Petróleo grego em alta tensão

05/07/2012 Por: Ruben Eiras

A Grécia é o país da UE e do Euro com o maior potencial prospetivo de exploração de petróleo, com cerca de 22 mil milhões de barris no Mar Jónico e 4 mil milhões de barris no Mar Egeu. Por comparação, o poço Lula no Brasil (uma das maiores descobertas da última década) tem cerca de 8 mil milhões de barris. Este facto é conhecido pela Troika do FMI, UE e BCE desde 2010. Em vez de promover a produção petrolífera para reequilibrar as contas gregas e aumentar a autonomia energética europeia, a ordem é privatizar a única via que o Estado grego dispõe para pagar aos credores. Eis a razão pela qual russos e chineses digladiam-se para controlar os portos gregos: passam a controlar terminais de distribuição de petróleo e gás para os Balcãs e centro da Europa, e conquistam uma inédita presença estratégica no mediterrâneo. Ciente desta ameaça, os EUA não dormem e Hillary Clinton deslocou-se recentemente à Grécia para tentar acertar condições de E&P com a Turquia, com o envolvimento da empresa americana Noble Energy. O problema reside em que a Grécia não dispõe de uma ZEE e por isso não tem garantido o direito soberano sobre os recursos no solo marinho. Por isso, Clinton foi tentar um acordo de repartição entre Grécia, Turquia e a Noble Energy. Na semana seguinte, os russos foram bater à porta dos gregos com proposta semelhante. Se considerarmos que Israel será um exportador líquido de gás ainda nesta década e que Chipre também uma bacia rica em petróleo, concluem-se dois factos:

O Mediterrâneo será um foco de tensão geopolítica em torno dos recursos petrolíferos

A UE sofre de uma cegueira estratégica extrema ou a Alemanha já desistiu da Europa A importância estratégica de capacidades de exploração submarina para a sustentabilidade dos países

Para saber mais: http://www.infowars.com/rising-energy-tensions-in-the-aegean %E2%80%94greece-turkey-cyprus-syria/

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