem como os derivados de
assistência técnica. Concessão do uso de equipamento agrícola, industrial,
comercial ou científico, que não sejam rendimentos prediais; cedência de
equipamentos e redes informáticas, incluindo transmissão de dados ou
disponibilizacão de capacidade informática instalada. Swaps e instrumentos
financeiros.

4. Quaisquer outros rendimentos derivados da simples aplicação de


capitais
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Terceira categoria – Rendimentos de Capitais (cont.)

Facto Gerador:

1. No vencimento: juros de mútuos, abertura de crédito e de contratos que


proporcionem a título oneroso a disponibilidade temporária de dinheiro
ou outras coisas fungíveis; de depósitos bancários, obrigações, letras,
livranças, de suprimentos, abonos ou adiantamentos de capital, feitos
pelos sócios à sociedade ou juros pelo não levantamento de lucros;
juros de mora ou pela dilação do vencimento.
2. Colocação à disposição: lucros distribuídos aos sócios, valor da
partilha do arto 60 do CIRPC, das unidades de participação em fundos
de investimento, na associação em participação e associação à quota.
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Terceira categoria – Rendimentos de Capitais (cont.)

Facto gerador:

3. Apuramento do quantitativo: rendimento do reporte, reembolso


antecipado de depósitos bancários, saldo de juros apurados ou lançados
em contas-correntes, cessão temporária de direitos de propriedade
intelectual ou industrial, experiência adquirida e assistência técnica, cessão
do uso de equipamento industrial…, equipamentos e rede informática,
rendimentos derivados de simples aplicações de capitais.

Determinação do rendimento líquido – não há deduções. Logo, o


rendimento líquido é igual ao rendimento bruto (arto 39).
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Terceira categoria – Mais-valias (arto 13)

Facto gerador:

Os ganhos que não sendo rendimentos de capitais, ou da 2a ou 4a categorias,


resultem de:
a) Alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis e afectação de
bens do património particular à actividade do empresário em nome
individual;
b) Alienação onerosa de partes sociais e de outros valores mobiliários;
c) Alienação onerosa de propriedade intelectual ou industrial, know-how,
por titular não original;
d) Cessão onerosa de posições contratuais ou outros direitos de contratos
relativos a imóveis;
e) Instrumentos financeiros derivados
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Incidência real e determinação do rendimento líquido

Terceira categoria – mais-valias

Ganhos de alienação de imóveis (arto 13, n. 1-a))

Cálculo das mais-valias:

V. Realização - [(valor aquisição × correcção monetária) + despesas de


venda] – arto (41, 42, 43, 44, 46, 47)

Tributação: Por englobamento de 50% do saldo anual entre mais e menos-


valias (no 2, artigo 40)
No restante rendimento anual (arto 40, n.2). Tributação pelas taxas do arto 54)
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Incidência e determinação do rendimento líquido – Terceira categoria

Mais-valias- Partes Sociais, valores mobiliários (arto 13, n. 1 – b)

Cálculo das mais-valias (artos 41, 42, 45, 47- b)):

V. Realização – (V. Aquisição + despesas de alienação)

Tributação: Por englobamento no rendimento global de (n. 3, arto 40):

Durante 12 meses – 100% do saldo

Entre 12 e 24 meses – 85% do saldo

Entre 24 e 60 meses – 65% do saldo

>60 meses – 55% do saldo

Casos particulares: n. 4, arto 40


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Incidência real e determinação do rendimento líquido

Terceira categoria – Mais-valias (arto 13, n. 1-c)

Ganhos de alienação da propriedade intelectual ou industrial:

Cálculo das Mais-valias (arto 41, 42, 46, 47 – b)):

V. Realização – (V. aquisição + despesas inerentes à alienação)

Tributação: Por englobamento de 50% do saldo (n. 2, arto 40)


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Quarta categoria – Rendimentos prediais (arto 15)

Incidência real e determinação da matéria colectável

Facto gerador: Recebimento ou colocação à disposição de rendas.

Conceito amplo de renda (n. 2)

Deduções ao rendimento predial bruto:


 Despesas de conservação e manutenção;

 Juros de empréstimo para a aquisição do imóvel;

 Imposto predial autárquico;

 Encargos com condomínio

NOTA: na sublocação não há deduções


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Quinta categoria – Outros Rendimentos (arto 16)

Incidência

1. Ganhos em numerário de jogos de diversão social; nomeadamente,


lotarias, rifas, apostas mútuas, loto, bingo, sorteios, concursos…
2. Incrementos patrimoniais, não integrados noutras categorias
a) indemnizações para reparação de danos emergentes não
comprovados e de lucros cessantes;
b) Importâncias recebidas em virtude de obrigações de não-
concorrência;
c) Acréscimos patrimoniais não justificados, determinados de forma
indirecta.

