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NOÇÕES DE

DIREITO
ELEITORAL
Conceito e Fontes

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
WESLEI MACHADO

Weslei Machado é Promotor de Justiça Substi-


tuto no Ministério Público do Estado do Amazo-
nas e Promotor Eleitoral da 38ª Zona Eleitoral
do Estado do Amazonas, Especialista em Direi-
to Constitucional – IDP, foi Analista Judiciário –
Área Judiciária do TSE (2007/2017); foi Asses-
sor de Desembargador no TJDFT (2016/2017;
professor de diversos cursos preparatórios para
concursos em Brasília; professor e foi Assessor
do curso de Direito da Universidade Católica de
Brasília.

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NOÇÕES DE DIREITO ELEITORAL
Conceito e Fontes
Prof. Weslei Machado

Direito Eleitoral – Conceito, Fontes e Princípios................................................4


A) Conceito do Direito Eleitoral......................................................................4
B) Fontes do Direito Eleitoral.........................................................................7
C) Competência Legislativa......................................................................... 15
D) Princípios Eleitorais................................................................................ 17
D1) Democracia........................................................................................ 17
D2) Princípio da Moralidade Eleitoral............................................................ 18
D3) Princípio da Democracia Partidária......................................................... 21
D4) Princípio do Sufrágio Universal.............................................................. 22
D5) Princípio da Liberdade de Organização Partidária..................................... 22
D6) Princípio da Fidelidade Partidária........................................................... 24
D7) Princípio da Lisura das Eleições............................................................. 26
D8) Princípio do Aproveitamento do Voto...................................................... 27
D9) Princípio da Anterioridade Eleitoral......................................................... 28
Resumo.................................................................................................... 34
Questões de Concurso................................................................................ 36
Gabarito................................................................................................... 41
Gabarito Comentado.................................................................................. 42
Referências............................................................................................... 51

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Conceito e Fontes
Prof. Weslei Machado

DIREITO ELEITORAL – CONCEITO, FONTES E PRINCÍPIOS


A) Conceito do Direito Eleitoral
Vamos começar!

Inicialmente, é importante você saber o que é Direito Eleitoral para só então

estudar o conteúdo que nele está inserido.

O Direito Eleitoral é o ramo do Direito que tem a finalidade de assegurar a iden-

tidade da vontade soberana do povo e a formação da vontade política do Estado.

Com efeito, o Direito Eleitoral cuida do exercício da soberania popular, por meio da

qual o povo exerce todo o poder que lhe pertence, de forma direta ou indireta.

Assim, estamos diante da disciplina que cuida do exercício do poder do povo

descrito no art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal, segundo o qual “todo

o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou dire-

tamente, nos termos desta Constituição”.

A título explicativo: a soberania popular é o poder dado ao povo (na verdade, todo

poder), o qual é exercido por meio do sufrágio universal, do voto direto, secreto e com

valor igual para todos, do plebiscito, do referendo, da iniciativa popular de leis, da

ação popular e por outros meios que viabilizem a manifestação da vontade do povo.

Logo, o Direito Eleitoral, além de zelar pelo exercício do poder pelo povo, cuida

de todos os instrumentos de manifestação da vontade deste. Frise-se: esse ramo

do Direito não se limita a regular somente as eleições, mas todos os meios de ma-

nifestação do poder popular.

Por consequência, pertence ao Direito Público. Isso porque trata da soberania

popular, princípio fundamental da República Federativa do Brasil. Sua principal fun-

ção, segundo Rodrigo López Zilio (2009, p. 32), é:

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Proporcionar e assegurar que a conquista do poder pelos grupos sociais seja efetuada
dentro de parâmetros legais preestabelecidos, sem o uso da força ou de quaisquer sub-
terfúgios que interfiram na soberana manifestação da vontade popular.

Pode-se dizer, por consequência, que o Direito Eleitoral tem por objeto o alista-

mento eleitoral, a aquisição, a perda e a suspensão dos direitos políticos, os siste-

mas eleitorais, a propaganda eleitoral, as garantias eleitorais, os crimes e ilícitos

eleitorais, as eleições, dentre outros institutos relacionados ao exercício da sobe-

rania popular.

Joel José Cândido (2006, p. 23) conceitua o Direito Eleitoral como sendo:

O ramo do Direito Público que trata de institutos relacionados com os direitos políticos e
das eleições, em todas as suas fases, como forma de escolha dos titulares de mandatos
eletivos e das instituições de Estado.

Ainda, somente para frisar, cita-se o conceito elaborado por José Jairo Gomes

(2012, p. 19):

Direito Eleitoral é o ramo do Direito Público cujo objeto são os institutos, as normas e os
procedimentos regularizadores dos direitos políticos. Normatiza o exercício do sufrágio
com vistas à concretização da soberania popular.

Por fim, deve-se distinguir o Direito Eleitoral do Direito Partidário. Para tanto,

recorre-se à classificação constitucional dada aos Direitos Fundamentais, adotada

pela CF/1988, em seu Título II:

• Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – art. 5º da CF/1988;

• Direitos Sociais – arts. 6º a 11 da CF/1988;

• Nacionalidade – arts. 12 e 13 da CF/1988;

• Direitos Políticos – arts. 14 a 16 da CF/1988;

• Partidos Políticos – art. 17 da CF/1988.

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O Direito Eleitoral contém, unicamente, regras e princípios sobre os Direitos

Políticos (artigos 14 a 16 da CF/1988), pois são esses direitos que viabilizam o

exercício da soberania popular. Não há, no âmbito do Direito Eleitoral, o tratamento

normativo dos partidos políticos, uma vez que entre estes e os direitos políticos

existe uma distinção conceitual. Com efeito, o ramo do Direito que trata dos parti-

dos políticos é o Direito Partidário.

Essa distinção conceitual é extremamente importante para a delimitação da

competência da Justiça Eleitoral. Isso porque esta somente julga os litígios elei-

torais. Deveras, os litígios partidários não são processados e julgados pela Justiça

Eleitoral, salvo quando tiverem reflexo nas eleições.

A esse respeito, veja o entendimento do TSE:

[...] 1. A Justiça Eleitoral não detém competência para apreciar feitos em


matérias respeitantes a conflitos envolvendo partidos políticos e seus filiados,
quando estas não tenham reflexo no prélio eleitoral. [...]
(AgR-AI n. 7098, Rel. Min. Luiz Fux, DJE de 23/06/2015).

Veja uma questão cobrada sobre o tema Direito Eleitoral, em um concurso público

para ingresso na carreira de servidores do TRE-SC. Apesar de a banca organizadora

ser desconhecida, você terá uma ideia da forma de abordagem desse conteúdo:

Questão 1    (PONTUA/2011/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/TRE-

-SC) Assinale a alternativa INCORRETA:

a) O Direito Eleitoral é ramo do Direito Privado.

b) É objeto do Direito Eleitoral a disciplina do registro de candidatos.

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c) O Direito Eleitoral disciplina o processo para escolha dos governantes.

d) Compete privativamente à União legislar sobre Direito Eleitoral.

Letra a.

O Direito Eleitoral é um ramo do Direito Público.

B) Fontes do Direito Eleitoral


A designação “fonte” expressa a procedência ou a origem de algo. No Direito,

o termo fonte designa a origem das normas de um determinado ramo da Ciência

Jurídica.

Existem várias classificações para as fontes do Direito Eleitoral. Explanar-se-á,

inicialmente, acerca da principal, tendo-se em vista a facilitação do estudo, bem

como o objetivo da nossa aula.

As fontes do Direito Eleitoral podem ser classificadas como materiais e formais.

Fontes Materiais

As fontes materiais são os diversos fatores sociais, éticos, políticos, econômi-

cos, religiosos que condicionam a formação e o surgimento das normas jurídicas.

Como exemplos de fontes materiais pode-se citar a atuação dos grupos organiza-

dos da sociedade, a atividade exercida pelos lobbys, as manifestações da sociedade

e a pressão de segmentos sociais e de sindicatos.

Fontes Formais

Por sua vez, as fontes formais são os meios pelos quais uma norma jurídica in-

gressa na ordem jurídica e passa a regular os fatos. Segundo Miguel Reale (2001,

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p. 144), as fontes formais são “os processos ou meios em virtude dos quais as

regras jurídicas se positivam com legítima força obrigatória, isto é, com vigência e

eficácia no contexto de uma estrutura normativa”.

São fontes formais do Direito Eleitoral...

Constituição Federal: é a principal fonte. Os princípios básicos e as regras fun-

damentais do Direito Eleitoral estão inscritas na Constituição Federal. Por isso, todo

o regramento eleitoral deve estar de acordo com ela. Caso haja incompatibilidade

entre uma norma eleitoral e a Constituição, afirma-se que tal disposição normativa

é inconstitucional.

Encontram-se normas constitucionais relacionadas ao Direito Eleitoral nos se-

guintes artigos da CF/1988:

• Art. 1º, parágrafo único. Consagração da soberania popular;

• Arts. 14 a 16 – previsão dos Direitos Políticos;

• Arts. 118 a 121 – organização da Justiça Eleitoral.

Esses dispositivos constitucionais tratam dos tipos de direitos políticos, do alis-

tamento eleitoral, da elegibilidade, das inelegibilidades, das hipóteses de perda e


suspensão dos direitos políticos, do princípio da anterioridade eleitoral e da estru-

tura e composição da Justiça Eleitoral.


