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Conjuntos

Produto e Gráficos de

Funções

Capítulo 5

Pares Ordenados

Intuitivamente, um par ordenado consiste de dois elementos, digamos a e ò, dos quais um, digamos a, é designado como primeiro elemento e o outro como segundo elemento. Um par ordenado é designado por

(a, b).

Dois pares ordenados (a, ò) e (c, d) são iguais se, e somente se, a = c

e

b = d.

Exemplo 1.1:

Exemplo 1.2:

Os pares ordenados (2,3) e (3,2) são diferentes.

Os pontos no plano Cartesiano, mostrados na Fig. 5-1 repre-

sentam

pares ordenados de números reais.

2

e

Exemplo 1.3:

3

Exemplo 1.4:

O conjunto (2, 31 não é um par ordenado, pois os elementos

os primeiros e segundos ele-

não

são distintos.

Pares ordenados podem ter

mentos idênticos tais

como (1,1),

(4,4)

e (5,5).

Embora a notação (a, 6) seja também usada para designar um

intervalo aberto,

o significado correto

ficará claro

no

contexto.

Observação 5.1:

Um par ordenado (o, 6) pode ser definido rigoro-

samente por

(a,

b) =

{ a,

{ a, b } } .

Pode-se provar, a partir desta

mental

dos pares ordenados:

definição, a propriedade

(a, 6) = (c, d) implica em

a = c

e

b =

d.

funda-

CAP. 5

CONJUNTOS PRODUTO H GRÁFICOS

Conjunto Produto

93

Sejam dois conjuntos A

e

B.

O conjunto

produto de A

e

consiste

de todos os pares

ordenados (a, ò), onde a G Á

e

ò G

B.

É designado por

 

A

XB

que

se

"A

vezes B".

Mais

concisamente

 

A

X

B

=

{ (a, b)

A,b <= A

 
 

Exemplo

2.1:

Sejam

A

=

{l, 2, 3}

e

B

=

[a, b}.

Logo, o conjunto pro-

duto

é A X B

=

j (l,

a),

(l,

b), (2, a),

(2, b), (3, a),

(3,

6) }.

Exemplo 2.2:

Seja

W

=

(g, í}. Então,

W X

W

=

{(s, s), («, t), (t, s), (t, t)}.

Exemplo

2.3:

O plano Cartesiano, mostrado na Fig. 5-1, é o conjunto pro-

duto dos números reais com eles próprios, isto é, R* X R* .

O conjunto produto A X B é também chamado o produto Cartesiano de A e B. Seu nome provém do matemático Descartes que, no Séc, XVII, foi o primeiro a pesquisar o conjunto R* X R* .

É por esta razão também que R* X R* , como mostrado na Fig. 5-1,

é chamado de plano Cartesiano.

Observação 5.2; Se o conjunto A tem n elementos e o conjunto S tem m elementos, o conjunto produto A X B tem então n vezes

m elementos, isto é, nm elemento ,. Se A ou B forem con-

juntos nulos, A X B é também o conjunto nulo. Por último,

se A ou B for infinito e o outro não for vazio, A X B é infinito.

Observação 5.3: O produto

Cartesiano de dois conjuntos não é

comutativo; mais especificamente

A X

B

^

B X

A

a menos que A

= B

ou que um dos fatôres seja vazio.

Diagramas Coordenados

O leitor já está familiarizado com o plano Cartesiano R* X R* ,

mostrado na Fig. 5-1. Cada ponto P representa um par orde- nado (a, ò) de números reais. Uma linha vertical através de P

encontra o eixo horizontal em a e uma linha horizontal passando

por P encontra o eixo vertical em b, como na Fig.

5-1.

94

TEOHIA

DOS

CONJUNTOS

CAP.

5

CONJUNTOS

PRODUTO B GRÍFICOS

 

6

-

 

2

111

1

-4

-2

°

2

 

-2

u.

_ 4

-P

«4

B

a

b

por

Exemplo 3.2:

Seja

W -

|1, 2, 3, 4}.

