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AGRIPUL

Actuação contra a Gripe Pandémica na


Universidade de Lisboa

Apresentação do Plano de Actuação

AGRIPUL Vasconcelos Tavares – Vice-Reitor 1


Introdução
A Universidade de Lisboa preparou um Plano de Actuação que descreve, de forma o mais objectiva possível,
qual deverá ser a actuação de Todos os seus membros, perante a ocorrência de uma situação de
Pandemia de Gripe A (H1N1). Os estabelecimentos de ensino assumem um papel muito importante na
prevenção de uma pandemia de gripe, pela possibilidade de contágio e rápida propagação da doença entre
os seus alunos, funcionários e docentes.
Todo o projecto da Actuação contra a Gripe Pandémica na Universidade de Lisboa é elaborado em
consonância com o Plano de Contingência Nacional do Sector da Saúde, para a Pandemia de Gripe A.
Não é estático e estará em permanente ajustamento com as orientações emanadas pela Direção Geral de
Saúde.
Assim, o presente documento apresenta as orientações e procedimentos que permitem preparar a resposta
da instituição, perante a ocorrência de uma pandemia de gripe, tendo em conta as actuais recomendações da
Direcção-Geral da Saúde e de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do
European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).
Este Plano representa um compromisso face ao futuro, legitimado através de um processo participativo na
sua elaboração. Deverá ser amplamente divulgado e analisado por todos os membros da Universidade de
Lisboa, pois do mais pequeno gesto poderá resultar a diferença.

1. Objetivos
Foram definidos como principais objectivos do Plano de Actuação os seguintes:

1. Minimizar o impacto da pandemia nos estudantes, funcionários, docentes e utentes da


Universidade.
2. Proceder à actualização dos contactos com todos os membros da Universidade de Lisboa.
3. Monitorizar diariamente a situação, de novos casos de gripe A, através da colaboração com as
Unidades Orgânicas, e outras instituições da UL.
4. Assegurar a atempada recolha e comunicação de informação.
5. Promover a continuidade do processo de ensino-aprendizagem, nomeadamente pelo recurso a
técnicas de ensino à distância como e-learning.
6. Assegurar uma resposta coordenada com as outras instituições da Universidade,
nomeadamente as de saúde, envolvidas na resposta à pandemia.

Com o presente Plano a Universidade de Lisboa procura dispor de uma resposta eficaz, coordenada e em
colaboração com a Autoridades Nacionais de Saúde, nomeadamente a Direcção Geral de Saúde, para
enfrentar a Pandemia de Gripe A (H1N1).
O plano foi elaborado estabelecendo como quadro de referência os seguintes documentos:
 DGS: Plano de Contingência Nacional do Sector da Saúde para a Pandemia de Gripe
http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i010835.pdf
 ECDC: Recomendações e orientações
http://www.ecdc.europa.eu/en/Health_topics/novel_influenza_virus/2009_Outbreak/
 OMS: Epidemic and Pandemic Alert and Response (EPR) – Influenza A (H1N1)
http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/index.html
 U.S. Department of Health & Human Services/CDC: H1N1 Flu Information
http://www.pandemicflu.gov/; http://www.cdc.gov/h1n1flu/; http://www.hhs.gov/pandemicflu/plan/
 University of Toronto, Joint Centre for Bioethics. Stand on guard for thee: Ethical considerations in
preparedness planning for pandemic influenza.
http://www.jointcentreforbioethics.ca/people/documents/upshur_stand_guard.pdf

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 Plano de Actuação do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge em Situação de Pandemia
de Gripe PASPG do INSA e AGRIPINA (Actuação contra a Gripe Pandémica no INSA)
 University of Oxford – Pandemic Influenza Planning Framework
 University of Cambridge – Guidance for staff and managers when dealing with staff absences
associated with the H1N1 pandemic.
 Planos de contingência gentilmente cedidos pelas empresas seguintes que tem ligação à Reitoria
o Plano de Contingência da Empresa de Segurança Prestibel
o Plano de Contingência da Empresa de Limpeza ISS Facility Services
o Plano de Contingência da Caixa Geral de Depósitos

Este Plano evidencia o compromisso da Reitoria da Universidade de Lisboa em conjunto com as suas
Unidades Orgânicas, Museus, Institutos, Departamentos, Gabinetes e Serviços de Ação Social suas
Residências e Cantinas, de acautelar a protecção de todos os que nela trabalham e, consequentemente,
salvaguardar perante a comunidade a operacionalidade da instituição no desempenho das suas principais
tarefas de ensino e investigação.