Determinação da matéria colectável: não há deduções ao rendimento bruto


(art 49)
o

Tributação: jogos = retenção na fonte (arto 57);


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Dedução de perdas (arto 50)

Resultados líquidos negativos da segunda e terceira categorias


só poderão ser deduzidos durante os 05 anos seguintes aos
rendimentos líquidos das mesmas categorias ( n o 2).

Excepções
 Na segunda categoria, as perdas de actividades agrícolas,
silvícolas e pecuárias não são dedutíveis aos rendimentos das
restantes actividades da categoria (no 3)
 O saldo negativo resultante da alienação de partes sociais e
valores mobiliários só pode ser reportado aos dois anos seguintes
(no 4).
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Englobamento (artigo 26)


 O Resultado colectável do IRPS é o que resulta do
englobamento dos rendimentos das várias categorias auferidos
em cada ano, depois de feitas as deduções e abatimantos
previstos no CIRPS.

 Não são englobados para efeitos da sua tributáção, os


rendimentos de trabalho dependente, os rendimentos referidos
no artigo 57 e os rendimentos que beneficiam de isenção.
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Processo de determinação do rendimento colectável

Declaração de Rendimentos:

Os sujeitos passivos – entregarão individualmente a sua


declaração de rendimentos com os anexos respectivos,
contendo os seus rendimentos (nº 2 do art. 18 e arto 52).

Dispensa de declaração (arto 52, no 2) – se o agregado


familiar apenas auferiu rendimentos sujeitos a retenção
definitiva previstas no artigo 57(taxa liberatória).
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Declaração de rendimentos (cont.):

Prazo de entrega (arto 13 do Decreto 8/2008):

Agregado com apenas rendimentos da 1a categoria – de Janeiro a Marco

Nos restantes casos: de Janeiro a Abril.

Declaração de alteração ou substituição – 30 dias após o facto

Autoliquidacão (arto 58 – b)): obrigatória para os contribuintes da segunda


categoria com contabilidade organizada e facultativa para os restantes.
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TABELA DE TAXAS (arto 54)

Rend. Colectável anual Taxas parcela a abater


(A) (B) (c)
Até 42.000,00 10% -----
De 42.001,00 a 168.000,00 15% 2.100,00
De 168.001,00 a 504.000,00 20% 10.500,00
De 504.001,00 a 1.512.000,00 25% 35.700,00
Além de 1.512.000,00 32% 141.540,00
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32 Do Rendimento Colectável à Colecta (artos 54 a 56)

Taxas: (arto 54 a 56)


Taxa reduzida: 10%, quando o agregado familiar apenas tenha rendimentos
englobáveis da actividade agrícola ou pecuária.

Mínimo não tributável (arto 56) – Entendido pela Administração como


dedução de base aplicável a todos os contribuintes desde que tenham um
rendimento colectável inferior a 225.000,00Mt.
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Deduções à colecta ( artos 60 e 61)

Relativamente à situação pessoal e familiar dos sujeitos passivos


residentes
a) 1.800,00 MT por cada sujeito passivo não casado, ou separado
judicialmente de pessoas bens;
b) 600,00 MT, existindo 1 dependente; 900,00 MT, existindo 2
dependentes, 1.200,00 MT, existindo 3 e 1.800,00MT existindo 4 ou
mais dependentes.

Relativa à dupla tributação internacional (arto 61):


É dedutível, até á concorrência da parte da colecta do IRPS proporcional a
esses rendimentos líquidos, o menor dos seguintes valores:
a) o imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro;
b) o IRPS correspondente àqueles rendimentos brutos obtidos no
estrangeiro, se englobados.
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LIQUIDACÃO (arto 20 do Decreto 8/2008)
Competência:
Contribuintes – Autoliquidacão – Agregados familiares com
rendimentos da 2a categoria com contabilidade organizada. A falta de
pagamento equivale à falta de Autoliquidacão;
Autoridade Tributária – Restantes casos

Base da liquidação (arto 20 do Decreto 8/2008 e artigo 58);

Princípio geral: Declaração do contribuinte.

Falta de declaração: se há rendimentos da 2a categoria, liquidação com


base na totalidade do rendimento colectável do ano mais próximo,
caso não tenha havido cessação da actividade.

Nos restantes casos: com base nos elementos que a Autoridade


Tributária disponha, incluindo a declaração de rendimentos entregue
fora do prazo.
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LIQUIDACÃO (cont,)

Prazo de caducidade – prazo legal para liquidação e notificação – (arto 25 do


Decreto 8/2008): 5 anos.
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PAGAMENTO:

Prazos (arto 28 do Decreto 8/2008): até 31 de Maio, 30 de Junho ou 31 de


Agosto, conforme a declaração de rendimentos a entregar e a data de
liquidação. Findos os prazos sem que o IRPS se mostre pago, segue-se a
cobrança coerciva.

