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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

Prof.: Rose Melo


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03 de Agosto de 2010

Obrigação é: o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode exigir de outra uma
prestação economicamente apreciável.

Exemplo:
Vínculo Jurídico – contrato
Uma pessoa – Sr. José
Exige de outra – Sra. Maria
Uma prestação economicamente apreciável – a entrega de dinheiro

Elemento subjetivo: sujeitos que compõem a relação obrigacional


▪ Credor – titular do crédito. Tem o direito de receber a prestação
▪ Devedor – titular do débito. Tem o dever de cumprir a obrigação

Ainda que no momento da existência da obrigação o credor seja indeterminado,


isso não impede a obrigação. Ex: promessa de recompensa (indeterminação temporária).
Mas para o cumprimento dessa obrigação o credor deve ser determinado.

Compra e venda
Compradora: Ana e João Vendedora: Bia
Credora da coisa Credora do preço
Devedora do preço Devedora da coisa
Ao mesmo tempo é credor e Dois centros (crédito e débito) de
devedor, porém de prestações diferentes. interesses

Dentro de uma relação obrigacional o foco deve ser a prestação, de que ponto de
vista a relação está sendo interpretada.

Obs.: Direitos reais ≠ Direitos de crédito


Ex: Contrato de compra e venda cumprido.
Dono do imóvel = Bia (direito de crédito = Ana e José)
( direitos reais = Bia)

Obs2.: Direito Subjetivo = Direito de Crédito


S. Ativo S. Passivo
Credor Devedor
João Pedro

Objeto = prestação de dar (dinheiro)


Obrigação pecuniária (R$10.000,00)

Se Pedro não pagar, surge a pretensão p. João de exigir pelo cumprimento forçado +
indenização  Responsabilidade patrimonial  D. das Obrigações = campo para os
direitos patrimoniais.
Ex2: Ana e José pagaram, mas Bia não saiu do imóvel, mas Ana e José não
podem invadir o apartamento, eles devem entrar com uma ação contra Bia, pois
diretamente sobre o imóvel eles não podem exercer esse direito, pois não possuem
direitos reais sobre ele.

Elemento objetivo
PRESTAÇÃO: objeto da obrigação (o objeto da obrigação sempre será
uma atividade, o agir do dever.
▪ dar  entrega da coisa, não a coisa em si.
Alguns autores classificam o objeto – Dar – objeto imediato = entrega da coisa
Objeto mediato = coisa em si.
▪ fazer  atitude comissiva do devedor (ação positiva). Ex:
contrato de promessa de compra e venda, atividade artística, científica.
▪ não fazer  atitude omissiva do devedor (ação negativa).
Ex: não construir janela a uma distancia menor que 1,5m,
obrigação de sigilo.

Patrimonialidade: Saber se utiliza-se a lógica do D. das Obrigações ou não. Conteúdo


patrimonial, prestação que tem valor econômico. (A obrigação deve ter objeto c.
conteúdo patrimonial). Doutrina Majoritária – não unânime, pois não há artigo que diga,
mas a Doutrina assim entende, pois a obrigação funciona como um direito de crédito.
▪ Entrega de um imóvel
▪ Fazer móveis sob medida
▪ Dar quitação  dever acessório de uma obrigação
▪ Não ser infiel no casamento

10 de Agosto de 2010

Fontes das Obrigações:

▪ Lei

▪ Autonomia privada – fundamenta a possibilidade de, no negocio jurídico, as partes


definirem os efeitos que aquele ato vai produzir. Sustenta a idéia de criar
efeitos/conseqüências jurídicas. Manifestação de vontade.

▪ Boa-fé objetiva – o código de defesa do consumidor trouxe vários dispositivos que


facilitaram a aplicação da boa-fé.

A obrigação tem como por objeto uma prestação. Essa prestação vai decorrer de
uma manifestação de vontade (autonomia). Mas ao lado da prestação podem existir
alguns outros deveres, chamados de anexos, ou secundários ou acessórios. E esses
deveres não vão decorrer da autonomia, porque não são criados pela vontade das partes,
e sim da boa-fé objetiva. Percebe-se com isso que a prestação é o dever principal, mas
existem outros.
A obrigação antes era vista só com credito (direito), debito (dever), objeto e
prestação. Ou seja, não existiam os outros deveres. Com a fonte de boa-fé objetiva o
credor passa a ter deveres também como, por exemplo, o de ajudar, avisar ao devedor
algo e etc.

Obrigação como um processo:

A obrigação não é um fenômeno estático, é um vinculo dinâmico. Por isso tem


que observar o momento anterior a constituição da obrigação, o momento enquanto está
sendo executada (o durante) e o momento depois de ser cumprida.

