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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

ESCOLA DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA E DE PETRÓLEO
CURSO DE ENGENHARIA DE PETRÓLEO

CAMILA BUENO DE CASTRO

ANÁLISE DA PRODUÇÃO POR FRATURAMENTO HIDRÁULICO EM


RESERVATÓRIOS NÃO CONVENCIONAIS DO TIPO TIGHT GAS

Niterói, RJ
2016
CAMILA BUENO DE CASTRO

ANÁLISE DA PRODUÇÃO POR FRATURAMENTO HIDRÁULICO EM


RESERVATÓRIOS NÃO CONVENCIONAIS DO TIPO TIGHT GAS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Engenharia de Petróleo
da Universidade Federal Fluminense, como
requisito parcial para a obtenção do grau de
Bacharel em Engenharia de Petróleo.

Orientadora:
Prof.ª. Juliana Souza Baioco, D.Sc. - TEQ/UFF

Niterói, RJ
2016
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3
4
DEDICATÓRIA

À minha mãe Lázara e querida irmã


Sarah, que sempre mostraram que as
oportunidades somos nós quem criamos. Ao meu
pai João Batista, por acreditar no meu esforço e,
também, aos grandes amigos que foram os pilares
para meu crescimento na universidade.

5
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, a Deus e ao Divino Pai Eterno pelas bênçãos em minha vida.

À minha mãe Lázara Bueno, pelo apoio em todas as atividades e decisões que já
tomei, principalmente em relação à universidade. À minha irmã Sarah Bueno, por me
visitar em Niterói em várias ocasiões e sempre me lembrar que desistir não é uma
opção, dada todas as conquistas que conseguimos até hoje.

Agradeço à minha professora orientadora Juliana Souza Baioco pela dedicação e


atenção que teve, pela ajuda em construir esse trabalho e, principalmente, pela
paciência. Agradeço à oportunidade de ter acesso a um software de simulação e poder
trabalhar com ele. Uma professora que tem feito a diferença na vida acadêmica dos
alunos do Curso de Engenharia de Petróleo, desde seu ingresso na UFF – Universidade
Federal Fluminense.

Agradeço também ao Filipe Nathan e ao professor João Felipe Mitre pela grande ajuda
e paciência com minhas dúvidas durante as simulações. Sem eles, esse trabalho não
teria seu objetivo alcançado.

Aos grupos PetroPET e Capítulo Estudantil SPE da UFF, pela oportunidade de


participar de congressos, exposições e fazer parte da criação da PetroUFF - Semana
Fluminense de Petróleo. Agradecimento especial também aos professores do curso,
pela diligência no ensino e por contribuírem significativamente para a qualidade do
Curso de Engenharia de Petróleo.

E por fim, agradeço aos colegas e grandes amigos que compartilharam comigo a
experiência de cursar uma universidade e que contribuíram para a minha formação
tanto acadêmica quanto pessoal.

6
“Nossa maior fraqueza é a desistência. O
caminho mais certeiro para o sucesso é sempre
tentar apenas uma vez mais.”

(Thomas Edison)

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RESUMO

O presente trabalho visa analisar a simulação do fluxo de gás em reservatórios não


convencionais (RNC’s) de tight gas, com aplicação do fraturamento hidráulico como
método de estimulação. Primeiramente, são expostas as características dos RNC’s e o
seu desenvolvimento no mundo. Logo após, são apresentadas definições dos métodos
de estimulação para esse tipo de reservatório e os modelos de fluido. Para o estudo da
recuperação do reservatório, são realizadas simulações no módulo IMEX do programa
da CMG (Computer Modelling Group), com diferentes espaçamentos de fraturas em
poços horizontais. A importância desse trabalho, então, está na apresentação das
vantagens e possibilidades do fraturamento hidráulico em reservatórios não
convencionais como opção futura para a matriz energética brasileira.

Palavras-chave: fraturamento hidráulico; reservatórios não convencionais; tight gas.

8
ABSTRACT

This paper aims to analyze the simulation of gas flow in unconventional reservoirs of
tight gas, applying hydraulic fracturing as the stimulation method. In the beginning,
the characteristics of unconventional reservoirs and its development around the world
are discussed. Afterwards, it is presented definitions of stimulation methods for this
type of reservoir and fluid models. For the study of the reservoir recovery, simulations
are performed at IMEX module of CMG program (Computer Modelling Group), with
different fracture spaces in horizontal well. The importance of this work, then, is in the
presentation of the advantages and possibilities of hydraulic fracturing in
unconventional reservoirs as a future option for the brazilian energy matrix.

Keywords: hydraulic fracturing; unconventional reservoirs; tight gas.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 15

1.1 Motivação e Objetivo ...................................................................................... 16

1.2 Organização do Trabalho ................................................................................ 16

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................... 17

2.1 Reservatórios Não Convencionais .................................................................. 17

2.1.1 Classificação dos reservatórios não convencionais de gás natural ............ 20

2.1.2 Desenvolvimento de RNC’s no Mundo ..................................................... 24

2.2 Fraturamento Hidráulico ................................................................................. 31

2.2.1 Breve Histórico do Fraturamento Hidráulico ............................................ 32

2.2.2 Objetivo do Fraturamento .......................................................................... 34

2.2.3 Operações de Fraturamento ....................................................................... 34

2.2.4 Mecânica do Fraturamento ........................................................................ 38

2.2.5 Pressões no Fraturamento .......................................................................... 39

2.2.6 Produtividade ............................................................................................. 40

2.2.7 Geometria de Fratura ................................................................................. 42

2.3 Simulação Numérica ....................................................................................... 44

2.3.1 Modelo de fluido Black-Oil ....................................................................... 45

2.3.2 Modelo de fluido Composicional .............................................................. 45

2.3.3 Modelo Numérico ...................................................................................... 46

3 METODOLOGIA .................................................................................................. 50

3.1 Ferramentas Computacionais .......................................................................... 50

3.2 Trabalhos de referência ................................................................................... 51

3.3 Modelagem ..................................................................................................... 55

3.3.1 Modelo da Malha ....................................................................................... 55

3.3.2 Propriedades da Rocha Reservatório ......................................................... 56


10
3.3.3 Modelo de Fluido ....................................................................................... 56

3.3.4 Poço Produtor ............................................................................................ 58

3.3.5 Modelagem da Fratura ............................................................................... 59

3.3.6 Modelos com diferentes estágios de fraturas ............................................. 60

4 DISCUSSÃO DE RESULTADOS ........................................................................ 62

5 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 65

5.1 Considerações finais ....................................................................................... 65

5.2 Recomendações para trabalhos futuros ........................................................... 66

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 67

APÊNDICE A ............................................................................................................... 73

11
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Produção de gás natural nos EUA em trilhões de pés cúbicos ............................... 18

Figura 2 - Pirâmide de recursos convencionais e não convencionais....................................... 19

Figura 3 - Desenho de um reservatório naturalmente fraturado e sua idealização ................... 19

Figura 4 – Maiores reservas de coalbed methane nos EUA (em vermelho). ........................... 20

Figura 5 - Estrutura molecular e amostra de queima do Methane Hydrate .............................. 21

Figura 6 - Hidrato formado em tubulação da Petrobras ........................................................... 21

Figura 7 - Regiões de ocorrência de hidratos no Brasil ............................................................ 22

Figura 8 - Microfotografia de arenito: (a) convencional e (b) não convencional..................... 23

Figura 9 - Localização dos Plays de Shale Gas nos EUA ........................................................ 26

Figura 10 - Produção de shale gas por play nos EUA. ............................................................ 27

Figura 11 - Principais play de tight gas nos EUA .................................................................... 27

Figura 12- Produção de gás natural nos EUA por bilhão de pés cúbicos por dia (2000-2015).
.................................................................................................................................................. 28

Figura 13 - Bacias de shale em potencial no Brasil. ................................................................ 29

Figura 14 – Infraestrutura de Gás nos EUA. ............................................................................ 30

Figura 15 - Infraestrutura de Gás Natural no Brasil ................................................................. 31

Figura 16 - Primeiro fraturamento experimental no campo de Huguton, EUA em 1947. ....... 33

Figura 17 - Produção anual de shale gas de Barnett por tipo de poço. .................................... 33

Figura 18 - Operação de Fraturamento Hidráulico em formação de Shale. ............................. 35

Figura 19 - Operação de Fraturamento com a técnica de sliding sleeves................................. 36

Figura 20 - Relação da perfuração e completação para o custo médio de um poço. ................ 37

Figura 21 – Exemplo de um campo desenvolvido com pads. .................................................. 37

Figura 22 - Superpad com 16 poços. ........................................................................................ 38

Figura 23 - Estado de tensões na fratura................................................................................... 39

12
Figura 24 - Diagrama de pressões de uma operação de fraturamento hidráulico..................... 40

Figura 25 – Vista superficial de asa de fratura ......................................................................... 41

Figura 26 - Análise da condutividade do propante pela tensão efetiva para diferentes tipos de
propantes................................................................................................................................... 42

Figura 27 – Exemplos de geometria de fratura......................................................................... 43

Figura 28 - Exemplos de fratura principal e rede de fratura. .................................................... 43

Figura 29 - Possíveis cenários de propagação de uma fratura induzida com uma fratura
natural. ...................................................................................................................................... 44

Figura 30 - Malha ou grid utilizado na simulação numérica de reservatórios. ........................ 46

Figura 31 - Modelos unidimensionais: (a) 1D horizontal, (b) 1D vertical, (c) 1D radial......... 47

Figura 32 - Modelos bidimensionais: (a) 2D horizontal, (b) 2D vertical. ................................ 47

Figura 33 - Modelos tridimensionais: (a) malha cartesiana, (b) coordenadas cilíndricas. ....... 48

Figura 34 - (a) malha refinada, (b) malha com refinamento local de bloco. ............................ 49

Figura 35 - Fluxograma das etapas de realização do estudo .................................................... 50

Figura 36 - Comparação de FR para modelos de fraturas em poços verticais ......................... 53

Figura 37 - Comparação de FR para modelos de fraturas verticais ao longo de poços


horizontais. ............................................................................................................................... 54

Figura 38 - Imagem 3D do grid ................................................................................................ 55

Figura 39 - Curva de permeabilidade relativa óleo/água .......................................................... 56

Figura 40 - Curva de permeabilidade relativa gás/líquido ....................................................... 57

Figura 41 - Fator de expansão do gás vs pressão ...................................................................... 57

Figura 42 - Gráfico viscosidade vs pressão .............................................................................. 58

Figura 43 - Vista frontal do poço produtor (plano 2D IxK, camada J33) ................................ 58

Figura 44 - Vista lateral do poço produtor (Plano 2D JxK, camada I5). .................................. 59

Figura 45 – Vista superficial da fratura no poço horizontal em vermelho na camada k3: (a)
fratura em preto e matriz em verde, (b) refinamento da fratura. .............................................. 60

13
Figura 46 - Espaçamento entre fraturas de 50 ft ....................................................................... 60

Figura 47 - Espaçamento entre fraturas de 100 ft ..................................................................... 61

Figura 48 - Espaçamento entre fraturas de 200 ft. .................................................................... 61

Figura 49 - Fator de recuperação do gás (%) para os modelos de diferentes estágios de fratura.
.................................................................................................................................................. 62

Figura 50 - Imagem de gás por unidade de área total para o modelo de 9 estágios de fraturas
(espaçamento 200 ft). ............................................................................................................... 64

14
1 INTRODUÇÃO

O cenário energético mundial tem sofrido com mudanças nas últimas décadas. A
variabilidade e disponibilidade de recursos energéticos têm aumentado significantemente,
apesar da queda na demanda energética mundial no último ano. Conforme a BP Statistical
Review of Wolrd Energy 2016, o consumo de energia primária cresceu apenas 1,0% em 2015,
um crescimento baixo em relação aos anos anteriores. Apesar disso, o fornecimento de
energia tem sido impulsionado pelos avanços tecnológicos na área.

