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BIOSSEGURAN

ÇA NA
ESTÉTICA
FACIAL
A biossegurança é o conjunto de medidas voltadas para a prevenção,
minimização ou eliminação de riscos inerentes à atividade, que podem
comprometer a saúde das pessoas e o meio ambiente.

Essas medidas são necessárias porque no nosso trabalho estamos em


constante exposição a microrganismos que podem causar doenças.
Manter bons hábitos de segurança no trabalho é primordial para
mantem nossa reputação no mercado.

A contaminação por micro-organismos pode ocorrer de maneira direta


pelo contato físico entre transmissor e por via cutânea ou secreções. Ou
pode ocorrer de maneira indireta, através de instrumentos
contaminados ou pela infecção cruzada (transferência de micro-
organismos de uma pessoa ou objeto para outra, resultando em uma
infecção).
Algumas doenças podem ser transmitidas na cabine de estética facial através do manuseio
incorreto de materiais perfuro cortantes ou pelo manuseio de materiais contaminados com
secreções, sangue, através de exsudados provenientes da extração de acnes ou por meio
de contato com a pele não íntegra, ou ainda por mucosas (ocular, bucal, nasal), anexos
cutâneos e pelo contato das mãos do profissional com o cliente.
O profissional da estética facial está em constante exposição a materiais biológicos, ficando
em contato direto com a pele não íntegra, material purulento e até mesmo sague. Por
causa disso, as doenças que podem ser facilmente contraídas na cabine são HIV, Hepatite
B, Hepatite C, Herpes, Micoses bem como a proliferação da bactéria Propionibacterium
acnes.

Em vista disso, é que artigos como agulhas, extrator de comedões, eletrodos, pincéis,
espátulas, toalhas, entre outros, podem servir de colonização e disseminação de doenças
se não sofrerem processos de limpeza, desinfecção ou esterilização adequados.

Além disso, o uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) são essenciais para
minimizar os riscos biológicos .
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S)
Os equipamentos de proteção individual atuam como barreiras protetoras, a fim evitar o contato do
profissional com o material biológico.

Abaixo então, descreve-se o porque da necessidade de cada um dos EPI’s para a prática na estética
facial:
• Luvas descartáveis : Promovem uma boa barreira mecânica para as mãos do profissional e para a
pele do cliente. Devem ser usadas quando houver a possibilidade do profissional se contaminar ou
entrar em contato com sangue, secreções, mucosas, tecidos e lesões sobre a pele. As luvas devem
ser usadas quando houver a manipulação de artigos ou superfícies contaminados, ressalta-se ainda
que as mesmas não devem ser reutilizadas por perderem sua efetividade na proteção, devendo
posteriormente ser descartadas em lixo contaminado.
• Máscara facial descartável: Usa-se quando houver risco de respingo em mucosa oral e nasal,
protegendo as vias aéreas superiores de micro-organismos contidos nas partículas de aerossóis,
quando há um acesso de tosse, espirro ou fala. Em vista disso, nos procedimentos de estética facial,
o uso desse EPI é de suma importância pela proximidade entre cliente e profissional, evitando a
contaminação cruzada. Visa acrescentar que, durante o procedimento não deve-se puxar máscara
para a região do pescoço (pois esta é considerada contaminada), além de trocar a mesma quando
ficar úmida, no intervalo de cada cliente, e não ser reutilizada.
• Touca ou Gorro descartável: O emprego da touca pelo profissional previne contaminação
cruzada por micro-organismos. A touca pode ser utilizada tanto por profissionais como
clientes, devendo cobrir todo o cabelo. Vale acrescentar que, tanto a touca como as máscaras
faciais, devem ser descartadas em lixo infectante após o uso das mesmas.
• Jaleco: O uso do jaleco protege o profissional da exposição a sangue e fluídos corpóreos e
de respingos de material infectando. Em vista disso, aconselha-se não utilizar o jaleco em
outros locais, que não sejam do ambiente profissional, e estes devem ser trocados sempre
que apresentarem sujidades.
• Calçado fechado e calça comprida: São procedimentos de segurança adotados com o
intuito de evitar que secreções orgânicas ou materiais de trabalho sejam lançadas sobre os
pés do profissional, evitando acidentes e a transmissão de doenças.
• Proteção ocular: É indicado o uso de óculos de proteção afim de evitar que respingos de
sangue ou secreções atinjam os olhos do profissional. Outro meio de proteção ocular é o uso
da lâmpada lupa durante os procedimentos de extração e drenagem das lesões da acne, esta
não sendo apenas uma ferramenta de trabalho, mas consequentemente auxiliando na
proteção do profissional.
Agora vamos falar sobre como deve ser feita a
higienização dos utensílios usados no atendimento

