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Patologia infecciosa

Infecções víricas
ICBAS/HGSA
Tojal Monteiro 2006 - 2007
Infecções víricas
 Gripe
 Adenovirus
 Metapneumovirus humano
GRIPE

Meissner. Pediatr Clin N Am 2005. 52


GRIPE
 No lactente:
Sindroma febril acompanhada
de discreta sintomatologia
respiratória
Complicações
 Respiratórias  Outras complicações
- Pneumonia primária - Miosite,
e secundária miogobinúria, falência
- Bronquiolite renal
- Laringotraqueobronquite - Mio e pericardite
- Sinusite - Sind de G-B
- Exacerbações de - Mielite transversa
asma - Encefalite pós –
- Otite infecciosa
- Encefalopatia
Pandemias
 1918 – 1919: Gripe espanhola: 20 a 50 milhões
de mortos (H1N1)
 1957 – 1958: Gripe asiática (H2N2)
 1968 – 1969: Gripe de Hong - Kong (H3N2)
 200_ - 200_ : Gripe de ? (H5N1)
Inevitável. 200 a 300 milhões de
pessoas atingidas
Epidemias
 As epidemias sazonais ocorrem em 2 grandes
fases:

1ª - nas crianças em idade escolar e seus contactos
no domicílio (os + jovens)

2ª - em idosos em instituições de regime semi-aberto

~ A cada ano estima-se que morrem


Crianças 500000
em idade escolar pessoas!
apresentam a
maior taxa de infecção na população

A infecção por influenza constitui uma


causa major de hospitalização de crianças
com doença respiratória, no Inverno
(pico até aos 2 anos -
imaturidade do sistema imune)
gripe
3 tipos de vírus
vírus
vírus influenza tipo A e B
doença epidémica

vírus influenza tipo C


doença esporádica

 gripe
Tipo A
 8 segmentos de RNA
 o + patogénico nos humanos
responsável por epidemias e
pandemias
 reservatório natural: aves aquáticas
migratórias
 é capaz de se transmitir entre diferentes
espécies de animais infectando-os
diversidade ≠ subtipos
impossível erradicar!
 Tipo B

8 segmentos de RNA
 é menos frequente e provoca surtos de <
gravidade _epidemias

reservatório natural: homem
 sem subtipos identificados
Características do vírus

 Tipo C
 7 segmentos de RNA

não causa nenhum quadro
sintomático a valorizar no contexto
de gripe
Características do vírus
 Na dupla camada 
Neuraminidase (N)
quebra a
lipídica, que forma o
ligação vírus - célula,
revestimento exterior
promovendo a
dos vírus, existem libertação de viriões
glicoproteínas: recém formados por
exocitose

Hemaglutinina (H ou
HA) :permite a ligação Apoptose
e entrada do vírus na celular e início do ciclo
celula hospedeira para
replicação (4 a 6h)
Características do vírus
…que são fonte de antigenicidade, variabilidade
e virulência!

 É a composição destas glicoproteínas que define


os ≠ tipos de vírus A
 Existem 15 subtipos de H e 9 de N
 Apenas H1, H2, H3 e N1 e N2 foram identificados
no hospedeiro humano
Características do vírus
Problema:
 Variabilidade antigénica
ilude os mecanismos de defesa dos
organismos infectados; todos os anos
o vírus aparece como um agente
diferente :
Mutações ou antigenic
drift
Características do vírus
 Recombinações
- acontece entre vírus de diferentes espécies que
recombinam segmentos dos seus genomas, usando um
reservatório animal
_”misturador” – porco
Marca de gravidade
Antigenic shift
Tipo A
novos vírus!
população sem imunidade
pandemias
Transmissão

 por inalação de micro - gotículas de


secreções contendo partículas virais: tosse,
espirros

 através do contacto com pessoas, objectos


ou secreções contaminadas
LAVAR AS MÃOS!
 Período de incubação: de 1 a 4 dias
 Períodode contágio: 1 a 2 dias antes
da instalação da sintomatologia, até
5 dias após
 nas
crianças e imunodeprimidos até
+ de 1 semana
Diagnóstico
standard  hemograma
 bioquímica

resultados inespecíficos
Derlet R, et al: Influenza. eMedicine.com, inc. 2004 Jan.