Código Eleitoral (Lei n. 4.737/1965) – Disciplina a competência da Justiça
Eleitoral, o exercício dos direitos políticos, fixa as regras de alistamento, dos siste-
mas eleitorais, de registro de candidaturas, de atos preparatórios, da apuração, da
diplomação dos eleitos, dos crimes eleitorais e do processo penal eleitoral.
Esse diploma legislativo foi editado antes da Constituição Federal de 1988. Desse
modo, algumas de suas disposições afrontam as novas normas constitucionais e, por

essa razão, foram revogadas. Exemplo dessa afirmativa é a vedação de exercício

dos direitos políticos aos analfabetos, inscrita no art. 5º do Código Eleitoral.

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Essa regra eleitoral viola o texto constitucional que permite aos analfabetos, de

forma facultativa, o exercício dos direitos políticos ativos, e por essa razão, não foi

recepcionada pela nova ordem constitucional instaurada pelo CF/1988.

Da mesma forma, segundo disposição contida no Código Eleitoral, proíbe-se a aqui-

sição da cidadania aos brasileiros que não saibam exprimir-se em língua nacional.

Assim, por essa disposição legal, um índio, por exemplo, que tenha a nacionalidade

brasileira, mas que não saiba exprimir-se em língua nacional, não poderia adquirir

a cidadania brasileira.

Contudo, a CF/1988, ao atribuir a cidadania, não exigiu a fluência em língua

portuguesa. Na verdade, os requisitos para a aquisição dos direitos políticos são:

a idade mínima de 16 anos e a nacionalidade brasileira. Com efeito, o TSE possui

entendimento jurisprudencial de que todos os brasileiros, ainda que não saibam a

língua portuguesa, podem ser cidadãos brasileiros. A esse respeito, veja o seguinte

julgado do TSE:

CONSULTA. RECEBIDA COMO PROCESSO ADMINISTRATIVO. JUIZ ELEITO-


RAL. TRE/AM. RECEPÇÃO. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ART. 5º, INCISO II, DO
CÓDIGO ELEITORAL.
– Consoante o § 2º do art. 14 da CF, a não alistabilidade como eleitores somente
é imputada aos estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigató-
rio, aos conscritos, observada, naturalmente, a vedação que se impõe em face
da incapacidade absoluta nos termos da lei civil.
– Sendo o voto obrigatório para os brasileiros maiores de 18 anos, ressalvada
a facultatividade de que cuida o inciso II do § 1º do art. 14 da CF, não há como
entender recepcionado preceito de lei, mesmo de índole complementar à Carta
Magna, que imponha restrição ao que a norma superior hierárquica não esta-
belece.
– Vedado impor qualquer empecilho ao alistamento eleitoral que não esteja
previsto na Lei Maior, por caracterizar restrição indevida a direito político, há

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que afirmar a inexigibilidade de fluência da língua pátria para que o indígena


ainda sob tutela e o brasileiro possam alistar-se eleitores.
– Declarada a não recepção do art. 5º, inciso II, do Código Eleitoral pela Cons-
tituição Federal de 1988. (Resolução-TSE n. 23274, Rel. Min. Fernando Gon-
çalves, DJe de 20.8.2010).

Pois bem, deve-se analisar o modo pelo qual o Código Eleitoral foi recepcionado
pela CF/1988. Podemos dizer que parte dele foi recebido com status de lei com-
plementar, já que a Constituição Federal, em seu art. 121, exige a edição de lei
complementar para tratar sobre organização e competências da Justiça Eleitoral.
Dessa forma, todos os artigos do Código Eleitoral que se refiram à organização e às
competências da Justiça Eleitoral têm status de lei complementar, compreendendo
aqueles que vão do 12 ao 41 do CE.
A outra parte do Código Eleitoral possui status de lei ordinária, uma vez que,
para tratar de Direito Eleitoral, em regra, basta a edição de uma LO. A esse respeito:

O Código Eleitoral possui natureza jurídica de lei ordinária, sendo recepcionado


com força de lei complementar apenas na matéria que disciplina a compe-
tência. Como o constituinte determinou que “lei complementar disporá sobre
organização e competências dos Tribunais, dos Juízes de Direito e das Juntas
Eleitorais” (art. 121) e em face da ausência de edição de lei definidora de
normas sobre organização e competência na esfera especializada, o entendi-
mento doutrinário e jurisprudencial é que apenas na parte relativa à compe-
tência ocorreu a recepção do Código Eleitoral como lei complementar (ZILIO,
2012, p. 24).

Lei dos Partidos Políticos (Lei n. 9.096/1995): dispõe sobre os partidos po-

líticos e regulamenta os arts. 14 e 17, § 3º da Constituição Federal.


Embora não seja uma lei especificamente sobre o Direito Eleitoral, tem um
estreito relacionamento com essa matéria, especialmente no que diz respeito à

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regulamentação da filiação partidária, uma das condições impostas ao exercício do


direito à elegibilidade.
Entretanto, apesar de o tema “partidos políticos” não ser regulado pelo Direito
Eleitoral, nos editais de concursos públicos da Justiça Eleitoral, inclui-se a Lei n.
9.096/1995 como um dos tópicos integrantes do conteúdo programático. Por essa
razão, estudaremos, quando incluído no edital do seu concurso, a referida lei.
Destaque-se que, no ano de 2019, a Lei n. 9.096/95 foi modificada pelas Leis
n. 13.831/2019 e 13.877/2019, as quais, dentre outros aspectos, trataram da cria-
ção de partidos e da constituição de seus órgãos internos, da filiação partidária, da
prestação de contas e do fundo partidário.
Além disso, a matéria partidária, em âmbito constitucional, foi impactadas pelas
modificações constitucionais promovidas pela Emenda à Constituição n. 97/2017.

Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar n. 64/1990): estabelece, de

acordo com o art. 14, § 9º da Constituição Federal, casos de inelegibilidade e prazos

de cessação, bem como o procedimento processual a ser seguido após o ajuizamen-

to da Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura e da Ação de Investigação

Judicial Eleitoral.
Aliás, em 2010, com a finalidade de exigir a observância do princípio da morali-
dade para o exercício de mandatos eletivos, a Lei Complementar n. 135/2010 (Lei
da Ficha Limpa), instituiu a inelegibilidade decorrente da vida pregressa, além de
criar e modificar diversas hipóteses de inelegibilidades.

Lei das Eleições (Lei n. 9.504/1997): estabelece normas para as eleições.


A Lei n. 9.504/1997 também foi recentemente alterada pela Lei n. 13.877/2019,
que realizou uma minirreforma eleitoral.

Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): o TSE tem, nos termos

do art. 23, inciso IX do Código Eleitoral, poder regulamentar e, no exercício dessa

competência, edita Resoluções.

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Poder Regulamentar do Tribunal Superior Eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral pode editar resoluções para a regulamentação do


Código Eleitoral. Isso porque o parágrafo único do art. 1º do Código Eleitoral pres-
creve que o TSE expedirá instruções com a finalidade de buscar a fiel execução da
legislação eleitoral. No mesmo sentido, o art. 105 da Lei n. 9.504/1997 dispõe que:

Art. 105. Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo
ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas das
previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel exe-
cução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos
partidos políticos.

Além disso, o TSE possui entendimento no sentido de que a competência regu-


lamentar da legislação eleitoral foi apenas atribuída a ele e não aos demais órgãos
da Justiça Eleitoral. A esse respeito:

Ac.-TSE, de 9.9.2014, no REspe n. 64770 – ELEIÇÕES 2014. REGISTRO DE CAN-


DIDATURA. PLENO EXERCÍCIO DOS DIREITOS POLÍTICOS. CERTIDÃO CRIMINAL.
1. A competência para baixar instruções sobre o registro de candidatura, espe-
cificando sobre os documentos necessários previstos na legislação e procedi-
mentos a serem observados, é exclusiva do Tribunal Superior Eleitoral, a teor
do que dispõem os arts. 105 da Lei n. 9.504/1997 e 23, IX, do Código Eleitoral.
2. É nula a Resolução n. 885, do TRE/RJ, que dispõe sobre o processamento
dos registros de candidatura relativos às eleições de 2014, matéria já regula-
mentada pelo Tribunal Superior Eleitoral na Res.-TSE n. 23.405.

Ressalta-se que, no exercício de sua competência regulamentar, o TSE não pode


contrariar as disposições legislativas. A resolução eleitoral deve ser secundum ou
praeter legem. Essas resoluções têm função precípua de regulamentar a aplicabi-
lidade das leis eleitorais.
Aliás, na própria disposição legal inscrita no art. 105 da Lei n. 9.504/1997, há
condições expressas para o exercício do poder de regulamentação do TSE, quais

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sejam, não se admite que as resoluções criem obrigações ou que restrinjam direi-
tos. Isso porque, de acordo com o princípio constitucional da legalidade, ninguém
será obrigado a fazer (obrigação) ou deixar de fazer (restrição de direitos) senão
em virtude de lei. No mesmo sentido, veja a seguinte lição dada pelo Ministro Eros
Grau, no julgamento da Consulta n. 1.587, no Tribunal Superior Eleitoral:

O Tribunal Superior Eleitoral não está autorizado, nem pela Constituição, nem
por lei nenhuma, a inovar o ordenamento jurídico, obrigando quem quer que
seja a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa.

Caso a resolução afronte disposições legislativas ter-se-á uma ilegalidade, que


poderá ser combatida por meio de mandado de segurança ou recurso. Não se pode
combater essa ilegalidade por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade perante
o Supremo Tribunal Federal.

