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Mito do nascimento

Conta-nos Hesíodo, em seu poema "Teogonia", que Urano estava


banindo seus filhos para o Tártaro, e Gaia, sua esposa, incitou seu filho
mais poderoso, Cronos, a enfrentar o pai e tomar o seu poder.
Cronos destronou seu pai, Urano, e na luta cortou seus genitais com
uma pequena foice.

"Quanto aos genitais, tão logo ele os cortou com seu adamantino
instrumento e os atirou da terra ao mar oscilante, eles foram carregados
nas ondas por um longo tempo. Em torno deles uma espuma branca
surgiu da carne imortal, e nela uma garota se formou. Primeiramente,
ela se aproximou de Cítera, então de lá ela veio à Chipre envolta pela
água. E da espuma saiu uma deusa modesta e bela, e a grama
começou a brotar por baixo do seu delgado pé. Deuses e homens
chamam-na Afrodite,

A vida era nova e frágil quando Afrodite chegou com o suspiro da


renovação. Nascidas de ventos gentis no mar oriental, ela chegou na
ilha de Chipre. Tão graciosa e sedutora era a deusa que as Estações
correram para recebê-la, implorando para que ficasse para sempre.
Afrodite sorriu. Sua estada seria interminável, seu trabalho nunca
completo. Ela atravessou a praia cristalina e caminhou por sobre as
montanhas e vales, procurando por todas as criaturas viventes.
Magicamente as tocou com desejo e as mandou embora em alegres
pares. Ela abençoou o útero das mulheres, guardando-os enquanto
cresciam, e aliviou as dores do parto. Em todos os lugares ela espalhou
a promessa escondida da vida. Todos os dias beijava a terra com o
orvalho da manhã.
As andanças da deusa a levaram para longe, mas todo inverno ela
retornava à Chipre com suas pombas para seu banho sagrado em
Paphos. Lá era atendida por suas Graças: Florescência, Crescimento,
Beleza, Alegria e Resplendor. Elas a coroavam com mirto e espalhavam
pétalas de rosas a seus pés. Afrodite caminhava para o mar, para os
ritmos lunares da maré. Quando emergia, com seu espírito renovado, a
primavera florescia plenamente, e todos os seres sentiam sua alegria.
Através de estações, anos, eras, os mistérios de Afrodite permaneciam
invioláveis, pois apenas ela entendia o amor que gera a vida.