PROFESSORES REFLEXIVOS EM UMA ESCOLA REFLEXIVA Isabel Alarcão (Resenha) Isabel Alarcão refina o conceito de reflexividade, focando o professor

e a escola que se pensam e se avaliam em seu projeto educativo, qualificando não apenas seus alunos, mas toda a comunidade educativa formada por autores em contexto, construtores de práticas sociais geradas pelo esforço de encontrar novas soluções para os problemas que vivenciam. Neste livro, a autora reafirma a necessidade do pensamento crítico e acentua a dimensão coletiva da atividade dos professores. Enuncia as características distintivas do conhecimento destes profissionais da educação que assume como quadro de referência para a sua formação e o seu desenvolvimento. Mas não esquece os alunos nem a sua posição, bem como a dos professores e a da escola, perante as exigências da sociedade e da informação, do conhecimento e da aprendizagem. No primeiro capítulo, intitulado “Alunos, professores e escola face à sociedade da informação” aborda a problemática das competências de acesso, avaliação e gestão da informação e o papel que, na sociedade do conhecimento e da aprendizagem, se espera dos alunos, dos professores e da escola. No segundo capítulo, “A formação do educador reflexivo” a autora explica as razões do fascínio pela abordagem reflexiva e a desilusão que, no Brasil, se faz sentir. Reafirma a necessidade da reflexão crítica; acentua a sua dimensão coletiva e apresenta um conjunto de estratégias de formação propiciadoras do desenvolvimento de educadores reflexivos. No quarto capítulo, “Gerir uma escola reflexiva” discute a organização da escola com o objetivo de criar condições de reflexibilidade individuais e coletivas e de requalificação profissional e institucional. Capítulo I – Alunos, professores e escola face à sociedade da informação Introdução A sociedade da informação, como sociedade aberta e global, exige competências de acesso, avaliação e gestão da informação oferecida. De imediato se coloca uma questão: a das diferenças ao acesso à informação e da necessidade de providenciar igualdade de oportunidades sob pena de desenvolvermos mais um fator de exclusão social: a info - exclusão. Como discernir sobre a informação válida e inválida, correta ou incorreta, pertinente ou supérflua? Como organizar o pensamento e a ação em função da informação, recebida ou procurada? A sociedade da informação em que vivemos O cidadão comum dificilmente consegue lidar com a avalanche de novas informações que o inundam e que se entrecruzam com novas idéias e problemas, novas oportunidades, desafios e ameaças. No tempo em que vivemos a mídia adquiriu um poder esmagador e a sua influência é multifacetada, podendo ser usada para o bem e para o mal. As mensagens passadas apresentam valores, uns positivos, outros negativos, de difícil discernimento para aqueles que, por razões várias, não desenvolveram grande espírito crítico, competência que inclui o hábito de se questionar perante o que lhe é oferecido. O mundo, marcado por tanta riqueza informativa, precisa urgentemente do poder clarificador do pensamento. Edgar Morin afirma que só o pensamento pode organizar o conhecimento. Para conhecer, é preciso pensar. E uma cabeça bem feita - ao invés de bem cheia – é a que é capaz de transformar a informação em conhecimento pertinente. Para o autor, o conhecimento pertinente é o conhecimento que é capaz de situar qualquer informação em seu contexto e, se possível, no conjunto em que está inscrita.(Morin, 2000) Inerente a esta concepção, emerge a relevância do sentido que se atribui às “coisas”. Assume-se como fundamental, a compreensão entendida como a capacidade de perceber os objetos, as pessoas, os acontecimentos e as relações que entre todos se estabelecem. Nesta era da informação e da comunicação, que se quer também a era do conhecimento, a escola não detém o monopólio do saber. O professor não é o único transmissor do saber e tem de aceitar situar-se nas suas novas circunstâncias que, por sinal, são bem mais exigentes. O aluno também já não é mais o receptáculo a deixar-se rechear de conteúdos. O seu papel impõe-lhe exigências acrescidas. Ele tem de aprender a gerir e a relacionar informações para as transformar no seu conhecimento e no seu saber. Também a escola tem de ser uma outra escola. A escola, como organização, tem de ser um sistema aberto, pensante e flexível. Sistema aberto sobre si mesmo, e aberto à comunidade em que se insere. Esta era começou por se chamar a sociedade da informação, mas rapidamente se passou a chamar sociedade da informação e do conhecimento a que, mais recentemente, se acrescentou a designação de sociedade da aprendizagem. Reconheceu-se que não há conhecimento sem aprendizagem. E que a informação, sendo uma condição necessária para o conhecimento, não é condição