Antes, durante e mesmo depois da prestação, pode ocorrer alguns deveres como,
por exemplo, informação, colaboração e sigilo, respectivamente.

Boa-fé objetiva

▪ Boa-fé subjetiva X boa-fé objetiva


A boa-fé subjetiva é uma regra (conteúdo pré-definido). Tem a ver com o estado
psicológico do sujeito de ignorância a respeito de determinada situação jurídica. Esse
desconhecimento, as vezes, é tutelado pelo direito. Quando o sujeito está de boa-fé,
alguma vezes o ordenamento jurídico dispensa as sanções que aplicaria se não fosse a
boa-fé. A boa-fé subjetiva está prevista em lei na forma de regras (ex: art. 148). Função
da boa-fé subjetiva: justificar o comportamento com a função de evitar sanções.
A boa-fé objetiva é um princípio (conteúdo amplo e podem um maior numero de
casos, por ser mais vago). Sua aplicação independe de positivação. Ou seja, ainda que
não esteja em lei pode ser aplicada. No caso concreto será possível que se dê o conteúdo
da boa fé objetiva. A boa-fé objetiva requer um raciocínio argumentativo mais rico, por
isso não era muito utilizada. (ex: art. 113). A boa-fé objetiva tem três funções:
(1) normatizar deveres anexos: art. 422. Dita comportamento das partes na
obrigação. Tendo as partes que agir seguindo os deveres acessórios:
▪ Deveres acessórios, anexos ou secundários decorrentes da boa-
fé objetiva:
(i) proteção – as partes devem agir tentando evitar causar
danos a pessoa da outra parte e a seus bens;
(ii) informação - determina que as partes se informem
mutuamente a respeito de todas as circunstancias
relevantes para o negócio;
(iii) lealdade – impõe que as partes colaborem entre si,
atuem de forma leal/ética.

(2) interpretação do negócio jurídico: art. 187. A boa-fé objetiva permite que se
use o comportamento das partes para dar sentido ao negócio que está sendo
interpretado.
(3) limitar os exercícios de direito – quando isso viole qualquer um dos deveres
que vem da boa-fé.

12 de Agosto de 2010

Classificação das obrigações

Obrigação simples
▪ 1 objeto – uma única prestação
▪ 1 credor
▪ devedor

Ex.: contrato de compra de venda de um carro celebrado entre Ana e Bia

Ana ------------------------------------------------------------------------------------------- Bia


Compradora compra e venda de carro Vendedora
Direito de receber o carro Direito de receber o preço
Dever de pagar o preço Dever de entregar o carro

Classificação quando ao sujeito: A partir do art. 233 até 242

▪ Obrigação de dar –
Prestação: entrega de coisa
para transferir a propriedade (art. 233 ate 237)
para ceder o uso (art. 233 ate 237)
para devolver (a partir do 238)
entrega de dinheiro (obrigação pecuniária)

A obrigação de dar está dividida em:


- Obrigação de dar coisa certa
Prestação: entrega de certum corpus (corpo certo)
Já tem individualizada todas as suas características. Definida.
Determinada. A principal conseqüência é que o devedor só se desobriga entregando a
coisa definida no acordo. Se ele quiser entregar algo, mesmo que mais valioso, o credor
não é obrigado a aceitar.

Princípio da gravitação jurídica = o acessório segue o principal. O devedor é obrigado a


entregar a coisa juntamente com os acessórios que a acompanham. Salvo se for
acordado anteriormente. art. 233.
Pode acontecer de surgir um melhoramento após a constituição da obrigação e
posteriormente a entrega da coisa (tradição) e isso permite com que o vendedor aumente
o preço. Caso o comprador não queira pagar o aumento, ele pode negociar (art. 237)

- Obrigação de restituir
- Obrigação de dar coisa incerta (art. 242 a 246)
Essa coisa não é indeterminada, e sim indeterminável. O mínimo
que se requer para que uma coisa seja considerada indeterminável é que ela seja
definida pelo gênero + quantidade. Art. 243 Se não a obrigação é inválida.
Contrato aleatório é outro tipo de contrato, não é de obrigação de coisa incerta.
Não há como alegar perecimento da coisa, pois por ser incerta, pode ser substituída por
outra igual. Gênero nunca perece. Só se for gênero limitado (ex: vacas da fazenda tal).
Concentração do débito – é a determinação da coisa de modo a
permitir o cumprimento da obrigação.
A obrigação de dar coisa incerta torna-se de dar coisa certa após a
definição da coisa a ser entregue.
A regra (art. 244) é de que quem escolhe é o devedor. Mas ele
não pode escolher a pior coisa, mas também não precisa escolher a
melhor.
As partes podem estipular um prazo de quando vai efetuar a
escolha, mas se não tiver prazo o devedor pode escolher até o momento
da data de pagamento. Se for o credor quem vai escolher, geralmente a
data é estipulada.
Se o devedor não escolher: credor  ação de cobrança 
devedor  sentença procedente  cumprimento da sentença  devedor
ainda tem direito a escolha  se passar o prazo do cumprimento da
sentença o direito de escolha passa para o credor.

