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INTRODUÇÃO AO GEOPROCESSAMENTO E AO SENSORIAMENTO REMOTO

ESTÁGIO DOCÊNCIA

ALUNA: ADRIANA AFFONSO (PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO NO INPE – MESTRADO EM SENSORIAMENTO REMOTO)

ORIENTADOR: PROF. DR. GETULIO T. BATISTA, Ph.D.

DISCIPLINA: FOTOINTERPRETAÇÃO E SENSORIAMENTO REMOTO

BACHARELADO EM AGRONOMIA

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ- UNITAU

2002

SUMÁRIO

ÍNDICE

CAPÍTULO 1

1. INTRODUÇÃO A CARTOGRAFIA

1. 1 CONCEITOS

1. 1. 1 Mapas

1. 1. 2 Escala

1. 1. 3 Projeções e coordenadas

1. 1. 3. 1 Projeções cartográficas

1. 1. 3. 2 Sistema de Coordenadas

1. 2 MÉTODOS PARA OBTENÇÃO DE UMA BASE CARTOGRÁFICA

1. 2. 1 Levantamento terrestre

1. 2. 1. 1 Levantamentos Geodésicos

1. 2. 1. 2 Levantamentos Topográficos

1. 2. 1. 3 Levantamentos Cadastrais

1. 2. 2 Sensoriamento remoto

1. 2. 2. 1 Levantamentos Aerofotogramétricos

1. 2. 2. 1. 1 Recobrimento Aerofotogramétrico

1. 2. 2. 1. 2 O Processamento das Imagens

1. 2. 2. 1. 3 Fotografias Aéreas

1. 3 Sistema Geodésico Brasileiro

1. 3. 1 Datum Planimétrico

1. 3. 2 Datum Altimétrico

1. 3. 3 Datum Sul- americano de 1969 (SAD-69- South American Datum)

1. 4 SIMBOLOGIA CARTOGRÁFICA

1. 5 RESTITUIÇÃO FOTOGRAMÉTRICA

1. 6 REAMBULAÇÃO

1. 7 EDIÇÃO GRÁFICA

1. 8 DESENHO FINAL

1. 9 PRECISÃO

1. 10 DIGITALIZAÇÃO

CAPÍTULO 2

2.

INTRODUÇÃO AO SIG

2.

1 DEFINIÇÃO

2.

2 HISTÓRICO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS

2. 3 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS

2.

4 SISTEMAS RELACIONADOS AO SIG

 

2.

4. 1 CAD

 

2.

4. 2 AM/FM

2.

5

ELEMENTOS

QUE

COMPÕE

UM

SISTEMA

DE

INFORMAÇÕES

GEOGRÁFICAS

2.

5. 1 Aquisição de dados

2.

5. 2 Pré-processamento

2.

5. 4 Manipulação e Análise

2.

5. 5 Geração de Produtos

2.

6 DIFERENÇAS ENTRE CAD E GEOPROCESSAMENTO

2.

6. 1 CAD

2.

6. 2 SIG

2.

7 APLICAÇÕES DE SIG

2.

8 MODELOS DE DADOS ESPACIAIS

2.

8. 1 Modelo Vetorial

2.8.1.1 Pontos

2.8.1.2 Linhas

2.8.1.3 Polígonos

2.8.2 Modelo Raster 2.8.3 Vantagens e Desvantagens das estruturas Vetorial e Matricial

2.

9 TOPOLOGIA

2.

10 BANCO DE DADOS GEOGRÁFICOS

CAPÍTULO 3

3.

GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM)

3.

1 HISTÓRICO

3.

2 REFERÊNCIA

3.

3 O SISTEMA GPS

3.

3. 1 Segmento espacial (A constelação GPS)

3.

3. 2 Segmento de Controle (Sistemas de controle)

3.

3. 3 Segmento do Usuário

3.

4

MÉTODOS DE POSICIONAMENTO

3.

5 EQUIPAMENTOS

CAPÍTULO 4

4.

SENSORIAMENTO REMOTO

4.

1 DEFINIÇÃO

4.

2 HISTÓRICO

4.

3 SR COMO SISTEMA DE AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES

4.

4 ELEMENTOS DO SR

4.

4 1 Radiação Eletromagnética

4.

4. 2 SISTEMAS SENSORES

4.

4. 2. 1 Resolução

4.

4. 2. 2 Resolução espacial

4.

4. 2. 3 Resolução espectral

4.

4. 2. 4 Resolução temporal (repetitividade)

4.

4. 2. 5 Aquisição de dados em sensoriamento remoto

4.

4. 2. 6 Classificação quanto aos sensores

4.

5 SISTEMAS SENSORES ORBITAIS

4.

5.1 LANDSAT

4.

5. 2 SPOT

4.

5. 3 CBERS

5. PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGENS

5.

1 PRÉ-PROCESSAMENTO

5.

1. 1 CORREÇÃO RADIOMÉTRICA

5.

1. 2 CORREÇÃO ATMOSFÉRICA

5.

1. 3 CORREÇÃO GEOMÉTRICA

5.

2 REALCE

5.

3 TRANSFORMAÇÕES MULTIESPECTRAIS

5.

3. 1 Índice de vegetação- NDVI (Normalized Difference Vegetation Index)

5.

3. 2 MODELO LINEAR DE MISTURA ESPECTRAL

5.3.3 TRANSFORMAÇÕES DE COMPONENTES PRINCIPAIS

5.

4 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE IMAGENS DIGITAIS

5.

4. 1 Classificação por Máxima Verosimilhança

5.

4. 2 Segmentação de Imagens

5.

4. 2. 1 Crescimento de regiões

CAPÍTULO 1

1. INTRODUÇÃO A CARTOGRAFIA

1. 1 CONCEITOS BÁSICOS

1. 1. 1 Mapa Um mapa é a apresentação ou abstração da realidade geográfica. É uma ferramenta

para apresentação da informação geográfica nas modalidades visual, digital e táctil.

1. 1. 2 Escala A escala de um mapa é a relação constante que existe entre as distâncias lineares

medidas sobre o mapa e as distâncias lineares correspondentes, medidas sobre o terreno. As

escalas podem ser:

1) Numéricas: normalmente expressa por uma fração cujo numerados é a medida no mapa e o denominador é a medida correspondente no terreno, mantendo-se a mesma

unidade. A escala de um mapa será, portanto, tanto menor quanto maior o denominador da

referida fração ou vice versa. Por exemplo: a escala 1:2000 é maior que a escala 1:5000.

As escalas tem sempre como numerador a unidade. Para calcular a escala basta dividir

ambos os termos da fração pelo numerador. Assim, a escala 1:25000 significa que:

- 1 m na carta corresponde a 25.000m (25 km) no terreno;

- 1 cm na carta corresponde a 25.000 cm (250 m) no terreno;

- 1 mm na carta corresponde a 25.000 mm (25 m) no terreno.

2) Gráfica: A escala gráfica é um ábaco formado por uma linha graduada, dividida

em partes iguais, cada uma delas representando a unidade de comprimento escolhida para o

terreno ou um dos seus múltiplos. É indispensável nas cópias heliográficas ou xerográficas

de mapas, devido as deformações presentes nestes métodos de reprodução.

1. 1. 3 Projeções

1. 1. 3. 1 Projeções Cartográficas A confecção de uma carta exige, antes de tudo, o estabelecimento de um método, segundo o qual, a cada ponto da superfície da Terra corresponda um ponto da carta e vice-

versa.

Diversos métodos podem ser empregados para se obter essa correspondência de

pontos, constituindo os chamados “sistemas de projeções”.

A teoria das projeções compreende o estudo dos diferentes sistemas em uso,

incluindo a exposição das leis segundo as quais se obtêm as interligações dos pontos de um

superfície (Terra) com os da outra (carta). São estudados também os processos de construção de cada tipo de projeção e sua

seleção, de acordo com a finalidade em vista.

O problema básico das projeções cartográficas é a representação de uma superfície

curva em um plano. Em termos práticos, o problema consiste em se representar a Terra em

um plano. A forma de nosso planeta é representada, para fins de mapeamento, por um

elipsóide (ou por uma esfera, conforma a aplicação) que é considerada a superfície de

referência a qual estão relacionados todos os elementos que desejamos representar (elementos obtidos através de determinados levantamentos).

Podemos ainda dizer que não existe nenhuma solução perfeita para o problema, e

isto pode ser rapidamente compreendido se tentarmos fazer coincidir a casca de uma laranja

com a superfície plana de uma mesa. Para alcançar um contato total entre as duas

superfícies, a casca da laranja teria de ser distorcida. Embora esta seja uma simplificação

grosseira do problema das projeções cartográficas, ela expressa claramente a impossibilidade de uma solução perfeita (projeção livre de deformações). Poderíamos

então, questionar a validade deste modelo de representação já que seria possível construir

representações tridimensionais do elipsóide ou da esfera, como é o caso do globo escolar,

ou ainda expressá-lo matematicamente, como fazem os geodesistas. Em termos teóricos

esta argumentação é perfeitamente válida e o desejo de se obter uma representação sobre

uma superfície plana é de mera conveniência. Existem algumas razões que justificam esta

postura, e as mais diretas são: o mapa plano é mais fácil de ser produzido e manuseado.

Podemos dizer que todas as representações de superfície curvas em um plano envolvem: “extensões” ou “contrações” que resultam em distorções ou “rasgos”. Diferentes

técnicas de representação são aplicadas no sentido de se alcançar resultados que possuam certas propriedades favoráveis para um propósito específico.