 gripe #05 :testes de diagnóstico


standard
 culturas virais
culturas
gold standard
sensibilidade:
_expectoração 90%
_aspirado nasal 80%
_esfregaço naso-faríngeo 65%
_faringe 52%
importância do sítio da colheita

 gripe #05 :testes de diagnóstico


Poehling K, et al: Prevention, diagnosis, and treatment of influenza: current and future options. Curr

standard
 culturasvirais
culturas
obter amostra até 3 dias após início
resultados em 1 semana

métodos + rápidos
Opt Ped 13:60-64, 2001.

 gripe #05 :testes de diagnóstico


standard
 serologia
culturas
Storch G, et al: Rapid diagnostic tests for influenza. Curr Opt Ped 15:77-84, 2003.

necessita amostras:
serologia
_fase aguda
_fase convalescença

resultados em 2 semanas
impraticável na rotina

 gripe #05 :testes de diagnóstico


standard
 PCR
culturas
Storch G, et al: Rapid diagnostic tests for influenza. Curr Opt Ped 15:77-84, 2003.

sucesso no diagnóstico da gripe


serologia
mas…
PCR
_dificuldade na sua execução
_limitada a centros investigação

futuro – excelente opção


sens. 94,2% - esp. ~100%

 gripe #05 :testes de diagnóstico


standard
 testes detecção de antigéneos virais
culturas
Storch G, et al: Rapid diagnostic tests for influenza. Curr Opt Ped 15:77-84, 2003.

método de imunofluorescência
serologia
resultados
PCR
_em poucas horas
testes _variam de técnico para técnico
rápidos
(mas ↓ à cultura)
_dependem do local da amostra

 gripe #05 :testes de diagnóstico


standard
 testes detecção de antigéneos virais
culturas
Storch G, et al: Rapid diagnostic tests for influenza. Curr Opt Ped 15:77-84, 2003.

locais de colheita:
serologia
+++ lavado nasofaríngeo
PCR
esfregaço nasofaríngeo
testes esfregaço nasal
rápidos
- - - aspirado nasal

+++: > carga viral


- - - : < carga viral

 gripe #05 :testes de diagnóstico


Tratamento
 Na maioria é sintomático:

• Antipirético paracetamol
• Analgésico
• Hidratação
• Descanso

..........................................
ANTI - VÍRICOS
Nos doentes:

parte dos grupos de risco
 com formas graves e complicadas de gripe


em que se pretende diminuir o tempo de
doença
ANTI - VÍRICOS
administrados 48h

• Amantadina após o aparecimento


dos sintomas
• Rimantadina
diminuem a
São bloqueadores gravidade da doença
dos canais por influenza A

iónicos ~ efeitos secundários


~ inibem a replicação frequentes ao nível
viral do SNC e tracto GI
~ apenas activos para o ~ rápida emergência
vírus influenza A
de resistências
ANTI - VÍRICOS
- Inibidores da
 Zanamivir neuraminidase
- inibem a libertação

Oseltamivir dos viriões da célula
hospedeira, impedindo
que as vizinhas sejam
infectadas
- activos para influenza
AeB
ANTI - VÍRICOS

Meissner. Pediatr Clin N Am 52. 2005


geral
 cuidados de higiene básicos
:lavar as mãos (sabão e água)
:evitar tocar nariz e olhos
:nos surtos ñ partilhar obj. pessoais

 gripe #07 :prevenção


..........................................
geral
 quimioprofilaxia antigripal
quimio
:indivíduos de risco ñ vacinados
:contactos próximos não vacinados
de doentes de risco
:controlo de surtos em instituições
:controlo de epidemias (má concor-
dância antigénica da vacina) e
pandemias
@spp
.