Seja a função /: W -* R* definida

O gráfico de / é então

/(z) =1+3 .

/* - í (l, 4), (2, 5), (3, 6), (4, 7)) .

 

Exemplo

3.3:

Seja

N

os números

naturais

l,

2, 3,

 

Seja a função

 

g

:

N > N

definida

por

 
 

ff(z) - x3.

 
 

O

gráfico de g é então

 

c

g"

=

j (1,1), (2, 8), (3, 27), (4, 64),

|

.

Fig. 5-1

Fig.

5-2

O produto Cartesiano de dois conjuntos quaisquer, se eles não contêm muitos elementos, pode ser mostrado da mesma maneira

em um diagrama coordenado. Por exemplo, se A = j a, b, c, d} e

B = { x, }i, z] , o diagrama coordenado de A X B será como o apre-

sentado na Fig. 5-2 acima. Aqui os elementos de A são colocados no eixo horizontal e os elementos de B são colocados no eixo vertical. Observe que as linhas verticais passando pelos elementos de A e

as linhas horizontais passando pelos elementos de B encontram-se

cm

12 pontos. Esses pontos, é óbvio, representam A X B. O ponto

P

è

o

par

ordenado

(c, y).

Gráfico de uma Função

Seja / uma função de A em B, isto é, seja f:A—>B. O gráfico }* da função / consiste de todos os pares ordenados nos quais o G A aparece como primeiro elemento e sua imagem aparece como segundo elemento. Em outras palavras,

/* =

{ (a,l>)

\aeA,b=J(a)\.

 

Observ e qu e /* , o gráfic o d e / : A —>• B , é u m subconjunt o d e A X

B .

Exemplo 3.1:

Seja

a

função

j:

A—* B

definida

pelo

diagrama

 

A

B

Portanto,

/ (o) = 2, /

(6) = 3, / (c) = 2

e

j

(d) =

1.

Logo, o gráfico

de )

é

!"-

f (a, 2),

(6,3), (r, 2),

(d, 1) 1.

Propriedades do Gráfico de uma

Função

Seja j:A—>B. Relembramos duas propriedades da função /. Primeiro, a cada elemento a G A corresponde um elemento em B, Segundo, existe apenas um elemento em B que corresponde a cada a CL A- E m vist a desta s propriedade s d e / , o gráfic o / * d e / possu i as duas seguintes propriedades:

Propriedade

1: Para cada a G A existe um par ordenado (a, 6)G/*-

Propriedade

2 : Cada a £ A aparece como

o primeiro elemento em

um único par ordenado em /*, isto é,

(a, í>) G/* , («, c) G/ * implica

em

Nos exemplos seguintes, sejam

A

=

{l, 2, 3, 4 j

Exemplo 4.1:

O conjunto de pares ordenados

l

(l, 5), (2, 3), (4, 6) j

ò =

e

c.

B= {3, 4, 5, 6}.

não pode ser o gráfico de uma função de A em B, pois ele contraria a Propriedade

1. Especificamente, 3 G A e não existe nenhum outro par ordenado no qual 3

seja um primeiro elemento.

Exemplo 4.2:

O conjunto de pares ordenados

í(l , 5), (2, 3), (3, 6), (4, G), (2, 4)1 .

o pode ser o gráfico de uma função de A em B, pois ele contraria a Propriedade 2, isto é, o elemento 2 £ A aparece como o primeiro elemento em dois pares ordenados diferentes (2,3) e (2,4).

Gráficos e Diagramas Coordenados

Como /* é um sub-

conjunto de A X B, pode ser representado, isto é, posto sob a forma de gráfico, no diagrama coordenado de A X B.

Seja i* o gráfico de uma função f:A—>B.

96

TEORIA

DOS

CONJUNTOS

Exemplo 5.1:

que define uma função no intervalo

O gráfico de / é então representado na Fig. 5-3 abaixo, na forma

Seja

/ (x) -x 2

— 2 < x < 4. usual:

3

4

Fig. 5-3

Fig. 5-4

Fig. 5-5

Exempl o 5.2: Seja uma funçã o J: A—> B definida pelo diagrama mostrado

na Fig. 5-4 acima.

