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Efeitos Desejáveis da Obrigação

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05/15/2011

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EFEITO DESEJÁVEL DAS OBRIGAÇÕES: PAGAMENTO

O pagamento ou adimplemento, no Direito Civil, é uma das formas de extinção de uma obrigação, caracterizando-se pelo cumprimento voluntário desta pelo devedor, geralmente pela entrega de dinheiro ao credor. Feito o pagamento, a obrigação é solucionada (solutio) e o devedor é liberado da obrigação. Tais obrigações podem ser pessoais ou de crédito e se configuram através de conceitos científicos utilizados pela ciência tais como: novação, sub-rogação, transação, compensação e outros. Para que o pagamento seja válido, é necessária a capacidade de fato que possuem os maiores de 18 anos e os emancipados. Os absolutamente incapazes serão representados. Os relativamente incapazes serão assistidos. Além da capacidade de fato, exige-se a capacidade negocial. Capacidade negocial é a satisfação de alguns requisitos extras, exigidos pela Lei em alguns casos específicos. Tratando-se de pagamento, o falido, por exemplo, não tem capacidade negocial para paga.r Conterão defeito grave os pagamentos que realizar fora do processo de falência. Se o defeito é grave, vale dizer que o ato pode ser anulado a qualquer instante, a pedido de qualquer interessado ou pelo juiz de ofício. Além de agente capaz, é condição do pagamento que o objeto seja possível, tanto materialmente quanto juridicamente. Ademais, deve restringir-se ao pactuado. Como vimos, não se pode obrigar o credor a receber coisa diferente da devida, nem o devedor a entregar coisa diversa da devida. Por fim, o pagamento deve ser efetuado por forma adequada, conforme o combinado. Não se pode, por exemplo, obrigar o credor a recebê-lo em cheque, se tal não foi previamente combinado.

REGRAS BÁSICAS
Estudar o pagamento é responder a várias questões importantes. São elas:  Quem pode pagar?  A quem pagar?  Que pagar?  Como provar o pagamento?

Fora daí. ocupando seu lugar. Se falecer. contratual ou preposto) ou por seus sucessores (inter vivos ou causa mortis). O pródigo não é capaz para dar quitação. o ato poderá ser anulado. Assim é que os herdeiros e cessionários também podem ser credores. por exemplo). podendo ser anulado. O pagamento também pode ser efetuado ao representante legal ou contratual do credor. seu representante legal. tanto pior para o credor. desde que tenham poderes para receber e dar quitação. Pagamento efetuado pelo próprio devedor — O devedor é o principal interessado em executar a obrigação. Há também outra espécie de sucessão. excedente à mera administração. ou seja. passaremos a estudar as formas especiais de pagamento. quem paga mal paga duas vezes. provando o devedor que não houve prejuízo para o credor . defeituoso o pagamento. o pagamento seria válido. A sucessão hereditária é causa mortis. por seu representante (legal. por si. Feito à pessoa absolutamente incapaz.84 seguido por Serpa Lopes:85 neste caso. os herdeiros somente respondem pela obrigação com os bens da herança.O devedor. Se esta não for suficiente. a seus sucessores ou a quem os represente. ambos agindo em seu nome. Onde pagar?  Quando pagar? Respondidas estas perguntas. tenham com ele lucrado? A resposta que nos parece mais adequada é a de Clóvis Beviláqua. porque esta importa ato de liberalidade. poderá ser representado por procurador ou por preposto. Pagamento ao credor — O credor é a pessoa a quem naturalmente se paga. entretanto.  Um terceiro interessado (fiador. mas.  Um terceiro não interessado. ou seja. Se realizado a relativamente incapaz. podendo fazê-lo pessoalmente ou por intermédio de representante. com base no princípio que proíbe o enriquecimento ilícito. se for incapaz. o vício considera-se leve. antes pelo contrário. assim mesmo. o pagamento conterá defeito grave. Não é necessário que essa qualidade seja contemporânea ao nascimento do crédito. a inter vivos. mesmo que o incapaz ou o relativamente capaz não tenham tido qualquer prejuízo. quem pagar à pessoa errada deverá pagar de novo à pessoa certa. a dívida transmite-se a seus herdeiros intra vires hereditatis. a) Quem pode pagar?  . b) A quem pagar? O princípio geral é de que se deve pagar ao credor. Seria. Pode representá-lo. quando um terceiro substitui o devedor. sendo capaz.

