VIABILIDADE TÉCNICA DA UTILIZAÇAO DO RCC (FRAÇÃO AREIA) COMO AGENTE

ESTABILIZADOR PARA UM SOLO DE SINOP – MT
TECHINICAL VIABILITY OF RCC (FRACTION OF SAND) USAGE AS STABILIZER
AGENT FOR A SOIL AT SINOP - MT
Wdson Gutierizz de Oliveira Alves1, Julio César Beltrame Benatti2
Resumo: O desenvolvimento do setor da construção civil acarreta grandes problemas como a geração de resíduos
de construção, principalmente nos municípios onde não existe uma política de gerenciamento e descarte, que é o
caso do município de Sinop. Uma possível solução para esse problema ambiental é o emprego deste resíduo
moído na fração areia como um estabilizador para melhoramento da resistência do subleito da região que possui
uma capacidade de suporte baixa, além de amenizar outros problemas como a extração de material granular. O
presente trabalho visou melhorar esta baixa capacidade de suporte, estabilizando granulometricamente e
mecanicamente, misturando o solo natural com duas porcentagens de RCC (25% e 50%) e em duas energias de
compactação (normal e intermediaria). As amostras foram submetidas a ensaios de caracterização e resistência.
Pode-se observar um aumento de resistência. O solo natural, caracterizado pelo TRB como A – 4, com
comportamento de sofrível a mau para subleito e ISC = 12,2%, com as misturas em três casos pelo ISC e expansão
se enquadrou em material para sub-base e em um dos casos chegou a se enquadrar em material para base.
Apesar de ser um material com boa resistência e suporte, não foi possível concluir sua viabilidade técnica, em
função da granulometria não se enquadrar na especificação da norma.
Palavras-chave: Estabilização mecânica; Estabilização granulométrica; RCC - Resíduo de construção civil, ISC –
Índice de Suporte California.
Abstract: The construction section development entails major problems, as the generation of construction waste,
especially in cities where there is not a management and disposal policy, which is the case of the city of Sinop. A
possible solution to this environmental problem is the use of this ground residue in the sand fraction as a stabilizer,
for resistance improvement of subgrade of the region with a low carrying capacity, besides assuaging other
problems such as granular material extraction. This study aims to improve this low carrying capacity, stabilizing
granulometrically and mechanically, mixing natural soil with two percentages of CCR (25% and 50%) and two
compression energy (normal and intermediate). The samples were subjected to assays and characterization of
resistance. It is observed an increase of resistance. The natural soil, characterized by the TRB as A - 4, with
behavior from sufferable to bad for subgrade and CBR = 12.2%, with the mixtures in three cases by the CBR and
expansion, was framed as material for sub basis and one of the cases was even framed into material for basis.
Despite being a material with good strength and support, it could not complete its technical viability as a function of
grain size does not fit in the standard specification.
Keywords: Mechanical stabilization; Particle size stabilization; CCR – Civil Construction Residue, CBR – California
Bearing Ratio.
1 Introdução
Acompanhado do crescimento demográfico das
cidades vem a necessidade de um maior investimento
em infraestrutura. Um desses principais investimentos
é a implementação da pavimentação, que traz uma
maior qualidade de vida à população. Os custos de
pavimentação são elevados, em razão, em parte, da
necessidade da extração em larga escala de material
granular para emprego nas suas camadas. Estas
camadas de suporte são tanto mais espessas, e,
portanto, mais caras, quanto menor a capacidade de
suporte do solo subleito.
Associados aos elevados custos, a lavra de material
granular para a construção de camadas de base, subbase e reforço do subleito para obras de pavimentação
traz problemas ambientais, principalmente quando este
material está disponível em jazidas localizadas em
regiões próximas a áreas de proteção ambiental.