O aperfeiçoamento das atividades de Exploração e Produção (E&P) de óleo e gás se


justifica no propósito de se encontrar soluções para o declínio dos Recursos Convencionais
(RC’s) de petróleo. Nesse sentido, a saída é desenvolver novos métodos e estudar novas
possibilidades para o desenvolvimento desses, além do desenvolvimento dos Recursos Não
Convencionais (RNC’s), caracterizados principalmente pela baixa permeabilidade e
porosidade.

Cada vez mais os RNC’s vêm ganhando espaço na matriz energética de alguns países,
como nos Estados Unidos da América (EUA). O país tem passado pela Revolução do Shale,
onde a exploração desse tipo de reservatório tem contribuído significativamente para a
segurança energética norte-americana. O shale gas foi o maior responsável para o aumento da
oferta de gás natural, reduzindo o preço do mesmo no país. No entanto, a produção de outros
RNC’s, como tight gas e coalbed methane, também tem influenciado significativamente na
produção de gás.

E apesar desse tipo de recurso não ser muito rentável, devido à grande complexidade
técnica envolvida no seu desenvolvimento, a indústria encontrou uma boa solução na
combinação da perfuração horizontal com o fraturamento hidráulico, o que tem
proporcionado maior acesso a grandes volumes de óleo e gás (EIA, 2016a).

Com o tempo, a tendência é que os países produtores e com potenciais de reservas não
convencionais passem a produzi-los. No Brasil, já foram mapeadas reservas significativas
desse tipo, que trazem uma boa expectativa em relação ao desenvolvimento do mercado de
gás natural no país. Levando-se em consideração estimativas da ANP para esses volumes de
gás não convencional, e um fator de recuperação (FR) de 70%, o volume explotado poderia
chegar a 10,1 trilhões de pés cúbicos aproximadamente, deixando o país abaixo apenas de
países como a Rússia, Irã, Qatar, Turcomenistão e EUA (BESSA Jr., 2014).

15
Apesar das grandes perspectivas, o país precisa ainda enfrentar muitos desafios. O
desenvolvimento dos RNC’s nos países com potenciais de reservas dependerá,
principalmente, de como serão gerenciadas as questões ambientais e energéticas, assim como
serão criadas as políticas de incentivo e a coordenação da infraestrutura necessária (LAGE et
al., 2013).

1.1 MOTIVAÇÃO E OBJETIVO

Dado os resultados da produção dos RNC’s no mundo, é importante que sejam


realizados estudos sobre os métodos de estimulação para esse tipo de reservatório,
principalmente quando esse recurso representa uma opção futura para a matriz energética do
Brasil.

O objetivo desse trabalho, assim, está na realização de um estudo de estimulação de


poços para reservatórios do tipo tight gas, a fim de se analisar a produção devido a diferentes
estágios de fraturas na formação, produzidas por meio do fraturamento hidráulico. Para isso,
será utilizado como ferramenta o módulo IMEX do programa de simulação da CMG.

1.2 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

O presente trabalho está dividido em 5 capítulos. O Capítulo 1 consiste na


INTRODUÇÃO do tema abordado, além da motivação, objetivos e estrutura aqui
apresentada.

O Capítulo 2 consiste em uma REVISÃO BIBLIOGRÁFICA, onde são expostas as


características dos RNC’s e o seu desenvolvimento no mundo. Além disso, também são
apresentadas as definições das técnicas do fraturamento hidráulico, e uma breve introdução à
simulação de reservatórios.

Já o Capítulo 3 refere-se à METODOLOGIA. São apresentados alguns estudos que


serviram como base para o trabalho, assim como o modelo criado para a recuperação de tight
gas.

No Capítulo 4, DISCUSSÃO, são expostos os resultados das simulações no CMG-


IMEX, com modelos de fraturas em diferentes estágios.

O Capítulo 5 consiste na CONCLUSÃO do trabalho, além de recomendações para


futuros trabalhos.

16
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 RESERVATÓRIOS NÃO CONVENCIONAIS

O reservatório consiste em uma rocha que contém hidrocarbonetos armazenados em


seus espaços vazios (característica de porosidade) que, por estarem interconectados, lhe
confere um atributo de permeabilidade. Assim, as rochas-reservatórios podem ser
caracterizadas em arenitos e calcarenitos, além das rochas sedimentares que possuírem
porosidade intergranular e sejam permeáveis (THOMAS, 2004).

As rochas reservatórios podem ser diferenciadas entre rochas reservatórios


convencionais e não convencionais. Os reservatórios convencionais produzem gás a partir de
rochas porosas e permeáveis, tais como arenitos e carbonatos, e pode-se dizer que a produção
desses é prática e economicamente viável. Já os reservatórios não convencionais, são
formados de rochas tradicionalmente consideradas incapazes de produzir volumes comerciais
de hidrocarbonetos, devido sua baixa porosidade e permeabilidade. Assim, não produzem de
forma comercialmente viável sem o uso de métodos de estimulação ou recuperação.

Segundo JACOMO (2014), o termo “convencionalidade”, que caracteriza esses


diferentes tipos de recursos, também está associado ao aspecto econômico, como: o custo para
o desenvolvimento do campo e as tecnologias necessárias para a exploração. Portanto, é
interessante pontuar a possibilidade dos recursos considerados não convencionais hoje
tornarem-se importantes fontes para a matriz energética de alguns países, a ponto de serem
reconhecidos como recursos convencionais no âmbito econômico e exploratório, futuramente.

Diante disso, é possível dizer que, para os EUA, esse é um recurso já considerado
convencional. O país tem apresentado um crescimento contínuo na produção total de gás
natural, sendo que esse aumento poderá alcançar 55% da produção (taxa anual de 1,8%)
tomando por base os anos de 2015 e 2040, segundo o Annual Energy Outlook 2015
(AEO2016). Este explica que tal resultado ocorre principalmente devido ao desenvolvimento
do shale gas. É possível visualizar melhor o impacto desse recurso na matriz energética
americana na Figura 1.

Os RNC’s, então, podem ser classificados em reservatórios de baixa porosidade e


permeabilidade. Dependendo da variação desses parâmetros, os reservatórios podem ser
diferenciados em diferentes tipos: tight sands, shale gas ou shale oil, gas hydrate deposits e

17
coalbed methane. Na Figura 1 é possível ver a contribuição para a produção e gás natural nos
EUA de cada tipo de reservatório não convencional.

Figura 1 – Produção de gás natural nos EUA em trilhões de pés cúbicos.


FONTE: Adaptado de Annual Energy Outlook (2016).
A permeabilidade representa uma medida da condutividade de fluidos através de um
material poroso, cuja unidade de medida é o Darcy (D). Este depende da forma e quantidade
dos espaços vazios, denominados porosidade, além das suas interligações. A porosidade, por
sua vez, mede a capacidade de armazenamento de fluidos. É definida como sendo a relação
entre o volume de vazios de uma rocha e o volume total da mesma (ROSA et.al., 2006).

A Figura 2 apresenta melhor a diferença entre cada tipo de RNC em função da


permeabilidade que os caracterizam.

Quanto mais próximo à base da pirâmide, maiores são os volumes de tais recursos
encontrados no mundo. Também, maior é o custo para desenvolvimento e produção, além das
tecnologias necessárias devido à maior complexidade e menor permeabilidade apresentados, o
que resulta na necessidade de maior investimento.

18
Figura 2 - Pirâmide de recursos convencionais e não convencionais.
FONTE: Adaptado de Holditch (2006).
Os reservatórios não convencionais também podem possuir fraturas naturais, ou seja,
canais de alta condutividade que conduzem o fluxo de hidrocarbonetos. A Figura 3 apresenta
um exemplo dessas fraturas naturais na formação.

Figura 3 - Desenho de um reservatório naturalmente fraturado e sua idealização.


FONTE: Adaptado de Rosa et al. (2006).

19
2.1.1 Classificação dos reservatórios não convencionais de gás natural

2.1.1.1 Coalbed Methane

Coalbed methane é o termo aplicado ao carvão formado em condições similares ao


petróleo. O carvão possui uma grande área superficial internamente onde consegue armazenar
grandes quantidades de gás rico em metano (cerca de seis a sete vezes mais que um
reservatório de gás convencional de igual volume pode suportar). Ademais, a maior parte
desse recurso encontra-se em profundidades reduzidas, o que facilita a perfuração de poços
(NUCCIO, 2000).

O gás natural nos reservatórios convencionais é estocado sob pressão nos espaços
porosos da rocha. Mas nos reservatórios de coalbed methane, o armazenamento do gás ocorre
pelo fenômeno de adsorção (MACHADO, 2009). Por isso o volume armazenado de gás é
maior do que o normalmente encontrado em reservatórios convencionais.

O processo de extração desse gás se dá através da variação da pressão. Ao diminuir a


pressão, ocorre dessorção das moléculas da superfície sólida, que migram pelos microporos
da matriz de carvão através de difusão. Esse processo é lento, por isso fraturas naturais são
essenciais para a produção desse gás (LOFTIN, 2009).

Figura 4 – Maiores reservas de coalbed methane nos EUA (em vermelho).


FONTE: Adaptado de Nuccio (2000).
A produção de coalbed methane nos EUA e no Canadá já provou ser economicamente
viável, assim como já existem testes experimentais em países como Alemanha, Bélgica e
China (MACHADO, 2009). Os maiores campos de produção de carvão nos EUA estão
apresentados na Figura 4, sendo que Wasatch Plateau e Powder River produzem coalbed
methane e são estudadas pela U.S. Geological Survey.

20
2.1.1.2 Gas Hydrates

Esse gás provém de hidratos, que são formados por moléculas de água que se
solidificam em condições de alta pressão e baixa temperatura, formando uma estrutura que
possibilita conter moléculas de metano, como se pode ver na Figura 5.

Figura 5 - Estrutura molecular e amostra de queima do methane hydrate.


FONTE: Geology (2014).
Segundo Carestiato (2014), os hidratos são uma ótima fonte de gás dada a abundância
de reservas em todo o mundo, além do alto poder de combustão: 1 m³ de hidrato equivale a
164 m³ de metano e 0,8 m³ de água à temperatura ambiente. No entanto, o desenvolvimento
desse recurso sofre com a falta de incentivo e tecnologias de escala comercial.

Muitas das pesquisas no Brasil relacionadas aos hidratos têm como objetivo
desenvolver inibidores a fim de se evitar sua formação nas linhas de produção de
hidrocarbonetos (Figura 6). Mas existem boas pesquisas sobre reservas de hidratos no Brasil
(Figura 7) que registram hidrocarbonetos na foz do Amazonas e na Bacia de Pelotas, além de
possibilidades para as Bacias de Campos, Espírito Santo e Cumuruxatiba (MACHADO,
2009).

Figura 6 - Hidrato formado em tubulação da Petrobras.


FONTE: Centre for Gas Hydrate Research - Heriot Watt University (2005).