Local (arto 35 do Decreto 8/2008): DAF; instituições bancárias autorizadas e


outros locais a definir por lei.

Meios de pagamento (arto 36 do Decreto 8/2008): moeda corrente, cheque,


transferência bancária, vale postal.
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RETENCÃO NA FONTE (artos 29 a 32 do Decreto 8/2008 e artigo 65)

Uma das formas de pagamento do imposto (artos 57 e 65), fazendo coincidir


com o momento em que os rendimentos se consideram sujeitos
(recebimento, colocação à disposição, vencimento…) com o momento do
pagamento do imposto.
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RETENCÃO NA FONTE

É um mecanismo de substituição tributária:

 A entidade devedora dos rendimentos deve no acto do seu pagamento,


colocação á disposição ou vencimento, reter a importância correspondente
à aplicação da taxa de retenção aplicável e entregar tais importâncias à AT
para valer como imposto pago pelo titular dos rendimentos ( arto 29, n. 1
RCIPS).

 A entidade devedora dos rendimentos, sobre quem recai a obrigação de


entrega do imposto retido à AT é o substituto (contribuinte de direito),
sendo o titular dos rendimentos o substituído (contribuinte de facto).
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RETENCÃO NA FONTE

Princípios gerais
Só os rendimentos sujeitos são passíveis de retenção na fonte.

Sobre os rendimentos que beneficiem de isenção (total ou parcial) a retenção


incidirá apenas sobre a parte não isenta.

O imposto retido que exceder o imposto liquidado é restituído até ao fim do


30 mês seguinte ao prazo legal de pagamento (arto 63) ou utilizado na
compensação de qualquer dívida do contribuinte (arto 33, da lei 15/02, de
26 de Junho).
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RETENCÃO NA FONTE

A título definitivo (arto 57) - Taxa liberatoria

A título de pagamento por conta do imposto liquidado “a final”


relativamente ao ano a que os rendimentos respeitam (artos 26 e (29 do
Decreto 8/2008).

1a categoria – À taxa resultante de tabela prevista no artigo 65-A do


CIRPC, alteração introduzida pela Lei nº 20/2013 de 23 de Setembro.
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3a e 4a categorias, propriedade intelectual e industrial de titular originário,


comissões e trabalho independente, quando pagos por entidade que
disponham ou devam dispor de contabilidade organizada – 20%.

Situação do arto 32, n. 2, b) do Decreto 8/2008) – 20%.


Acções, ganhos de swaps e rendimentos de não residentes – 20%
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São tributados à taxa liberatória de 10% (artigo 57 n. 3)


Rendimentos de depósitos a prazo;

Rendimentos de títulos cotados na Bolsa de Valores de


Moçambique;
Jogos de diversão social (rifas, lotarias, apostas mútuas, loto,
bingo, sorteios e concursos);
Remunerações auferidas por artistas de teatro, dança, variedades
ou circo, actores de cinema e figurantes, músicos, cantores ou
desportistas e outras profissões afins.
Excepção quando aufiram remunerações de forma regular pelo
exercício de actividade por conta de outrem.
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RETENCÕES NA FONTE

RENDIMENTOS EXCLUIDOS DA RETENCÃO NA FONTE (art 30,


n.1 do Decreto 8/2008)

DESDE QUE NÃO SEJAM CERTAS NEM REGULARES


 Os subsídios de residência ou equivalentes ou a utilização de casa de
habitação fornecida pela entidade patronal;

 Utilização pessoal pelo trabalhador ou membro de órgão social, de


viatura automóvel que gere encargos para a entidade patronal;

 As gratificações auferidas pela prestação ou em razão da prestação do


trabalho, quando não atribuídas pela respectiva entidade patronal.
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Rendimentos isentos ( artigo 7)


 Pensões de aposentação ou de reforma, velhice, invalidez ou
sobrevivência, alimentos e outras de idêntica natureza;

 As rendas temporárias ou vitalícias


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RETENCÃO NA FONTE –Responsabilidade.

Princípio regra – o substituto é o devedor principal do imposto (arto 25)

Regras do arto 67
Importâncias retidas e não entregues: o substituto é o responsável.

Importâncias não retidas que teriam a natureza de pagamento por


conta: O substituído é o responsável originário, cabendo ao substituto
a responsabilidade subsidiária e o pagamento dos juros compensatórios
devidos.

