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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA Engenharia Civil – Prof. Daniel Augusto de Almeida Glória

Engenharia Civil – Prof. Daniel Augusto de Almeida Glória Disciplina: Introdução à Engenharia Civil Tema de

Disciplina: Introdução à Engenharia Civil

Tema de Estudo: Construção Civil, Enfoques de Atuação e Obras da Indústria da Construção Civil

A Construção Civil é a área de conhecimento humano que envolve a execução de obras como casas, edifícios,

pontes, barragens, fundações de máquinas, estradas, aeroportos e outras infraestruturas, onde participam arquitetos

e engenheiros civis em colaboração com técnicos de outras disciplinas, utilizando-se dos enfoques “projeto”,

“planejamento”, “execução” e “manutenção”.

Os termos construção civil e engenharia civil são originados de uma época em que só existiam apenas duas

classificações para a área: civil e militar. O conhecimento de engenharia militar era desenvolvido e objetivava apenas

a área militar, enquanto que a engenharia civil destinava-se aos demais cidadãos. Com o tempo, a engenharia civil,

que nos primórdios englobava todas as áreas, foi se subdividindo em áreas específicas e hoje conta com diversos

braços, como por exemplo a engenharia elétrica, a mecânica, a química, a naval, etc.

Em termos práticos a Engenharia Civil divide-se em dois grandes ramos principais:

“Obras de construção civil”, envolvendo basicamente as edificações de moradia, comerciais e de serviços

públicos;

“Obras de construção pesada”, englobando as obras de construção de grande porte, como portos,

pontes, aeroportos, estradas, hidroelétricas, túneis, etc.

Em alguns casos, as edificações têm tal vulto e complexidade que são classificadas como obras pesadas,

estando tipicamente enquadradas neste caso as edificações industriais.

Essa classificação em dois ramos não exige diferenciação na formação dos engenheiros nas universidades no

Brasil.

de Engenharia e Agronomia (CREA) fiscaliza o exercício da profissão e a responsabilidade civil. Toda a obra de

construção civil deve ser previamente aprovada pelos órgãos municipais competentes, e sua execução acompanhada

por engenheiros ou arquitetos registrados no CREA.

Confea/Crea O Confea surgiu oficialmente com esse nome em 11 de dezembro de 1933, por

Confea/Crea

O Confea surgiu oficialmente com esse nome em 11 de dezembro de 1933, por meio do Decreto nº 23.569, promulgado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas e considerado marco na história da regulamentação profissional e técnica no Brasil. Em sua concepção atual, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia

é regido pela Lei 5.194 de 1966, e representa também os geógrafos, geólogos, meteorologistas, tecnólogos dessas

modalidades, técnicos industriais e agrícolas e suas especializações, num total de centenas de títulos profissionais.

O Confea zela pelos interesses sociais e humanos de toda a sociedade e, com base nisso, regulamenta e fiscaliza

o exercício profissional dos que atuam nas áreas que representa, tendo ainda como referência o respeito ao cidadão e

à natureza. Em seus cadastros, o Sistema Confea/Crea tem registrados 900 mil profissionais que respondem por

cerca de 70% do PIB brasileiro, e movimentam um mercado de trabalho cada vez mais acirrado e exigente nas especializações e conhecimentos da tecnologia, alimentada intensamente pelas descobertas técnicas e científicas do homem. O Conselho Federal é a instância máxima à qual um profissional pode recorrer no que se refere ao regulamento do exercício profissional.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-Minas) é uma autarquia federal que regulamenta e fiscaliza o exercício dos profissionais de engenharia, agronomia, geologia, geografia e meteorologia, tanto de nível superior, quanto técnico.

Ao longo de seus mais de 75 anos, o Crea-Minas, no cumprimento de sua missão, vem garantindo mercado de trabalho aos profissionais legalmente habilitados, impedindo a atuação de leigos. Para a sociedade, isso significa segurança e qualidade nos serviços prestados.

O Conselho tem como instância máxima um plenário composto por representantes de entidades de classe e instituições de ensino.

Missão do Crea-Minas: "Defender os interesses sociais e humanos, promover a valorização profissional, o desenvolvimento sustentável e a excelência do exercício e das atividades profissionais".

