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Casa grande & Senzala Uma introdução
Disciplina:Literatura regionalista
discentes: Alexsandra Vasconcelos Clique para editar o estilo do subtítulo mestre André Gomes Eduardo Flavia Jéssica Gabrielle

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. mas todo um triunfo universal.Casa grande e senzala é não só uma revelação para os brasileiros do que eles são.” (Fernando de Azevedo)  “.ficamos todos mais brasileiros com a sua obra.....todos lhe devemos um pouco do que somos e muito do que sabemos..” (Briggs) .5/3/12 Introdução  Comentários positivos À obra  “O estilo de Gilberto já por si daria para obrigar a nossa admiração” (Guimarães Rosa)  “.” (Mestre Anísio) “.

.” (Jorge Amado) Casa grande e senzala “aconteceu em 1933 como algo explosivo. numa linguagem atrevidamente nova mas muito nossa.” (Darcy Ribeiro)   “.. que fosse legível.”  “.só vivendo se pode aprender a ciência dos livros. bem escrito como Casa Grande e Senzala. Camões a Lusitânea... de realmente novo. de certa forma. fundou .um livro de estudos do Brasil.”  Era “um livro de ciências escrito numa linguagem literária de timbre inusitado..5/3/12 Introdução  Gilberto Freyre. um livro . de insólito.ou pelo menos espelhou o Brasil no plano cultural tal como Cervantes a Espenha. a romper anos e anos de rotina e chão batido. era coisa nunca vista..

5/3/12 Introdução   Pontos negativos à obra “.” (Darcy Ribeiro) ..Nos reconciliarmos com a nossa ancestralidade lusitana e negra..”  “Suas ousadias ofendiam e arranhavam sensibilidades acadêmicas e feriam muitas almas bem formadas. de que nós vexávamos um pouco. Principalmente pelo livre emprego de expressões tidas desde sempre como chulas..” (Darcy Ribeiro)  “GF ajudou como ninguém o Brasil a tomar consciência de suas qualidades.”(Darcy Ribeiro)  Ensinamentos da obra“. principalmente das bizarras. obscenas. irreverentes...o estilo acre de CG&S provocaram em muita gente verdadeiras crises de exasperação..

... engendrar a interpretação arejada e bela da vida colonial brasileira que é CG&S. o rapazinho anglófilo do Recife. para entrar no couro dos outros e ver o mundo com olhos alheios.menino fidalgo dos Freyre.” (Darcy Ribeiro)   Característica do autor na obra “O ser antropólogo permitiu a Gilberto sair de si..aparentemente tão inapto para para esta façanha. o moço elitista que viaja para os Estados Unidos querendo ser protestante para ser mais norte-americano [..5/3/12 Introdução  Questão levantada: Como pode Freyre.. permanecendo ele mesmo.” (Darcy Ribeiro)    Resposta: “.à postura aristocrática e direitista não corresponde necessariamente uma inteligência curta das coisas ou uma sensibilidade embotada das vivências. “.” .]como pôde ele .

Não é um velho sábio de Apipucos. um dominador. Aliás. melhorar o humano” (p. é nós todos. é como Macunaíma. sem vexames por suas origens e com reconhecimento de suas aptidões para.5/3/12 O escritor o CG&S não é um livro de sociologia. cristão.      Exemplo de dualidade: “É sucessivamente senhorial. nem ninguém. ao se vestir e se sentir negro. branco. efeminado  . escravo. herege. Gilberto Freyre era um antiteoricista. Escreve como um neoluso. mas sem deixar de ser em outros contextos. interior de Pernambuco. maduro.    “Gilberto Freyre muito ajudou os brasileiros a aceitarem-se tal qual são. segundo Darcy Ribeiro. amanhã. 13)   Gilberto Freyre é um escritor situado no tempo e no espaço.

ao contrário de muitas críticas recebidas na época.     Comumente consegue dar caráter e individualidade.       O estudo científico detalhado e a criação literária não invalidam a obra. F. contorno e cor aos tipos e figuras retratados. .5/3/12 O escritor E. Em muitos casos fantasia com uma liberdade artística peculiar que muito incomodou os críticos.

  . Uma reconstituição alegórica do passado vivente. que um neto indiscreto recorda amorosamente a rotina da fidalguia. autocrático e machista.     CG&S é uma espécie de história bisbilhoteira da vida doméstica do senhorio nordestino. por qualquer um abaixo de sua posição social > Mandonismo      Masoquismo por parte dos escravos/indígenas > Pressão sofrida por um governo másculo.5/3/12 O intérprete       Contradição íntima entre os valores professados e os valores atuantes como seus critérios existenciais:      Sadismo por parte dos brancos > por brinquedos.    Defende que o despotismo viabiliza a preservação dessa ordem. por escravos.

5/3/12 A obra   CG&S é uma monografia de caráter etnográfico. .  Há também na obra um desapego teórico . ou seja uma obra histórica .   Darci ribeiro também defende que a obra não é sociológica .   Não há estudos precedente ou posteriores da envergadura desta obra .

