Segurança e proteção de jornalistas e equipes de comunicação em conflitos armados

Sandra Lefcovich Assessora de Comunicação Delegação Regional para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

Apresentação
1. Segurança das equipes de comunicação: atualidade e tendências 2. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) 3. Os jornalistas e as equipes de comunicação: condição e proteção no direito internacional humanitário (DIH) 4. Os serviços do CICV para as equipes de comunicação

1. Segurança das equipes de comunicação: contexto atual

As equipes de comunicação que cobrem conflitos armados internacionais ou conflitos armados nãointernacionais estão expostas a grandes riscos.

Segurança das equipes de comunicação: tendências 
A segurança dos jornalistas em risco
‡ Possibilidade de serem feridos, mortos ou detidos em conflitos armados. ‡ Iraque, Somália, Paquistão, Filipinas« e recentemente Líbia são os países de maior perigo. ‡ De 85 a 95% das vítimas são jornalistas nacionais (ou seja, não são correspondentes estrangeiros)

Segurança das equipes de comunicação: tendências
‡ Mais de 1.000 jornalistas morreram entre 1997 e 2007 no exercício da profissão. ‡ Em média, 1 em cada 4 morreu cobrindo conflitos armados ± total de 269. ‡ Entre estes, 248 estavam sem escolta armada, 15 com escolta e 6 ³embarcados´. ‡ 167 morreram em conflitos armados internacionais e 102 em conflitos armados não-internacionais.
Fonte: INSI, março 2007 www.newssafety.com

A Guerra do Iraque foi a mais letal para jornalistas desde a Segunda Guerra Mundial: 230 mortes desde 2003.
RSF, "The Iraq War: A Heavy Death Toll for the Media", Março de 2003 a agosto de 2010.

Ataque contra hotel Palestine, sede da imprensa em Bagdá. Abril 2003

Dois repórteres da Reuters estavam entre as vítimas civis de um ataque. Julho 2007, Bagdá.

2. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

©CICV/M. Kokic

©CICV/M. Naseer

O CICV
‡ Organização humanitária imparcial, neutra e independente. ‡ Missão: Proteger a vida e a dignidade das vítimas dos conflitos armados e de outras situações de violência, assim como prestar-lhes assistência.

‡ ‡

Fundado em 1863, com sede em Genebra, na Suíça. Integrante do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

O CICV no mundo

Atividades em mais de 80 países 12 mil colaboradores Orçamento superior a US$ 1 bilhão

O CICV e o direito internacional humanitário (DIH)
Desenvolvimento e promoção do DIH: atividades do CICV para proteger vítimas de conflitos armados.

O DIH é um conjunto de normas jurídicas aplicáveis a conflitos armados internacionais e não-internacionais. ‡ Protege combatentes feridos, náufragos, prisioneiros de guerra e civis; ‡ Especifica meios e métodos que podem ou não ser aplicados na condução das hostilidades; ‡ Principais instrumentos internacionais: Convenções de Genebra e Protocolos Adicionais

3. O DIH e a proteção das equipes de comunicação
O direito internacional humanitário (DIH) protege os jornalistas de forma abrangente.
Os jornalistas são civis e, como tais, estão protegidos pelo DIH; não podem sofrer ataques diretos (intencionais), a menos que tomem parte das hostilidades. ‡ Terceira Convenção de Genebra, Artigo 4, (1949) ; ‡ Protocolo Adicional I, Artigo 79 (1977); ‡ Estudo de Direito Internacional Consetudinário,Cap.10, Regra 34 (2005). ‡ Resolução 1738 do Conselho de Segurança da ONU (2006)

DIH: condição dos jornalistas
Conflito armado internacional (CAI): correspondente de guerra ou profissional em missão perigosa
Correspondente de guerra pode ser o profissional que: ‡ Um(a) jornalista que segue uma Força Armada, com uma autorização especial. ‡ Presta serviço às Forças Armadas; ‡ É soldado de uma das partes em conflito; ‡ Veste uniforme, insígnias e equipamento militar;

DIH: condição dos jornalistas
Conflito armado não-internacional (CANI): jornalistas e
equipes de comunicação em missão profissional perigosa.

