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Cálculo de Solicitações e

Resistências de Projeto

Projeto Estrutural

Almeja-se una estrutura


segura, econômica e que
cumpra determinados
requisitos de projeto.

O Projeto Estrutural é um
processo criativo baseado no Sd  R d
conhecimento dos princípios da
estática, dinâmica, mecânica de Sd – Solicitação de projeto
sólidos e análise estrutural. Rd - Resistencia de projeto

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PROCESO DE PROJETO ESTRUTURAL
Modelos de carga Modelo estrutural Modelos de resistência

Análise estrutural

Revisar projeto

Verificar
Sd  R d Fim
Não cumpre Cumpre

Confiabilidade Estrutural
Um projeto estrutural envolve
a consideração de muitas
variáveis; algumas delas
podem conter incertezas, ou
seguir certa distribuição
probabilística.

Essas incertezas influenciam


na segurança estrutural, ou
seja, implica numa
probabilidade não nula de
que haja falhas estruturais. No projeto estrutural deve se
garantir resistência estrutural de
modo que a probabilidade de
Entende-se por falha o estado no qual um que a solicitação exceda a
sistema é solicitado por esforços que resistência prevista, seja menor
excedam seus limites estabelecidos em que um valor determinado (5%).
projeto.

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Objetivos de um projeto estrutural:
I. Segurança estrutural
Evitar o colapso da estrutura
II. Bom desempenho da estrutura
Evitar a ocorrência de grandes deslocamentos,
vibrações, danos locais

Estados limites

Estados a partir dos quais a estrutura apresenta desempenhos


inadequados às finalidades da construção.

 Estado limite último:


Ações excessivas que determinam a paralisação parcial ou
total da estrutura, em função de certas deficiências
estruturais:
• Início de escoamento do material
• Ruptura por deformação plástica
• Instabilidade (flambagem)
• Instabilidade dinâmica (ressonância)

 Estado limite de utilização:


São situações relativas as condições de uso desejadas,
associado a cargas em serviço
• deslocamentos excessivos
• vibrações excessivas

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Métodos de Cálculo
Década 80:
Método das Método dos Estados
Tensões Limites (MEL)
(LRFD – Load and Resistance
Admissíveis Factor Design)
(MTA)

Normas - São documentos oficiais que reúnem um conjuntos de regras


e especificações para cada tipo de estrutura, estabelecendo bases comuns
obrigatoriamente utilizadas por todos na elaboração dos projetos -
ABNT

Normas vigorando atualmente (Estruturas de Aço )

ABNT – NBR8800 – Nov/2008  MEL((baseada na AISC-LRFD,2005)


ABNT – NBR 7190  MEL
EUROCODE 3 (2005)  MEL
AISC/2005 (Estados Limites)  MEL/MTA

Disciplina Aço e Madeira - Normas utilizadas:

ABNT - NBR 8800:2008 - PROJETO DE ESTRUTURAS DE AÇO E MISTAS

ABNT - NBR7190:1997 - PROJETO DE ESTRUTURAS DE MADEIRA

ABNT – NBR 14762 - PROJETO DE ESTRUTURAS DE AÇO CONSTITUIDA


POR PERFIS FORMADOS A FRIO

NORMAS BRASILEIRAS QUE SE OCUPAM DAS CARGAS:

ABNT - NBR 6123 – Cargas devidas ao vento em edificações, Rio de Janeiro


ABNT - NBR 6120 – Cargas para o cálculo de estruturas de edificações
ABNT- NBR 7188 – Carga móvel em ponte rodoviária e em passarela de
pedestres

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Método das Tensões Admissíveis (MTA)
ASD – Allowable Stress Design

Este método se originou a partir dos desenvolvimentos da


Resistência dos Materiais em regime elástico.

O projeto estrutural é satisfatório quando:

 max  f adm
o dimensionamento é
considerado satisfatório
quando a máxima tensão
solicitante σ em cada seção é
inferior a uma tensão
resistente admissível fadm

max – máxima tensão solicitante (na seção crítica).

fn fn – tensão resistente nominal (material)


 max  f adm 
 fadm – tensão admissível (material)
γ – coeficiente de segurança (>1)

Adicionalmente: verificação de deformações excessivas em


serviço

Condições limites:
• Problema Estático
•Tensão de escoamento
• Problema Compressão
• Flambagem (instabilidade)
• Problema Dinâmico
• Fadiga (máquinas, pontes)

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Limitações do MTA:
• Um único coeficiente de segurança () para expressar varias
incertezas de origens diversas
• Análise estrutural feita em regime elástico.