O credor manda o devedor depositar o pagamento em dinheiro na conta errada. por exemplo. O incapaz não poderá alegar que dolosamente ocultou sua incapacidade. liberando o devedor. o credor de boa-fé não estará obrigado a restituí-la. Se o credor a ela se recusar. Ao verdadeiro credor caberá regressar contra seu homônimo. realizou obrigação que o credor teria que realizar. e sendo a coisa fungível. salvo se provar que a culpa foi do credor. e o credor confirma o pagamento. Se no recibo o credor fizer a observação de que. 5º) quando o pagamento for realizado a representante putativo do credor. quando o pagamento importar transmissão da propriedade de um bem para o credor. Representante putativo é o que aos olhos do devedor parece representar o credor. e os requisitos são os mesmos. o credor apenas der o recibo. não sendo dono o devedor. Normalmente. vale dizer. d) Como provar o pagamento? — Prova-se o pagamento pela quitação. Por exemplo.Em primeiro lugar. ao revés. pois nemo turpitudinem suam allegare oportet. João paga a Manoel dívida que deveria pagar a Joaquim. ou prova que o terceiro a quem se pagou remeteu a importância ao credor. mesmo tendo a dívida sido paga à outra pessoa. Suponhamos que A pague a homônimo de seu credor.incapaz. Conseqüentemente. A não agiu de má-fé. liberando o devedor. No entretanto. c) O que pagar? . com o pagamento. sendo levado pelas falsas aparências. A teoria que fundamenta a validade do pagamento é também a da aparência. que Joaquim remeteu o objeto do pagamento a João. 4°) quando o pagamento for feito a credor putativo. mas. o devedor está liberado. por exemplo. ninguém poderá alegar a própria torpeza. considera-se válido o pagamento. exigindo que lhe dê o que recebeu por engano. a ratificação será expressa. a ratificação será tácita. o pagamento será válido. Ficará liberado. a regra é que o devedor deverá pagar novamente. se comprovar. o objeto há de ser lícito. mas. na verdade. não é. desde que prove o erro escusável.Outra questão que surge é quando o devedor age com erro escusável. Credor putativo é aquele que aos olhos do devedor parece ser o verdadeiro credor. 3º) quando o pagamento for proveitoso ao credor. 2º) quando o credor ratificar o pagamento. Aqui aplicase a teoria da aparência para proteger o devedor de boa-fé. a putatividade e a boa-fé do devedor. não sabendo ser o credor incapaz Neste caso. A ratificação pode ser tácita ou expressa. O devedor paga à pessoa errada. Casos em que o pagamento feito a não credor libera o devedor: 1º) quando o credor der causa ao erro. na realidade. através de depósito em conta. não o representa. o devedor deverá ser seu legítimo dono. sem entrar em detalhes. Se o pagamento for feito à pessoa errada. senão a parte que ainda mantiver intacta em seu poder. o devedor prova que. Se. ou seja. o devedor tem dois . Quitação é ato do credor. liberando o devedor. com poderes de alienação. Ao credor verdadeiro cabe apenas ação de regresso contra o terceiro que recebeu indevidamente.

remédios: ou reter o pagamento ou consigná-lo em juízo. devemos perquirir os fatores que impulsionaram o credor ao ato. valendo a sentença como quitação. nada obtém o credor além da satisfação deste direito. A quitação. Em determinados tipos de obrigação. são obrigações pagas no domicílio do devedor. De qualquer maneira. do verbo latino quaerere (procurar). A obrigação do empregado doméstico é exemplo bastante esclarecedor. que a quitação sempre se dê por recibo. quem quita é o credor. A quitação é mero direito do devedor. como ocorre. e não o devedor. Este é o princípio geral. O devedor paga. não há como o pagamento ser efetuado no domicílio do devedor. 3º) o tempo e lugar do pagamento. Portables ou portáveis são as obrigações pagas no domicílio do credor. agora. Quitação é palavra mal aplicada na prática. é sem dúvida ato jurídico em sentido estrito. pagar a última parcela. Estudemos. diante disso. Ora. salda ou liquida a dívida. e) Onde pagar? Há dois tipos de obrigação. 4º) a assinatura do credor ou de quem por ele receber. podendo ser provada por todos os meios em Direito admitidos. estou querendo dizer que irei pagá-la integralmente. E o satisfaz por ordem legal. carece não confundir domicílio de pagamento com foro de eleição. ou mera referência a ele Exemplo seria: "'recebi de B a importância referente ao pagamento de um carro que lhe vendi". Isto só ocorrerá por força do contrato. se digo que vou quitar uma dívida. ainda que parcialmente. modificar ou extinguir a relação jurídica obrigacional. Qual seria a natureza jurídica da quitação? Seria ela negócio jurídico ou ato jurídico em sentido estrito? Para responder a esta questão. a relação obrigacional extingue-se. Quanto à forma da quitação. é bom e recomendável. para evitar problemas. por exemplo. algumas regras especiais sobre o lugar do pagamento. as chamadas quérables e as portables. Em primeiro lugar. São requisitos da quitação: 1º) designação do valor e da espécie da dívida quitada. Ao satisfazê-lo. Assim. é livre. Teria ele sido motivado por vontade de criar. das circunstâncias ou da Lei. se houver . pura e simplesmente. sendo muito utilizada no lugar de pagamento integral. ao celebrarmos contrato? Evidentemente. 2º) o nome do devedor ou quem por este pagou. tecnicamente. não. Quérables ou quesíveis. pelo pagamento. que é a comarca eleita no contrato para que as partes acionem uma a outra. Mas. que é seu instrumento natural. O credor deve "procurar" o devedor para receber. e o credor quita ou dá quitação.

. pagará as custas processuais em dobro (art. o consumidor terá o direito de liquidar antecipadamente o débito. 939 do Código Civil). ceder seu crédito para quem seja domiciliado em outro local ou morrer. Disso resultam duas regras importantes: 1º) o credor não pode exigir o pagamento antes do vencimento. f) Quando pagar? — No vencimento.necessidade. Uma delas é a do art. 52. sempre que a venda for a crédito. o processo ficará arquivado. Por fim. Caso isso ocorra. Além disso. quando estudarmos os contratos. mediante redução proporcional de juros e demais acréscimos. total ou parcialmente. a regra será a mesma: prevalecerá sempre o domicílio do devedor original. o credor perderá o direito aos juros correspondentes a esse tempo de espera. Logicamente. deixando herdeiros em diferentes lugares. mesmo que tenham sido estipulados em contrato. a Lei abre exceções a ambas as regras. algumas das quais veremos mais adiante. desde que arque com os ônus da mudança. Segundo este dispositivo legal. esperando o tempo que faltava para o vencimento. nesses casos. § 2º. se após a convenção o devedor mudar seu domicílio. há quem entenda que. 2º) o devedor não pode forçar o credor a receber antes do vencimento. do Código do Consumidor. o novo devedor possa exigir que a dívida se pague em seu domicílio. Além disso. De qualquer forma.

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