Os utensílios devem ser primeiramente classificados em artigos


críticos, semi-críticos e não críticos,
para que logo após possam ser realizados os procedimentos de higienização
(limpeza, desinfecção ou esterilização), dos mesmos.
• Artigos críticos são aqueles
empregados em
procedimentos invasivos,
penetrando na pele ou
mucosas, que tem contato
com sangue e fluidos
contaminantes. Devem
obrigatoriamente sofrer a
esterilização. Exemplifica-se
nessa classificação o extrator
de comedões (cureta).
• Artigos semi-críticos são os utensílios
que estabelecem contato com a pele não
íntegra ou com mucosas íntegras. Dessa
forma, para que esses materiais possam
ser utilizados após os procedimentos,
estes deverão sofrer a limpeza,
desinfecção de alto nível ou a
esterilização. São exemplos desses
artigos em estética facial os pincéis,
toalhas, artigos de metal, eletrodos, e as
ponteiras dos equipamentos de
eletroterapia.
• Artigos não-críticos são aqueles que
entram apenas em contato com a pele
íntegra de clientes ou de profissionais,
através de utensílios externos ao paciente.
Para tais utensílios, emprega-se a limpeza
e a desinfecção de médio a baixo nível
para que estes artigos não sejam fontes
colonizadoras de micro organismos. Tendo
como exemplos em estética facial as
cubetas, cuba rim, espátulas, macas,
lupas, e equipamentos externos utilizados
pelo profissional.
PROCEDIMENTOS
DE HIGIENIZAÇÃO
DOS ARTIGOS
LIMPEZA
Consiste em remover
sujidades e matéria
orgânica de superfícies e
objetos. Comumente é
feita através da aplicação
de água, sabão neutro e
ação mecânica, com
auxilio de esponjas,
escovas ou panos.
DESINFECÇ
ÃO
Realizada logo após a limpeza, sendo
um procedimento químico que destrói
parcialmente micro-organismos
presentes em objetos, mas não inibe
todos por completo, os esporos
bacterianos ainda ficam ativos com a
desinfecção. Em virtude disso, há a
necessidade do processo de
esterilização nos artigos que tem
capacidade de suportar sem desgaste
este processo. Uma boa opção de
desinfetante é o álcool 70%, que pode
ser aplicado em vidros, artigos
metálicos, macas, utensílios em geral.
ESTERILIZAÇÃO
A esterilização é um processo químico ou físico que extermina todos os
tipos de vida microscópica de um objeto, inclusive os esporos
bacterianos. Porém o método de esterilização mais utilizado é a
esterilização por temperatura, técnica que promete maior eficácia na
destruição de micro-organismos. Esse método utiliza o calor tanto em
condições úmidas ou secas.
ESTERILIZAÇÃO COM ESTUFA
A esterilização por calor seco é realizada pela estufa, que tem como seu
mecanismo de ação, elevadas temperaturas que propiciam a morte dos micro-
organismos. No entanto ela não se mostra tão efetiva quanto a autoclave, ou seja,
pelo calor úmido, pois a esterilização gerada pela estufa é realizada por meio de
aquecimento e irradiação do calor, que é menos penetrante e uniforme que o
vapor saturado.