 gripe #07 :prevenção


..........................................
geral
 quimioprofilaxiaantigripal
quimio
:adjuvante da vacinação
:só influenza A
:amantadina e rimantadina
.

 gripe #07 :prevenção


..........................................
geral
 vacinação
Froes F, et al: Gripe, uma doença esquecida. Infecções Respiratórias 3:15-22. 2003.

quimio
:principal opção
vacina
:↓ impacto da gripe e complicações
↓ doenças respiratórias (gripe)
↓ intern. e morte (alto risco)
↓ nº idas ao médico (qq idade)
↓ otite média (crianças)
↓ absentismo trabalho (adultos)

 gripe #07 :prevenção


..........................................
geral
 composição
quimio
:3 estirpes virais
vacina
2 do tipo A
1 do tipo B
vírus + prováveis próx. época

 gripe #07 :prevenção


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geral
 tipos de vacinas
Froes F, et al: Gripe, uma doença esquecida. Infecções Respiratórias 3:15-22. 2003.

quimio
:vacina vírus completos inactivados
vacina
:vacina fracções virais (split-virus)
:vacina subunitária (ag sup. purific.)
:vírus vivos inactivados

 gripe #07 :prevenção


..........................................
VACINA ANTI - GRIPE
geral
 quando administrar?
quimio
:outono
Vacina
:todos os anos
Trivalente
 quem pode?

:crianças a partir dos 6 meses


 dosagem

:<9 anos – 2 doses, 1 mês intervalo na


primeira administração
:>9 anos – 1 dose

 gripe #07 :prevenção


..........................................
geral
 quando administrar?
quimio
:outono
Vacina
:todos os anos
Viva atenuada
 quem pode?

:crianças saudáveis a partir dos 5 anos


 Administração: via intra – nasal
 Dosagem: - « 9 anos, 1ª administração
duas doses, 6 semanas de intervalo
- » 9 anos uma dose

 gripe #07 :prevenção


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geral
 imunidade efectiva
quimio
10 a 14 dias após administração
vacina

 gripe #07 :prevenção


..........................................
geral  Contra – indicações:
quimio - Alergia às proteínas do ovo ou frango
- Alergia a componentes da vacina:
Vacina thimerosal
Trivalente

American Academy of
Pediatrics. Policy Statement.
Pediatrics Maio 2004

 gripe #07 :prevenção


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geral  Contra – indicações:
quimio - Idade « 5 anos
- Alergia às proteínas do ovo ou frango
Vacina viva
- Terapia com salicilatos
atenuada
- Imunodeficiência
- S de G – B
- Asma
- Doenças crónicas
American Academy of
Pediatrics. Policy Statement.
Pediatrics Maio 2004

 gripe #07 :prevenção


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Infecções por adenovirus
 Vírus DNA  Destruição
 Viabilidade: - Aquecimento a 54ºC
- 2 semanas à temp.ª , 30 m
ambiente - Desinfectantes e
- Após refrigeração a detergentes habituais
4ºC
- pH 5 e 9
Infecções por adenovirus
 Transmissão  Respiratória
 Contacto
- Directo
- Indirecto
 Digestiva
Infecções por adenovirus
 Incubação : 5 a 10  Infecção
dias assintomática em
 Duração da doença: 1 50%
semana  Pelos 5 anos 75%
 Contagiosidade: seroconversão
meses a anos
Infecções por adenovirus
 Diagnóstico  Cultura
 Detecção antigénica
ou DNA
 Histopatologia
 Serologia
- (produção de anticorpos
diminuída em lactentes e
imunocomprometidos)
Infecções por adenovirus
 Tratamento  Cidofobir IV
 Ribavirina, aerosol
 Vidarabina (cistite)
 Igls e linfócitos nos
imunocomprometidos
Infecções por adenovirus
 Prevenção  Precauções Standard
 Precauções de
transmissão
 Retirada do infantário
 Desinfecção de
piscinas
Adenovirus
 Vectores genéticos
Infecções por Metapneumovirus
Infecções por Metapneumovirus