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DIREITO CONSTITUCIONAL I

 MÓDULOS
 
Módulo I – Introdução ao Direito Constitucional

Módulo II – Constituição: conceitos, classificações, sinônimos

Módulo III – Histórico das Constituições

Módulo IV - Normas constitucionais no tempo - teoria da recepção

Módulo V - Poder Constituinte

Módulo VI – Preâmbulo constitucional, fundamentos e objetivos da República Federativa


do Brasil. Separação de Poderes

Módulo VII– Normas constitucionais: aplicabilidade e interpretação.

Módulo VIII – Processo Legislativo


 
DIREITO CONSTITUICIONAL

1 - Conceito: É o ramo do direito público que estuda a Constituição.

Estuda o conjunto de normas supremas encarregadas de organizar e


estruturar o Estado e delimitar as relações de Poder.

DEO

Direitos e garantias fundamentais


Estrutura do Estado
Organização dos Poderes
DEO

Direitos e garantias fundamentais


Forma de Governo

Estrutura do Estado Forma de Estado

Sistema de Governo

Poder legislativo

Organização dos Poderes Poder Executivo

Poder Judiciário
I - DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

- Direitos Individuais (art. 5º + §2, art. 5: § 2º Os direitos e garantias expressos nesta
Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados,
ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte decisão do
STF)

- Direitos Sociais (arts. 6 à 11 e art. 193 e seg.)

- Direitos de Nacionalidade (art. 12)

- Direitos Políticos (arts. 14, 15 e 16)

- Direitos relativos aos partidos políticos (art. 17)


II - ESTRUTURA DO ESTADO

1 - ESTADO

- Conceito:
De forma sucinta encontra-se a conceituação formulada pelo Prof. Dalmo de
Abreu Dallari, que assim ensina:
"Estado é uma ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum
de um povo situado em determinado território".
Acrescenta-se a finalidade do Estado, a busca do bem comum.

O Estado é constituído de quatro elementos: povo, território, governo e bem


comum.
Elementos Essenciais do Estado

- POVO: consiste no elemento humano do Estado, ou seja, o conjunto de pessoas


que mantêm um vínculo jurídico político com o Estado pelo qual se tornam parte
integrante deste. Ou, de forma mais sucinta, o conjunto de pessoas naturais que
pertencem ao Estado.
Não se confunde com população.
Obs: Direitos da nacionalidade – art. 12 CF (brasileiros natos e naturalizados)

-TERRITÓRIO: é a base espacial indispensável ao Estado, para exercer seu poder de


governo sobre os indivíduos, nacionais e estrangeiros, que se encontrem dentro dos
limites em que impera, sendo portanto o local físico de atuação do Estado.
- GOVERNO: é a forma política da Nação, a autoridade do Estado, o órgão

político dirigente do Estado, dotado de poder, tendo como principal


característica de ser o elemento condutor do Estado.

- BEM COMUM: A doutrina vem reconhecendo a existência de um quatro


elemento: o bem comum, que é a busca pelo bem estar da nação. No
texto constitucional, está materializada a finalidade no art. 3º, que
estabelece os objetivos da República Federativa do Brasil.
2 – FORMAS DE GOVERNO

Existem duas são formas de governo adotadas pelos Estados:

- Monarquia

- República

 
- Monarquia:

É a forma de governo em que as funções estatais estão subordinadas


a um único órgão, que não está na dependência da vontade popular.

O monarca é o chefe da família real, segundo a tradição, uma família


escolhida por Deus para o exercício do comando da Nação.
Atualmente, só se admite como constitucional a Monarquia
Parlamentar (também denominada Limitada), na qual a Chefia do Poder
é dividida em duas partes: a Chefia do Estado, pertencendo ao
Monarca, e a Chefia do Governo, exercida pelo Primeiro Ministro.

Características:

As características fundamentais da Monarquia são:

- vitaliciedade
- hereditariedade
- irresponsabilidade
-Vitaliciedade
A vitaliciedade gera o exercício do poder monárquico até a morte, fazendo
com o Chefe de Estado só perca o poder em três hipóteses: falecimento, abdicação e
destituição.

- Hereditariedade
Outra característica da monarquia, a hereditariedade, gera a transferência da
titularidade da chefia de Estado do poder de pais para filho, ou melhor, dentro da
mesma família.
Caberá à Constituição de cada Estado a regulamentação da supracitada
transmissão. Normalmente o filho primogênito é o primeiro sucessor, depois os
demais filhos, respeitando a sempre a ordem de nascimento. Esgotando-se estes
surgem os netos, irmãos, sobrinhos e primos, respectivamente.

-Irresponsabilidade

Na forma monárquica, o Chefe de Estado não possui responsabilidade


política por seus atos, não cometendo, por conseguinte, crime de responsabilidade –
não há ensejo para o processo de impeachment.
- República:

O vocábulo República origina-se do latim respublica, com o significado de a coisa


(res) pública (publica, forma feminina de publicus), sendo a coisa comum, aquilo
que é de todos.

Desta feita a forma republicana representa que o poder estatal não é atribuído
apenas a uma pessoa (como na Monarquia) mas a todo o povo (República
Democrática) ou a um grupo "privilegiado" (República Aristocrata)

Características:

As características fundamentais da República são:

- temporariedade
- eletividade
- responsabilidade
- Temporariedade

O Chefe de Governo recebe um mandato, com prazo de duração


predeterminado.

- Eletividade

Na República o Chefe de Estado é um representante do povo ou de um


determinado grupo, fazendo, por conseguinte, necessária a sua eleição.

- Responsabilidade

O Chefe de Estado é politicamente responsável, podendo ser sujeito passivo do


crime de responsabilidade – podendo sofrer o processo de impeachment.
3 - FORMAS DE ESTADO

O Estado pode apresentar, segundo a doutrina dominante, de duas formas


distintas, a saber:

- Estado Unitário
- Estado Federal
- Estado Unitário

- O Estado Unitário, ou Simples, é caracterizado pela centralização político-


administrativa, ou seja, há um único Poder Executivo, Legislativo e
Judiciário para todo o território do Estado, existindo, dessa forma, uma
unidade de poder.

Existe uma única autoridade de governo e administrativa (um único Poder


Executivo), uma única legislação (um único Poder Legislativo) e uma única
estrutura judiciária (um único Poder Judiciário) estendem-se
uniformemente sobre todo o território, sobre toda a comunidade nacional.

Como exemplo encontra-se: Portugal, França e Bélgica, Brasil Const. 1824


- Estado Federal

O Estado Federal distingue-se por existir uma descentralização político-


administrativa. O território do Estado é dividido em diversas unidades territoriais - no Brasil são
os Estados-membros e Municípios -, que gozam de autonomia administrativa, financeira e
legislativa. Assim, o poder se reparte no espaço territorial, gerando uma multiplicidade de
organizações governamentais.

Ex: Brasil, Argentina, Estados Unidos, Suíça

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e
doDistrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos;

Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os


Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição
Histórico do Estado Federativo

O federalismo surgiu nos EUA, com a Constituição americana de 1787.

No Brasil surgiu com a Constituição republicana de 1891, que passou adotar


a forma republicana de governo e o sistema federativo de Estado.

- Federalismo Americano CENTRÍPEDO

- Federalismo Brasileiro CENTRÍFUGO


CARACTERISTICAS DA FEDERAÇÃO:

- Descentralização Político Administrativa prevista na CF

- Composição do Poder legislativo federal (Senado Federal)

- Intangibilidade da Forma Federativa de Estado (impossibilidade de secessão)

- Existência de um guardião da Constituição: STF

- Possibilidade de Intervenção Federal

- Autonomia dos Entes políticos

OBS: autonomia x soberania


OBS: Entes que Constituem a Federação brasileira

- União
- Estados
- Distrito Federal
- Municípios

Estas entidades recebem a denominação de pessoas políticas,


entes políticos, entidades políticas, pessoas federativas, entes
federativos ou entidades federativas.

U, E, DF, M
4 – SISTEMA DE GOVERNO

Tendo em vista ao modo como se relacionam os poderes Legislativo e o Executivo, existem dois

sistemas de governo: - PARLAMENTARISMO


- PRESIDENCIALISMO

a) Parlamentarismo: Neste sistema de governo o Executivo e o Legislativo são interdependentes.


Apresentam as seguintes características:
- Atribuição a pessoas distintas da chefia de Estado e da chefia de governo;
- Interdependência do Poderes Legislativo e Executivo, uma vez que compete ao próprio Parlamento a
escolha do Primeiro-Ministro.

2º Reinado – parlamentarismo às avessas (Poder moderador)


Brasil
1961 - João Goulart (plebiscito 1963 – volta ao presidencialismo)
b) Presidencialismo: Neste sistema de governo os Poderes Executivo e Legislativo são independentes.
Apresentam as seguintes características:

- Atribuição a uma mesma pessoa da chefia de Estado e da chefia de governo


- Eleição, pelo povo, de forma direta ou indireta
- Mandato certo para o exercício da chefia do poder
- Separação entre os Poderes Executivo e Legislativo

Obs: Plebiscito 1993


Art. 2º ADCT: No dia 7 de setembro de 1993 o eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república ou
monarquia constitucional) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que devem vigorar no
País. 
5 – REGIME POLÍTICO

Tendo em vista ao grau de respeito à vontade do povo nas decisões do Estado, os regimes políticos
podem ser:

a) Democrático: Governo do povo. É o regime político cujo poder emana da vontade popular. Na
clássica conceituação é o governo do povo, pelo povo e para o povo.

b) Não Democrático: É o regime político cuja característica é a não-prevalência da vontade popular na


formação do governo.
III - ORGANIZAÇÃPO DOS PODERES

- Poder Executivo

- Poder Legislativo

- Poder judiciário

OBS: Art. 60, §4º, III– cláusula pétrea


4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
1 - ATRIBUIÇÕES PRECÍPUAS/BÁSICAS/TÍPICAS:

Poder Legislativo:

a) inova a ordem jurídica criando lei (lato senso) – art. 59 da CF;

b) Fiscalização:

1. Político Administrativa – art. 58 da CF (CPI).

2. Político Econômico-Financeira – art. 70/75 da CF (Tribunal de Contas)

Poder Executivo:

a) aplica a lei ao caso concreto (art. 37 da CF), administrando a coisa pública.

Poder Judiciário:

a) aplica o direito ao caso concreto, substituindo a vontade das partes, resolvendo o


conflito, com força definitiva.
2 – ATRIBUIÇÕES ATÍPICAS:

Poder Legislativo:

a) julga o Presidente pela prática de crime de responsabilidade – art. 52 par. único da

CF.

b) administra seus assuntos internos – arts. 51, IV e 52, XIII, da CF.

Poder Executivo:

a) julga: em concurso público, processo administrativo tributário, processo


administrativo disciplinar, licitação, etc.

b) inova a ordem jurídica: Medida Provisória.