suficiente. A designação de sociedade do conhecimento e da aprendizagem traduz o reconhecimento das competências que são exigidas aos cidadãos hoje. Importa, assim, refletir sobre as novas competências. As novas competências exigidas pela sociedade da informação e da comunicação, do conhecimento e da aprendizagem. No início dos anos 90 reuniram-se na Europa conceituados industriais europeus e reitores das universidades européias com o objetivo de pensarem o papel da educação no mundo atual. Deste encontro elaborou-se um relatório que ficou conhecido pelo modo como abordaram a noção de competência necessária a uma vivência na contemporaneidade. A noção de competência incluía não só conhecimentos (fatos, métodos, conceitos e princípios), mas capacidades (saber o que fazer e como), experiência (capacidades sociais, redes de contatos, influência), valores (vontade de agir, acreditar, empenhar-se, aceitar responsabilidades e poder (físico e energia mental) (Keen, citado em Cochineaux e Woot, 1995). Conceptualizações deste tipo apontam para uma formação holística e integrada da pessoa que não se limita à informação e ao conhecimento, mas vai além deles para atingir a sabedoria, característica que era tão querida aos

nossos antepassados gregos. Será bom que nos perguntemos até onde é que a escola leva os alunos neste percurso. Para uma grande parte da população, a resposta será talvez frustrante. Ficar-se-ão alguns apenas pelos dados, dados que não conseguirão trabalhar ao nível, superior, da informação. Poucos atingirão a sabedoria. Um número maior desenvolverá a capacidade de visão. O grosso situar-se-á ao nível da informação e da compreensão. Não se deve atribuir só à escola a culpa por esta caracterização. Há que se ter em conta as capacidades individuais, mas também a desresponsabilização da sociedade que, impotente perante a resolução de tantos dos problemas que ela criou, coloca na escola expectativas demasiado elevadas sem muitas vezes a valorizar como devia. Um dos autores que mais tem trabalhado a questão das competências é Philipe Perrenoud. Para ele, ter competência é saber mobilizar os saberes. A competência não existe, portanto, sem os conhecimentos. Como conseqüência lógica não se pode afirmar que as competências estão contra os conhecimentos, mas sim com os conhecimentos. Elas reorganizam-nos e explicitam a sua dinâmica e valor fundamental. Vejamos como exemplo a aprendizagem de uma língua estrangeira em contexto fora da escola. É possível saber-se bem a gramática de uma língua e ter até um bom domínio do vocabulário e contudo ficar imobilizado lingüisticamente numa situação real de comunicação pela incapacidade de mobilizar adequadamente os conhecimentos necessários naquela situação concreta. Como afirma Perrenoud, “a abordagem por competências não pretende mais do que permitir a cada um aprender a utilizar os seus saberes para atuar” (2001:17). Relativamente à questão da subordinação da educação à economia no que respeita às competências, não se pense que a noção de competência tenha passado do mundo empresarial para o da educação. Antes pelo contrário. A noção de competências utilizada anteriormente sob a capa de outras designações como destrezas, saberes-fazeres, ou na apropriação do termo inglês skill, foi utilizada no mundo da educação antes de ser adotada pelo mundo empresarial. As empresas reconhecem hoje a realidade das competências. Mas mesmo no mundo dos negócios não se trata de competências simples, lineares, acabadas e imutáveis, mas de competências dinâmicas em que a compreensão do mundo e a sabedoria da vivência social são fundamentais. A competência para lidar com a informação na sociedade da aprendizagem Entre as competências necessárias à vida na sociedade moderna, destaca-se a capacidade de utilizar a informação de modo rápido e flexível, o que coloca problemas ao nível do acesso, da avaliação e da gestão das informações, mas também da organização e ativação dos conhecimentos. Estes processos implicam a capacidade para lidar com a informação e os meios que a tornam acessível. É preciso saber o que procurar e onde procurar. A informação, pela sua grande quantidade e pela multiplicidade de utilizações que potencialmente encerra, tem de ser reorganizada por quem a procura. O professor continua a ter o papel de mediador, mas é uma mediação orquestrada e não linear. É imprescindível que se criem condições, nas escolas e nas comunidades, que compensem a falta de acessibilidade a fontes de informação que possam existir no seio das famílias. Só isso não basta, porém. Impõe-se uma diferente organização do trabalho escolar, promovendo o trabalho colaborativo entre os alunos, reorganizando os horários de forma a que os alunos tenham tempo para pesquisas s criando verdadeiras comunidades de aprendizagem.