2. Pandemia de Gripe.
Nos seres humanos, a gripe manifesta-se habitualmente por epidemias anuais – gripe sazonal, de magnitude
e gravidade variáveis.
As pandemias de gripe são epidemias mundiais que ocorrem com intervalos irregulares, normalmente de
várias décadas (três vezes no século XX). Ocorrem geralmente associadas ao vírus influenza A, que está
classificado em subtipos e que é susceptível de sofrer alterações do seu genoma viral.
Em regra está em causa um novo subtipo do vírus tipo A para o qual a população tem uma susceptibilidade
quase universal, e que resulta de variações antigénicas major (shift antigénico). Estas variações
correspondem a alterações mais profundas e inesperadas do genoma viral, por mutação adaptativa, em que
um vírus adquire mutações graduais, durante infecções sequenciais no homem ou noutro mamífero, ou por
um processo de recombinação entre vírus da gripe sazonal circulantes e vírus da gripe de outras espécies.
Resultante da susceptibilidade generalizada da população ao novo vírus associada a uma transmissão de
forma eficaz e sustentada, a gripe ocorre, em simultâneo, em extensas regiões do globo, afecta uma elevada
proporção da população e causa excesso de mortalidade e disfunção social. A pandemia pode evoluir por
ondas, cada uma com uma duração de 8 a 12 semanas, e a sua contenção só será possível em estadios
muito precoces, pelo que as medidas a tomar no início da pandemia se destinam, principalmente, a atrasar a
progressão da doença, permitindo o seu melhor controlo, até que exista a possibilidade de vacinação.
À data, não existe ainda uma vacina que proteja da gripe A (H1N1), cuja pandemia se teme.
Relativamente ao tratamento e prevenção (profilaxia) da gripe pandémica, os medicamentos considerados de
primeira escolha são os inibidores da neuraminidase, como o oseltamivir e zanamivir. Contudo, a maioria das
pessoas que se infectaram com o novo vírus A (H1N1) apresentaram apenas sintomatologia da sindroma
gripal (odinofagia, tosse, rinorreia, febre, mal-estar, cefaleia, artralgias/mialgias) e recuperaram sem
tratamento antiviral 1.
Usado profilaticamente, o fármaco antiviral pode reduzir a probabilidade de contrair a doença em caso de
pandemia. No tratamento dos doentes com diagnóstico de gripe tem que ser administrado nas primeiras 48
horas após o início dos sintomas. O oseltamivir não está indicado, nem para a prevenção nem para o
tratamento de lactentes com menos de 3 meses de idade.
A sua utilização deve estar sujeita ás recomendações emanadas da Direcção Geral de Saúde, no âmbito do
Plano de Contingência Nacional do Sector da Saúde para a Pandemia de Gripe.
À data, à escala mundial, está-se na fase 6, no período de alerta pandémico2.

1
Adaptado de OMS. Epidemic and Pandemic Alert and Response. Influenza A (H1N1), disponível em:
http://www.who.int/csr/disease/swineflu/frequently_asked_questions/swineflu_faq_antivirals/en/index.html [acedido em 12-05-2009]
2
Adaptado de OMS. Epidemic and Pandemic Alert and Response. Avian Influenza. Current WHO phase of pandemic alert, disponível em:
http://www.who.int/csr/disease/avian_influenza/phase/en/index.html [acedido em 18-05-2009]

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As fases 1-3 dizem respeito à preparação, nomeadamente com a capacidade de planear e desenvolver
respostas, enquanto que as fases 4-6 apontam para a necessidade de concretização de respostas de
mitigação. Os períodos após a primeira onda epidémica são elaborados tendo em vista as actividades de
“reabilitação” pós pandemia (Figura 1).
Fases da Pandemia de Gripe

Fases 5-6(fase
pandémica) Fase post-
Fase 4
pico
Fase post-
Fases 1-3
pandemia
Tempo

Infecção humana
Infecções com amplamente Actividade gripal a
predomínio animal; disseminada no mundo níveis sazonais
escassas infecções
humanas
Transmissão Possibilidade de
pessoa-a-pessoa recorrência de
controlada surtos