Enfoques de atuação do engenheiro

Com relação ao grupo de enfoques, traçamos uma relação definida pela natureza dos serviços técnicos prestados pelos profissionais da engenharia, no sentido de distinguir fases ou etapas que podem ser, em muitos casos, bem definidas. Tais etapas serão detalhadas a seguir:

Projeto:

A fase de projeto envolve a etapa inicial ou de concepção dos serviços da engenharia. Nesta etapa a idéia construtiva será criada, desenvolvida e registrada na forma de representações e indicações técnicas

objetivando demonstrar o máximo de detalhes possível para que as fases seguintes tenham material de

objetivando demonstrar o máximo de detalhes possível para que as fases seguintes tenham material de apoio suficiente ao bom desenvolvimento de suas tarefas.

A realização desta fase conta com processo de pesquisa e definição de necessidades e possibilidades,

sendo tão melhor quanto maior for o esforço desprendido para esgotar o tema relacionado ao projeto em questão.

A qualidade dos serviços das fases seguintes será tão melhor quanto maior for o esforço desprendido

nesta fase. O custo dos serviços será tão menor quanto maior for a qualidade do detalhamento desta etapa.

Planejamento

O planejamento é a fase onde o projeto concebido ganhará a viabilização para projeção de sua execução, racionalizando recursos e processos e otimizando os caminhos a serem seguidos para a execução. A fase do planejamento aparentemente inicia-se após o início da fase de projeto, sendo precursora da fase de

execução, porém, não raro (e principalmente nos serviços de grande monta) esta etapa inicia-se muito antes da fase de projeto e termina após a fase de execução. É, inclusive recomendado, que esta etapa preceda o serviço de projeto e atinja os serviços de manutenão. Um bom planejamento otimiza custos, melhora condições de trabalho e produção e garante o sucesso do empreendimento. Quanto melhor for a fase do planejamento, menores serão os contratempos e imprevistos ou menos impacto terão no todo.

A fase de planejamento, pela complexidade dos recursos envolvidos e por se tratar de atividade de

previsões futuras, normalmente exige grande conhecimento técnico e prático, sendo tão mais eficiente quanto mais racionais forem as previsões.

A fase de planejamento, durante a execução dos serviços, está presente na retificação de falhas ou

imprevistos detectados ou no ajuste de previsões iniciais incompatíveis com o serviço em questão.

Execução

A fase de execução é a materialização do projeto executado e do planejamento traçado para o

empreendimento. Consiste na construção ou execução propriamente dita do elemento projetado. Nesta fase, quanto mais detalhes existirem no projeto, melhor será sua execução, já que contará com menos subjetividade e evitará os imprevistos comuns às entrelinhas do processo de execução. Nesta fase a presença direta e maciça do fator humano aumenta a complexidade nas tomadas de decisão e amplia a probabilidade de insucessos, pelo fato de este fator caracterizar os serviços como uma indústria ainda fortemente artesanal.

Manutenção.

A fase de manutenção consiste no pós-obra, ou seja, inicia-se após a execução física dos serviços e

deve ser realizada com vistas ao aumento de durabilidade e vida útil do elemento construído e, quando ocorridas patologias e sinistros, atua na correção dos defeitos apresentados (tais defeitos podem ser provenientes de problemas com materiais, erros de execução, erros de planejamento, erros de projeto, etc.).

Esta fase, apesar de possuir caráter inicialmente corretivo, deve sempre contar com planejamento de atuação,

Esta fase, apesar de possuir caráter inicialmente corretivo, deve sempre contar com planejamento de atuação, o que comprova a importância da fase de planejamento após a execução dos serviços de construção.

Interferências e implicações entre os enfoques

Os quatro enfoques de atuação do engenheiro na construção civil detalhados acima são diretamente ligados um ao outro. Pode-se afirmar que existe uma interdependência entre eles, fato que deve ser observado pelos profissionais para que seja prestado um serviço técnico de alta qualidade.

Estudo de viabilidade econômico-financeiro de uma obra de construção, feito anteriormente ao projeto e execução, é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento. Orçamentos bem elaborados e com devida análise técnica é fonte imprescindível de um planejamento correto de execução de uma obra. O planejamento como norte de todas as ações deve ser acompanhado e controlado em todas as etapas da execução de um projeto. Quanto mais tempo e esforço se gasta no planejamento de uma obra mais assertiva será sua execução o que levará a ganhos econômicos.