A estufa deverá ser ligada antes do processo de iniciação da esterilização, afim de


se obter a temperatura desejada do ciclo, entretanto o material já deverá estar
dentro da estufa e quando for atingida a temperatura deseja, então deverá ser
contado o tempo da esterilização.
Sugestão de temperaturas e tempos
para esterilização em estufa:

170°C, 60 minutos;
160°C, 120 minutos;
150°C, 150 minutos;
140° C, 180 minutos;
120°C, 12 horas.
ESTERILIZAÇÃO
COM AUTOCLAVE
A esterilização promovida pela autoclave,
equipamento que utiliza calor úmido para
esterilizar objetos, possui fases de remoção
de ar, penetração de vapor e secagem.
Recomenda-se para a esterilização em
autoclave, que os artigos estejam embalados
em papel grau cirúrgico, e estes
instrumentos devem ser esterilizados a uma
temperatura de 121ºC durante 15 a 30
minutos a uma pressão de 1atmosfera (atm).
O extrator de comedões
(cureta) precisa ser
esterilizado

Deverá sofrer os três processos, que são a


limpeza, desinfecção e esterilização.
Aconselha-se deixar o utensílio mergulhado no
detergente enzimático a uma solução de 0,5%,
em um tempo mínimo de ação 3 a 5 minutos.
Se necessário aliar a ação mecânica com uma
esponja com o mesmo agente de limpeza.
Logo após, o mesmo deverá ser bem
enxaguado em água corrente e ser seco com
papel toalha. Para a esterilização em autoclave
o mesmo deverá ser embalado em papel grau
cirúrgico e vedado com uma seladora quente.
Artigos de metal, de vidro, plástico
ou borracha devem sofrer Limpeza
e Desinfecção com álcool 70%

Ponteiras de Peeling de diante, Ponteiras de


Peeling de Cristal, Ponteiras de Endermo para
uso facial, Eletrodos de ionização,
microcorrentes, Cubetas, Cuba rins, espátulas,
eletrodos de borracha condutiva, entre
outros, devem ser lavados com água e sabão
e em seguida higienizados com álcool 70%.
Os eletrodos de Alta Frequência não podem
ser lavados em água corrente. Devem ser
limpos com pano úmido, em seguida seca-se
e desinfeta-os com álcool 70% com auxilio de
uma gaze ou papel absorvente.
PINCÉIS
Quando não entrar em contato direto com a pele não íntegra do
cliente, devem sofrer limpeza com detergente enzimático 0,5%,
deixando-o de molho por 3 a 5 min, massageando as cerdas a fim de
tirar todas as sujidades . Logo após, enxaguar em água corrente e por
fim borrifar álcool 70%, deixando-o secar naturalmente. Depois disso
podem ser embalados em sacos plásticos individualizados ou em locais
fechados.
Quando a pele não estiver íntegra
não se deve fazer o uso de pincéis
ou então utilizar pincéis
descartáveis ou que suportem
esterilização em autoclave.
Modelo de Pincel Autoclavavel
TOALHAS E LENCÓIS DE
ALGODÃO

Devem ser imersas em recipientes com a


solução de hipoclorito de sódio diluído a
0,1% em água durante 15 a 30 minutos.
Logo após, dar seqüência a lavagem
manual ou mecânica com sabão em pó e
amaciante de roupas. Após secas, passar
ferro quente e acondiciona-las em locais
fechados a fim de evitar depósito de
poeiras e aerossóis.
MOBILIÁRIOS E
EQUIPAMENTOS
Equipamentos como lupas, bancadas,
mochos, superfícies, deve-se utilizar
detergente comum juntamente com a
ação mecânica de uma esponja, logo
após secar com pano limpo e seco, e
finalizar borrifando álcool a 70%,
friccionando com um pano seco.