A construção de um sistema de projeção será escolhido de maneira que a carta

venha a possuir propriedades que satisfaçam as finalidades impostas pela sua utilização.

O ideal seria construir uma carta que reunisse todas as propriedades, representando

uma superfície rigorosamente semelhante à superfície da Terra. Esta carta deveria possuir as seguintes propriedades:

1. Manutenção da verdadeira forma das áreas a serem representadas (conformidade);

2. Inalterabilidade das áreas (equivalência);

3. Constância das relações entre as distâncias dos pontos representados e as distâncias

correspondentes (eqüidistância). Essas propriedades seriam facilmente conseguidas se a superfície da Terra fosse plana ou uma superfície desenvolvível. Como tal não ocorre, torna-se impossível a

construção da carta ideal, isto é, da carta que reunisse todas as condições desejadas.

A solução será, portanto, construir uma carta que, sem possuir todas as condições

ideais, possua aquelas que satisfaçam a determinado objetivo. Assim, é necessário ao se fixar o sistema de projeção escolhido considerar a finalidade da carta que se quer construir.

1. 2 MÉTODOS PARA OBTENÇÃO DE UMA BASE CARTOGRÁFICA

A determinação da utilização de um método ou outro depende:

1. Da extensão da área a ser mapeada;

2. Do objetivo do mapa;

3. Dos recursos financeiros disponíveis para contratá-los.

Os métodos mais empregados na obtenção de mapas podem ser classificados de uma maneira geral como:

1. Levantamentos terrestres;

2. Sensoriamento remoto;

3. Levantamentos aéreos

4. Digitalização.

1. 2. 1 Levantamento terrestre

São aqueles conduzidos sobre a superfície terrestre, ou seja, a estação de observação

e os métodos utilizados são terrestres.

Para a realização destes levantamentos, e dependendo da precisão que se deseja

atingir, faz-se uso de equipamentos tipo teodolitos e/ou níveis (convencionais ou

eletrônicos), estações totais, distanciômetros e GPS (Global Position System).

Os levantamentos terrestres podem ser classificados, segundo os objetivos, da

seguinte maneira:

1. Levantamento geodésico;

2. Levantamento topográfico;

3. Levantamento cadastral.

1.2.1.1 Levantamentos geodésicos São as observações de campo executadas tendo em vista a geodesia, ciência que

visa determinar o tamanho, a forma e o campo gravitacional da Terra. Tais observações

necessitam da mais alta acuracidade possível para serem consideradas de valor científico.

1.2.1.2 Levantamentos topográficos São os levantamentos em que a superfície média da Terra é considerada plana, a

direção da linha de prumo é considerada a mesma em todos os pontos do levantamento e os

ângulos também são considerados planos.

1.2.1.3 Levantamentos cadastrais

representação da posição dos limites de

propriedades urbanas ou rurais, bem como, de todos os detalhes possíveis, dentro de uma

escala adequada, normalmente para fins de registro.

e

Caracterizam-se

pela

determinação

1. 2. 2 Sensoriamento Remoto De uma maneira geral, sensoriamento remoto é o nome atribuído aos métodos que

utilizam tecnologias que detectam e avaliam os objetos sem o contato humano direto.

Os levantamentos que se utilizam desta tecnologia são os aerofotogramétricos e os orbitais.

1. 2.2.1 Levantamentos Aerofotogramétricos Geram basicamente três tipos de bases cartográficas:

1)

mapas analógicos ou convencionais

2)

mapas digitais

3)

ortofotocartas

O processo está baseado na coleta de informações a partir de câmaras fotográficas

especiais, instaladas a bordo de aeronaves. Estes levantamentos envolvem as seguintes

etapas:

1.2.2.1.1 Recobrimento Aerofotogramétrico

O planejamento do vôo: o planejamento da cobertura fotográfica de uma região

depende inicialmente da finalidade do projeto a ser executado, sendo que a sua realização está sujeita a uma série de limitações devido às condições atmosféricas: bruma, nuvens,

altura do sol e outras.

O sucesso de um projeto depende da boa qualidade das fotografias tomadas, bem

como, da adequação aos demais recursos disponíveis.

A cobertura fotográfica de uma região deve ser realizada de modo que a área de

superposição longitudinal, ou entre fotos consecutivas, não seja inferior a 50%, assegurando a visão tridimensional da área. Comumente, estabelece-se 60% de

superposição longitudinal e 30% de superposição lateral ou enter faixas, para garantir o

recobrimento total da região e obter estereoscopia. Para o caso das ortofotocartas, o

recobrimento longitudinal deve ser de 80%.

1.2.2.1.2 O Processamento das Imagens Os filmes são levados ao laboratório fotográfico para a revelação, copiagem das

fotos alternadas e montagem das faixas de vôo para análise e verificação da necessidade ou

não de revôos de falhas.

1. 2. 2. 1. 3 Fotografias Aéreas As fotografias aéreas são bastante empregadas em trabalhos de fotointerpretação e

atualização de cartas topográficas já existentes, podendo ser utilizada em combinação com

as cartas ou, em casos específicos, substituindo-as.

Num mapeamento aerofotogramétrico há uma seleção dos elementos do terreno que

serão

representados

na

carta,

pois,

representar

todos

os detalhes iria sobrecarregá-las

prejudicando

sua

interpretação.

As

fotografias aéreas se constituem num riquíssimo

armazém de informações cartográficas, geográficas, geológicas, etc., pois são a

representação fiel do terreno por elas registrado.

As fotografias aéreas mais empregadas em mapeamento são as verticais, tomadas

com o eixo ótico da câmara perpendicular ao terreno, possuem uma escala média quase

constante em toda a sua extensão.

Fotointerpretação e fotoidentificação

Através de exames sistemáticos das imagens, os elementos são identificados nas

suas categorias:

Natureza;

Limites e relações com o meio;

Análise qualitativa e quantitativa

A fotointerpretação se desenvolve em duas fases:

1. Na constatação com identificação de sinais conhecidos e traduzidos de objetos

diretamente visíveis;

2. Na detecção dos objetos e suas relações através de análise metódica e sistemática.

Na fotointerpretação, o mais importante em relação aos trabalhos cartográficos nem

sempre é a identificação de detalhes isolados do terreno, mas sim, a procura de estruturas e

seu relacionamento.

Planejamento e medição do apoio terrestre

 

O

apoio

terrestre

é

formado

por

um

conjunto

de

pontos

cujas posições são

conhecidas em relação a um sistema de coordenadas previamente estabelecido e cujas

imagens possam ser identificadas nas fotografias.

fotogrametria,

fornecem um meio para orientar ou referenciar a fotografia aérea no terreno. Tais pontos são classificados em pontos de apoio horizontal e apoio vertical.

A finalidade do apoio terrestre é a fototriangulação, procedimento este que

determina as coordenadas de pontos auxiliares em cada modelo esteroscópico (área de superposição entre duas fotos consecutivas a partir de modelagem matemática).

Os

pontos

de

apoio,

como

são

comumente

denominados

em

1. 3 SISTEMA GEODÉSICO BRASILEIRO Como sistema de referencia planimétrico (φλ) padrão no Brasil existe a Rede

Nacional de Triangulação Geodésica e, para a determinação do apoio altimétrico (h), parte-

se de pontos de altitudes conhecidas, denominados Referências de Nível (RN). Nestes pontos as equipes de campo iniciam seus trabalhos utilizando aparelhos de

medição tais como teodolitos e distanciômetros eletrônicos, níveis de 1 a ordem e rastreadores de satélites (GPS).

O sistema de referência geodésico é definido a partir de um conjunto de pontos

geodésicos implantados na superfície terrestre delimitada pelas fronteiras do país. Constitui no referencial único para a determinação de coordenadas e altitudes. Caracteriza-se por um

datum altimétrico e um elipsóide de referência.

1. 3. 1 Datum Planimétrico Ponto de referência geodésico que representa a base dos levantamentos horizontais,

dos quais são conhecidos cinco parâmetros:

1. Ponto no terreno;

2. Altura geoidal;

3. Elipsóide de referência;

4. Coordenadas astronômicas;

1. 3. 2 Datum Altimétrico É um ponto fixo fundamental, solidamente materializado, cuja altitude foi

determinada em relação ao nível de mar, fixada preliminar ou definitivamente. É utilizada como ponto de partida e referência às altitudes determinadas nos nivelamentos. O datum

altimétrico utilizado no Brasil está situado na Baía de Imbituba (SC).

1. 3. 3 Datum Sul- Americano de 1969 (SAD-69- South American Datum) O datum adotado para uniformizar a rede de controle básico continental é destinado

a todos os levantamentos de projetos de engenharia e operações cartográficas. Este ponto,

conhecido como origem, está situado na localidade denominada Chuá (MG).

1.

3. 4 Aerotriangulação Este processo inicia-se com o planejamento da ligação entre modelos esteroscópicos

e

enter faixas de vôo através de pontos comuns. Consiste, portanto, em determinar, através

de processos matemáticos, as coordenadas destes pontos comuns, no mesmo sistema de

referência utilizado para os pontos de apoio terrestre.

1. 4 SIMBOLOGIA CARTOGRÁFICA Um mapa, sob o ponto de vista gráfico, é um conjunto de sinais e de cores que

traduz as mensagens para as quais foi executado. Os objetos cartografados, materiais ou

conceituais, são transcritos através de grafismos ou símbolos, que se encontram

relacionados com a legenda no mapa.