1

Graduando em Engenharia Civil, UNEMAT, Sinop, Brasil,
wdson_dm@hotmail.com
2
Mestre,
Professor,
UNEMAT,
Sinop,
Brasil,
jcbbenatti@gmail.com

O município de Sinop, MT está localizado em uma
região onde se verificam solos de baixa capacidade de
suporte como subleito, conforme é apontado por Roza
e Crispim (2013) e Assis e Benatti (2014), o que leva a
necessidade de melhorar ou substituir o solo, para
posterior utilização em obras de pavimentação. Além
disso, grande parte das jazidas localizadas no
município estão próximas ao rio Teles Pires, em
regiões onde os impactos ambientais associados à
lavra são bastante significativos.
Uma das possíveis alternativas para melhorar a
capacidade de suporte do solo local é o emprego do
Resíduo de Construção Civil (RCC) como material
granular estabilizante. Esta solução, além de minimizar
a necessidade de jazidas de materiais naturais,
contribui para a solução de uma outra demanda do
município: a geração de RCC associada a
indisponibilidade de locais adequados para o seu
descarte.
Segundo a empresa Reúsa Conservação Ambiental
(2014), o local de disposição final de RCC de Sinop é
uma área da Prefeitura, sem licenciamento, que em
2013 recebeu cerca de 146.772 toneladas de resíduos
secos gerados pelo poder público. Além disso, ainda
existem os geradores privados, cujo montante de
resíduos produzidos não está contabilizado. Por não ter
um incentivo público ou pontos de entrega voluntária

juntamente com ganho ambiental. visando seu emprego em camadas de base. classificado pelo método TRB. por exemplo para a produção de agregados. solos provenientes de terraplanagem. e na região centro-oeste.8 % Classificação TRB A–2–4 Fonte: Adaptado de Uieno (2011) Uieno (2011). MT é classificado como latossolo vermelho-amarelo. Analisando a atual situação de Sinop. Os resultados obtidos pelo autor são mostrados na Tabela 1. blocos. fazendo a verificação da viabilidade técnica da utilização de agregados reciclados a partir de RCC. na fração areia. o solo predominante em Sinop. em 2012. A gestão desses materiais devem proporcionar benefícios de ordem social. SP. ainda em pequena escala. Assim.para pequenos geradores.20 kN/m³ e ISC médio de 25%. tubos. em 2006.3 RCC em Sinop.47%. através dos ensaios realizados determinou-se o ??? do solo natural em 23. gerou cerca de 201. placas de revestimento. C e D. A resolução CONAMA (2002). em caráter preferencial. telhas. Alguns dos materiais que se enquadram nesta classe são tijolos. resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos. porém a iniciativa privada já utiliza este procedimento. que classificou um solo característico da região de Sinop através da classificação TRB (Transportation Research Board). Uieno (2011) classificou um solo (parte fina) retirado da jazida de cascalho da Prefeitura Municipal de Sinop como areia siltosa. obtendo um valor médio de 35. o presente estudo visa oferecer uma alternativa para um solo característico do município. reforma. considerando a viabilidade técnica e econômica da produção e uso. com areias quartzosas e plintossolos e uma camada de laterita próximo ao rio Teles Pires (CIDADES. Além dessas diversas irregularidades. foi expedido um decreto dispondo sobre a obrigatoriedade da utilização de RCC como agregado nas camadas dos pavimentos do município.00 t/dia de RCC. concreto. é um material muito empregado em obras de pavimentação. busca-se alternativas para a redução de dois impactos ambientais. ???á? médio de 19. O Brasil. mas são os únicos que possuem registros confiáveis. demolição. 2005).00 t/dia (ABRELPE.8%. com ISC variando de 6% a 20% e obtendo um valor médio de 13%. reparos e demolições de estruturas e estradas. através dos ensaios realizados para o mesmo solo. O autor concluiu que o solo estudado geralmente não pode ser empregado em camadas de base e subbase. 