Figura 1 – Fases da Pandemia de Gripe no Plano de Contingência Global da OMS

3. Aspectos éticos3
Um plano de actuação em situação de pandemia de gripe tem que ser alicerçado em valores éticos, a fim de
que os intervenientes possam compreender e aceitar antecipadamente as opções que terão que ser feitas.
Com efeito, em situação de pandemia de gripe há decisões difíceis que, de algum modo, têm repercussões
em todos os membros e utentes da UL, nomeadamente a mobilização de recursos humanos em cenários de
absentismo aumentado e com maior volume de trabalho ou, pelo contrário, a restrição de actividades não
consideradas essenciais. Igualmente, a afectação de recursos escassos, tal como a distribuição de antivirais,
poderá impor a selecção de quem é elegível prioritariamente para quimioprofilaxia.
Assim, identificam-se questões éticas com as quais todos vão ser confrontados e que têm que estar
presentes na elaboração do Plano, a saber:
 A eventual necessidade de adoptar medidas restritivas no interesse da Saúde Pública, por exemplo, a
“evicção laboral” e a restrição à mobilidade;
 A definição de prioridades que incluem a distribuição de recursos escassos tais como medicamentos
antivirais e vacinas.
Na elaboração do presente Plano assume-se como quadro de referência um conjunto de valores éticos que
formatarão as medidas que tiverem que ser tomadas e que constituirão um Código Ético para o Plano de
Actuação em Situação de Pandemia de Gripe.

3
Traduzido de: University of Toronto, Joint Centre for Bioethics. Stand on guard for thee: Ethical considerations in preparedness planning for
pandemic influenza.
Disponível em: http://www.jointcentreforbioethics.ca/people/documents/upshur_stand_guard.pdf

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3.1 Código Ético

Valores centrais Descrição

Numa crise com impacto na Saúde Pública, pode ser


necessário impor restrições à liberdade individual em prol
do bem comum. As medidas, a existirem, devem:
Liberdade individual  Ser equilibradas, necessárias e relevantes;
 Impor o mínimo possível de restrições;
 Ser aplicadas com equidade.

A protecção dos utilizadores pode requerer decisões que


colidem com a liberdade individual. Os decisores devem:
 Pesar a fundamentação tendo em vista a adesão;
Protecção do público
 Esclarecer sobre a razoabilidade das medidas de
modo a encorajar a adesão;
 Estabelecer mecanismos de revisão das decisões.

As restrições à liberdade individual e as medidas que


visam proteger terceiros não devem ser excessivas
Proporcionalidade
relativamente ao grau de risco em causa, ou à satisfação
de necessidades vitais da comunidade.

Valor inalienável, que em último caso, pode ser


Privacidade
necessário violar para protecção do público.

Inerente a todos os códigos éticos profissionais, no


âmbito da saúde está o dever de prestação de cuidados e
de colmatar o sofrimento.
Os prestadores terão que pesar as exigências que lhes
vão ser pedidas no desempenho dos seus papéis
Dever de prestação de
profissionais, competindo com outras, relacionadas com a
cuidados
sua própria saúde, a da família e a de amigos.
Vão ser postos perante desafios relacionados com a
afectação de recursos, leque de funções,
responsabilidade profissional e condições logísticas no
local de trabalho.

A sociedade terá que apoiar aqueles (trabalhadores da


Reciprocidade
saúde) a quem é pedido mais, em prol do bem comum.

Durante a pandemia, há que decidir sobre os serviços


Equidade cuja prestação se deve manter, e aqueles que devem ser
suspensos.

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Valores centrais (cont.) Descrição

É um valor essencial no relacionamento interno,


interinstitucional e com o público.
Aos vários níveis de chefia, colocar-se-á o desafio da
Confiança manutenção da confiança dos protagonistas a par da
implementação de medidas de controlo consideradas
imprescindíveis em tempo de crise.
A transparência processual fomentará a confiança.

A pandemia requer solidariedade, implicando abordagens


colaborativas entre os profissionais, entre
Solidariedade
Departamentos, entre Laboratórios, pondo de lado
interesses próprios.

Inerentes a este valor estão os de confiança,


comportamento ético, de “boa governação”. Implica que
Serviço público as opções relacionadas com recursos intentem alcançar
os melhores resultados dadas as circunstâncias únicas
de pandemia.

Valores Processuais Descrição

As decisões devem ser baseadas num contexto (i.e.,


evidência, valores) que os protagonistas aceitem como
Racionalidade
relevantes para enfrentar a crise pandémica. Devem ser
acordadas por intervenientes credíveis e creditados.

O processo de tomada de decisões deve ser participativo


Abertura e transparência
e a fundamentação deve ser amplamente divulgada.

As decisões devem ser tomadas tendo em vista os


Inclusão protagonistas e com o envolvimento destes no processo
de tomada de decisão.

Para introduzir dinamismo nas decisões, reformulando


Sensibilidade opções, a par da informação que emergirá ao longo da
pandemia.

