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Universidade Federal Fluminense - Curso de Letras - 2011 Vanessa Fernandes Santos Resumo dipo e o orculo (ou a profecia) dipo

toma atitudes para evitar a catstrofe que o orculo profetizou, e suas aes, afetadas pelo efeito do conhecimento de tal profecia, consistem em hamartia, no sentido de erro. Porm, mesmo errando, dipo ele mesmo, ou nada mais., como citado no texto. Cometendo tantos erros, ou hamartia, dipo passa de figura de heri, a mendigo cego e impotente, a figura de um pria . Ele responsvel por tal decadncia, mas mantm sua personalidade admirvel pois em nenhum momento deixou de agir como o dipo de antes. E suas aes resultam em uma situao contrria sua inteno. A tragdia se aprofunda justamente nisso, no sofrimento. Logo posta em questo a influncia dos deuses, que nada fazem alm de provocar nos humanos, aes que atendam suas vontades divinas. Pois o ser humano no concretiza essas vontades divinas sem estmulos. A profecia entra neste momento como estmulo, podendo ser interpretada como certa ou errnea, porm ambas interpretaes provocam tais estmulos no ser humano. Sem que tirem a responsabilidade das prprias atitudes de tal indivduo. Na pea essas profecias no tiram a autonomia de dipo, j que mesmo sendo pela vontade do divino, elas no tiram a autonomia da ao humana. E dipo mesmo desafiando todas as profecias, depois as comprovando na prpria pele, decifrando o segredo da esfinge, alcanando sua prpria destruio e desonra, continua possuindo um carter admirvel, agindo de acordo com aquilo que ele mesmo considera como verdade. Mesmo em estado decadente, ele alcana sua realizao, que prova suas qualidades e valores por meio de suas atitudes. E o conceito do orculo posto em questo, pois mesmo cumprindo a profecia do divino e alcanando a sua destruio e sofrimento profetizados, dipo mantm sua independncia em toda pea.