Os jornalistas têm a mesma proteção que os civis

Diferenças CAI-CANI
Conflito armado internacional Correspondente de guerra Jornalista em missão perigosa Prisioneiro de guerra Conflito armado não-internacional Jornalista em missão perigosa

Quarta Convenção de Genebra, Genebra, Protocolo Adicional I, norma 34

Protocolo Adicional II, Norma 34

III Convenções de Genebra. Artigo 4. (sobre prisioneros de guerra) 4) As pessoas que acompanham as forças

armadas sem fazerem parte delas, tais («) correspondentes de guerra, fornecedores, membros das unidades de trabalho ou dos serviços encarregados do bem-estar das forças armadas, desde que tenham recebido autorização das forças armadas que acompanham, as quais lhes deverão fornecer um bilhete de identidade semelhante ao modelo anexo;

Protocolo I. Artigo 79- Medidas de proteção aos jornalistas
‡ Os jornalistas que cumprem missões profissionais perigosas em zonas de conflito armado serão considerados pessoas civis. ‡ Serão protegidos enquanto tal em conformidade com as Convenções e o presente Protocolo, na condição de não empreenderem qualquer ação prejudicial ao seu estatuto de pessoas civis. ‡ Poderão obter um bilhete de identidade, conforme o modelo junto ao anexo II ao presente Protocolo. Esse bilhete, comprovará a qualidade de jornalista do seu detentor.

‡ Norma 34. Os jornalistas civis que realizem missões profissionais em zonas de conflito armado serão respeitados e protegidos, sempre que não participem diretamente nas hostilidades. [CAI/CANI]

4. CICV: serviços para jornalistas e equipes
O CICV está preocupado com os altos níveis de violência contra profissionais da comunicação

‡ Linha direta para jornalistas em missões perigosas; ‡ Cursos de primeiros socorros com a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho; ‡ Cursos para jornalistas e estudantes de jornalismo

Linha direta para jornalistas em missão perigosa 
Os meios de comunicação podem solicitar o apoio do CICV
Quando um profissional em missão: ‡ Está desaparecido; ‡ Foi capturado, detido, ou sequestrado; ‡ Está ferido ou morto. Nas seguintes situações: ‡ Conflito armado; ‡ O CICV é operacional.

Linha direta para jornalistas em missão perigosa
Ligue ++4179 217 32 85 24 horas / 7 días/ o ano todo ou procure o escritório do CICV mais próximo para submeter um pedido.
ou envie um email ao press@icrc.org

O CICV recebe pedidos de meios de comunicação ou de familiares. Os pedidos são tratados da forma mais rápida possível.

Linha direta para jornalistas em missão perigosa
Possibilidades e limites:
Um serviço estritamente humanitário realizado em linha com os serviços de proteção e assistência oferecidos a outros civis, de acordo com o alcance da ação do CICV no contexto.

Entre os serviços prestados pelo CICV estão:
‡ Obter acesso às pessoas capturadas; ‡ Confirmar uma suposta prisão; ‡ Fornecer informações sobre o paradeiro de um jornalista ‡ Manter os laços familiares; ‡ Buscar ativamente os jornalistas desaparecidos e ‡ Realizar evacuações médicas de jornalistas feridos.

Linha direta para jornalistas em missão perigosa
... "Outra coisa que eu nunca vou esquecer é a primeira vez que recebi uma mensagem Cruz Vermelha [breves notícias familiares trocadas entre detidos e suas famílias com a ajuda do CICV] com a caligrafia da minha família e os desenhos dos meus filhos. [...] Mesmo que estas mensagens fossem censuradas em grande parte pelas autoridades, às vezes tão fortemente que eu podia ler apenas algumas linhas, elas ainda eram reconfortantes e sempre iluminavam meu dia" Sami Elhaj, da rede Al Jazeera, sobre sua detenção em Guantánamo.

Cursos para jornalistas e estudantes
Brasil, Colômbia, e demais países«.

Curso para estudantes de jornalismo. São Paulo, 2010.

Curso para jornalistas. San José del Guaviare, Colômbia, 2010.

Cursos de primeiros socorros
O CICV apoia a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho no treinamento de jornalistas e profissionais da comunicação em primeiros socorros . Por exemplo, no Paquistão, onde mais de 2 mil pessoas foram feridas e 930 mortas em ataques a bomba em todo o país.

Muito obrigada!!!
Sandra Lefcovich ++5561 81220119 slefcovich@cicr.org www.cicr.org http://www.facebook.com/icrcfans http://twitter.com/#!/cicv_portugues Linha direta para jornalistas em missão perigosa ++4179 217 32 85

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