Quero dizer. 27)   . Nenhum método que o leitor possa extrair da obra. como enfoque aplicável em qualquer parte. tão referida e tão louvada. Em Casa-Grande e Senzala simplesmente não há método nenhum.5/3/12 O método   "Cabe uma palavra mais sobre o propalado método de Gilberto Freyre. de que ele próprio tanto fala: método não. 2001. p.” (Darcy Ribeiro. nenhuma abordagem a que o autor tenha sido fiel. mas sim pluralidade de métodos.

 .           Desdobra novas conseqüências sobre a miscigenação. estatísticas médicas.            Identifica a sexualidade como algo importante para a formação social   brasileira.5/3/12 O método   A diversidade da obra Casa Grande e Senzala        Foi desenvolvida através de pesquisas e fontes históricas ( leu tudo: relatos de viagens.       Faz reflexões sobre a qualidade química do solo. apresentando o outro lado de cada raça. milhares de documentos aparentemente inúteis). diários de senhores de engenho. sermões. cartas comerciais e privadas.        Apresenta o homem na sua dimensão animalesca sem se preocupar       com o moralismo.

um estudo social.. que estes . desviou-se dessa rota. que além de ser histórico. Pedro Álvares Cabral.5/3/12 O método  Eu venho procurando redescobrir o Brasil. parece já baseado em estudos portugueses. e identificou uma terra que ficou sendo conhecida como Brasil."  Embora Gilberto Freyre esteja sempre dizer que não é seguidor de ninguém e que é um bandeirante abridor de novos caminhos. Mas essa terra não foi imediatamente auto-conhecida.. geográfico.. ele mesmo admite que é ratificador de antecessores e. a caminho das Índias. Vinham sendo acumulados estudos sobre ela. portanto. mas faltava um estudo convergente. geológico. psicológico.. Eu sou rival de Pedro Álvares Cabral. fosse. uma interpretação. Creio que a primeira grande tentativa nesse sentido representou um serviço de minha parte ao Brasil.

além de aquinhoada de bens . negros. o Brasil. judeus e orientais que plasmaram o brasileiro com suas singularidades de gente mestiça de todas as raças e de quase todas as culturas. os variados avós índios. mouros. lusitanos e. por via desses. Nele surgem redivivos.5/3/12 Os protagonistas       Os protagonistas      Conquistadores     Nativos     Negros  “Gilberto Freyre nos dá um quadro vivo e colorido como não haverá outro em literatura alguma sobre o processo de formação de um país.

na religiosidade católica impregnada de crenças indígenas. nas práticas africanas. com base na monocultura latifundiária de cana-de-açúcar. na força de trabalho escrava. mas polígamo. quase exclusivamente negra. recluído na casa grande com sua esposa e seus filhos. p. no domínio patriarcal do senhor de engenho.” (Darcy Ribeiro. 29) . 2001. cruzando com as negras e mestiças.5/3/12 Os protagonistas    Tema de estudo “O tema de Casa-Grande & Senzala é o estudo integrado do complexo sociocultural que se construiu na zona úmida do litoral nordestino do Brasil.

Bugres..] de cultura ainda não agrícola.. mamão. cará.” . A agricultura.] uma das populações mais rasteiras do Continente.. dormindo em rede pelo chão. milho.” “[... praticada pelas tribos menos atrasadas.5/3/12 O índio e o jesuíta ÍNDIO “[. Nem reis. ainda na primeira dentição. apesar das lavouras de mandioca. Gente quase nua e à toa. de fruta do mato.] terra e homem estavam em estado bruto.. Apenas morubixabas. umas ralas plantações de mandioca ou mindúbi.. jerimum. de um ou outro fruto.” “[. de caça. alimentando-se de farinha-de-mandioca. nem sobas. uma cultura verde e incipiente. ou borralho..

5/3/12 O índio e o jesuíta Mulher Homem X .

. .5/3/12 O índio e o jesuíta o Tese da Selvageria Atávica dos Brasileiros   o   NEGRO X ÍNDIO     [. O índio não dava para escravo porque incapaz e molenga. Sobretudo se disciplinado na sua energia intermitente pelos rigores de escravidão”...] deixemo-nos de lirismos. O negro sim..

foigo.5/3/12 O índio e o jesuíta Principal produto desse processo: oA FALA: . oImpacto: _ Irrita os defensores da linguagem científica _ Desespero do leitor estrangeiro e principalmente dos tradutores.. jequia. Grande quantidade de nomes indígenas – de coisas. urupuca. teteia. pipoca. de gentes e de bichos: curumi. cabaço. . tingui. cuia.. mundeo.

