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GRADUAÇÃO EM

FARMÁCIA

FARMACOTERAPIA DISTÚRBIOS
RESPIRATÓRIOS

Prof. Ana Cláudia Florencio Neves

Caruaru - PE
Doenças Respiratórias
• Renite alérgica

• Asma

• DPOC
Doenças Respiratórias
• Renite alérgica

Inflamação das mucosas nasais em indivíduos sensibilizados , quando


partículas alergênicas inaladas entram em contato e desencadeiam
uma resposta mediada por Imunoglobulina E (IgE)

Sazonal
Persistente
Doenças Respiratórias
• ASMA

Distúrbio inflamatório crônico das vias respiratórias . A inflamação


crônica está associada à hiperresponsividade das vias aéreas, que leva a
episódios recorrentes de sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse,
particularmente à noite ou no início da manhã. Esses episódios são
uma consequência da obstrução ao fluxo aéreo intrapulmonar
generalizada e variável, reversível espontaneamente ou com
tratamento.”
Doenças Respiratórias
ASMA

Crianças e adultos
Cerca de 20 milhões de asmáticos no Brasil
Prevalência global de aproximadamente 10%
4ª causa de internação
Elevados custos da família – 25% da renda
Sistema público
Doenças Respiratórias
ASMA- Fisiopatogenia

Mastócitos, eosinófilos, linfócitos T, células dendríticas, macrófagos e


neutrófilos.
As células brônquicas estruturais.
Dos mediadores inflamatórios já identificados como participantes do
processo inflamatório da asma, destacam-se quimiocinas, citocinas,
eicosanoides, histamina e óxido nítrico.
Doenças Respiratórias
ASMA- Fisiopatogenia
O estreitamento brônquico intermitente e reversível é causado pela contração
do músculo liso brônquico, pelo edema da mucosa e pela hipersecreção mucosa.

A hiper-responsividade brônquica é a resposta broncoconstritora exagerada ao


estímulo que seria inócuo em pessoas normais.

A inflamação crônica da asma é um processo no qual existe um ciclo contínuo de


agressão e reparo que pode levar a alterações estruturais irreversíveis, isto é, o
remodelamento das vias aéreas.
Doenças Respiratórias- Asma
Doenças Respiratórias- Asma
Doenças Respiratórias- Asma
Manifestações Clínicas

• Episódiosfrequentes de sibilância (mais de uma vez por mês)


• Tosse ou sibilos que ocorrem à noite ou cedo pela manhã, provocados
por riso ou choro intensos ou exercício físico;
• Tosse sem relação evidente com viroses respiratórias;
• Presença de atopia, especialmente rinite alérgica ou dermatite atópica
• História familiar de asma e atopia
• Boa resposta clínica a b2-agonistas inalatórios, associados
ou não a corticoides orais ou inalatórios
Doenças Respiratórias
ASMA

Asma Crônica: (LEVE/MODERADA/GRAVE

Asma Aguda Grave


Doenças Respiratórias
ASMA - Metas e cuidados
• Atingir e manter o controle dos sintomas
• Manter as atividades da vida diária normais, incluindo exercícios
• Manter a função pulmonar normal ou o mais próximo
possível do normal
• Prevenir as exacerbações
• Minimizar os efeitos colaterais das medicações
• Prevenir a mortalidade
Principais causas de dificuldades na adesão ao tratamento
Ligadas ao médico

• Má identificação dos sintomas e dos agentes desencadeantes


• Indicação inadequada de broncodilatadores
• Falta de treinamento das técnicas inalatórias e de prescrição de medicamentos preventivos
• Diversidade nas formas de tratamento
• Falta de conhecimento dos consensos

Ligadas ao paciente
• Interrupção da medicação na ausência de sintomas
• Uso incorreto da medicação inalatória
• Dificuldade de compreender esquemas terapêuticos complexos
• Suspensão da medicação devido a efeitos indesejáveis
• Falha no reconhecimento da exacerbação dos sintomas

Adaptado de Peterson et al. e de Vieira et al.(7,10)


Doenças Respiratórias- Asma tratamento
Objetivo – Alcançar e manter o controle clínico / Redução de riscos e redução do comprometimento