Importâncias não retidas que não teriam a natureza de pagamento


por conta – O responsável originário é o substituto, sendo o
substituído apenas subsidiariamente responsável.
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ENTREGA DO IRPS

Prazo de entrega do IRPS retido:

Até 20 do mês seguinte (arto 29, n. 3 do Decreto 8/2008). Em caso de não


entrega, a entidade obrigada à retenção deve ser notificada para efectuar o
pagamento e os juros compensatórios no prazo de 30 dias

Local de entrega do IRPS retido:

DAF do contribuinte (arto 35 do Decreto 8/2008 )


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PAGAMENTOS POR CONTA (ARTO 33 do Decreto 8/2008)

Quem é obrigado a fazer pagamentos por conta?


Titulares de rendimentos da 2a categoria.

Quantos pagamentos por conta?: 3 pagamentos iguais até aos dias 20 de


Junho, Setembro e Novembro do ano a que respeita o rendimento.

Valor total dos pagamentos por conta – 80% da colecta do exercício anterior,
deduzido das retenções na fonte.

Há possibilidade de cessação e redução dos pagamentos por conta? – Sim,


quando o contribuinte preveja que já não são necessários para cobrir o
IRPS que irá ser liquidado a final. Haverá juros compensatórios se,
verificando-se que os pagamentos por conta eram necessários, tiver por
forca da cessação ou redução deixado de entregar-se mais de 20% da
importância entregue em circunstâncias normais.
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48 PAGAMENTOS POR CONTA:


EXEMPLO: M/10 do exercício de 2011 entregue na DAF em Abril de 2012
S. P. “A” S. P. “B” TOTAL %
1a categoria 320.000,00 250.000,00 570.000,00 41
2a categoria 500.000,00 40.000,00 540.000,00 38
3a categoria 30.000,00 20.000,00 50.000,00 4
4a categoria 120.000,00 120.000,00 240.000,00 17
Total 970.000,00 430.000,00 1.400.000,00

IRPS LIQUIDADO na declaração M/10 de 2011 = 300.000,00


Pagamento por conta = 300.000,00 * 38%*80% = 91.200,00: 3 = 30.400

Entrega em 3 prestações até dia 20 de cada um dos meses de Junho, Setembro


e Novembro.
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PAGAMENTOS POR CONTA:

S. P. “A” S. P. “B”
1a categoria 320.000,00 250.000,00
2a categoria (50.000,00) 40.000,00
3a categoria 30.000,00 20.000,00
4a categoria 120.000,00 120.000,00

IRPS LIQUIDADO na declaração M/10 de 2011 = 300.000,00

Como os rendimentos da 2a categoria são negativos


(-50.000,00+40.000,00 = -10.000,00) no exercício de 2012 não há lugar a
pagamentos por conta.
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OBRIGACÕES ACESSÓRIAS (artos 38 a 40)

Conceito: arto 21, n. 3 da Lei 15/02.

Obrigações declarativas:

 Início de actividade (arto 38 do decreto 8/2008) – Titulares de


rendimentos da 2a categoria. A declaração deve ser entregue na DAF
do domicílio, 15 dias antes do início de actividade;
 De rendimentos (arto 52) – Titulares de rendimentos sujeitos a
declaração;
 Declaração anual de informação contabilística e fiscal (arto 39 do
Decreto 8/2008) – Titulares de rendimentos da 2a categoria. Entregue
até ao último dia do mês de Abril, na DAF do domicílio.
 De cessação de actividade (arto 40 do Decreto 8/2008) – Titulares de
rendimentos da 2a categoria. Entregue no prazo de 30 dias a contar da
cessação.
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OBRIGACÕES ACESSÓRIAS

Obrigações de emitir facturas e recibos (arto 41 do Decreto 8/2008):


 Rendimentos das alíneas b) e c) do n. 2 do art o 8 (prestações de serviço e

direitos de propriedade intelectual e industrial) – emissão de recibo de


modelo oficial;
 Restantes rendimentos – factura ou documento equivalente;

 Actos isolados – apenas documento de quitação

Obrigações contabilísticas e de escrituração (arto 74)


Com contabilidade organizada (v. n. > 2.500.000,00, ou por opção): livros da
legislação comercial.
Regime simplificado de escrituração: Livros do n. 1 do arto 73
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Centralização e arquivo dos livros e documentação (arto 43 do Decreto
8/2008)

Centralização – se não for na sede ou estabelecimento estável, deve indicar o


local na declaração de início ou de rendimentos;

Arquivo por 10 anos

Comunicação de rendimentos e retenções (arto 44 do Decreto 8/2008):


a) Registo das pessoas credoras de rendimentos, datas e valores dos
pagamentos;
b) Entregar aos titulares dos rendimentos, até 20 de Janeiro, documento
comprovativo das importâncias pagas no ano anterior, IRPS retido e
deduções efectuadas;
c) Integrar na declaração anual os elementos das alíneas anteriores;
d) Entregar à AT, até ao último dia de Junho, declaração de rendimentos
pagos a não-residentes.
53

 Obrigado!!!!!!!!!!

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