Você está na página 1de 65

PRINCÍPIOS E SUA

RELAÇÃO COM O
DIREITO PENAL
PRINCÍPIOS PODEM SER
1. EXPLÍCITOS OU POSITIVADOS NO ORDENAMENTO JURÍDICO.

Ex.: O da individualização da pena (inciso XLVI, do art.5° da CF):


A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:

a) privação ou restrição da liberdade;


b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos.
PRINCÍPIOS PODEM SER
2. IMPLÍCITOS.

Quando derivam daqueles expressamente previstos e decorrem de


interpretação sistemática de determinados dispositivos.

Ex.: o da proporcionalidade na aplicação desta mesma pena e desta


individualização, devendo haver uma relação direta, porém, razoável
entre o delito praticado e a pena aplicada.

Obs.: NEM MUITO E NEM POUCO. NA MEDIDA!


DIFERENÇA ENTRE LEI E PRINCÍPIOS
São duas:

1. Na forma de solução entre seus conflitos. Entre leis deverá ser


afastada as demais para prevalecer somente uma.

Entre princípios deverá ocorrer a valoração através da


“PROPORCIONALIDADE” com a ponderação de valores, aplicando-
os em conjunto na medida de sua compatibilidade.
2. No plano da concretude: a lei é elaborada para reger determinado fato.
Já o princípio é para aplicação a um grupo indefinido de hipóteses.

Exemplo:
O art. 155 do CP (Furto) é elaborada para reger todos os casos de
subtração nesses termos.

Já o “princípio da legalidade” vai reger, além do crime de Furto (art. 155 do


CP) como todo o ordenamento jurídico voltado para as questões criminais.
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL

Em organização didática eles são:

1. Relacionados com a missão fundamental do Direito Penal;


2. Com o fato do agente;
3. Com o agente do fato;
4. Com a pena;
RELACIONADOS COM A MISSÃO FUNDAMENTAL
DO DIREITO PENAL

1. Da exclusiva proteção dos bens jurídicos: significa que “noção de


bem jurídico” deve ter relevância e respaldo nos valores que emanam
da Constituição e nos princípios democráticos e social do Direito.

O seja, criminalizar o exercício de uma religião específica sabendo que


a liberdade de crença é assegurada pela Constituição.

Da mesma forma que fazer normas para simples obediência vai contra
a finalidade do Direito penal.
ESPIRITUALIZAÇÃO, DESMATERIALIZAÇÃO OU
DINAMIZAÇÃO DO BEM JURÍDICO

Trata-se da proteção jurídico-penal passa a incidir sobre os bens coletivos,


difusos e não mais aqueles titularizados por um indivíduo especificamente.

Em Outras Palavras

O modelo de Direito Penal é determinado pelo modelo de Estado;


A criação de tipos penais deve ser pautada pela proibição de comportamentos de
que alguma forma exponham a perigo ou lesionem valores concretos essenciais
para o ser humano estabelecidos na figura do bem jurídico.
PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA

O Direito Penal só deve ser aplicado quando estritamente


necessário.

De modo que sua intervenção fica condicionada ao fracasso


das demais esferas de controle (caráter subsidiário),
observando somente os casos de relevante lesão ou perigo de
lesão ao bem juridicamente tutelado (caráter fragmentário).
ÚLTIMA “ratio”
É a partir daí que se verifica a importância do princípio da intervenção
mínima destinado especialmente ao legislador, segundo o qual o
Direito Penal só deve ser aplicado quando estritamente necessário
(última “ratio”), mantendo-se subsidiário.

Deve servir como a derradeira trincheira no combate aos


comportamentos indesejados, aplicando-se de forma subsidiária e
racional à preservação daqueles bens de maior significação e relevo.
IMPORTANTÍSSIMO
O Direito Penal não é o único instrumento que o Estado dispõe
para exercer o controle social.
Porém, é o meio interventivo mais violento à sua disposição, motivo pelo qual,
antes da utilização deste recurso, devem ser implementados todos os meios de
controle que a sociedade (representado ou não pelo Estado) dispõe, e apenas
quando todos se mostrarem de eficácia insuficiente, o uso do Direito Penal se
torna legítimo.