21
Figura 7 - Regiões de ocorrência de hidratos no Brasil.
FONTE: Machado (2009).
A U.S. Geological Survey apresenta estudos onde mostra que o gás de hidratos pode
superar todas as reservas mundiais de carvão, petróleo e gás convencional juntas
(MACHADO, 2009). No entanto, para a produção desse recurso tornar-se significante a nível
comercial, ainda são necessários muitos estudos e novas tecnologias para que seu
desenvolvimento seja possível.

2.1.1.3 Shale gas

Shale gas refere-se ao gás natural presente em depósitos de folhelhos, rocha rica em
material orgânico. A produção desse tipo de recurso começou quando pequenas empresas
norte-americanas iniciaram técnicas de fraturamento e perfuração de poços horizontais.

22
O folhelho é a rocha sedimentar argilosa mais abundante no planeta. Possui uma
granulação fina que se forma a partir da compactação de partículas minerais de silte e argila.
Os folhelhos, também, apresentam uma permeabilidade extremamente baixa, na faixa de
0,000001 mD a 0,0001 mD, o que o classifica como um RNC’s. Dado isso, o shale gas só é
economicamente explorado por meio da combinação da perfuração horizontal e do
fraturamento hidráulico, que juntos conseguem aumentar a área drenada pelo poço e contornar
o problema gerado pela estrutura de laminação paralela dos folhelhos.

Uma diferença entre o shale gas e as fontes convencionais de gás natural está na
produtividade do shale que é significativamente maior no primeiro ano de produção. Isso
ocorre porque a maneira como o gás está estocado dentro da rocha define o formato de sua
curva de produção. Nesse sentido, é verificado que o gás que se encontra livre na rocha é
produzido a altas taxas rapidamente, enquanto que o gás que está aprisionado na rocha é
produzido lentamente a taxas baixas (CORADESQUI et al., 2013).

2.1.1.4 Tight gas

Tight gas é o gas natural proveniente de reservatórios de arenitos não convencionais,


tight sands, que tem por característica a baixa permeabilidade e produzem principalmente gás
seco. Essa permeabilidade encontra-se abaixo de 0,1 mD, e a porosidade abaixo de 20%. O
termo tight gas foi definido na década de 1970, pelo governo norte americano a fim de
determinar quais poços deveriam receber créditos federais e estaduais para produção de gás
(HOLDITCH, 2006).

A Figura 8 mostra a comparação entre um arenito convencional e não convencional de


gás natural. É possível perceber como a porosidade e canais de ligação são irregulares na
formação não convencional, o que dificulta o fluxo de hidrocarbonetos (BESSA Jr., 2014).

Figura 8 - Microfotografia de arenito: (a) convencional e (b) não convencional.


FONTE: Bessa Jr. (2014).

23
Tais características requerem que seja utilizado nesse tipo de reservatório técnicas para
se conseguir uma produção comerciável, como: acidificação, fraturamento e poços
horizontais. Historicamente, adotavam-se poços com trajetórias verticais para produção de
tight gas, mas com o avanço das tecnologias e estudos sobre o reservatório, novos projetos
com o uso de poços com trajetória horizontal foram utilizados, obtendo-se um grande sucesso
(SMITH et al., 2009).

2.1.2 Desenvolvimento de RNC’s no Mundo

Segundo a EIA (2015), os EUA, Canadá, China e Argentina são os únicos países que
produzem volumes comerciais shale gas e tight oil. Nos EUA, a produção principal vem da
Bacia de Marcellus. No Canadá, a maior parte da produção de tight oil vem de Alberta e
Saskatcheran, e de shale gas na formação de Montney.

Já na China, a Sinopec e PetroChina relatam produção comercial de shale gas na


Bacia de Sichuan, de 0,163 bilhões de pés cúbicos por dia. E a Argentina tem a produção de
tight oil na Bacia de Neuquen de Vaca Muerta, onde produz cerca de 20 mil barris de óleo por
dia. A Tabela 1 apresenta o ranking desses países para shale gas.

A EIA (2015) também pontua que outros países, como Argélia, Austrália, Colômbia,
México e Rússia, estão tentando produzir RNC’s. Mas várias questões ainda são desafios a
serem superados, como: os inúmeros poços necessários a serem perfurados rapidamente,
logística (malha dutoviária, maquinário, processos, entre outros), e os regimes regulatórios de
cada país, além da questão ambiental.

Tabela 1- Países com maiores reservas de shale gas tecnicamente recuperáveis estimadas

Ranking País Shale gas (TFC)


1º China 1115,2
2º Argentina 801,5
3º Argélia 706,9
4º EUA 622,5
5º Canada 572,9
6º México 545,2
7º Austrália 429,3
8º África do Sul 389,7
9º Rússia 284,5
10º Brasil 244,9
FONTE: Adaptado de EIA - World Shale Resource Assessment (2015).

24
2.1.2.1 EUA

Grande parte da experiência no desenvolvimento de shale gas e tight gas tem sido
desenvolvida nos EUA e no Canadá. No ano de 1821, um poço de shale gas foi perfurado em
Nova York, mas não apresentou bons resultados. A produção do gás não convencional
apresentou dificuldades, e ficou para trás em relação à perfuração do primeiro poço de óleo
convencional em 1859, pelo Coronel Edwin Drake (RIBEIRO, 2015).

Assim, a produção de shale gas nos Estados Unidos se dava de forma bem lenta, pois
o gás era produzido a partir de fraturas naturais da rocha, o que tornava esse tipo de formação
pouco atrativa economicamente para as grandes empresas, conhecidas como as "majors" do
setor (CORADESQUI et al., 2013).

Por volta de 1980, enquanto as majors investiam na exploração offshore de campos


convencionais, o interesse das empresas independentes dos EUA, as “minors”, nos recursos
não convencionais aumentou. Eles conseguiram os investimentos necessários para a
exploração de shale gas, devido ao baixo custo de capital e o mercado favorável
(CORADESQUI et al., 2013).

Mas ainda se perfuravam poços profundos e verticais, o que resultava em níveis pouco
expressivos de gás. Assim, em 1986, a operadora Mitchell Energy & Development
Corporation, que atuava no play de Barnett, no Texas, desenvolveu uma técnica de
fraturamento que utilizava um fluido com cerca de 99% de água, o que reduziu
significativamente os custos para estimulação de poços (CORADESQUI et al., 2013).

Graças ao crescente investimento em estudos e novas tecnologias, o desenvolvimento


dos RNC’s foi ganhando destaque com o passar do tempo. Graças ao uso combinado da
perfuração direcional com o fraturamento hidráulico tal recurso pode começar a ser explorado
em escala comercial já em 1998 (RIBEIRO, 2015).

As reservas de shale são encontradas nos estados continentais (lower 48) dos EUA,
sendo que quase todo gás provém de reservas de seis grandes plays. São eles: Barnett,
Marcellus, Haynesville/Bossier, Fayeteville, Woodford e Eagle Ford (Figura 9).

Barnett, localizado no Texas, é o maior play e vem produzindo gás natural por mais de
uma década. Incluindo a área ativa e a não desenvolvida, Barnett possui um Estimated
Ultimate Recovery médio de 1,4 bilhões de pés cúbicos por poço e, aproximadamente,
Technically Recoverable Resource de 43,37 trilhões de pés cúbicos (CARESTIATO, 2014).

25
Figura 9 - Localização dos Plays de Shale Gas nos EUA.
FONTE: Adaptado de EIA (2016a).
Outro importante play dos EUA é Marcellus, no leste. É o mais extenso (50 milhões
de acres) conforme U.S. Geological Survey, sendo compreendido por seis estados: Maryland
(1,09% da área total), Nova Iorque (20,06%), Ohio (18,19%), Pensilvânia (35,35%), Virginia
(3,85%) e West Virginia (21,33%) (CARESTIATO, 2014).

A Figura 10 apresenta a produção de shale gas em bilhões de pés cúbicos por dia dos
plays dos EUA. A Figura 11 é um mapa onde são apresentadas as localizações dos 14 players
de tight gas mais significantes nos EUA. Quatro plays em verde são os que mais produzem
tight gas no país: Pinedale Anticlane, Anadarko, Piceance, e Deep Bossier (KENNEDY et al.
2012).

O aspecto em comum no desenvolvimento do shale gas e o tight gas é que os poços


em ambos devem ser hidraulicamente fraturados, a fim de se produzir volumes comerciáveis
de gás. Os desafios e objetivos que o operador enfrenta durante o ciclo de vida do
reservatório, seja na perfuração, projeto de poços e fraturamento hidráulico, tanto para o shale
quanto para o tight, são semelhantes. Mas a avaliação da formação, análise de reservatórios e
algumas técnicas de produção são diferentes (KENNEDY et al., 2012).

26
Figura 10 - Produção de shale gas por play nos EUA.
FONTE: Adaptado de EIA (2016a).

Figura 11 - Principais play de tight gas nos EUA.


FONTE: Kennedy et al. (2012).

Em termos de geração, no shale gas a rocha fonte é a própria rocha que armazena o
gás natural e a sua permeabilidade é ainda menor que a do tight gas. Além disso, com
monitoramentos microssísmicos é possível identificar que, em geral, nos reservatórios de
shale gas forma-se uma rede de fraturas e no tight gas a fratura é planar.

A produção de tight gas é caracterizada por um período de alta produção, porém, com
rápida queda. Segue por um lento período de declínio na produção, podendo ter uma vida útil
27
de até 50 anos. Por isso é importante melhorar a produtividade nos estágios iniciais de
produção, além de gerenciar a produção dos estágios posteriores (SMITH et al., 2009).

Conforme indica um estudo da EIA (2016b), que utilizou dados da IHS Global Insight
e DrillingInfo Inc., o fraturamento hidráulico é a técnica que mais contribui para a produção
de gás natural norte-americana, cerca de dois terços do total de gás comercializado, como se
pode ver na Figura 12. No ano de 2015, o número de poços horizontais fraturados foi tanto
que se levantou uma produção de gás acumulada maior que 53 bilhões de pés cúbicos por dia,
aproximadamente 67% da produção total dos EUA (EIA, 2016b).

Figura 12- Produção de gás natural nos EUA por bilhão de pés cúbicos por dia (2000-2015).
FONTE: Adaptado de EIA (2016b).
Tendo em vista todos esses resultados, é de se esperar que o fraturamento hidráulico
tenha sua história iniciada também no Brasil, dado os grandes resultados já alcançados em
outros países.

2.1.2.2 RNC’s no Brasil

Os RNC’s no Brasil são significativos. Como se pode ver na Tabela 1, o país ocupa a
décima posição no ranking mundial de países que possuem reservas tecnicamente
recuperáveis de shale gas, por exemplo.

É possível que os RNC’s, ao serem desenvolvidos futuramente, possam alavancar o


mercado de gás natural no país. Esses novos recursos poderão desenvolver o mercado de gás
natural, interiorizando o uso de gás no território nacional, diminuindo o preço do mesmo
decorrente de uma oferta maior e mais descentralizada (LAGE et al., 2013).

28
Apesar do pouco conhecimento geológico das regiões, o potencial de gás natural
convencional e não convencional (shale gas ou tight gas) indica a existência de grande
volume de recursos, maior até que o do pré-sal, e que pode levar o Brasil a ficar entre as seis
maiores reservas do mundo (BESSA Jr., 2014).

A Figura 13 mostra o potencial de RNC’s no Brasil. As bacias do Paraná, Solimões e


Amazonas ganham destaque por terem dados geológicos suficientes para se avaliar o
potencial de produção de shale gas (EIA, 2013).

Figura 13 - Bacias de shale em potencial no Brasil.