- Obrigações pecuniárias
- Dívidas de dinheiro (pela quantidade de moeda)
Ex.: R$10.000,00
Princípio do nominalismo – impõe que o devedor não esteja sujeito a variação
de valor das coisas.
Obs.: correção monetária – mesmo nas dívidas em dinheiro, mesmo aplicando o
principio do nominalismo, admite-se a correção monetária.

- Dívidas de valor (pelo valor intrínseco da moeda)


Ex.: condenação em perdas e danos
O valor não está expresso.

Direito pessoal

Direito real

Ex.: Ana e Bia


Contrato de troca.
Ana vai entregar Whey à Bia e a mesma vai entregar NOxplode. Ambas tinham um
direito de crédito que foi instinto com a entrega da coisa. Mas como se trata de um bem
móvel ao mesmo tempo que se dá o cumprimento da obrigacao, ocorre a aquisição da
propriedade, que é um direito real.
Ana cumpriu sua parte, mas Bia não entregou a coisa.
Ana pode cobrar

Como se exerce o direito de crédito? Por meio de um intermediário, do devedor. Por


isso que a prestação, mesmo na obrigação de dar, não é a coisa em si e sim o
comportamento de entregar a coisa.

Ex.: Entrega de preço - Obrigação de dar coisa incerta. art. 243


Entrega de coisa – obrigação de dar coisa certa. Todas as características definidas.
Tradição – cumprimento da obrigação, mas não aquisição da propriedade, por ser coisa
Imóvel, necessita da tradição + registro.
Quando a coisa é Móvel, aí sim a tradição corresponde a transferência de propriedade.

Você exerce o Direito real, usufruindo da coisa diretamente.


Direito de crédito depende do devedor cumprir a obrigacao dele de entregar a coisa.
▪ Obrigação de fazer –
- Prestação: realização de fatos que consistem em atividade pessoal do
devedor. (ex: atividade artística, advocacia, pintura…)
▪ Fungíveis - se o devedor pode ser substituído por um terceiro
▪ Infungíveis – decorre ou da natureza da prestação ou do acordo
das vontades.

▪ Obrigação de não fazer


- Prestação:
▪ fatos omissivos do devedor (dever de sigilo, por exemplo)

Classificação quanto ao resultado

▪ Obrigação de meio – o devedor se compromete com os meios empregados, e não com


o resultado pretendido.

▪ Obrigação de resultado – se compromete com a ocorrência dos resultados. (Dever de


informação. Boa fé objetiva. Porque dependendo do caso concreto e da informação
passada ao paciência, cria-se a expectativa do resultado).

A importância da classificação é o ônus da prova. Porque se a obrigação é de meio,


quando não ocorre o resultado o devedor já não é considerado inadimplente. Então o
ônus da prova é do credor de provar que os meios não foram os adequados. E na
obrigação de resultado, o simples fato de não ter ocorrido resultado, já faz o devedor ser
considerado inadimplente. E ele terá que provar que a inadimplência ocorreu por
motivos estranhos a ele (caso fortuito ou força maior).

19 de Agosto de 2010

Classificação quanto ao vínculo com a coisa

• Obrigação propter rem – é uma obrigação que decorre do fato de o devedor ser
proprietário ou possuidor de uma coisa. Mesmo que a dívida não tenha
sido criada por ele, só o fato dele contrair a coisa, ele contrai a
dívida juntamente.

Obrigações complexas

• + 1 objeto
e/ou
• + 1 credor
e/ou
• + 1 devedor

A obrigação complexa se sobrepõe a obrigação simples. Então num caso onde exista
os dois tipos de obrigações, classifica-se como o “mais importante”.
▪ Obrigações Alternativas – a partir do art. 252 - complexas quanto ao objeto (parte
da premissa que haja 2 ou mais prestações, 2 ou mais objetos).
• Conceito
• Concentração do débito – é a escolha dentre os vários objetos, qual será
cumprido pelo devedor. A escolha é feita pelo devedor (em regra – art. 252).
• Concentração do débito em contratos de execução continuada
• Distinção das obrigações cumulativas e facultativas.