Entretanto, se a Resolução do TSE inovar no ordenamento jurídico, dispondo so-

bre matéria ainda não tratada pelo Poder Legislativo, será possível que essa afronta

ao princípio da Separação dos Poderes seja corrigida por meio da Ação Direta de

Inconstitucionalidade.

Deve-se atentar ainda que, de forma excepcional e transitória, ao analisar a

compatibilidade da Resolução-TSE n. 22.610/2007 com a Constituição Federal, o

Supremo Tribunal Federal reconheceu que o Tribunal Superior Eleitoral pode editar

Resoluções que inovem no ordenamento jurídico, desde que:

• a matéria seja relevante e urgente;

• haja omissão do Congresso Nacional no exercício de sua função legislativa.

As Resoluções do TSE expedidas diante dessa situação excepcional e transitória

somente produzirão efeitos até que o Poder Legislativo, titular da função legiferante,

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supra a omissão. Essa foi a conclusão do Supremo Tribunal Federal ao julgar a ADI

n. 3.999, que teve o seu pedido julgado improcedente e, por consequência, decla-

rou-se a constitucionalidade da Resolução do TSE n. 22.610/2007 (Resolução da

Fidelidade Partidária)1.

Fontes Diretas

Há, ainda, uma outra classificação, que divide as fontes do Direito Eleitoral em

diretas e indiretas.

Assim, são consideradas fontes diretas aquelas que, de forma principal, inovam

na ordem jurídica e criam novas normas jurídicas em Direito Eleitoral. Essa é a ra-

zão pela qual as fontes diretas também são denominadas de fontes primárias.

São exemplos de fontes diretas:

• Constituição Federal;

• Lei das Eleições;

• Código Eleitoral;

• Lei das Inelegibilidades;

• Lei n. 6.091/1974.

1
Essa é a ementa da decisão exarada pelo STF, no julgamento da ADI n. 3.999, a qual reconheceu a consti-
tucionalidade da Resolução do TSE n. 22.610/2007:
3. O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento dos Mandados de Segurança 26.602, 26.603 e
26.604 reconheceu a existência do dever constitucional de observância do princípio da fidelidade partidária.
Ressalva do entendimento então manifestado pelo ministro-relator.
4. Não faria sentido a Corte reconhecer a existência de um direito constitucional sem prever um instrumento
para assegurá-lo.
5. As resoluções impugnadas surgem em contexto excepcional e transitório, tão-somente como mecanismos
para salvaguardar a observância da fidelidade partidária enquanto o Poder Legislativo, órgão legitimado para
resolver as tensões típicas da matéria, não se pronunciar.
6. São constitucionais as Resoluções 22.610/2007 e 22.733/2008 do Tribunal Superior Eleitoral. Ação direta de
inconstitucionalidade conhecida, mas julgada improcedente.
(ADI n. 3.999, DJe de 17.4.2009)

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Fontes Indiretas

São as fontes que, de forma subsidiária (não diretamente), tratam de Direito

Eleitoral ou, ainda, aquelas que não podem inovar na ordem jurídica. São exemplos

de fontes indiretas:

• Código Penal;

• Código Civil;

• Código de Processo Civil;

• Resoluções do TSE – essas fontes não podem inovar na ordem jurídica, mas

apenas regulamentar a aplicação da lei eleitoral.

C) Competência Legislativa
As normas eleitorais, como visto, surgem a partir da elaboração das fontes

formais pelo órgão competente. Mas qual órgão possui competência para legislar

sobre Direito Eleitoral? Essa pergunta é respondida pelo art. 22, inc. I, da CF/1988,

nos seguintes termos:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


I – direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico,
espacial e do trabalho;

Essa competência da União é exercida pelo Congresso Nacional, pois a este ór-

gão cabe, com a sanção do Presidente da República, dispor sobre as matérias do

art. 22 da CF/1988 (art. 48, cabeça, da CF/1988).

Por sua vez, os demais entes federativos, Estados-membros, Distrito Federal e

Municípios, não podem tratar de normas sobre Direito Eleitoral. Isso porque essa

competência foi atribuída, de forma privativa, à União.

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Questão 2    (PONTUA/2011/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/

TRE-MG) Compete privativamente à União legislar sobre Direito Eleitoral.

Certo.

Essa afirmação corresponde exatamente à prescrição inscrita no art. 22, I da

CF/1988.

Uma vez delimitada a competência legiferante em matéria eleitoral, deve-se

analisar qual instrumento legislativo será utilizado pelo Poder Legislativo da União

para tratar das normas eleitorais.

Conforme já discorremos, em regra, a criação de normas eleitorais ocorrerá

por meio da edição de lei ordinária, pois esta é suficiente para tratar dos diversos

temas eleitorais, como por exemplo, alistamento, eleição, propaganda eleitoral,

financiamento de campanha e condições de elegibilidade.

Entretanto, em determinados temas eleitorais,, é exigível a edição de lei com-

plementar. Esses casos estão previstos no art. 14, § 9º, e no art. 121, cabeça, am-

bos da CF/1988, nos seguintes moldes:

Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os pra-


zos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para
exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e le-
gitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício
de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela
Emenda Constitucional de Revisão n. 4, de 1994)

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Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais,
dos juízes de direito e das juntas eleitorais.

Dessa forma, é exigível a edição de lei complementar para tratar:


• das inelegibilidades infraconstitucionais;
• da organização e das competências da Justiça Eleitoral.

Por fim, atente-se para a proibição constitucional prevista no art. 62, segundo a
qual não se admite a edição de medida provisória para tratar de direitos políticos,
partidos políticos, cidadania e direito eleitoral. Da mesma forma, veda-se a edição
de leis delegadas sobre direitos políticos e eleitorais e sobre cidadania.

D) Princípios Eleitorais
Os princípios podem ser indicados como as normas que condicionam a aplica-
ção das regras eleitorais e a criação das normas jurídico-eleitorais. Possuem um
conteúdo genérico e abstrato. Afirma-se que os princípios são o alicerce, a base, a
estrutura básica de um sistema.
Os princípios eleitorais estão, em sua maioria, elencados na Constituição Fede-
ral. Busca-se, por meio dessas normas estruturais, a correspondência entre a von-
tade do povo e a formação das políticas governamentais. Ainda, tenta-se afastar a
influência do poder econômico e do poder político.

D1) Democracia

É mais do que um princípio: trata-se de um fundamento e valor essencial dos


Estados modernos.

No Brasil, a Constituição Federal tenta instaurar um autêntico regime democrá-

tico no qual o poder pertence ao povo, que o exerce diretamente ou por meio de

representantes.

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Na verdade, a democracia é um princípio fundamental que deve ser construído,

lapidado e desenvolvido diariamente. Para melhoramento do nível democrático de

um Estado, protege-se a liberdade e a igualdade para a manifestação de ideias.

Assim, qualquer conduta que possa diminuir ou afetar a liberdade e a igualdade

democrática deve ser combatida. Para tanto, existem diversos instrumentos que

evitam que o abuso do poder possa macular e viciar a manifestação de vontade do

povo e trazer um retrocesso democrático.

D2) Princípio da Moralidade Eleitoral

A Constituição Federal, em seu art. 14, § 9º, prescreve que

Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os pra-


zos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para
exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legi-
timidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de
função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

Assim, hipóteses de inelegibilidade serão instituídas com a finalidade de prote-

ger a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato. Situa-

ções que demonstrem nocividade à condução da coisa pública deverão ser coibidas

e seus infratores devem ser afastados da possibilidade de candidatar-se a manda-

tos eletivos.

Contudo, para que se proteja a moralidade eleitoral, é indispensável a edição

de lei complementar. Somente esta espécie normativa pode criar as hipóteses de

inelegibilidade aptas a proteger a probidade administrativa e a moralidade para o

exercício de mandato eletivo.

A proteção da probidade administrativa por meio da instituição de inelegibilida-

des infraconstitucionais foi buscada pela Lei Complementar n. 64/1990. Entre as

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diversas hipóteses de inelegibilidades inscritas nessa lei, tem-se, por exemplo, a

do art. 1º, I, alínea ‘g’ (inelegibilidade decorrente da rejeição de contas), a qual,

em última análise, impede de concorrer a cargos eletivos aqueles gestores que, na

condução da coisa pública, tiverem suas contas rejeitadas pelo órgão competente.

Por sua vez, na redação originária da Lei Complementar n. 64/1990, não havia

nenhuma hipótese de inelegibilidade cuja finalidade era a proteção da moralidade

para o exercício de mandato eletivo. Com efeito, segundo o Texto Constitucional, a

verificação da moralidade para o exercício de mandato eletivo é aferida por meio da

análise da vida pregressa do candidato.

Entretanto, apesar da inexistência de lei complementar com esse desiderato,

tentou-se impedir que candidatos que possuíssem “ficha suja” participassem das

eleições de 2008. Esse intento foi buscado pela propositura da Arguição de Des-

cumprimento de Preceito Fundamental n. 144, STF. O pedido da ADPF n. 144 foi

julgado improcedente, pois, para impedir que um cidadão participasse das eleições

por ter vida pregressa negativa, o art. 14, § 9º, da CF/1988, como visto, exige a

edição de lei complementar.