FONTE: Adaptado de EIA (2013).
Com base em estimativas preliminares da ANP, considerando um FR médio de 70%
dos reservatórios não convencionais, o volume a ser explotado pode chegar a 10,1 trilhões de
metros cúbicos de gás natural, número que só ficaria abaixo de Rússia, Irã, Qatar,
Turcomenistão e EUA (BESSA Jr, 2014).

Entretanto, como já dito anteriormente, o sucesso do desenvolvimento dos RCN’s nos


EUA se deu em função de fatores que o Brasil ainda precisa desenvolver. Apesar de boa parte
das tecnologias que são desenvolvidas pelos operadores e empresas de serviços serem

29
compartilhadas com o mundo, há várias condições que atrapalham o aproveitamento dessas
pesquisas em países como o Brasil. Estes sofrem com questões que nos EUA, por exemplo,
favoreceram o desenvolvimento de tecnologias para a exploração de RNC’s, como:
infraestrutura, equipamentos e disponibilidade das prestadoras de serviço, regulações,
logística, questões ambientais e custo (KENNEDY et al., 2012).

Primeiramente, o desafio está no aprimoramento da regulamentação brasileira, seja


nos requisitos de segurança operacional e meio ambiente, onde se destacam tópicos como:
projeto de poços, planejamento do fraturamento, tratamento e descarte de água a ser utilizada,
entre outros; seja nos requisitos de licitação, tais como: Programa Exploratório (PD), prazo de
concessão, conteúdo local, entre outros.

Outra questão primordial está na logística. Uma das maiores vantagens para o mercado
norte americano de gás natural está na extensa malha dutoviária do país (ver Figura 14). No
Brasil, a infraestrutura para o gás natural ainda é deficiente, como se pode ver na Figura 15.

A possibilidade de exploração e produção das bacias do Solimões e Amazonas (Figura


13), por exemplo, é remota, dada a localização das bacias: áreas que estão sob grande
proteção ambiental, que não apresentam infraestrutura para escoamento de produção
necessárias (Figura 15), e que tampouco possuem mercado consumidor de gás próximo
(RIBEIRO, 2015).

Figura 14 – Infraestrutura de Gás nos EUA.


FONTE: Adaptado de EIA (2009).

30
Figura 15 - Infraestrutura de Gás Natural no Brasil.
FONTE: Adaptado de ANP (2013).

Apenas para as bacias de Potiguar, Sergipe-Alagoas, Recôncavo e Espírito Santo têm-


se condições favoráveis nos próximos anos para produção de gás. Isso, pois boa parte dessas
regiões já conta com a infraestrutura necessária para a produção e escoamento de gás, que
existe devido à produção de gás natural de campos onshore e ao mercado consumidor bem
estabelecido na região.

Tendo-se em vista essas questões, este trabalho tem por objetivo avaliar a
produtividade de poços com fraturamento hidráulico em tight gas, a fim de justificar o
investimento na produção dos RCN’s no Brasil, dado todo seu potencial. No tópico a seguir,
são abordadas melhor as questões técnicas do fraturamento hidráulico.

2.2 FRATURAMENTO HIDRÁULICO

A estimulação de poços de petróleo consiste no estudo do desenvolvimento e


aplicação de técnicas com o intuito de aumentar o índice de produtividade ou injetividade de
um poço de petróleo. Tal método viabiliza a exploração de um campo de petróleo cuja
31
produção seria inviável devido à baixa permeabilidade. Assim, a estimulação cria caminhos
na formação que possibilitam o fluxo do fluido ao poço, ou também remove o dano (redução
da permeabilidade e obstrução do fluxo), que é representado pelo fator skin ou efeito de
película. Dentre os métodos de estimulação, tem-se a acidificação matricial, o fraturamento
hidráulico e o fraturamento ácido.

A acidificação matricial consiste na injeção de ácido com pressão inferior a pressão de


fraturamento da formação, visando remoção de dano. Ela aumenta a permeabilidade original
de rochas como: carbonatos, arenitos e formações calcárias. Essas formações, em geral,
possuem permeabilidade regular boa, não tão baixa.

Já o fraturamento ácido combina o fraturamento hidráulico com a acidificação. A


condutividade da fratura é promovida pelo desgaste das paredes da fratura pelo ácido, e
muitas vezes dispensa o agente de sustentação.

E por fim, o fraturamento hidráulico consiste na injeção de um fluido de fraturamento


a alta pressão e vazão, suficientes para se provocar ruptura por tração na formação. É a
principal técnica utilizada para produção de reservatórios não convencionais, segundo
Thomas (2004).

2.2.1 Breve Histórico do Fraturamento Hidráulico

Conforme mencionado, o método de estimulação de poços mais utilizado na indústria


de petróleo é o fraturamento hidráulico. Tal método foi aplicado pela primeira vez em 1947
(Figura 16), em um reservatório de gás natural localizado em Huguton, nos EUA, pela
operadora Stanolind Oil, mas apenas em 1949 que esse método tornou-se comercialmente
viável (CARESTIATO, 2014).

A princípio, a trajetória dos poços era vertical, pois são os mais adequados à fase
exploratória. Mas os poços horizontais mostraram-se, posteriormente, capazes de drenar áreas
maiores de shale gas, por exemplo. Além da maior produtividade, essa trajetória permitiu que
um menor número de poços fosse perfurado, o que minimiza os impactos ambientais. A
combinação do fraturamento hidráulico com poços horizontais possibilitou a obtenção de uma
maior área de contato com o reservatório, o que evitou a queda rápida na produção que era
observada no início dessa atividade (CORADESQUI, 2013).

32
Figura 16 - Primeiro fraturamento experimental no campo de Huguton, EUA em 1947.
FONTE: Holditch, 2007.
A produção em larga escala de shale gas só começou a se desenvolver a partir de
atividades pela Mitchell Energy no campo de Barnett, que foi adquirida pela Devon Energy
em 2002. Em 2003, optou-se pela trajetória horizontal ao invés da vertical para poços de
produção de shale gas em Barnett (KENNEDY et al., 2012). E em 2005 alcança-se um
avanço tecnológico decisivo para o atual sucesso do desenvolvimento de shale gas com um
crescimento acelerado na produção de gás com os poços horizontais, como se pode ver na
Figura 17. Nesse mesmo ano, a produção em Barnett alcança uma produção de 500 bilhões de
pés cúbicos (BCF) (CORADESQUI, 2013).

Figura 17 - Produção anual de shale gas de Barnett por tipo de poço.


FONTE: Adaptado de EIA (2011).

Além dessa combinação, a perfuração horizontal permitiu o desenvolvimento de poços


multilaterais, vários poços a partir de um único, onde se conseguiu ter uma redução dos custos

33
e efeitos ambientais. Após esse sucesso, a aplicação de fraturamento em poços horizontais
passou a ser mais utilizado em plays como Fayetteville, Haynesville, Marcellus, Woodford,
Eagle Ford e Bakken (CORADESQUI, 2013).

2.2.2 Objetivo do Fraturamento

O objetivo dessas fraturas está em se elevar a produtividade e/ou injetividade de um


poço, e melhorar a recuperação do hidrocarboneto. O Índice de Produtividade (IP) fornece a
razão entre a taxa de produção de petróleo e o diferencial de pressão do reservatório e o fundo
do poço, ou drawdown. Assim, um fraturamento bem sucedido irá fornecer um aumento no
IP, devido à maior área exposta do reservatório pelas fraturas criadas. Ou seja, com um maior
IP tem-se como benefícios uma maior vazão e um menor drawdown.

2.2.3 Operações de Fraturamento

Uma operação de fraturamento hidráulico, em geral, inicia-se pela instalação de uma


sonda de completação na região em que se fará o poço. Após ter-se garantido o abastecimento
de água, agentes químicos e propantes, e equipamentos, são realizados testes de pressões para
determinar a resistência do poço ao bombeio do fluido de fraturamento (SUNGGYU et al,
2007).

As fraturas são iniciadas com injeção do fluido de fraturamento a alta vazão e pressão.
Essa pressão de bombeio pode chegar até 8000 psi para a propagação das fraturas em um
folhelho com um raio de 914,4 metros. As fraturas geradas sob pressão podem medir de 0,010
ft (3,175 mm) a 0,021 ft (6,35 mm) de abertura (SCHLUMBERGER, s.d.).

O conjunto necessário para se realizar um fraturamento é composto de equipamentos


de mistura, manuseio de propante, bombeio e monitoramento. O propante e o fluido de
tratamento são enviados para um misturador (blender), onde são misturados e transferidos
para bombas de alta potência. O fluido carreador é então bombeado para o poço através de um
manifold de alta pressão. A Figura 18 apresenta algumas etapas da operação de fraturamento
hidráulico.

O monitoramento ocorre na frac van, por meio de uma central de controle. Os


parâmetros monitorados são pressões, temperatura, vazões, concentração de propante e
aditivos, pH, viscosidade e tempo decorrido de tratamento.

34
Assim que a injeção de fluido é reduzida, a tendência é que os canais se fechem
devido à tensão de confinamento. Para se evitar isso também são bombeados os agentes de
sustentação. Tais agentes são conhecidos como propantes, pequenas partículas sólidas que
preenchem a fratura, com a finalidade mantê-la aberta.

Figura 18 - Operação de Fraturamento Hidráulico em formação de shale.


FONTE: Carestiato (2014).

Após o fraturamento, métodos de perfilagem, como perfil de imagem elétrica ou


acústica, podem ser usados para se avaliar a fratura criada, identificando-se a distribuição do
propante, os canhoneios e intervalos não estimulados, além da condutividade da fratura em
função da abertura e concentração do propante. Os propantes resistem às tensões de
confinamento garantindo a permeabilidade produzida pela fratura. Essa combinação
possibilita que o fluxo de hidrocarbonetos não seja comprometido pelo fim do bombeio do
fluido de fraturamento.

Essa fratura torna-se um canal de alta permeabilidade, facilitando o escoamento dos


fluidos em direção ao poço produtor, ou do poço para o interior do reservatório no caso de um
poço injetor. Isso devido à área exposta do reservatório ter sido aumentada, graças aos canais
de alta condutividade criados, que irão modificar o modelo de fluxo do reservatório para
linear na fratura (ROSA et al., 2006).

35
A técnica de fraturamento mais comum na indústria é o plug-and-perforate, que usa
um flexitubo ou trator com cabo elétrico para se canhonear várias regiões ao longo do poço
horizontal. Assim, o fraturamento ocorre em estágios separados por tampões, Bridge Plugs
Permanents (BPP), que proporcionam maior facilidade e precisão para se fraturar cada região.
(GOVORUSHKINA et al., 2015). A maior vantagem dessa técnica está no controle e
simplicidade de cada fraturamento. No entanto, uma desvantagem do plug-and-perforate está
nos altos custos com cimentação, canhoneios e corte dos tampões.

Outra técnica utilizada é o sliding sleeves (camisas deslizantes), para completação de


poço aberto, onde se procurou reduzir custos e preservar fraturas naturais. Para se isolar cada
região fraturada, substituem-se os tampões por esferas, que isolam o sliding sleeve do
intervalo seguinte (Figura 19). O fluido provoca então as fraturas devido esse bloqueio, e as
esferas retornam à superfície ao fim do processo (WELLHOEFER, 2014).

Figura 19 - Operação de Fraturamento com a técnica de sliding sleeves.


FONTE: Adaptado de MEEHAN, 2010.