O que vai verificar a obrigação alternativa é a partícula “ou”. A obrigação


alternativa é aquela que tem pluralidade de objeto, mas o pagamento é singular. O
credor não pode exigir que o devedor cumpra mais de uma prestação.
Essas prestações variam de acordo com o interessa das partes.
Parágrafo 3 – art. 252 – pluralidade de optantes – se não tem unanimidade,
ingressa-se com ação judicial e o juiz escolhe.
Contrato de execução continuada / periódica – a cada pagamento periódico surge
um novo período, não extinguindo-se a obrigação. Só extingui-se com o final do prazo.
Nesse mesmo caso as escolhas também são feitas por períodos.
Obrigações cumulativas – a partícula identificadora vai ser o “e”. O que ela tem
em comum com as alternativas é a pluralidade do objeto, e a distinção é que na
cumulativa o pagamento é plural (cumprir todas as prestações) e na obrigação
alternativa o pagamento é singular (escolhe uma prestação a pagar).
Não tem uma doutrina aplicada a obrigação cumulativa, vai depender da doutrina que
trata sobre a prestação.
Já as obrigações facultativas são obrigações simples, mas o funcionamento delas
e bem parecido com os das obrigações alternativas. A disciplina que trata sobre as
obrigações facultativas vai depender também da prestação que se está usando (dar, não
fazer, fazer). Nelas existe um único objeto e pagamento idem. Mas nas facultativas é
estabelecido entre as partes uma faculdade para o devedor. Então apesar de ter por
objeto um obrigação de dar, por exemplo, o contrato estipula uma faculdade que
permite ao devedor cumprir a obrigação com prestação diversa daquela instituída como
objeto da obrigação. Na facultativa o devedor não é obrigado a faculdade, ele tem o
direito a. Já nas alternativas o devedor é obrigado a todas.

Próxima aula:

João é proprietário de um imóvel localizado na Lagoa e a um ano o alugou para


Pedro pelo prazo de 30 meses. Pedro foi notificado por Antonio, adquirente deste
imóvel, para desocupá-lo em 30 dias.

Maria é proprietária de um imóvel em Laranjeiras, mas resolve doá-lo com cláusula


de usufruto vitalício para sua filha Joana. Antonio adquiri este imóvel e pretende lá
montar seu escritório, por isso requer que Maria o desocupe em 30 dias.

Usufruto vitalício é um direito real e o outro é um caso de locação (direito pessoal).


Explique, a partir da distinção entre direito pessoal e direito real, porque Antonio
pode requerer a desocupação do primeiro imóvel e não pode fazer o mesmo no
segundo.

Resposta:
24 de Agosto de 2010

Obrigações divisíveis (pluralidade de sujeito e divisível em relação ao objeto)

• Conceito.
Credor ---------------------------------------------Devedor
Ana Daniel
Bia Prestação Eduardo
Carla de R$3000,00 Fabio

Divisível:
- A prestação pode ser dividida sem prejuízo da sua substancia
- Quando a satisfação do interesse do credor se dá mesmo c. a divisão da prestação.

Na obrigação divisível, a obrigação se divide em tantos quantos forem os credores e


devedores. Essa regra ta prevista no art. 257 CC.

No exemplo dado, cada credor vai receber 3000 cada um. A não ser que eles
acordem entre si que um vai ganhar mais do que o outro. Mas cada credor só pode
cobrar a sua parte e cada devedor só pode ser cobrado da sua parte.

Obrigações Indivisíveis

• Conceito
Art. 258. Aobrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou
um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza (vaquinha), por motivo de
ordem econômica (redução do valor da coisa), ou dada a razão determinante do
negócio jurídico (as partes podem estipular que seja indivisível).

Efeitos da indivisibilidade da prestação:

• Pluralidade de devedores
 Cada devedor será obrigado pela dívida toda;
 O devedor que paga a dívida se sub-roga no direito do credor em relação aos
outros coobrigados;
 Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos;
OBS:
- Culpa de 01 dos devedores: só este se responsabiliza, ficando os demais
exonerados
- Culpa de todos os devedores: todos se responsabilizam

 PRESCRIÇÃO – aproveita a todos os devedores, bem como a interrupção e


suspensão. Art. 204. caput, §2˚.

 Toda vez que tem culpa, o credor tem direito a receber perdas e danos.
 Toda vez que a obrigação indivisível for transformada em obrigação de pagar
perdas e danos, ela se torna divisível. E Terá que cobrar divisivelmente o valor a
cada devedor. Art. 263.
• Pluralidade de credores
 Cada credor pode exigir a dívida por inteiro, mas o devedor só se exonera da
obrigação pagando> a todos os credores conjuntamente OU a um, dando este caução
de ratificação dos outros.
 A remissão (perdão da dívida), transação (composição entre as partes), novação
(nova relação jurídica para substituir a anterior), compensação (duas partes são
reciprocamente credoras e devedoras), confusão (credor e devedor confundem-se na
mesma pessoa), meios de extinção das obrigações, têm efeitos pessoais.