Por esse modo, rechaçou-se a possibilidade de se exigir do cidadão interessa-

do em candidatar-se nas eleições de 2008 a vida pregressa ilibada ante à falta de

regramento complementar. Essa foi a manifestação do Supremo Tribunal Federal

sobre o tema ao julgar a ADPF n. 144:

Asseverou-se que estaria correto o entendimento do TSE no sentido de que


a norma contida no § 9º do art. 14 da CF, na redação que lhe deu a ECR n.
4/1994, não é autoaplicável (Enunciado n. 13 da Súmula do TSE), e que o
Judiciário não pode, sem ofensa ao princípio da divisão funcional do poder,
substituir-se ao legislador para, na ausência da lei complementar exigida por
esse preceito constitucional, definir, por critérios próprios, os casos em que a

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vida pregressa do candidato implicará inelegibilidade. Concluiu-se, em suma,


que o STF e os órgãos integrantes da justiça eleitoral não podem agir abusiva-
mente, nem fora dos limites previamente delineados nas leis e na CF, e que,
em consequência dessas limitações, o Judiciário não dispõe de qualquer poder
para aferir com a inelegibilidade quem inelegível não é. Reconheceu-se que,
no Estado Democrático de Direito, os poderes do Estado encontram-se juridi-
camente limitados em face dos direitos e garantias reconhecidos ao cidadão
e que, em tal contexto, o Estado não pode, por meio de resposta jurisdicio-
nal que usurpe poderes constitucionalmente reconhecidos ao Legislativo, agir
de maneira abusiva para, em transgressão inaceitável aos postulados da não
culpabilidade, do devido processo, da divisão funcional do poder, e da pro-
porcionalidade, fixar normas ou impor critérios que culminem por estabelecer
restrições absolutamente incompatíveis com essas diretrizes fundamentais.
Afirmou-se ser indiscutível a alta importância da vida pregressa dos candi-
datos, tendo em conta que a probidade pessoal e a moralidade representam
valores que consagram a própria dimensão ética em que necessariamente se
deve projetar a atividade pública, bem como traduzem pautas interpretativas
que devem reger o processo de formação e composição dos órgãos do Estado,
observando-se, no entanto, as cláusulas constitucionais, cuja eficácia subor-
dinante conforma e condiciona o exercício dos poderes estatais. Aduziu-se
que a defesa desses valores constitucionais da probidade administrativa e da
moralidade para o exercício do mandato eletivo consubstancia medida da mais
elevada importância e significação para a vida política do país, e que o respeito
a tais valores, cuja integridade há de ser preservada, encontra-se presente na
própria LC n. 64/1990, haja vista que esse diploma legislativo, em prescrições
harmônicas com a CF, e com tais preceitos fundamentais, afasta do processo
eleitoral pessoas desprovidas de idoneidade moral, condicionando, entretanto,
o reconhecimento da inelegibilidade ao trânsito em julgado das decisões, não
podendo o valor constitucional da coisa julgada ser desprezado por esta Corte.
(Informativo n. 514, STF).

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Com a edição da Lei Complementar n. 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), essa

lacuna legislativa foi suprida. Atualmente, candidatos que possuem vida pregressa

comprometedora, nos termos atualmente prescritos no art. 1º, inc. I, alínea ‘e’ da

Lei Complementar n. 64/1990, estarão inelegíveis e, por esse motivo, não poderão

candidatar-se a cargos eletivos.

D3) Princípio da Democracia Partidária

Na análise do princípio da democracia, viu-se que o poder pertence ao povo, que

o exerce diretamente ou por meio de representantes.

Com a Constituição de 1988, os partidos políticos passaram a ter uma nova fei-

ção no sistema democrático brasileiro: proteger os direitos fundamentais e o regi-

me democrático. O Estado não pôde mais imiscuir-se nos assuntos partidários nem

determinar a estrutura das agremiações partidárias, conforme prescrição contida

no art. 17, § 1º, da CF (princípio da autonomia partidária).

Inclusive, de acordo com o inc. V, § 3º, art. 14 da CF/1988, somente é possível

concorrer a um cargo público eletivo por meio dos partidos políticos. De acordo com

José Jairo Gomes (2008: p. 29),

[...] o esquema partidário é assegurado pela Lei Maior que erigiu a filiação
partidária como condição de elegibilidade. Assim, os partidos políticos detêm
o monopólio das candidaturas, de sorte que, para ser votado, o cidadão deve
filiar-se. Inexistem no sistema brasileiro candidaturas avulsas.

Por isso afirma-se que, no Brasil, adotou-se o princípio da democracia partidá-

ria, em que o partido político tem importante função para a consecução do valor

democrático. Aliás, tamanha é a importância do partido na democracia brasileira que

o Supremo Tribunal Federal afirmou que o mandato eletivo proporcional pertence à

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agremiação partidária (STF, MS n. 26; 602). Caso um detentor de um cargo públi-

co eletivo desfilie-se de seu partido sem que exista uma justa causa, perderá seu

mandato.

D4) Princípio do Sufrágio Universal

Já sabemos que a soberania popular é exercida por meio do sufrágio universal.

Mas o que é sufrágio?

“Sufrágio” é o direito conferido ao cidadão para que possa validamente parti-

cipar da formação da vontade estatal. Traduz-se no direito de votar e ser votado.

Diz-se que o sufrágio, isto é, os direitos políticos, são universais porque não podem

ser criados critérios, obstáculos e óbices para que sejam exercidos.

A afirmação de que o sufrágio é universal não indica que toda e qualquer pessoa

possui direitos políticos no Brasil. Desse modo, somente as pessoas que preenche-

rem os requisitos constitucionais poderão exercer o direito ao voto e o direito de

ser votado. Na verdade, “sufrágio universal é aquele em que o direito de votar é

atribuído ao maior número possível de nacionais. As eventuais restrições só devem

fundar-se em circunstâncias que naturalmente impedem os indivíduos de participar

do processo político” (GOMES, 2008: p. 36).

D5) Princípio da Liberdade de Organização Partidária

O “Partido Político” é uma pessoa jurídica de direito privado, que se destina a

assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema repre-

sentativo e, também, a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição.

Em razão de suas funções e atribuições na democracia brasileira, a Constituição

Federal adotou o princípio da liberdade de organização partidária. Dessa forma, o

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partido tem autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funciona-

mento. Também é livre a criação, fusão, incorporação e extinção de agremiações

partidárias, desde que se respeite a soberania nacional, o regime democrático, o

pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.

Aliás, recentemente, com a edição da Emenda à Constituição n. 97/2017, o con-

teúdo do princípio da autonomia partidária foi modificado. Eis a nova redação da

normas constitucional inscrita no art. 17, § 1º da Constituição Federal:

Art. 17, § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estru-
tura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos
permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os
critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a
sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as
candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatu-
tos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 97, de 2017)

Assim, embora o partido político tenha liberdade para tratar sobre a sua estru-

tura interno, sua organização e o seu funcionamento, a reforma constitucional res-

tringiu a extensão dessa autonomia. Com efeito, antes da reforma constitucional,

os partidos políticos poderiam formar coligações (uniões entre partidos com finali-

dade eleitoral) para as eleições majoritárias, proporcionais ou para ambas.

Não obstante, atualmente, segundo a nova redação do art. 17, § 1º da CF/1988,

os partidos políticos poderão formar coligação apenas nas eleições majoritárias. A

contrario sensu, nas eleições proporcionais, os partidos políticos estão proibidos de

formar coligações.

De qualquer forma, essa modificação constitucional somente terá aplicabilidade

a partir das eleições de 2020.

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D6) Princípio da Fidelidade Partidária

De acordo com a parte final do o art. 17, § 1º, da CF/1988, o estatuto do partido

político deve estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias.

A agremiação partidária tem importante papel no processo eleitoral, conforme

visto no estudo do princípio da democracia partidária. Por esse motivo, o ocupante

de cargo eletivo proporcional deve pautar a sua atuação de acordo com os valores,

os ideais, a orientação programática e os princípios defendidos pelo partido pelo

qual foi eleito.

Assim, para garantir a efetividade dos deveres partidários de disciplina e fideli-

dade partidárias, esse princípio tem uma faceta administrativa, implicando a pos-

sibilidade de aplicação de sanções aos filiados que adotem condutas contrárias às

orientações da direção partidária. Caso esteja prevista no Estatuto, é possível até

mesmo a expulsão do parlamentar indisciplinado.

Por outro lado, esse princípio tem um viés jurisdicional e, desde 27/03/2007

(TSE, CTA n. 1398), possibilita que os filiados eleitos possam perder seu mandato

eletivo caso se desfiliem de seu partido de origem sem que exista uma justa causa.

Para o Ministro César Asfor Rocha, no julgamento da Consulta-TSE n. 1.398:

[...] parece-me equivocada e mesmo injurídica a suposição de que o mandato


político eletivo pertence ao indivíduo eleito, pois isso equivaleria a dizer que
ele, o candidato eleito, se teria tornado senhor e possuidor de uma parcela da
soberania popular, não apenas transformando-a em propriedade sua, porém
mesmo sobre ela podendo exercer, à moda do exercício de uma prerrogativa
privatística, todos os poderes inerentes ao seu domínio, inclusive o de dele
dispor. (GOMES, 2008, p. 81).

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Recentemente, ao analisar a aplicabilidade desse princípio, o STF, no julgamento

da ADI n. 5.081, entendeu que somente poderá perder o cargo em razão da troca

de partido político sem justa causa, ou seja, em razão da violação do princípio da

fidelidade partidária, os mandatários eleitos a partir da adoção do sistema eleito-

ral proporcional (nas nossas aulas sobre partidos políticos, estudaremos com mais

profundidade esse tema).