Os alunos na sociedade da aprendizagem Numa “sociedade que aprende e se desenvolve” , como a caracterizou Tavares (1996), ser aluno é ser aprendente. Mais do que isso: é aprender a ser aprendente ao longo da vida. Subjaz a este modelo uma abordagem pedagógica de caráter construtivista, sócio-cultural. A aprendizagem é um modo de gradualmente se ir compreendendo melhor o mundo em que vivemos e de sabermos melhor utilizar os nossos recursos para nele agirmos. Uma boa parte das competências hoje exigidas são dificilmente ensináveis. E contudo elas têm de ser desenvolvidas. Importa perguntar: qual o lugar da aprendizagem dentro e fora da sala de aula e, mais à frente, reconceptualizar o papel do professor. Para Demo (citado em Carreira, 2000), a sala de aula deixou de ser um espaço onde se transmitem conhecimentos, passando a ser um espaço onde se procura e onde se produz conhecimento. Uma conceptualização da escolarização neste sentido implica a utilização de estratégias de organização das aprendizagens que assentem no próprio aluno e promovam a sua capacidade de auto e hetero-aprendizagem. E que, por isso mesmo, lhe conferem poder, o responsabilizam e autonomizam e, de deste modo, contribuem para a tão desejada democratização. Os professores na sociedade da aprendizagem Colocando-se a ênfase no sujeito que aprende, pergunta-se então qual o papel dos professores. Criar, estruturar e dinamizar situações de aprendizagem e estimular a aprendizagem e a auto-confiança nas capacidades individuais para aprender são competências que o professor de hoje tem de desenvolver. Não há que declarar morte ao professor. Pelo contrário, na era da informação, ele é o timoneiro na viagem da aprendizagem em direção ao conhecimento.Os professores são estruturadores e animadores das aprendizagens e não apenas do ensino. Primeiro que tudo, os professores têm que repensar o seu papel. Se é certo que continuam a ser fontes de informação, têm de se conscientizar que são apenas uma fonte de informação, entre muitas outras. Deve, no entanto, salientar-se que o seu valor informativo tem níveis diferentes conforme o acesso que os seus alunos puderem ter a outras fontes de informação. É fundamental que os professores percebam esta diversidade. O professor tem, também ele, de se considerar num constante processo de auto-formação e identificação profissional. Tem de ser um professor reflexivo numa comunidade profissional reflexiva. A escola na sociedade da aprendizagem

As escolas ainda não compreenderam que, também elas, têm de se repensar.Permanecem na atitude negativa de se sentirem defasadas, mal compreendidas e mal-amadas, ultrapassadas, talvez inúteis. Ficam à espera de alguém que as venha transformar. E não perceberam ainda que só elas podem transformar a si próprias. Por dentro. Com as pessoas que as constituem: professores, alunos, funcionários. Em interação com a comunidade circundante. As escolas que já perceberam o fenômeno, começaram a funcionar como comunidades auto-críticas, aprendentes, reflexivas. Constituem a escola reflexiva, que pode ser definida como “organização que continuamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização, e se confronta com o desenrolar da sua atividade em um processo heurístico simultaneamente avaliativo e formativo”. A escola reflexiva não é telecomandada do exterior. É auto-gerida. Tem o seu projeto próprio, construído com a colaboração dos seus membros. Sabe para onde quer ir e avalia-se permanentemente na sua caminhada. Contextualiza-se na comunidade que serve e com esta interage. Acredita nos seus professores, cuja capacidade de pensamento e de ação sempre fomenta. Envolve os alunos na construção de uma escola cada vez melhor. Pensa-se e avalia-se. Constrói conhecimento sobre si própria. Uma escola reflexiva é uma comunidade de aprendizagem e é um local onde se produz conhecimento sobre educação. Capítulo II - A formação do professor reflexivo Introdução Após o que poderíamos chamar de apoteótica recepção, assiste-se hoje, no Brasil, a uma crítica acesa contra a proposta do professor