1. 5 RESTITUIÇÃO FOTOGRAMÉTRICA

fotografias

consecutivas) num aparelho restituidor.

Os procedimentos iniciais de uma restituição são denominados e orientação interna,

relativa e absoluta do estereomodelo. Os objetivos são a recuperação da posição da

aeronave no instante da tomada das fotos com o auxílio dos pontos fototriangulados e a

Este

processo

consiste

em

utilizar

um

par

esteroscópico

(duas

orientação do modelo esteroscópico já formado em relação ao sistema de referência

terrestre.

Posteriormente, o operador inicia a coleta dos dados percorrendo toda a área do

modelo tridimensional, registrando as diversas feições presentes como arruamentos, edificações, divisas de lotes, vegetação, hidrografia, etc.

O registro destas informações pode ser:

Analógico, quando são transferidas diretamente para o papel através de pantógrafos ou

Digital, quando transferidas para um microcomputador através de interfaces e

programas especialmente desenvolvidos para este fim, gerando arquivos magnéticos.

1. 6 REAMBULAÇÃO É o processo de complementação dos serviços de restituição, realizado com a

tomada in loco de certas informações os simplesmente utilizando-se cartas geográficas,

com o objetivo de sanar dúvidas quanto à indefinição de certas feição contidas nas fotos.

1. 7 EDIÇÃO GRÁFICA

Executada apenas quando o processo de restituição é digital. Os arquivos são transferidos para as estações de trabalho onde são manipulados de forma a se transcrever

informações provenientes da reambulação, eliminar dados inconsistentes, alterar possíveis

detalhes incorretos e tornar os arquivos matemática e esteticamente perfeitos.

1. 8 DESENHO FINAL Esta etapa é executada para ambos os processos de restituição.

É executada manualmente quando o processo for analógico, a partir de copiagem

em material estável, dos dados constantes da minuta ou original de restituição,

acrescentando-se as informações da reambulação.

É executada automaticamente por meio de plotters de mesa plana ou de rolo,

quando o processo de restituição for digital.

1. 9 PRECISÃO A precisão final dos levantamentos aerofotogramétricos é função da precisão obtida

nas diversas etapas do método. Assim, a escolha dos pontos de apoio básico, os métodos

para a determinação do apoio suplementar, a calibração da câmara fotográfica, a revelação e copiagem dos filmes, a perfuração dos diapositivos e a fototriangulação, são todos

elementos determinantes da precisão dos produtos finais.

1. 10 DIGITALIZAÇÃO A digitalização não é um processo de obtenção de bases cartográficas e sim a

conversão e dados analógicos em dados digitais. Portanto, esta etapa pressupõe a existência

de bases cartográficas convencionais (mapas impressos) que serão convertidas para meios digitais.

2.

INTRODUÇÃO AO SIG

2.

1 DEFINIÇÃO

CAPÍTULO 2

O conceito se SIG mais difundido, apresenta-se como uma coleção organizada de

hardware, software, dados geográficos e pessoal envolvido no trabalho, projetado para,

capturar, armazenar, atualizar, manipular, analisar e apresentar todas as formas de

informações referenciadas geograficamente. A seguir apresentam-se alguns conceitos de

SIG, difundidos por pesquisadores da área:

A definição de SIG ( segundo STAR & ESTES, 1990): é a união entre um sistema

de banco de dados projetados para trabalhar com dados georeferenciados e um conjunto de

operações que fornecem capacidade analítica para trabalhar com tais dados.

GIS pode ser entendido como um sistema voltado para a coleta, armazenamento,

recuperação, manipulação e apresentação de informação sobre entidades de expressão

espacial e sobre o contínuo espacial, fazendo uso do computador.

(Harvey, 1969)

GIS é um conjunto automatizado de funções que oferecem capacidades avançadas

para armazenar, recuperar, manipular e exibir dados localizados geograficamente (Ozemoy,

Smith e Scherman, 1981)

Uma definição ampla e universal aborda o SIG como sendo um sistema integrado

para capturar, armazenar, manipular, analisar e exibir informações referentes as relações de

natureza geográfica (Goodchild, 1985)

2. 2 HISTÓRICO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS

A idéia de utilizar a geografia como uma ferramenta para integrar dados é a base

dos Sistemas de Informações Geográficas. Este conceito foi formulado a cerca de 30 anos

por um grupo de geógrafos e de outros técnicos.

Muitas das inovações na aplicação das tecnologias á geografia e outras ciências

começaram no final da década de 50. Nessa altura, vários modelos matemáticos e

estatísticos começaram a ser desenvolvidos. Nos finais da década de 70, a primeira

aplicação comercial de SIG ficou acessível.

Todas as experiências com esta aplicação foram acompanhadas, pelo

desenvolvimento dos micro computadores no início dos anos 80. Hoje, os SIG já são

aplicados a variadas áreas, que vão desde estudos de mercado a planejamento urbanístico

ou florestal. A crescente preocupação da opinião pública com as questões ambientais tem contribuído para a divulgação dos SIG ao público e para o crescimento de sua utilização.

2. 3 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÕES

GEOGRÁFICAS :

1 Integrar numa única base de dados as informações espaciais provenientes de diferentes

fontes tais como dados cartográficos, dados de censo e de cadastro urbano e rural, imagens

de satélite, redes e MNT’s;

2-

mapeamentos derivados;

Combinar

as

várias

informações através

de

algoritmos

de

manipulação para gerar

3- Consultar, recuperar, visualizar, e desenhar o conteúdo da base de dados geocodificados.

e desenhar o conteúdo da base de dados geocodificados. Figura 2.1: Interação entre a Informação Gráfica

Figura 2.1: Interação entre a Informação Gráfica e a Descritiva

2.

4 SISTEMAS RELACIONADOS AO SIG

2.

4. 1 CAD

O sistema

analítica é muito limitada, apesar do suporte a mapas, provém limitada utilidade para gerir

e analisar grandes Bases de Dados.

de desenhos e plantas técnicas. A sua capacidade

CAD envolve

a criação

2. 4. 2 AM/FM

Os sistemas AM/FM (Automated Mapping and Facilities Management ) são por muitos

considerados como um tipo específico de SIG. São sistemas especializados para a gestão

de Infra Estruturas. Permitem guardar e manipular informação em forma de mapa. A

exceção para total uso desta tecnologia é que o sistema AM/FM não são utilizados para

fazer análises espaciais e falta-lhe a estrutura topológica de dados do SIG.

2.

GEOGRÁFICAS

5

ELEMENTOS

QUE

COMPÕE

UM

SISTEMA

DE

INFORMAÇÕES

2. 5. 1 Aquisição de dados: processo de identificação e levantamento dos dados

necessários. Esta etapa é bastante demorada e dispendiosa da qual dependerá a acuracidade

dos dados de entrada e consequentemente a confiabilidade dos produtos resultantes;

2. 5. 2 Pré-processamento: envolve o tratamento dos dados capturados em seus diferentes

formatos para serem devidamente armazenados em formato digital no banco de dados

computacional;

2. 5. 3 Gerenciador de banco de dados: módulo que governa a criação e o acesso as

informações no banco de dados. Através dele se pode entrar, atualizar, excluir e recuperar

os dados armazenados;

2. 5. 4 Manipulação e Análise: trabalhando-se com os operadores analíticos sobre os componentes do banco de dados, pode-se gerar novas informações. Esta capacidade

analítica é uma das grandes vantagens do sistema, uma vez que a congruência de informações pode levar a observações de fatos que poderiam não ser facilmente notados caso os dados fossem analisados em separado. Aqui cabe também a interação com os

modelos matemáticos, que podem ser intensivamente utilizados para simular diferentes informações e gerar novas informações;

2. 5. 5 Geração de Produtos: fase em que os produtos finais gerados pelo Sig são criados,

como por exemplo: relatórios, gráficos e mapas temáticos.

2.

6 DIFERENÇAS ENTRE CAD E GEOPROCESSAMENTO

2.

6. 1 CAD

Limitado para operações analíticas;

São sistemas meramente gráficos;

Os dados são desenhos eletrônicos em coordenadas de papel;

Não armazenam a topologia de um mapa;

2.

6. 2 SIG

Apresentam mecanismos de suporte a decisão;

Manipulam objetos Complexos;

Os dados devem ser sempre georeferenciados;

Armazena a topologia de um mapa;

2.

7 APLICAÇÕES DE SIG Os SIG já estão sendo utilizados em instituições governamentais, empresas e em

investigação num vasto leque de aplicações. Estes sistemas podem ser aplicados a:

Planejamento de Infra-Estrututras;

Gestão de instalações como: localização de cabos e tubagens subterrâneas, estudo de redes elétricas, planejamento de manutenção dessas instalações;

Análises Demográficas e estudos de mercado

Estudo de áreas com maior criminalidade;

Análise da localização de ocorrência de acidentes viários;

Análise de Recursos Ambientais;

Gestão de Recursos Naturais como: estudos do habitat de certos animais, estudo do trajeto de rios, planejamento do uso da terra, agricultura, estudo das florestas, etc;

Análise Arqueológica;

Gestão Pública de : aquisição de terrenos, qualidade da água, impacto de políticas

ambientais, etc;

Análise de localização ideal de fábricas ou pontos estratégicos;

Análise

Demográfica

e

consequentemente

reestruturação

transporte;

de

rotas

de

veículos

de

Gestão, análise e planejamento de rotas e redes viárias;

Localização e contato imediato com carros;

Gestão de sistema viário.