* Caução = deposito de um determinado valor para fim de garantia.

Remissão – art. 262


Transação – cada um cede um pouco e chega-se a um acordo extinguindo as obrigações
anteriores
Novação – um acordo entre as partes onde surge uma nova obrigação que fica no lugar
da anterior
Compensação – credores e devedores recíprocos. As dívidas se extinguem por se
compensarem.
Confusão – credor e devedor se confundem.

26 de Agosto de 2010

Obrigações solidárias

• Conceito – não depende do objeto. Só se verifica se há vontade das partes ou se


a lei determina. Art. 264. É uma forma de favorecimento do interesse do credor. O
débito de um devedor pode ser diferente do débito do outro devedor.
• Características:
- Independência
- Unidade finalística da obrigação – a finalidade estabelecida no âmbito daquela
obrigação é uma só. Um único fim. Um único interesse objetivo.
- Existência de relação interna (entre os credores. Ou entre os devedores) e externa
(entre credor e devedor).

• Fontes da solidariedade:
- Autonomia – da vontade.
- Lei – art. 1.644

• Espécies de solidariedade:
- Ativa – quando há pluralidade de credores
- Passiva – quando há pluralidade de devedores
- Mista – quando há pluralidade de credores e devedores. Art. 267 em diante.

Solidariedade Ativa
• Cada credor pode exigir do devedor a prestação por inteiro;
• O devedor pode pagar a qualquer dos credores e com isto se exonerar, salvo se
tiver sido demandado por algum deles; art. 268
• O pagamento, novação, compensação e remissão em face de um dos credores
extingue inteiramente a dívida;
• No caso da remissão e pagamento, caberá ao que remitiu ou recebeu por inteiro
pagar aos outros a parte devida; art. 272.
• Falecimento de um dos credores solidários – o seu crédito passa aos herdeiros
que o receberão de acordo com seu quinhão – desaparece a solidariedade, salvo
se a obrigação for indivisível; art. 270
• Conversão da prestação em perdas e danos não faz desaparecer a solidariedade,
como nas obrigações indivisíveis. Art. 271.

* Danos emergentes – o que já foi pago pela coisa.

Principais diferenças entre Solidadriedade e indivibilidade.


1 – sim para os dois.
2 – diferentes.
3 – sim para o pagamento. Já na remissao os outros credores continuam podendo cobrar
do devedor.
4 – Na indivizibilidade há uma conversão em dinheiro e ele paga aos outros
5–
6 – na indivizibilidade a solidariedade acaba qd tem perdas e danos.

31 de Agosto de 2010

Solidariedade passiva (art. 275 a 285)


• Cada credor tem o direito de reclamar de qualquer devedor a totalidade ou parte
da dívida;
• O pagamente parcial ou a remissão feita a um dos devedores extingue a
obrigação apenas nesta parte, a solidariedade persiste vinculando aos demais;
• Exigido o pagamente total de um dos devedores, este poderá exigir de cada um
dos co-devedores a sua cota; art. 283
• A morte de um dos devedores solidários não extingue a solidariedade, mas após
a partilha os seus herdeiros se obrigam apenas no limite do seu quinhão, salvo se
for indivisível;
• Se um dos devedores alterar a relação obrigacional de forma gravosa, não
alterará a relação obrigacional dos demais; art. 278.
• Se houver um só devedor interessado na dívida, responderá este por toda ela
com aquele que pagar.

Obs.: a dívida só pode ser cobrada por inteiro no espólio, antes da partilha. Com relação
ao herdeiro do co-locatário, o art. 276 permite que se cubra apenas no limite do seu
quinhão, salvo se a obrigação for indivisível.

• Responsabilidade pelo inadimplemento


- Sem culpa dos devedores (caso fortuito/força maior): extingue-se a dívida para
todos.
- Culpa dos devedores: só o culpado responde pelas perdas e danos, mas todos pelos
juros da mora, assegurado regresso.

02 de Setembro de 2010
Exceções – defesa alegada pelo devedor.

• Gerais – defesa em relação a obrigações genericamente falando. Geralmente


ligada ao objeto da obrigação.
• Pessoais – Quanto à pessoa. Quando diz respeito à pessoa do devedor ou a
pessoa do credor. Ex.: perdão pessoal a AQUELE devedor. – O devedor só pode
alegar as suas exceções e as exceções gerais. Solidariedade Ativa – art. 273. art.
281.