reflexivo (cf. por exemplo, Pimenta e Ghedin, 2002). Importa também tentar compreender se a expectativa foi demasiado elevada, se a proposta não foi totalmente entendida ou se ela é difícil de pôr em ação na prática quotidiana dos professores. Em que se baseia a noção de professor reflexivo? A noção de professor reflexivo baseia-se na consciência da capacidade de pensamento e reflexão que caracteriza o ser humano como criativo e não como mero reprodutor de idéias e práticas que lhe são exteriores. Como se explica o fascínio que atraiu? O fascínio por esta nova conceptualização pode ser entendido se tivermos em consideração a crise de confiança na competência de alguns profissionais (que tendemos a generalizar), a reação perante a tecnocracia instalada, a relatividade inerente ao espírito pós-moderno, o valor hoje atribuído à epistemologia da prática, a fragilidade do papel que os professores normalmente assumem no desenvolvimento das reformas curriculares, o reconhecimento da complexidade dos problemas da nossa sociedade atual, a consciência de como é difícil formar bons profissionais, e amplas visões associadas a estas representações sociais. Por que a atual desilusão? As três hipóteses seguintes parecem ter, no seu conjunto, valor explicativo. - Colocaram-se as expectativas demasiado alto e pensou-se que esta conceptualização, tal como um pozinho mágico, resolveria todos os problemas de formação, de desenvolvimento e de valorização dos professores, incluindo a melhoria do seu prestígio social, das suas condições de trabalho e de remuneração; - O conceito de reflexão não foi compreendido na sua profundidade, podendo ter seguido a força dos modismos; - É necessário reconhecer as dificuldades pessoais e institucionais para pôr em ação, de uma forma sistemática e não apenas pontual, programas de formação (inicial e contínua) de natureza reflexiva. Qual a relação entre o professor reflexivo e a escola reflexiva? O professor não pode agir isoladamente na sua escola. É neste local, o seu local de trabalho, que ele, com os outros, seus colegas, constrói a profissionalidade docente. Mas se a vida dos professores tem o seu contexto próprio, a escola, esta tem de ser organizada de modo a criar condições de reflexividade individuais e coletivas, sendo ela própria, reflexiva. Como formar professores reflexivos para e numa escola reflexiva? Se a capacidade reflexiva é inata no ser humano, ela necessita de contextos de liberdade e de responsabilidade que favoreçam o seu desenvolvimento. Nestes contextos formativos com base na experiência, a expressão e o diálogo assumem um papel de enorme relevância. Um triplo diálogo: um diálogo consigo próprio, um diálogo com os outros incluindo os que antes de nós construíram conhecimentos que são referência e o diálogo com a própria situação. Este diálogo não pode ser meramente descritivo, pois seria extremamente pobre. Tem de atingir um nível explicativo e crítico que permita aos profissionais agir e falar com o poder da razão. A reflexão, para ser eficaz, precisa de ser sistemática nas suas interrogações e estruturante dos saberes dela resultantes. A metodologia de pesquisa-ação apresenta-se com potencialidades para servir a este objetivo. Nos últimos anos tem-se realçado o valor formativo da pesquisa-ação e a formação em contexto de trabalho, pelo que muitas vezes se usa o trinômio pesquisa-formação-ação. A pesquisa-ação é uma metodologia de intervenção social cientificamente apoiada e desenrola-se segundo ciclos de planificação, ação, observação, reflexão. Subjaz a esta abordagem a idéia de que a experiência profissional, se sobre ela se refletir e conceptualizar, tem um enorme valor formativo. Aceita-se também que a compreensão da realidade, elemento que constitui o cerne da aprendizagem, é produto dos sujeitos enquanto observadores participantes implicados. Reconhece-se também que o que mobiliza a