2006). MT Conforme a pedologia. em obras de pavimentação. MT De acordo com Reúsa (2014).058. meios-fios. 2006). O local de depósito desse material é uma área da Prefeitura. Os resultados são mostrados na Tabela 2. em Sinop ainda não existe nenhuma lei municipal para regulamentação do gerenciamento de RCC. e se dividem em A. os RCC podem ser misturados aos solos para obras de pavimentação com o objetivo de melhorar as propriedades do solo local.89 kN/m³. a composição dos RCC pode variar significativamente e está condicionada às características especificas da região geradora.3% a 46. determinou ??? de 11 %. A Prefeitura Municipal realiza apenas a coleta dos resíduos gerados pelo poder público através da Secretaria de Obras. Estes dados não representam o total de geração. reparos de pavimentação e obras de construção civil. 2013). foi constituída através da necessidade de implementação de diretrizes para redução dos impactos ambientais produzidos por materiais da construção civil. por apresentarem bom desempenho e boa capacidade de suporte. econômica e ambiental.2 Resíduos da construção civil Segundo Cunha (2011). e pode ser composta por materiais oriundos de construção. encontrou materiais silto-argilosos que possuem um comportamento de sofrível a mal como material de sub leito (DNIT. argamassa. Características do solo característico de Sinop Características Médias LL 32% IP 6% IG 7 Passando na peneira Nº 200 70% Classificação TRB A–4 Fonte: Adaptado de Simioni (2011) Ainda de acordo com Simioni (2011). A classe A é a única em que pode ser utilizada nas camadas dos pavimentos. que . encontrou resultados de ISC variando de 25. reformas. Característica fração fina material de jazida Características Médias LL NL IP NP IG 0 Passando na peneira Nº 200 29. que é a lavra de material granular em regiões de grande fragilidade ambiental e o descarte irregular dos RCC. No decreto fica especificado que para a contratação das obras e serviços de pavimentação deverá ser previsto em projeto. viabilizando sua utilização e consequentemente reduzindo custos com transporte. Simioni (2011). Tabela 1. Essa camada de laterita que também é conhecida como “cascalho”. existem vários locais de descartes irregulares pela cidade. o emprego dos agregados reciclados (SÃO PAULO. ???á? médio de 14. A resolução estabelece que os geradores devem ser responsáveis pelos resíduos gerados através de construção. sub-base e reforço do subleito dos pavimentos urbanos.40%. Machado (2012).055. Tabela 2. uma vez que até mesmo sua disposição em locais inadequados contribui para a degradação da qualidade ambiental. cerca 16. Na cidade de São Paulo. Em seu Art. De acordo Motta (2005). 2. como de comportamento de excelente a bom como material de sub leito. 2. B.1 Solos de Sinop. como agente estabilizador do solo. 2 Referencial teórico 2. 3º define as classificações onde deverão se enquadrar. também não se tem uma proposta pública para reciclagem de RCC.

entre outros processos. Por se tratar de grandes volumes de material e serviço.não possui licenciamento ambiental. tornando-o capaz de servir a diversos tipos de obra de engenharia e possibilitando sua adequação para diferentes projetos. localizada na Estrada Adalgisa. sub-base. Portanto. na zona rural de Sinop. é constituído através da mistura de materiais granulométricos.5 Estabilização com solo laterítico Segundo Cunha (2011). a seguir: Estabilização Estabilização Físico-Química Mêcanica Compactação Estabilização Granulométrica Figura 1 . 2. De acordo com Lima (1993). Este processo visa também a alteração e melhoria das características do material. Geralmente possui parâmetros capazes de atender às especificações para seu uso nas camadas dos pavimentos. juntamente com a compactação destes. Fonte: DNIT. conseguindo preencher os vazios dos grãos maiores com os médios e dos médios com os miúdos. De acordo com DNIT (2006). mais fica limitado por ser um material natural e que está em processo de escassez e com uma legislação ambiental severa pois sua ocorrência é em áreas de preservação ambiental. aumentando assim sua resistência. é necessário que seja escolhida uma das opções abaixo: a) Readequar e adaptar o projeto de acordo com as características e restrições do solo. 2006. peneiramento. antes de sua aplicação devem ser beneficiados através de britagem. afim de se enquadrarem nas especificações necessárias. Entretanto. O