No MTA não se consideram


reservas de resistência existentes após
o início do escoamento do material

Teoria Plástica de Dimensionamento das seções

Plastificação progressiva da seção (tensões normais)

My - momento de início da plastificação


Mp - momento de plastificação total da seção
 (Mp – My) reserva de resistência

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Teoria Plástica:

Equação de conformidade da
estrutura

 Qserv < Qu

Qserv – carga de serviço (atuante)


Qu – carga que produz colapso da estrutura
 - coeficiente de segurança (único)

Método dos Estados Limites (MEL ou LRFD)

LRFD  ( LOAD AND RESISTANCE FACTOR DESIGN)


Projeto estrutural considerando fatores nas solicitações e nas
resistências.

Por estados limites entende-se:


• a ruptura mecânica do elemento estrutural ou
• o deslocamento excessivo que torne a estrutura
imprestável.

A estrutura deixa de satisfazer um de seus objetivos: (1) ou (2)


1. Segurança estrutural  Método dos estados limites últimos
2. Bom desempenho estrutural  Método dos estados limites de utilização

O MEL considera mecanismos de falha nas peças estruturais nos


estados elástico e plástico.

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Cálculo da Solicitação de Projeto – Sd

S d  S   i Fi )
Sd - Solicitação de projeto
Fi - Solicitação nominal
i - Coeficiente de ponderação das ações

• Permanente (Gi)
Tipos de Ações Externas (Fi) • Variáveis (Qi)
• Excepcionais (E)

Tipos de Ações Externas (Fi)

1. Permanente (Gi): Pequenas variações em torno de sua


média e atuam durante praticamente toda vida útil da
edificação - Peso próprio da estrutura, de revestimentos,
pisos, acabamentos, equipamentos, etc.
2. Variáveis (Qi): Variação significativa durante a vida útil da
edificação - Sobrecargas de ocupação da edificação,
móveis, divisórias, vento em coberturas, empuxo de terra,
variação de temperatura, etc.
3. Excepcionais (E): Duração extremamente curta e baixa
probabilidade de ocorrência - Explosões, choque de
veículos, abalo sísmico, etc.

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Combinação das ações

• Combinações normais: carregamentos possíveis


durante a vida útil da estrutura
• Combinações construtivas: carregamentos possíveis
durante a construção ou montagem da estrutura
• Combinações excepcionais: carregamentos devido a
acidentes ou explosões

 Combinações normais e durante a construção


(uso previsto da estrutura)

S d    gi Gi  q1Q1    qj 0 j Q j

G - carga permanente,
Qj - ações variáveis que atuam simultaneamente a Q1 e tem efeito desfavorável
Q1 - ação variável predominante (base) para a combinação estudada

g coeficiente de majoração de carga permanentes


q coeficiente de majoração de carga variáveis
0 fator de combinação de ações.

0  Fator estatístico, leva em conta a baixa probabilidade de ocorrência simultânea


das cargas de distinta natureza com seus valores característicos.
Y 0 =1, quando a carga variável Qj é da mesma natureza que a carga predominante Q1

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 Combinações excepcionais (E)
(ações especiais - decorrentes de uso não previsto da estrutura)

S d    g Gi  E    qj  2Q j

Quando a ação dominante Q1=E tiver tempo de duração


muito curto ψ0 é substituído por ψ2.

Tabela 1.5 - Coeficientes de segurança parciais f aplicados às ações no Estado


Limite Último (NBR 8800)

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Notas da Tabela 1.5:
a) Os valores em parênteses correspondem aos
coeficientes para ações permanentes favoráveis à
segurança
b) Ações variáveis e excepcionais favoráveis à segurança
não entram nas combinações.

Tabela 1.6 - Valores dos fatores de combinação Y0 e de redução Y1 e Y2 para ações variáveis
(NBR 8800/2008)

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Cálculo de Sd aproximado

a NBR8800 apresenta equações em que as cargas permanentes são


agrupadas e afetadas por um único fator de majoração bem como para
o agrupamento de cargas variáveis

Para Quso  5kN / m 2

S d  1,35 Gi  1,50Q1   0Q j )

Para Quso  5kN / m 2

S d  1,40 Gi  1,40Q1   0Q j )

Tabela 1.7 - Valores do coeficiente m parcial de segurança, aplicado as Resistências

Rn
Rd 
m

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Cálculo da Resistência de Projeto - Rd

S d  S  i  Fi )  Rd 
Rn
m Sd -Solicitação de projeto
d – design; Rn - Resistência nominal (esforço resistente
n - nominal nominal para o estado limite último em
consideração)
Rd - Resistência de projeto

m - Coeficiente de ponderação da resistência (≥1,0)

 m   m1   m 2   m3
• Leva em conta o fato de que o esforço Rd pode ser menor que o previsto.
Fontes de incertezas:
• γm1 - variabilidade das propriedades mecânicas do material;
• γm2 - incertezas relativas ao comportamento das peças (ensaio/obra);
• γm3 - à execução da estrutura, às dimensões das seções das peças, etc.
• O coeficiente depende do critério de falha adotado (escoamento, ruptura).

