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UNIVERSIDADE ÓSCAR RIBAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA INFORMÁTICA & COMUNICAÇÃO

UNIVERSIDADE ÓSCAR RIBAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA INFORMÁTICA & COMUNICAÇÃO

ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DE EMPRESAS

TEMA: INTRODUÇÃO À EMPRESA

PROFESSOR: ENGº PAULO SILVA
PROFESSOR: ENGº PAULO SILVA

EMPRESA

Uma empresa é a unidade económico-social em que o capital, o trabalho e a direcção se coordenam para

realizar uma produção socialmente útil, de acordo

com as exigências do bem comum. Os elementos necessários para formar uma empresa são: capital, trabalho e recursos materiais

EMPRESA

Em geral, entende-se por empresa o organismo social integrado por elementos humanos, técnicos materiais cujo objectivo natural e principal é a obtenção de utilidades, ou melhor, a prestação de serviços á comunidade, coordenados por um administrador que toma decisões na forma oportuna para a concretização dos objectivos .

Para cumprir com este objectivo a empresa combina

natureza e capital.

eMPRESA

Em Direito é uma entidade jurídica criada com objectivo para conseguir lucro e está sujeita ao

Direito Comercial.

Em Economia, a empresa é a unidade económica básica encarregada de satisfazer as necessidades do

mercado mediante a utilização de recursos materiais e

humanos. Se encarrega, por tanto, da organização dos factores de produção, capital e trabalho.

iNTRODUÇÃO

O novo Código do Trabalho alterou a classificação de empresas, que é utilizada por diversas normas que

regulam as condições de trabalho e o cumprimento de

procedimentos, seguindo uma recomendação da Comissão Europeia de 2003.

Desta forma, passam a ser consideradas como empresa:

Segundo a sua dimensão

Não existe unanimidade entre os economistas na hora

de estabelecer o que é uma empresa grande ou

pequena, posto que não existe um critério único para medir o tamanho da empresa. Os principais indicadores são: o volume de vendas, o capital próprio, número de trabalhadores, benefícios, etc. O mais utilizado é número de trabalhadores. Este critério delimita a magnitude das empresas da forma

que segue:

Segundo a sua dimensão

Micro Empreendedor Individual

Microempresas, as que empreguem menos de 10 trabalhadores

Pequenas empresas, as que empreguem entre 10 e 49 trabalhadores,

Médias empresas, as que empreguem entre 50 e 249 trabalhadores,

Grandes empresas, as que empreguem 250 ou mais trabalhadores.

Segundo a actividade económica que actuam

Do sector primário, basicamente extractivas, que criam a utilidade dos bens ao obterem os recursos da natureza (agrícolas,

pecuárias, pesqueiras, mineiras, etc.).

Do sector secundário, que centra sua actividade productiva a transformar

fisicamente uns bens em outros mais úteis para

o seu uso. Neste grupo encontram-se as empresas industriais e de construção.

Segundo a actividade económica que actuam

Do sector terciário (serviços e comércio), com actividades de diversa natureza, como comerciais, transporte, turismo, assessoria, etc.

Segundo a forma jurídica

Empresas individuais: se só pertence a uma pessoa. Esta pode responder frente a terceiros

com todos os seus bens, é dizer, com responsabilidade ilimitada, ou só até ao montante despendido para a sua constituição,

no caso das empresas individuais de

responsabilidade limitada . É a forma mais sensata de estabelecer um negócio e podem ser

empresas pequenas ou de carácter familiar.

Segundo a forma jurídica

Empresas societárias ou sociedades:

constituidas por varias pessoas. Dentro

desta classificação estão: a sociedade anónima, a sociedade colectiva, a

sociedade comanditária e a sociedade de

responsabilidade limitada

As cooperativas ou outras organizações de economia social.

Segundo o seu âmbito de actuação

Em função do âmbito geográfico em que as empresas realizam a sua actividade, podem distinguir-se:

  • Empresas locais

  • Regionais

  • Nacionais

  • Multinacionais

  • Transnacionais

  • Mundial

Segundo a titularidade do capital

Empresa Privada: se o capital está em mãos de particulares

Empresa Pública: se o capital e o controlo está em mãos do Estado

Empresa Mista: se a propriedade é compartida

Empresa de autogestão: se o capital está nas mãos dos trabalhadores

Segundo a quota de mercado que possuem as empresas

  • Empresa aspirante: aquela cuja estratégia vai dirigida a ampliar sua quota frente ao líder e demais empresas competidoras, e dependendo dos objectivos que se traçaram, actuará de uma forma ou outra em sua planificação estratégica.

