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FICHA – REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA

TÍTULO: LOTEAMENTO JOAQUIM LEÃO

A) DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO IRREGULAR:

O loteamento Joaquim Leão foi edificado no Bairro do Vergel do Lago, Maceió, Alagoas. O bairro foi consolidado em função de sua
proximidade ao centro histórico da cidade e foi ocupado por volta de 1940, época da Segunda Guerra Mundial, por soldados americanos. Naquela
época o bairro era de classe alta e abrigava o heliporto (PANAIR).
Recentemente, a ocupação foi motivada pela implantação de loteamentos e conjuntos habitacionais, pelo Poder Público, para famílias de
baixa renda e por invasões em terrenos de mangue e turfa da margem da lagoa Mundaú.
O loteamento Joaquim Leão está localizado próximo ao Comando da Guarda Municipal de Maceió, entre paralelo à Rua Cabo Reis e a
Orla Lagunar.
O loteamento apresenta área total de 583.167,74 metros cuadrados, o que equivale a 58,316774 hectares. Trata-se de uma área pertencente
à União, considerada assim como “terreno de marinha", que foi cedida ao Município de Maceió, mediante Termo de cessão, devidamente registrado
no Cartório de Registro de Imóveis.
As ações de regularização fundiária sobre o loteamento foram iniciadas em 2005.

A.1) Descrição dos Aspectos Físico Territoriais:

O Conjunto Joaquim Leão fica localizado as margens da Laguna de Mundaú , área esta outrora banhada por esta laguna, passando
a existir de fato através de uma grande movimentação de terra, proveniente do leito desta Laguna de Mundaú através dos potentes dragas ( Aterro
Hidráulico ). A área em sua totalidade é plana cortada por canais de drenagem, para escoamento das águas pluviais, estando em média a 2m acima do
nível do mar.
O Conjunto é dotado de infra-estrutura básica, com todas as suas artérias devidamente pavimentadas. O sistema de drenagem é
executado através de lindas águas artificiais ligadas aos canais de drenagens abertas, tendo como destino o lançamento em fossas sépticas e negras ao
meio-ambiente, contaminando o lençol freáfico.
A coleta de lixo é feita regulamente através de empresa contratada pela Prefeitura Municipal , que não atende o contato tendo em vista o
despreparo da continuidade que joga o lixo ao relento ao invés de condicioná-los em locais apropriados.
Além disso, muitos moradores lançam direto no sistema de drenagem, água servidora dos banheiros (chuveiros) e da lavagem de pratos e
roupas.
As praças necessitam de projetos e equipamentos para atender a comunidade de acordo com suas necessidades na área de
recreação e esportes, sendo estas em números de três. As áreas verdes se encontram em sua maioria invadida por residências, estabelecimentos
comerciais, deixando de cumprir com suas função básica.
Apesar da existência de escola fundamental, de nível médio, posto médico, creche e centro comunitário, o atendimento baseado
nesta infra-estrutura é deficitário, por força das necessidades de se atender a toda região do Vergel do Lago e Ponta Grossa.
Como toda a cidade de Maceió, o loteamento Joaquim Leão apresenta problemas relativos a falta de calçamento nas ruas. As
calçadas formam complexo sistema de obstáculos arquitetônicos para toda a comunidade, que é obrigada a utilizar o leito das ruas. Este problema fica
agravado, quando o usuário (cidadão) é portador de deficiência e/ou idoso.

A.2). Descrição dos Aspectos Socioeconômicos:

O loteamento abriga população de baixa renda, sendo em sua maioria dotada de renda de até três salários mínimos, percebendo um
percentual considerável de portadores de necessidades especiais e idosos. Existem muitas associações, portanto, um bairro politizado e consciente das
suas necessidades.
A descrição da situação de irregularidade foi baseada no estudo urbanístico do bairro, realizado pela Prefeitura com vistas a atualizar 83
(oitenta e três) famílias do loteamento, no sentido de promover a regularização desses imóveis.
O Estudo foi solicitado no começo do ano de 2005 pela União, através da Secretaria do Patrimônio da União. Diante disso, a prefeitura de
Maceió através da Secretaria de Habitação, efetuou o levantamento em Cartório dos Imóveis, verificando que a situação dos mesmos realmente estava
irregular, pelo fato do loteamento não estar aprovado nem na Prefeitura e nem registrado no Cartório.
Originalmente, os lotes apresentam em regra área mínima de 160 metros quadrados, sendo que atualmente existem lotes de 40 metros
quadrados.
O loteamento Joaquim Leão foi construído em área da União cedida ao município na gestão do Prefeito Fernando Collor de Mello, em
1979 que recebeu o encargo da construção e regularização fundiária destes imóveis. Na ocasião a regularização não foi concluída e encontra-se
pendente até os dias atuais.

