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Língua, linguagem, Linguística

Abordagem de Marcos Bagno. Algumas


propostas de Antônio Marcuschi.
Pressupostos assumidos pela cátedra.
Língua, Linguagem, Linguística

Como você definiria, em


suas próprias palavras,
cada um desses termos?
Para pensar…
• “Somos seres feitos de carne, osso e linguagem”
• “Linguagem e sociedade são indissociáveis”
A dificuldade do olhar objetivo sobre a
linguagem

• Distanciamento • A natureza social da

entre o espécie humana

objeto/fenômeno e a
expressão desse
objeto/fenômeno
LINGUAGEM
• PLANO INDIVIDUAL • PLANO SOCIAL
Linguagem como fenômeno de ordem
COGNITIVA
• Capacidade de adquirir conhecimentos (cognição do latim
cognóscere) por meio de nossos sentidos físicos e dos
processamentos de nossa mente ativados por sentidos,
sensações e sentimentos mas sobretudo por estarmos em
interação sociocultural com outros.
• “Toda forma de conhecimento é social”
(cognóscereco  com  conhecimento  comunidade
colaboração)
Língua – Cognição- Sociedade - Cultura
O estudo da linguagem não pode ser dissociado
do estudo simultâneo dos fenômenos
cognitivos e culturais.

Língua como sistema abstrato
Língua em contexto

LÍNGUA É CONTEXTO
O que é LÍNGUA?
“O ponto de vista cria o objeto” (Saussure, 1916)

• “A língua é um sistema homogêneo, um


conjunto de signos exterior aos indivíduos
que deve ser estudado separado da fala”
(Saussure, 1916).
• “Língua é um sistema de princípios radicados
na mente humana” (Chomsky, 1960)
As concepções de língua conforme o ponto
de vista
• Língua como fenômeno social, cultural e
político.
• Língua como um fenômeno biológico que vem
embutido em nossa estrutura genética.
• Língua = Uso (as realizações autenticas que os
falantes fazem em sua comunidade).
• Língua como sistema abstrato ou entidade
teoricamente construída.
Correntes teóricas subjacentes
• Estruturalismo
• Gerativismo
• Funcionalismo
• Sociolinguística
• Sociointeracionismo
• Sociocognitivismo
• Etc...
Língua como fenômeno de natureza
sociocognitiva (Marcos Bagno)
Língua como multissistema
Como se constitui, se organiza e funciona o conjunto de
representações simbólicas do mundo físico e do mundo mental?

Teoria multissitémica funcionalista-cognitivista de


Ataliba Castilho:
Língua como multissistema
A língua se divide em quatro sistemas
independentes que são ativados pelo DSC que
decorre de nossas interações sociais por meio
da língua falada, que modela nossa capacidade
de linguagem.
 Todo uso que fazemos dos recursos
linguísticos está sujeito a processos de
discursivização, gramaticalização, lexicalização
e semanticalização.
Cada recurso linguístico (o VERBO, por exemplo)
pode ser analisado sob essas quatro
propriedades:
LEXICAIS GRAMATICAIS SEMANTICAS DISCURSIVAS

Verbo como Sintaticamente, Os verbos O verbo é parte


palavra com os verbos representam constitutiva dos
ocupam lugares gêneros
traços específicos como ações, estado discursivos,
morfológicos núcleo do ou eventos do introduzindo os
de tempo, sintagma verbal. mundo real ou participantes no
modo, número O verbo é o mental texto,
e pessoa, núcleo do qualificando-os.
predicado e em
morfologia torno dele se
exclusiva dessa organiza a frase
classe de ou sentença.
palavras.
Análise dos fenômenos lingüísticos: Propostas
tradicionais ≠ propostas contemporâneas

• Análise morfológica (dizer a que classe


pertence uma palavra)
• Análise sintática (classificar os termos da
oração: sujeito, predicado, objeto direto, etc.)

