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Viela para o inferno H, dizem, os que no voltam jamais. H, com certeza, muitos que no passam nem perto.

E, finalmente, h os que entram apenas com a certeza da aposta. Sonhador, aquele dia, como uma utopia do sculo XIX, cruzei a fronteira de tudo isso que no passa de um mito. Nenhum cartaz anunciava nada. Coisas raras so descobertas ao acaso. No entanto, ondas sonoras no podiam ser ignoradas por ouvidos sedentos de barulho. E o som das ruas no se iguala ao som de uma viela. Sem esquinas, um boteco de canto propulsava o malefcio estrondoso de uma guitarra distorcida. Gritos ali no pediam socorro, mas anunciavam o mau comportamento esplendoroso de uma criana problemtica. De volta, e de preto, ela pularia como uma espcie animal tpica da Austrlia. Ou rolaria no cho. Naquele momento, ramos uma ilha em meio quela cidade parada no tempo das coisas dadas. E a viela? A viela um universo de possibilidades infindveis. uma coisa do inferno mesmo. Matheus Paz