solo estabilizado é um dos materiais mais empregados nesse tipo de obra e suas características influenciam diretamente na qualidade e no custo. o solo na maioria dos tipos de pavimentos é empregado desde a sua fundação (subleito) até a última camada antes do revestimento (base. O processo de estabilização granulométrica. c) Alterar as características do solo tornandoo um material resistente. resistência e peso específico. Não há no município iniciativa para entrega e reciclagem dos geradores privados. e é dependente da energia de compactação e do teor de umidade do solo (CAPUTO. mas sua disponibilidade deve ser muito bem analisada. Os principais métodos para estabilização de solos são apresentados na Figura 1. pois sua exploração gera grandes preocupações ambientais. A estabilização visa a melhoria e estabilidade das propriedades do solo como a resistência. nem sempre é possível o emprego destes materiais em seu estado natural. De acordo com França (2003) e Ferraz (1994). é esperado que seja possível a utilização dos solos locais ou mais próximos possível. 1988). e é possível notar em sua composição a presença de óxido de ferro e alumínio. permeabilidade. de acordo com DNIT (2006). A compactação dos solos é entendida por um processo manual ou mecânico que tem por objetivo a redução do índice de vazios. Atualmente é notada uma perda na qualidade das jazidas ainda ativas.Fluxograma métodos de estabilização. principalmente em obras de pavimentação. quando provenientes de jazidas naturais. sem ganho significativo de resistência (DNIT. pois o transporte por grandes distâncias gera um custo muito elevado. . Devido à necessidade de grandes volumes desses materiais. e solo melhorado quando se busca a melhoria de outras propriedades.4 Estabilização de solos para pavimentação A estabilização de um solo para pavimentação consiste em dotá-lo de condições de resistir às ações climáticas e aos esforços e desgaste induzidos pelo tráfego. De acordo com Pinto (2007). como a permeabilidade. a utilização deste material em obras de pavimentação iniciou na década de 1950. O material possui uma quantidade elevada de grãos retidos na peneira #10 (abertura de 2. e que em conjunto com a compactação gerava capacidade de suporte elevada. sua qualidade é atestada. reforço). aterros e barragens de terra. ou sua modificação é inviável pois dificilmente possuem todas as características necessárias para sua utilização. compressibilidade e absorção d'água.00 mm). a estabilização granulométrica tem o objetivo de corrigir a granulometria dos materiais fazendo uma melhor distribuição dos tamanhos das partículas constituintes. 2003). Definese solo estabilizado o caso onde se adquire ganhos de resistência empregando o uso de aditivos. A estabilização mecânica pode ocorrer de duas formas: através da compactação ou por estabilização granulométrica.772 toneladas de resíduos secos. Pode ser considerada uma operação simples e com muita importância por proporcionar efeitos muito satisfatórios. por ser um material com viabilidade técnica. a construção de obras rodoviárias envolve geralmente a movimentação de muitos solos diferentes. porém esse volume foi gerado apenas pelo poder público. Esses materiais. a estabilização tem a função de transformar um solo através de processos artificiais. 2006). Foi relatado que no ano de 2013 foram depositados 146. deformabilidade. alterando algumas propriedades como o coeficiente de permeabilidade. o que dificulta a contabilização dos volumes de RCC gerados pelo setor e contribui para o grande número de locais de descarte irregular. é preferível que se utilizem os solos locais. com um ISC próximo a 80%. entre outras. e devem apresentar uma granulometria apropriada e índices geotécnicos específicos. b) Fazer a substituição do solo por material de qualidade e resistência superiores às necessárias exigidas em projeto. Nos casos onde não são atendidas as exigências mínimas de projeto. 2. sob as condições mais adversas consideradas no projeto (FRANÇA. houve um aumento no custo do metro cubico. habilitando sua utilização até mesmo em rodovias de tráfego pesado.