O ponto positivo do sliding sleeves é que o multifraturamento ocorre em um processo


continuo, sendo que cada região é fraturada assim que a anterior já foi terminada. As
desvantagens estão na complexidade mecânica das ferramentas de sede das esferas e na
dificuldade de se controlar o ponto de iniciação da fratura no intervalo aberto (KING, 2010).

Apesar dessas técnicas para otimização do multifraturamento, é importante levantar


outra questão. O custo médio de um poço horizontal em shale gas, com base em quatro plays
dos EUA (Bakken, Eagle Ford, Marcellus e Permian), varia em média de U$4,9 milhões a
U$8,3 milhões, sendo que 31% desse custo equivalem à perfuração, e 63% à completação
(Figura 20) (EIA, 2016c). E, dada a área drenada por cada poço horizontal fraturado, são
necessários vários para se produzir um máximo volume de gás de um reservatório não
convencional, o que exigiria um grande investimento total.

36
Figura 20 - Relação da perfuração e completação para o custo médio de um poço.
FONTE: Adaptado de EIA (2016c).

Assim, para se diminuir os custos e reduzir o impacto no meio ambiente (causado pela
perfuração de inúmeros poços de produção em uma área), além de simplificar a logística,
alguns poços de shale gas são concentrados em locações específicas, conhecidas como pads
(POLI, 2014). A Figura 21 mostra uma representação tridimensional do desenvolvimento de
um campo a partir de quatro pads de perfuração na superfície (círculos em vermelho). De
cada pad saem seis poços produtores horizontais e fraturados.

Figura 21 – Exemplo de um campo desenvolvido com pads.


FONTE: STATOIL (2009).

Os pads nos EUA são geralmente de quatro a dez poços, mas também há superpads de
até dezesseis poços no Canadá, como o da Figura 22 (KENNEDY et al., 2012). Neste, as duas
sondas e todos os materiais e equipamentos necessários para o fraturamento hidráulico

37
ocupam uma área de 0,05 km², sendo que a área drenada pelas fraturas chega a 5,2 km². Isso
mostra o benefício de se usar pads para a produção de shale gas a fim de se reduzir custos e
impactos ao meio ambiente.

Figura 22 - Superpad com 16 poços.


FONTE: POLI (2014).

2.2.4 Mecânica do Fraturamento

A iniciação e propagação da fratura são influenciadas por diversos fatores, tais como:
fluido utilizado, taxa de bombeio, tensões atuantes na formação rochosa ao redor do poço e
propriedades da rocha. (TAVARES, 2010).

Do ponto de vista das tensões atuantes, vários aspectos estão relacionados à


intensidade, como profundidade que a operação está sendo realizada, densidade da rocha,
pressão de poros da formação, resistência mecânica da rocha, dentre outros. Assim, a
iniciação e a propagação da fratura estão intimamente ligadas à intensidade das tensões
envolvidas, verticais e horizontais.

A Figura 23 representa a orientação das tensões axiais que a formação rochosa está
submetida: 𝜎𝑣 representa a tensão vertical, 𝜎ℎ a tensão horizontal mínima, e 𝜎𝐻 a tensão
horizontal máxima.

Essas tensões geralmente são compressivas, anisotrópicas e não homogêneas, fazendo


com que os esforços compressivos na rocha não apresentem os mesmos valores, sendo que a
magnitude acaba sendo alterada conforme a direção (BESSA Jr., 2014).

38
A magnitude e direção dessas tensões são fundamentais na análise dos aspectos
mecânicos do fraturamento, pois controlam a pressão necessária para criar e propagar a
fratura, além da direção e extensão. A fratura hidráulica é propagada perpendicularmente à
menor tensão principal. Em formações rasas, a menor tensão é a resultante da sobrecarga,
resultando em uma fratura horizontal. Já em reservatórios mais profundos, a tensão de
sobrecarga provocará a maior tensão, tendo a fratura gerada verticalmente.

Figura 23 - Estado de tensões na fratura.


FONTE: Bellarby (2009).

2.2.5 Pressões no Fraturamento

A injeção de fluido a altas pressões e vazões leva a iniciação e extensão de fraturas


hidráulicas na formação. A pressão necessária para se induzir a fratura depende dos valores
das três tensões principais in-situ na rocha, das propriedades mecânicas de formação e da
resistência à tração da formação. A pressão necessária para a extensão da fratura é controlada
principalmente pela menor tensão principal in-situ. A orientação da fratura é perpendicular à
direção dessa mesma tensão. Durante a operação de fraturamento hidráulico, podem ser
observados intervalos onde ocorrem variações de pressão no fundo do poço, como pode ser
observado na Figura 24.

Inicialmente, a pressão de injeção do fluido é elevada até o valor referente à pressão de


fratura da formação, também chamada de pressão de breakdown. Após a ruptura da formação,
a pressão necessária para a fratura se propagar é menor do que a de ruptura.

Assim que a injeção de fluido de fraturamento é interrompida, surge a pressão


instantânea de fechamento (ISIP – Instantaneous Shut In Pressure). Entre o encerramento do
bombeio e o fechamento da fratura, é observado um declínio de pressão. Este decaimento

39
representa a pressão em excesso que havia na fratura sendo absorvida pela formação. Depois
de atingida a pressão de fechamento da fratura, a tendência da pressão é de com o passar do
tempo se distribuir e igualar-se à pressão original do reservatório (TAVARES, 2010).

Figura 24 - Diagrama de pressões de uma operação de fraturamento hidráulico.


FONTE: Adaptado de Allen (1993).

2.2.6 Produtividade

Muitos dos poços de óleo e gás, em seu estado natural, não produzem como o desejado
e a produção é aumentada através do fraturamento hidráulico. O fluxo radial do reservatório
para esses tipos de poços não é um regime eficiente. Assim que o fluido vai se aproximando
do poço, ele tem de passar sucessivamente através de menores espaços, causando uma
compressão, consequentemente reduzindo o fluxo e diminuindo a eficiência na produção. A
inserção de um fraturamento hidráulico de maneira apropriada, muda o fluxo radial para
quase que totalmente linear, elevando o nível de produtividade (ALI, 2010).

A produtividade dos poços fraturados depende principalmente de dois fatores. Em


relação ao recebimento dos fluidos da formação, a eficiência depende da dimensão da fratura
criada, ou seja: comprimento (xf), altura (hf) e abertura (ωf). E em relação ao fluxo, a
eficiência depende da permeabilidade proporcionada pelos canais.

40
Assim, esses dois fatores podem ser melhores representados por meio da
condutividade da fratura adimensional, que é definida pela Equação 1 a seguir:

Equação 1 - Condutividade da fratura adimensional

𝑘𝑓 . 𝜔𝑓
𝐶𝐷 =
𝑘. 𝑥𝑓

Onde, 𝐶𝐷 é a condutividade da fratura adimensional; 𝑘𝑓 é a permeabilidade da fratura


(propante sob confinamento); 𝜔𝑓 é a abertura da fratura, valor médio; 𝑘 é a permeabilidade da
formação; e 𝑥𝑓 é o comprimento de uma asa da fratura.

Figura 25 – Vista superficial de asa de fratura.


FONTE: Elaboração própria.
Após o término do bombeio do fluido de fraturamento, a tendência da fratura é fechar
e a formação voltar ao seu estado original. Para evitar isto, são injetados os propantes,
mantendo os canais da fratura abertos, os quais aumentam a condutividade da formação.

O propante pode ter, como tipo de material, grãos naturais de areia ou especialmente
projetados, tais como: areia revestida de resina ou materiais cerâmicos de alta resistência. Mas
esse material também pode comprometer a condutividade gerada na fratura durante a
produção do poço, devido principalmente: ao aumento da tensão sobre o propante; à corrosão
sob tensão, que afeta a força desse; ao esmagamento do propante; à decantação (embedment)
do propante na formação; e aos danos resultantes de resíduo de gel ou aditivos de perda de
fluido (ACHILLES, 2016).

O gráfico da Figura 26 os efeitos da tensão de fechamento da rocha sobre a


condutividade da fratura para cada tipo de propante, sendo eles: cerâmica leve (Lightweight
Proppant - LWP), cerâmica de resistência intermediária (Intermediate-Strength Proppant -
ISP), bauxita, areia tratada com resina (Resin-Coated Sand - RCS) e areia do tipo Jordan
Sand. As curvas mostram como a condutividade tende a decair com o aumento da tensão de
fechamento da formação e a resistência de cada propante a essa tensão.

41
Figura 26 - Análise da condutividade do propante pela tensão efetiva para diferentes tipos de propantes.
FONTE: Economides (2000)

Areia é o tipo de propante mais utilizado, pela grande disponibilidade na natureza,


baixo custo e pelo fato de propiciar uma condutividade adequada à fratura sob tensões de
fechamento inferiores a 6000 psi. Outros materiais e relações com a magnitude da resistência
e sua densidade são descritas na Tabela 2.

Tabela 2 - Relação entre propante, densidade e tensão de fechamento.

Tipo de propante Densidade Resistência (psi)


(g/cm³)
Areia pura 2,65 < 6000
Areia tratada com resina (RCS) 2,55 < 8000
Cerâmica de resistência
2,7 – 3,3 5000 – 10000
intermediária (ISP)
Cerâmica de resistência elevada
≥ 3,4 > 10000
(HSB)
Bauxita 2,00 > 7000
FONTE: Economides (2000).

2.2.7 Geometria de Fratura

A escolha do espaçamento das fraturas, além da posição do poço na formação, é


crucial para a otimização da produção por fraturamento hidráulico. E o conhecimento do
regime de tensões da rocha é importante para se controlar o crescimento, orientação e
distribuição das fraturas na formação. Assim, é possível adotar diferentes modelos de

42
geometria de fraturas (Figura 27), que influenciam tanto na taxa de produção quanto declínio
inicial da produção.

Figura 27 – Exemplos de geometria de fratura.


FONTE: Barbosa (2016).

O modelo de rede de fraturas depende de três fatores: fraturabilidade (capacidade do


reservatório ser estimulado por fraturas efetivas), produtividade (capacidade de sustentar uma
produção comercial), e sustentabilidade (capacidade do campo ser desenvolvido de forma
econômica e ambientalmente viável) (CHONG et al., 2010).

Figura 28 - Exemplos de fratura principal e rede de fratura.


FONTE: Barbosa (2016).

Em relação à fraturabilidade, essa depende das tensões atuantes na formação. É


importante que o poço seja perfurado em regiões que favoreça a propagação de uma fratura

43
principal, de onde são propagadas fraturas secundárias que podem se interconectar (Figura
28).

Quanto maior a rede de fraturas maior a produtividade do poço devido à maior


complexidade da fratura, ao contrário das fraturas planares que apresentam baixa
complexidade. Em contrapartida, quanto maior a complexidade das fraturas, maiores são
também as dificuldades operacionais, como: altas pressões e riscos de embuchamento
(bloqueio do crescimento da fratura) (CHONG et al., 2010).

O interessante de se criar uma rede de fraturas está na interconexão de fraturas


induzidas com fraturas naturais. Três cenários possíveis podem ser apresentados. No primeiro,
Figura 29 (a), a fratura induzida pode atravessar a natural e continuar a propagar-se na direção
original. Em um segundo cenário, Figura 29 (b) a direção da fratura induzida é desviada e
percorre todo o comprimento da fratura natural. Já o terceiro cenário, Figura 29 (c), a fratura
induzida desvia para a fratura natural, mas é reiniciada em algum ponto com fraturabilidade
maior (BARBOSA, 2016).