(6, 3), (r, 1) e (d, 2). Assim /* é mostrado no diagrama coordenado de A X B

como

Aqui jf*, o gráfico de /, consiste dos pares ordenados (a, 2),

a Fig. 5-5 acima.

Propriedades de Gráficos em Diagramas Coordenados

Seja

j: A—> 5.

Como /*, o gráfico de /, apresenta

as duas

propriedades relacionadas anteriormente:

Propriedade l : Para cada a G A existe um par ordenado (a, fe)G/*-

Propriedade 2:

Se (a, b) £ j*

e

(a, c) G/*,

b =

c.

B,

ele

Propriedade 1: Cada linha vertical conterá ao menos um ponto

Dessa

tem

as

maneira, se /*

duas

seguintes

é representado no diagrama propriedades:

de A

X

de /*.

Propriedade 2:

de/*.

Cada

linha vertical conterá

somente um

ponto

e B = (1,2,3}. Considere os con-

juntos de pontos nos dois diagramas coordenados de A X B abaixo. Em (1), a

Exemplo 6.1:

Sejam A = [a,b,c)

a

b

(D

c

a

b

c

 

(2)

ponto do Iconjunto; portanto,

o conjunto de pontos não pode ser o gráfico de uma função de A em B. Em (2), a linha vertical que passa por a, contém dois pontos do conjuato; assim, este conjunto de pontos não pode ser o gráfico de uma função de A em B.

linha vertical passando por b não contém nenhum

CAP. 5

CONJUNTOS

PRODUTO B

GRÁFICOS

97

o

gráfico de uma função, pois existem linhas verticais que contêm mais do que um

ponto do círculo.

Exemplo 6.2: O círculo x2 + y2 —9, desenhado abaixo,

nío

pode ser

4

-

-

i 2 -)- y'- = 9 es t á representado.

Funções como Conjuntos de Pares Ordenados

um subconjunto de ^4X# , produto Cartesiano dos

conjuntos A e B; e consideremos que j* tem as duas propriedades

discutidas anteriormente. Propriedade 1: Para cada a G A, existe um par ordenado

Seja /*

(a,

h) G/' .

Propriedade 2:

Não existem dois pares ordenados diferentes em

j* que tenham o primeiro elemento igual.

Temos assim uma regra que faz corresponder a cada elemento

£/* . A

Propriedade l garante que cada elemento em A terá uma imagem, a Propriedade 2 garante que a imagem é única. Do mesmo modo,

/* é uma função

Em vista da correspondência entre funções /: A —»B e subcon- juntos de A X B com a Propriedade l e a Propriedade 2 acima,

redefinimos

Definição 5.1: Uma função / de A em B é um subconjunto de A X B no qual cada a G A aparece como primeiro elemento em unij e somente um, par ordenado pertencendo a /.

Embora esta definição de uma função possa parecer artificial, tem a vantagem de não usar termos indefinidos como "corresponde" "regra", "correspondência".

Além disso, seja

a G A, o elemento b G B que aparece no par ordenado (a, b)

de A

em B.

a

função da

seguinte maneira:

Exemplo 7.1:

Sejam

A = [a,b,c]

e

B = {1,2,3}.

/ = {(a,2),(C,l),(b,2)}

m

98

TKOKIA

DOS CONJUNTOS

y tem ontíio a Propriedade l e a Propriedade 2.

Assim, } 6 uma função de A em

li, que 6 também ilustrada no diagrama seguinte:

Exemplo 7.2 : Sejam F = (1,2,3 1

e

W

=

{a, e, i, o, M).

/

=

! (l , o), (2, e), (3, O, (2, «) )

Seja também

y não é então uma função de V em W, pois dois pares ordenados diferentes em'/, (2, a) e (2, u) têm o primeiro elemento igual. Se j é uma função de F em W, não pode então fazer corresponder tanto e, quanto v ao elemento 2 G F.

Exemplo 7.3: Sejam

S

=(1,2 , 3, 41

e

T1 =(1,3,5) .