Segundo a quota de mercado que possuem as empresas

Empresa especialista: aquela que responde a necessidades muito concretas, dentro de um segmento de mercado, facilmente defensável frente aos competidores e em que possa actuar quase em condições de monopólio. Este segmento deve ter um tamanho suficientemente grande para que seja rentável, mas não tanto como para atrair as empresas

líderes.

Segundo a quota de mercado que possuem as empresas

  • Empresa líder: aquela que marca a pauta em relação ao preço, inovações, publicidade, etc., sendo normalmente imitada pelo resto dos actuantes no mercado.

  • Empresa seguidora: aquela que não dispõe de uma quota suficientemente grande como para inquietar a empresa líder.

Uma empresa combina três factores que são:

Factores activos: empregados, proprietários, sindicatos, bancos, etc.

Factores passivos: matérias primas, transporte, tecnologia, conhecimento,

contratos financeiros, etc.

Organização: coordenação e ordem entre todos os factores as áreas.

Factores activos

Pessoas físicas e/ou jurídicas (entre outras entidades mercantis, cooperativa, fundações, etc.) constituem uma empresa realizando, entre outras, aportação do capital (seja puramente monetário, seja de tipo intelectual, patentes, etc.). Estas "pessoas" se convertem em accionistas da empresa. Participam, no sentido amplo, na vida da empresa:

Factores activos

Administradores Clientes Colaboradores e partners (companheiro, socio,

parceiro)

Fonte financeira Accionistas Subadministradores e provedores. Trabalhadores

FACTORES PASSIVOS

Todos os que são usados pelos elementos activos e ajudam a conseguir os objectivos da empresa. Como a tecnologia, as matérias primas utilizadas, os contratos financeiros, etc.

Dentro de uma empresa tem vários departamentos ou áreas funcionais. Uma possível divisão é:

Produção e logística Direcção e Recursos humanos Comercial (Marketing ) Finanças e Administração Sistemas de Informação Vendas

Princípios administrativos da empresa

Segundo a Teoria Sistemica, esses

princípios administrativos são dados por quatro factores:

Planejamento, Organização Coordenação ou Direcção Controle.

Finalidade das empresas

fim lucrativo fim não lucrativo

Uma empresa ao declarar que ter lucros não é um fim em si próprio, não implica que a empresa não crie lucros, mas antes que esses lucros não irão ser redistribuídos pelos dono (s) da

empresa.

A empresa pode aplicar esses lucros para poder suportar os custos da sua actividade, e o restante (o chamado lucro) poderá muito bem ser aplicado na expansão da sua actividade (alargamento), aumentos de eficiência (melhoria da qualidade

de funcionamento), ou ainda como também tem sido muito

praticado: praticar um preço igual ao custo.

quem é o Gestor?

O gestor (desempenhar a função gestão), para além da dimensão estritamente operativa, significa sociologicamente desempenhar um papel, numa determinada estrutura social, seja ela instituição ou organização.

Papel do Gestor

Sociologicamente, o Gestor é o papel social (conjunto de comportamentos esperados, tendo em conta o status do indivíduo na estrutura social) enquadremo-lo num contexto representacional mais alargado.

O papel do Gestor

Sociologicamente, o Gestor é o papel social (conjunto de comportamentos esperados, tendo em conta o status do indivíduo na estrutura social) enquadremo-lo num contexto representacional mais alargado.

Um bom gestor necessita de

Ser objectivo Dar exemplo Comunicar com eficiência Desenvolver a sua auto-imagem Tomar decisões e resolver conflitos Descobrir as motivações e incentiva-las Aprender a ouvir e a validar a informação

Um bom gestor necessita de

Definir os objectivos e concentrar-se neles Definir o lugar de cada um dentro da empresa Delegar, apoiar a autonomia e assegurar os resultados Conseguir realizar as tarefas com a colaboração de todos Avaliar, acompanhar e controlar as tarefas, não as confundindo com os resultados

Barreiras da comunicação nas organizações

CONFUSÃO: o profissional não consegue ter critérios claros ao passar uma determinada informação.

CONGELAMENTO: são os famosos “fósseis”; tudo

evolui mas o profissional simplesmente parou no tempo e no

espaço; está completamente estagnado.

PRECONCEITO: são os famosos preconceitos que naturalmente nós todos temos, uns mais e outros menos.

HIERARQUIA: sem dúvida é uma barreira de comunicação pelo facto de muitas vezes o subordinado ter receio ou medo de falar algo a um cargo superior ao seu. Mesmo o superior sendo uma pessoa acessível, a hierarquia pode ser um bloqueio para o relacionamento interpessoal.