Farmacológico
De acordo com a gravidade e classificação do doente

Não Farmacológico
• redução da exposição a fatores desencadeantes, incluindo alérgenos/irritantes respiratórios
(tabagismo) e medicamentos.
• A cada consulta, o paciente deve receber orientações de auto-cuidado, plano escrito para
exacerbações.
• Treinar técnicas inalatórias
• Prescrever aerocâmeras
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
Tratamento de acordo com enquadramento da situação e gravidade da
doença

Asma intermitente: Broncodilatadores de curta duração B2CA


Asma crônica: Controladores – geralmente corticosteroides inalatorios
e associações
Asma exacerbações moderadas e graves: B2CA + Corticosteróides
inalatórios + Corticosteróides orais
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
MEDICAMENTOS DE ALÍVIO:

Agonistas beta-2 adrenégicos de curta ação (B2CA): salbutamol e fenoterol


fármacos de escolha para a reversão de broncoespasmo em crises de asma em adultos e
crianças. Quando administrados por aerossol ou nebulização, levam a broncodilatação
de início rápido, em 1-5 minutos, e o efeito terapêutico dura de 2-6 horas.
O uso de inaladores dosimétricos exige técnica inalatória adequada, que depende de
coordenação da respiração com o disparo e prevê período de apnéia de 10 segundos
após a inalação.
Acoplar dispositivo a uma aerocâmara de grande volume (crianças entre 2-12 anos de
150-250 mL; adolescentes 250-500 mL; adultos 500 –750 mL;), permitindo inalação em
volume corrente, isto é, sem necessitar esforço ventilatório.
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
MEDICAMENTOS CONTROLADORES

Budesonida, beclometasona

• Corticosteroides inalatórios (CI) Os corticosteroides inalatórios (CI)


são os mais eficazes anti-inflamatórios para tratar asma crônica
sintomática, em adultos e crianças. A deposição pulmonar dos
corticosteroides é influenciada pelo dispositivo inalatório utilizado,
pela técnica inalatória, pelo tipo de propelente (no caso dos
aerossóis) e pelo tipo de corticosteróide.
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
MEDICAMENTOS CONTROLADORES

prednisona e prednisolona
Corticosteroides sistêmicos (CS): Ao contrário dos casos de asma leve,
pacientes com asma grave frequentemente necessitam de cursos de
corticoterapia sistêmica e, em muitos casos, a adição de corticoesteroide
oral se faz necessária para obtenção do melhor estado de controle.
Os corticosteroides sistêmicos mais usados são prednisona e
prednisolona, os quais apresentam meia-vida intermediária e menor
potencial para efeitos adversos.
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
MEDICAMENTOS CONTROLADORES

Salmeterol e formoterol
Agonistas beta-2 adrenégicos de longa ação (B2LA)- Salmeterol e formoterol são
agonistas dos receptores beta-2 adrenérgicos, cujo efeito broncodilatador persiste por
até 12 horas. O início de ação do formoterol se dá em menos de 5 minutos, enquanto o
salmeterol demora cerca de 20 minutos para agir, de forma que este não é indicado
para alivio rápido de sintomas. O salmeterol é o mais seletivo de todos os agonistas
beta-2, dado ser o menos potente na estimulação dos receptores beta-1 cardíacos, no
entanto ambos são considerados semelhantes do ponto de vista de segurança no
tratamento da asma.
Em asmáticos não controlados com corticoesteróide inalatório, a adição de um B2LA
mostrou-se mais eficaz
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
A asma alérgica é o fenótipo de asma mais frequente e pode ser
caracterizado pela presença de sensibilização IgE específica para
alérgenos aéreos e pela correlação causal entre exposição alergênica e
sintomas de asma.
Para tratamento com omalizumabe:
• O uso do omalizumabe está restrito a pacientes com pelo menos 6
anos de idade, peso entre 20 e 150 kg e IgE total sérica entre 30-1.500
UI/mL e com asma alérgica grave não controlada apesar do uso de
corticoide inalatório associado a um beta-2 agonista de longa ação ,
Doenças Respiratórias- Asma tratamento
A asma grave eosinofílica alérgica tem início na infância ou
adolescência, está associada a outras doenças alérgicas atopia (rinite
alérgica, eczema).