Obs. Lei Delegada não é exemplo de função atípica, mas sim de exceção ao princípio
da indelegabilidade.

Poder Judiciário:

a) administra seus assuntos internos: auto-governo dos tribunais.

b) inova a ordem jurídica: Regimento Interno dos Tribunais.


PODER LEGISLATIVO

1 - ESTRUTURA DO PODER LEGISLATIVO

DEPUTADOS FEDERAIS
- BICAMERAL – CN
SENADORES

- UNICAMERAL: - Assembleia Legislativas: DEPUTADOS ESTADUAIS

- Câmara Distrital: DEPUTADOS DISTRITAIS

- Câmara de Vereadores: VEREADORES


– DEPUTADOS FEDERAIS

- mandato: 4 ANOS

- representantes do povo

- eleitos pelo sistema proporcional

- nº de DF: de 8 a 70 ( regulamentado pelo LC 78/93)

– SENADORES

- mandato: 8 anos (renovação 1/3 e 2/3)

- representante dos Estados membros (princípio da participação)

- eleitos pelo sistema majoritário

- nº de SF: 3 ( 2 suplentes)
– DEPUTADOS ESTADUAIS

- mandato: 4 anos
- eleitos pelo sistema proporcional
- nº de DE = art. 27, caput

Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao


triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número
de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais
acima de doze.
PODER EXECUTIVO

Função típica:

a) administra a coisa pública, aplicando a lei ao caso concreto (art. 37 CF).

Função atípica:

a) julga: em concurso público, processo administrativo tributário, processo


administrativo disciplinar, licitação, defesa de multa de trânsito, etc.

b) inova a ordem jurídica: Medida Provisória.

OBS: Lei Delegada não é exemplo de função atípica, mas sim de exceção
ao princípio da indelegabilidade.
1 - ESTRUTURA DO PODER EXECUTIVO

- âmbito federal: Presidente da República, auxiliado pelos Ministros deEstado

- âmbito estadual: Governadores, auxiliado pelos secretários de Estado

- âmbito Distrito Federal: Governador do DF

- âmbito municipal: Prefeito


PODER JUDICIÁRIO

FUNÇÃO TÍPICA:
- aplica o direito ao caso concreto, substituindo a vontade das partes, resolvendo o
conflito, com força definitiva.

FUNÇÃO ATÍPICA:

- Legislativa: elabor seu Regimento Interno

- Executiva/administrativa: organização dos tribunais, concurso de seus servidores, etc.


O estudo do direito constitucional será dividido em 3 partes:

CONST. I – Estudo da Teoria Geral da Constituição e Processo


legislativo

CONST. II – Controle de Constitucionalidade e Direitos e Garantias


Fundamentais

CONST. III – Estrutura do Estado (sistema federativo) e


Organização dos Poderes (Poder Executivo, legislativo e Judiciário)
Módulo II

1 - CONSTITUCIONALISMO e NEOCONSTITUCIONALISMO

O constituicionalismo é um fenômeno relacionado a ideia de que todo Estado, em qualquer


época da humanidade, possui Constituição.
A ideia de Constituição remonta aos primórdios da humanidade. Manifestava-se de forma muito
simples, sob a forma de organizações familiares com seus chefes, lideres, clãs que traçavam normas
supremas que norteavam a vida em comunidade e que estabeleciam a ordenação jurídica desses povos.
A ideia foi evoluindo com documentos históricos até o surgimento das primeiras Constituições
escritas no século XVIII, como forma de assegurar os direitos e garantias fundamentais.
- 1215: Magna Carta do Rei João Sem Terra
- 1638: “Petittion of Rights”
- 1689: “Bill of Rights”
Possui como marco histórico a Constituição dos EUA de 1787 e a francesa de 1791.

Hoje fala-se em neoconstitucionalismo.


2 - OBJETO DO DIREITO CONSTITUCIONAL

O Direito Constitucional tem por objeto a constituição política do Estado, no sentido


amplo de estabelecer sua estrutura, a organização de suas instituições e órgãos, o modo de
aquisição e limitação do poder, através, inclusive, da previsão de diversos direitos e garantias
fundamentais.

A Constituição CRIA, DELIMITA E LIMITA poderes.


 
3 - RELAÇÃO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO

a) Direito Constitucional e Direito Administrativo: O Direito Administrativo é


considerado o ramo jurídico mais afim ao Direito Constitucional. Vide artigos 37 a 43
(Administração Pública); Artigos 84 e 87, parágrafo único (poderes do Presidente e
funções dos ministros de Estado); Artigos 182, 184 e 185 (desapropriação) da
Constituição Federal

b) Direito Constitucional e Direito Tributário: Os princípios aplicáveis à atividade


tributária do Estado encontram-se consignados na Constituição. Vide artigos 145 a
162 (Tributação) da Constituição Federal.
c) Direito Constitucional e Direito Penal: Vide princípio estabelecido no artigo 5º, inciso XXXIX
da Constituição: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem prévia cominação legal”.

A Constituição Federal trata de diversas garantias de caráter penal nos incisos XXXVII a LXVII do
artigo 5º.

d) Direito Constitucional e Direito Processual: Na Constituição há um conjunto de normas


denominadas de “princípios constitucionais do processo”. Pode-se citar na Constituição Federal
as seguintes normas processuais: Artigo 5º incisos LXXIV (assistência judiciária), LXIX (mandado
de segurança) e LXXIII (ação popular)

e) Direito Constitucional e Direito Internacional: O artigo 4º, incisos I a X da Constituição trata


dos princípios que regem a atuação internacional do Estado Brasileiro.
f) Direito Constitucional e Direito do Trabalho: Os direitos do trabalhador encontram-se
assegurados nos artigos 6º, 7º, 8º e 9º da Constituição

g) Direito Constitucional e Direito Privado: A Constituição trata do amparo à família, aos filhos e
aos idosos (artigos 226 a 230) e da defesa do consumidor (artigo 5º, inciso XXXII), dentre outras
normas voltadas para a regulamentação do Direito Privado.
4 – CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO

- Em sentido lato sensu, Constituição é o ato de constituir, de estabelecer, de


firmar; ou, ainda, o modo pelo qual se constitui uma coisa, um ser vivo, um grupo de
pessoas; organização, formação.

- J. J. Gomes Canotilho define a Constituição, em seu caráter jurídico, como “a lei


fundamental e suprema de um Estado, que contém normas referentes à estruturação
do Estado, à formação dos poderes públicos, forma de governo e aquisição do poder
de governar, distribuição de competências, direitos, garantias e deveres dos cidadãos.
Além disso, é a Constituição que individualiza os órgãos competentes para a edição de
normas jurídicas, legislativas ou administrativas”.

- José Afonso da Silva define como sendo “considerada sua lei fundamental, seria,
então, a organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas,
escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o
modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os
limites de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas garantias;
em síntese, é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do
Estado”.
4.1 CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO (visões diferentes sobre o assunto
constitucional)

Todas as concepções de Constituição estão relacionadas ao seu fundamento. As concepções são


formas diversas de se analisar a realidade.

- Concepção Sociológica (Ferdinand Lassale – 1862 – livro: a Essência da Constituição.


Distingue a constituição real (ou efetiva) da constituição escrita (ou jurídica).
De acordo com Ferdinand Lassale, dentro de um Estado existem duas constituições:

(a) a escrita: documento constitucional formal, elaborado pelo poder constituinte;

(b) a real: que é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada
nação, ou seja, quem detém o poder determina as regras (é aquilo que acontece na
realidade - Exs: aristocracia, burguesia, os grandes banqueiros, detêm o poder político

do Estado).
Assim, a premissa que embasou a exposição foi a seguinte: as questões constitucionais
não são questões jurídicas, mas problemas que se resolvem pelas forças políticas existentes em
cada  sociedade.

A constituição real prevalece sobre a escrita (por isso concepção sociológica), uma vez
que fundamentada nas relações sociais. Assim, segundo Lassale, a constituição escrita que não
corresponder à real não passa de “uma folha de papel”. Nesse sentido, a constituição escrita só
tem legitimidade se corresponder à real.
- Concepção Política (Carl Schmitt – 1928 – obra: Teoria da Constituição)
Segundo essa teoria, o fundamento da constituição está na política (não no direito,
nem na filosofia, nem na sociologia, etc.), ou seja, na decisão política que a antecede (que deu
origem à constituição).
Para essa concepção existem dois tipos de normas na Constituição: constituição
propriamente dita e leis constitucionais.
Formalmente são idênticas: têm a mesma forma, estão contidas no mesmo documento;
mas materialmente são diferentes.
a) a constituição propriamente dita: abrangeria apenas aquelas normas que decorrem de uma
decisão política fundamental.

Teria como conteúdo:

1 - direitos fundamentais

2 - estrutura do Estado (unitário ou federal, repartição de competências, etc.)

3 - organização dos poderes (competências do legislativo, executivo e judiciário, separação dos


poderes etc.), que são as chamadas normas materialmente constitucionais
DEO
Assim, são caracterizadas pelo aspecto material (além do formal). Exs. na CRFB - arts. 1º e 18.
b) as leis constitucionais: que são todas as normas encontradas no documento (texto) constitucional, mas
que não decorrem de uma decisão política fundamental. São caracterizadas pelo aspecto formal. Ex: art.
242, § 2º, CF/88 (Colégio Pedro II).

Art. 242
§ 2º - O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido
na órbita federal.

A constituição propriamente dita e as leis constitucionais são formalmente iguais, mas materialmente
distintas.
- Concepção Jurídica de Hans Kelsen (1925): Teoria pura do direito.

Distingui-se a Constituição em sentido jurídico-positivo da Constituição em sentido lógico-


jurídico.

A constituição em sentido lógico-jurídico corresponde à chamada norma


fundamental hipotética, que nada mais é do que o fundamento da Constituição em
sentido jurídico-positivo.

“Hipótetica” pois é uma norma pressuposta (não posta), ou seja, que não existe na
realidade, apenas significando que: “todos devem obedecer a Constituição”, é fruto de uma
composição social.
A constituição em sentido jurídico-positivo é a norma constitucional elaborada pelo
poder constituinte.

Assim, para Hans Kelsen: A constituição é um conjunto de normas como as demais leis,
e por ser lei, ela encontra o seu fundamento no direito e não precisa se socorrer da sociologia, da
filosofia, da política ou da história.

O fundamento da Constituição está no próprio direito. Assim, a constituição é norma


pura, ou seja, é puro dever-ser. O direito diz o que deve ser (não o que é).
- Concepção Culturalista de Constituição

Não tem um titular da tese e no Brasil iniciou-se com Meireles Teixeira. Remete ao
conceito de Constituição Total, que regula a todos os aspectos da vida social.