• Entendimento (primitivo) da língua como


léxico e gramática, isto é, palavras e suas
funções ≠ apreensão global dos fatos
linguísticos incluindo a analise semântica e
discursiva.
Variação linguística

• “Um povo, uma nação, uma língua”

Fonte: Ethnologues: Lenguages of the world


Variação linguística
• O rótulo “chinês” é aplicado a uma multiplicidade
de línguas e dialetos, frequentemente sem
intercompreensao mútua.
• O híndi aparece como uma língua especifica sem
levar em conta que o urdo é idêntico, e seus
falantes como primeira língua somam 64 milhões.
• As variações do português, o espanhol, o inglês e
o francês não são levadas em consideração.
(português uruguaio – DPU)
Discriminação e Preconceito Linguístico

• Segundo o autor, no Brasil existem muitas


pessoas de camadas dominantes que
consideram que os pobres, analfabetos,
habitantes da zona rural, os negros (em
muitos casos) não sabem falar corretamente.
• Esse preconceito linguístico continua sendo
transmitido e preservado pela pedagogia
tradicional e pela mídia.
Discriminação e Preconceito Linguístico
• Segundo os últimos avanços, toda e qualquer
pessoa dotada de suas plenas capacidades
físicas e mentais é perfeitamente capaz de falar
e de falar bem.
• É (praticamente) impossível falar sem obedecer
a regras gramaticais.
• O problema é acreditar que as únicas regras
gramaticais são as (pouquíssimas) prescritas
pela tradição gramatical.
O que é LINGUAGEM?
• “Faculdade cognitiva da espécie humana que
permite a cada indivíduo representar/expressar
simbolicamente sua experiência de vida, assim
como adquirir, processar, produzir e transmitir
conhecimento”
• “Todo e qualquer sistema de signos empregado
pelos seres humanos na produção de sentido,
sito é, para expressar sua faculdade de
representação da experiência/conhecimento”
Linguagem verbal x Linguagem não verbal

• Linguagem verbal é aquela expressa pelo verbo (do


latim, “palavra”), ou seja, por meio do sistema mais
complexo, flexível e adaptável de todos, a língua.
Escrita
 Oral
Sinalizada
• Linguagem não verbal é aquela que se vale de
signos não linguísticos (placas de transito, cores dos
semáforos, gestos, etc.)
Linguagem
• A riqueza de possibilidades de expressão da
linguagem nos permite falar da linguagem das
artes, do cinema, linguagem corporal ou da
dança, por exemplo.
• Existem linguagens artificiais, sistemas de
comunicação elaborados especificamente para
permitir o funcionamento de determinados
campos específicos (computação, matemática,
por exemplo)
LINGUÍSTICA: Ciência que estuda a linguagem humana em geral e as
línguas humanas particulares.

• A espécie humana é • Os diferentes grupos


uma só, dotada dos humanos vivem em
mesmos recursos ambientes diferentes,
cognitivos e das constituindo culturas
mesmas configurações diferentes, portanto
fisiológicas, portanto, cada língua humana
entendemos que há apresenta
traços comuns a todas características próprias,
as línguas. específicas e peculiares.
Algumas ideias do autor...
• A linguística quer descobrir aquilo que o falante
sabe, mas não sabe que sabe...
• Ninguém conhece melhor uma língua do que o
falante dessa língua...
• O falante comum é o melhor gramático que existe...
• Para a teoria linguística, a gramática é o conjunto de
regras intuitivas e inconscientes que seus falantes
acionam para construir sua identidade social.
A maravilhosa faculdade humana da
linguagem
• Epilinguagem: comentar, • Metalinguagem:
debater, discutir, avaliar, conjunto de termos
elogiar, criticar, elogiar, empregados pelos
repreender, apreciar, etc., estudiosos de qualquer
a língua que falamos e a área para formalizar seu
língua que outros falam.
campo de saber,
Tem a ver com o uso da
descrevendo com rigor
língua para falar da língua
de maneira assistemática, seus objetos de
intuitiva, sem reflexão investigação.
teórica.
Além da linguística, muitas subdisciplinas se
dedicam à língua...
• Semântica: estudo do significado das unidades
da língua e de seus conjuntos.
• Filosofia da linguagem: estudo da natureza do
significado pelo uso da linguagem, pela cognição
(relacionamento entre linguagem e pensamento)
e pelas relações entre linguagem e realidade.
• Pragmática: estuda os princípios de cooperação
entre falante e ouvinte no intercâmbio de
linguagem.
Subdisciplinas que se dedicam à língua...

