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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

UNESA
CURSO DE PSICOLOGIA

BEATRIZ TORRES
MARINA PEREIRA
MICHELLE SANTOS
VANESSA DINIZ

O DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL DA CRIANÇA DISLÉXICA

RIO DE JANEIRO – RJ
2016
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
UNESA
CURSO DE PSICOLOGIA

BEATRIZ TORRES
MARINA PEREIRA
MICHELLE SANTOS
VANESSA DINIZ

O DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL DA CRIANÇA DISLÉXICA

Trabalho apresentado à disciplina de


Produção Avançada de Trabalho
Acadêmico II, como requisito para
obtenção de nota final, do curso de
Bacharel em Psicologia da Faculdade
UNESA sobre a supervisão da Profª. Celia
Celina do Carmo Pessoa.

RIO DE JANEIRO – RJ
2016
INTRODUÇÃO:

Longe de ser considerado um distúrbio raro, a dislexia afeta, atualmente, um


número consideravelmente significativo. A palavra Dislexia etimologicamente deriva do
grego, formada pelos radicais “dis” que significa difícil ou distúrbio e “lexia”, que significa
palavra. Em um sentido geral, refere-se, portanto, a uma dificuldade na aprendizagem
da leitura e escrita. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD, 2016), o
termo “é considerado um transtorno específico de aprendizagem de origem
neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da
palavra, na habilidade de decodificação e em soletração”.
Como distúrbio congênito, é imprescindível um amparo adequado à criança
disléxica em seus anos iniciais, atendendo assim a necessidade, reconhecida pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), de promover a saúde mental das crianças, já
que é indiscutível a importância de o desenvolvimento infantil ocorrer de maneira
saudável, evidenciando as características positivas de cada fase a ser superada pela
criança.
Como é proposto por Wallon, o homem é indissociavelmente biológico e social, e
seguindo esse conceito, devemos considerar todos os aspectos de seu contexto cultural,
social e familiar para compreender a criança e seus comportamentos. Assim, o
raciocínio estabelecido por este modelo biopsicossocial admite-se que para entender a
complexidade do ser humano e compreender como são gerados e influenciados os
processos mentais e os comportamentos é necessário entender os fatores biológicos,
psicológicos e socioculturais. Não raro, toma-se conhecimento, da influência que os
outros fatores exercem nas crianças disléxicas e das consequências da falta do
acompanhamento adequado à criança e adolescente diagnosticado com tal transtorno.
Na ocorrência de situações que criem obstáculos a esse desenvolvimento,
podemos afirmar que acarreta sequelas não só na área educacional, como em todos os
setores da vida, afetando o seu desenvolvimento implicando em um autoconceito
negativo e o rebaixamento de sua autoestima.
A autoestima é fundamental para a criança com dificuldades específicas de
aprendizagem, porque a habilita a entrar no ciclo do êxito. Se elas acreditarem na sua
capacidade, reagirão mais intensamente e passarão a se autovalorizar. Em
contrapartida, a baixa autoestima pode causar um ciclo vicioso de fracasso. Assim, a
criança tenta fugir do fracasso, evitando os desafios. Frank ressalta acerca da pressão
emocional e do sentimento e inadequação dos disléxicos:

Se para uma criança disléxica o tempo levado para lembrar uma simples palavra
pode ser extremamente frustrante, para o adulto, a incapacidade de evocar
palavras (a chamada disnomia) pode causar embaraço ou sentimento de
inadequação, aumentando o sentimento de frustração e de inferioridade dos
disléxicos. Além disso, tanta pressão emocional em dar o melhor de si, pode
torná-los agressivos (2003, p. 03).