Renúncia da solidariedade

Não há perdão da divida, e sim da solidariedade.


Art. 284.
Remissão – art. 275. Vide artigo 284.

Cessão de Crédito

Ana Bia
Credor Originário Novo Credor
(cedente) (cessionário)

Cláudia
Devedor
(cedido)

- É um contrato por meio do qual o credor transfere seu crédito a terceiro que se torna o
novo credor.

Claudia Bia
Devedor Novo Credor
(cedido) (cessionário)

- O devedor não participa e nem é obrigado a consentir com a cessão de crédito.


O cedente (credor antigo) cede o crédito para o cessionário (novo credor) que então em
direito de crédito em face do cedido (devedor).

Qual o objeto da cessão?

• O crédito (a prestação) – art. 286.

• Acessórios do crédito

09 de Setembro de 2010
Espécies de Cessão

• Quanto à expressão patrimonial:


- onerosa- quando os dois tem perdas e ganhos. O credor cede o crédito
esperando receber uma prestação do cessionário.

- gratuita –

• Quanto à responsabilidade do cedente:


- Por soluto – a responsabilidade do cedente se restringe a existência do
crédito (o cessionário só pode responsabilizar o cedente se o crédito que ele
cedeu não existir Ex.: um crédito que já foi ago). Se a obrigação é nula, a
cessionária pode responsabilizar o cedente. Art. 295 Se a obrigação for onerosa
o cedente sempre se responsabiliza pela existência do crédito. Agora se for
gratuita o cedente só vai se responsabilizar se ele agiu de má fé.
- Por solvendo – o cedente se obriga pela solvência dos devedores.
• Quanto à extensão:
- total
- parcial
Na parcial o cedente não deixa de ser credor, mas só de uma parte da dívida.

Forma da cessão

“Raimundo Pires era credor………………”


A cessão tem efeito em face de Marcio?
Resposta: tudo vai depender da forma da cessão. Art. 288 – é ineficaz
Se for feita por instrumento púbico ou mesmo por particular que conste os requisitos
específicos, vale para todo mundo e Marcio vai poder cobrar de Marilda.
Colocar no 221 – vide 288.

Proteção do devedor
• O devedor pode opor tanto ao cedente quando ao cessionário as exceções que
lhe competirem no momento da cessão.
• Em relação ao devedor a cessão só produz efeito se lhe tiver sido notificado; Art.
292. E art. 290 – A notificação da cessão se classifica como declaração
receptícia de vontade.

Exceções que o devedor pode alegar em relação ao cessionário: art. 294 – as suas
próprias exceções e as exceções que tinha com o cedente antes da notificação.

14 de Setembro de 2010

Pluralidade de cessões

A quem pagar?
• Prioridade do cessionário detentor do título; Art. 291
• Prioridade da notificação, se o título for escritura pública; Art. 292. (Quem
notificar primeiro).
Críticas…
Assunção de dívida Um terceiro, chamado assuntor, assume a dívida do devedor
originário que pele assunção fica originário. – Devedor transfere o crédito.

Ana Bia
Credor Devedor originário
(cedente)
Sempre
participa

Claudia
Novo devedor
(assuntor)

O credor tem que autorizar a transição para o novo devedor. Isso tem que ocorrer
talvez o novo devedor não tenha patrimônio para garantir a dívida.

Art. 299 - Se o assuntor é insolvente no momento da assunção e o credor ignora, este


pode cobrar a dívida do antigo devedor.
Parágrafo único – se o credor é informado da assunção e é instigado p. se manifestar e
não o faz, significa que ele não concorda com a transmissão de débito. Vide art. 303 –
dívida de hipoteca que o devedor adquire . O silencio significa concordância.

Conseqüências da assunção

• Efeito liberatório
- quanto à prestação: o devedor primitivo não é mais obrigado ao cumprimento
da prestação – art. 299.
- quanto às garantias (penhor, hipoteca, anticrese) art. 300 – também são
extintas, salvo consentimento expresso do devedor primitivo.
Obs.: assunção cumulativa – se daria quando o novo devedor (assuntor) por ser
insolvente não libera o devedor primitivo da dívida. Então seria cumulativa a dívida.
O devedor primitivo e o novo ficariam co-devedores da mesma dívida.

• Anulação da assunção de dívida (quando alguma situação gera invalidade da


assunção) Art.301
Quando ocorre a anulação da assunção, restaurasse a
divida em relação ao devedor primário com todas as
garantias prestadas por ele anteriormente.

- Obs: Garantias prestadas por terceiros não permanecem.