• Etnografia da comunicação: aplica a


metodologia de pesquisa etnográfica
(descrição dos padrões culturais de
determinado grupo social) para análise dos
processos de comunicação de uma
determinada comunidade de fala.
• Sociolinguística: analisa como a língua e suas
estruturas são afetadas pelas dinâmicas
sociais.
Subdisciplinas que se dedicam à língua...

• Análise do discurso: valendo-se da


psicanálise, as ciências da comunicação, a
filosofia, investiga de que forma os enunciados
socialmente significativos se constroem do
ponto de vista estrutural e textual, mas
também da argumentação, das ideologias, das
cristalizações de formas e formatos discursivos
em determinados períodos históricos, dentro
das instituições, etc.
Linguística textual:
• Postula que qualquer manifestação discursiva
se concretiza na forma de um texto, e estuda
os elementos que fazem o texto ser tal, isto é,
os fatores da textualidade (coesão, coerência,
intencionalidade, aceitabilidade,
situacionalidade, informatividade,
intertextualidade), interessando-se também
pelos processamentos cognitivos da língua.
Outras subdisciplinas...
• Análise da conversação: estuda o que ocorre nas
trocas verbais entre as pessoas, como que
estratégias usamos para tomar a palavra durante um
diálogo.
• Psicolinguística: estuda os processos de aquisição de
linguagem, analisando os fatores cognitivos que
permitem o processamento e a produção da
linguagem.
• Neurolinguística: estuda o funcionamento do
cérebro humano como processador da linguagem.
Escolas de pensamento linguístico
• Gramática tradicional: surge com as primeiras reflexões
dos filósofos gregos (Séc V a.c.), é levada para o domínio da
língua latina pelos romanos, e enraiza-se em toda Europa,
alcançando todos os domínios europeus.
• Não possui uma metodologia estritamente cientifica e por
isso é muito criticada.

• A partir do Séc XIX podemos falar de desenvolvimento


cientifico com o desenvolvimento da linguística histórica
(método filológico-comprativo para comparar línguas
diferentes)
ESTRUTURALISMO
• Virada do Séc XIX para o XX: Saussure.
• 1930/1940: relativismo linguístico: a língua que
falamos molda nosso modo de pensar e de
conceber o mundo.
• 1960: Chomsky e o surgimento do GERATIVISMO,
que estuda a linguagem como forma e cognicao
individual.
• FUNCIONALISMO: prefere observar a língua em
sua função de comunicação e interação social.
SOCIOCOGNITIVISMO
• Tratam a língua como algo indissociável das
dinâmicas cognitivas individuais e coletivas e
do ambiente sociocultural.
Em relação aos pressupostos colocados por
Bagno, assumimos:
• A corrente de pensamento sociocognitiva;
• A proposta de análise da linguística textual;
• O Gênero textual como objeto de ensino;
• Os aportes da sociolinguística e da análise do
discurso para entender a dinâmica social e sua
influência na língua e como se constroem os
discursos em determinado momento
sociohistórico.
Aspecto textual-interativo
• Assumimos, de acordo com Marcuschi, que a
linguagem funciona no fenômeno textual,
portanto é impossível qualquer manifestação
linguística fora do texto situado.
• Para isso entendemos, de acordo com a
linguística enunciativa, que a língua é um
conjunto de práticas enunciativas já que, mesmo
que realizada por um “organismo individual”, a
enunciação humana sempre é um ato social.
Bakhtin/Voloschinov
• A verdadeira substancia da língua não é
constituída nem por um sistema abstrato de
formas, nem pela enunciação monológica nem
pelo ato psicofisiológico de sua enunciação,
mas pelo fenômeno social da interação verbal.
• A cognição é vista como uma atividade que se
dá primeiro na interação para depois ser
internalizada.
Noções centrais na teoria sociointerativa

• A linguagem é uma atividade social e interativa.


• O texto é uma unidade de sentido e de
interação.
• A compreensão é atividade de construção de
sentido na relação de um eu e um tu mediados
e situados
• O gênero textual é uma forma de ação social,
não formal.

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