Esta legitimidade decorre da necessidade de intervenção penal, motivo pelo qual a


subsidiariedade é um principio político limitador do âmbito do poder punitivo
do Estado.
COMO DESDOBRAMENTO LÓGICO DA FRAGMENTARIEDADE, TEMOS
O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

Ainda que o legislador crie tipos incriminadores em observância aos


princípios gerais do Direito Penal, poderá ocorrer situação em que a
ofensa concretamente perpetrada seja diminuta, isto é, incapaz de atingir
materialmente e de forma relevante e intolerável o bem jurídico protegido.

Nesses casos, estaremos diante do que se denomina


“infração bagatelar” ou “crime de bagatela”.
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU
BAGATELA PRÓPRIA

Para ser considerável ato ilícito relevante ao Direito Penal deve-se ter duas
coisas:

1.Tipicidade formal: subsunção da conduta do agente à norma;


2.Tipicidade material: se a conduta representa relevante lesão ou perigo ao
bem protegido pela norma.

Observação importante:
Ambas as tipicidade juntas chamam-se “TIPICIDADE CONGLOBANTE”.
O princípio da insignificância pode ser entendido
como instrumento de interpretação restritiva do tipo penal.

Sendo formalmente típica a conduta e relevante a lesão,


aplica-se a norma penal, ao passo que, havendo somente
a subsunção legal, desacompanhada da tipicidade material,
deve ser afastada, pois que estará o fato atingido pela
atipicidade.
Des. Vico Mañas - TJSP
O princípio da insignificância surge como instrumento de interpretação restritiva
do tipo penal que, de acordo com a dogmática moderna, não deve ser considerado
apenas em seu aspecto formal, de subsunção do fato à norma, mas,
primordialmente, em seu conteúdo material de cunho valorativo, no sentido de sua
efetiva lesividade do bem jurídico tutelado pela norma penal, o que consagra o
postulado da fragmentariedade do Direito Penal.
Para ele, tal princípio funda-se “na concepção material do tipo penal, por intermédio
do qual é possível alcançar pela via judicial e sem macular a segurança jurídica do
pensamento sistemático à proposição político criminal da necessidade de
descriminalização de condutas que, embora formalmente típicas, não atingem de
forma socialmente relevante os bens jurídico protegidos pelo Direito Penal”.
STF e STJ
Ambos os Tribunais estão exigindo para reconhecer a aplicação do
princípio da insignificância:

1. A mínima ofensividade da conduta do agente;


2. Ausência de periculosidade social da ação;
3. O reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
4. A inexpressividade da lesão jurídica causada.
PRINCÍPIO “DA BAGATELA IMPRÓPRIA”

Apesar de presentes o desvalor da conduta típica


(formal e material) a aplicação da sanção se torna desnecessária.

Fundamento
A função da pena não pode ser somente retributiva, mas, também
preventiva.
Infração bagatelar imprópria

É a que nasce relevante para o Direito Penal (porque há desvalor da


conduta bem como desvalor do resultado), mas depois se veria que a
incidência de qualquer pena no caso concreto apresenta-se totalmente
desnecessária (princípio da desnecessidade da pena conjugado com o
da irrelevância penal do fato).

Ex.: Agente que furta a carteira cheia de dinheiro de “A” (art. 155 do
CP), mas o devolve em seguida, demonstrando arrependimento.
BAGATELA PRÓPRIA # IMPRÓPRIA

O princípio da bagatela própria se aplica aos fatos que já


nasceram irrelevantes para o Direito Penal.

Enquanto o princípio da bagatela imprópria tem aplicação


quando, embora relevante a infração penal praticada à pena,
diante do caso concreto, não é necessária, deixando de ser
aplicada pelo Magistrado.
PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL
Tem duas funções:

1. Restringir o âmbito de abrangência do tipo penal (limitando


sua interpretação ao excluir as condutas socialmente aceitas);

2. De orientar o legislador na seleção dos bens jurídicos a


serem tutelados atuando, também no processo de
descriminalização de condutas.
ADEQUAÇÃO SOCIAL # INTERVENÇÃO MÍNIMA

ADEQUAÇÃO SOCIAL
Aceitação da conduta pela sociedade.
Ex.: Desforço necessário – § 1° do art.1210 do Código Civil.