B) PROCEDIMENTOS INSTITUÍDOS PELA LEGISLAÇÃO PARA CORREÇÃO DAS IRREGULARIDADES:

A iniciativa para promover o processo de regularização fundiária partiu da Secretaria Municipal de habitação popular e Saneamento de
Maceió.
No entanto, pelo fato do terreno ser inicialmente de propriedade da União, a Secretaria de Patrimônio da União participa ativamente do
processo.
No que toca aos aspectos de titulação da posse, a Prefeitura promoveu um importante relacionamento com o Tribunal de Justiça de
Alagoas, bem como com a ANOREG.
O Programa não foi previsto no Plano Diretor. Atualmente, ele está em processo de revisão, sendo que foi elaborado pela Secretaria do
Planejamento, de forma acoplada com a Política Habitacional, processo iniciados em janeiro de 2005.
Ainda no mês de novembro de 2005, está prevista a votação do Plano Diretor pela Câmara dos Vereadores.
A Lei de ZEIS acabou de ser aprovada no início do mês de novembro.
A área do loteamento descrito foi identificada como ZEIS e abrange uma população com renda média de 3 salários mínimos.
A ZEIS foi demarcada em função do acesso a infra-estrutura urbana e atualmente necessita recomeçar um processo de reestruturação do
Conselho.
Foram previstas na Lei de ZEIS lotes mínimos com 36 metros quadrados e máximos com 250 metros quadrados, sendo que é admitido uso
misto nos lotes.
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Como o processo ainda está em fase de execução, pois apenas recentemente foi aprovada a Lei de ZEIS, com relação a participação
popular o loteamento será dividido em seis regiões.
Pelo fato do processo abranger 2000 famílias, a Prefeitura pretende constituir Assembléias com 45 representantes, incluindo população e
Poder Público.
A população será capacitada para participar dos casos mais complexos, como os que envolvem falta de documentos, casa fechada e outros.
Foi previsto como forma de financiamento para o processo de regularização a utilização de recursos do Orçamento Geral da União,
Ministério das Cidades e Prefeitura de Maceió.
No que tange à assistência judiciária para população de baixa renda, por se tratar de áreas que envolvem intervenções públicas, não foi
firmado um Convênio com a Defensoria Pública para realizar este tipo de atividade.

C) REGULARIZAÇÃO URBANÍSTICA:

Foi prevista a realização de Plano Urbanístico, na Lei de ZEIS, aprovada neste mês.
O loteamento Joaquim Leão será definido como sendo a primeira ZEIS, e junto com este processo, a Secretaria de Habitação está fazendo
ra-retificação da área e ao mesmo tempo o desmembramento da gleba Joaquim Leão, Promorar e Virgem dos Pobres, pois o Joaquim Leão está no
meio destas duas glebas.
Ainda é necessário a edição do Decreto de ZEIS, pois a Lei só foi publicada no mês de novembro de 2005.
A intenção, após a edição do Decreto, é elaborar o Plano de Urbanização onde será enfocado todos os aspectos urbanísticos e dados do
projeto que estamos iniciando, como, por exemplo, aspectos sociais. Pelo fato do loteamento ser clandestino, a regularização será realizada com
flexibilização dos padrões, refletindo a realidade do loteamento, sem necessidade de desmembrar os lotes.

D) INSTRUMENTOS DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO:

Como instrumento jurídico de regularização fundiária foi utilizada a Cessão de Posse. A escolha do instrumento foi feita pela Secretaria de
Patrimônio da União por ser uma área da União, cedida ao Município. A Prefeitura concordou com a utilização indicada pela SPU.
Os títulos estão em fase de serem aprovados para fins de Registro, sendo que todo este processo está sendo facilitado decorrente de uma
excelente relação de trabalho existente entre o Gerente Regional do Patrimônio da União e os técnicos da Secretaria de Habitação.

6) REGISTRO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS:


Decorrente da Parceria de Trabalho realizada entre o Tribunal de Justiça, ANOREG e Secretaria de Habitação foi editado o provimento
07/2005 que instituiu o projeto “Moradia Legal“ que na fase adequada do processo de regularização jurídica será aplicado ao caso relatado.
Vale a pena reproduzir o texto editado para que seja possível compreender as ações de regularização desenvolvidas no âmbito dos
Cartórios do Estado de Alagoas.