2.

8 MODELOS DE DADOS ESPACIAIS

2.

8. 1 Modelo Vetorial

Na estrutura dos dados vetoriais, todo elemento espacial é representado por uma série de

vetores com coordenadas, representando objetos do mundo real. São representados por pontos linhas e polígonos que são os elementos que permitem a estrutura vetorial

representar os dados de forma mais precisa uma vez que suas coordenadas estão em um espaço contínuo e possibilitam descrição exata de posição, tamanho e dimensão.

2.8.1.1 Pontos – São objetos adimensionais e definidos para toda entidade geográfica que pode ser localizada por um par de coordenadas XY, é utilizado para representar a

localização de um fenômeno geográfico, ou para representar uma feição do mapa que é muito pequena para ser mostrada como uma área ou linha.

Exemplos: Dependendo da escala a localização de uma cidade; um ponto cotado(quando

este além das coordenadas XY, tem-se o atributo Z); poços; etc.

2.8.1.2 Linhas – Definida por no mínimo dois pares de coordenadas XY, sendo utilizada

para representar feições do mapa com características lineares.

Exemplos: rios; rodovias; linhas de costa; limites municipais; etc.

2.8.1.3 Polígonos – Definidas por uma série de coordenadas (x,y), formando segmentos de

linhas que fecham uma área e freqüentemente representam elementos de tem forma de

áreas.

Exemplos: lagos; bairros; bacias hidrográficas, etc.

2.8.2 Modelo Raster

Define-se o formato matricial ou varredura como um conjunto de células localizadas em

coordenadas formando uma matriz. Cada célula é referenciada por índices de linha e coluna

e contém um número representando o tipo ou valor do atributo mapeado. Os valores de

cada pixel estão limitados num certo intervalo numérico, como por exemplo para imagens

em 8 bits, ou números associados a classes no caso de imagens temáticas.

2.8.3 Vantagens e Desvantagens das estruturas Vetorial e Matricial

As representações matricial e vetorial não são exatamente equivalentes para um mesmo

dado havendo perda de precisão na transformação do formato vetorial para o formato de

varredura. Estas perdas podem ser compensada pelo fato de que as operações de análise geográfica no domínio varredura serem mais eficientes.

A representação vetorial é a mais adequada para identificar objetos individualizáveis no

terreno, onde se requer precisão. A representação varredura por sua vez é mais

adequada para fenômenos e grandezas que variam continuamente no espaço.

2. 9 TOPOLOGIA

Definida como a parte da matemática que estuda as propriedades geométricas que não

variam mediante uma deformação, especificamente o relacionamento espacial entre os

objetos,

com,

por

exemplo,

proximidade

e

vizinhança.

A definição

da

topologia

explicita

os

relacionamentos

espaciais

entre

os

objetivos

através

de

um

processo

matemático. A topologia para um dado de modelo temático ou cadastral, resulta na

criação dos polígonos armazenando as informações das linhas, nós e identificadores que

os compõe, as linhas que são compartilhadas por diferentes polígonos e as vizinhanças

e circunscrividade entre eles.

Topologia é um conjunto de técnicas que permitem perceber as relações espaciais

inerentes ao posicionamento relativo dos objetos, independentemente de suas

dimensões ou coordenadas exatas. Relações de continência (contém/ contido),

Adjacência (vizinho a /ao lado de) e conexão (conectado a, ligado a, relacionado com)

são deduzidas com base em técnicas de topologia. (ROHM)

2. 10 BANCO DE DADOS GEOGRÁFICOS Um SIG é um banco de dados cartográficos construído em torno de um modelo

híbrido. Ele organiza dados geográficos usando um modelo georrelacional e topológico.

(ESRI, 1992).

Isso Facilita o manuseio eficiente de duas classes genéricas da dados espaciais: os

dados de localização, que descrevem graficamente a localização e a topologia da

característica (ponto, linha e polígono), e os dados de atributos, que descrevem as

características dessas feições.

Figura 2.2: Modelo topológico O Banco de Dados Geográficos de um SIG é uma coleção

Figura 2.2: Modelo topológico

O Banco de Dados Geográficos de um SIG é uma coleção de dados espaciais e de dados descritivos, relacionados e organizados, para armazenamento e recuperação eficiente de dados pelos usuários.

CAPÍTULO 3

3.

GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM)

3.

1 HISTÓRICO

Em

1978 foi iniciado o

rastreamento dos primeiros satélites NAVSTAR

(“Navigation System With Timing And Ranging”), dando origem ao GPS como é hoje

conhecido. No entanto, somente na Segunda metade da década de 80 é que o GPS se tornou

popular, depois que o sistema foi aberto para o uso civil e de outros países, já que o projeto

foi desenvolvido para aplicações militares. Além disso, o avanço tecnológico no campo da

micro informática permitiu aos fabricantes de rastreadores produzir receptores GPS que

processassem no próprio receptor os códigos de sinais recebidos do rastreador.

3. 2 REFERÊNCIA O sistema geodésico adotado para referência é o World Geodetic System e

1984 (WGS-84). Isto acarreta que os resultados dos posicionamentos realizados com o GPS

referem-se a esse sistema geodésico, devendo ser transformados para o sistema SAD-69,

adotado no Brasil, através de metodologia própria. Ressalta-se que o GPS fornece

resultados de altitude elipsoidal, tornando obrigatório o emprego do Mapa Geoidal do

Brasil, produzido pelo IBGE, para a obtenção de altitudes referenciadas ao geóide (nível

médio dos mares).

3. 3 O SISTEMA GPS

O sistema de GPS subdivide-se em três segmentos:

3. 3. 1 Segmento espacial (A constelação GPS)

O segmento espacial do GPS prevê cobertura mundial de tal forma que em qualquer

parte do globo, incluindo os pólos, existam pelo menos 4 satélites visíveis em relação ao

horizonte, 24 horas ao dia. Em algumas regiões da Terra é possível a obtenção e 8 ou mais

satélites visíveis ao mesmo tempo.

A constelação de satélites GPS é composta por 24 satélites ativos que circulam a

Terra em órbitas elípticas (quase circulares). A vida útil esperada de cada satélite é de cerca

de

funcionamento.

6 anos,

mas existem satélites em órbita com mais de 10 anos e ainda em perfeito

3. 3. 2 Segmento de Controle (Sistemas de controle) Compreende o Sistema de Controle Operacional, o qual consiste de uma estação de

controle mestra, estações de monitoramento mundial e estações de controle de campo.

Estação mestra: Localiza-se na base FALCON da USAF em Colorado Springs-

Colorado. Esta estação, além de monitorar os satélites que passam pelos EUA, reúne os

dados das estações de monitoramento e de campo, processando-os e gerando os dados

que efetivamente serão transmitidos aos satélites.

Estações de monitoramento: Rastreiam continuamente todos os satélites da

constelação NAVSTAR, calculando suas posições a cada 1,5 segundos. Através de

dados meteorológicos, modelam os erros de refração e calculam suas correções,

transmitidas aos satélites e através destes, para os receptores de todo o mundo.

Existem quatro estações, além da mestra:

- Hawai;

- Ilha de Assención, no Atlântico Sul;

- Diego Garcia, no Oceano Índico;

- Kwajalein, no Pacífico.

Estações de campo: Estas estações são formadas por uma rede de antenas de

rastreamento dos satélites NAVSTAR. Tem a finalidade de ajustar os tempos de

passagem dos satélites, sincronizando-os com o tempo da estação mestra.

3.

3. 3 Segmento do Usuário

O segmento dos usuários está associado às aplicações do sistema. Refere-se a tudo que se

relaciona com a comunidade usuária, os diversos tipos de receptores e os métodos de

posicionamento por eles utilizados.

e os métodos de posicionamento por eles utilizados. . Figura 3.1: Segmentos que compõem o sistema

.

Figura 3.1: Segmentos que compõem o sistema GPS: Segmento Espacial, Segmento

de

Controle e o Segmento do Usuário

3. 4 MÉTODOS DE POSICIONAMENTO

- Absoluto (Ponto isolado): este método fornece uma precisão de 100 metros.

- Diferencial: As posições absolutas, obtidas com um receptor móvel, são corrigidas por outro receptor fixo, estacionado num ponto de coordenadas

conhecidas. Esses receptores comunicam-se através de link de rádio. Precisão de

1 a 10 metros.

- Relativo: É o mais preciso. Utilizado para aplicações geodésicas de precisão.

Dependendo da técnica utilizada (estático, cinemático ou dinâmico), é possível

obter-se uma precisão de até 1 ppm. Para aplicações científicas, por exemplo, o

estabelecimento da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo- RBMC, essa

precisão é de 0,1 ppm.

3. 5 EQUIPAMENTOS Atualmente existe uma gama muito grande de receptores GPS. De um modo

geral, podemos classificá-los em receptores geodésicos e de navegação.

Os receptores de navegação trabalham apenas com o código, ou seja, usam

como observável apenas as pseudo- distâncias. Os receptores geodésicos observam pseudo-

distâncias e também a fase das portadoras. Portanto, em princípio todo receptor geodésico

pode fazer navegação, mas os instrumentos de navegação não tem a precisão que a

geodésia requer.

