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Crônicas Sobre Um Casal

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Publicado porZeca Salgueiro
Simplesmente uma crônica sobre um casal
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Published by: Zeca Salgueiro on Nov 01, 2008
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06/16/2009

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Crônicas sobre um casal

- Por que você não pergunta? - sugeriu Laura. - Por que seus pais tinham que mudar para Serra da Cantareira?!? - respondeu Sérgio, entre irritado e perplexo em ter concordado em visitar os sogros ( principalmente a sogra ) num domingo, em pleno verão e em dia de semi-final. - Minha mãe queria estar num lugar mais bucólico, agora que os dois se aposentaram; e se você pedisse informações a alguém, nós chegaríamos mais rápido e... - ...E eu estou seguindo as suas indicações. Pronto. - Sabia que Moisés passou quarenta anos no deserto por se negar a pedir informações? - atalhou Laura. - Sabia que Moisés era solteiro e fazia o que queria da vida, sem ter que visitar sogra em dia de semi-final?!? - provocou Sérgio. - Moisés não era solteiro, herege! - ela era católica fervorosa. - Lógico que era! - ele não estava nem aí. - Não era, e... Olha! Biju! - Que é que tem? - perguntou Sérgio sempre espantado com a capacidade das mulheres de mudarem de assunto tão facilmente. agora,vai? - Por que? -Como por que?!? Simplesmente porque eu lavei o carro ontem! - E daí? - a pergunta veio com um manear de cabeça. Era típico da Laura - Eu estou com vontade Posso? - Não no meu carro! - No nosso carro! - Tá bom - disse Sérgio concordando. - Mas já é hora do almoço e você vai perder a fome se comer porcarias. Agora ele estava apelando para o senso estético de Laura, que como toda e qualquer mulher, estava “precisando perder dois quilos”. - Então eu compro e como depois. - disse já chamando o ambulante, que veio todo sorridente, mesmo debaixo de um calor ...- Dá um saquinho por favor. E onde fica a Av. Sezefredo Fagundes? - Olha ( agora era o ambulante falando ), cêis tão meio longe, mais é só quebrá a próxima direita... A explicação parecia não ter fim, nem o passeio, que aliás, nem de longe fazia jus ao termo. Era semi-final... - Você não vai querer biju

Continuaram. Sérgio agora sentia um comecinho de fome, mas não podia dar o braço a torcer e comer biju no carro que ele lavou ontem, ora essa! - Acho que agora está perto - acalmou Laura, percebendo o avanço das horas, o sol a pino e a cara de fome de Sérgio, que não ia dar o braço a torcer e abrir o biju. Nem ela por já ter perdido a vontade de comer biju. - Bom, só falta sua mãe ter preparado dobradinha. - resmungou o marido. - Imagina... - Como imagina? Seu pai adora e eu detesto. Quer melhor motivo? - Não sei por que você não come. É bom. - Quem come aquilo come carpete! E você também não gosta! - Não é que eu não goste... Eu estou querendo... - Perder dois quilos, eu sei. O “passeio” prosseguiu e eles chegaram à casa dos sogros de Sérgio, após mais algumas voltas e o saquinho inteiro de biju. - Dane-se o carro, depois eu limpo - pensou ele. - Dane-se os dois quilos, depois eu corro na academia - considerou ela. - Ooooooi filha, que demora - disse a sogra abraçando efusivamente a filha e nem aí pro genro. - Nossa, como o carro de vocês está sujo... Ainda bem que vocês chegaram. Eu estava preocupada e a dobradinha está esfriando! Entraram. - Oi filha! - disse o sogro já indo para a mesa. - Oi Sérgio! Seu time tá perdendo.

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