Provimento nº 07 / 2005

Institui o projeto “MORADIA LEGAL” e dá outras providências

O Desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, Corregedor-Geral da Justiça do Estado de Alagoas, no uso de suas atribuições legais.
Considerando que a integridade das normas de legislação ordinária sobre aquisição, perda e função da propriedade imóvel devem ser vistas, para a
preservação da unidade interna e sintonia do sistema jurídico, com observâncias aos ditames constitucionais;

Considerando que o direito à propriedade dever ser dimensionado em harmonia com o princípio de sua função social, também de matriz
constitucional;
Considerando ser um dos objetivos das regras legais regulamentadoras do solo urbano à proteção jurídica dos adquirentes de imóveis;

Considerando que a Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu convenção no sentido de que a moradia constitui-se em direito social
fundamental do cidadão; Considerando que a Emenda Constitucional nº 26, de 14 de fevereiro de 2000, incluiu entre os preceitos da Carta Magna
Brasileira a moradia como direito social fundamental;

Considerando que o fracionamento da utilização do solo, mesmo quando não planejados ou autorizados administrativamente de forma expressa,
geram, em muitas hipóteses, situações fáticas consolidadas e irreversíveis, adquirindo as unidades desmembradas, autonomia jurídica e destinação
social compatível, com evidente repercussão na ordem jurídica;

Considerando que o Estatuto da Cidade (Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001) estabelece, em seu artigo 2º, inciso I, que a política urbana tem,entre
suas diretrizes gerais, garantia do direito a cidades sustentáveis,
entendido como o direito à terra urbana e à moradia, com intuito de ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade
urbana;

Considerando, ainda, que o referido Estatuto da Cidade, estabelece, no artigo 2º, incisos VI e XIV, como diretrizes da política urbana o controle do
uso do solo urbano e a regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda mediante o estabelecimento de normas
especiais de urbanização, uso e ocupação do solo e edificação, consideradas a situação socioeconômica da população e as normas ambientais;

Considerando que eventual anomalia no registro do imóvel pode ser alvo de ação própria objetivando a anulação ou correção, nos termos do artigo
216 da Lei n° 6.015, de 31 de dezembro de 1973 – (Lei dos Registros Públicos);

Considerando ser interesse e dever dos Municípios Alagoanos regularizar a ocupação de áreas situadas em seu perímetro urbano ou periferia, sem
violação ao meio-ambiente;

Considerando ser imprescindível assegurar a participação do Ministério Público, como instituição essencial e defensora constitucional dos interesses
sociais, garantindo-se, com a efetividade de sua participação, a
solução para grande número de situações fáticas existentes;

Considerando o advento da lei n° 9.785, de 29 de janeiro de 1999, que alterou o Decreto-lei n° 3.365, de 21 de junho de 1941, as leis 6.015, de 31 de
dezembro de 1973 (Lei dos Registros Públicos), 6.766, de 19 de
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dezembro de 1979 (Lei do parcelamento do solo urbano), 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da cidade) e 10.931, de 02 de agosto de 2004, que
alterou o procedimento de retificação no registro imobiliário;

Considerando que nos termos do artigo 53-A e seu parágrafo único, da Lei n° 6.766, de 19 de dezembro de 1979, acrescentado pela Lei nº 9.785, de
29 de janeiro de 1999, é do interesse público o parcelamento do solo, bem como sua devida regularização, sendo vedadas exigências outras que não
sejam pertinentes à documentação mínima necessária ao registro;

Considerando o disposto no artigo 2°, inciso XV do Estatuto das Cidades, que trata sobre a simplificação da legislação de parcelamento, uso e
ocupação do solo e das normas edilícias, visando a redução dos custos e o aumento da oferta de lotes e unidades habitacionais; RESOLVE PROVER:

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º - A regularização e registro de loteamento, desmembramento, fracionamento ou desdobro de imóveis urbanos ou urbanizados, ainda que
localizados em zona rural, nos casos especificados, obedecerá ao disposto neste provimento.

§ 1º - Ficam excluídos das disposições deste Provimento, as áreas de preservação permanente, as unidades de conservação de proteção integral, as
terras indígenas e outros casos previstos em lei.