É uma reunião das três concepções anteriores. A Constituição tem um aspecto sociológico,
um político e outro jurídico. Todos seriam complementares entre si.
ASSIM:
- Sociológica – Ferdinand Lassale: A essência da Constituição
Constituição Jurídica x Constituição real

- Política – Carl Shimitt: Teoria da Constituição – 1928


Normas material e formalmente constitucionais (Constituição e leis
constitucionais)

- Jurídica – Hans Kelsen: Teoria Pura do Direito – 1934


Constituição no sentido:
- lógico-jurídico (norma hipotética fundamental)
- jurídico-positivo (norma positiva suprema)

-Cultural – Meirelles Teixeira, JAS


- reunião das 3 teorias anteriores
5. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

Há diversas classificações de Constituição adotas pelos autores, sendo principais as


seguintes:

a) Quanto ao conteúdo:

- Constituição material: consiste no conjunto de regras materialmente


constitucionais, estejam ou não codificadas em um único documento.

- Constituição formal: é aquela consubstanciada de forma escrita, por meio de um


documento solene estabelecido pelo poder constituinte originário.
 
b) Quanto à forma:

- Constituição escrita: é o conjunto de regras codificado e sistematizado em um único


documento, para fixar-se a organização fundamental.

- Constituição não escrita: é o conjunto de regras não aglutinadas em um texto


solene, mas baseado em leis esparsas, costumes, jurisprudência e convenções. Exemplo:
Constituição Inglesa, Constituição de Israel.
c) Quanto ao modo de elaboração:

- Constituição dogmática: se apresenta como produto escrito e


sistematizado por um órgão constituinte, a partir de princípios e ideias
fundamentais da teoria política e do direito dominante.

- Constituição histórica: é fruto da lenta e contínua síntese da


História e tradições de um determinado povo. Exemplo: Constituição
Inglesa.
d) Quanto à origem:

- Constituição promulgada (popular, democrática, votada): proveniente do trabalho


de uma Assembleia Nacional Constituinte composta de representantes do povo, eleitos com a
finalidade de sua elaboração. Exemplos: Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988.

- Constituição outorgada: é elaborada e estabelecida sem a participação popular,


através de imposição do poder da época. Exemplos: Constituições brasileiras de 1824, 1937,
1967 e EC n.° 01/1969.

- Constituição cesarista: é aquela que, não obstante outorgada, depende da


ratificação popular por meio de referendo.
 
e) Quanto à estabilidade:

- Constituição imutável: onde se veda qualquer alteração, constituindo-se relíquia


histórica.

- Constituição rígida: é aquela que só pode ser alterada através de um processo legislativo
mais solene e dificultoso do que o existente para a edição das demais espécies normativas.
Exemplo: Artigo 60 da Constituição de 1988.

- Constituição flexível: em regra não escrita, excepcionalmente escrita, poderá ser alterada
pelo processo legislativo ordinário.

- Constituição semi-rígida ou semiflexível: uma parte poderá ser alterada pelo processo
legislativo ordinário, enquanto outra parte somente por um processo legislativo especial e mais
dificultoso.
OBS: Para Alexandre de Moraes a Constituição Federal de 1988 pode ser
considerada como super-rígida, uma vez que em regra poderá ser alterada por um
processo legislativo diferenciado, mas, excepcionalmente, em alguns pontos é
imutável, por conta das cláusulas pétreas (artigo 60º, parágrafo 4º da Constituição
Federal).
f) Quanto à extensão e finalidade:

- Constituição analítica (prolixa, abrangente): examina e regulamenta todos os assuntos


relevantes à formação, destinação e funcionamento do Estado. Exemplo: Constituição brasileira
de 1988.

- Constituição sintética (concisa, negativa): prevê somente os princípios e as normas gerais


de regência do Estado, organizando-o e limitando seu poder, por meio da estipulação de
direitos e garantias fundamentais. Exemplo: Constituição Norte-americana.

OBS: Constituição dos EUA de 1787: 7 arts. originais e 27 emendas.


 
5.1. CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988

Nossa atual Constituição Federal possui a seguinte classificação: formal, escrita, dogmática,
promulgada, rígida e analítica. ( Seguindo ordem acima).
5.2. SINÔNIMOS DE CONSTITUIÇÃO

Várias denominações de Constituição são utilizadas pelos autores, objetivando


destacar o caráter de superioridade das normas constitucionais em relação às demais
normas jurídicas, tais como: Magna Carta, Lei Fundamental, Lei Superior, Lei
Máxima, Lei Maior, Código Supremo e Carta Política.
MÓDULO III
HISTÓRICO DAS CONSTITUIÇÕES

1824
-Monarquia
-Parlamentarismo (2º reinado)
-Estado unitário e centralizado
-Poder Moderador
-Outorgada
-Religião católica oficial

1891
- Estados Unidos do Brasil (até 1968)
-República presidencialista
-Presidencialismo
-Federalismo
-Promulgada
-Estado laico

1934
-República presidencialista
-Federalismo
-Promulgada
1937
- Polaca
- Outorgada
- Francisco Campos

1946
- Promulgada
- Parlamentarismo – 1961

1967
- Outorgada

EC/69 ou CF/69?

1988 
MÓDULO IV

NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO

1 - TEORIA DA RECEPÇÃO

Conceito: é um processo pelo qual a nova constituição recepciona as leis já


existentes oriundas da ordem jurídica anterior, se o conteúdo delas for materialmente
compatível com a nova constituição.

Na análise da compatibilidade verifica-se somente o conteúdo da norma e


não a sua forma (compatibilidade material).

Assim, a norma recepcionada pela nova Constituição pode adquirir uma


nova roupagem, diversa de sua origem. Leis que foram elaboradas como Leis ordinárias, por
ex. podem ser recepcionadas como Leis Complementares, ou decretos-lei podem ser
recepcionados como leis ordinárias.
Compatibilidade CF/88 Compatibilidade
Material Formal e Material

Norma Pré-constitucional Norma Pós- Constitucional


Ex1: CTN = Lei Ordinária 5172/1966 e foi recepcionado como Lei
complementar, porque a CF exige no art. 146 que normas que tratam
d direito tributário sejam elaboradas por meio de Lei Complementar.
 
Ex2: Código Penal: Decreto Lei 2848/1940 e foi recepcionado como Lei Ordinária,
porque a CF exige que as normas de direito penal sejam tratadas por Lei
ordinárias.
No momento em que uma nova Constituição é colocada em vigor há,
automaticamente, um processo de reconhecimento da legislação pretérita e uma
verificação de sua conformidade com a nova ordem que se estabelece.
Quanto às leis infraconstitucionais que foram editadas sob fundamento de
validade de Constituição anterior, não haverá necessidade de votação de novas
leis, uma vez que, se uma determinada lei editada antes for compatível com a
nova Constituição, será recepcionada por esta, possuindo, então, um novo
fundamento de validade.
Caso as leis infraconstitucionais não sejam compatíveis com o novo Diploma
Constitucional, serão revogadas, ou não recepcionadas. Assim, uma lei que não for
recepcionada será revogada, servindo a Constituição como uma espécie de
2 – TEORIA DA DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO

A desconstitucionalização consiste na manutenção de regra da Constituição


anterior, mas recepcionado pela nova Constituição, expressamente, como lei
infraconstitucional, desaparecendo o status de norma constitucional.

A Constituição Federal de 1988 não adotou este sistema.


Teoria da Desconstitucionalização

CF/67 CF/88

A desconstitucionalização consiste na manutenção da regra da


Constituição anterior, mas recepcionado pela nova Constituição,
expressamente, como lei infraconstitucional, desaparecendo o status de
norma constitucional.
MÓDULO V

1- PODER CONSTITUINTE

. Conceito: “É a manifestação soberana da suprema vontade política de


um povo, social e juridicamente organizado.”(Alexandre de Moraes). É o
poder capaz de criar uma nova constituição ou de proceder às reformas
necessárias à sua atualização.
 
2. Titularidade: o povo.

Art. 1º Parágrafo único: Todo poder emana do povo, que o exerce por
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
constituição.

3. Exercício: Mandatário do povo = Poder Legislativo = Assembléia


Nacional Constituinte.
4. Espécies:

- Originário (genuíno ou de 1º grau)


- Derivado (constituído ou de 2º grau)

ORIGINÁRIO

PODER CONSTIUINTE REFORMADOR (art. 60 CF)

- DERIVADO REVISOR ( art. 3º ADCT)

DECORRENTE (art. 25 da CF)


5. Poder Constituinte Originário

- Conceito: “É aquele que elabora e estabelece a Constituição de um


novo Estado, organizando-o e criando os poderes destinados a reger os
interesses de uma comunidade.”(Alexandre de Moraes)
- Formas de expressão:

a) outorga: através de um movimento revolucionário, cujo líder


estabelece uma Constituição, por declaração unilateral. No Brasil, tivemos
as seguintes constituições: 1824, 1937, AI nº 1, de 09/04/1964, 1967 e
1969;

b) Assembléia Nacional Constituinte ou Convenção,


Deliberação, Eleições: nasce por vontade do povo, através de seus
representantes, cuja convocação é realizada pelo agente revolucionário,
para estabelecer uma nova Constituição. No Brasil tivemos as
Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988.
- Características:
a) Inicial: definirá a base da ordem jurídica;
b) Autônomo: só ao seu exercente cabe determinar quais os termos em que a nova
Constituição será estruturada;
c) Ilimitado: não está sujeito direito anterior, não há limites para a definição da nova
Constituição, podendo desconsiderar, inclusive, as “Cláusulas Pétreas” do
ordenamento jurídico anterior;
d) Incondicionado: não há forma prefixada para manifestar a vontade, devendo,
assim, instituir o próprio Regulamento, definindo como os trabalhos serão
realizados.
e) Permanente: não desaparece com a conclusão de sua obra, a nova Constituição,
porque a qualquer tempo poderá ser exercido novamente, para o estabelecimento
de novo ordenamento jurídico
6 - Poder Constituinte derivado
 
Conceito: É o poder de reforma da Constituição. Está inserido na
própria Constituição, pois decorre de uma regra jurídica de
autenticidade constitucional, portanto conhece limitações
constitucionais expressas e implícitas e é passível de controle de
constitucionalidade.
 
Características:

a) Derivado: retira sua força do Poder Constituinte originário;


b) Subordinado: limitado pelas normas constitucionais;
c) Condicionado: o seu exercício deve seguir regras da Constituição (Emenda
Constitucional, art. 60 da CF/88
 

Espécies:

- Reformador
- Revisor
- Decorrente
 
A - Reformador. Altera o texto constitucional, na forma em que ela própria define.
Competência: no Brasil é do Congresso Nacional. (Emendas Constitucionais)
Existem atualmente (outubro/2020) 107 emendas constitucionais.