Barreiras da comunicação nas organizações

INFLEXIBILIDADE: pessoas “oito ou oitenta”. Não têm nenhuma flexibilidade nem tão pouco meio-termo. São radicais ao extremo. AUTO-SUFICIÊNCIA: são os donos do saber e da verdade. Sabem tudo de tudo. São aquelas pessoas que completam

frases e ideias pelos outros. Usam a típica frase: “Não, não ”

precisa de me dizer que eu já sei

...

FALHA DE INTERPRETAÇÃO: são profissionais que recebem uma informação e transmitem outra completamente distorcida. Colocam riqueza de detalhes onde não existem e fantasiam informações que não receberam.

FUNÇÕES, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E

DIFERENCIAÇÃO

Uma função corresponde a um tipo de actividade laboral que pode ser identificada e se distingue de qualquer outra. A função financeira, a função comercial e a função

produção são exemplos de actividades que são perfeitamente identificadas, não se

confundindo umas com as outras. A departamentalização é o processo que consiste em agrupar funções semelhantes (ou relacionadas) ou actividades principais em unidades de gestão. A departamentalização permite simplificar o trabalho do gestor e aumentar a eficiência e eficácia da gestão, pois contribui para um aproveitamento mais racional dos recursos disponíveis nas organizações.

FUNÇÕES, DEPARTAMENTALIZAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO

São várias as razões que levam as empresas a proceder à departamentalização das actividades ou funções, entre as quais:

Volume de trabalho: nas empresas de pequena dimensão, como por exemplo algumas familiares, geralmente não há uma acentuada especialização das tarefas. Todos, ou quase todos, os elementos fazem de tudo um pouco e não têm tarefas específicas. Um só gestor, muitas vezes, consegue gerir sem grandes dificuldades toda a unidade. Mas numa empresa industrial de significativa dimensão, com tecnologia específica que exige aprendizagem complexa e demorada e especialização das tarefas, o

agrupamento de funções é imprescindível. O director financeiro não dará grande ajuda a

fazer o trabalho do engenheiro de manutenção ou vice-versa, e um só gestor a coordenar todas as actividades não é uma situação normal. De facto encontramos nessas empresas vários gestores, nos vários níveis, cada um responsável pelo seu departamento;

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DEPARTAMENTALIZAÇÃO

A departamentalização pode ser efectuada com base em diversos critérios, sendo certo que não há nenhuma forma

ideal, aconselhável para qualquer organização, em qualquer

circunstância.

O critério escolhido como base da departamentalização numa empresa dependerá sempre da situação específica da empresa e das convicções dos seus gestores quanto aos resultados a esperar da decisão que levar à escolha a fazer. Além da departamentalização baseada simplesmente no número de elementos a atribuir a cada departamento como é o caso ainda hoje vigente, por exemplo, nas Forças Armadas (secções, pelotões, companhias com número pre-fixado de soldados) ou no tempo como no trabalho por turnos.

TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO

Departamentalização por funções: é provavelmente, ainda hoje, o mais usado na maior parte das empresas. A formação

dos diferentes departamentos é feita pelo agrupamento em actividades especializadas em produção, finanças, marqueting, pessoal, etc. É usada e aconselhada sobretudo em ambientes

estáveis, em organizações onde a eficiência técnica e a

qualidade são importantes (Figura 1.3);

Departamentalização por producto: é usada sobretudo em empresas diversificadas, isto é, com uma estratégia de desenvolvimento e/ou comercialização de vários

productos,sobretudo quando é importante o conhecimento

especializado de cada producto eventualmente com características muito diferentes (Figura 1.4);

TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO

Departamentalização por cliente: encontra-se sobretudo naquelas empresas que comercializam productos ou serviços em que as relações com determinados grupos de clientes implicam preocupações diferentes; por exemplo os organismos

oficiais (que por vezes compram na base de concurso público,

pagam em prazos diferentes, etc.), as empresas, o público (venda directa), etc.(Figura 1.5);

Departamentalização por área geográfica: é frequente em empresas que têm actividades não interdependentes, dispersas

por várias áreas dentro ou fora do país. É mais usada quando,

por exemplo, as vendas se processam para vários países além do mercado nacional, tendo os diversos mercados caracter´sticas diferentes ou sendo diferente a forma de comercializar (por exemplo, adopção de diferentes canais de

distribuição em diferentes países) (Figura 1.6);

Departamentalização por projecto: é típica das

empresas que se dedicam a grandes empreitadas ou desenvolvimento de grandes projectos

independentes; é o caso de empresas de construção

naval ou de construção civil dedicadas a grandes obras como pontes, auto-estradas, etc. Quando um projecto acaba, naturalmente a organização altera- se; pode no entanto acontecer (e geralmente sucede) que surja um novo projecto, mas só por acaso o número e a categoria das pessoas serão exactamente

os mesmos que estavam afectos ao projecto findo.