INTERVENÇÃO MÍNIMA ÍNFIMA


Relevância da ofensa ao bem jurídico tutelado.
Ex.: Furto – art. 155 do CP – de R$ 80,00 da carteira do Sílvio Santos.
PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM O FATO DO AGENTE

Princípio da exteriorização ou materialização do fato


(nullum crimem sine actio)
O Estado só pode incriminar condutas humanas, ou seja, atos
praticados voluntariamente.

Em outras palavras.
Prevalece o Direito Penal da Fato (prática de ato) e não o Direito penal
do Autor (prática do pensamento, desejos ou estilo de vida).
EXEMPLO

STF declarou ser inconstitucional o art. 25 da


Lei de Contravenções Penais.

“Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou


roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido
como vadio ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou
instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto,
desde que não prove destinação legítima”.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Fundamentos jurídicos vêm
Do DIREITO ROMANO, Magna Cartha (Rei João Sem Terra)
E REVOLUÇÃO FRANCESA com o Pacto Social:

Art. 5°, II da CF - “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei”;
Art. 5°, XXXIX da CF - “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem
prévia cominação legal”;
Art. 1° do CP - “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal”.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DOCUMENTOS DA
ATUALIDADE

Trata-se de garantia consolidada e reconhecida:

1. Convênio para Proteção dos Direitos Humanos e Liberdades


Fundamentais (Roma, 1950);
2. Convenção Americana de Direitos Humanos (São José da Costa
Rica, 1969);
3. Estatuto de Roma (Roma, 1998).
“NULLUM CRIMEM, NULLA POENA SINE LEGE”

É a base para todo e qualquer


ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Todos têm que se subordinar ao império das leis;


Limita o exercício do poder pelo governante .
FUNDAMENTOS
1. Político: numa clara exigência de vinculação dos Poderes Executivo e
Judiciário a leis formuladas de forma abstrata, impedindo o poder
punitivo arbitrário.

2. Democrático: representa o respeito ao princípio da Separação de


Poderes, conferindo aos representantes do povo (Parlamento) a missão
de elaborar as leis.

3. Jurídico: pois a lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo.


O Direito penal precisa ser limitado e a punição estatal não
pode estar a serviço da tirania e vilania de um administrador,
razão que todos, inclusive o Estado,
têm que estar sob a vontade e império das leis.

Assim, é correto dizer que a evolução do Direito Penal é


acompanhado pela evolução de suas garantias.
DESDOBRAMENTO DO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE
1. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL
Não há crime nem pena sem a existência de uma lei.

Ou seja, deve haver lei complementar ou ordinária aprovada, sancionada e


publicada de acordo com a CF de 88 e nos regimes internos da Câmara dos
Deputados e Senado Federal.

Obs.: Medida Provisória não é lei, portanto, não pode prever a criação de
crime ou de pena.
2. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
Não há crime ou pena sem lei anterior.
Ou seja, o reconhecimento de crime e cominação de pena exige a criação de lei
anterior ao fato.

3. PRINCÍPIO DA ESCRITURAÇÃO
Não há crime sem lei anterior escrita.
Ou seja, só a lei escrita (ordenamento jurídico nacional) pode prescrever crimes e
penas.

4. PRINCÍPIO DA ESTRITA EXISTÊNCIA DA LEI


Não há crime nem pena sem lei estrita.
Ou seja, não se admite o costume, analogia, etc. para criar o tipo ou sanção penal.
5. PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE OU DA DETERMINAÇÃO
Não há crime nem pena sem lei certa e determinada.
Estão mais relacionadas com o legislador, exigindo deste a total clareza e certeza no
momento de produzir a lei, sendo incompatível com o sistema a mínima dúvida na
mensagem que o tipo penal deve transmitir à população.