- Limitações:
 
1 - circunstanciais – proíbem a reforma constitucional durante a vigência de estado de
defesa, estado de sítio e intervenção federal.
 
- Estado de defesa e Estado de Sítio: são situações emergências nas quais o
Presidente da República conta com poderes especiais para suspender algumas
garantias individuais asseguradas pela Constituição. Ex: calamidades públicas de
grandes proporções, guerras, etc.
 
Estado de defesa (art. 136 da CF): A anormalidade ocorre em alguns pontos do
território nacional. (Ex: calamidades da natureza). Podem se restringidos os direitos
de reunião, sigilo das correspondências, e a possibilidade de prisão por crime de
Estado, determinado diretamente pelo executor do estado de defesa.
A execução do Estado de defesa durará no máximo 30 dias, prorrogável por
igual prazo.
 
Estado de sítio (art. 137): A anormalidade está generalizada por todo o
território nacional. (Ex: comoção grave de repercussão nacional;
ineficácia da medida tomada no Estado de defesa; declaração do Estado
de guerra). No caso de declaração do Estado de Sítio por declaração de
guerra todas as garantias constitucionais podem ser suspensas
( inclusive o direito à vida). No caso de comoção grave e ineficácia da
medida tomada no Estado de defesa, podem ser restringidos os direitos
previstos no art. 139 da CF, ex: inviolabilidade de domicílio, obrigação
de permanência em localidade determinada, requisição de bens, etc.
A execução do Estado de Sítio durará no máximo 30 dias, mas são
admitidas prorrogações por igual prazo, ou no caso de guerra, poderá
ser decretado pelo tempo que durar a guerra.
2 - materiais e substanciais – excluem do poder de reforma
determinadas matérias.
- explícitas: cláusulas pétreas - art. 60, §4º:
-Implícitas

. EXPLÍCITAS:
§4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir:
I – a forma federativa de Estado;
II – o voto direto, secreto, universal e periódico;
III – a separação dos Poderes;
Forma Federativa do Estado: Não pode ser objeto de emenda constitucional a
proposta tendente a abolir a forma federativa de Estado (matéria estipulada na CF) e
nem a tendente a modificar a auto-organização ou autonomia dos Estados (elemento
essencial de um Estado Federal).

 
Voto direto, secreto, universal e periódico: Não pode ser objeto de emenda
constitucional a proposta tendente a abolir ou modificar o voto e suas características.

O voto é o instrumento por meio do qual se exerce a capacidade eleitoral


ativa do direito de sufrágio. Direito de sufrágio é caracterizado pela soma da
capacidade eleitoral ativa e passiva.
 
Voto direto: Não pode ser objeto de emenda constitucional a proposta tendente a
abolir ou modificar a eleição direta (mandante eleitor escolhe diretamente o
mandatário).
 
Entretanto, a Constituição traz um caso em que a eleição será indireta, isto é, quando
houver dupla vacância (Presidente e Vice-Presidente) nos 2 últimos anos do período
presidencial. Neste caso, será realizada eleição 30 dias depois da última vaga, pelo
Congresso Nacional, na forma da lei.  Trata-se de uma exceção à regra do artigo 14 da
Constituição Federal.
 
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á
eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição
para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso
Nacional, na forma da lei.
Voto secreto: Não pode ser objeto de emenda constitucional a proposta tendente a
abolir ou modificar o sigilo do voto, pois é garantia da liberdade de expressão. Todos
têm o direito de ninguém saber o conteúdo de sua votação (cabine indevassável).
 
Voto universal: Não pode ser objeto de emenda constitucional a proposta tendente a
abolir ou modificar o direito de voto a todos os nacionais sem qualquer discriminação.
 
A idade mínima para votar (16 anos) é determinada tendo em vista que a pessoa tem
que ter um mínimo de discernimento para exercer esse direito político e que não
retira o caráter universal do voto.
 

Voto periódico: Não pode ser objeto de emenda constitucional a proposta tendente a
abolir ou modificar o direito de periodicamente renovar o poder. Não pode haver
investidura vitalícia.
 
Pode haver proposta de emenda constitucional para suprir a obrigatoriedade do voto,
pois se o constituinte quisesse que tal característica fosse imutável deveria tê-la
incluído no artigo 60, §4 da CF, com as demais características.
A separação dos poderes: Não pode ser objeto de emenda constitucional a proposta
de ingerência de um poder no outro, pois seria tendente a abolir a separação dos
poderes.

Pelo princípio da separação dos poderes, as funções do Estado estão


divididas entre o Poder Legislativo, Poder Executivo, Poder Judiciário, que são
independentes, mas harmônicos entre si (art. 2º da CF).
 
 
Direitos e garantias individuais: Não pode ser objeto de emenda constitucional a
proposta tendente a abolir os direitos e garantias individuais.

Os Direitos Individuais são uma espécie dos Direitos Fundamentais,


juntamente com os Direitos Sociais, direitos da nacionalidade e Direitos Políticos.

OBS 1: Possibilidade de modificação da menoridade penal:

 
 Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às
normas da legislação especial.
1ª Corrente: Pode ser objeto de emenda constitucional, pois os princípios de direito
penal e de direito processual penal, referentes à pessoa individual, estão localizados
no artigo 5º da CF e se o constituinte não incluiu neste artigo o artigo 228, demonstra
que aquela regra não está revestida de imutabilidade.
 

2ª Corrente: Não pode ser objeto de emenda constitucional, pois é um direito


individual apesar de não estar previsto no art. 5º. O entendimento atual do STF é no
sentido de que os direitos individuais não são somente aqueles que se encontram
previstos no art. 5º. Eles estão espalhados por todo o texto constitucional. Assim, a
menoridade penal seria um direito individual e, portanto, não pode ser restringido.
 
3 ª Corrente: Outros doutrinadores argumentam no sentido de que, o que seria
considerado direito individual é a existência de uma menoridade penal. Assim,
havendo apenas a redução da idade penal, (mantendo-se, pois, intacta a previsão de
um marco de inimputabilidade no texto constitucional), restaria protegido o direito
fundamental à inimputabilidade, núcleo duro do artigo 228 da Constituição Federal
 
Não há dúvida de que, por lei ordinária, não pode ser mudada a imputabilidade penal
para 16 anos.
OBS 2: Possibilidade de estender à pena de morte (exceção do artigo 5º,
XLVII da CF), por meio de emenda constitucional, aos crimes hediondos:
XLVII - não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84,


XIX;

- Corrente majoritária: não é possível pois ofende o direito à vida.


II - implícitas: não estão expressamente previstas, mas, são
inerentes aos regimes e princípios da Constituição:

1 – as concernentes ao titular do poder constituinte


2 – as referentes ao titular do poder reformador –
pois um emenda não pode alterar o poder reformador
instituído pelo poder originário
3 – as relativas ao processo da própria emenda
 
 
3 - procedimentais ou formais - observância do processo legislativo de
para elaboração de Emendas previsto no art. 60 da CF
 
b) Decorrente. É o poder constituinte dos Estados-membros da
Federação, que se assenta na autonomia de que gozam essas pessoas
políticas na organização federal.

Deve guardar simetria com o modelo constitucional federal, em


virtude dos parâmetros de observância cogente pelos Estados-
membros, em observância do princípio da simetria.
Estrutura a organização das unidades componentes do Estado Federal;
Constituições estaduais: art. 25 e 11 do ADCT.

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis


que adotarem, observados os princípios desta Constituição.

Art. 11. ADCT Cada Assembléia Legislativa, com poderes constituintes,


elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da
promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta.
 
c) Revisor:
Previsto no artigo 3º dos ADCT estabeleceu que a revisão
constitucional seria realizada após 5 anos, contados da promulgação da
Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do
Congresso Nacional, em sessão unicameral. O procedimento anômalo
é mais flexível que o ordinário (das Emendas), pois neste segundo
exige-se sessão bicameral e 3/5 dos votos.
Possui limitação material (cláusulas pétreas) e o único que
possui limitação temporal, pois só poderia ser efetivado no prazo
mínimo de 5 anos após a promulgação da CF/1988.
Art. 3º ADCT: A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da
promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do
Congresso Foram elaboradas 6 emendas constitucionais de revisão:
MÓDULO VI
ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO

PREÂMBULO
TÍTULO I – DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
TÍTULO II – DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
TÍTULO III – DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
TÍTULO IV – DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
TÍTULO V – DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS
TÍTULO VI – DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO
TÍTULO VII – DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
TÍTULO VIII – DA ORDEM SOCIAL
TÍTULO IX – DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS
EMENDAS CONSTITUCIONAIS
 
1 - PREÂMBULO CONSTITUCIONAL

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte


para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e
individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça
como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada
na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica
das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da
República Federativa do Brasil”.
O preâmbulo de uma Constituição pode ser definido como documento de intenções do diploma, e consiste em
uma certidão de origem e legitimidade do novo texto e uma proclamação de princípios, demonstrando a ruptura
com o ordenamento constitucional anterior e o surgimento jurídico de um novo Estado.
É de tradição em nosso Direito Constitucional e nele deve constar os antecedentes e enquadramento
histórico da Constituição, bem como suas justificativas e seus grandes objetivos e finalidades.
- Apesar de não fazer parte do texto constitucional propriamente dito e, conseqüentemente, não conter normas
constitucionais de valor jurídico autônomo, o preâmbulo não é juridicamente irrelevante, uma vez que deve ser
observado como elemento de interpretação e integração dos diversos artigos que lhe seguem.
- Servindo de fonte interpretativa para dissipar as obscuridades das questões práticas e de rumo para a
atividade política do governo.
- O preâmbulo, portanto, por não ser norma constitucional, não poderá prevalecer contra texto expresso da
Constituição Federal, e tampouco poderá ser paradigma comparativo para declaração de inconstitucionalidade,
porém, por traçar as diretrizes políticas, filosóficas e ideológicas da Constituição, será uma de suas linhas mestras
interpretativas.
O enfrentamento da ADI n.º 2.076-AC foi vinculado no Informativo STF nº 277, de 12
a 16 de agosto de 2002, nos seguintes termos:

O Tribunal julgou improcedente o pedido formulado em ação direta ajuizada pelo


Partido Social Liberal - PSL contra o preâmbulo da Constituição do Estado do Acre, em
que se alegava a inconstitucionalidade por omissão da expressão "sob a proteção de
Deus", constante do preâmbulo da CF/88. Considerou-se que a invocação da proteção
de Deus no preâmbulo da Constituição não tem força normativa, afastando-se a
alegação de que a expressão em causa seria norma de reprodução obrigatória pelos
Estados-membros. ADI 2.076-AC, rel. Min. Carlos Velloso, 15.8.2002.(ADI-2076).
2 - PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA RFB:

- Princípios – fundamentos: art. 1º


1 – ORDEM INTERNA
- Objetivos Fundamentais: art. 3º

- Princípios (internacionais): art. 4º


2 – ORDEM EXTERNA
- Objetivos (internacionais) art. 4º, paragrafo único
FUNDAMENTOS DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
I - a soberania:

RFB x U, E, DF, M

SOBERANIA AUTONOMIA
PJ Dir. Púb. Externo – chefe de Estado PJ Dir. Púb. Interno – chefe de Governo

Art. 1º: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
Art. 18: A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição.
II - a cidadania:

Representa um status e apresenta-se simultaneamente como objeto e um direito


fundamental das pessoas;
É um atributo político decorrente do direito de participar do governo, ou seja, de
votar e ser votado.
III - a dignidade da pessoa humana:

Concede unidade aos direitos e garantias fundamentais, sendo inerente às


personalidades humanas. Esse fundamento afasta a idéia de predomínio das
concepções transpessoalistas de Estado e Nação, em detrimento da liberdade
individual;
A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta
singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e
que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas,
constituindo-se um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve
assegurar, de modo que, somente excepcionalmente, possam ser feitas limitações
ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a
necessária estima que
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:

É através do trabalho que o homem garante sua subsistência e o crescimento do país,


prevendo a Constituição, em diversas passagens, a liberdade, o respeito e a dignidade
ao trabalhador (por exemplo: CF, arts. 5.°, XIII; 6.°; 7.°; 8.°)

Como salienta Paolo Barile, a garantia de proteção ao trabalho não engloba


somente o trabalhador subordinado, mas também aquele autônomo e o empregador,
enquanto empreendedor do crescimento do país merecem todas as pessoas enquanto
seres humanos
V – o pluralismo político:

Demonstra a preocupação do legislador constituinte em afirmar-se a ampla e


livre participação popular nos destinos políticos do país, garantindo a liberdade de
convicção filosófica e política e, também, a possibilidade de organização e
participação em partidos políticos.
O Estado Democrático de Direito, que significa a exigência de reger-se por normas
democráticas, com eleições livres, periódicas e pelo povo, bem como o respeito das
autoridades públicas aos direitos e garantias fundamentais, proclamado no caput do
artigo, adotou, igualmente, no seu parágrafo único, o denominado princípio
democrático, ao afirmar que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio
de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".
O princípio democrático exprime fundamentalmente a exigência da integral
participação de todos e de cada uma das pessoas na vida política do país
OBJETIVOS FUNDAMENTAIS – ART. 3º

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária

II - garantir o desenvolvimento nacional

III - reduzir as desigualdades sociais e regionais e


erradicar a pobreza e a marginalização

Art. 43 Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo
geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.

...

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação.
PRINCÍPIOS QUE REGEM AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS – ART. 4º
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos
seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;


IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Objetivos internacionais : art. 4º, par. único

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da
América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

RFB Países latino –Americanos

Federação X Confederação X Comunidade internacional


SEPARAÇÃO DE PODERES – ART. 2º

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.

ESTADO BRASILEIRO

P. Executivo P. Legislativo P. Judiciário

- FUNÇÕES TIPICAS E ATÍPICAS - Ativismo judicial

Obs: Const. 1824 – Poder Moderador


MÓDULO VII
APLICABILIDADE E INTERPRETAÇÃO DA NORMAS CONSTITUCIONAIS

1 - APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS


-José Afonso da Silva, em relação a aplicabilidade das normas constitucionais, as classifica
em:

a)Normas constitucionais de eficácia plena ( aplicabilidade imediata) "aquelas que, desde


a entrada em vigor da Constituição, produzem, ou têm possibilidade de produzir, todos os
efeitos essenciais, relativamente aos interesses, comportamentos e situações, que o
legislador constituinte, direta e normativamente, quis regular". Exemplo: os remédios
constitucionais.

Assim, tais normas possuem aplicabilidade imediata, e, portanto independem de


legislação posterior para sua plena execução.
Ex: art. 2º, art. 17, p. 4º, art. 230, art. 20, 21, 22, 24

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o


Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
  I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição;
(...)
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos,
resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos
fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas,
assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e
garantindo-lhes o direito à vida.
b) Normas constitucionais de eficácia contida (aplicabilidade imediata, porém
restringível): São aquelas "que o legislador constituinte regulou suficientemente os
interesses relativos a determinada matéria, mas deixou margem à atuação restritiva
por parte da competência discricionária do poder público, nos termos que a lei
estabelecer ou nos termos de conceitos gerais nelas enunciados".

Exemplo: Artigo 5°, XIII da Constituição Federal.


Ex1: art. 5º, XIII: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;  

Pode ter sua amplitude reduzida, como por ex. pelo Estatuto do OAB, que exige o
exame da ordem para o exercício da advocacia.

Desta forma, tais normas também possuem aplicabilidade imediata, mas admitem
redução de seu alcance pela atividade do legislador infraconstitucional.

Michel Temer prefere a designação de “normas constitucionais de eficácia redutível ou


restringível”.
c) Normas constitucionais de eficácia limitada: São aquelas que apresentam "aplicabilidade
indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses, após
uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade".

Exemplo: Artigos 37, VII e 7º, XI da Constituição Federal.


 VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.

Assim, tais normas dependem de regulamentação futura, na qual o legislador


infraconstitucional vai dar eficácia.
- De acordo com JAS são dividas em:
1- institutivas ou organizativas
2- programáticas

1 - institutivas ou organizativa: a constituição traça esquemas gerais de estruturação


e atribuição de órgãos, entidades ou institutos, para que o legislador o estrutura,
por meio de lei.

  Art. 88. A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da


administração pública.”
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
Art. 91, § 2º - A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de
Defesa Nacional.
Art. 113. A lei disporá sobre a constituição, investidura, jurisdição, competência,
garantias e condições de exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho.
2 – programáticas

Segundo André Ramos Tavares as normas programáticas “são as


que estabelecem programas a serem desenvolvidos mediante a vontade
do legislador infraconstitucional”.

Tais normas fixam princípios, programas e metas a serem


alcançadas pelos órgãos do Estado.
Maria Helena Diniz cita exemplos de normas programáticas: Artigos 21,
IX, 170, 205, 211, 215, 218, 226, parágrafo 2º, da Constituição Federal
de 1988.

Art. 21. Compete à União:


(...) 
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de
desenvolvimento econômico e social;
PLENA:
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;
CONTIDA:
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer;
LIMITADA:
Art.7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,
nos termos da lei;
 
 

art. 18
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de
Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado
por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia,
mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após
divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e
publicados na forma da lei.
 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,
nos termos da lei;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;”
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os
direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII,
XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e
observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos
incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social.  
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013)
(III - fundo de garantia do tempo de serviço)

 
 
INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:

- Com o objetivo de solucionar conflitos, compatibilizando-se as normas


constitucionais, a fim de que todas tenham aplicabilidade, a doutrina
apresenta diversas REGRAS DE HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL em
auxílio ao intérprete.
- Conforme Vicente Ráo: "a hermenêutica tem por objeto investigar e
coordenar por modo sistemático os princípios científicos e leis
decorrentes, que disciplinam a apuração do conteúdo, do sentido e dos
fins das normas jurídicas e a restauração do conceito orgânico do
direito, para efeito de sua aplicação e interpretação; por meio de regras
e processos especiais procura realizar, praticamente, estes princípios e
estas leis científicas; a aplicação das normas jurídicas consiste na técnica
de adaptação dos preceitos nelas contidos assim interpretados, às
situações de fato que se lhes subordinam".
- O termo “intérprete”, salienta Fernando Coelho, "tem origem latina -
interpres - que designava aquele que descobria o futuro nas entranhas
das vítimas. Tirar das entranhas ou desentranhar era, portanto, o
atributo do interpres, de que deriva para a palavra interpretar com o
significado específico de desentranhar o próprio sentido das palavras da
lei, deixando implícito que a tradução do verdadeiro sentido da lei é
algo bem guardado, entranhado, portanto, em sua própria essência".
- Canotilho enumera vários princípios e regras interpretativas das
 
normas constitucionais:

• da unidade da constituição: a interpretação constitucional deve ser


realizada de maneira a evitar contradições entre suas normas;

• do efeito integrador: na resolução dos problemas jurídico-


constitucionais, deverá ser dada maior primazia aos critérios
favorecedores da integração política e social, bem como ao reforço
da unidade política;
• da máxima efetividade ou da eficiência: a uma norma
constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe
conceda;

• da justeza ou da conformidade funcional: os órgãos encarregados


da interpretação da norma constitucional não poderão chegar a uma
posição que subverta, altere ou perturbe o esquema organizatório-
funcional constitucionalmente estabelecido pelo legislador constituinte
originário;
• da concordância prática ou da harmonização: exige-se a
coordenação e combinação dos bens jurídicos em conflito de forma a
evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros;

• da força normativa da constituição: entre as interpretações


possíveis, deve ser adotada aquela que garanta maior eficácia,
aplicabilidade e permanência das normas constitucionais.
. Interpretação conforme a Constituição:
Tendo em vista a supremacia das normas constitucionais e a
presunção de constitucionalidade das leis, exige-se que as leis e os
demais atos normativos sejam interpretados em conformidade com a
Constituição.
Assim sendo, no caso de normas com várias significações possíveis,
deverá ser encontrada a significação que apresente conformidade com
as normas constitucionais, evitando sua declaração de
inconstitucionalidade e conseqüente retirada do ordenamento jurídico,
através da técnica de interpretação conforme a constituição.
A finalidade dessa técnica é, portanto, possibilitar a manutenção
no ordenamento das leis e atos normativos.

Segundo Canotilho, "a interpretação conforme a constituição só


é legítima quando existe um espaço de decisão (= espaço de
interpretação) aberto a várias propostas interpretativas, umas em
conformidade com a constituição e que devem ser preferidas, e outras
em desconformidade com ela”.
Conforme entendimento do STF, a técnica da denominada
interpretação conforme só é utilizável quando a norma impugnada
admite, dentre as várias interpretações possíveis, uma que a
compatibilize com a Carta Magna, e não quando o sentido da norma é
unívoco, tendo salientado o Ministro Moreira Alves que "em matéria de
inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, admite-se, para
resguardar dos sentidos que eles podem ter por via de interpretação, o
que for constitucionalmente legítimo - é a denominada interpretação
conforme a Constituição".
Para que se obtenha uma interpretação conforme a
Constituição, o intérprete poderá declarar a inconstitucionalidade
parcial do texto impugnado, no que se denomina interpretação
conforme com redução do texto, ou, ainda, conceder ou excluir da
norma impugnada determinada interpretação, a fim de compatibilizá-la
com o texto constitucional. Essa hipótese é denominada interpretação
conforme sem redução do texto.