Um projeto bem detalhado implica em uma execução mais segura e fluida diminuindo possíveis manutenções futuras. É obvio o ganho de tempo e diminuição dos desvios do orçamento se a compatibilidade de projetos seja feita com antecedência a execução de uma obra.

Como visto acima o que precede execução de uma obra de construção é crucial para o bom desenvolvimento desta fase e fator determinante para o cumprimento de prazos e metas dos gerentes de obras. Atualmente assistimos o aumento da industrialização da construção civil no país. O que veremos no futuro será a fase de planejamento como imperativo a construção civil com dispêndio de tempo muitas vezes maior que a própria execução refletindo em obras mais rápidas e limpas.

A indústria da construção civil pode hoje ser agrupada em quatro grandes áreas de estudo:

A indústria da construção civil pode hoje ser agrupada em quatro grandes áreas de estudo:

Edificações;

Transportes;

Obras industriais;

Infra-estrutura urbana.

Edificações

Os serviços de edificações consistem em todas as atividades necessárias para concepção, execução e manutenção de uma obra predial. Podem caracterizar integralmente um empreendimento ou podem ser parte em uma determinada etapa de outra modalidade (como por exemplo, a execução de obra industrial, que demandará a construção de edificações na planta da usina). Os serviços de edificações envolvem grande número de sub-atividades agrupadas em modalidades que caminharão em seqüências de interdependências, onde uma só pode ter início quando outra tiver sido concluída em parte ou integralmente. É comum subdividirmos os serviços de execução predial em sub-atividades, definidas pela modalidade

de frente de atividades características, como forma de agrupamento temporal destas e a inter-relação de dependências das mesmas para efeitos de planejamentos de execução, conforme abaixo:

Serviços iniciais;

Instalações provisórias;

Serviços gerais de canteiro;

Trabalhos em terra;

Fundações;

Estrutura;

Instalações;

Alvenaria;

Cobertura;

Tratamento;

Esquadrias;

Revestimento;

Piso e pavimentação;

Instalações complementares (Rodapé, soleira, peitoril, etc.);

Ferragem para esquadrias;

Vidros;

Pintura;

Aparelhos;

Jardinagem e paisagismo;

Limpeza e desmobilização.

Transportes Os serviços de transporte são aqueles relacionados à garantia das condições de fluxo de

Transportes

Os serviços de transporte são aqueles relacionados à garantia das condições de fluxo de pessoas e

mercadorias de uma região à outra. Vão desde a concepção de propostas para suprir necessidades regionais

até a caracterização de intervenções de manutenção, passando pelas fases de execução.

São divididas em 5 grandes áreas:

Rodovias;

Ferrovias;

Hidrovias;

Aerovias;

Dutovias.

Obras industriais

As obras industriais consistem na implantação de empreendimentos que garantirão o funcionamento de

uma determinada indústria, podendo prever todas as demais áreas da engenharia (edificações, infra-estrutura

urbana e transportes).

As obras industriais, pelas características de execução e técnicas, exigem grande desprendimento de

esforços na fase de projeto, já que imprevistos geram altíssimos custos em sua correção.

Infra-estrutura urbana

A infra-estrutura urbana é a modalidade de serviços da construção civil onde serão concebidas e

executadas as obras necessárias à garantia de urbanização e infra-estrutura social de uma determinada

região.

Esta modalidade envolve todas as demais (edificações, transportes e obras industriais), uma vez que

trata das inter-relações sociais e ocupação do espaço urbano.

Podemos citar vários tipos de obras de infra-estrutura urbana, além das já citadas nas demais

modalidades, como por exemplo: obras de drenagem; instalações públicas de esgoto e fornecimento de água

e luz; estações de tratamento de esgotos e resíduos sólidos; trabalhos de contenção em terra; barragens;

instalações de passagem de cabeamentos e tubulações de fornecimento; etc.

Todos os demais elementos podem ser caracterizados nas modalidades edificações, transportes e obras

industriais, como por exemplo a construção de hospitais, escolas, ruas e avenidas, praças públicas, usinas de

reciclagem de materiais e aterros sanitários, etc.