6. PRINCÍPIO DA NECESSIDADE
Não há crime nem pena sem lei necessária.
Trata-se de um desdobramento do princípio da intervenção mínima, ou seja, deve-se
haver necessidade para a criação e existência de uma lei.
Ex.: A mini reforma de 2009 extirpou do CP o crime de Sedução (art. 217) e o de Adultério
(art. 240), tendo em vista a pouca ou nenhuma relevância social para o século XXI.
SÍNTESE
Não há crime:

1. Sem lei (lei em sentido);


2. Anterior (retroatividade penal só para beneficiar);
3. Escrita (veda-se costume incriminador);
4. Estrita (veda-se analogia incriminadora);
5. Certa (tipo penal deve ser certo e determinado);
6. Necessária (intervenção mínima).
Validade da norma depende de:

1. Legalidade formal (obediência ao processo legislativo);

2. Legalidade material (deve obediência à CF, tratados e direitos


humanos do cidadão, direitos e garantias fundamentais, ou seja, sua
própria essência).
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, TIPO ABERTO E NORMA
PENAL EM BRANCO

Princípio da legalidade exige:

1. Lei certa;
2. Precisa;
3. Determinada.
CLASSIFICAÇÃO DA LEI QUANTO AO SEU
CONTEÚDO

1. Completa
É aquela que dispensa complemento valorativo (feito pelo juiz) ou normativo (feito
por outra norma).
Ex.: Art. 121 do CP “matar alguém”.

2. Incompleta
A norma penal que depende de complemento valorativo (tipo aberto) ou normativo
(norma penal em branco).
LEIS INCOMPLETAS

1. Tipo aberto: depende de complemento valorativo a ser aplicado pelo


julgador no caso concreto.

Ex.: Crimes culposos.


Veja que o legislador só vai dizer sobre negligência, imprudência e
imperícia, ficando a critério do magistrado se o caso se encaixa numa ou
noutra situação descrita pelo norma.

Obs.: Mesmo sendo um tipo aberto, a norma deve ter o mínimo de


certeza, clareza e determinação.
OBSERVAÇÃO

Também são tipos abertos aqueles casos como a expressão “sem justa causa”.
Art. 154 do CP: “Violação do segredo profissional”.

Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de
função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem.

Trata-se de “elemento normativo especial da ilicitude”.


Seguem essa natureza: “indevidamente”, “sem autorização”, “ato obsceno”,
“dignidade”, “decoro”, etc.

Será ou não ilícito dependendo do local e da situação.


2. NORMA PENAL EM BRANCO: aquela que depende de complemento
normativo, ou seja, seu preceito primário não é completo e precisa de
complementação por outra norma:
 

São elas:
1. Próprias: (em sentido estrito ou heterogênea): o complemento vem
de fonte normativa diversa da do legislador (de uma lei).
Ex.: Lei de Drogas n° 11.343/2006, mas as substâncias ilícitas vêm da
portaria da ANVISA do Min. da Saúde Portaria 344/98.
Há posições diferentes na doutrina sobre a constitucionalidade desta norma
penal em branco própria ou heterogênea

CONSIDERAM INCONSTITUCIONAIS
(minoritária)
Rogério Greco, Paulo Queiroz.

CONSIDERAM CONSTITUCIONAIS
(majoritária)
Guilherme de Souza Nucci, Luiz Régis Prado, etc.
2. Norma penal em branco imprópria (em sentido amplo ou homogêneo):
O complemento vem do próprio legislador, da mesma fonte normativa.

Pode advir do mesmo diploma legal ou de outro:


 

2.1. Homovitelina: o complemento da mesma instância legislativa.


Ex.: O Código Penal trata do crime de peculato (art. 312) “Apropriar-se o
funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito
próprio ou alheio”.
E o art. 327 do CP “Considera-se funcionário público, para os efeitos penais,
quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou
função pública”.
2.2. Heterovitilina: o complemento da norma vem de instância legislativa diversa.
Ex.: Art. 236 do CP - “Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou
ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior”.

E o complemento vem do art. 1521 do Código Civil “Não podem casar:


I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o
seu consorte.
2.3. Norma penal em branco ao revés (ou invertida):
O complemento se refere à sanção (preceito secundário) e não ao
conteúdo proibitivo (preceito primário).

Ex.: Crime de genocídio não cuidou diretamente da pena e faz


referência expressa a outras leis no que diz respeito a esse ponto (Lei n°
2.889/56).

Obs.: Por ser o caso de complemento para aplicação da pena o


complemento deve vir obrigatoriamente de uma lei.
2.4. Norma penal em branco ao quadrado: trata-se de uma norma que
precisa de um complemento, mas este complemento também precisa de
um complemento.