6 Estabilização com RCC Segundo Motta (2005). 2015. com o auxílio de pá e enxada. e os classificados como classe “B”. 2007). Sua execução foi acompanhada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. apesar da pouca incidência do material na região de Sinop. no município de Sinop-MT. e obteve alguns resultados do desempenho em campo mais satisfatórios do que esperado. apresentando um desempenho satisfatório. (2009) afirmam que. vidros.maiores distância de transporte entre as jazidas. expansão ≤1. e através de estudos e pesquisas foi possível concluir que se tratava de um material com bom comportamento para aplicação em pavimentos urbanos (BODI et al. i) material para reforço de subleito: CBR ≥12%. 2002 apud LEITE. 1995 apud LEITE. tubulações.5%. A amostra foi coletada cerca de 0. sendo uma prática comum (MOLENAAR e VAN NIEKERK. Fonte: Acervo próprio. papéis. através da aplicações em diversos lugares. o RCC tem demonstrado um bom comportamento nas camadas dos pavimentos.0%. A organização concluiu que os materiais devem ser caracterizados de acordo com cada região. A coleta foi realizada no local ilustrado pela Figura 2 com coordenadas geográficas 11º50’43” S. com o propósito de encontrar materiais alternativos para pavimentação.. materiais orgânicos. Um dos exemplos é a criação da ALT-MAT (Alternative Materials in Road Construction). Fonte: Google Earth. expansão ≤1.60 m abaixo da cota original da pista. iii) material para base: CBR ≥60%. este material é ainda muito utilizado em obras de pavimentação no município. 2. 2007) 3 Materiais e Métodos 3. o primeiro registro de via pavimentada com RCC foi na cidade de São Paulo em 1984. e somente para vias de tráfego com N ≤ 106. forros. entre outros fatores que acabam influenciando o desenvolvimento e emprego de outros materiais. principalmente nas vias de baixo volume de tráfego. foi criado e implementado um programa de reciclagem dos materiais oriundos da construção civil para obras de pavimentação. As etapas estão ilustradas nas Figuras 3 e 4. atualmente existem muitos exemplos no Brasil e no mundo da aplicação de RCC reciclado. “C” e “D” da Resolução CONAMA nº 307. com energia de compactação normal. Segundo ABNT (2004). De acordo com Roza e Crispim (2013).0%. onde foi seca ao ar. c) a porcentagem que passa na peneira nº 40 deve estar entre 10% e 40%. fiações elétricas. com aplicação na sua camada de reforço de subleito. com energia de compactação intermediária. é uma alternativa renovável capaz de substituir os materiais naturais. que foi realizada através da junção de alguns países europeus. 55º33’16” O. pois alguns fatores locais têm grande influência. gesso. 2015. com energia de compactação intermediária. MT e ainda que sua exploração cause grandes impactos ambientais e tenha elevado custo. O reuso de RCC em camadas dos pavimentos é realizado desde a década de 1970 na Holanda. se tornando uma alternativa muito interessante e viável. expansão ≤0. b) o agregado deve se encontrar conforme a NBR 7181. ii) material para sub-base: CBR ≥20%. d) quanto ao tipo de emprego deve seguir os parâmetros do Índice de Suporte Califórnia (ISC): Figura 3: Coleta do solo e ensacamento. Muitos países possuem suas próprias especificações para controle de qualidade na produção e aplicação deste material. as camadas com agregado reciclado devem atender aos seguintes requisitos: a) evitar a presença de madeiras.1 Solo O solo utilizado nesta pesquisa foi coletado do subleito da Estrada Nanci. posteriormente armazenada em sacos plásticos e transportada para o Laboratório de Solos da UNEMAT. Na mesma década. Além disso. pois tem grande disponibilidade através das tecnologias de reciclagem existentes. Figura 2: Local de coleta do solo. Pesquisas acerca da aplicação de agregado reciclado em pavimentação vêm ocorrendo há muitos anos e em muitos lugares. No Brasil. Hortegal et al. . plásticos.