Seja

y

=

{(1,1) , (2, 5),

(4, 3) )

j não 6 então uma função de S em T, pois 3 G •? não aparece como primeiro ele-

mento em nenhum dos pares

ordenados pertencentes a

j.

A implicação geométrica da Definição 5.1 está fixada em:

Observação 5.4: Seja / um conjunto de pontos no diagrama coor- denado A X B. Se cada linha vertical contém um, e somente um, ponto de /, então / é uma função de A em B. Observação 5.5: Seja a função j: A —» B biunívoca e sobre.

A função inverso j'1 consiste, então, dos pares ordenados que,

quando invertidos, isto é, permitidos, pertencem a /. Mais

especificamente r1 = i(6,o) i (a,ò) e/}.

Conjuntos Produto em Geral

O conceito de um conjunto produto pode ser estendido a mais

de dois conjuntos de um modo natural. O produto Cartesiano

dos conjuntos A,

B

e C, designado por

A XB

X C

compõe-se de todos os termos ordenados (a, b, c) onde a £ A, b Ç B

e c G C1- Analogamente, o produto Cartesiano de n conjuntos

Alt AÍ,

An, designadopor

A,, X Ai

X

X

A n

,

«nG-^n- Aqui, um n-upla ordenado tem o significado intuitivo

óbvio, isto é, compõe-se de n elementos, não necessariamente dis-

consiste de todos os n-uplas (a t, a», --.

, «„) onde e^Ç^l, ,

CAI>.

5

CONJUNTOS PRODUTO K GRÁFICOS

tintos, nos quais um deles é designado como primeiro elemento, outro como segundo elementoetc.

ponto

representa um termo ordenado, isto é, seu componente x, seu componente ;/, e seu componente z.

Exemplo 8.1:

Na geometria Euclidiana com

três

dimensões cada

Exemplo 8.2: Seja

A

= (a,b] ,

B = (1,2,3 )

e

C*={x,y\.

Então,

A X

B

X C=

{ (a, l, x),

(a,

l, y),

(0,2,1),

 
 

(a,2,y),

(a, 3, r),

(a, 3, y),

(6,2,*),

(Í>,1,*),

(b, l, y),

(b, 2, y),

(b, 3,

x),

(6,3 > 2 /)) .

 

PROBLEMAS

RESOLVIDOS

Pares Ordenados e Conjuntos

Produto

1.

Seja W — { João, José,

Paulo} e seja

V

=

{ Vera, Maria

}.

Achar

W X

F.

Solução:

W X F compõe-se de todos os pares ordenados (a, b) onde a G W e 6 (E F. Conseqúentemente, W X F = l (João, Vera), (João, Maria), (José, Vera), (José, Maria), (Paulo, Vera), (Paulo, Maria).)

2. Suponha que os pares ordenados

são iguais.

Achar x

e

y.

(x

+ y,l)

e

(3, x y)

Solução:

Se (x + y, 1) = (3. z —y) pela propriedade fundamental dos pares ordenados

A solução

x +

y =

3

destas equações

e

l

simultâneas

=

x — y.

é

x

=

2,

y

— l.

3. Achar os pares ordenados corres-

pondentes aos pontos Plt P?, Pa e P4 que aparecem no diagrama coordenado de A X B

na Fig. 5-6. Aqui A = j a, b, c, d, e } e

B

= { a,e,i,o,u }.

Solução:

A Linha vertical que passa por PI encontra b no

eixo dos A e a. linha horizontal que passa por PI en-

B

a,

contra i no eixo dos B; desse modo

l\ e

ao par ordenado (b, i).

Do mesmo

modo

Pj =

(a, a),

=

P,

b

Fig.

c

(d, u)

d

e

5-6

e

P4

=

(c, e).

4.

Sejam

(1)

A

=

{a, b],

A X (B(JC),

(4) (A X B)C((A

X C).

B

=

(2, 3}

e

(2) (A X B)\J(A

C ={3,4} .

X C),

Achar:

(3)

A X