Veja a ementa do acórdão decorrente do julgamento da ADI n. 5.081 no Supre-

mo Tribunal Federal:

DIREITO CONSTITUCIONAL E ELEITORAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITU-


CIONALIDADE. RESOLUÇÃO N. 22.610/2007 DO TSE. INAPLICABILIDADE DA
REGRA DE PERDA DO MANDATO POR INFIDELIDADE PARTIDÁRIA AO SISTEMA
ELEITORAL MAJORITÁRIO.
1. Cabimento da ação. Nas ADIs 3.999/DF e 4.086/DF, discutiu-se o alcance do
poder regulamentar da Justiça Eleitoral e sua competência para dispor acerca
da perda de mandatos eletivos. O ponto central discutido na presente ação é
totalmente diverso: saber se é legítima a extensão da regra da fidelidade par-
tidária aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário.
2. As decisões nos Mandados de Segurança 26.602, 26.603 e 26.604 tiveram
como pano de fundo o sistema proporcional, que é adotado para a eleição
de deputados federais, estaduais e vereadores. As características do sistema
proporcional, com sua ênfase nos votos obtidos pelos partidos, tornam a fide-
lidade partidária importante para garantir que as opções políticas feitas pelo
eleitor no momento da eleição sejam minimamente preservadas. Daí a legi-
timidade de se decretar a perda do mandato do candidato que abandona a
legenda pela qual se elegeu.
3. O sistema majoritário, adotado para a eleição de presidente, governador,
prefeito e senador, tem lógica e dinâmica diversas da do sistema proporcional.
As características do sistema majoritário, com sua ênfase na figura do candi-
dato, fazem com que a perda do mandato, no caso de mudança de partido,

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frustre a vontade do eleitor e vulnere a soberania popular (CF, art. 1º, pará-
grafo único; e art. 14, caput).
4. Procedência do pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade.
(ADI n. 5081, Rel. Min. Roberto Barroso, DJ e de 19.8.2015).

D7) Princípio da Lisura das Eleições

Busca-se garantir a igualdade de todos os candidatos perante a lei elei-

toral. Esse princípio decorre diretamente do princípio da moralidade e trata

do dever de garantir a igualdade de oportunidades entre os candidatos a

cargos eletivos, bem como da necessidade de se impedir a utilização de re-

cursos que possam afetar, de forma ilegítima, a vontade dos eleitorais. Com

efeito, as eleições devem estar livres de corrupção, fraude, abuso do poder

econômico para serem válidas.

Os candidatos devem disputar o pleito eleitoral em paridade de condições. Pela

lisura das eleições, os meios empregados nas propagandas, nas campanhas devem

ser éticos e justos.

Como exemplificação desse princípio, cita-se o art. 23 da Lei Complementar n.

64/1990:

O Tribunal formará sua convicção pela livre apreciação dos fatos públicos e notórios, dos
indícios e presunções e prova produzida, atentando para circunstâncias ou fatos, ainda
que não indicados ou alegados pelas partes, mas que preservem o interesse público de
lisura eleitoral.

Seguem algumas características acerca do princípio da lisura das eleições:

• corolário da moralidade;

• tutela a integridade e a ética nas eleições;

• busca assegurar a legitimidade política;

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• coíbe o uso indevido dos meios de comunicação;

• garante que os candidatos terão tratamento isonômico e que concorrerão em

igualdade de condições.

Esse princípio eleitoral, que tem a função de garantir a igualdade de oportu-

nidade de acesso aos cargos públicos eletivos, pode ser violado pela prática das

seguintes condutas ilícitas:

• Abuso de poder econômico: esse ilícito caracteriza-se quando os candida-

tos utilizarem o poder financeiro com a finalidade de obter vantagem, mesmo

que indireta, durante as eleições;

• Abuso de poder de autoridade: trata-se de atos praticados por exercentes

de cargos, empregos ou funções, que excedem os limites da legalidade ou da

competência em benefício de campanhas eleitorais.

A prática de qualquer dessas condutas quebra a normalidade e a legitimidade

das eleições, e com a finalidade de impedir que isso aconteça, o legislador poderá

instituir, dentre outras sanções, uma lei dispondo que aqueles que as praticarem

ficarão inelegíveis (art. 14, § 9º, in fine, da CF).

D8) Princípio do Aproveitamento do Voto

Este princípio direciona as atividades da Justiça Eleitoral. Isso porque o juiz

deve preservar a soberania popular quando estiver analisando nulidades que pos-

sam viciar as eleições.

Assim, o Código Eleitoral adotou um sistema mitigado de nulidade de votos e as

nulidades, mesmo que absolutas, podem ser convalidadas, desde que não arguidas

no momento oportuno.

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Esta é a disposição do art. 149 do Código Eleitoral: “não será admitido recurso

contra a votação, se não tiver havido impugnação perante a mesa receptora, no

ato da votação, contra as nulidades arguidas”. Vê-se, portanto, que se houver al-

guma nulidade no ato de votar e esta não for arguida imediatamente, o vício será

desconsiderado.

Outra consequência desse princípio é a regra do art. 219 do Código Eleitoral:

Art. 219. Na aplicação da lei eleitoral o juiz atenderá sempre aos fins e resultados a
que ela se dirige, abstendo-se de pronunciar nulidades sem demonstração de prejuízo.

Traz-se, a seguir, as principais características do princípio do aproveitamento do voto:

• preservação da Soberania Popular em detrimento do formalismo das nulidades;

• In dubio pro voto (art. 219 do Código Eleitoral);

• admite-se, até mesmo, a sanabilidade de nulidades absolutas, desde não im-

pugnadas no momento oportuno (art. 149 do Código Eleitoral);

• serve ao julgador para evitar nulidades de votos contidos em urnas eletrôni-

cas ou nas cédulas, quando for possível separar os votos nulos dos válidos.

D9) Princípio da Anterioridade Eleitoral

O Legislador Constituinte, com a finalidade de garantir segurança jurídica à reali-

zação das eleições, previu o princípio da anterioridade eleitoral. Esse princípio tem a

finalidade de estabilizar, pelo período mínimo de 1 ano, normas processuais-eleito-

rais. Sobre a teleologia (finalidade) e o alcance desse princípio constitucional, esse

foi o pronunciamento do STF:

[...] por força do art. 16 da Constituição, inovação salutar inspirada na preocu-


pação da qualificada estabilidade e lealdade do devido processo eleitoral: nele
a preocupação é especialmente de evitar que se mudem as regras do jogo que

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já começou, como era frequente, com os sucessivos ‘casuísmos’, no regime


autoritário.
A norma constitucional – malgrado dirigida ao legislador – contém princípio
que deve levar a Justiça Eleitoral a moderar eventuais impulsos de viradas
de jurisprudências súbitas, o ano eleitoral, acerca de regras legais de densas
implicações na estratégia para o pleito das forças partidárias”. (ADI n. 2.628,
DJ de 5.3.2004).

Também a doutrina nos traz importante lição sobre o princípio da anualidade

eleitoral:

O princípio da anualidade das leis eleitorais é uma proteção outorgada à sociedade

contra os casuísmos existentes na esfera política. É, na verdade, uma consequência do

princípio da segurança jurídica, fundamental para o exercício dos direitos políticos não

se veja embaraçado em face de eventuais circunstâncias do jogo do poder. Pretendeu

o constituinte impedir que situações concretas, interesses ocasionais, conduzissem a

alterações da legislação eleitoral, maculando a legitimidade das eleições.

Deve ser entendido, portanto, enquanto um importante mecanismo de defesa das mino-

rias, de modo a impedir a deformação do processo eleitoral mediante alterações casu-

ísticas das maiorias de plantão, rompendo a igualdade de oportunidades entre partidos

e candidatos. É, pois, um dos pilares do próprio regime democrático, composto que é

pelo binômio vontade da maioria/direito das minorias. (Carlos Eduardo de Oliveira Lula)

O princípio da anterioridade eleitoral está previsto no art. 16 da Cons-

tituição Federal, com o seguinte teor:

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publica-
ção, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional n. 4, de 1993)

A partir da análise dessa norma constitucional, constata-se que a lei que alterar

o processo eleitoral tem vigência imediata, ou seja, não possui vacatio legis. Desse

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modo, não se aplica às leis que alterarem o processo eleitoral o art. 1º da Lei de

Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB). Essa é a redação desse art. 1º

da LINDB:

Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e
cinco dias depois de oficialmente publicada.

Novamente, esse artigo não é aplicável às leis que alterem o processo eleitoral,

os quais não terão vacatio legis, sendo sua vigência sempre imediata. Não obstan-

te, as leis que tiverem o condão de alterarem o processo eleitoral só serão aplicadas

às eleições que ocorrerem após um ano da data de sua publicação. Teremos uma
lei vigente, eficaz e apta a produzir efeitos, mas que, por prescrição constitucional,
somente será aplicada após um ano após à publicação.

Hipótese didática

Veja o seguinte exemplo de publicação de uma lei alteradora do processo elei-


toral (considere as eleições municipais de 2008):
• Lei A publicada no dia 4 de outubro de 2007 – sabe-se que, em 2008, as elei-
ções ocorreram em 5 de outubro (1º domingo de outubro). Nessa situação,
como a Lei A foi publicada um ano antes da data da eleição, será aplicada a
essas eleições;
• Lei A publicada no dia 5 de outubro de 2007 – embora a lei tenha vigência
imediata, não será aplicada às eleições de 2008. A lei que altere o processo
eleitoral somente será aplicável às eleições que ocorram até um ano da data
de sua publicação, inclusive;

• Lei A publicada no dia 6 de outubro de 2007 – embora a lei tenha vigência

imediata, mas não será aplicável às eleições de 2008. Somente será aplicável

às eleições que ocorrerem após o dia 7 de outubro.

