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A Shari‘ah é a lei divina do islamismo, e a interpretação da lei é o figh ou

jurisprudência. Maomé não fez distinção entre a lei religiosa e a secular. Em cada país
muçulmano a aplicação da Shari‘ah depende do grau de secularização do próprio
Estado. A Shari‘ah é aplicada a todos os setores da vida, inclusive às relações de
família, ao direito de sucessão, aos impostos (zakat de 2,5 % para os pobres), às
abluções, às orações, etc. Os fuqaha regulamentam todas as atividades humanas
segundo uma escala que vai de “prescrito” a “proibido”, passando por graus
intermediários. As quatro fontes aceitas pelos especialistas da lei são o Corão, a Sunnah
(a Tradição do Profeta), o Ijmã (Consenso) e a analogia (qiyas). A jurisprudência xiita é
peculiar por insistir na s tradições dos imãs e por ter concepção própria do consenso e
do raciocínio independente.
Há quatro escolas clássicas no direito islâmico: hanafita, maliquita, xafiita e
hambalita. Cada uma delas tenta resolver o seguinte dilema: em que medida o jurista
está autorizado a recorrer ao “julgamento independente” se o caso a ser resolvido não
apresenta nenhum precedente na vida do próprio Maomé? Abu Hanifah, mercador de
Kufa, produziu uma síntese legal que prevaleceria no Iraque. Malik ib Anãs (jurista de
Medina) baseava seus julgamentos na reconstituição minuciosa das práticas da
comunidade do próprio Profeta, dando prioridade à harmonia coletiva resultante do
respeito às obrigações pessoais. Sua escola, rigorosa a ponto de ser literalista, dominou
a África do Norte e a Espanha. A tradição legal de Muhammad ibn Idris al Shafi‘i
baseia-se no Corão e numa seleção de hadiths, admitindo certo papel ao raciocínio
analógico e principalmente à opinião coletiva, em razão do hadith que afirma que a
comunidade de Maomé nunca sancionaria um erro. Quanto a Ahmad ibn Hanbal, sua
opinião era de que a palavra do Profeta é mais importante que o raciocínio dos
juristas.