• Exceções gerais e pessoais oponíveis ao credor. (alegações utilizadas pelo credor


para sua defesa)

As exceções gerais podem ser alegadas mas o novo devedor não pode alegar as
exceções pessoais do devedor primário.

16 de Setembro de 2010
Adimplemento ...

...

Requisitos do pagamento

Quem paga
A quem se paga
PAGAMENTO O que se paga
Onde
Quando

Quem deve pagar – solvens

• Pessoa interesssada (CC, art. 304)


Inclui-se aqui o devedor e também um terceiro interessado no pagamento.
- Obs.: Há sub-rogacao para o 3˚ interessado. – A pessoa que paga ao credor fica no
lugar dele. – fazer remissao do 304 para o 346, III.

• Terceiro não interessado (CC, art. 304, parágrafo único; 305)

Essa noção de interesse é relacionada às conseqüências jurídicas que a pessoa pode


sofrer caso não haja o pagamento.

Obs.: o credor, em algumas situações, tem o direito de se recusar a receber o pagamento


do terceiro (ex.: obrigações personalíssimas).

 Pagamento de terceiro nao interessado em nome e a conta do devedor (CC, art. 304,
parágrafo único)

Ana Bia
(credora) (devedora)
Jose (3˚)

João, no caso, não teria direito a reembolso porque ‘e como se tivesse aberto mao de
receber o dinheiro que pagou a Ana no lugar de Bia.
Essa pagamento ‘e para beneficiar o credor, mas alegam que o devedor pode não
autorizar o pagamento que o terceiro faz.

 Pagamento por terceiro não interessado em seu próprio nome (CC, art. 305)

Ana Bia
(credora) (devedora)

Jose (terceiro)

Obs.: não há sub-rogacao legal. – Porque esta so ‘e feita por terceiro interessado. Mas
isso não ‘e de toda verdade: pode haver sub-rogacao se for convencionado com o
devedor ou com o credor.
A diferença da sub-rogacao para o reembolso ‘e que este primeiro engloba tudo que já
estava definido na relação. E o segundo ‘e so a quantidade paga.
Art. 305 – vide 347

 Pagamento por terceiro com desconhecimento ou oposição do devedor (CC, art. 306)

Ana Bia diz que a divida esta prescrita


(credora) (devedora)

Jose (terceiro)

Bia não fica obrigada a pagar o terceiro se a divida paga por este estava prescrita.

 Pagamento efetuado pela transmissão da propriedade (CC, art. 307)

Caio  imóvel  Daniel


(vendedor) (comprador)

Pedro (terceiro)
(proprietário) – uso, gozo e disposição – três direitos do proprietário.

 Pagamento efetuado pela transmissão da propriedade de bem fungível (CC, art. 307)

Caio  100 latas de cerveja Boa  Jose


(vendedor) (comprador)
Boa Fe? Consumiu?

Pedro (terceiro)
(proprietário)

Quando aquele que recebe a coisa esta de boa Fe não pode ser responsabilizado. Se ele
já consumiu e estava de boa Fe, não devolvera. Se ele não consumiu ele pode ser
obrigado a devolver, mas não terá indenização.
Se o credor da coisa consome a coisa e esta de boa Fe, fica isento de responsabilidade.

A quem se deve pagar – Accipiens

• Regra geral (CC, art. 308):

Credor
Representante do Credor
Portador da Quitação (CC, art. 311) – presunção relativa.

NEM SEMPRE ‘E VALIDO O PAGAMENTO EFETUADO AO CREDOR

• Pagamento ao credor incapaz (CC, art. 310)


Jose Pedro
Credor Devedor
(menor) Boa Fe?
Se o devedor não sabe que o credor ‘e incapaz o pagamento ‘e valido. Se sabe, o
pagamento não ‘e valido. Mas poderá ser se o devedor não provar que em beneficio
dele efetivamente reverteu.

Nem sempre é valido o pagamento efetuado ao credor

-Pagamento efetuado ao credor cujo credito foi penhorado (art. 312)

Validade do pagamento efetuado a quem não seja credor


- O credor ratifica o pagamento (art. 308)
- O credor aproveita o pagamento (art.308)
- Pagamento feito de boa-fé a credor putativo (art. 309)

Objeto do Pagamento
-Prestação devida (art. 313, 314)
Identidade > o devido, não pode mudar a prestação ainda que para outra mais
valiosa, tem que ser exatamente a prestação acordada
Integridade > Tem que ser todo o devido
Indivisibilidade > Por inteiro, pode parcelar só com a vontade do credor.

A alteração pode ser feita, desde que o credor concorde.