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Deve-se descobrir o que pode ser entendido por processo eleitoral, já que o

princípio da anterioridade eleitoral não é aplicável a todas as leis eleitorais, mas

somente àquelas que alterarem o referido processo.

O princípio da anterioridade eleitoral é aplicável unicamente às leis que alterem o

processo eleitoral. Não confunda. Não são todas as leis eleitorais que sofrem a in-

cidência dessa disposição constitucional.

Indispensável, portanto, entendermos o conceito de processo eleitoral. Esse con-

ceito foi construído, de forma didática, pelo STF no seguinte julgado:

“PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ANTERIORIDADE ELEITORAL: SIGNIFI-


CADO DA LOCUÇÃO “PROCESSO ELEITORAL” (CF, ART. 16).
– A norma consubstanciada no art. 16 da Constituição da República, que con-
sagra o postulado da anterioridade eleitoral (cujo precípuo destinatário é o
Poder Legislativo), vincula-se, em seu sentido teleológico, à finalidade ético-
-jurídica de obstar a deformação do processo eleitoral mediante modificações
que, casuisticamente introduzidas pelo Parlamento, culminem por romper a
necessária igualdade de participação dos que nele atuam como protagonistas
relevantes (partidos políticos e candidatos), vulnerando-lhes, com inovações
abruptamente estabelecidas, a garantia básica de igual competitividade que
deve sempre prevalecer nas disputas eleitorais. Precedentes. O processo elei-
toral, que constitui sucessão ordenada de atos e estágios causalmente vincu-
lados entre si, supõe, em função dos objetivos que lhe são inerentes, a sua
integral submissão a uma disciplina jurídica que, ao discriminar os momentos
que o compõem, indica as fases em que ele se desenvolve:
(a) fase pré-eleitoral, que, iniciando-se com a realização das convenções par-
tidárias e a escolha de candidaturas, estende-se até a propaganda eleitoral
respectiva;
(b) fase eleitoral propriamente dita, que compreende o início, a realização e o
encerramento da votação e

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(c) fase pós-eleitoral, que principia com a apuração e contagem de votos e


termina com a diplomação dos candidatos eleitos, bem assim dos seus respec-
tivos suplentes. (ADI n. 3345, DJ de 19.08.2010).

Além disso, essa alteração do processo eleitoral deve ser capaz de provocar,

conforme jurisprudência do STF consolidada no julgamento da ADI n. 3.741:

• rompimento da igualdade de participação dos partidos políticos e dos respec-

tivos candidatos no processo eleitoral;

• a criação de deformação que afete a normalidade das eleições;

• a introdução de fator de perturbação do pleito;

• promoção de alteração motivada por propósito casuístico.

Não se submetem à restrição da anterioridade eleitoral:

• Alteração do número de cadeiras das Câmaras municipais e a emancipação de

municípios;

• Crimes eleitorais;

• Processo penal eleitoral subsidiário;

• Resoluções do TSE que regulamentem o CE ou a Lei das Eleições;

• Assuntos relativos à prestação de contas eleitorais.

Pode uma emenda constitucional excepcionar o princípio da anualidade, professor?

A prescrição constitucional dispõe que “a lei que alterar o processo eleitoral

[…]”. Mas o que pode ser entendido pelo vocábulo lei? Lei é um ato normativo ela-

borado pelo Poder Legislativo de acordo com as disposições contidas nas regras do

processo legislativo.

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Esse princípio somente se aplica às leis? Essa disposição constitucional pode ser
aplicável a todas as espécies normativas? Essa pergunta é corretamente respondida
por Rodrigo López Zilio:

O princípio da anualidade do Direito Eleitoral é dirigido, indistintamente, a todo e qual-


quer diploma, independentemente de seu status legal. Ou seja, dirige-se tanto à norma
infraconstitucional – dês que de caráter federal (art. 22, I, da CF) – como à constitucio-
nal. Em outras palavras, toda e qualquer legislação editada deve obediência ao princípio
da anterioridade, emanada pela Carta Federal (art. 16 da CF).

Desse modo, o princípio da anterioridade eleitoral constitui restrição ao poder

constituinte derivado reformador. Na elaboração das emendas à Constituição, o

Legislador de Reforma deve obediência ao princípio constitucional ora em análise.

Esse é o entendimento do STF:

4. Enquanto o art. 150, III, b, da CF encerra garantia individual do contribuinte


(ADI 939, rel. Min. Sydney Sanches, DJ 18.03.94), o art. 16 representa garan-
tia individual do cidadão-eleitor, detentor originário do poder exercido pelos
representantes eleitos e “a quem assiste o direito de receber, do Estado, o
necessário grau de segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas
das regras inerentes à disputa eleitoral” (ADI 3.345, rel. Min. Celso de Mello).
5. Além de o referido princípio conter, em si mesmo, elementos que o carac-
terizam como uma garantia fundamental oponível até mesmo à atividade do
legislador constituinte derivado, nos termos dos arts. 5º, § 2º, e 60, § 4º, IV,
a burla ao que contido no art. 16 ainda afronta os direitos individuais da segu-
rança jurídica (CF, art. 5º, caput) e do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV).
(ADI n. 3.685).

De acordo com essa decisão do STF, além de ficar consignado que as emendas

constitucionais que alterem o processo eleitoral devem observar o princípio da an-

terioridade eleitoral, conclui-se ainda que o princípio da anterioridade é uma cláu-

sula pétrea.

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RESUMO
O Direito Eleitoral cuida do exercício da soberania popular, por meio da qual o

povo exerce todo o poder que lhe pertence, de forma direta ou indireta.

O Direito Eleitoral cuida do exercício do poder pelo povo e de todos os instru-

mentos de manifestação de sua vontade.

Não há, no âmbito do Direito Eleitoral, o tratamento normativo dos partidos po-

líticos, pois entre estes e os direitos políticos existe uma distinção conceitual.

O ramo do Direito que trata dos Partidos Políticos é o Direito Partidário.

As fontes materiais do Direito Eleitoral constituem-se pelos diversos fatores

sociais, éticos, políticos, econômicos, religiosos que condicionam a formação e o

surgimento das normas jurídicas.

As fontes formais do Direito Eleitoral constituem-se em meios pelos quais uma

norma jurídica ingressa na ordem jurídica e passa a regular os fatos e, exempli-

ficativamente, podemos citar a Constituição Federal, o Código Eleitoral, a Lei das

Eleições, a Lei das Inelegibilidades, as Resoluções do TSE etc.

O Tribunal Superior Eleitoral pode editar resoluções para a regulamentação das

leis eleitorais.

Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo

ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas

das previstas em Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel

execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou represen-

tantes dos partidos políticos. (Redação dada pela Lei n. 12.034, de 2009).

O Tribunal Superior Eleitoral não está autorizado, nem pela Constituição, nem

por lei nenhuma, a inovar o ordenamento jurídico, obrigando quem quer que seja

a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa.

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Compete privativamente à União legislar sobre o Direito Eleitoral.

A competência legislativa da União sobre Direito Eleitoral é exercida pelo Con-

gresso Nacional.

Em regra, a criação de normas eleitorais ocorrerá por meio da edição de lei or-

dinária.

Exige-se a edição de lei complementar para tratar dos seguintes temas de Di-

reito Eleitoral:

• das inelegibilidades infraconstitucionais;

• da organização e das competências da Justiça Eleitoral.

Não é possível a edição de medidas provisórias e leis delegadas para tratar de

Direito Eleitoral.

A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,

não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.

A lei que alterar o processo eleitoral tem vigência imediata. Por consequência,

não possui vacatio legis.

O princípio da anterioridade eleitoral é aplicável unicamente às leis que alterem

o processo eleitoral.

O princípio da anterioridade eleitoral constitui restrição ao poder constituinte

derivado reformador.

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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1    (FEPESE/2015/ANALISTA LEGISLATIVO/SC) Assinale a alternativa

que indica corretamente o princípio eleitoral em que a lei que alterar o processo

eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que

ocorra até um ano da data de sua vigência.

a) Princípio da legalidade eleitoral.

b) Princípio da celeridade eleitoral.

c) Princípio da anualidade eleitoral.

d) Princípio da democracia representativa.

e) Princípio da irrecorribilidade das decisões eleitorais.

Questão 2    (AOCP/2015/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-AC) Em relação à legislação

eleitoral, assinale a alternativa correta.

a) O Código Eleitoral é a legislação central do regime jurídico eleitoral, sendo as

demais legislações acessórias naquilo em que ele for omisso.

b) A Lei que alterar o processo eleitoral deve respeitara regra da anualidade eleitoral.

c) É inaplicável, dentro do sistema processual eleitoral, qualquer disposição do

código de processo civil, em razão da sua incompatibilidade com o que dispõe o

código eleitoral.

d) A cada eleição, será publicada, pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lei específica

dispondo a respeito do pleito a ser realizado.

e) Além das disposições constitucionais, somente Lei complementar pode dispor

acerca de matéria eleitoral.