CAPÍTULO 4

4.

SENSORIAMENTO REMOTO

4.

1 DEFINIÇÃO

a

ciência e arte de receber informações sobre um objeto, uma área ou fenômeno pela análise

dos dados obtidos de uma maneira tal que não haja contato direto com este objeto, esta área

ou este fenômeno“. Para se obter estas informações, usa-se um meio que, neste caso, é a

radiação eletromagnética, supondo que esta possa chegar direitamente ao sensor. Isto, no

entanto, não é possível em todas partes do espectro eletromagnético, porque a

transmissividade atmosférica é variável para os diversos comprimentos de onda.

O sensoriamento remoto é definido por Lillesand & Kiefer (1987) como “

4. 2 HISTÓRICO

A historia do Sensoriamento Remoto é um assunto bastante polêmico. Alguns

autores relacionam sua origem ao desenvolvimento dos sensores fotográficos. O Manual of

Remote Sensing (ASP- American Society of Photogrammetry- 1975) divide a história do

Sensoriamento Remoto em dois períodos principais: o de 1860 a 1960, no qual era baseado

em fotografias aéreas e o período de 1960 aos dias atuais, caracterizado pela multiplicidade

de sistemas sensores, enfatizando aos sistemas orbitais.

O texto a seguir é um resumo contendo algumas datas de eventos relacionados ao

relacionados ao desenvolvimento do sensoriamento remoto.

1822- Desenvolvimento da teoria sobre a luz (espectro eletromagnético), Newton:

decomposição da luz branca, Herschel: radiação infravermelho, Niepce: primeira imagem

fotográfica utilizando uma câmara primitiva e papel quimicamente sensibilizado.

1858- Primeira fotografia aérea tirada a bordo de um balão, Tournachon (Paris); utilização de pipas para fotografar São Francisco (USA); primeira imagem aérea de um

balão nos EUA.

1903- Desenvolvimento de mecanismo de exposição automática e produção de

câmaras aéreas leves com negativos de 38mm, possibilitando a tomada de fotografias

aéreas por pombos.

1909- Desenvolvimento de aviões- tomadas de fotografias aéreas: Wright

1931- Conhecimento sobre o comportamento espectral dos objetos da superfície terrestre, desenvolvimento de filme infravermelho: Stevens (USA).

1947- Aperfeiçoamento e intensificação de pesquisas sobre comportamento espectral- Krinov (URSS). 1961- Aperfeiçoamento de foguetes de lançamento após a Segunda guerra, primeira

fotografia orbital MA-4 Mercury (NASA), reconhecida a utilidade para recursos naturais, aprovado programa GEMINI (aquisição de fotos da superfície terrestre, levantamentos

repetitivos). 1972- Julho: primeiro satélite de recursos naturais colocado em órbita: Landsat1 (na época o ERST- 1- Earth Resource Technology Satellite) pela NASA.

1975- Landsat 2; 1978- Landsat 3; 1982- Landsat 4 1983- Desenvolvimento dos detectores mais sensíveis e equipamentos ópticos mais

precisos, desenvolvimento da mecânica orbital, de microprocessadores e soluções para armazenagem e transmissão de dados a grandes distâncias. 1984- Landsat 5; 1986- SPOT 1; 1988- NOAA- 11 e IRS- 1 A

1990- SPOT 2; 1991- ERS-1, NOAA 12 e IRS-1B

1992- JERS 1 1993- Spot 3; Lançamento e perda do Landsat 6 1994- IRS-P2; RESURS-1; 1995- IRS1C, RADARSAT; 1996- IRS-P3 1999- CBERS 1 (satélite sino brasileiro), IKONOS

4. 3 SR COMO SISTEMA DE AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES O sistema de aquisição de informações por sensoriamento remoto pode ser considerado como um conjunto de subsistemas que atuam simultaneamente para coletar e analisar informações sobre a superfície terrestre. Este sistema é composto por:

Sistemas sensores: são os equipamentos que focalizam e registram a radiação eletromagnética proveniente de um objeto;

Sistemas de processamento de dados: convertem o dado bruto produzido pelo sensor em produtos possíveis de serem interpretados e convertidos em

informação;

Sistemas de análise: incluem todas as ferramentas que permitem integrar as

informações derivadas de sensoriamento remoto a outras informações

ambientais, dentre as quais destacam- se os sistemas de geoprocessamento, com

ênfase nos sistemas de informação geográfica- SIG). Para que os sistemas sensores atinjam seu objetivo (coleta de dados) certas

condições devem ser satisfeitas:

Existência de uma fonte de radiação;

Propagação da radiação pela atmosfera;

Incidência da radiação eletromagnética sobre a Terra;

Interações com os objetos, substâncias, feições ou fenômenos;

Retorno da energia em forma de ondas refletidas;

Captação e registro da energia refletida pelos detectores dos sensores.

4. 4 ELEMENTOS DO SR

4. 4 1 Radiação Eletromagnética

A energia eletromagnética é o meio através do qual a informação é transmitida do

objeto ao sensor. A informação pode ser codificada em termos da freqüência, intensidade e

polarização da onda eletromagnética. Como a radiação eletromagnética se propaga à

velocidade da luz, quanto maior a sua freqüência, menor o seu comprimento de onda. As

radiações de alta freqüência e pequeno comprimento de onda possuem níveis de energia

mais elevado que as de baixa freqüência, portanto, as interações enter a radiação

eletromagnética e os objetos variam ao longo do espectro eletromagnético.

A radiação eletromagnética pode ser caracterizada pelo comprimento de onda (ou

freqüência da radiação), pela intensidade da radiação e por sua polarização. O comprimento

de onda representa a distância entre dois pontos de igual intensidade do campo elétrico (ou

magnético) ao longo da direção de propagação.

O espectro eletromagnético corresponde a um intervalo contínuo de energia, em

comprimentos de onda que variam de angstrons (raios gama, x e ultravioleta) a quilômetros (ondas de rádio), a velocidade da luz. O Sol é a principal fonte de energia eletromagnética

disponível para o sensoriamento remoto da superfície terrestre. Seu pico de emissão de

energia

eletromagnético.

eletromagnética está entre 0,4 e 0,7 µm,

que

é a porção visível do espectro

0,4 e 0,7 µ m , que é a porção visível do espectro Figura 4.1: Curva

Figura 4.1: Curva de reflectância típica de uma folha verde sadia na faixa óptica do espectro eletromagnético Fonte: Souza (1997,p.13)

A atmosfera é opaca em diversas regiões do espectro eletromagnético. A radiação

com comprimentos de onda inferiores a 0,3 µm praticamente não ultrapassam a atmosfera.

Características de transmissão atmosférica fazem com que raramente se usem sensores que

operam em faixas de comprimento de onda inferiores a 0,4 µm. Para comprimentos de onda

entre 0,4 µm e 2,5 µm, a energia usada para o sensoriamento remoto dos recursos terrestres é o fluxo solar refletido (regiões do visível e infravermelho) e para comprimentos de onda

maiores que 6 µm, a energia utilizada é o fluxo termal (região do termal) emitido pela superfície terrestre. Na região das microondas, os sistemas sensores operam com radiação própria emitida e refletida pela superfície terrestre (radiação produzida por circuitos eletrônicos).

4.

4. 2 SISTEMAS SENSORES

4. 4. 2. 1 Resolução

É a medida da habilidade que o sistema sensor possui em distinguir objetos que estão próximos espacialmente ou respostas que são semelhantes, espectralmente.

4. 4. 2. 2 Resolução espacial Mede a menor separação angular ou linear entre dois objetos. Ex: um sistema de

resolução de 30 m (Landsat) significa que os objetos distanciados de 30m serão em geral

distinguidos pelo sistema. Assim, quanto menor a resolução espacial, maior o poder

resolutivo, ou seja, maior o seu poder de distinguir enter objetos muito próximos.

4.

4. 2. 3 Resolução espectral refere-se às larguras das faixas espectrais e número de faixas do sensor.

4.

4. 2. 4 Resolução temporal (repetitividade) É o tempo enter as aquisições sucessivas de dados de uma mesma área.

4.

4. 2. 5 Aquisição de dados em sensoriamento remoto

É

o

procedimento

pelos

quais

os

sinais

são

detectados, gravados e

interpretados. A detecção da energia eletromagnética pode ser obtida de duas formas:

- Fotograficamente: o processo utiliza reações químicas na superfície de um

filme sensível a luz para detectar variações de imagem dentro de uma câmara e

registrar os sinais detectados gerando uma imagem fotográfica.

- Eletronicamente: o processo eletrônico gera sinais elétricos que correspondem

às variações de energia provenientes da interação enter a energia

eletromagnética e a superfície da Terra. Esses sinais são transmitidos às estações

de captação onde são registrados geralmente numa fita magnética, podendo

depois ser convertidos em imagem.

A) Quanto aos modelos operantes

Ativos: possuem sua própria fonte de radiação, a qual incide em um alvo,

captando em seguida o seu reflexo. Ex: radar;

Passivos: registra irradiações diretas ou refletidas de fontes naturais. Dependem de uma fonte de radiação externa para que possam operar. Ex: câmara

fotográfica.

B) Quanto ao tipo de transformação sofrida pela radiação detectada:

Não imageador: não fornecem uma imagem da superfície sensoriada e sim

registros na forma de dígitos ou gráficos;

Imageador: fornecem mesmo por via indireta, uma imagem da superfície observada através do sistema de quadros ou sistema de varredura.