Figura 29 - Possíveis cenários de propagação de uma fratura induzida com uma fratura natural.
FONTE: Barbosa (2016).

2.3 SIMULAÇÃO NUMÉRICA

Na engenharia de petróleo, a simulação numérica é utilizada a fim de se estimar e


prever características e o comportamento do reservatório baseando-se em modelos numéricos.
Assim, os simuladores numéricos de reservatórios são conhecidos como simuladores
numéricos de fluxo, por estudarem o comportamento de fluidos em reservatórios de petróleo
utilizando-se simulação numérica (ROSA et al., 2006).

Com a simulação, é possível modelar a dinâmica de movimentação dos fluidos no


meio poroso, prever o comportamento do reservatório (como vazões de produção, reservas,

44
distribuição de fases, entre outros), e estudar novos eventos para o mesmo (número de poços,
métodos de recuperação ou estimulação, entre outros). Existem vários tipos de modelos para
se alcançar esses objetivos, e aqueles baseados na equação de balanço de materiais são os
modelos numéricos mais simplificados.

Esses simuladores numéricos de fluxo podem ser classificados através do tratamento


matemático que é dado ao comportamento físico e à característica de desempenho. Dois tipos
desta classificação são o modelo black-oil e o composicional, definidos a seguir.

2.3.1 Modelo de fluido Black-Oil

O modelo black-oil pode ser considerado um modelo composicional simplificado, com


três componentes: água, óleo e gás. Eles são regidos por equações PVT (pressão, volume e
temperatura), onde se leva em consideração os efeitos de compressibilidade. A temperatura é
tida como constante, o equilíbrio é considerado instantâneo entre as fases, e os componentes
voláteis são aproximados ao metano. Além disso, considera-se inexistência de reações
químicas, assim como transferência de massa e calor (NOGUEIRA et al., 2012).

Esse modelo descreve as propriedades volumétricas utilizando correlações em função


de propriedades macroscópicas medidas, como densidade ºAPI, pressão de bolha, densidade
de gás, pressão e temperatura. Não contempla variações de composição com pressão e
temperatura. Assim, o modelo é utilizado para as recuperações primárias e as avançadas.

2.3.2 Modelo de fluido Composicional

O modelo composicional leva em consideração, além da pressão, saturação e


temperatura do reservatório, as composições das diversas fases presentes no meio poroso.
Diferentemente do modelo black-oil, o fluido é considerado como sendo formado por diversos
e variados hidrocarbonetos (C1, C2, C3, etc.), o que lhe atribui uma maior complexidade
(CAVALCANTE, 2011).

É utilizado em casos onde há uma grande variação na concentração e número de


componentes em cada fase, ou na presença de óleos voláteis, resultando em uma melhor
estimativa da recuperação de líquidos (NAVEIRO, 2012).

Para reservatórios de óleos leves ou de gás, o modelo composicional é o mais


adequado. Devido à análise composicional, a definição das propriedades de cada elemento da

45
mistura é feita com alta precisão. Apesar disso, a forma composicional não necessariamente
implica em melhores resultados que a utilização da análise black-oil, devido à alta presença de
componentes líquidos.

2.3.3 Modelo Numérico

Para a preparação do modelo numérico, é preciso primeiramente realizar a coleta e


preparação de dados, a fim de se armazenar e interpretar todos os dados disponíveis sobre o
reservatório em questão, incluindo dados sobre geologia, rocha, fluidos, produção e
completação de poços. Quanto mais dados e melhor sua qualidade, mais confiável será o
modelo (ROSA et al., 2006).

A construção do modelo numérico é iniciada pela construção do grid (Figura 30). O


grid de simulação é uma malha de diferenças finitas que discretiza o reservatório, dividindo-o
e várias células que fornecem as variáveis necessárias para o modelo numérico, a fim de se
refletir a heterogeneidade do reservatório.

Dois tipos de sistema de malha são geralmente usados na simulação de reservatórios:


bloco centrado e ponto distribuído, que se distinguem na localização dos pontos de cálculo
das soluções nos blocos (ERTEKIN et al., 2001).

O uso de aproximações de diferenças finitas resulta em equações algébricas


conhecidas como equações de diferenças finitas. As soluções destas são obtidas nos pontos
discretos definidos pelos sistemas de malha. Esse é o contraste para as soluções das equações
contínuas, cuja solução é obtida para todos os pontos do reservatório. Dá-se o nome de
discretização ao processo de converter equações contínuas, e seu domínio, em equações de
diferenças finitas (MACHADO, 2011).

Figura 30 - Malha ou grid utilizado na simulação numérica de reservatórios.


FONTE: Rosa et al. (2006).
46
Para a definição do tipo de geometria do modelo, existem alguns tipos mais comuns. O
primeiro a ser citado são os modelos 1D (Figura 31), que raramente são utilizados para estudo
de campo por não representarem a geometria do reservatórios e, consequentemente, não
simularem o processo de deslocamento do fluido. Mas podem ser usados para análises de
sensibilidade de alguns parâmetros do reservatório, ou realizar upscaling dinâmico de
propriedades petrofísicas.

Figura 31 - Modelos unidimensionais: (a) 1D horizontal, (b) 1D vertical, (c) 1D radial.


FONTE: Souza Jr. (2013)

Os modelos radiais são limitados à região ao redor do poço e usualmente são


construídos para avaliar o comportamento da produção do poço na presença de gradientes
verticais de grande valor. A aplicação está relacionada ao estudo de cone de água e de gás em
poços horizontais e verticais.

Os modelos 2D (Figura 32) podem ser diferenciados em cross-sectional e areais, e são


utilizados em estudos de injeção. Os primeiros estão relacionados a estudos de processos de
deslocamento vertical, como casos de injeção e água ou gás. E os areais são utilizados quando
padrões de escoamento areal dominam o desempenho do reservatório, e quando
heterogeneidades verticais não são relevantes no escoamento do fluido.

Figura 32 - Modelos bidimensionais: (a) 2D horizontal, (b) 2D vertical.


FONTE: Souza Jr. (2013).

E, finalmente, existem os modelos 3D (Figura 33), os mais utilizados. Podem levar em


conta a distribuição de propriedades geológicas e petrofísicas do reservatório, além de serem
usados na presença de grandes heterogeneidades verticais ou horizontais e sempre que a

47
geologia é muito complexa para uma representação 2D. Podem representar qualquer modelo
de processo de recuperação de reservatório, com a limitação do número total de blocos ou
células, que limita o grau de detalhamento na descrição.

Além desses modelos citados, a geometria pode ser dividida em malha cartesiana,
coordenadas cilíndrica e corner-point. As geometrias cartesianas de bloco centrado são
obtidas alinhando-se os blocos ao longo das três direções no espaço, resultando em um grid
ortogonal. A malha retangular é flexível o suficiente para se ajustar qualquer geometria do
reservatório, e o espaçamento pode não ser uniforme.

Figura 33 - Modelos tridimensionais: (a) malha cartesiana, (b) coordenadas cilíndricas.


FONTE: Souza Jr. (2013).

Já a geometria cilíndrica é usada em estudos de simulação com um único poço, para a


predição do comportamento de poços individuais, determinando os efeitos de estratégias de
completação e produção na geração de cones de água e gás, otimização de intervalos
canhoneados e simulação de testes de pressão.

A geometria corner-point utiliza polígonos para definir as células da malha e os blocos


são definidos especificando as quinas dos polígonos. O grid resultante não é, então,
necessariamente ortogonal. As propriedades dos blocos são definidas a partir dos vértices dos
blocos, e seu uso está relacionado a reservatórios altamente falhados, onde se consegue obter
uma melhor descrição das falhas. Em sistema de bloco centrado é o contrário, a pressão é
definida no baricentro do bloco. Apesar do realismo geológico, o corner-point pode não ter
resultados tão acurados devido o operador das diferenças finitas só consideras componentes
ortogonais dos gradientes de potencial.

Além desses modelos de grid, esse pode ainda passar por um refinamento local
(Figura 34), onde se usa uma malha secundária, mais “fina”, sobre a malha primária, a mais
“espessa”, nas regiões de interesse. Isso permite deixar um mínimo de blocos ativos no
restante do modelo, o que promove uma melhor definição das áreas vizinhas.

48
Figura 34 - (a) malha refinada, (b) malha com refinamento local de bloco.
FONTE: Souza Jr (2013).

Para dar continuidade ao processo de simulação, a próxima etapa seria a de ajuste de


histórico, onde o principal objetivo é calibrar o modelo numérico com o reservatório real a
partir dos melhores dados disponíveis referentes aos históricos de produção e de pressão.
Assim, é possível calcular o comportamento passado do reservatório e compará-lo com o
histórico do campo. Se a concordância não for satisfatória, dados como permeabilidade
absoluta e relativa, porosidade, entre outros, são variados de uma simulação para outra até que
o ajuste seja considerado adequado. Uma última etapa da simulação seria a extrapolação, a
fim de se prever o comportamento futuro do reservatório (ROSA et al., 2006).

Dada essa breve introdução ao estudo de simulação de reservatórios, o próximo


capítulo aborda a metodologia aplicada para o estudo da simulação de fraturas no módulo
IMEX no programa da CMG – Computer Modelling Group. O objetivo, de se utilizar um
programa computacional nesse trabalho está em mostrar como a combinação de um poço
horizontal com a estimulação por fraturamento hidráulico pode otimizar a produção do tight
gas.

49
3 METODOLOGIA

Neste capítulo é apresentada a metodologia para o desenvolvimento do trabalho, os


programas utilizados para a simulação, os aspectos referentes à modelagem e os dados de
entrada para o simulador.

O fluxograma da Figura 35 apresenta as etapas para realização desse trabalho.

Revisão Modelo de
Livros e artigos
bibliográfica fluidos

Simulação dos Ajustes dos Modelagem do


casos no IMEX modelos reservatório

Análise e
Conclusões e
discussão de
recomendações
resultados

Figura 35 - Fluxograma das etapas de realização do estudo.


FONTE: Elaboração própria.

3.1 FERRAMENTAS COMPUTACIONAIS

A simulação do reservatório de tight gas foi realizada no simulador comercial IMEX,


versão 2014.10, do grupo CMG – Computer Modeling Group Ltd.

O módulo IMEX – Three-Phase, Black-Oil Reservoir Simulator foi utilizado para


simular a recuperação de tight gas por meio da combinação de poço horizontal e estimulação
de fraturas hidráulicas. É um módulo voltado para a modelagem de reservatórios não
convencionais de arenitos e carbonatos, incluindo-se fraturas naturais, e também pode ser
utilizado para modelar a produção de reservatórios de baixa permeabilidade através do
fraturamento hidráulico.

O módulo GEM – Compositional & Unconventional Oil & Gas Reservoir Simulator
seria o programa mais indicado para esse estudo, pois é voltado para a modelagem de

50
reservatórios natural e hidraulicamente fraturados, de modelo de fluido composicional, além
de possuir uma representação mais explicita das dimensões da fratura no grid. No entanto, o
IMEX foi o módulo escolhido por possuir algumas vantagens, como: modelagem mais precisa
da transferência da matriz-fratura em reservatórios fraturados, além de apresentar resultados
de simulação mais rápidos para reservatórios não convencionais dos tipos tight gas e shale
gas (BESSA Jr., 2014).

O módulo BUILDER – Pre-Processing Applications foi utilizado para a modelagem


do reservatório, que resultou em um arquivo de entrada para o simulador IMEX, de extensão
*.dat. Nesse programa também foi possível descrever o modelo do reservatório, o modelo de
fluido, as dimensões das fraturas e condições iniciais do reservatório.