Ex.: Art. 38 da Lei 9.605/98 - “Destruir ou danificar floresta considerada


de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com
infringência das normas de proteção”.

Aqui duas coisas precisam de complementação “preservação


permanente” precisa de complementação pelo Código Florestal, que por
sua vez deverá ser explicada por declaração de interesse social pelo
Chefe do Executivo (Presidente da República).
2.5. Norma penal em branco e instâncias federativas diversas: a lei
penal em branco poderá ser complementada por instâncias federativas
diferentes como o Poder Executivo, Legislativo Federal, Legislativo
Estadual ou Municipal.

Ex.: Art. 63 da Lei 9.605/98 - “Alterar o aspecto ou estrutura de edificação


ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão
judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico,
histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem
autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida”.

A lei ou ato administrativo poderá ser realizado por lei Municipal.


2.6. Norma penal em branco e complemento internacional: o
complemento da norma possa vir de tratados internacionais.

Ex.: Art. 1°, § 2°, do inciso II, da Lei 12.85/13 - “Esta Lei se aplica
também: (...) às organizações terroristas, entendidas como aquelas
voltadas para a prática dos atos de terrorismo legalmente definidos”.

Ou seja, ela faz menção dos atos de terrorismo legalmente definidos


nas normas de direitos internacionais.
3. PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE OU DA LESIVIDADE
(“nullum crimen sine iniuria”)
Exige que o ato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado,
ao menos.

Em outras palavras:
Precisa haver “desvalor da ação” + “desvalor o resultado”.
Assim, o princípio se destina ao legislador (quando faz a lei) e ao julgador (quando
aplica a lei).

Obs.: Crimes abstratos são considerados constitucionais (STJ e STF).

Ex.: Posse ou porte de arma de fogo desmuniciada - Lei n° 10.826/2003.


1. Da responsabilidade pessoal: o castigo deve ser aplicado,
exclusivamente, ao agente (autor ou partícipe) do ato.

Obs.: Não existe responsabilidade coletiva presumida.

Seus desdobramentos são:


1.1. Obrigatoriedade da individualização da acusação: a denúncia
ou queixa-crime deve haver a individualização (descrição exata) da
conduta de cada agente, não sendo admitida uma acusação genérica.
1.2. Obrigatoriedade da individualização da pena:
deve-se levar em conta, à aplicação da pena, a
gravidade do fato, condições, circunstâncias, etc.,
relacionados ao seu autor.
2. Princípio da responsabilidade subjetiva (CAVEIRA):
significa que a culpa (dolo ou culpa) do agente deve ficar
claramente provada nos autos.

Em outras palavras
É vedado no Direito Penal a responsabilidade objetiva ou
por presunção (“versari in re iliicita”).
3. Princípio da culpabilidade: somente ao acusado
imputável (penalmente capaz) com potencial consciência
da ilicitude (possibilidade de conhecer o caráter ilícito de
seu comportamento) quando dele for exigível conduta
diversa (podendo agir de outra forma) é que o Estado
poderá aplicar-lhe pena.
4. Princípio da igualdade (ou da isonomia): encontra-se no caput do
art. 5° da CF, com garantia que se estende mesmo aos estrangeiros não
residentes no país.

Obs.: Não é aceito somente o aspecto formal da lei, mas substancial, ou


seja, tratar os iguais de modo igual e os desiguais na medida de suas
desigualdades.

Em outras palavras:
“Igualdade na aplicação do direito” (J. J. Gomes Canotilho).
5. Princípio da presunção de inocência: fundamento encontra-
se no inciso LVII do art. 5° da CF: “ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória”.

Obs.: Nossa CF pode até não presumir inocente o cidadão em


qualquer situação, mas afasta a presunção de culpa sem o
trânsito em julgado em qualquer circunstância.
 Observação
A presunção de inocência não afasta e nem tem efeito contrário em
caso de prisão provisória (também chamadas de prisões cautelares
ou processuais como flagrante, temporária e preventiva).