Fonte: Acervo próprio. Figura 5: Local de despejo dos resíduos da empresa. Fonte: Silva. e moído no britador da mesma empresa. Figura 4: Secagem ao ar do solo. 3. Fonte: Acervo próprio. 2015. Figura 10: Ensaio de limite de liquidez. . 2015. análise granulométrica (ABNT. Fonte: Acervo próprio. Por problemas com o britador optou-se por utilizar somente restos de concretos e argamassas. 6 e 7. e 50% RCC e 50% Solo) procedeu através dos ensaios dos limites de Atterberg (ABNT 1994 a e b). Fonte: Silva. 2015. 2015. Figura 7: Secagem ao ar do RCC.3 Caracterização geotécnica A caracterização do Solo puro. Após a coleta e armazenamento em sacos plásticos o material foi transportado para o Laboratório de Solos da UNEMAT. 1984c) e classificação através da TRB (Transportation Research Board). do RCC puro e das misturas (25% RCC e 75% Solo. Fonte: Acervo próprio.2 RCC O RCC utilizado é proveniente de obras de construção civil de uma empresa particular no município de SinopMT. Figura 9: Ensaio de limite de plasticidade. Figura 6: Britador. 2015.3. Fonte: Acervo próprio. 2015. 2015. 9 e 10. Conforme ilustrado nas figuras 8. Os processos podem ser observados nas Figuras 5. onde foi seco ao ar. Figura 8: Preparação de amostra para ensaio de granulometria.

Figura 15: Ensaio de ISC.10 m de diâmetro. Fonte: Acervo próprio.12 m de altura. 0. Fonte: Acervo próprio. Fonte: Acervo próprio. (ABNT 1986). Os ensaios foram realizados conforme as Figuras 12 e 13. Fonte: Acervo próprio. Figura 16: Corpos de prova após rompimento. Visando a padronização os procedimentos foram realizados utilizando somente o cilindro pequeno para compactação com dimensões de 0. . Foram moldados e rompidos dois corpos de prova para cada material. 2015. a curva do solo puro na Energia Intermediaria foi adaptada de Roza e Crispim (2013). um na energia Normal e outro na Intermediaria. que está ilustrado na Figura 11.4 Estabilização mecânica e granulométrica com RCC 3. Fonte: Acervo próprio. Figura 11: Cilindro pequeno. Fonte: Acervo próprio. no ponto de umidade ótima e peso específico seco máximo. 15 e 16. corpos de prova em processo de escoamento de agua (b). e 50% RCC e 50% Solo além da análise do solo e do RCC puros. Figura 12: Homogeneização das misturas. Figura 14: Corpos de prova submersos com extensometrôs (a).5 Índice de Suporte Califórnia (ISC) e Expansão O comportamento dos materiais foram analisados em duas energias diferentes: energia normal e intermediária. Os ensaios foram realizados de acordo com a ABNT (1987). e em duas porcentagens de mistura: 25% RCC e 75% Solo. conforme demonstram as Figuras 14. As amostras foram homogeneizadas e submetidas ao ensaio de compactação. Seguindo os parâmetros da ABNT (1986).3. 2015. Figura 13: Corpos de prova compactados. 2015. 2015. 2015. pontos encontrados através das curvas de compactação. 2015.