Dividas em Dinheiro
Moeda corrente (art. 315)
-Clausula-ouro – quando no contrato vem previsto pagamento em ouro, a
clausula é invalida!!!
- Pagamento em moeda estrangeira – Clausula invalida, a não ser que seja
prevista na lei.

Prestações Sucessivas
-Aumento progressivo (art. 316)
Ex1: Aumento de 1% a.a
Ex2: Aumento anual pelo maior índice
Ex3: 12 prestações de R$1000,00 + 12 prestações de R$2000,00 +12 prestações
de R$5000,00
Lei 10.192/01
Revisão do Contrato
-Requisitos (art. 317)
a) Desproporção da prestação – O juiz pode rever esse contrato
b)Superveniente – Ocorre depois da celebração do negócio. Essa revisão acontece
nos contratos de execução futura.
c)Por fatos imprevisíveis

Resp nº409. 424


Prova do Pagamento: Quitação

Direito do devedor (CC art 3190


Forma de Quitaçao:

-Expressa

-Requisitos (320 CC) Itens de um recibo


-Escrita (valor, a divida, nome devedor ou quem por este pagou, tempo,
lugar do pagamento, assinatura de credor)

Quitaçao Presumida

- Pela devoluçao do titulo - (324 CC) – presunçao relativa


- Perda do titulo (art 321 CC)
-Quitaçao de ultima prestação, no pagamento em prestações periodicas (322 CC) –
presunçao relativa
-Dos juros, pelo pagamento do capital (323 CC) – presunçao absoluta

Lugar do pagamento
- Divida quesível (Regra Geral – 327) – é preciso que tenha um acordo entre as partes,
aquela que é paga no domicilio do devedor

- Divida portável – é quando o pagamento tem que ser feito no pagamento do credor.

- Referente a imovel (328 CC)


É necessario o pagamento na situaçao do imovel quando intrinsecamente
ligada ao imovel (ex: contrato marceneiro para fazer as portas do imovel que acabou de
comprar, local do pagamento, o imovel. Pintor para pintar a casa, local do pagamento,
imovel)

-Mudança do local do pagamento (329 CC)


Requisitos:
-Motivo grave
E
-Ausencia de prejuízo para o credor
OU
-Renúncia tácita (330 CC)

Tempo do Pagamento

-Obrigaçao pura e simples (não tem termo ou condiçao) (331 CC) – exigida
imediatamente pelo credor. O credor constitui o devedor em mora notificando-o para
pagamento.

-Obrigaçao a termo (331 CC) – elemento acidental que subordina o acontecimento a um


fato futuro e certo
A questao do termo essencial – quando o cumprimento n termo for essencial ao
interesse do credor.
Pagamento em sub-rogaçao
http://www.nelpa.com.br/Editoras/Nelpa/Arquivos_PDF/CMDC_obriga
%C3%A7%C3%B5es/CAPITULO_18_CMDC2.pdf

O que é?
Substituição do credor, dando continuidade a obrigação (art 349 = 350)

-Modalidades:

A)Sub-rogação legal

Credor que paga a divida do devedor comum


Do adquirente do imovel hipotecado que paga ao credor
Terceiro Interessado que paga a divida pela qual era ou podia ser obrigado

B)Sub-rogaçao convencional

Por iniciativa do credor, que procura com ou sem conhecimento de devedor uma
pessoa que pagando seu credito, assuma a sua posição negocial (CC, art. 347, I)
Terceiro paga parte da divida e adquire proporcionalmente os direitos do credor em
relaçao ao devedor

Imputação
O que é?
É a escolha na ordem de pegamento de varios debitos de mesma natureza em face do
mesmo credor.
Ex: Ana tem 4 dividas de 100reais a favor de Bia, qual delas está pagando quando
oferece 100reais.

Varias dividas
Identidade do credor e devedor
Igual natureza das prestações
Liquida - certa e determinada
Vencida
Fungiveis entre si
Possibilidade de resgatar mais de um debito

Espécies:
-Por vontade do devedor (CC, art 352)
-Por vontade credor (CC, art 353)
-Legal
-Juros em face do capital (354)
-A divida vencida primeiro(355)
-A divida mais onerosa(355)
Juros (moratórios)

Convencionais – quando as partes estipulam a taxa de juros, tem um limite, o valor


maximo seria a taxa de juros legais, não podendo ultrapassa-lo. Prevista no artigo 406.
A taxa selic, a Fazenda adota essa taxa. Outra corrente aplica o CTN art 161, que preve
a taxa de 12% A.A.
Art 407
Legais

Inadimplemento das obirgações de dar


- Perda da coisa (CC, art 234)
Houve culpa do devedor?
- Sem culpa: Resolve-se a obrigação
- Com culpa: + perdas e danos