Vislumbram-se, portanto, três hipóteses:


• Interpretação conforme sem redução do texto, conferindo à norma
impugnada uma determinada interpretação que lhe preserve a
constitucionalidade: técnica de suspensão da eficácia parcial do texto
impugnado sem a redução de sua expressão literal.
• Interpretação conforme sem redução do texto, excluindo da norma impugnada uma interpretação que
lhe acarretaria a inconstitucionalidade: nesses casos, o Supremo Tribunal Federal excluirá da norma
impugnada determinada interpretação incompatível com a Constituição Federal, ou seja, será reduzido o
alcance valorativo da norma impugnada, adequando-a à Carta Magna.
Ex1: O STF deu interpretação conforme à Constituição ao dispositivo do Código Penal, para afastar qualquer
entendimento no sentido de que as marchas constituem apologia ao crime.
Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.
Ex2: O STF deu interpretação conforme à Constituição ao art. 1723 do CC, entendendo que deve ser
reconhecida como entidade familiar a união estável de pessoas do mesmo sexo e não somente entre
homens e mulheres. Foram utilizados os princípios da dignidade da pessoa humana, liberdade (livre
exercício da sexualidade), da igualdade, vedação da discriminação em razão do sexo ou qualquer natureza,
pluralismo.
Entendeu que o art. 226 da CF confere proteção do Estado às entidades familiares, pouco importando
se foi constituída por casamento ou união informal, se é hetero ou homosexual.
Art.1723 do Código Civil: É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a
mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida como o objetivo de
constituição de família.
HERMENEUTICA CONSTITUCIONAL

Leitura em sala de aula e resolução de questões:


Texto: Princípios de interpretação Constitucional. CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de
Direito Constitucional. 5 ed. Salvador, Editora Jus Podium, p. 220-232

1 – O que significa o Princípio da Unidade da Constituição?

2 – O que significa o Princípio da Concordância prática ou da harmonização?

3 – O que é o princípio da proporcionalidade? Quais são os requisitos para aplicação


deste princípio?
4 – O que é o princípio da presunção da constitucionalidade das leis?

5 – De acordo com Peter Haberle o que é sociedade aberta dos intérpretes da


constituição?

6 – Pesquisa em casa: o que é a técnica de interpretação conforme a Constituição


COM e SEM redução de texto? Pesquise jurisprudências do STF onde foi utilizada a
técnica de interpretação conforme com e sem redução de texto.
 
Supremacia da Constituição

Rigidez e Supremacia Constitucional

- rígida
- Quanto à estabilidade uma Constituição pode ser: - semi-rígida
- flexível

- A rigidez constitucional decorre da maior dificuldade para a modificação de uma regra


Constitucional do que para a alteração de uma lei infraconstitucional

- Da rigidez emana, como primordial conseqüência, o princípio da supremacia da Constituição.

SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO: significa que a Constituição se coloca no vértice do sistema Jurídico do país,
que confere validade a todos os demais atos normativos e a todos poderes estatais que são legítimos
na medida em que ela os reconheça e na proporção por ela distribuídos.
É, enfim, a lei suprema do Estado, pois nela se encontram a própria estrutura deste e a organização de seus
órgãos; é nela que se acham as normas fundamentais de Estado, e só nisso se notará sua superioridade
em relação às demais normas jurídicas
Supremacia material
- Supremacia material:

. Implica que as normas constitucionais estejam acima da legislação ordinária, limitando-


se esta superioridade ao conteúdo das regras:

DEO - normas materialmente constitucionais

. Leva em conta a superioridade da norma constitucional em razão da dignidade do


conteúdo das normas constitucionais

. A supremacia material é reconhecida nas constituições costumeiras e nas flexíveis


Exemplo: a norma constitucional que assegura o direito à vida é uma norma de
supremacia material, devido ao seu conteúdo, por tratar de matéria
substancialmente constitucional (direito fundamental individual à vida).
Supremacia formal:
. A supremacia formal torna a modificação de uma regra constitucional de modo mais dificultoso,
mais solene, o que inviabiliza o confronto de leis ordinárias (vide artigo 60 da Constituição
Federal)

. Tal supremacia decorre da rigidez constitucional

. Não há que se falar em supremacia formal das normas constitucionais sobre as demais leis do
ordenamento em constituições costumeiras e flexíveis, uma vez que não há diferença de
“forma” (normas constitucionais e demais leis são elaboradas pelo mesmo processo
legislativo)

. Somente no caso de rigidez constitucional que se pode falar em supremacia formal da


Constituição, acrescentando que a previsão de um modo especial de revisão constitucional dá
nascimento à distinção de duas categorias de leis: as leis ordinárias e as leis constitucionais
Supremacia formal

CONSTITUIÇÃO RÍGIDA CONSTITUIÇÃO FLEXÍVEL

NORMAS CONSTITUCIONAIS

NORMAS INFRACONST.

Art. 59 da CF:
II - leis complementares NORMAS CONSTITUCIONAIS NORMAS INFRACONST.
III - leis ordinárias
IV - leis delegadas
V - medidas provisórias
VI - decretos legislativos
VII - resoluções
OBS: A Inglaterra adota uma Constituição não-escrita, costumeira, cujo processo
legislativo não é especial (dificultoso) para a elaboração das normas constitucionais.
Como se distingue uma lei ordinária de uma lei constitucional neste caso? Há
supremacia?

R: Será constitucional a lei que versar sobre matéria considerada substancialmente


constitucional pelo Estado Inglês. A lei constitucional é dotada de supremacia em
relação à lei ordinária, mas não em razão da formalidade, de processo legislativo de
sua elaboração (supremacia formal). Trata-se de supremacia material decorrente do
conteúdo das normas substancialmente constitucionais.

Há supremacia nas constituições semi-rígidas?

R: Sim. Haverá supremacia formal na parte rígida da Constituição (parte modificada


somente por um processo legislativo especial e mais dificultoso), ao passo que em
relação à parte flexível (parte que poderá ser alterada pelo processo legislativo
ordinário) teremos somente supremacia material.
Supremacia da Constituição Federal
- A Constituição brasileira é rígida, ou seja, há exigência de um processo especial, solene, dificultoso
para a modificação de suas normas - EMENDAS CONSTITUCIONAIS:

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:


I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria
relativa de seus membros.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.

- Em conseqüência, é a lei fundamental e suprema do Estado brasileiro (SUPREMACIA FORMAL)

- Assim, todas as normas que integram a ordenação jurídica nacional só serão válidas se conformarem
com as normas da Constituição Federal.
QUESTÕES

1 - No que tange à supremacia material, é INCORRETO dizer:

a) Implica que as normas constitucionais estejam acima da legislação ordinária, limitando-se esta
superioridade tanto na natureza jurídica, bem como ao conteúdo das regras.
b) Baseia-se na superioridade da norma constitucional em razão da dignidade do conteúdo das normas
constitucionais.
c) É reconhecida nas constituições costumeiras e nas flexíveis.
d) A supremacia diz respeito à forma, por tratar de matéria formalmente constitucional.

2 - No que concerne à supremacia formal, é CORRETO dizer:


a) Tal supremacia torna a modificação de uma regra constitucional de modo mais dificultoso, mais
solene.
b) Somente no caso de rigidez constitucional que se pode falar em supremacia formal da Constituição.
c) Não há que se falar em supremacia formal das normas constitucionais sobre as demais leis do
ordenamento em constituições costumeiras e flexíveis.
d) Todas alternativas correras.

3 - É possível falar-se em Supremacia entre normas Constitucionais ?


PROCESSO LEGISLATIVO

- CONCEITO: É o conjunto de disposições que disciplinam o procedimento a


ser obedecido pelos órgãos competentes na produção de leis e atos
normativos.

A função TÍPICA legislativa é exercida pelo poder legislativo. Todavia, os


poderes executivo e judiciário também legislam de forma ATÍPICA.

- Poder executivo – MEDIDAS PROVISÓRIAS


- Poder judiciário – REGIMENTOS INTERNOS
- PODER LEGISLATIVO DA UNIÃO

- - câmara de deputados
- (representantes do povo)

- bicameral: Congresso Nacional


- senado federal
(representantes dos Estados)

- PODER LEGISLATIVO DOS ESTADOS

- unicameral: Assembléia Legislativa – Deputados Estaduais

- PODER LEGISLATIVO DOS MUNICÍPIOS

- unicameral: Câmara de Vereadores


Existem 3 espécies de processos legislativos:

- COMUM OU ORDINÁRIO – é o que se destina à elaboração das leis ordinárias. É,


portanto, mais extenso e não há prazo para deliberação do Congresso
Nacional.

- SUMÁRIO – segue o mesmo procedimento do ordinário, todavia, a CF prevê


prazo de deliberação pelo Congresso Nacional.

- ESPECIAL – são os procedimentos previstos para elaboração das demais espécies


normativas previstas no art 59 CF:

- EMENDAS CONSTITUCIONAIS
- LEIS COMPLEMENTARES
- LEIS DELEGADAS
- MEDIDAS PROVISÓRIAS
- DECRETOS LEGISLATIVOS
- RESOLUÇÕES
PROCESSO LEGISLATIVO ORDINÁRIO

É o procedimento para elaboração de leis ordinárias.


É divido em 3 fases:

1- Fase introdutória ou de Iniciativa


*Iniciativa deputado/Senador
*Iniciativa comissão
* Iniciativa de lei do Poder Judiciário: STF, tribunais superirores
* Iniciativa de lei do Presidente – art. 61
* Iniciativa de lei do MP - PGR
* Iniciativa popular de Lei – art. 61, §2

2- Fase constitutiva
* Deliberação parlamentar
* Deliberação executiva

3- Fase complementar
* Promulgação
* Publicação
1 - Fase introdutória ou de iniciativa:

É a faculdade que se atribui a alguém ou a algum órgão para apresentar projetos de lei ao Poder legislativo.

Pode ser:

- COMUM: Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara
dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal
Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos
nesta Constituição.

- EXCLUSIVA: privativa ou reservada a determinado órgão (Ex. art. 61, § 1º da CF)


Art.61
§1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
(...)
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica
ou aumento de sua remuneração;
(...)

- CONCORRENTE: pertence a vários legitimados. (EX. art 61 §1 c/c art.128, §5 – iniciativa do PR e PGR).

E ainda:

- PARLAMENTAR: conferida a todos os membros do poder legislativo (Deputados Federais, Senadores)

- EXTRAPARLAMENTAR: chefe do poder executivo, poder judiciário, Ministério Público, cidadãos.


- EXTRAPARLAMENTAR: chefe do poder executivo, poder judiciário, Ministério Público, cidadãos.

- Iniciativa do poder judiciário: art. 96, II da CF:

Art. 96. Compete privativamente:


II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça
propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169:
a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos
juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e
dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver;
(...)