sentem. urge planificar a solução de ataque e pô-la em execução para. então. a aprendizagem implica um processo de compreensão da realidade que nos leva a passar do nível concreto da experiência ao nível abstrato da conceptualização a que se associa um processo de intriorizaçãoexteriorização que. Perante a folha de papel em branco. A análise de casos Os casos que os professores contam revelam o que eles ou os seus alunos fazem. A escola como eu gostaria que ela fosse. à municipalidade. da reflexão. Shulman (1986) diz que os casos representam conhecimento teórico e assumem um valor explicativo que vai além da mera descrição. Idália Chaves utiliza a designação “portfólios reflexivos”. exige uma organização. aspirando a um reconhecimento do mérito. se conceptualizarem resultados e problemas emergentes. nos leva à ação. a autora mapeia a sua experiência como professora e como formadora de professores. as perguntas. O ciclo de aprendizagem constituir-se-á. Para ele. Em resumo. conhecem. Porém. norteada por uma finalidade (educar) que se concretiza num grande plano de ação: o projeto educativo. A pesquisa-ação. eles encerram em si conhecimento sobre a vida. se planificar ou re-planificar. quer o próprio professor. pensam. que seleciona os seus trabalhos. Algumas perguntas podem ajudar: O que aconteceu? Como? Onde? Por que? O que senti eu e / ou outras pessoas envolvidas? O que penso relativamente ao que aconteceu? Narrativas e casos: que relação? As narrativas estão na base dos casos. Para ela. Pensando sobre a essência da escola A escola deve ser vista como uma comunidade. . mas os casos implicam uma teorização. em seguida. Existem. conceptualização e generalização e.Gerir uma escola reflexiva Introdução Se a vida dos professores tem o seu contexto próprio. As perguntas pedagógicas Como atributo do ser humano. em quatro momentos fundamentais: experiência. mas pertence também à família. o fato de o portfólio ter uma finalidade: dar-se a conhecer. a escola. interpretado. organizada para exercer a função de educar e instruir. têm de ter uma intencionalidade formativa e isso. se observar o que resulta da experiência. e à sociedade em geral A escola surge-nos como um todo e não como um ajuntamento de pessoas. Por um lado. Uma nota autobiográfica.formação dos profissionais adultos advém do desejo de resolver os problemas que encontram na sua prática quotidiana. finalmente. para ser coeso e dinâmico. Capítulo 4 . os organiza. assume grande significado a teoria da aprendizagem experencial de David Kolb (1984). os explica e lhes dá coerência. Comunidade em que participam vários atores sociais que nela desempenham papéis ativos. esta tem de ser organizada de modo a criar condições de reflexividade individuais e coletivas. reveladora do percurso profissional”. entrando assim num novo ciclo da espiral da pesquisa-ação. a capacidade de questionarmos e de nos questionarmos a nós próprios é um motor de desenvolvimento e de aprendizagem. o fato de o portfólio ser uma construção pessoal do seu autor. experimentação na ação. duas características a salientar. para merecerem a designação de pedagógicas. Esse todo. discutido. um caso tem de ser explicado. também ela em desenvolvimento e em aprendizagem. Missão que não é exclusiva da escola. Segundo Kolb. o professor normalmente pergunta-se sobre o que há de escrever. Os casos não são meras narrativas. a escola é uma comunidade social. revelar-se. observação reflexiva. embora diversificados. Os portfólios Portfólio: “um conjunto coerente de documentação refletidamente selecionada. “um acontecimento pode ser descrito. neste processo. Por outro lado. enquadradora do tema Neste trecho do livro. Comunidade que tem uma missão: educar. quer um colega ou supervisor. Faz-se necessário ao educador abrir-se ao pensamento sobre a escola como uma comunidade socialmente organizada e dinamizada por um projeto próprio. dissecado e reconstruído” As narrativas Geralmente é difícil ganhar o hábito de escrever narrativas. a abordagem reflexiva e a aprendizagem experencial Compreendido o problema. significativamente comentada e sistematicamente organizada e contextualizada no tempo. A escola deve ser concebida como organismo vivo. independentemente de quem as faz.