Problema 1.- Calcular o diâmetro mínimo necessário para uma barra de aço
comum, MR250, sujeito a um esforço axial de P=35 kN.

Caso 1 - Utilizando o Método das Tensões Admissíveis


com fator de segurança =1,6

a) Cálculo da Resistência: Para o aço MR250 fy=250 MPa

No MTA  adm =fy /   250/1,6  156,3 MPa


b) Cálculo solicitação:S  P  35kN  44,56
A d 2 / 4 d2
c) Diâmetro mínimo:
S d  Rd S  Rd   adm

44,56  d  0,0169m  1,7cm


 156.300
d2

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Caso 2 - Utilizando o Método dos Estados Limites. Considere que a
carga P é devido ao peso próprio de estruturas metálicas suportados pela
barra de aço e para o estado limite de escoamento do aço

a) Cálculo da Resistencia: Para o aço MR250 fy=250 MPa


No MEL  fy
Rd  Da tabela 1.7  m = 1 =1,10
 1 (aço/escoamento)
b) Cálculo da solicitação:

P
Sd   g    g   Da tabela 1.5  g 1,25
 A peso próprio de estruturas metálicas)

c) Seção transversal necessária:


 P  fy
Sd R d Sd   g    g   
 A   1

1,25  35 250.000  d  0,015m  1,5cm



 d2 / 4 1,10

Estado limite de utilização - Combinação das ações


Verifica a capacidade da estrutura de desempenhar satisfatoriamente as
funções a que se destina sob ação das cargas em serviço. Em geral,
verificam-se limites de deformação elástica e limites de vibração.

Para os estados limites de utilização (ou de serviço) definem-se três valores


representativos das ações variáveis Q em função do tempo de duração das ações e de
sua probabilidade de ocorrência:

a) quase-permanentes: podem atuar durante grande parte do período de vida da


estrutura e sua consideração é necessária na verificação do estado limite de
deformações excessivas.
b) frequentes: se repetem muitas vezes durante o período de vida da estrutura e sua
consideração é necessária na verificação dos estados limites de formação de
fissuras e de vibrações excessivas.
c) raras: ocorrem algumas vezes durante o período de vida da estrutura e sua
consideração é necessária na verificação do estado limite de formação de fissuras.

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Tipos de combinações
As ações são combinadas sem majoração ( =1)
np nq
Combinação quase-permanente: S d   Gi  2Q1   2 j Q j
i 1 j 1

np nq
Combinação frequente: S d   Gi  1Q1   2 j Q j
i 1 j 1

Combinação rara:
np nq
S d   Gi  Q1   1 j Q j
i 1 j 1

Sendo os coeficientes ψ1 e ψ2 dados na Tabela 1.6 (ψ2 < ψ1 < ψ0)

Cabe ao projetista a seleção das combinações de ações de serviço a serem


utilizadas conforme a destinação prevista para estrutura e as propriedades dos
materiais, equipamentos e acessórios instalados na estrutura

Tabela 1.6 - Valores dos fatores de combinação Y0 e de redução Y1 e Y2 para ações variáveis
(NBR 8800/2008)

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Tabela 1.8 - Valores limites de deslocamentos - Norma NBR 8800

Problema 2:
Um montante da treliça de uma cobertura em madeira esta sujeita aos sgtes.
carregamentos verticais distribuídos por unidade de comprimento:
• peso próprio + peso cobertura G = 0,8 kN/m
• Sobrecarga Q = 1,5 kN/m + tração
• vento V1 (sobre pressão) V1= 1,3 kN/m
• vento V2 (sucção) V2 = - 1,8 kN/m - compressão

Calcular as ações combinadas para o projeto no estado limite último de acordo com a
NBR 8800.

S d    gi Gi  q1Q1    qj 0 j Q j
 São três ações variáveis. Porém, V1 e V2 são mutuamente excludentes (sinais
contrários – efeitos contrários).