3.2 TRABALHOS DE REFERÊNCIA

O ideal em uma operação de fraturamento seria a criação de uma fratura de longa


extensão e de alta condutividade, de preferência infinita, tal que não houvesse queda de
pressão durante o fluxo de fluidos no seu interior. Na prática isso não acontece, e as fraturas
artificiais acabam tendo comprimentos limitados e condutividades finitas (ROSA et al.,
2006).

Para o avanço da tecnologia aplicada na estimulação de RNC’s vários poços são


perfurados. Mas é importante notar que, devido ao número de poços perfurados, o custo torna-
se um fator crítico para o desenvolvimento de um reservatório. Principalmente devido à
oscilação do preço do gás.

Logo, para uma maior otimização da produção, assim como redução do custo de
materiais e fraturas, as operações sofrem sempre com alterações e são melhoradas com base
em estudos e pesquisas.

Bessa Jr. (2014) reuniu em seu trabalho estudos e pesquisas realizados nas últimas
décadas que contribuíram para o desenvolvimento de reservatórios de Tight gas. O primeiro
citado foi o de Charles et al., que realizaram um estudo em 1982 no reservatório de tight gas
em Medida, a fim de otimizar o projeto de fraturas. Coletaram dados de campos e, com um
simulador bidimensional, puderam aperfeiçoar a estimulação variando a geometria da fratura
e obter, assim, uma produção de gás maior com o novo projeto que era viável
economicamente.

51
Em seguida, Bessa Jr. (2014) cita o trabalho de Ehrl et al. (2000), que simularam
modelos de poço horizontal com múltiplas fraturas para o poço Z10 do campo de Sohlingen,
na Alemanha. Eles criaram um modelo 3D a fim de otimizar o desenvolvimento futuro
reservatório de tight gas. Usaram um grid de 250 m x 250 m de 3105 blocos que, após a
aplicação do fraturamento com refinamento, passou a ter 20 mil blocos. O poço Z10 foi
perfurado a uma profundidade de 5750 m, com 640 m de comprimento horizontal com quatro
fraturas, e o sucesso desse poço, tanto a nível técnico quanto a nível econômico, foi um
avanço para o desenvolvimento do tight gas.

Além desses, o trabalho de Feng et al. (2012) mostrou como a aplicação de fraturas
hidráulicas em poços horizontais pode ser eficaz para tight gas. A princípio, eles realizaram
um estudo de caso em um reservatório com poços verticais e horizontais fraturados. O campo
que utilizaram para estudo SU6 está localizado no campo de Sulige na Bacia de Ordos, no
norte da China. O resultado da simulação de fraturas no poço vertical desse campo mostrou
uma capacidade de 1,2x106 m3/d de fluxo de gás, mas a taxa caia abruptamente em cerca de
três anos. Assim, múltiplas fraturas foram aplicadas para poços horizontais, o que apresentou
um aumento na produção cerca de três vezes mais que o poço vertical (BESSA Jr., 2014).

Assim como esses, existem muitas pesquisas que buscam encontrar soluções para a
otimização do desenvolvimento dos RNC’s. Algumas, principalmente, aplicaram a técnica de
fraturamento hidráulico com poços horizontais a fim de encontrar as melhores soluções para
determinado casos. Alguns estudos serviram como base para a modelagem de fraturas no
poço horizontal desse trabalho, que será apresentado no Capítulo 3.

Um deles é o trabalho de Ribeiro (2015), que mostra como o FR de gás aumenta


conforme o número de estágios de fraturamento, assim como a recuperação de gás é
aumentada conforme o tamanho das fraturas aumenta, tanto em poços verticais quanto em
poços horizontais.

Para as simulações de seus modelos, Ribeiro (2015) modelou um reservatório de shale


gas de 600 m x 320 m x 70 m, a uma profundidade de 3180 m, de 0,04 de porosidade, a uma
permeabilidade horizontal de 10-4 mD.

A Figura 36 apresenta o resultado comparativo entre dois modelos em relação ao FR:


um modelo com 13 poços verticais e um segundo com 18 poços verticais, com e sem fraturas.

52
Figura 36 - Comparação de FR para modelos de fraturas em poços verticais.
FONTE: Ribeiro (2015).

Nesse gráfico, pode-se ver que o aumento no número de poços provoca uma diferença
positiva no FR, assim como utilizar fraturas hidráulicas nos poços. O FR de um poço vertical
sem fraturas, nas condições simuladas por Ribeiro (2015), não ultrapassam 11% em 40 anos,
algo muito diferente para poços verticais fraturados que obtiveram um FR de 40% a 50% de
gás, para o mesmo período de tempo. Isso mostra a importância da estimulação de poços na
produção os RNC’s.

Já a Figura 37 mostra o resultado de uma simulação para quatro poços horizontais com
fraturas verticais ao longo de toda a extensão dos poços, de quatro e de sete estágios. Ribeiro
(2015) conclui que, ao ser feito o fraturamento a uma profundidade de 3180 m, nas condições
iniciais de seu estudo, as fraturas tendem a se estender na direção de maior tensão e se abrir na
de menor tensão.

Percebe-se que o maior FR foi para a fratura vertical em toda a extensão dos poços
horizontais, seguido pelo modelo com sete estágios e pelo de quatro estágios de fraturamento.
Conforme Ribeiro (2015), isso acontece devido à maior exposição da área ao fluxo, além da
permeabilidade do gás que aumenta devido ao aumento da permeabilidade absoluta.

53
Comparando-se as figuras, também, percebe-se como o fraturamento em poços
horizontais é mais vantajoso que em poços verticais: para 18 poços verticais fraturados
obteve-se um FR de 51%, e para quatro poços horizontais com fratura vertical ao longo do
poço e de sete estágios obteve-se aproximadamente FR de 51% e 62%, respectivamente, em
um mesmo período de tempo e para as mesmas condições iniciais de reservatório.

Figura 37 - Comparação de FR para modelos de fraturas verticais ao longo de poços horizontais.


FONTE: Ribeiro (2015).

54
3.3 MODELAGEM

O objetivo desse estudo foi simular diferentes estágios de fraturas no decorrer do poço
horizontal e comparar o FR obtido por cada modelo. Os dados utilizados para as condições
iniciais foram baseados em dados disponíveis na literatura.

3.3.1 Modelo da Malha

Para o modelo da malha, construiu-se um grid cartesiano tridimensional localizado à


profundidade de 4300 ft. As propriedades do reservatório podem ser observadas na Tabela 3.

Tabela 3 - Dados dimensionais do modelo

Número total de blocos 132093


Dimensão em x (ft) 1800
Dimensão em y (ft) 650
Dimensão em z (ft) 50
Número de blocos em i 180
Dimensão dos blocos em i (ft) 10
Número de blocos em j 65
Dimensão dos blocos em j (ft) 10
Número de blocos em k 50
Dimensão dos blocos em k (ft) 10
A Figura 38 mostra o modelo do grid em 3D, nas coordenadas i, j e k (dimensões 1800
ft x 650 ft x 50 ft, respectivamente).

Figura 38 - Imagem 3D do grid.


FONTE: Elaboração própria.

55
3.3.2 Propriedades da Rocha Reservatório

Os dados da rocha-reservatório utilizados no modelo são apresentados na Tabela 4.

Tabela 4 - Propriedades da rocha reservatório

Profundidade (ft) 4300


Temperatura (ºF) 100
Pressão inicial (psi) 3004
Permeabilidade (mD) 0,001
Porosidade (%) 2
Compressibilidade da rocha (psi-1) 1x10-6

3.3.3 Modelo de Fluido

Para o modelo de fluido, foi definido o modelo black-oil gás-água, sendo a densidade
do gás de 0.818. As curvas de permeabilidade relativa para esse modelo são apresentadas na
Figura 39 e Figura 40.

Figura 39 - Curva de permeabilidade relativa óleo/água.


FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

56
Figura 40 - Curva de permeabilidade relativa gás/líquido.
FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

A Figura 41 apresenta o fator de expansão do gás (Eg), e a Figura 42 apresenta a curva


de viscosidade do gás em função da pressão.

Figura 41 - Fator de expansão do gás vs pressão.


FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

57
Figura 42 - Gráfico viscosidade vs pressão.
FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

3.3.4 Poço Produtor

O poço produtor é um poço horizontal, well-1, localizado a uma profundidade de 25 ft


do topo do grid, com uma extensão de 1650 ft no decorrer da camada K3 (Figura 43 e Figura
44).

Figura 43 - Vista frontal do poço produtor (plano 2D IxK, camada J33).


FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

58
Figura 44 - Vista lateral do poço produtor (Plano 2D JxK, camada I5).
FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

3.3.5 Modelagem da Fratura

Para criar as fraturas no decorrer do poço foram canhoneadas, inicialmente, as zonas


de interesse. Como o objetivo do trabalho é a comparação do FR de diferentes estágios de
fraturas, as zonas canhoneadas variam de modelo para modelo, mas os dados referentes a cada
fratura em si são válidos para todos os modelos que serão apresentados (Tabela 5).

Tabela 5- Dados de Fratura

Direção da fratura J
Abertura ω (ft) 0.0025
Comprimento da asa xf (ft) 250
Permeabilidade efetiva kf (mD) 100000
Refinamento em I 13
Refinamento em J 11
Refinamento em K 1
Camadas acima do canhoneado 1
Camadas abaixo do canhoneado 1
As fraturas foram refinadas a fim de se atingir a abertura ideal (Figura 45).

59
Figura 45 – Vista superficial da fratura no poço horizontal em vermelho na camada k3: (a) fratura em
preto e matriz em verde, (b) refinamento da fratura.
FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

3.3.6 Modelos com diferentes estágios de fraturas

No primeiro modelo, foram utilizadas fraturas em 33 estágios, com espaçamento de 50


ft no decorrer do poço horizontal, que foi perfurado na terceira camada (Figura 46).

Figura 46 - Espaçamento entre fraturas de 50 ft.


FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

O segundo modelo contém 17 estágios com espaçamento de 100 ft entre eles, e o


terceiro modelo 9 estágios com espaçamento de 200 ft (Figura 47 e Figura 48
respectivamente).

60
Figura 47 - Espaçamento entre fraturas de 100 ft
FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

Figura 48 - Espaçamento entre fraturas de 200 ft.


FONTE: Elaboração própria no módulo Builder.

61
4 DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Para a simulação dos três modelos (33, 17 e 9 estágios de fraturas), descritos no item
3.3.6 - Modelos com diferentes estágios de fraturas, foi definida uma quantidade máxima de
50 iterações newtonianas e 200 iterações para as soluções lineares, a fim de se obter uma
convergência na simulação com resultados dentro do erro. A data inicial para a simulação foi
definida em 1º/01/2016, e os resultados de FR são apresentados para uma simulação de 2500
dias.

Como resultados da simulação, as curvas de FR de cada modelo são apresentadas


Figura 49. Como esperado, um poço sem a aplicação de fraturamento hidráulico não apresenta
recuperação, devido sua baixa permeabilidade. Mas, quando se aplica fraturas no decorrer do
poço horizontal, é possível produzir o gás em grandes quantidades como, sendo que: quanto
maior o número de fraturas e menor o espaçamento entre elas, maior foi o FR encontrado, em
um menor período de tempo.

Figura 49 - Fator de recuperação do gás (%) para os modelos de diferentes estágios de fratura.
FONTE: Elaboração própria no módulo Results Report.