Os responsáveis pelo novo projecto podem, no entanto, ser os mesmos do projecto anterior (Figura

1.7);

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Departamentalização matricial: é idêntica à anterior (departamentalização por projectos) com uma única diferença fundamental: é que agora a departamentalização é permanente, em vez de mudar conforme acaba um e começa outro projecto. Aqui não há, ou pode não haver, projectos mas sim actividades que funcionam em dependência de mais do que um gestor, de forma permanente;

Formas combinadas de departamentalização: a não ser em casos excepcionais empresa de dimensão muito reduzida, ou com características muito específicas e invulgares -, as formas de organização que se encontram, na prática, não se enquadram rigorosa e exclusivamente num ou noutro dos modelos de departamentalização referidos. Pelo contrário, o que acontece na generalidade dos casos é as empresas optarem por uma estrutura de organização que contempla simultaneamente várias das formas referidas, como no

exemplo apontado na Figura 1.8.

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ADMINISTRAÇÃO
ADMINISTRAÇÃO
ADMINISTRAÇÃO Dir. Produção Dir. Marketing Dir. Rec. Humanos Figura 1.3 - Departamentalização por funções 42
Dir. Produção
Dir. Produção
Dir. Marketing
Dir. Marketing
Dir. Rec. Humanos
Dir. Rec. Humanos

Dir. Financeira

Figura 1.3 - Departamentalização por funções

DIR. MARKETING
DIR. MARKETING
Rádio e Televisão Frigoríficos e máq. lavar Telemóveis
Rádio e Televisão
Frigoríficos e máq. lavar
Telemóveis

Figura 1.4. Departamentalização por productos

DIR. MARKETING
DIR. MARKETING
   
 
DIR. MARKETING Organismos oficiais Público Empresas Figura 1.5. Departamentalização por clientes 44
Organismos oficiais
Organismos oficiais
Público
Público

Empresas

Figura 1.5. Departamentalização por clientes

DIR. MARKETING
DIR. MARKETING
Zona norte Zona centro Zona sul
Zona norte
Zona centro
Zona sul

Figura 1.6. Departamentalização por áreas geográficas

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO Direcção Direcção Direcção Direcção Marketing Pessoal I&D Financeira Gestor ---------------------------------------------------------------------------------- Projecto 1 Gestor ----------------------------------------------------------------------------------- Projecto
Direcção Direcção Direcção Direcção Marketing Pessoal I&D Financeira Gestor ---------------------------------------------------------------------------------- Projecto 1 Gestor ----------------------------------------------------------------------------------- Projecto 2
Direcção
Direcção
Direcção
Direcção
Marketing
Pessoal
I&D
Financeira
Gestor
----------------------------------------------------------------------------------
Projecto 1
Gestor
-----------------------------------------------------------------------------------
Projecto 2

Figura 1.7. Departamentalização por projecto

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resumo

Sociedade anónima (S.A., SA ou S/A) é uma forma de constituição de empresas na qual o capital social

não se encontra atribuído a um nome em específico, mas está dividido em acções que podem ser transaccionadas livremente, sem necessidade de

escritura pública ou outro ato notarial. Por ser uma

sociedade de capital, prevê a obtenção de lucros a

serem distribuídos aos accionistas.

resumo

A sociedade em comandita simples é a caracterizada pela existência de dois tipos de sócios:

os sócios comanditários e os comanditados.

Os sócios comanditários tem responsabilidade limitada em relação às obrigações contraídas pela sociedade empresária, respondendo apenas pela integralização das quotas subscritas.

Contribuem apenas com o capital subscrito, não contribuindo de nenhuma outra forma para o

funcionamento da empresa, ficando alheio, inclusive,

da administração da mesma.

resumo

Os sócios comanditados contribuem com capital e trabalho, além de serem responsáveis pela administração da empresa. Sua responsabilidade perante terceiros é ilimitada, devendo saldar as obrigações contraídas pela sociedade.

resumo

A sociedade por quotas com responsabilidade limitada, em Direito, refere-se à natureza jurídica de uma empresa constituída como sociedade, é quando

duas ou mais pessoas se juntam para criar uma

empresa, formando uma sociedade, através de um contrato social, onde constará seus atos constitutivos,

forma de operação, as normas da empresa e o capital

social.

Esse por sua vez será dividido em cotas de capital, o

que indica que a responsabilidade pelo pagamento

das obrigações da empresa, é limitada à participação

dos sócios.