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S d    gi Gi  q1Q1    qj 0 j Q j Carga γ ψ0
Peso próprio (G) 1,5 --
Sobrecarga (Q) 1,5 0,8
Vento pressão (V1) 1,4 0,6
Vento Sucção (V2) 1,4 0,6

Temos três cargas variáveis Serão três as combinações normais das ações:
C1: Q1 =Q (sobrecarga)  Sd1 = 1,5 G + 1,5Q + 1,4 Y0 V1
= 1,5 (0,8) + 1,5 (1,5) +1,4 0,6) (1,3)
= 4,54 kN/m

C2: Q1=V1 (vento de sobre pressão)  Sd2 = 1,5 G + 1,4 V1 + 1,5 Y0 Q


= 1,5 (0,8) + 1,4 (1,3) +1,5 0,8) (1,5)
= 4,82 kN/m

C3: Q1=V2 (vento de sucção)  Sd3 = 1,0 G - (1,4) V2


= 1,0 (0,8) – (1,4) (1,8)
= -1,72 kN/m

 O projeto deve verificar Sd=4,82kN/m (tração)


as seguintes solicitações:
Sd=-1,72kN/m (compressão)

 Sd - Projeto de estruturas de vários elementos

PP- peso próprio,


SC- sobrecarga,
V1 - vento de sobrepressão,
V2- vento de sucção

1) Para cada carregamento atuante calcular os esforços internos em cada


um dos elementos (N, V ou M)
(USAR por exemplo FTOOL, ROBOT, MASTAN2, ANSYS, ABAQUS, etc ...)

2) Fazer as combinações dos esforços (N, V, M) para cada elemento e


identificar os elementos mais solicitados.

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Exemplo:

Sejam: PP- peso próprio, SC- sobrecarga, V1 - vento de sobre pressão,


V2- vento de sucção

Elemento PP (KN) SC (KN) V1 (KN) V2 (KN) C1 C2 C3

1 -19,8(2) -20,6(2) 12,9(2) 5,7(2) -56,10 -5,52 -12,75

2 -23, 6(2) -23, 3(2) 17, 6(2) 8, 6(2) -64,98 -4,17 -13,29

3 -22, 2(2) -22, 1(2) 19, 6(2) 9, 3(2) -63,26 -1,40 -11,41

• (2)esforços calculados no FTOOL, ROBOT, etc.


• C1, C2, C3 são as combinações calculadas (Treliça  N cargas axiais)

EXERCÍCIO 05 - TRELIÇA METÁLICA


Robot Structural Analysis - Desenho, Cálculo

https://youtu.be/CGA1HexlaCY

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Problema 3

Determinar as solicitações de projeto relativas a momento fletor que atua na


viga bi apoiada com balanços (Figura). Considere combinação normal das
ações

g=2 kN/m (Peso próprio de estruturas pré-moldadas)


q=3 kN/m (Ação do vento)

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Solicitações de projeto:

S d    gi Gi  q1Q1    qj 0 j Q j

Tabela1.5 –
Ação Permanente Peso próprio de estruturas pré-moldadas:
g=1,3 ou g=1,0 (no caso de efeito favorável)
Ação do vento  q=1,4

 qmax = 1,3g+1,4q
Observação:
= 1,3(2)+1,4(3) O valor máximo da
= 2,6+4,2 solicitação Md será obtido
= 6,8kN/m dispondo o máximo possível
de carga nos balanços

Observações:
• Os momentos máximos ocorrerão no meio do vão MA (+) e nos apoios MB (-)
• A ação variável não deve ser disposta em posições que provoque diminuição do
efeito que esta sendo calculado

Cálculo das solicitações de projeto:


Etapa I - Cálculo do momento negativo máximo - no apoio MB (-)
Etapa II - Cálculo do momento positivo máximo - no meio do vão MA (+)

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I) Cálculo do momento máximo no apoio MB (-)

- O valor máximo para MB será obtido dispondo o máximo possível de carga


nos balanços
 qmax = 1,3g+1,4q =2,6+4,2=6,8kN/m

qmax  l 2  (2,6  4,2)  22 


M B ,d     -13,6kNm
2  2 

II) Cálculo do momento no meio do vão, MA :


- As cargas do balanço apresentam efeito favorável na determinação de MA.
Portanto:
• a ação variável não deve ser disposta nos balanços
• a ação permanente sobre os balanços não deve ser majorada (g=1,0)

- Nos balanços  q1 = 1,0g =1,0(2,0)=2,0kN/m (a carga q não é considerada)


- No vão central  q2= 1,3g+1,4q =2,6+4,2=6,8kN/m

q1  l1 q l
2 2
M A, d  -  2 2
2 8 A resistência de projeto deve ser
 2,0  (2,0) 2   (2,6  4,2)  52  verificada para:
 -   M(+)  MA,d = 17,25kNm
 2   8  M(-)  MB,d = -13,6kNm
 17,25kNm

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