• O uso do mepolizumabe está restrito a pacientes adultos com asma


eosinofílica grave refratária ao tratamento com CI + LABA e com
contagem de eosinófilos no sangue periférico maior ou igual a 300
células/mL. histórico familiar positivo para essas condições
Doenças Respiratórias- dispositivos
inalatórios
Medicamentos inalatórios para o tratamento da asma estão disponíveis no mercado em várias
apresentações, incluindo: soluções para nebulização (corticoesteróides e broncodilatadores de
curta ação) e dispositivos dosimétricos.

Estes incluem os aerossóis pressurizados e os inaladores de pó seco, e são considerados de


escolha no tratamento da asma, dadas as vantagens sobre a nebulização no que se refere ao
potencial para efeitos adversos, facilidade de higienização e portabilidade, entre outros.
Escolha: idade adaptação,custos.
Os aerossóis pressurizados (sprays) são os inaladores dosimétricos mais usados.
Inaladores de pó são acionados pela inspiração. Não são recomendados para crianças menores
de 6 anos, nem para casos com sinais de insuficiência ventilatória aguda grave, pois exigem
fluxo inspiratório mínimo (geralmente acima de 60L/min) para disparo do mecanismo e
desagregação das partículas do fármaco.
Seleção do dispositivo
Relacionados aos usuários
⚫ Idade: idosos e crianças têm maior dificuldade de usar os AD (sem o
auxílio dos espaçadores) e IP com alta resistência.

⚫ Participação do usuário: avaliar a satisfação e adesão aos dispositivos


utilizados previamente (apenas um tipo de dispositivo)

⚫ Grau de obstrução: usuários com obstrução grave têm maior dificuldade


de usar AD e podem não obter efeito máximo com os IP com alta
resistência.

⚫ Doenças associadas: baixa acuidade visual ou motora pode dificultar o


uso de dispositivos que necessitam de disparo manual, como é o caso dos
AD ou de preparo de dose, como certos IP ou nebulizadores.

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Relacionados aos fármacos/dispositivos
⚫ Disponibilidade da apresentação comercial dos medicamentos e
dispositivos no mercado brasileiro.

⚫ Controle das doses inaladas: algumas apresentações não têm


marcador de dose. Em outros o usuário não sente nenhum gosto na
hora da aplicação.

⚫ Transporte: quando usado o espaçador devido seu volume não cabem


no bolso.

⚫ Limpeza: maios complexa no caso dos espaçadores e nebulizadores.

A escolha deve ser baseada na otimização


custo/benefício, considerando fatores ligados ao
usuário, ao medicamento e aos dispositivos.
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Doenças Respiratórias
DPOC
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) - enfermidade
respiratória prevenível e tratável, que se caracteriza pela presença de
obstrução crônica do fluxo aéreo, que não é totalmente reversível. A
obstrução do fluxo aéreo é geralmente progressiva e está associada a
uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de
partículas ou gases tóxicos, causada primariamente pelo tabagismo.
Doenças Respiratórias
DPOC : Comprometimento dos pulmões + consequências sistêmicas
significativas.

O processo inflamatório crônico pode produzir alterações dos


brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e
parênquima pulmonar (enfisema pulmonar).
Doenças Respiratórias
DPOC

• Não existe prevalência real em nosso país


• Estima-se a DPOC em adultos maiores de 40 anos em 12% da
população, ou seja, 5.500.000 indivíduos.
• 5 ª causa de internamento público no Brasil
• A DPOC nos últimos anos vem ocupando da 4ª à 7ª posição entre as
principais causas de morte no Brasil
Fatores de Risco para DPOC

Fatores externos Fatores individuais


Deficiência de alfa-1 antitripsina
Tabagismo
Deficiência de glutationa transferase
Poeira ocupacional
Hiper-responsividade brônquica
Irritantes químicos
Desnutrição
Fumaça de lenha
Prematuridade
Condição socioeconômica Alfa-1 antiquimotripsina
Diagnóstico