Perrenoud. de preferência e de referência. Como cheguei ao conceito de escola reflexiva A escola nunca está verdadeiramente feita. Encontra-se sempre em construção. se adequa à nova realidade caracterizada por: uma população escolar altamente heterogênea e massificada. a organização dos alunos por turmas tanto quanto possível homogêneas e de composição estável. é “o cerne da política da escola – política distinta e original de cada comunidade educativa. definida como uma: “organização que está continuamente expandindo a sua capacidade de criar o futuro” (1994:14) Em síntese. exigência do conhecimento como bem social. dinâmica. princípios. a progressiva segmentação disciplinar e a multidocência à medida que a informação ganha em profundidade e o conhecimento perde o significado de conjunto. o que obviamente implica outras formas de organização da relação do aluno com os professores. O projeto aparece assim na sua dimensão de processo e de produto. em 2001. desconstrua e refaça as suas opções e a sua ação curricular. segmentação. cria os seus contextos de formação e integra a formação no seu desenvolvimento institucional. O próprio Perrenoud reconheceu as dificuldades de implementar estas novas formas de organização. Um projeto de escola. uma escola que analise. Só através da atenção dialogante com a própria realidade que lhe fala é que a escola será capaz de agir adequadamente. normas nacionais e objetivos. requisitos da sociedade global relativamente aos saberes qualificados. Mas esse projeto/documento resulta de um processo de pensamento sobre a missão da escola e o modo como ela se organiza para cumprir essa missão. Destacam-se as idéias de pensamento e de reflexão. O projeto deve basear-se numa visão prospectiva e estratégica do que se pretende para a escola. No novo paradigma. organização e missão. relativamente a elas. necessidade de se explorarem as capacidades de trabalho individual e cooperativo para se transformar em conhecimento o saber que brota da assimilação das informações. em tarefas escolares à base de problemas e de projetos (em vez dos exercícios clássicos). O currículo no centro do projeto de escola O currículo deve ser entendido no seu sentido lato. em projetos pluridisciplinares (em vez de capelinhas disciplinares). As escola.A autora expressa o desejo de que a escola tivesse as seguintes características: uma escola que conceba. o projeto se deve centrar no modo como a escola se organiza para criar as condições de aprendizagem e desenvolvimento inerentes ao currículo. em ciclos de aprendizagem pluri-anuais (em vez de turmas imutáveis). na sua dimensão de produto. Como afirma Roldão. acessibilidade da informação. uma escola que tenha uma ambição estratégica por oposição a uma escola que não tenha visão e que não saiba olhar-se no futuro. uma escola que se alimente do saber. deveria substituir a de turma fixa. mediada pela interação dos diferentes atores sociais que nela vivem e com ela convivem. é um documento. Esta idéia de um produto que se assume como referência é muito importante para o âmago deste texto: gerir a escola reflexiva. seqüencialidade e conformidade” (2001:127) e de cuja operacionalização resulta a previsão de percursos iguais para todos.No entanto. idealizou uma nova organização do trabalho na escola. Por detrás desta concepção é fácil reconhecer a idéia de professor reflexivo de Schön. Escola. baseada em objetivos (e não tanto em programas). O projeto de escola. a noção de grupo de aprendizagem. traçar planos de ação. uma escola que não lamente seus insucessos. de acordo com Macedo (1995:113). necessidades. os professores. Mas igualmente importante é perceber o processo que dá lugar ao produto e que implica tomadas de decisão a que subjazem valorações e preferências. tendo a escola por missão educar e instruir. justificando seus resultados e autoavaliando-se para definir o seu desenvolvimento. em grupos flexíveis (em vez de turmas imutáveis). uma escola que conhece suas necessidades. correlacionadas com a de ensino e de avaliação de onde decorrem as de organização de espaços. em módulos intensivos (em vez de grades horárias provisórias / fragmentárias). avaliação e formação. atue e reflita em vez de uma escola que apenas executa o que os outros pensaram para ela. recursos e modos de funcionamento específicos de cada escola”. se quisermos mudar a cara da escola. definida na gestão de tensões positivas. projete. ou seja. da produção e da reflexão dos seus profissionais. comunidade com projeto Assume particular relevância o movimento em favor da autonomia das escolas e do projeto de escola de que tanto se tem falado. a escola tem uma missão: educar. com as fontes de informação e com o saber. prestando contas de sua atuação. é “o currículo que legitima socialmente a escola. é necessário um afastamento progressivo do atual modelo que temos. uma visão . como instituição a quem a sociedade remete a ‘passagem’ sistemática (das) aprendizagens tidas como necessárias” (2000:17) Central ao currículo e à escola está a noção de educação e de aprendizagem. Mas subjaz-lhe também a noção de organização aprendente de Senge (1994). A escola tem há vários anos vindo a ser organizada em termos de quatro princípios que Roldão designou como “homogeneidade. como conjunto de aprendizagens proporcionadas pela escola e consideradas socialmente necessárias num dado tempo e contexto. Uma outra idéia que urge considerar é a de que. que o mesmo é dizer. os políticos e os pais começam a interrogar-se sobre se este paradigma organizacional de incrível uniformidade e o paradigma de educação e aprendizagem que lhe está subjacente (e que se baseia na idéia da transmissão linear do saber do professor para o aluno). Deve-se entender a escola como uma construção social. mas que questione o insucesso nas suas causas para. a reconstituir-se em função das necessidades ou dos objetivos. uma escola que saiba criar suas próprias regras. agir em situação. tempos e recursos. Quer saber se está no bom caminho e para isso investiga-se a si própria. em desenvolvimento. a existência de tempos e espaços previamente definidos e espartilhados em grades horárias. Pensa-se e organiza-se para saber como desempenhar essa missão num dado contexto temporal e sócio-cultural. A escola reflexiva tem a capacidade de pensar para se projetar e desenvolver.