§ 2º - As áreas de risco ficam condicionadas à satisfação das exigências previstas no parágrafo único do art. 3º da Lei nº 6.766/79.
TÍTULO II

DA REGULARIZAÇÃO DO PARCELAMENTO

Art. 2º - Nos Municípios do Estado de Alagoas, em situações consolidadas, poderá a autoridade judiciária competente autorizar ou determinar o
registro dos seguintes documentos:

I – título de propriedade de imóvel ou, nas hipóteses dos §§ 3º e 4º deste artigo, apenas a certidão da matrícula;

II – certidão de ação real ou reipersecutória, de ônus reais e outros gravames, referente ao imóvel, expedida pelo ofício do registro de imóveis;

III – planta do imóvel e memorial descritivo, emitidos e aprovados pelo Município.

§ 1º - Considera-se situação consolidada aquela em que o prazo de ocupação da área, a natureza das edificações existentes, a localização das vias de
circulação ou comunicação, os equipamentos públicos disponíveis, urbanos ou comunitários, dentre outras situações peculiares, indique a
irreversibilidade da posse titulada que induza ao domínio.

§ 2º - Na aferição da situação jurídica consolidada, serão valorizados quaisquer documentos provenientes do poder público, em especial do
Município.

§ 3º - O título de propriedade será dispensado quando se tratar de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda, em imóvel declarado de
utilidade pública com processo de desapropriação judicial em curso e imissão provisória na posse, desde que promovido pela União, Estado ou
Municípios, ou suas entidades delegadas, autorizadas por lei a implantar projetos de habitação.

§ 4º - No caso de que trata o § 3º, supra, o pedido de registro do parcelamento, além do documento mencionado no artigo 18, inciso V, da Lei n°
6.766/79 será instruído com cópias autênticas da decisão que tenha concedido a imissão provisória na posse, do decreto de desapropriação, do
comprovante de sua publicação na imprensa oficial e, quando formulado por entidade delegada, da lei de sua criação e de seu ato constitutivo.

§ 5º - Nas regularizações coletivas, referentes a um mesmo loteamento ou parcelamento, poderá ser determinada à apresentação de memorial
descritivo elaborado pelo município, ou por ele aprovado, abrangendo a divisão da totalidade da área ou subdivisão de apenas uma ou mais quadras.

Art. 3º - Tratando-se de imóvel público ou submetido à intervenção do poder público, integrante de área especial de interesse social, poderá a
autoridade judiciária competente autorizar ou determinar o registro
acompanhado dos documentos indicados no artigo anterior.

Parágrafo único. Não serão devidas custas, emolumentos notariais ou de registro decorrentes de regularização fundiária de interesse social, assim
reconhecida por lei municipal, a cargo da administração pública.

Art. 4º - Nos casos de regularização pelo poder público, conforme autorizado pelo artigo 40 da Lei n° 6.766/79 poderá a autoridade judiciária
competente autorizar ou determinar o registro nas mesmas condições, sem prejuízo de adoção de outras medidas, cíveis, criminais ou administrativas
contra o loteador faltoso.

§ 1º - Através de requerimento fundamentado e com manifestação favorável do Ministério Público, poderá ainda a autoridade judiciária competente,
conceder alvará de autorização para o Município firmar contratos de
alienação de imóveis pendentes e promover a venda dos lotes remanescentes, revertendo a quantia apurada em benefício da municipalidade para
ressarcimento das despesas decorrentes da regularização.

§ 2º - O requerimento de que trata o parágrafo anterior deverá ser instruído com documentos, públicos ou privados, e apresentação do respectivo
laudo de avaliação dos lotes, firmado por profissional habilitada para tanto, sendo facultada, ainda, a comprovação das despesas através de quaisquer
meio de provas admitidas em direito.

§ 3º - Havendo dúvidas sobre os valores gastos pela municipalidade na regularização e avaliação do lotes, a autoridade judiciária poderá, de ofício ou
mediante requerimento do Ministério Público, determinar a realização das diligências ou perícias que entender cabível.

Art. 5º - Nas hipóteses de regularização prevista no presente título, a autoridade judiciária poderá permitir o registro, mediante decisão fundamentada,
ainda que não atendidos os requisitos urbanísticos previstos
na Lei n° 6.766/79, ou em outros diplomas legais.
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TÍTULO III

DO REGISTRO DOS CONTRATOS

Art. 6º - Registrado ou averbado o parcelamento (loteamento, desdobramento, fracionamento ou desdobro) do solo urbano, os adquirentes de lotes de
terreno poderão requerer o registro dos seus contratos, padronizados ou não, apresentando o respectivo instrumento junto ao ofício do registro de
imóveis.