Sintomas crônicos
Exposição Exame
respiratórios
• fatores de risco : • Espirometria : Pré e pós-
• Tosse Tabagismo; Poeira broncodilatador
• Secreção ocupacional; • Radiograma de tórax
Fumaça de lenha • Oximetria/gasometria
• Dispnéia
• Fatores individuais
• Sibilos
conhecidos :
Deficiência de alfa-
1 antitripsina
DPOC
Doenças Respiratórias- DPOC tratamento
Para definição da melhor conduta terapêutica, deve-se avaliar a gravidade da doença,
considerando-se o nível de comprometimento da função pulmonar, a intensidade dos
sintomas e da incapacidade, a frequência das exacerbações e a presença de
complicações como insuficiência ventilatória hipercápnica e cor pulmonale.
Farmacológico
De acordo com a gravidade e classificação do doente

Não Farmacológico
Cessação do tabagismo
Reabilitação pulmonar e fisioterapia respiratória
Tratamento cirurgico
Doenças Respiratórias- DPOC tratamento
Tratamento de acordo com enquadramento da situação e gravidade da
doença
Broncodilatadores via inalatória
DPOC leve e intermitente: Broncodilatadores de curta duração B2CA
DPOC moderada a grave: B2LA , podendo em não resposta associar a
corticosteroides inalatórios . Broncodilatadores anticolinergico
Doenças Respiratórias- DPOC tratamento
MEDICAMENTOS :
• Broncodilatadores de longa ação (salmeterol, formoterol/indacaterol)
Os salmeterol e formoterol têm o mesmo mecanismo dos de B2CA,
embora a broncodilatação dure por até 12 horas. O salmeterol é o mais
seletivo de todos os agonistas dos receptores beta-2, apresentando
menor atividade sobre os receptores beta-1 cardíacos do que o
formoterol.
Doenças Respiratórias- DPOC tratamento
MEDICAMENTOS
• O brometo de ipratrópio bloqueia os receptores muscarínicos da árvore
brônquica, com efeito broncodilatador relacionado ao bloqueio M3 e
início de ação em 1 a 3 minutos e pico em 1,5 a 2 horas, com duração de
ação de 4 a 6 horas, sendo mais lento do que o dos agonistas dos
receptores beta-2 adrenérgicos. O uso em esquema fixo, regular ou
conforme necessário para alívio de dispneia leva à melhora sintomática e
aumenta a tolerância ao exercício.
• Brometo de glicopirrônio/tiotrópio/umeclidínio são broncodilatadores
antimuscarínicos de longa ação. Utilizados em dose diária única, devido à
duração do efeito broncodilatador de 22 a 24 h.
Doenças Respiratórias- DPOC tratamento
MEDICAMENTOS

As associações de LAMA/LABA incorporadas ao SUS são o brometo de


umeclidínio + trifenatato de vilanterol 62,5 mcg + 25 mcg em pó
inalante para pacientes com DPOC e o tiotrópio monoidratado +
cloridrato de olodaterol 2,5 mcg + 2,5 mcg em solução para inalação
com dispositivo inalatório Respimat para pacientes com DPOC grave
ou muito grave.
FONTE: RENAME, 2020
FONTE: RENAME, 2020
FONTE: RENAME, 2020
Pereira L F, SBPT, 2008
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SBPT, 2008
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COM e SEM espaçadores

Espaçadores Câmaras de inalação

Aerocâmaras

São mais facilmente utilizados quando acoplados a um


ESPAÇADOR
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SBPT, 2008
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SBPT, 2008
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USO COM BOCAL

USO COM MÁSCARA

Protocolo de Asma - 3. O Manejo Clínico da Asma

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Inalação exclusivamente nasal (boca fechada) através de
máscara facial em criança cuja idade recomenda inalação
oral com bocal
TURBUHALER PULVINAL

AEROLIZER
DISKUS
AEROLIZER

AEROCAPS

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SBPT, 2008
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SBPT, 2008
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SBPT, 2008 60
SBPT, 2008 62
TODOS OS DISPOSITIVOS SÃO
EFICAZES QUANDO UTILIZADOS
CORRETAMENTE

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