Sistema de quadros: Adquirem a imagem da cena em sua totalidade

num mesmo instante;

Sistema de varredura: A imagem da cena é formada pela aquisição

seqüencial de imagens elementares do terreno ou elementos de resolução

(pixels).

4.

5 SISTEMAS SENSORES ORBITAIS

4.

5.1 LANDSAT

O Landsat-7 ETM+, lançado em abril de 1999 é o sétimo de uma série de satélites

para monitoramento e observação da Terra. Este satélite possui as mesma características de

seus antecessores, mas com algumas inovações: uma banda pancromática com resolução

espacial de 15 metros; um canal infra vermelho termal com resolução espacial de 60 metros

e uma calibração radiométrica absoluta de 5 % “on board”.

A plataforma do Landsat-7 ETM+ opera a uma altitude de 705 Km, em órbita

quase-polar, sol-síncrona, imageando uma faixa de 185 Km com repetição a cada 16 dias.

O sensor ativo a bordo é o Enhanced Thematic Mapper (ETM+), com 6 bandas ópticas

(azul, verde, vermelho, infravermelho próximo e duas no infravermelho médio; 0,45-2,35

µm), de resolução espacial de 30 metros, uma outra banda no infravermelho termal 10,4-

12,5 µm, com 60 metros de resolução, e uma terceira banda pancromática (0,52-0,90 µm) com 15 metros de resolução.

LANDSAT ETM+

RESOLUÇÃO NO SOLO

30 m, 60m (termal) e 15m (pan)

DIMENSÃO DE UMA CENA

185 km x 185 km

PROPRIEDADES ESPECTRAIS

8 canais espectrais

km x 185 km P ROPRIEDADES E SPECTRAIS 8 canais espectrais Figura 4.2: Imagem Landsat 7

Figura 4.2: Imagem Landsat 7 ETM+ 15 m da região de Piraí do Sul- PR

4. 5. 2 SPOT

O programa francês SPOT possui, até o presente momento, três satélites lançados com sensores idênticos ordenados dois à dois, um ao lado do outro e que podem ser operados independentemente, um do outro. Com o SPOT é possível a observação estereoscópica de dados através da rotação dos sensores, necessária para produção de cartas topográficas e modelo digital do terreno. Também a taxa de repetição não está restrita à 26 dias do ciclo de revolução mas diminui na dependência da latitude geográfica.

O satélite mais recente é o SPOT 4, lançado em 1998 dispõe de dois sensores ópticos, um multiespectral (3 canais) e o outro pancromático (1 canal–imagem branca e preta) que levantam toda a superfície da Terra em 26 dias. Através da possibilidade de rotação dos sensores de ambos satélites, pode-se atingir uma taxa de repetição da imagem de até 3 dias. As peculiaridades do satélite francês são:

Possibilidade de programação dos satélites (isto poderá ser mais vantajoso para grandes áreas).

Possibilidade de imagens estereoscópicas ( duas imagens de

tomada e, aproximadamente, ao mesmo tempo – para produção de modelo digital do

diferentes ângulos de

terreno).

 

SPOT MULTIESPECTRAL

SPOT

   

PANCROMÁTICO

RESOLUÇÃO NO SOLO

20

m

10m

DIMENSÃO DE UMA CENA

60

Km x 60 Km

60 Km x 60 Km

PROPRIEDADES ESPECTRAIS

3 canais espectrais visíveis + infravermelho

1 canal pancromático

Figura 4.3: Imagem Spot PAN 10m da cidade do Rio de Janeiro, RJ. 4. 5.

Figura 4.3: Imagem Spot PAN 10m da cidade do Rio de Janeiro, RJ.

4. 5. 3 CBERS O satélite CBERS (China Brasil Earth Resources Satellite) é fruto da cooperação

entre Brasil e China. Ele foi lançado em 1999, projetado para cobertura global contendo

câmaras para observação óptica e um sistema de coleta de dados ambientais. Possui três tipos de sistemas sensores de coleta de dados de sensoriamento remoto

para recursos naturais: o sensor CCD, o IR-MSS e o WFI.

A) Imageador de Largo Campo de Visada (WFI - Wide Field Imager):

O WFI imageia uma faixa de 890 km de largura, fornecendo uma visão sinótica com

resolução espacial de 260 x 260 m. Em cerca de 5 dias obtém-se uma cobertura completa

do globo em duas bandas espectrais centradas em: 0,66µm (vermelho) e 0,83µm (infravermelho próximo

Por problemas técnicos o WFI deixou de operar pouco tempo depois do lançamento;

entretanto fará parte da carga útil do CBERS-2 a ser lançado em 2001.

Características do WFI

Bandas Espectrais

0,63 - 0,69 µm (vermelho) 0,77 - 0,89 µm (infra-vermelho

Campo de Visada

60º

Resolução espacial

260

x 260 m

Largura da faixa imageada

890

km

Resolução temporal

5 dias

imageada 890 km Resolução temporal 5 dias Figura 4.4: Imagem Cbers WFI da represa de Itaipú-

Figura 4.4: Imagem Cbers WFI da represa de Itaipú- PR.

B) Câmara CCD de alta resolução (CCD - High Resolution CCD Camera):

A câmara CCD fornece imagens de uma faixa de 113 km de largura, com uma

resolução de 20 m. Esta câmara tem capacidade de orientar seu campo de visada dentro de

± 32 graus, possibilitando a obtenção de imagens estereoscópicas de uma certa região.

Além disso, qualquer fenômeno detectado pelo WFI pode ser focalizado pela Câmara CCD através do apontamento apropriado de seu campo de visada, no máximo a cada 3 dias. Opera em 5 faixas espectrais incluindo uma faixa pancromática de 0,51 a 0,73 µm. As duas faixas espectrais do WFI são também empregadas na câmara CCD para permitir a combinação dos dados obtidos pelas duas câmaras. São necessários 26 dias para uma cobertura completa da Terra com a câmara CCD.

Características do Instrumento Imageador CCD

 

Bandas espectrais

0,51

-0,73

µm

(pan)

0,45

-

0,52

µm

(azul)

0,52

-

0,59

µm

(verde)

- 0,77 - 0,89 µm (infravermelho próximo)

0,63

0,69

µm

(vermelho)

: Campo de Visada

8,3º

Resolução espacial

20 x 20 m

 

Largura da faixa imageada

113 km

Capacidade de apontamento do espelho

±32º

Resolução temporal

26

dias

com

visada

vertical

(3 dias com visada lateral)

 
Figura 4.5: Imagem Cbers CCD de Manaus-AM. C) Câmara de varredura no infravermelho (IR-MSS -

Figura 4.5: Imagem Cbers CCD de Manaus-AM.

C) Câmara de varredura no infravermelho (IR-MSS - Infrared Multispectral

Scanner):

A câmara de varredura IR-MSS tem

observação do CBERS até o infravermelho termal.

4 faixas espectrais e estende o espectro de

O IR-MSS produz imagens de uma faixa de 120 km de largura com uma resolução de

80 m (160 m na banda termal). Em 26 dias obtém-se uma cobertura completa da Terra que

pode ser correlacionada com aquela obtida através da câmara CCD.

Características do Instrumento Imageador IRMSS:

   

Bandas espectrais

0,50

-

1,10

µm

(pancromática)

1,55

-

1,75

µm

(infravermelho

médio)

2,08

- 10,40 - 12,50 µm (infravermelho termal)

2,35

µm

(infravermelho

médio)

Campo de Visada

8.8º

Resolução espacial

80 x 80 m (160 x 160 m termal)

 

Largura da faixa imageada

120 km

 

Resolução temporal

26 dias

 

CAPÍTULO 5

5. PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGENS Por processamento digital de imagens entende-se a manipulação de uma imagem via

computador, de modo que a entrada e a saída do processo sejam imagens, com o objetivo

de melhorar o aspecto visual de certas feições estruturais, proporcionando maior facilidade

na extração de informações (INPE/DPI, 2001). É uma análise digital das imagens que

engloba uma série de técnicas de manipulação numérica dos dados contidos nas imagens

digitais (Novo, 1992).

5. 1 PRÉ-PROCESSAMENTO

O pré-processamento refere-se ao processamento inicial dos dados brutos, com o

objetivo de eliminar as alterações detectadas na imagem, incluindo a atenuação de

distorções geométricas e radiométricas.

5. 1. 1 CORREÇÃO RADIOMÉTRICA As imagens brutas, sem nenhum tipo de correção, possuem algumas distorções

radiométricas que devem ser corrigidas antes de serem usadas. Há várias formas de

degradação ou ruídos radiométricos presentes em uma imagem, provenientes da atenuação

atmosférica ou do instrumento sensor. A correção radiométrica utiliza determinadas

técnicas que modificam os números digitais originais com o objetivo de caracterizar as

imagens no caso de uma recepção ideal (sem as distorções) (Chuvieco, 1990).

5. 1. 2 CORREÇÃO ATMOSFÉRICA

A radiância refletida e recebida pelo sensor é determinada principalmente pelas

propriedades de reflectância e absorção dos componentes da superfície e pelo

comportamento dos componentes da atmosfera (Huete, 1996).

A atmosfera pode influir na resposta espectral de um determinado alvo de dois

modos: pela absorção ou espalhamento da radiação. Em geral, a absorção subtrai os

valores de brilho de energia radiante do alvo, enquanto o espalhamento adiciona valores à

resposta original. (CROSTA, 1992).