Questão 3    (CS-UFG/2015/PROCURADOR/AL-GO) Ao julgar o Recurso Extraordi-

nário Eleitoral n. 633.703, em 23 de março de 2011, o Supremo Tribunal Federal

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entendeu que a Lei Complementar n. 135/2010 (Lei da Ficha Limpa) não deveria

ser aplicada às eleições de 2010 por desrespeitar o art. 16 da Constituição Federal

de 1988. Considerando o princípio da anualidade,

a) A emenda constitucional que altera o processo eleitoral possui aplicação imediata.

b) A lei que altera o processo eleitoral, assim que publicada, ingressa imediata-

mente no ordenamento jurídico pátrio, incorrendo a vacatio legis.

c) A lei que altera o processo eleitoral entra em vigor um ano após sua publicação,

não tendo efeito no período da vacatio legis.

d) A incidência da anualidade em relação à lei que altere o processo eleitoral de-

penderá de ponderação no caso concreto, por tratar-se de um princípio.

Questão 4    (FCC/2015/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-RR) Incluem-se dentre as

fontes diretas do Direito Eleitoral:

a) Os entendimentos doutrinários relativos ao Direito Eleitoral.

b) As resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.

c) As leis estaduais.

d) Os leis municipais.

e) Os julgados que compõem a jurisprudência dos Tribunais Eleitorais.

Questão 5    (VUNESP/2014/JUIZ/TJ-SP) Sobre a legislação eleitoral, assinale a

opção correta.

a) A lei ou Resolução do TSE que alterar ou regulamentar o processo eleitoral en-

trará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até

um ano da data de sua vigência.

b) A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,

não se aplicando à eleição que ocorra no exercício seguinte à sua publicação.

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c) A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,

não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.

d) A lei ou Resolução do TSE que alterar ou regulamentar o processo eleitoral en-

trará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra no

exercício seguinte à sua publicação.

Questão 6    (FCC/2017/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-SP) Acerca das fontes de Di-

reito Eleitoral:

a) A função normativa da Justiça Eleitoral autoriza que sejam editadas Resoluções

Normativas pelo Tribunal Superior Eleitoral com a finalidade de criar direitos e esta-

belecer sanções, possibilitando a revogação de leis anteriores que disponham sobre

o mesmo objeto da Resolução Normativa.

b) As normas eleitorais devem ser interpretadas em conjunto com o restante do

sistema normativo brasileiro, admitindo-se a celebração de termos de ajustamen-

to de conduta, previstos na Lei n. 7.346/1985, que disciplina a Ação Civil Pública,

desde que os partidos políticos transijam, exclusivamente, sobre as prerrogativas

que lhes sejam asseguradas.

c) O Código Eleitoral define a organização e a competência da Justiça Eleitoral,

podendo ser aplicado apesar de a Constituição Federal prever a necessidade de lei

complementar para tanto.

d) As Resoluções Normativas do TSE, as respostas às Consultas e as decisões do

Tribunal Superior Eleitoral são fontes de Direito Eleitoral de natureza exclusivamen-

te jurisdicional e aplicáveis apenas ao caso concreto dos quais emanam.

e) O Código Eleitoral, a Lei de Inelegibilidades, a Lei dos Partidos Políticos, a Lei das

Eleições, as Resoluções Normativas do TSE e as respostas a Consultas são fontes

de Direito Eleitoral de mesma estatura, hierarquia e abrangência, podendo ser re-

vogadas umas pelas outras.

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Questão 7    (FCC/2013/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-RO) NÃO se incluem, dentre

as fontes do Direito Eleitoral as

a) Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.

b) Decisões jurisprudenciais.

c) Leis estaduais.

d) Normas da Constituição Federal.

e) Leis federais.

Questão 8    (VUNESP/2016/CÂMARA DE TAQUARITINGA-SP) A Constituição Fe-

deral de 1988 prevê que a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na

data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data

de sua vigência. Tal previsão constitucional é considerada uma pedra angular do

direito eleitoral e conhecida como princípio da

a) anterioridade eleitoral.

b) anualidade eleitoral.

c) periodicidade eleitoral.

d) segurança jurídico-eleitoral.

e) estrita legalidade eleitoral.

Questão 9    (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS) Acerca dos princípios do

direito eleitoral, julgue os itens a seguir.

O princípio da anualidade da lei eleitoral foi consagrado no sistema jurídico bra-

sileiro pela CF, cujo texto pertinente, originalmente, limitava-se a estabelecer

que a lei que alterasse o processo eleitoral só entraria em vigor um ano após

sua promulgação.

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Questão 10    (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS) Acerca dos princípios do

direito eleitoral, julgue os itens a seguir.

Introduzida no texto constitucional por meio de emenda, a nova redação do

dispositivo que consagra princípio da anualidade da lei eleitoral aperfeiçoou a

redação do texto constitucional, ao igualar os conceitos de vigência ou aplica-

ção e de eficácia.

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GABARITO
1. c

2. b

3. b

4. b

5. c

6. c

7. c

8. b

9. C

10. E

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GABARITO COMENTADO
Questão 1    (FEPESE/2015/ANALISTA LEGISLATIVO/SC) Assinale a alternativa
que indica corretamente o princípio eleitoral em que a lei que alterar o processo
eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que
ocorra até um ano da data de sua vigência.
a) Princípio da legalidade eleitoral.
b) Princípio da celeridade eleitoral.
c) Princípio da anualidade eleitoral.
d) Princípio da democracia representativa.
e) Princípio da irrecorribilidade das decisões eleitorais.

Letra c.
O princípio eleitoral segundo o qual a lei que alterar o processo eleitoral entrará
em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até
um ano da data de sua vigência, denomina-se de princípio da anualidade elei-
toral. Esse princípio também é denominado doutrinariamente de princípio da
anterioridade eleitoral.

Questão 2    (AOCP/2015/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-AC) Em relação à legislação


eleitoral, assinale a alternativa correta.
a) O Código Eleitoral é a legislação central do regime jurídico eleitoral, sendo as
demais legislações acessórias naquilo em que ele for omisso.
b) A Lei que alterar o processo eleitoral deve respeitara regra da anualidade eleitoral.
c) É inaplicável, dentro do sistema processual eleitoral, qualquer disposição do
código de processo civil, em razão da sua incompatibilidade com o que dispõe o

código eleitoral.

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d) A cada eleição, será publicada, pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lei específica

dispondo a respeito do pleito a ser realizado.

e) Além das disposições constitucionais, somente Lei complementar pode dispor

acerca de matéria eleitoral.

Letra b.

a) O Código Eleitoral constitui apenas uma das fontes do Direito Eleitoral. Não

se trata da norma central, apesar de tratar de diversos temas do Direito Elei-

toral, tais como alistamento, organização e competências da Justiça Eleitoral,

eleições manuais, recursos eleitorais, direito penal eleitoral, direito processual

penal eleitoral etc. Entretanto, caso uma lei posterior trate de matéria regula-

da pelo Direito Eleitoral, a lei mais nova revogará o Código Eleitoral. Por essas

razões, essa assertiva está incorreta.

b) As leis eleitorais que alterem o processo eleitoral sofrem a incidência do princí-

pio constitucional da anterioridade eleitoral.

c) O processo civil eleitoral é regido, em regra, pelas disposições constantes na

legislação eleitoral. Entretanto, em caso de omissão, devem ser aplicadas as pres-

crições constantes no Código de Processo Civil. Assim, esse item está incorreto.

d) A cada eleição, o TSE deve editar resoluções sobre a realização do pleito. Por

outro lado, a partir da edição da Lei Geral das Eleições, da Lei n. 9.504/1997, não

há mais a edição de leis específicas para cada certame eleitoral. Por conseguinte,

essa alternativa está incorreta.

e) Em regra, a União, ao legislar sobre Direito Eleitoral, deve editar leis ordinárias.

Somente excepcionalmente é exigível a edição de lei complementar. Dessa forma,

esse item está incorreto.

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Questão 3    (CS-UFG/2015/PROCURADOR/AL-GO) Ao julgar o Recurso Extraordi-

nário Eleitoral n. 633.703, em 23 de março de 2011, o Supremo Tribunal Federal

entendeu que a Lei Complementar n. 135/2010 (Lei da Ficha Limpa) não deveria

ser aplicada às eleições de 2010 por desrespeitar o art. 16 da Constituição Federal

de 1988. Considerando o princípio da anualidade,

a) A emenda constitucional que altera o processo eleitoral possui aplicação imediata.

b) A lei que altera o processo eleitoral, assim que publicada, ingressa imediata-

mente no ordenamento jurídico pátrio, incorrendo a vacatio legis.

c) A lei que altera o processo eleitoral entra em vigor um ano após sua publicação,

não tendo efeito no período da vacatio legis.

d) A incidência da anualidade em relação à lei que altere o processo eleitoral de-

penderá de ponderação no caso concreto, por tratar-se de um princípio.

Letra b.

a) Errada. A emenda constitucional que altera o processo eleitoral possui vigência

imediata, mas aplicação somente às eleições que ocorram após um ano da data de

sua publicação. Logo, esse item está incorreto.

b) Errada. As leis que alterem o processo eleitoral possuem vigência imediata.

Desse modo, não possuem vacatio legis, motivo pelo qual essa assertiva está cor-

reta.

c) Errada. A lei que altera o processo eleitoral entra em vigor imediatamente e não

possuem vacatio legis. Assim, esse item está incorreto.

d) Errada. A incidência da anualidade em relação à lei que altere o processo elei-

toral independe de qualquer análise. Trata-se de uma determinação constitucional.

Portanto, essa alternativa está incorreta.

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Questão 4    (FCC/2015/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-RR) Incluem-se dentre as

fontes diretas do Direito Eleitoral:

a) Os entendimentos doutrinários relativos ao Direito Eleitoral.

b) As resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.

c) As leis estaduais.

d) Os leis municipais.

e) Os julgados que compõem a jurisprudência dos Tribunais Eleitorais.