§ 1º - O registro poderá ser obtido diante da comprovação idônea da existência do contrato, nos termos do artigo 27, §§ 1º e 2º, da lei nº 6.766/79.

§ 2º - Os requisitos de qualificação das partes necessários ao registro, caso inexistentes, serão comprovados através da apresentação de cópia
autenticada de documento pessoal de identificação, ou dos cogitados na lei
nº 9.049, de 18 de maio de 1995, ou, ainda, de cópia de certidão de casamento ou equivalente.

§ 3º - Admite-se, nos parcelamentos populares, a cessão da posse em que estiverem provisoriamente imitidas a União, os Estados ou Municípios, bem
como suas entidades delegadas, o que poderá ocorrer por instrumento particular.

§ 4º - A cessão da posse referida no § 3º, cumpridas as obrigações do cessionário, constitui crédito contra o expropriante, de aceitação obrigatória em
garantia de contratos de financiamentos habitacionais.

§ 5º - Com o registro da sentença que, em processo de desapropriação, fixar o valor da indenização, a posse referida no §3º converter-se-á em
propriedade, e a sua cessão em compromisso de compra e venda, conforme haja obrigações a cumprir ou estejam elas cumpridas, circunstâncias que,
demonstradas no registro de imóveis, serão averbadas na matrícula relativa ao lote.

§ 6º - Os compromissos de compra e venda, as cessões e as promessas de cessão, valerão como título para o registro da propriedade do lote adquirido,
quando acompanhados da respectiva prova de quitação das
obrigações do adquirente e de guia de pagamento ou de exoneração do ITBI, registro esse que será feito a requerimento escrito do adquirente, sendo
essa regra aplicável somente nos casos do §3º deste artigo.

TÍTULO IV

DA LOCALIZAÇÃO DE ÁREAS EM CONDOMÍNIO

Art. 7º - Em imóveis situados nos perímetros urbanos, assim como nos locais urbanizados, ainda que situados na zona rural, em cujos assentos conste
estado de comunhão, mas que, na realidade, se apresentam individualizados e em situação jurídica consolidada, nos termos do artigo 2º, §1º, deste
provimento, o juiz poderá autorizar ou determinar a averbação da identificação de uma ou de cada uma das frações, observado o seguinte:

I - anuência dos confrontantes da fração do imóvel que se quer localizar, expressa em instrumento público ou particular, neste caso com as assinaturas
reconhecidas por autenticidade, entendidos como confrontantes
aqueles previstos no §10º do artigo 213 da lei nº 6.015/73.

II - a identificação da fração de acordo com o disposto nos artigos 176, inciso II, nº 3, letra b, e 225 da lei nº 6.015/73, através de certidão atualizada
expedida pelo poder público municipal.

Art. 8º - Procedido o registro previsto pelos artigos 2º e 3º, e a averbação regulada pelo artigo 7º deste provimento, o oficial do registro de imóveis
abrirá matrícula própria, se o imóvel ainda não a tiver, bem
como das áreas públicas previstas no projeto.

TÍTULO V

DO PROCEDIMENTO

Art. 9º - O pedido de regularização do lote individualizado, de quarteirão ou da totalidade da área, será apresentado perante o ofício do registro
imobiliário da situação do imóvel, onde será protocolado, autuado e
verificado sua regularidade em atenção aos princípios registrais.

§ 1º - Estando em ordem, o pedido será remetido à Autoridade Judiciária, ou ao setor de distribuição, nas Comarcas onde houver mais de uma Vara
competente para apreciação da matéria, para decisão, que somente será prolatada após manifestação do órgão do Ministério Público.

§ 2º - Havendo exigência a ser satisfeita, o oficial indica-la-á por escrito e se o apresentante não concordar com esta, requererá que o oficial remeta a
documentação ao Juiz de Direito competente para a apreciação
conjunta da exigência e do pedido de regularização.

§ 3º - O Juiz de Direito poderá suspender o processo e determinar a publicação de edital para conhecimento de terceiros.

§ 4º - O procedimento será regido pelas normas que regulam a jurisdição voluntária, aplicando-se, no que couber, a lei nº 6.015/73, atendendo-se aos
critérios de conveniência e oportunidade.