62
O modelo com estágios de fratura espaçadas em 50 ft é aquele que apresentou uma
produção de gás mais acelerada. Mas a recuperação máxima (de 86,5%) já é alcançada com
100 ft de espaçamento, assim como a de 200 ft de espaçamento também se aproxima do
máximo.

A conclusão em que se chega, ao observar esse gráfico, é que um modelo com menor
espaçamento entre as fraturas pode acelerar a produção e tornar possível uma recuperação
máxima do campo, mas também é possível conseguir o mesmo resultado esperado com um
menor número de estágios.

É certo que quanto maior o comprimento do poço horizontal, assim como maior o
número de estágios e fraturas, maior será o volume de gás recuperável. Mas em compensação,
seria necessário um grande volume de água para se conseguir esses resultados, assim como
um maior volume de aditivos, serviços, equipamentos, entre outros. O custo, então, pode
tornar-se insustentável em determinado cenário.

Para um bom projeto de fraturas, a melhor estratégia deve ser utilizar um maior
número de estágios de fraturas possíveis, desde que se alcance uma máxima recuperação de
forma viável economicamente (MAYERHOFER et al., 2006).

Logo, o modelo com 200 ft de espaçamento, para esse caso de reservatório ideal,
apresenta um mesmo bom resultado que o modelo de 50ft de espaçamento, produzindo por
mais tempo e com menos recursos. Por ter um menor número de estágios e fraturas, o custo
para o desenvolvimento da área pode ser consideravelmente menor em relação ao modelo
com mais fraturas. Além da questão do custo devido ao número de estágios, deve-se levar em
consideração que o espaçamento entre poços e estágios deve ser tal que o comprimento das
fraturas não comprometa a drenagem da área uma das outras por sobreposição das mesmas.

Assim, o espaçamento entre os estágios de fraturas deve ser o pequeno, a fim de


valorizar a maior área drenada possível, durante um tempo razoável para a produção, mas
grande o suficiente a fim de viabilizar o projeto comercialmente. Por isso os modelos com
200 ou 100 ft de espaçamento entre os estágios de fraturas mostram-se mais viáveis para um
projeto de estimulação de poço em comparação ao modelo com 50 ft de espaçamento entre
fraturas.

Além disso, para o modelo de reservatório em estudo, o número de estágios de fraturas


poderia ainda ser menor (com maior espaçamento entre elas do que 200 ft), a fim de se obter

63
um maior tempo de produção, evitando o declínio acentuado da produção tão precocemente.
A Figura 50 apresenta como o gás é rapidamente drenado em apenas três anos de produção
para o modelo de 9 estágios. Por isso é importante que estudos sejam realizados, para que
sejam otimizados os projeto de fraturamento hidráulico a nível comercial.

Figura 50 - Imagem de gás por unidade de área total para o modelo de 9 estágios de fraturas
(espaçamento 200 ft).
FONTE: Elaboração no módulo Results 3D.

64
5 CONCLUSÃO

5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os RNC’s precisam de tecnologias bem desenvolvidas para que a produção dos


hidrocarbonetos seja viável comercialmente. Foi visto nesse trabalho que, para os
reservatórios de baixa permeabilidade e porosidade, principalmente de shale gas e tight gas, o
método de estimulação de poços por fraturamento hidráulico é uma ótima solução para uma
boa recuperação.

Além do mais, estudos com simulações e experiências provaram que a combinação de


fraturas hidráulicas com poços horizontais podem otimizar essa produção. Pois, mesmo que as
fraturas induzidas favoreçam uma grande vazão inicial, é preciso lidar com o declínio
acentuado da produção. Por isso estudos com geometrias diferentes de fraturas nos poços
horizontais são importantes para se desenvolver um ótimo projeto que retorne uma
recuperação máxima do reservatório, mas que também seja viável comercialmente.

Em relação à geometria da fratura, estudos mostraram que a rede de fraturas se


sobressai às fraturas planares, por se interconectarem com as fraturas naturais e resultarem em
uma maior área drenada do reservatório. Outros fatores, relacionados às fraturas, que também
influenciam diretamente na recuperação, são o comprimento da asa da fratura, a espessura,
condutividade, direção, número de estágios, entre outros.

Sendo assim, o objetivo do trabalho em questão foi comparar a influência do número


dos estágios de fraturas hidráulicas, do tipo planar, no FR do gás do tipo tight gas de um poço
horizontal produtor. Como resultados, foi possível notar que quanto maior o número de
estágios maior a facilidade de se alcançar o FR máximo. Para o modelo com menor
espaçamento, o FR máximo foi atingido em um curto período de tempo. Mas para os demais
modelos, com maior espaçamento, também houve uma recuperação máxima, mas com um
tempo maior de produção.

Diante disso, pode-se concluir que nem sempre o maior número de fraturas com menor
espaçamento é o ideal para um projeto de fraturas. Pois quanto mais fraturas, maiores são os
custos com equipamentos, aditivos, propantes, poço, completação, entre outros. E não é
interessante comercialmente produzir grandes vazões por um curto período de tempo sendo
preciso um grande investimento inicial.

65
Por isso são necessários estudos com simulações para se encontrar um meio termo no
projeto: nem fraturas próximas demais, que possam gerar um custo inviável de produção e
que também possam interferir na área drenada uma das outras; nem fraturas espaçadas demais
que não favoreçam a recuperação máxima do reservatório e que compensem o investimento
do projeto.

Após um estudo de simulação para o projeto de fraturas como esse, é preciso realizar
uma análise econômica de VPL (valor presente líquido) para se determinar qual o melhor
projeto para o reservatório em questão. Além disso, todo o estudo em volta do
desenvolvimento dos RNC’s no mundo é, agora, necessário no Brasil, a fim de justificar o
investimento de sua produção. O país tem potencial de reservas, mas ainda é preciso muita
pesquisa e experiências com poços reais a fim de se descobrir os melhores projetos de
estimulação para os reservatórios. Por isso, também são sugeridas recomendações para
continuação desse trabalho.

5.2 RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Como recomendações para trabalhos futuros têm-se a:

 construção do VPL, com base em custos reais e preços do gás atuais, para
diferentes estágios de fraturas em poços horizontais e avaliar viabilidade
econômica;
 realização de simulação para produção de reservatórios não convencionais
utilizando dados reais do Brasil;
 avaliação do impacto da variação da espessura das fraturas, do comprimento da
asa, do número de estágios de fraturas e da extensão do poço horizontal na
recuperação do gás não convencional de um mesmo reservatório; e a
 avaliação da produção de uma malha de fraturas aplicada em um reservatório
não convencional do tipo shale gas de dupla-porosidade, e comparar o efeito
da interconexão das fraturas induzidas com as fraturas naturais.

66
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Shale Gas. Monografia (Graduação em Engenharia de Petróleo). Universidade Federal
Fluminense, Escola de Engenharia. Rio de Janeiro, Niterói, 2016.

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Produção de Gás Natural no Brasil: 12ª rodada de licitações de blocos exploratórios.
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BESSA Jr, F. P., Análise da Recuperação em Reservatório de Gás com Baixa


Permeabilidade (Tight Gas) Através do Fraturamento Hidráulico. Dissertação (Mestrado
em Engenharia de Petróleo) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte , Pós Graduação
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de Vapor. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Petróleo) – Universidade Federal do Rio
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67
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72
APÊNDICE A

Descrição sucinta dos modelos (estes distinguem-se apenas pelo número de estágios de
fraturas aplicados no poço).

** Definition of fundamental cartesian grid


**
********************************************************************
*******
GRID VARI 180 65 5
KDIR DOWN
DI IVAR
180*10
DJ JVAR
65*10
DK ALL
58500*10
DTOP
11700*4300
*MDPLNRBK 159
PERMI CON 0.001
NULL CON 1
POR CON 0.02
PERMJ CON 0.001
PERMK CON 0.001
PINCHOUTARRAY CON 1
PRPOR 3004
CPOR 1e-6

** Definition of frac data


RESULTS PLNRTEMPLATE NAME 'Planar Template'
RESULTS PLNRTEMPLATE PRIMFRACWIDTH 0.0025
RESULTS PLNRTEMPLATE PRIMFRACPERM 100000
RESULTS PLNRTEMPLATE ORIGINALREFINEINTO 13 11 1
RESULTS PLNRTEMPLATE END
*PLNRFRAC_TEMPLATE 'Planar Template'
*PLNR_REFINE *INTO 13 11 1
*BWHLEN 250
*JDIR
*INNERWIDTH 0.0025
*LAYERSUP 1
*LAYERSDOWN 1
*PERMI MATRIX *FZ 100000
*PERMJ MATRIX *FZ 100000
*PERMK MATRIX *FZ 100000
*END_TEMPLATE

MODEL GASWATER
TRES 100
PVTG EG 1

73
** p Eg visg
14.696 5.2463 0.0105568
247.05 92.5917 0.0109124
479.403 189.237 0.0114533
711.757 296.717 0.012177
944.11 416.226 0.0131201
1176.46 547.643 0.0143282
1408.82 688.114 0.0158325
1641.17 831.477 0.01762
1873.52 970.157 0.0196239
2105.88 1098.27 0.0217484
2338.23 1212.98 0.0239034
2570.59 1313.95 0.0260219
2802.94 1402.2 0.0280628
3035.29 1479.36 0.0300054
3267.65 1547.12 0.0318436
3500 1607.02 0.0335795
GRAVITY GAS 0.818
REFPW 14.696
DENSITY WATER 62.4785
BWI 1.00573
CW 3.19387e-006
VWI 0.770621
CVW 0.0
ROCKFLUID
NONDARCY GENERAL 0.5
1.485e+009 1.021 0 10000
1.485e+009 1.021 0 10000
RPT 1
** Sw krw
SWT
0.2 0
0.21 0
0.22 0
0.26875 1.52588e-005
0.3175 0.000244141
0.36625 0.00123596
0.415 0.00390625
0.46375 0.00953674
0.5125 0.0197754
0.56125 0.0366364
0.61 0.0625
0.65875 0.100113
0.7075 0.152588
0.75625 0.223404
0.805 0.316406
0.85375 0.435806
0.9025 0.586182
0.95125 0.772476
1 1
** Sl krg
SLT
0.2 0.8
0.23625 0.617981

74
0.2725 0.468945
0.30875 0.348645
0.345 0.253125
0.38125 0.178723
0.4175 0.12207
0.45375 0.0800903
0.49 0.05
0.52625 0.0293091
0.5625 0.0158203
0.59875 0.00762939
0.635 0.003125
0.67125 0.00098877
0.7075 0.000195312
0.74375 1.2207e-005
0.78 0
0.79 0
0.8 0
NDARCYCOR CON 0

** Initial Conditions
REFDEPTH 4300
REFPRES 3004
DWGC 4750
NUMERICAL
DTMAX 5
DTMIN 0.00001
NORM PRESS 100
NEWTONCYC 50
NCUTS 50
NORTH 200
ITERMAX 200
SHIFT PRESS 5.0e-6
SHIFT SATUR 1.0e-6
RUN
DATE 2016 1 1
DTWELL 0.01

** Production Well
WELL 'Well-1'
PRODUCER 'Well-1'
OPERATE MIN BHP 500.0 CONT
MONITOR MAX STG 5e+007
** UBA ff Status Connection
** rad geofac wfrac skin
GEOMETRY I 0.656 0.37 0.0025 0.0
PERF GEOA 'Well-1'

75