8 16.00 27. indicando que a estabilização granulométrica do solo com RCC é tecnicamente eficiente. pois todas as porcentagens passando na peneira de número 40 estão acima do limite de 40%. o comportamento é semelhante.4 17. Figura 19: Curvas de compactação – Energia Intermediaria. Fonte: Acervo próprio.4 17. e uma tendência a aumento do peso específico seco máximo. Fonte: Acervo próprio. Verifica-se também que para as duas misturas o comportamento é melhor que para os materiais puros. Tabela 3. o material torna-se mais graduado e com uma melhor distribuição granulométrica. Fonte: Acervo próprio.4 16. a classificação do solo se mantém inalterada. Analisando as curvas granulométricas (Figura 17). e os resultados nas Tabelas 4 e 5. Resumo das curvas de compactação – Energia Intermediaria.00 Nota: Teor de umidade ótimo (??? ).3 17. apesar do valor maior ter sido observado para o solo com adição de 25. ??? ?? ??? (%) (??/?3 ) Solo puro 21. Peso específico seco máximo (?? ??? ).1 15. 2015. a adição de RCC leva a uma diminuição do teor de umidade ótimo. NP: Não plástico.2 15. favorecendo seu uso. sendo a condição ideal (máximo peso . 2015. Isso parece estar relacionado à estrutura porosa do material. Para a energia intermediária. ??? ?? ??? (%) (??/?3 ) Solo puro 23.1 Caracterização geotécnica Os resultados dos limites de Atterberg e da classificação pelo TRB estão apresentados na Tabela 3.6 NP A-4 50% RCC 50% Solo 23.3 15.2 Estabilização mecânica e granulométrica com RCC As curvas obtidas no ensaio de compactação nas energias Normal e Intermediaria. Material Figura 18: Curvas de compactação – Energia Normal. Peso específico seco máximo (?? ??? ).4 Apresentação e Análise dos Resultados 4.2 NP A–4 RCC puro NL NP A–2–4 Nota: RCC: Resíduo de construção civil.21 50% RCC 50% Solo 13. Tabela 4. 2015. Resumo dos limites de Atterberg e classificação pelo TRB LL LP Classificação (%) (%) TRB Solo puro 34.69 25% RCC 75% Solo 15. Porém nenhuma das misturas atendem a alínea c da ABNT (2004).70 25% RCC 75% Solo 15. Observa-se também que o RCC puro apresenta um valor de teor de umidade ótimo relativamente elevado. para a energia normal.65 RCC puro 18. Material Figura 17: Curvas granulométricas. Fonte: Acervo próprio. estão apresentadas nas Figuras 18 e 19. As curvas granulométricas dos materiais estão apresentadas na Figura 17.67 RCC puro 18. Fonte: Acervo próprio. 4. 2015. Tabela 5. Resumo das curvas de compactação – Energia Normal.00 A–4 25% RCC 75% Solo 23. respectivamente. Fonte: Acervo próprio. A classificação do solo e das misturas mostram que a adição de RCC faz com que o solo deixe de ter comportamento plástico. Material A análise das curvas de compactação mostram que. 2015.65 50% RCC 50% Solo 12. nota-se que conforme houve o aumento na porcentagem de RCC. 2015. Entretanto. que absorve água. mesmo para uma taxa de adição de 50 % de RCC. NL: Não liquido.0% de RCC.69 Nota: Teor de umidade ótimo (??? ).