Em outras palavras
O sujeito pode ter sido preso em flagrante, ter sua prisão temporária
ou preventiva decretada e ao final do processo ser considerado
inocente. O contrário também é verdadeiro!
ESTATUTO DE ROMA E PRINCÍPIO DA INOCÊNCIA
Três Consequências:
1. A liberdade é regra e o cárcere é exceção. O fim do direito de punir do Estado é a Prisão Pena
(com trânsito em julgado), prisão cautelar é exceção.
2. É necessário que a acusação demonstre a responsabilidade do Réu e não este demonstrar sua
inocência.
3. Condenação deriva somente de certeza do julgador advindo das provas nos autos. Dúvida deve
ser o acusado absolvido com o princípio “in dubio pro reo”.

Obs.: SÚMULA N° 11 DO STF:


“Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade
física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob
pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do
ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”.
ESTATUTO DE ROMA E PACOTE ANTICRIME

Consta no CPP, no caso do Juiz das Garantias:

Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das


regras para o tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de
qualquer autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem
da pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabilidade civil,
administrativa e penal.

Obs.: Tem relação com a dignidade da pessoa humana e a presunção


de inocência.
POSIÇÕES DO STF SOBRE O PRINCÍPIO

1. No HC n° 126.296 a Corte considerou possível e constitucional o


cumprimento de pena a partir da condenação em 2ª Instância.

O fundamento era:
1. Não eternizar a presunção de inocência;
2. Dar maior credibilidade às decisões judiciais;
3. O mérito já teria sido discutido pelo acusado, visto que as Cortes
Especiais (STJ e STF) o mérito não seria discutido.
2. ADCs 43, 44 3 45, onde se pretendia a declaração de
constitucionalidade art. 283 do CPP:

“Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão
cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado”.

Foi aceita esta tese e a Suprema Corte voltou atrás no que havia decidido
anteriormente.

Obs.: Trânsito em julgado: quando se esgota a possibilidade de recurso para


o interessado.
PRINCÍPIOS RELACIONADOS À PENA

1. Da dignidade da pessoa humana: aquele que se


repudia a aplicação de penas indignas, cruéis,
desumanas ou degradante. É princípio modelar na
criação do Estado e todo o ordenamento jurídico.

Exemplo: progressão de regime, prisão domiciliar, prisão


para mulheres com crianças até 12 anos, etc.
APLICA-SE, NESSES CASOS, O ART. 319 DO CPP
Art. 319.  São medidas cautelares diversas da prisão:
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; 
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou
acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações; 
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado
dela permanecer distante; 
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução;         
 
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos;   
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua
utilização para a prática de infrações penais;         
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem
ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração;            
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento
ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial;           
IX - monitoração eletrônica.
2. Da individualização da pena
Depende de três critérios adotados pelo legislador:

2.1. Definição de crime e pena para o fato;


2.2. Imposição da pena pelo juiz;
2.3. Classificação do condenado, segundo seus antecedentes e
personalidade, para orientar a individualização da execução.
FUNDAMENTAÇÃO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA - ENCONTRA-SE NA CF, ART. 5°

XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:


a)privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

XLVII - não haverá penas:


a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do
apenado;

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;


L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de
amamentação;
3. Princípio da proporcionalidade: é um princípio constitucional
implícito. A pena deve ser equivalente ao fato, à relevância do bem
jurídico tutelado e às circunstâncias e condições pessoais do agente.

4. Princípio da pessoalidade: inciso XLV, art. 5° da CF: “nenhuma


pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar
o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei,
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do
valor do patrimônio transferido”.

Obs.: Trata-se de desdobramento do princípio da responsabilidade


penal individual, da responsabilidade subjetiva, e da culpabilidade.
5. Da vedação do “bis in idem”: encontra-se fundamentado no
Estatuto de Roma.

“Art. 20: Salvo em disposição em contrário do presente Estatuto,


nenhuma pessoa poderá ser julgada pelo Tribunal por atos constitutivos
de crimes pelos quais este já a tenha condenado ou absolvido.
Nenhuma pessoa poderá ser julgada por outro Tribunal por um crime
mencionado no art. 5° relativamente ao qual já tenha condenada ou
absolvida pelo Tribunal” .
 
Este princípio tem três significados:

1. Processual – ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato.

2. Material – nenhum pode ser condenado duas vezes pelo mesmo fato;

3. Execucional – ninguém pode cumprir a pena duas vezes (executar a pena)


pelo mesmo fato.

Você também pode gostar