Para equipamentos de eletroterapia,


aconselha-se efetuar a limpeza
utilizando um pano úmido em água
com sabonete líquido.
GERENCIAMENTO
DE RESÍDUOS
Na cabine de estética há a geração
de lixos que necessitam de um
acondicionamento, identificação,
separação e destinação final
diferenciados para proteger a
saúde das pessoas e também do
meio ambiente.
RESÍDUOS INFECTANTES
São os que entraram em contato com material
biológico, micro-organismos, e que podem
apresentar risco de infecção. Esses resíduos deverão
ser acondicionados em sacos brancos, além das
lixeiras serem identificadas como lixo infectante e
com uma relação dos resíduos a serem descartados
nas mesmas. As lixeiras precisam ter pedal e tampa.
Na estética facial, alguns exemplos desse grupo são
as luvas, toucas, algodão, gaze, e lençóis
descartáveis contaminados com material biológico.
RESÍDUOS PERFUROCORTANTES
Caracterizam-se as agulhas hipodérmicas, vidros
quebrados, entre outros. Quando empregar o uso de
agulha, utilizar a parte superior transparente da
embalagem para acomodá-la, jamais deixando-a
exposta ou presa em toalhas ou lençóis. Ao término
do procedimento, descartá-la em caixa de descarte
perfurocortante. Acrescenta-se ainda, que as
agulhas não deverão ser recapeadas, grampeadas,
quebras ou entortadas, devendo ser colocadas em
caixas com paredes impenetráveis, e estas não
devem estar completamente cheias.
COLETA DOS RESÍDUOS
A disposição final desses resíduos deverá ser realizada por
empresas especializadas ou por empresas urbanas que ofereçam
esses serviços, entretanto a disposição dos mesmos após a coleta
deverá ser fiscalizada pelos estabelecimentos, já que tratam-se de
resíduos que afetam o meio ambiente e a saúde da população.
Essas empresas especializadas ou urbanas, devem obedecer os
critérios técnicos de construção e operação para a disposição dos
resíduos no solo, e com licenciamento ambiental de acordo com a
Resolução CONAMA nº237/97 (BRASIL, 2004). Portanto, todo o
processo de gerenciamento de resíduos não visa apenas uma
agregação correta dos resíduos gerados, mas a separação e a
destino final dos mesmos faz com que não só a saúde humana seja
preservada, mas para que também o meio ambiente seja
conservado.
HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS
Esse procedimento deve ser realizado antes e depois
do atendimento ao cliente, visando assegurar a
eliminação do maior número de agentes
microbianos. O uso das luvas não dispensa a
lavagem das mãos antes e após procedimentos.
Deverá ser realizado com as unhas aparadas, para
não haver o depósito de resíduos ou micro-
organismos e deverá ser realizada sem acessórios
como anéis, relógios e pulseiras.
SEQUÊNCIA PARA LAVAGEM DAS
MÃOS
• sem tocar na pia, abrir a torneira;
• aplicar sabonete líquido;
• ensaboar as mãos, friccionando-as por aproximadamente 15 segundos, em todas as superfícies,
como o dorso da mão, punhos e antebraços, a região palmar, entre os dedos e ao redor das unhas;
• enxaguar as mãos, retirando totalmente a espuma;
• secar as mãos com papel toalha descartável;
• fechar a torneira com papel toalha descartável;
• descartar o papel toalha na lixeira sem tocar na borda ou na tampa;
• realizar a anti-sepsia com álcool 70%, deixando-o secar naturalmente.
BIOSSEGURANÇA NA EXTRAÇÃO COM
SUCCÃO
Na limpeza de pele uma das formas de se realizar a
extração de comedões se dá por meio da extração
com sucção. Nessa modalidade não há contato total
da profissional com a cliente. É utilizado um
aparelho de pressão negativa que proporciona uma
sucção localizada através da caneta extratora, essa
sucção é direcionada ao poro com sujidade,
oleosidade, cravos ou espinhas, causando extração
de forma rápida e profunda, sem agredir uma
grande área da pele da cliente.
A ponteira tem formato anatômico que
facilita a abertura do poro e sucção, o tubo
cilindrico transparente serve como um
deposito das impurezas e pode ser
apresentada ao cliente no final do
procedimento enfatizando o resultado da
limpeza incentivando o cliente a manter
regularidade de procedimento. Feita de
forma correta a limpeza se torna menos
dolorida com rápida recuperação da pele e
menos marcas. Ao final de cada aplicação a
ponteira utilizada precisa ser descartada.

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