A correção do efeito atmosférico em dados de sensoriamento remoto pode ser feita

através da utilização de modelos que simulam as propriedades ópticas da atmosfera, ou

através do uso de alvos presentes na área imageada e que tenham reflectância conhecida, ou

através de métodos que inferem a contribuição da atmosfera na radiância registrada na imagem a partir da subtração da radiância observada em alvos escuros (Chen et. al., 1996).

Segundo Crósta (1992), a mais simples e rápida técnica para minimizar os efeitos da

atmosfera é a subtração de pixels escuros, pois requer somente informações contidas nos

dados da imagem digital (Chavez, 1988). Esse tipo de correção envolve a subtração de um

valor constante de DN da imagem inteira, supondo também um valor constante de neblina

por toda a imagem (Chavez, 1988).

Esse método parte da premissa de que há na imagem alguns poucos pixels pretos, decorrentes da ocorrência de sombras da topografia ou de nuvens, supondo que estes

deveriam ter valor de DN igual a zero (Chavez, 1988), ou seja, de reflectância nula. Devido

ao espalhamento atmosférico, os valores radiométricos encontrados nesses pixels são iguais

à contribuição dos componentes aditivos da atmosfera (Chen et al., 1995), sendo esses os

valores a serem subtraídos de cada imagem para atenuação do efeito atmosférico.

5. 1. 3 CORREÇÃO GEOMÉTRICA

A aquisição das imagens durante o imageamento da cena pode introduzir algumas

distorções sistemáticas devido a diversas fontes de erro, tais como: rotação da Terra; taxa

de varredura e campo de visada do sistema sensor; curvatura da Terra; e variações na

altitude, atitude e velocidade da plataforma (Richards, 1986). A correção geométrica

remove esses erros sistemáticos presentes nas imagens, transformando a imagem de modo

que ela assuma as propriedades de escala e projeção de um mapa. O georeferenciamento é a técnica mais usada para corrigir tipos de distorções

geométricas presentes nas imagens digitais, baseando-se em relações matemáticas entre a

localização dos pontos na imagem e as coordenadas correspondentes desses pontos no

terreno, via mapa (Richards, 1986).

A adequação da correção é função da aquisição desses pontos comuns à imagem e

mapa, denominados pontos de controle, considerando o número e a distribuição desses,

utilizando-se geralmente cruzamentos de estradas e encontros de rios.

A relação entre o ponto na imagem e mapa é definido geralmente por um polinômio

simples, sendo necessário, no mínimo, 3 pontos para a função de ajuste de 1 o grau, 6 para

a de 2 o grau e 10 para a de 3 o grau.

Segundo Chuvieco (1990), o pixel da nova imagem se situa entre vários da imagem original, sendo os novos valores de brilho dos pixels reamostrados pelas técnicas:

Vizinho mais próximo: situa na imagem corrigida o valor do número digital

(DN) do pixel mais próximo na imagem original, acarretando menor alteração

dos DN originais;

Interpolação bilinear: valor do novo pixel a partir da média de DN dos 4 pixels

mais próximos na imagem original;

Convolução cúbica: considera os DN dos 16 pixels mais próximos.

Desta

forma,

as

imagens

ocupam

uma certa posição no espaço, podendo ser

integradas com mapas e outras informações.

5. 2 REALCE

A interpretação de imagens é, muitas vezes, dificultada pelas degradações inseridas

nos processos de geração e visualização da imagem. As técnicas de realce visam melhorar a

qualidade visual destas imagens e enfatizar alguma característica de interesse para uma

aplicação específica.

Serão considerados dois tipos de transformações de nível de cinza:

A) Modificação na escala de cinza- Contraste: A manipulação do contraste de

tem como objetivo melhorar a sua qualidade visual. Esse processo não

aumenta a quantidade de informação contida na imagem, apenas torna mais fácil a sua percepção.

uma imagem

Os sensores são capazes de discretizar os valores recebidos da cena em um intervalo

máximo que vai de 0 até 255 (8 bits = 256 possíveis valores). Devido à má iluminação,

defeitos do sensor ou mesmo às características da cena, o intervalo de valores de

intensidade ocupados pelos pixels, presentes em uma imagem, pode ser muito menor que

esse intervalo máximo. Diz-se então que a imagem possui baixo contraste, o que torna

difícil a sua visualização ou interpretação. O contraste de uma imagem pode ser avaliado

observando-se o seu histograma. Uma imagem com bom contraste possui um histograma cujas barras estão razoavelmente espalhadas ao longo de todo o intervalo da escala. O tipo de realce mais empregado é ampliar o contraste de feições existentes na cena, ou seja, os níveis de cinza mais baixos são arrastados para próximos de zero (tonalidade mais escura) e os mais altos para próximos de 255 (cinza claro).

Imagem SPOT 95 sem Imagem SPOT 95 com
Imagem SPOT 95 sem
Imagem SPOT 95 com

Figura 5.1: Imagem monocromática Spot sem e com contraste.

Imagem Landsat TM sem contraste Imagem Landsat TM com contraste- sintética
Imagem Landsat TM sem contraste
Imagem Landsat TM com contraste- sintética

Figura 5.2: Composição colorida de 3 bandas do Landsat 7 sem e com contraste.

B) Filtragem: o nível de cinza de um ponto P após a transformação, depende do valor do nível de cinza original do ponto e de outros pontos da vizinhança de P. Em geral, os pontos mais próximos de P contribuem mais para o novo valor de nível de cinza do que os pontos mais afastados. As operações de filtragem podem ser divididas em duas classes: filtragem linear e filtragem não-linear. É comum dividir os filtros em quatro classes:

Passa-baixas: atenua as altas frequências que estão relacionadas com a informação de detalhes da imagem. Ocorre a suavização (smoothing) da imagem uma vez que as altas frequências, que correspondem às transições abruptas, são atenuadas. Minimiza o efeito do ruído nas imagens, mas diminui sua resolução.

Passa-altas: realça as altas frequências e são normalmente usados para realçar os detalhes na imagem, tornando mais nítidas as transições entre regiões diferentes, como as bordas. No entanto, enfatiza o ruído presente na imagem.

Passa-banda: selecionam um intervalo de frequências do sinal (banda de frequência) para ser realçado.

Rejeita-faixa: selecionam um intervalo de frequências do sinal (banda de frequência) para ser rejeitado.

Imagem Spot sem filtro Imagem Spot com filtro de média
Imagem Spot sem filtro
Imagem Spot com filtro de média

Figura 5.3: Imagem Spot sem e com filtro passa baixa de média

5. 3 TRANSFORMAÇÕES MULTIESPECTRAIS

O

uso

de

dados

espectrais

transformados

pode

ser

mais

conveniente do que

trabalhar com dados originais. Os métodos mais utilizados são:

5. 3. 1 Índice de vegetação- NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) A razão entre as bandas visíveis e infra-vermelho próximo pode realçar diferenças

espectrais entre solos e vegetação. Por este motivo, a razão entre estas bandas tem sido

muito utilizada na estimação de biomassa e cobertura de vegetação. Existem várias formas

de calcular a razão entre bandas, que são conhecidas por índice de vegetação. O cálculo de

índice de vegetação mais simples é:

RVI = ρ nir / ρ red ,

onde ρ nir e ρ red são os NC’s das bandas infravermelho próximo e vermelho,

respectivamente. O NDVI é dado por:

NDVI = ρ nir - ρ red / ρ nir + ρ red

Este índice é muito usado para monitorar cobertura de vegetação em escala global usando

imagens AVHRR.

Imagem Cbers infra vermelho monocromático Imagem CBERS(NDVI) os pixels mais brilhantes (mais claros) indicam maior
Imagem Cbers infra vermelho
monocromático
Imagem CBERS(NDVI) os pixels mais
brilhantes (mais claros) indicam maior
concentração de vegetação
Figura 5.4: Imagem Cbers infra vermelho monocromático e sua resultante do NDVI.

5. 3. 2 MODELO LINEAR DE MISTURA ESPECTRAL Em geral, a resolução espacial do sensor permite que um pixel inclua mais que um

tipo de cobertura do terreno na cena. A radiância registrada pelo sensor será a soma das

radiâncias de todos os materiais dentro do seu campo de visada instantâneo (IFOV- “Instantaneous Field of View”). Portanto, a radiação detectada pelo sensor é uma

combinação de diversos materiais (heterogeneidade das cenas naturais) além da

contribuição atmosférica, resultando em um grande número de componentes de mistura

(Shimabukuro e Smith, 1991). Desta forma, a radiância observada em um ponto é dada pela

mistura das resposta de cada um dos componentes da cena, como por exemplo, solo +

sombra + vegetação. O pixel é então caracterizado pela mistura das assinaturas espectrais

de cada alvo contido nele. Essa mistura no pixel pode afetar na análise de dados de sensoriamento remoto,

consequentemente, feições de interesse podem ser mascaradas na análise, ficando

agregadas num mesmo pixel diferentes alvos. Sendo assim, a análise e a comparação de

assinaturas espectrais de pixels de classes de cobertura da superfície fica ainda mais difícil.

O Modelo Linear de Mistura Espectral (MLME) é uma técnica que visa o realce das

feições de interesse da imagem, com o intuito de otimizar o processo de extração de

informações. Nesse modelo, o valor do pixel em cada banda espectral é considerado como a combinação linear da resposta de cada componente dentro do pixel (INPE/DPI, 2001). Em

um pixel, a presença dos componentes varia de 0% a 100%, determinando a ausência ou

dominância do componente, respectivamente.

