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Critérios de Necessidades em

Saúde

Prof Dra Maria Elisa Moreira


Situação
 Vc é contratado para trabalhar em uma
Unidade básica de saúde que vai ser
implantada em uma região periférica de um
município grande (aprox. 800mil hab).
 Faz parte de seu contrato de trabalho iniciar as
atividades desde o diagnóstico de saúde.
 Como vc faria este diagnóstico?
 Que informações seriam importantes
 Que critérios usuaria para levantar as
necessidades em saúde?
 Como as priorizaria?
Conceito
 Necessidade: entendida como uma gama
complexa de características relacionadas aos
indivíduos ou comunidades, que indica a falta
de uma ou mais condições para se obter a
saúde plena. Não é o único indicador para as
decisões sobre políticas de saúde, mas o
instrumento técnico que subsidia o político.
 Critérios: Demanda, Risco e Chance de vida.
Taxonomia das necessidades
 Condições gerais de vida: determinantes do
processo saúde, doença e morte
 Acesso a toda tecnologia capaz de garantir a
vida
 Vinculação à uma equipe ou profissional com
adequada relação do ponto de vista humano,
espaço de singularidade (pessoal), de
permanência (continuidade)e de construção de
subjetividades.
 Autonomia progressiva para dar sentido e
conduzir a vida, desde o aspecto físico até o
sócio cultural.
Demanda
 A demanda é avaliada a partir da necessidade
sentida da população, que a faz recorrer aos
serviço de saúde. Mais voltada para interesses
imediatos e em caráter de recuperação
funcional e enfoque curativo e no máximo
reabilitador. Pode ser determinada pelas
causas de internação de dada localidade, bem
como, pela identificação do motivo de
consultas ambulatoriais. É característica de
políticas assistencialistas.
Risco
 Tem sido a mais utilizada forma de critério em
Saúde Pública, identificando grupos e
indivíduos com necessidades especiais e maior
chance de adoecer por dada enfermidade, a
partir da experiência de um coletivo
populacional. Suas características principais
são:
 Base em determinantes biológicos.
 Triagem centrada nos indivíduos
 Direciona-se a grupos com características
especiais e comuns.
Características
 Instrumentaliza ações programáticas de
caráter vertical.
 Propõe-se a igualdade e universalidade.
 Apóia-se na produtividade da capacidade
operacional do setor saúde.
 Apresenta-se com enfoque de eficiência e de
custo.
 O maior problema é a baixa especificidade e
sensibilidade de sua base epidemiológica
(falsos positivos e falsos negativos).
Chances de vida
 Só a partir de 1980 começaram a ser
valorizados padrões sócio econômicas como
“riscos” explícitos. Baseia-se no conceito de
Max Weber, para quem a probabilidade das
pessoas satisfazerem suas necessidades e
vontades não variam aleatoriamente,
independente de fatores ambientais, genéticos
ou biológicos, mas dos relativos à estrutura
social, particularmente na produção e
distribuição de bens de consumos. As chances
de saúde são dependentes das chances de vida.
Características
 Intersetorialidade - determina ações não só do
setor saúde, mas de outras políticas sociais e
de desenvolvimento econômico como
habitação, educação, emprego, pois são a base
das condições gerais de vida.
 é determinada com base na caracterização do
ambiente ecológico e social.
 define necessidades de grupos esquecidos
socialmente.
 a alocação de recursos visa a eqüidade, a
eficácia social e o interesse da comunidade.
 a especificidade e a sensibilidade é alta pois o
enfoque é mais macro estrutural e coletivo.
Critérios de priorização de
necessidade
Definidas as necessidades é preciso
hierarquizá-las, para que se possa
otimizar recursos de acordo com a
maior probabilidade de impacto social
nas populações e comunidades.
Tradicionalmente a Saúde Pública vem
trabalhando com a caracterização da
magnitude, transcendência e
vulnerabilidade dos agravos.
Magnitude do Agravo
 É o tamanho do problema: seus aspectos
quantificáveis, suas dimensões demográficas,
epidemiológicas, geográficas, sociais e
econômicas. Utiliza-se dos indicadores de
morbimortalidade, das características
demográficas da população (natalidade,
distribuição etária, mortalidade geral e
proporcional, etc.) e da caracterização geral
da distribuição dos riscos no ambiente
geográfico e sócio econômico.
Transcendência do Agravo
 É a qualificação do problema, ligada a fatores
geralmente não mensuráveis ou contabilizáveis
enquanto abrangência do problema, mas que
delimitam uma caracterização especial. São as
implicações sócio econômicas, culturais e
políticas do problema (aqui, enquanto
conseqüências e não fatores determinantes,
como são vistos na magnitude); como estigma
psico-social e os aspectos éticos e legais. A
transcendência neste aspecto, é definida por
análises qualitativas com base na contribuição
das ciências humanas, sociais e políticas.
Atenção
Alguns aspectos da transcendência são
mensuráveis, mas não implicam no
tamanho do problema, mas em aspectos
particulares que ampliam o seu impacto.
São estes as possíveis complicações
biológicas, anatômicas e funcionais; a
capacidade de determinar seqüelas e, os
custos financeiros e sociais para seu
enfrentamento.
Vulnerabilidade do Agravo
 É caracterizada pela definição da forma como
o problema pode ser enfrentado pelas
políticas de saúde.
 Depende tanto de aspectos técnicos científicos
das ações de saúde, como de questões relativas
ao modelo organizacional dos serviçais e às
decisões políticas que subsidiam as ações. Diz
respeito portanto as táticas e estratégias para
enfrentamento do problema com relação
direta com a gestão e gerência dos serviços.
Vulnerabilidade do Agravo
 Abrange às medidas tanto preventivas,
curativas e reabilitacionais como as
promocionais; as de âmbito individual
(assistência direta aos doentes), como coletivas
(vigilância epidemiológiica e sanitária); até a
definição das políticas de controle nos níveis
nacionais, estaduais e municipais e
correspondentes atribuições e competências.
Vulnerabilidade do Agravo
 Está intimamente relacionadas aos conceitos
de organização de serviços; integralidade,
hieraquização, participação popular, etc.
 Exige um diagnóstico adequado dos recursos
disponíveis tanto de saúde, como de outro
serviços sociais, sua organização e das
transformações necessárias a sua melhor
operacionalização.
Bibliografia
CECÍLIO, L. C. O – As necessidades de saúde
como conceito estruturante na luta pela
integralidade e eqüidade na atenção em saúde.
In: Pinheiro, R.; Mattos, R. A. (Orgs.) – O
sentido da integralidade na atenção e no
cuidado á saúde. Rio de Janeiro, IMS-UERJ,
2001. p. 113-126.

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