- Iniciativa do Presidente: art. 61, p. 1


§1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:

- Iniciativa do Ministério Público: art. 127, §2º:


§ 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa,
podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de
seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de
provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de
carreira; a lei disporá sobre sua organização e funcionamento.

- Iniciativa popular de Lei: É a possibilidade do eleitorado nacional deflagrar o processo legislativo de leis ordinárias
e leis complementares. (Instrumento de exercício de DEMOCRACIA SEMIDIRETA)
- Iniciativa popular de Lei: É a possibilidade do eleitorado nacional deflagrar o processo legislativo de leis
ordinárias e leis complementares. (Instrumento de exercício de DEMOCRACIA SEMIDIRETA)

- direta: o povo participa diretamente da tomada das decisões políticas do Estado

DEMOCRACIA - - indireta: o povo exerce o poder por meio de representantes eleitos

- semidireta: o poder é exercido por meio de representantes eleitos, todavia há


instrumentos de participação direta.

- Art. 1º par. Único e art. 14, III regulamentado pela Lei 9709/98.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
(...)
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente, nos termos desta Constituição.
(...)

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos,
e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular
Art. 61:
§ 2º - A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo,
um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos
eleitores de cada um deles.
(...)

OBS: a iniciativa popular serve somente para iniciar, dar o “start” da lei, sendo que o legislativo poderá rejeitá-la.
Assim:
- iniciativa: popular de LO e LC
- procedimento de apresentação: 1% do eleitorado nacional
- distribuição do 1% do eleitorado: em pelo menos 5 Estados, e em cada Estado, não pode ter menos do que 3/10%
dos eleitores daquele Estado.

OBS: Exemplos de iniciativa popular no Brasil:

- Lei 8.930/94: Projeto Glória Perez, que incluiu o homicídio qualificado na lei de crimes hediondos. Todavia, quem
enviou o projeto foi o Presidente da Republica. (No site da CD ele aparece como de coautoria do PR e de inciativa
popular. No site do Senado aparece de autoria o PR).
- Lei 9.840/00: captação de sufrágio. Todavia, como faltavam assinaturas, o projeto foi subscrito por alguns
deputados.
- Lei da ficha limpa: LC 135/2010 (mais de 1,3 milhões de assinaturas).

- OBS: Art. 29 XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de
bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado
2 – FASE CONSTITUTIVA

Nessa segunda fase do processo legislativo, existe a participação do Poder Legislativo


(deliberação parlamentar – discussão e votação) e do Poder Executivo (deliberação executiva –
sanção e veto).

Poder legislativo – bicameral: CD e SF. Assim, todos os projetos de lei serão analisados nas 2
casas, sendo que uma será a INICIADORA e a outra a REVISORA, e depois pelo Poder Executivo.

2.1 – Deliberação parlamentar:

O projeto de lei seguirá na respectiva casa legislativa e será analisada pelas comissões,
que discutirá os projetos e elaborará pareceres.

- Comissão: Constituição e Justiça – analisará a constitucionalidade da lei


(compatibilidade formal e material com a Constituição)
- Comissão temática/específica: analisará o mérito do projeto.
Ex: Comissões do SF:
- Comissão de constituição, justiça e cidadania
- Comissão de Educação
 Ex2: Comissão da CD:
- Comissão de Constituição, Justiça e Redação
- seguridade social e família
 
Após analise das comissões o projeto poderá:

1 - ser aprovado pela própria comissão

  Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias,
constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar
sua criação.
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do
Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa .

 OU

2 – ir para votação em plenário:


Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas
Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.

 
-quórum de instalação de sessão:

- maioria dos membros da casa


Ex: a Câmara possui 513 Deputados Federais assim, a sessão só será instalada com a presença de pelo
menos 257 deputados.

-quórum de aprovação:

- maioria simples ou relativa maioria dos presentes na sessão.


Ex: presentes 257 deputados, a lei será provada se 129 deputados disserem “sim”.(LO)

- maioria absoluta maioria dos membros da casa.


Ex: presentes 257 deputados, a lei será aprovada se todos disserem “sim”. (LC)
Dessa forma, para aprovação de uma LO (lei ordinária) é necessária a presença da maioria
absoluta dos membros (quórum de instalação) e a aprovação pela maioria dos presentes (maioria
simples).

Depois deste procedimento na Casa Iniciadora passa-se à Casa Revisora que realizará o
mesmo procedimento.
Na casa revisora o projeto poderá:

- ser aprovado

- ser rejeitado: a matéria nele constante não poderá constituir objeto de novo projeto na nova
sessão legislativa, SALVO no caso de reapresentação mediante proposta da maioria absoluta dos
membros de qualquer das casas.

Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo
projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de
qualquer das Casas do Congresso Nacional.

- receber emedas: caso o projeto seja aprovado com alterações na casa revisora, deverá retornar à
casa inicial para análise e votação. Na casa inicial as alterações passarão novamente pela Comissão
e Constituição e Justiça e a comissão temática.

Não há possibilidade de subemenda pela casa iniciadora.

Após a aprovação do projeto de lei pelo Congresso Nacional, o projeto seguirá para AUTOGRÁFO
que é o texto formalmente aprovado pelo poder legislativo. É a cópia autêntica da aprovação
parlamentar.
PROCESSO LEGISLATIVO SUMÁRIO OU REGIME DE URGÊNCIA
A fase de deliberação parlamentar não possui prazo. Todavia, nos projetos de iniciativa do
presidente da República, este poderá solicitar o regime de urgência constitucional. Assim, cada
uma das Casas terá o prazo de 45 dias para analisar o projeto de lei.
Em caso de emenda da casa revisora (senado) a casa iniciadora (câmara de deputados)
deverá analisar em 10 dias.

Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
Superiores terão início na Câmara dos Deputados.

§ 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.

§ 2º - Se, no caso do parágrafo anterior, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem, cada qual, sucessivamente, em
até quarenta e cinco dias, sobre a proposição, será esta incluída na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais
assuntos, para que se ultime a votação.

§ 3º - A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o
disposto no parágrafo anterior.

§ 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código

Prazo máximo: 45 dias + 45 dias + 10 dias = 100 dias.


OBS1: Não há possibilidade do pedido de urgência em caso de recesso parlamentar e para
projetos de códigos.

§ 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam
aos projetos de código.

OBS2: Caso as casas não cumpram o prazo determinado ocorrerá o TRANCAMENTO DE


PAUTA. Ou seja, a analise será incluída na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação
quanto aos demais assuntos, com exceção das matérias que tenham prazo constitucional
determinado. Ex. Medidas provisórias
TRANCAMENTO DE PAUTA

§ 2º - Se, no caso do parágrafo anterior, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal


não se manifestarem, cada qual, sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobre a
proposição, será esta incluída na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto
aos demais assuntos, para que se ultime a votação
2.2 – Deliberação executiva
 

Após o término da deliberação parlamentar, o projeto de lei aprovado pelo Congresso


Nacional é remetido à deliberação executiva

- SANCIONAR
O PR PODERÁ
- VETAR
1 - SANÇÃO:

- TOTAL

- PARCIAL
 

- EXPRESSA: o PR aprova o projeto no prazo de 15 dias úteis.

- TÁCITA: o PR silencia no prazo de 15 dias.

2 – VETO: art. 66, caput e § 1º, 2º, 4º, 5º e 6º.


 

- JURÍDICO: o PR entende que o PL é inconstitucional

- POLÍTICO: o PR entende que o Projeto de Lei é contrário ao interesse público


Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,
aquiescendo, o sancionará.
§1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse
público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará,
dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§3º - Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
§4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser
rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto.
§5º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República.
§6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata,
sobrestadas as demais proposições, até sua votação final.
- Características do veto:

1- Expresso

2- Motivado ou formalizado

3- Total ou parcial

4- Supressivo: não pode adicionar nada, somente suprimir artigo, parágrafo, inciso ou alínea. ( Não pode ser uma
palavra)

5 - Superável ou relativo
DERRUBADA DO VETO: - sessão conjunta (DF e SF), dentro de 30 dias, pelo voto da maioria absoluta, em
escrutínio secreto.

- Produzirá os mesmos efeitos da sanção.


 
§ 4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu
recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em
escrutínio secreto.
§ 5º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente
da República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do
dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final.
3 – Fase Complementar
 
- PROMULGAÇÃO
- PUBLICAÇÃO

 
Promulgação: atesta a existência válida da lei e sua executoriedade. Apesar de ainda não estar em vigor e não ser
eficaz, pelo ato da promulgação certifica-se o nascimento da lei. Para JAS: “ o ato da promulgação tem, assim,
como conteúdo a presunção de que a lei promulgada é válida, executória e potencialmente obrigatória”.

- será feita pelo PRESIDENTE DA REPÚBLICA em 48 hs. Se não o fizer a lei será promulgada pelo PRESIDENTE DO
SENADO e se este não o fizer em igual prazo será feita pelo VICE PRESIDENTE do SENADO FEDERAL.

Assim:
- PRESIDENTE DA REPÚBLICA
- PRESIDENTE DO SENADO
- VICE-PRESIDENTE DO SENADO
Publicação: com a publicação a lei é levada ao conhecimento de todos. Com ela tem-se o momento em que o
cumprimento da lei deverá ser exigido. (vacation legis)

REGRA GERAL: - 45 DIAS após a publicação (art. 1, caput da LICC) se não houver disposição expressa em
contrário.

- 3 MESES nos Estados estrangeiros (quando admitida).

 
EXERCÍCIOS:
 
1. O projeto de lei submetido ao Presidente da República poderá:
A) ser vetado, no todo ou em parte;
B) ser vetado relativamente a apenas parte de artigo;
C) ser sancionado somente depois de decorrido o prazo de 15 (quinze) dias;
D) ser vetado relativamente a apenas parte de parágrafo.
 
2. O veto do Presidente da República a projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional pode ser:
A) oposto com base na relevância e na urgência da impugnação ao projeto de lei;
B) derrubado por qualquer das Casas do Congresso;
C) apresentado com base na inconstitucionalidade do projeto de lei;
D) derrubado apenas pelo voto nominal de todos os parlamentares.
3. Se o Presidente da República vetar projeto de lei cuja votação foi concluída na Câmara dos Deputados,
o veto:
A) será apreciado pela Casa em que a votação do projeto teve início, no prazo de quinze dias contado do seu
recebimento;
B) será apreciado em sessão da Casa onde a votação foi concluída, no prazo de quinze dias contado do seu
recebimento;
C) será apreciado pelo Senado Federal, no prazo de trinta dias contado do seu
recebimento;
D) será apreciado em sessão conjunta das duas Casas do Congresso Nacional, no prazo de trinta dias
contado do seu recebimento.
ESPÉCIES NORMATIVAS – art. 59 CF

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:


I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.

Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das lei
 
OBS: LC nº 95/1998, regulamenta o processo legislativo.
- EMENDAS CONSTITUCIONAIS:

- poder constituinte originário – ILIMITADO

- poder constituinte derivado reformador – LIMITADO


 

1.1 - LIMITAÇÕES AO PODER DE REFORMA


 

- formais ou procedimentais
- limitações explícitas: - circunstanciais
- materiais
FORMAIS OU PROCEDIMENTAIS:
 
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria relativa de seus membros.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada
se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o

respectivo número de ordem.


- Iniciativa privada e concorrente: (art. 60, I, II e III)
- 1/3 dos membros da Câmara ou 1/3 dos membros do Senado;
- Presidente da república
- mais da metade das Assembléias legislativas das unidades da federação
manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
- Quorum de aprovação:
- 2 turnos
- 3/5 dos membros de cada casa
- Promulgação:
- mesas da Câmara e do Senado (da LO e LC é pelo PR, Presidente do SENADO ou
vice-presidente do Senado)
- Publicação:
- Congresso Nacional

OBS 1: A proposta de emenda rejeitada não poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
(DIFERENTE das leis, pois se houver proposta da maioria absoluta dos membros do CN, poderá ser novamente
reproposta.)
CIRCUNSTANCIAS (art. 60, §1º)

 
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio

-INTERVENÇÃO FEDERAL
-ESTADO DE DEFESA SISTEMA CONSTITUCIONAL DAS CRISES
-ESTADO DE SÍTIO
MATERIAIS (ART. 60, §4º): não será objeto de deliberação proposta de emenda
tendente a ABOLIR:

§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente abolir:


I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais
 

- Forma federativa de Estado;


- Voto direto, secreto, universal e periódico;
- Separação dos Poderes;
- Direitos e garantias individuais
- implícitas: não estão expressamente previstas, mas, são inerentes aos regimes e princípios da
Constituição:

1 – as concernentes ao titular do poder constituinte

2 – as referentes ao titular do poder reformador – pois uma emenda não


pode alterar o poder reformador instituído pelo poder originário

3 – as relativas ao processo da própria emenda


LEIS COMPLEMENTARES E LEIS ORDINÁRIAS:
 

- Diferenças:
1 - CF define expressamente as situações que serão regulamentadas por LC;
2 - Quórum de aprovação. (OBS: quórum de instalação da sessão é o mesmo: art. 47 e art. 69
da CF)

- Hierarquia?
R: A doutrina se divide. O STF entende que não há.
- LEIS DELEGADAS:

Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso
Nacional.
§ 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência
privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação
sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º - A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu
conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º - Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada
qualquer emenda.
- INICIATIVA SOLICITADORA: PR

- APROVAÇÃO: pelo CN, através de RESOLUÇÃO (art. 68, §2º). Após o CN receber a solicitação do PR a
matéria é posta em votação. Será decidida pela maioria simples (art. 47);
 
- O PR promulga e publica a Lei delegada;
 
- O CN pode estabelecer na Resolução que concedeu a delegação o retorno do projeto ao CN que
apreciará o projeto em VOTAÇÃO ÚNICA, vedada qualquer emenda (art. 68, § 3º). Se o projeto for
aprovado o PR promulga e publica. Se for rejeitado será arquivado.

 
OBS 1: Há matérias que são indelegáveis (art. 68, §1º)

- exclusivas do CN, da CD ou do SF;


- reservadas a LC;
- organização do Poder judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
- nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
- planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
 
 
OBS 2: Se o Presidente da República exorbitar os limites da delegação, o Congresso Nacional poderá sustar o ato por
meio de DECRETO LEGISLATIVO.
 
OBS 3: As leis delegadas são pouco utilizadas, por conta das MP.
- MEDIDAS PROVISÓRIAS (art. 62 CF):
 
 
- Substituiu os decretos-lei.
 
- Adotadas pelo PR, em caso de RELEVÂNCIA E URGÊNCIA.
 
- Terá FORÇA DE LEI;
 
- Deve ser submetida de imediato ao CN;
 
- Possui prazo de 60 dias, prorrogável por mais 60 (art. 62, §3º) e esse
prazo será suspenso no RECESSO PARLAMENTAR (art. 62. §4º) mas, caso exista convocação
extraordinária, deverá ser votada;
- Se não for convertida em lei em 60 + 60 dias, PERDERÁ A EFICÁCIA
DESDE A EDIÇÃO;
- O CN deverá disciplinar, por meio de DECRETO LEGISLATIVO, as
relações jurídicas decorrentes da MP que perdeu a eficácia. Se não o fizer em 60 dias, as
relações jurídicas decorrentes da MP, serão por ela disciplinadas.
TRAMITAÇÃO:
 
1 – O Presidente da República publica a MP;
 
2 – envia mensagem ao CN com cópia do texto da MP;
 
3 – uma COMISSÃO MISTA de DF e SF analisará a constitucionalidade, a urgência e a relevância;
 
4 – haverá votação em CADA CASA SEPARADAMENTE (1º CD, depois SF - §8º);
OBS 1: Rejeitada a MP ou não aprovada, fica proibida sua reedição na mesma SESSÃO LEGISLATIVA.

OBS 2: REGIME DE URGÊNCIA CONSTITUCIONAL – se a MP não for apreciada em 45 dias, contados de sua
publicação, entrará em REGIME DE URGÊNCIA CONSTITUCIONAL, em cada casa do CN, sobrestando todas as
demais deliberações legislativas na casa em que estiver tramitando (ar. 62, §6º). TRANCAMENTO DE PAUTA.
 
OBS:
§1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;       
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado
o previsto no art. 167, § 3º;
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;
III – reservada a lei complementar;
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República.
 
5 – O CN poderá:

- Aprovar sem alterações – será promulgada pelo Presidente do Senado;

- Aprovar com alterações -


- As alterações devem ser aprovadas pelas duas casas (tramita como projeto de lei de conversão)
- Após, o projeto de conversão deve ser enviado ao PR para SANÇÃO OU VETO;
- Por fim, será promulgada e publicada pelo Presidente da República.
 
- Não apreciar: (rejeição tácita) – a Medida Provisória perde eficácia desde a sua publicação, e os efeitos dela decorrentes
deverão ser regulamentados pelo Congresso Nacional, por meio de DECRETO LEGISLATIVO. Todavia, se o DECRETO
LEGISLATIVO não for editado em 60 dias da perda da eficácia da MP, as relações jurídicas serão regidas pela própria
Medida Provisória.
 
- Rejeitar expressamente: o CN deve editar DECRETO LEGISLATIVO em 60 dias da rejeição para regular as situações. Se
não o fizer, as situações jurídicas serão reguladas pela MP.
4 - RESOLUÇÕES:
 
- matéria de competência da CD, SF ou do CN (Ex: art. 51 e art. 52)

- procedimento previsto em Regimento Interno


 
Ex: Resolução do CN: confere os limites ao Presidente da República da lei delegada.
- DECRETOS LEGISLATIVOS:
 
É instrumento normativo por meio do qual serão materializadas as competências EXCLUSIVAS DO CN,
determinadas no art. 49 da CF e os efeitos decorrentes da MP.
 
Deflagrado o processo legislativo do decreto legislativo, ocorrerá a discussão no Congresso. A discussão e
votação ocorrerão em ambas as casas.
 
Depois serão promulgados pelo presidente do Senado (art. 48 do RI do Senado). Não há participação do
PR.
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem
encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os
casos previstos em lei complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a
ausência exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender
qualquer uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites
de delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
(...)
TRATADOS INTERNACIONAIS:

Teorias:

- monista – não há distinção entre o ordenamento jurídico interno e o externo

- extremada
- dualista
- moderada

. Teoria Monista - O DIP (Direito Internacional Público) e o DI (direito interno) fazem parte da
mesma ordem jurídica. Por isso, o tratado internacional é aplicável internamente de forma
automática.

. Teoria Dualista Extremada - O DIP e o direito interno têm alcances diferentes: o DIP trata das
relações externas e o DI, das relações internas. O tratado internacional tem que ser internalizado
por lei formal para ter aplicação interna.

. Teoria Dualista Moderada: O tratado internacional não tem aplicação automática, mas também
não precisa ser internalizada por lei. Basta um procedimento específico (aprovação do CN –
decreto legislativo e um decreto do Presidente da República). É o caso do Brasil. O STF se refere
expressamente a “dualista moderada.
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

- resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos
gravosos ao patrimônio nacional.

1º) CELEBRAÇÃO do tratado pelo PR (art. 84, VIII)

2º) analise da VIABILIDADE, COVENIÊNCIA pelo CN - referenda e aprova a decisão do PR por meio de DECRETO
LEGISLATIVO

3º) após a aprovação pelo CN, o Presidente da República RATIFICA o tratado, confirmando perante a ordem
internacional que aquele Estado, definitivamente, obriga-se perante o pacto firmado. Se dará pela TROCA OU
DEPÓSITO. (assegura a obrigatoriedade no âmbito internacional)

4º) o PR PROMULGA o tratado por meio de DECRETO e PUBLICA em português – dará vigência no âmbito interno (a
partir daí vincula e obriga o ordenamento interno - STF).
STATUS DOS TRATADOS INTERNACIONAIS NO DIREITO INTERNO:

1 - Tratados internacionais que não tratam de direitos humanos: Leis Ordinárias

2 - Tratados internacionais que tratam de Direitos humanos e foram aprovados com quorum de
3/5

dos membros de cada casa do CN, em 2 turnos de votação: Emendas Constitucionais.

Art. 5º: § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos
dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)    

3 - Tratados internacionais que tratam de Direitos humanos e não foram aprovados em cada casa
com

quorum de EC: normas SUPRALEGAIS.


OBS: prisão depositário infiel

- Art. 5º da CF
(...)

LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel.

- Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, aprovada pelo Dec. Legislativo
nº 27 de 25/9/1992 e decreto 678 de 6/11/1992):

Art. 7º

7- Ninguém deve ser detido por dívida. Este princípio não limita os mandados de autoridade judiciária
competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar

Existe portanto, um conflito entre os dispositivos: uma norma constitucional X tratado internacional que trata de
direitos humanos (e não foi aprovado com quorum de Emenda Constitucional).

O STF entendeu que estes tratados internacionais que versam sobre direitos humanos têm status de
SUPRALEGALIDADE, ou seja, estão acima das normas infraconstitucionais, mas abaixo da Constituição. (RE
349703/RS (rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, 3.12.2008) e no RE 466343/SP e
informativo 498 STF)
NORMAS CONSTITUCIONAIS – ART. 1º ao 250 + TIDH
APROVADOS COM QUORUM DE EMENDA (ex. Tratado de
Nova York)

TIDH NÃO APROVADOS COM QUORUM DE EC (ex. Pacto de


San José da Costa Rica)

DEMAIS TRATADOS INTERNACIONAIS

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