Letra b.

Passa-se à análise das alternativas:

a) Os entendimentos doutrinários relativos ao Direito Eleitoral são fonte indiretas

do Direito Eleitoral.

b) As resoluções do Tribunal Superior Eleitoral são exemplos de fontes diretas do

Direito Eleitoral, motivo pelo qual essa é a alternativa correta.

“c” e “d” as leis estaduais e as leis municipais não podem tratar sobre Direito Elei-

toral.

c) Os julgados que compõem a jurisprudência dos Tribunais Eleitorais constituem

fontes indiretas do Direito Eleitoral.

Questão 5    (VUNESP/2014/JUIZ/TJ-SP) Sobre a legislação eleitoral, assinale a

opção correta.

a) A lei ou Resolução do TSE que alterar ou regulamentar o processo eleitoral en-

trará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até

um ano da data de sua vigência.

b) A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,

não se aplicando à eleição que ocorra no exercício seguinte à sua publicação.

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c) A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,

não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.

d) A lei ou Resolução do TSE que alterar ou regulamentar o processo eleitoral en-

trará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra no

exercício seguinte à sua publicação.

Letra c.

Segundo o art. 16 da CF/1988, que dispõe sobre o princípio da anterioridade elei-

toral, a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publi-

cação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.

Questão 6    (FCC/2017/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-SP) Acerca das fontes de Di-

reito Eleitoral:

a) A função normativa da Justiça Eleitoral autoriza que sejam editadas Resoluções

Normativas pelo Tribunal Superior Eleitoral com a finalidade de criar direitos e esta-

belecer sanções, possibilitando a revogação de leis anteriores que disponham sobre

o mesmo objeto da Resolução Normativa.

b) As normas eleitorais devem ser interpretadas em conjunto com o restante do

sistema normativo brasileiro, admitindo-se a celebração de termos de ajustamen-

to de conduta, previstos na Lei n. 7.346/1985, que disciplina a Ação Civil Pública,

desde que os partidos políticos transijam, exclusivamente, sobre as prerrogativas

que lhes sejam asseguradas.

c) O Código Eleitoral define a organização e a competência da Justiça Eleitoral,

podendo ser aplicado apesar de a Constituição Federal prever a necessidade de lei

complementar para tanto.

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d) As Resoluções Normativas do TSE, as respostas às Consultas e as decisões do

Tribunal Superior Eleitoral são fontes de Direito Eleitoral de natureza exclusivamen-

te jurisdicional e aplicáveis apenas ao caso concreto dos quais emanam.

e) O Código Eleitoral, a Lei de Inelegibilidades, a Lei dos Partidos Políticos, a Lei das

Eleições, as Resoluções Normativas do TSE e as respostas a Consultas são fontes

de Direito Eleitoral de mesma estatura, hierarquia e abrangência, podendo ser re-

vogadas umas pelas outras.

Letra c.

a) Errada. As resoluções do TSE, expressão de sua função regulamentar, não po-

dem criar obrigações, nem restringir direitos. Isso porque, de acordo com o prin-

cípio da legalidade, ninguém será obrigado a fazer (obrigação) ou deixar de fazer

(restrição de direito) senão em virtude de lei. Assim, a alternativa A está incorreta.

b) Errada. Quanto aos Compromissos de Ajustes de Condutas, a jurisprudência

do TSE não os admite na Justiça Eleitoral. Firmou-se o entendimento de que esse

instrumento tratado pela Lei da Ação Civil Público não é compatível com a Justiça

Eleitoral. A esse respeito:

A realização de termos de ajustamento de conduta previstos no art. 5º, § 6º, da

Lei n. 7.347/1985 não é admitida para regular atos e comportamentos durante a

campanha eleitoral, consoante dispõe o art. 105-A da Lei n. 9.504/1997. (Respe

32231, TSE)

Assim, o item “b” está incorreto.

c) Certa. Por outro lado, o Código Eleitoral, apesar de ser lei ordinária, na parte

que trata da Justiça Eleitoral foi recepcionado com status de lei complementar. Isso

porque a CF/1988 exige que haja a edição de lei complementar para tratar de orga-

nização e competências da Justiça Eleitoral. Logo, a alternativa correta é a letra “c”.

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d) Errada. No que se refere às consultas e resoluções, ao exercer tais competên-

cias, o TSE não exerce função jurisdicional. Com efeito, ao responder uma consulta

ou ao editar uma resolução, o TSE exerce, respectivamente, suas funções consul-

tiva e regulamentar. Tais funções diferem da função jurisdicional (de julgar litígios

eleitorais). Por essa razão, o item “d” está incorreto.

e) Errada. Por fim, o Código Eleitoral, a Lei de Inelegibilidades, a Lei dos Parti-

dos Políticos, a Lei das Eleições são fontes primárias do Direito Eleitoral e de igual

hierarquia. Por sua vez, a resposta às consultas e as resoluções do TSE são fontes

secundárias, já que não podem inovar na ordem jurídica. Assim, esta alternativa

está incorreta.

Questão 7    (FCC/2013/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TRE-RO) NÃO se incluem, dentre

as fontes do Direito Eleitoral as

a) Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.

b) Decisões jurisprudenciais.

c) Leis estaduais.

d) Normas da Constituição Federal.

e) Leis federais.

Letra c.

As leis estaduais não podem tratar Direito Eleitoral, logo essas leis não constituem

fontes do Direito Eleitoral.

Questão 8    (VUNESP/2016/CÂMARA DE TAQUARITINGA-SP) A Constituição Fe-

deral de 1988 prevê que a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na

data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data

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de sua vigência. Tal previsão constitucional é considerada uma pedra angular do

direito eleitoral e conhecida como princípio da

a) anterioridade eleitoral.

b) anualidade eleitoral.

c) periodicidade eleitoral.

d) segurança jurídico-eleitoral.

e) estrita legalidade eleitoral.

Letra b.

Atenção para essa posição específica da Banca VUNESP. Em regra, a doutrina, a ju-

risprudência e as demais bancas examinadoras tratam as expressões princípio da

anterioridade eleitoral e princípio da anualidade eleitoral como expressões sinônimas.

Entretanto, para a VUNESP, nesse concurso, o art. 16 da Constituição Federal es-

tabelece o princípio da anualidade eleitoral, já que as leis que alterem o processo

eleitoral somente são aplicáveis às eleições que se realizarem um ano após a data

de sua publicação.

Cuidado, portanto, com essa posição isolada adotada nessa questão pela VUNESP.

Questão 9    (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS) Acerca dos princípios do

direito eleitoral, julgue os itens a seguir.

O princípio da anualidade da lei eleitoral foi consagrado no sistema jurídico bra-

sileiro pela CF, cujo texto pertinente, originalmente, limitava-se a estabelecer

que a lei que alterasse o processo eleitoral só entraria em vigor um ano após

sua promulgação.

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Certo.

Veja a redação original do art. 16 da Constituição Federal:

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após sua
promulgação.

Logo, pela redação originária, o princípio da anterioridade eleitoral estabelecia um

período de vacatio legis de um ano para as leis que alterassem o processo eleitoral.

Questão 10    (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS) Acerca dos princípios do

direito eleitoral, julgue os itens a seguir.

Introduzida no texto constitucional por meio de emenda, a nova redação do dispo-


sitivo que consagra princípio da anualidade da lei eleitoral aperfeiçoou a redação do
texto constitucional, ao igualar os conceitos de vigência ou aplicação e de eficácia.

Errado.
Com a emenda à Constituição n. 4/1993, a CF estabeleceu uma distinção entre a
vigência e a aplicabilidade das leis que alterem o processo eleitoral. Isso porque,
a partir da data da publicação, as leis que alterem o processo eleitoral possuem
vigência imediata, mas somente podem ser aplicadas após um ano da data de sua
vigência. Logo, a vigência dessa norma não implica, imediatamente, na sua aplica-
bilidade.
Desse modo, essa assertiva construída pelo Cespe está errada.

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BARROS, Francisco Dirceu. Direito Eleitoral: teoria, jurisprudência e mais de 1000


questões comentadas. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

CÂNDIDO, Joel J. Direito Eleitoral Brasileiro. 12. ed. rev., atual. e ampl. Bauru: Edi-
pro, 2006.

CERQUEIRA, Thales Tácito Pontes Luz de Pádua. CERQUEIRA, Camila Medeiros de


Albuquerque Pontes Luz de Pádua. Tratado de Direito Eleitoral. São Paulo: Premier
Máxima, 2008.

COÊLHO, Marcus Vinicius Furtado. Direito Eleitoral e Processo Eleitoral – Direito Pe-
nal Eleitoral e Direito Político. Rio de Janeiro: Renovar, 2008.

COSTA, Adriano Soares da. Instituições de Direito Eleitoral. 7. ed. rev., atual. e ampl.
Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.

DIDIER JR., Fredie. CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Curso de Direito Processual
Civil: Meios de Impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. 5. ed.
rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2008.

GOMES, José Jairo. Direito Eleitoral. 3. ed. rev. e atual. Belo Horizonte: Del
Rey, 2008.

RAMAYANA, Marcos. Direito Eleitoral. 8. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Im-
petus, 2008.

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ZILIO, Rodrigo López. Direito Eleitoral: noções preliminares, elegibilidade e inelegi-

bilidade, processo eleitoral (da convenção à prestação de contas), ações eleitorais.

Porto Alegre: Verbo Jurídico, 2008.

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