§ 5º - Transitada em julgado a sentença, os autos do processo serão remetidos ao respectivo ofício do registro de imóveis para cumprimento das
determinações judiciais e arquivamento.

Art. 10 - No caso da área parcelada não coincidir com a descrição constante no registro imobiliário, o juiz determinará a retificação da descrição do
imóvel com base na respectiva planta e no memorial descritivo.

Art. 11 - Os lindeiros que não tenham anuído serão cientificados na forma do artigo 213, inciso II, §§ 2º e 3º, com a cominação do § 4º, da lei
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6.015/73.

Art. 12 - O registro e a respectiva matrícula poderão ser cancelados em processo contencioso, por iniciativa de terceiro prejudicado ou do Ministério
Público, nos casos previstos em lei, em especial nas hipóteses
do artigo 216 da lei nº 6.015/73.

Parágrafo único. Se o juiz constatar que a abertura de matrícula ou algum ato por ele autorizado nos termos deste provimento sejam nulos ou
anuláveis, determinará, fundamentadamente e de ofício, o respectivo
cancelamento, ou fornecerá elementos ao órgão do Ministério Público para as providências cabíveis.

TÍTULO VI

DAS AÇÕES DE USUCAPIÃO

Art. 13 - Na eventual impossibilidade de regularização e registro de loteamento, desmembramento ou desdobro de imóvel urbanizado, localizado na
zona urbana ou rural, com fundamento no presente provimento, recomenda-se o ajuizamento de ação de usucapião.

Parágrafo único. As certidões necessárias à instrução do processo de usucapião, sendo o autor beneficiário da assistência judiciária, poderão ser
requisitadas pelo juiz gratuitamente.

TÍTULO VII

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 14 - Havendo impugnação ao pedido de regularização e registro em qualquer fase do procedimento, deverá a autoridade judiciária remeter os
interessados às vias ordinárias.

Parágrafo único. Entendendo o Juiz de Direito que a impugnação é manifestamente inadmissível ou improcedente, poderá rejeitá-la de plano,
julgando imediatamente o pedido inicial.

Art. 15 - Ao receber título para registro em sua serventia, cujo conteúdo contenha indício ou evidência de loteamento irregular ou clandestino, o
Oficial do Registro de Imóveis deverá impugná-lo, noticiando o fato
imediatamente ao representante do ministério público local.

Art. 16 - Procedida a regularização nos termos do presente provimento, o registrador comunicará o fato à municipalidade.

Art. 17 – A Corregedoria Geral da Justiça poderá firmar convênios que se façam necessários ao fiel cumprimento do quanto estabelecido neste
Provimento.

Art. 18 - Este provimento entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Maceió, 07 de julho de 2005.

Publique-se. Cumpra-se.

Publique-se, Registre-se e cumpra-se.


Des. Washington Luiz Damasceno Freitas
Corregedor-Geral da Justiça
Publicado no dia: 08 de julho de 2005

7) RESULTADOS (pós-regularização) – COMPATIBILIDADE ENTRE A PREVISÃO DA LEGISLAÇÃO E O QUE EFETIVAMENTE FOI


CONCRETIZADO:
Não foram obtidos dados sobre este item, uma vez que o processo ainda não foi concluído.

8) IMPACTOS DO PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO:


Não foram obtidos dados sobre este item, uma vez que o processo ainda não foi concluído.

9) DADOS QUANTITATIVOS – RESULTADOS DO PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO:


Não foram obtidos dados sobre este item, uma vez que o processo ainda não foi concluído.

FLUXOGRAMA:

1) ÁREA PÚBLICA DA UNIÃO


2) CESSÃO DO TERRENO DE MARINHA PARA O MUNICÍPIO
3) SPU APROVOU A EMISSÃO DE CESSÃO DE POSSE
4) RECENTE APROVAÇÃO DA LEI DE ZEIS
5) PLANO URBANÍSTICO – AINDA NÃO REALIZADO, EM VIRTUDE DA RECENTE APROVAÇÃO DA LEI DE ZEIS
6) AINDA FALTA DECRETO DE ZEIS
7) TÍTULOS NÃO EMITIDOS, EM FASE DE APROVAÇÃO
8) TÍTULOS NÃO REGISTRADOS.

CONTATOS:

Informações obtidas por meio de contato telefônico e via e-mail durante o mês de novembro de 2005 com Walkiria Borges – Diretora do
Departamento de Regularização Fundiária de Maceió
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E-mail: smhps@maceio.al.gov.br