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Vou-me embora para Pasrgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasrgada L sou amigo do rei L tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasrgada Vou-me embora pra Pasrgada Aqui eu no sou feliz L a existncia uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginstica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a me-d'gua Pra me contar as histrias Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasrgada Em Pasrgada tem tudo outra civilizao Tem um processo seguro De impedir a concepo Tem telefone automtico Tem alcaloide vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de no ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar L sou amigo do rei Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasrgada.

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886, na Rua da Ventura, atual Joaquim Nabuco, filho de Manuel Carneiro de Souza Bandeira e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Em 1890 a famlia se transfere para o Rio de Janeiro e a seguir para Santos - SP e, novamente, para o Rio de Janeiro. Passa dois veres em Petrpolis. Em 1892 a famlia volta para Pernambuco. Manuel Bandeira frequenta o colgio das irms Barros Barreto, na Rua da Soledade, e, como semi-interno, o de Virgnio Marques Carneiro Leo, na Rua da Matriz. No final do ano de 1904, o autor fica sabendo que est tuberculoso, abandona suas atividades e volta para o Rio de Janeiro. Em busca de melhores climas para sua sade, passa temporadas em diversas cidades: Campanha, Terespolis, Maranguape, Uruqu, Quixeramobim.