Desta forma, o presente estudo pretende identificar no ambiente de convívio e


nas relações sociais situações que podem se tornar um obstáculo no desenvolvimento
emocional da criança com dislexia. Através de pesquisas bibliográficas, aprofundar
como deve decorrer o acompanhamento às crianças disléxicas, destacar a importância
da afetividade e do apoio do ambiente escolar e familiar no desenvolvimento emocional
a fim de promover o bem-estar da criança e evitar as diversas consequências negativas,
como, desmotivação, autoconceito reduzido, vergonha, e em alguns casos, levando a
criança a um quadro depressivo, que afetam significantemente seu desenvolvimento
emocional.
Portanto, torna-se uma necessidade a construção de projetos na área da
psicologia e familiar visando auxiliar na compreensão da dislexia, na identificação dos
sintomas e orientação na busca de profissionais capacitados a realizar o
acompanhamento necessário a essas crianças, possibilitando a modelagem de um
ambiente cada vez mais benéfico ao desenvolvimento emocional e aumentando a
probabilidade de um prognóstico promissor.

O QUE É DISLEXIA?

Segundo a definição adotada pela IDA – International Dyslexia Association, em


2002 e também pelo National Institute of Child Health and Human Development –
NICHD), a Dislexia do desenvolvimento é considerada um transtorno específico de
aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no
reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em
soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente
fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades
cognitivas.
Fonseca (1995), coloca que a dislexia se trata de uma desordem (dificuldade)
manifestada na aprendizagem da leitura, independentemente de instrução convencional,
adequada inteligência e oportunidade sociocultural. E, portanto, dependente de funções
cognitivas, que são de origem orgânica na maioria dos casos.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV (1995)
caracteriza a dislexia como comprometimento acentuado no desenvolvimento das
habilidades de reconhecimento das palavras e da compreensão da leitura. O diagnóstico
é realizado somente se esta incapacidade interferir significativamente no desempenho
escolar ou nas atividades da vida diária (AVD’s) que requerem habilidades de leitura. A
leitura oral no disléxico é caracterizada por omissões, distorções e substituições de
palavras e pela leitura lenta e vacilante. Neste distúrbio, a compreensão da leitura
também é afetada.
Ser disléxico não é ser deficiente. Ele pode ser uma pessoa saudável e
inteligente, porém com dificuldade acima do comum em aprender a ler. Geralmente,
o disléxico possui um QI normal ou até mesmo acima do normal. Alguns possíveis sinais
da dislexia na pré-escola: Dispersão, fraco desenvolvimento da atenção, atraso do
desenvolvimento da fala e da linguagem, dificuldade de aprender rimas e canções, fraco
desenvolvimento da coordenação motora, dificuldade com quebra-cabeças, falta de
interesse por livros impressos.
Segundo Lima (2010) A dislexia pode ser dividida nos tipos: a) disfonética ou
fonológica (auditiva), caracterizada por dificuldades na leitura oral de palavras pouco
familiares, na conversão grafema-fonema e possível disfunção no lobo temporal; b)
diseidética ou superficial (visual), caracterizada por dificuldade no processamento visual,
na qual a criança lê por meio de um processo elaborado de análise e síntese fonética e
disfunção no lobo occipital; c) mista, caracteriza por dificuldades dos dois tipos
anteriores, sendo associada à disfunção dos lobos pré-frontal, occipital e temporal.
Na idade escolar os sinais aparecem como: Dificuldade na aquisição e automação
da leitura e da escrita; pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e
aliteração (sons iguais no início das palavras); desatenção e dispersão; dificuldade em
copiar de livros e da lousa; dificuldade na coordenação motora fina (letras, desenhos,
pinturas etc.) e/ou grossa (ginástica, dança etc.); desorganização geral, constantes
atrasos na entrega de trabalho escolares e perda de seus pertences; confusão para
nomear entre esquerda e direita; dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas
telefônicas etc.; vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou longas e vagas.

A maioria desses sinais citados os professores são os primeiros a notar, e quando


o profissional é capacitado logo ele avisa aos pais e encaminha a criança para um
psicopedagogo ou psicólogo. Porem muitas vezes a criança é frequentemente rotulada
como preguiçosa e aí avançam justificações, “é uma criança inteligente… Se se
esforçasse mais…”, desconhecendo, porém, o real esforço empreendido. Para a
criança, persiste a convicção de que, se o seu problema dependesse do esforço,
conseguiria atingir o que almeja. Uma vez consumida, em vão, toda a energia de que
dispõe, resta-lhe acreditar que as dificuldades veem da sua reduzida capacidade.