Shimabukuro et al., 1997 indicam os componentes vegetação, solo e sombra como

constituintes básicos de cenas florestadas, e descrevem o modelo de mistura espectral pela

fórmula:

r i = a * vege i + b* solo i + c*sombra i + e i

sendo que:

r i = resposta do pixel na banda i;

a, b e c = proporções de vegetação, solo e sombra (ou água), respectivamente;

vege i , solo i ,sombra i = respostas espectrais dos componentes vegetação, solo e

sombra respectivamente;

e i = erro na banda i;

i = indica a banda do TM.

5.3.3 TRANSFORMAÇÕES DE COMPONENTES PRINCIPAIS

A Transformação de Componentes Principais (TCP) é baseada nas propriedades

estatísticas da imagem. Geralmente, as bandas de uma imagem multi-espectral são

altamente correlacionadas. Duas imagens são ditas correlacionadas quando, dada a

intensidade de um pixel em uma delas, pode-se deduzir com razoável aproximação a

intensidade do pixel correspondente na outra imagem. Em outras palavras, as imagens são

visualmente e numericamente similares.

As causas principais da existência de correlação são:

1. Sombreamento topográfico: o sombreamento afeta todas as bandas da mesma

maneira, obscurecendo feições espectrais de interesse;

2. Sobreposição das respostas espectrais entre bandas adjacentes e

3. Baixa reflectância de um alvo em uma determinada faixa espectral, ocasionando

assinatura espectral similar deste alvo em todas as bandas dentro daquela faixa espectral.

O fato das bandas de uma imagem serem correlacionadas, faz com que a capacidade

de extração de informação, a partir destas bandas seja reduzida. A informação que uma

banda contém é similar a das outras bandas, e portanto, as informações são redundantes, e não contribuem em muito na análise da imagem. A idéia da TCP é, a partir das bandas

originais da imagem multi-espectral, gerar novas bandas descorrelacionadas, isto é, sem

redundância de informação.

Imagem Landsat TM sintética Imagem IHS resultante
Imagem Landsat TM sintética
Imagem IHS resultante

Figura 5.5: Imagem Landsat 7 TM e IHS resultante

5. 4 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE IMAGENS DIGITAIS

A classificação das imagens procura atribuir rótulos (classes temáticas) aos alvos

(pixels) presentes na cena, segundo a ocupação do solo, semelhante o que se faz na

abordagem visual. A categorização dos valores dos níveis de cinza é feita utilizando algoritmos estatísticos (programas computacionais) de reconhecimento de padrões

espectrais.

O resultado final de uma classificação de uma imagem é uma imagem temática

(mapa), onde os pixels classificados são representados por símbolos gráficos ou cores. Cada

cor ou símbolo está associado à uma classe (área urbana, tipos de florestas, tipos de solo,

etc.) definida pelo usuário. A classificação pode ser:

Não supervisionada: cada pixel da imagem é associado a uma classe espectral sem que o usuário tenha um conhecimento prévio do número ou identificação

das diferentes classes presentes na imagem. Isso é feito, basicamente, através de

algoritmos de agrupamento.

Supervisionada: o usuário seleciona amostras representativas para cada uma

das classes que se deseja identificar na imagem. assume-se que as classes podem

ser descritas por uma função densidade de probabilidade e, portanto, descritas por seus parâmetros estatísticos. Estes parâmetros são estimados através do

conjunto de amostras de treinamento, previamente selecionados.

Do ponto de vista prático, e independentemente do algoritmo de classificação

supervisionada utilizado, os passos a serem seguidos para realizar uma classificação

supervisionada são:

1. seleciona-se as classes que se deseja identificar na imagem, por exemplo, água,

cultura, solo exposto, área urbana, mata, etc;

2. Escolhe-se um conjunto de amostras (conjunto de pixels) representativo de cada

uma das classes. Essas amostras formarão um conjunto de amostras de treinamento. Essas

amostras podem ser definidas usando dados de campo, fotos aéreas ou ainda da

interpretação visual da imagem a ser classificada;

3. Utiliza-se o conjunto de treinamento para estimar os parâmetros usados pelo algoritmo de classificação. Estes podem ser propriedades do modelo de probabilidade ou

equações que definem o particionamento no espaço de atributos. Esse passo é conhecido

como treinamento;

4. Rotula-se cada pixel ou região como pertencente a uma dentre o conjunto de

classes definido no passo 1, usando os parâmetros estimados no passo 3; 5. Produz-se dados tabulares (por exemplo, área) ou mapas temáticos que mostram o

resultado da classificação.

Os classificadores supervisionados mais comuns são:

5. 4. 1 Classificação por Máxima Verosimilhança MAXVER é o método de classificação "pixel a pixel" mais utilizado em dados de

sensoriamento remoto. MAXVER considera a ponderação das distâncias entre médias dos níveis digitais

das classes, utilizando parâmetros estatísticos. Para que a classificação por máxima

verossimilhança seja precisa o suficiente, é necessário um número razoavelmente elevado

de "pixels", para cada conjunto de treinamento. Os conjuntos de treinamento definem o

diagrama de dispersão das classes e suas distribuições de probabilidade, considerando a

distribuição de probabilidade normal para cada classe do treinamento.

Apresentam-se duas classes (1 e 2) com distribuição de probabilidade distintas. Estas distribuições de probabilidade representam a probabilidade de um "pixel" pertencer à

uma ou outra classe, dependendo da posição do "pixel" em relação à esta distribuição.

Observa-se uma região onde as duas curvas sobrepõem-se, indicando que um

determinado "pixel" tem igual probabilidade de pertencer às duas classes. Nesta situação

estabelece-se um critério de decisão a partir da definição de limiares.

Os limites de classificação são definidos a partir de pontos de mesma probabilidade de classificação de uma e de outra classe.

Imagem Landsat TM Imagem Landsat TM classificada (MAXVER)
Imagem Landsat TM
Imagem Landsat TM classificada (MAXVER)

Figura 5.6: Imagem Landsat 7 TM original e classificada (MAXVER).

5. 4. 2 Segmentação de Imagens

A segmentação de imagens é uma tarefa básica no processo de análise de imagens.

A imagem é particionada em regiões que devem corresponder às áreas de interesse da

aplicação. As regiões são um conjunto de pixels contíguos, que se espalham

bidimensionalmente e que apresentam uniformidade em relação a um dado atributo (área,

forma, parâmetros estatísticos e textura) que pode ser extraído e usado posteriormente no processo de análise.

O particionamento da imagem pode ser realizado, basicamente, de três formas: (1)

por crescimento de regiões; (2) detecção de bordas e (3) combinação das outras duas.

A técnica de crescimento de regiões divide a imagem em um número de regiões

homogêneas, cada uma identificada por um rótulo. O resultado final é uma imagem

rotulada. É um método simples e efetivo em várias aplicações, gerando sempre regiões com contornos fechados. A principal desvantagem são os erros nos contornos das regiões: pixels

de borda podem ser agregados à uma das regiões vizinhas de forma aleatória.

No método de detecção de bordas, as bordas entre regiões homogêneas são extraídas

gerando como resultado um mapa de bordas. Para algumas aplicações este método não

funciona bem devido a presença de “buracos” nas bordas, as quais permitem que duas

regiões diferentes sejam agregadas. Outra desvantagem é a sensibilidade às variações locais

dos níveis de cinza e , então, os contornos geralmente não são fechados.

A seleção de uma destas abordagens ou a combinação delas depende fortemente do tipo de dados usados na análise e da área de aplicação.

5. 4. 2. 1 Crescimento de regiões Esta técnica é um processo iterativo em que as regiões espacialmente adjacentes são agrupadas segundo algum critério de similaridade. No início do processo de segmentação a

região pode ser um pixel ou um conjunto de pixels. Para cada região, são calculados atributos espectrais como por exemplo média, variância e textura. A agregação das regiões é feita usando algum critério de similaridade e um limiar, que pode ser definido pelo

usuário. Geralmente o critério de similaridade baseia-se em um teste de hipótese estatístico que testa a média entre as regiões.

De um modo simplificado o processo pode ser descrito pelos seguintes passos:

1. Particione toda imagem em células padrões ( 1 ou mais pixels).

2. Cada célula padrão é comparada com as suas células vizinhas para determinar se elas são

similares, usando uma medida de similaridade. Se elas são similares, agrupe as células para formar um segmento e atualize as propriedades usadas na comparação.

3. Continue o crescimento do segmento examinando todas os seus vizinhos até que não exista regiões que possam ser agrupadas ao segmento. Rotule o segmento como uma região completa.

4. Processe a próxima célula não completa, e repita estes passos até que todas as células

sejam rotuladas.

No segmentador, implementado no sistema SPRING, duas regiões adjacentes A e B são agrupadas se e somente se:

a média das regiões A e B são similares;

a medida de similaridade satisfaz o limiar estabelecido;

A e B são mutuamente próximas (dentre os vizinhos de A, B é a mais próxima de A, e

dentre os vizinhos de B, A é a mais próxima de B).

Vetores da Imagem Landsat segmentação TM original
Vetores da
Imagem Landsat
segmentação
TM original

Figura 5.7: Imagem Landsat TM original e seus vetores resultantes da segmentação.