Os intervenientes responderão pelas suas acções e


omissões. A fundamentação quer dumas quer doutras
Responsabilidade
devem estar balizadas pelos valores éticos acima
descritos.

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4. Plano de Actuação

Plano A

1.Identificação de um coordenador e de um grupo de trabalho na


Reitoria
2.Nomeação de contactos nas Unidades Orgânicas, de Investigação
e SASUL
3.Verificar o absentismo por Gripe A e elaborar registos diários

4.Monitorização diária da situação e comunicação à Direcção Geral


de Saúde
5.Identificar as actividades essenciais e prioritárias

6.Criação de um número de telefone único de contacto 24/24 horas


na Reitoria 210170115

7.Implementação de medidas de Prevenção e Controlo da Gripe

8.Medidas de isolamento para os casos ocorridos durante a


permanência na Universidade

9.Divulgação do Plano AGRIPUL

10.Avaliar e manter o Plano actualizado

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Grupo de trabalho e coordenação (Reitoria)

Individualidades a quem agradecemos a colaboração no Plano

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Lista de Contactos da Universidade de Lisboa

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Procedimentos implementados pela Reitoria, Unidades Orgânicas,
Institutos e SASUL

1. Afixação de cartazes da Direcção Geral de Saúde


2.Reforço das medidas de higiene (lavagem de mãos, gel de álcool, etc)
3.Prescindir de cumprimentos por beijos e abraços
4. Reforço dos procedimentos de limpeza das zonas mais manuseadas nos
edifícios
5.Manter abertas as portas de acesso e todas as que não necessitem de
estar fechadas
6.Aconselhamento do fluxograma de procedimentos (Figura 2)
Indivíduo com sintomatologia de gripe

• Febre Alta - Viagem ou estadia no estrangeiro


• Tosse - Contacto com alguém com gripe
• Dor de garganta
• Dores musculares
• Dores de cabeça
• Dificuldades
respiratórias
• Vómito e diarreia

- Entregar máscara
- Encaminhar para o isolamento
- Contactar familiares
- Contactar Linha de Saúde 808242424
- Comunicar à RUL 210170115
- Desinfectar as mãos

Figura 2

Re-encaminhar o doente para casa, após


esclarecimento da linha 808242424

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Medidas de isolamento para os casos ocorridos durante a permanência
na Universidade

Nas Unidades Orgânicas, Institutos e SASUL, sempre que for possível, deve
existir uma sala de isolamento com as seguintes características:

1 Proximidade de instalações sanitárias (que possam ficar para uso


exclusivo do pessoal doente);

2 Condições para observação do doente;

3 Ventilação natural;

4 Equipamento de repouso

5 Existência de EPI (Equipamento de Protecção Individual)


• Máscaras
• Luvas descartáveis
• Toalhetes com solução alcoólica
• Lenços de papel
• Água
• Paracetamol
• Telefone
• Termómetro
• Doseador de gel desinfectante
• Armário com batas descartáveis impermeáveis

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Plano de actuação

Plano B

1 Desenvolver as plataformas de comunicações e e-learning com


colocação das aulas on-line
2 Na hipótese de se verificarem casos de contágio numa mesma turma
ou local de trabalho poderá este ter de ser encerrado, após ouvida a
Direcção Geral de Saúde e por decisão do Magnífico Reitor.
3 Cada Unidade Orgânica bem como os SASUL devem prever a
hipótese de encerramento, se as Autoridades de Saúde o
aconselharem.

Nota Final - Expectativas

Nas últimas semanas a resposta social à gripe pandémica em Portugal


alterou-se significativamente. A população está mais alerta, informada
e melhor preparada para enfrentar a Pandemia de Gripe A. Sabemos o
que é possível fazer e o que não é.
É possível isolar os doentes, sem os excluir e proteger os sãos,
contribuindo para evitar os “picos” epidémicos que desorganizam a
comunidade e tornam a acção dos serviços de saúde ainda mais
difícil.
Não é possível evitar a Pandemia e não experimentar algumas
situações difíceis face a uma elevada incidência da doença, embora se
saiba que as complicações surgem, felizmente, num reduzido número
de casos.
É possível, com a boa estratégia que está sendo implementada e com
o apoio de todos, para alem da habitual generosidade e
empenhamento da juventude pelas causas nobres, que vamos
conseguir ser mais inteligentes e perseverantes do que o H1N1 e
vencer esta situação, aproveitando para reforçar os nossos laços de
solidariedade e cooperação.

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