O problema fica maior pelo facto de que a Dislexia, enquanto dificuldade de


aprendizagem específica da leitura, indica, por definição, que estas crianças cometerão
erros e assim serão repetidamente confrontadas com o seu fracasso. Uma criança com
Dislexia será sempre uma pessoa com Dislexia, apesar da sua manifestação poder
adotar novos formatos.

ALTERAÇÕES EMOCIONAIS NA DISLEXIA

Segundo Luciana Alves, o importante é ressaltar que toda a criança com dislexia
tem seu quadro inicialmente identificado com uma dificuldade escolar, o que geralmente
essa dificuldade inicial é atendida pelo professor, mas é a partir dessa dificuldade que
começam os problemas emocionais da criança. Porque muitas vezes a dislexia é
confundida como um todo, ou que a criança está sendo preguiçosa. Sem contar que
muitas crianças com dislexia podem apresentar comorbidades.

“Crianças com dificuldade na leitura e na escrita têm cinco vezes mais


chances de apresentar algum tipo de comportamento antissocial ou
comorbidade como TDAH, ansiedade e depressão” (Lourenceti, 2011, pg
313).

As comorbidades mais comuns que acompanham a dislexia (importante ressaltar


que não são todos os casos) são o transtorno déficit de atenção com ou sem
Hiperatividade, Transtorno do Humor, Discalculia, Enurese, Ansiedade e a Depressão.
Vamos entender um pouco mais de cada um e olhar o sujeito como um todo e não
apenas um olhar para a dislexia e o a dificuldade de aprendizado.

A criança com dislexia e TDAH além de ter a sua dificuldade na leitura ela
também soma a falta de concentração para ler, torna-se uma criança mais inquieta
porque além de não conseguir manter-se concentrada ela também não tem interesse em
aprender. E isso para criança torna-se uma angustia muito grande porque ela se sente
pressionada a cumprir as tarefas e responder as expectativas dos adultos (pais e
professores), uma vez que muitas vezes mesmo que não haja cobrança, a criança quer
ver os adultos felizes e também as aplaudindo. Isso pode levar a criança frustração, a
baixa autoestima e a falta de motivação e, consequentemente a comportamentos
inadequados e antissociais. A criança com dislexia e Transtorno de Ansiedade há uma
preocupação excessiva, com interações sociais, segurança pessoal, o passado e o
futuro, seguidas de somatizações, como dores no estômago, cefaleias, sudoreses e
taquicardia. Podemos também citar a fobia escolar e fobia social a criança recusa ir as
aulas por medo de ser exposta ou medo do seu fracasso acadêmico e se houver
insistência a criança começa a isolar-se.

Ourta comormidade muito frequente é a depressão e que tão pouco é falada ou


compreendida porque a depressão infantil manifesta-se de forma diferente da adulta, ela
se dá através da enurese, falta de apetite, falta de interesse em algumas brincadeiras
(ou seja, nem sempre a criança simplesmente irá parar de brincar totalmente, não é
porque a criança está em depressão que ela não brinca, apenas diminuirá ou estará com
brincadeiras mais agressivas), apatia e falta de apetite.

O papel do psicólogo nesse momento é muito importante porque não só


trabalhará as questões emocionais que são visíveis, mas as cognitivas e culturais; irá
reforçar a sua autoestima e o que é o mundo para ela. Porque muitas vezes essa
criança também não teve sucesso em compreender a sua trajetória de vida que foi
completamente modificada ao longo da sua vida por uma má criação onde o reforço
obtido por ela era a incapacidade ou preguiça de conseguir ler.

A dislexia é uma condição do indivíduo, geneticamente determinada e que


acompanhará durante toda a vida. As melhores técnicas e profissionais não serão
capazes de reverter o quadro. No entanto segundo Pirsig (2011) muito pode ser feito no
intuito de adaptar o indivíduo com essa condição à sociedade e esta ao indivíduo. É
possível e desejável promover o sucesso profissional, emocional, social e em todos os
demais nuances da vida, apesar da dislexia.