Diário de Notícias de 24.8.2012 Editorial (Realces de H.A.

Cayolla)

Extinção de chefias militares
Os números e a realidade
A decisão do Governo PSD/CDS de extinção de chefias militares reduz as Forças Armadas portuguesas a 18 308 operacionais. Somados os dois processos de redução, o que vinha de 2009, e o agora anunciado [menos 230 militares] o corte total é já de 1583 efectivos. O emagrecimento pretendido pelo ministro da Defesa, Aguiar-Branco, acrescenta na Marinha um corte de 1,2% (menos 94), no Exército diminui 1% (menos 65) e na Força Aérea 1,8% (menos 71). Ou seja, as Forças Armadas vão passar a ter menos 11 generais, 83 oficiais e 118 sargentos. Estes são os números oficiais, a realidade é outra.

Portugal é o segundo país da NATO com maior peso nos custos com pessoal: 77%. O esforço financeiro para equipamento é metade dos restantes membros da organização. A dimensão do efetivo militar [e aqui é necessário incluir também o pessoal civil] nas Forças Armadas é excessiva face à população. Ele está sobredimensionado.

Temos mais de 4 mil

efetivos por cada milhão de habitantes.
Dois exemplos que permitem perceber o que está em causa: em Espanha a relação é de 3 mil para um

milhão enquanto no Reino Unido é de 2800 por cada milhão de habitantes. Outro
dado: em termos médios, praticamente metade dos efetivos militares fazem parte das estruturas de comando. Percentualmente, por exemplo, temos

mais sargentos e oficiais do que o Reino Unido, mas menos praças.
A análise detalhada do estado da Defesa Nacional realizada pela Fundação Oliveira Martins mostra-nos umas Forças Armadas desajustadas, presas a uma rigidez na despesa com pessoal, que tem vindo a reduzir de forma preocupante a margem para investimentos em equipamento adequado, para além de criar valores salariais médios/baixos. Nalguns casos demasiado baixos. Esta desordem obriga a uma rápida, mas acertada, correção, ou um destes dias - pode parecer anedota, mas não é - não haverá quem possa varrer a parada.

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