apoio e compreensão. Rio de Janeiro. Tonel. o ISC cresce até certo ponto e posteriormente decresce.0%. Fonte: Acervo próprio. de Oliveira e minha avó Maria R. Douglas Garcia. 4 Conclusões Este trabalho analisou a viabilidade técnica da utilização de RCC na fração areia. conhecimento e crescimento. Normal Intermediaria (%) (%) Solo puro 12. Em nenhuma das amostras houve expansão. para a energia normal. que é de baixa capacidade de suporte. Resumo dos valores de ISC nas Energias Normal e Intermediaria. A aplicação deste material nas duas proporções e nas duas energias.8 Fonte: Acervo próprio. retirado de uma via que está em processo de pavimentação no município Sinop.0 73. Agradecimentos Figura 20: Gráfico dos resultados do ISC relacionados a adição de RCC. Os dados do ensaio de ISC e expansão mostraram que a adição de 50% de RCC na Energia Intermediaria possibilitou a utilização como camada de base.2 25% RCC 75% Solo 21. como material para estabilização de um solo característico da região.0 34. Locatelli. em especial ao professor Julio César Beltrame Benatti pela orientação. . Renato Guastaldi. de O. Para a energia intermediária verifica-se que o máximo valor de capacidade de suporte ocorre para a adição de 50. 1984b.Determinação do limite de plasticidade. Para taxas maiores de RCC.4. Rosa. 2015. em especial aos que me acompanharam nessa longa jornada de graduação. que levou o solo. e as quais não tenho palavras para expressar o amor e a gratidão que sinto.9 42.específico aparente seco) àquela observada para a mistura com 50. e ao responsável do laboratório de solos Ataíde Delmondes. 2015. À família Salton juntamente com a empresa Predicon Engenharia. À Universidade do Estado de Mato Grosso e todos os professores que puderam contribuir com a minha formação. de Oliveira que nunca hesitaram em deixar qualquer coisa de lado por mim. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Alves. Jean Carlos.0%.Determinação do limite de liquidez. Jorge J. obtendo um ISC de 73%. Danielle Paludo. de alguma forma puderam contribuir para a conclusão de mais uma etapa da minha vida.0% de RCC. e também ao professor Flavio Alessandro Crispim por contribuir inúmeras vezes. Kaléu H. se observa que uma taxa de adição de 25. E a todos que. Renata Novaes. Leonardo Dias.8 RCC puro 23. Celia M. caso sua granulometria seja corrigida sem uma redução na capacidade de suporte. de O. C. juntamente com Luizé C. a adição de RCC aumenta a capacidade de suporte do solo. há uma estabilização no valor da capacidade de suporte. e atendendo às especificações de ISC e Expansão para utilização em base para trafego até N ≤ 106. verifica-se que. podendo se comparar a materiais com comportamento de excelente a bom para camadas de pavimentos.0 % já seria suficiente para estabilizar o solo. Jorge A. demonstrou boa capacidade de suporte. porém sua granulometria não se enquadrou na especificação da norma pois necessitaria de uma porcentagem menor que 40% passando na peneira de nº 40. Demonstrou-se também que conforme se adiciona RCC. que pode ser visualizado na Figura 20. E todos os outros casos o material pode ser utilizados até como sub-base pelo quesito ISC e Expansão. paciência. O resumo dos valores se encontra na Tabela 6. o que demonstrou de maneira positiva a aplicação do RCC nas camadas dos pavimentos urbanos. que Gostaria primeiramente de agradecer a Deus pela oportunidade de realizar esse grande sonho e por todas as outras vitórias que tem me concedido e a ele seja dada toda honra e toda gloria.3 Índice de suporte Califórnia (ISC) e Expansão A partir dos resultados dos ensaios de ISC foi possível montar um gráfico relacionando o resultado do ISC com a porcentagem de adição do RCC. 1984a. Tonel. Keity M. O melhor resultado obtido foi na mistura de 50% RCC e 50% Solo na energia Intermediaria. M. Rio de Janeiro. capacitando a serem utilizadas em camadas de sub-base. 4. até uma taxa de aproximadamente 50. onde se verificou essa taxa de adição como aquela que apresentou máximo valor de peso específico seco máximo. porém mesmo com 100% de RCC ainda possui um valor maior que o do solo puro. Aos meus grandes e verdadeiros amigos. Assim. Vieira. é classificado através da TRB como A. Victor Rissotti e Vinicios Brighenti. a um valor de ISC próximo de 74%. todos as outras amostras obtiveram um valor de ISC acima de 20%. NBR 6459: Solo . À toda minha família que sempre esteve ao meu lado em todas as ocasiões. Italo Sartorelo. em especial a minha mãe Edeni S. que permitiram a realização de parte dos ensaios em seu laboratório. Tabela 6.7 50% RCC 50% Solo 24. __NBR 7180: Solo . sempre dando muita força e apoio. estando coerente com o resultado das curvas de compactação. Gustavo Nunes. Material Pela análise da Figura 20 e da Tabela 6. quanto à capacidade de suporte.

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