[. Dela é que nos viria este misticismo quente. vestido e penteado como gente grande. de uma ternura que não conhecem igual os europeus. roupa preta .. a tudo assistia contente..5/3/12 O brasileiro senhorial  O nascimento afagos de mucama. a imaginação. a religiosidade dos brasileiros. um ar tristonho de quem acompanha enterro. os gestos sisudos. . Aos dez anos o senhorito é metido à força no papel de homenzinho.. mais tarde é que vinha o grande atoleiro de carne.  A adolescência As primeiras de suas vítimas eram os moleques de brinquedo e os animais domésticos. o colarinho duro. voluptuoso de que se tem enriquecido a sensibilidade. de uma bondade por ventura maior que a dos brancos.] O pai.. mais uma vez. botina preta. a negra ou mulata. calça comprida.. o andar grave..

  . dormindo. Rede andando. com o senhor copulando dentro dela... cochilando. Casava-se logo depois . outros por doenças venéreas ou de pele. arrotando alto. fumando charuto. agradar catar piolhos pelas molequinhas. Depois do almoço ou do jantar era na rede que eles faziam longamente o quilo – palitando os dentes. deixando-se abanar.   O adulto  A maior parte da vida o senhor de engenho a passava na rede. Rede rangendo. Rede parada com o senhor descansando. peidando.com alguma prima. cuspindo no chão. coçando os pés ou a genitália. uns coçando-se por vício...5/3/12 O brasileiro senhorial  O rapaz Só aos 26 anos seria homem feito. com o senhor em viagem ou passeio debaixo de tapetes ou cortinas.

 . mas sobretudo em perpetuar a prosperidade dos filhos legítimos. para ser sepultado no outro dia debaixo das tábuas da capela. com muita cantoria dos padres em latim. que eram uma dependência da casa-grande. muito choros das senhoras e dos negros. O corpo morto.5/3/12 O brasileiro senhorial A aproximação da morte/ sepultamento  Preocupavam-se em lavar a alma em confissões. uma vez era tratado com o vaidoso aparato de toalete dos defuntos era velado à noite com grandes gastos de cera. Alguns também se preocupavam em alforriar e aquinhoar a todos ou alguns dos seus bastados paridos dentro de casa pelas negras ou mulatas.

conclui judiciosamente que.5/3/12 O brasileiro senhorial  Condições alimentares e de saúde no Brasil colonial Terra de alimentação incerta e vida difícil é o que foi o Brasil nos primeiros séculos. Adiante. charque. geléias e pastéis fabricados pelas freiras dos conventos: era com que se arredondava a gordura dos frades e das sinhás moças. toucinho. melado . debaixo de tanta fome e doenças os brasileiros seriam uma inútil população de caboclos e brancarrões.  Os negros comeriam fartamente: feijão. mais valiosa como material clínico do que como força econômica. detalhada: fartura só de doces. abóbora.

ou pelo menos a pinta. mesmo o alvo de cabelo louro. a robustez e a eficiência da população brasileira. tantas vezes são atribuídas à miscigenação   . do Maranhão ao Rio Grande do Sul. apatia. cuja saúde instável.5/3/12 A negraria oTodo brasileiro. de que a miscigenação racial seria o nascedouro das limitações e mazelas enfrentadas pelo povo brasileiro. traz na alma. quando não na alma e no corpo – (. principalmente do negro. No litoral... e em Minas Gerais. através de gerações.   o A visão corrente de então.) males profundos que têm comprometido. incerta capacidade de trabalho.. em sua análise abre o espectro de possibilidades mais complexas:   (. do indígena ou do negro. será questionada pelo autor que. perturbações de crescimento.)..a sombra.

de experiência de cultura e de organização da família. ou antes. menos em termos de "raça" e de "religião" do que em termos econômicos..) Spengler salienta que uma raça não se transporta de um continente a outro. Nem intransigentemente de uma nem de outra.5/3/12 A negraria A formação patriarcal do Brasil explica-se. tanto nas suas virtudes como nos seus defeitos. na posição de senhor e escravo. à religião.   o Antes mesmo de o elemento lusitano e africano se encontrarem nas terras brasileiras.   . de povo indefinido entre a Europa e a África. à alimentação. cultural. explica-a em grande parte o seu passado étnico. já havia uma influência deste na formação cultural daquele. A influência africana fervendo sob a européia e dando um acre requeime à vida sexual.. seria preciso que se transportasse com ela o meio físico. mas das duas.   A singular predisposição do português para a colonização híbrida e escravocrata dos trópicos. que foi aqui a unidade colonizadora (.

A precoce voluptuosidade. embora o senso comum veja as regiões sertanejas como “imunizadas” a essa influência:    A suposta imunidade absoluta do sertanejo do sangue ou da influência africana não resiste a exame demorado. talvez.    5/3/12 A negraria . e um pouco. mal atingida a adolescência. Nada nos autoriza a concluir ter sido o negro quem trouxe para o Brasil a pegajenta luxúria em que nos sentimos todos prender. a fome de mulher que aos treze ou quatorze anos faz de todo brasileiro um don-juan não vem do contágio ou do sangue da "raça inferior" mas do sistema econômico e social da nossa formação. do clima. O sertão é também espaço para a manifestação do negro. em outras se fazem notar resíduos africanos. Se são numerosos os brancos puros em certas zonas sertanejas.

Obrigado =D!! 5/3/12 .

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