Características da avaliação escolar Agora. e mobilizando. (Libâneo. Luckesi. Questões de identificação.ser conseqüente.ser capaz de liderar e mobilizar pessoas. Questões de interpretação de texto. e. a. Volta-se para a atividade dos alunos. neste subtítulo. . b. 1. professores com critérios onde décimos às vezes reprovam alunos. c.interpretativa da sua missão e alicerçada nos valores assumidos pelo coletivo dos atores sociais presentes na vida da escola. . dão vida aos projetos.1 A Observação. E ser pessoa é ter papel. . sendo apenas uma função de controle. 1. ter voz. o autor revisa e cita muitos deles ou os mais usados para verificar o rendimento escolar: 1. 1. 1. Ser objetiva.acreditar que todos e a própria escola se encontram num processo de desenvolvimento e de aprendizagem. as estratégias que se lhes apresentam como conducentes à realidade das tarefas a executar. Esta frase marca este subtítulo "A avaliação é um ato pedagógico". gerir uma escola reflexiva é: . Gerir uma escola reflexiva é gerir uma escola com projeto Só um modelo democrático de gestão se coaduna com o conceito de escola reflexiva. Ajuda na autopercepcao do professor. Procedimentos auxiliares de avaliação 11. Questões de múltipla escolha. 1. g. 1. Questões de correspondência. . Questões de ordenação. ser responsável. 1. desenvolvendo atividades várias.203). dando a ela um caráter quantitativo. 1. nos diversos momentos de ensino a avaliação tem como tarefa: a verificação.nortear-se pelo projeto de escola. Avaliação na prática escolar Lamentavelmente a avaliação na escola vem sido resumida a dar e tirar ponto. há a exclusão do professor do seu papel docente.pensar e escutar antes de decidir. O modelo democrático de gestão é aquele em que todos e cada um se sente pessoa. Reflete valores e expectativas do professor em relação aos alunos.saber avaliar e deixar-se avaliar. A AVALIAÇÃO ESCOLAR (José Carlos Libâneo) A avaliação é em última análise uma reflexão do nível qualitativo do trabalho escolar do professor e do aluno. Alguns destes procedimentos ou instrumentos já são conhecidos. d. a avaliação é uma análise quantitativa dos dados relevantes do processo de ensino aprendizagem que auxilia o professor na tomada de decisões. O projeto pode se transformar num documento inerte se não houver o envolvimento continuado das pessoas. . Ajuda a desenvolver capacidades e habilidades. de negociação de valores e percepções. 1994. A título de conclusão. quando a avaliação se resume a provas. 2. Um modelo em que cada um se considera efetivamente presente ou representado nos órgãos de decisão. que é de fornecer os meios pedagógico-didáticos para os alunos aprenderem sem intimidação. . Instrumentos de verificação do rendimento escolar Uma das funções da avaliação é com certeza a de determinar em que nível de qualidade está sendo atendido os objetivos. 1.assegurar uma atuação sistêmica.ser capaz de ultrapassar dicotomias paralisantes. Com estas ações. 1. Uma definição de avaliação escolar Segundo o professor Cipriano C. nesse sentido. São as pessoas que. Sabe-se também que ela é complexa e não envolve apenas testes e provas para determinar uma nota. A Entrevista. são necessários instrumentos e procedimentos. a função de diagnóstico e a função de controle. Gerir uma escola reflexiva implica ter um pensamento e uma atuação sistêmica que permita integrar cada atividade no puzzle global e não deixar-se navegar ao sabor dos interesses individuais ou das influências de grupos instituídos. os professores não conseguem efetivamente usar os procedimentos de avaliar.assegurar a participação democrática. Possibilita a revisão do plano de ensino. a qualificação e a apreciação qualitativa.decidir. E em que há capacidade real de negociação e de diálogo capaz de ultrapassar as dicotomias entre o eu e o nós. . p. Gerir uma escola reflexiva é transformar o projeto enunciado em projeto conseguido ou o projeto visão em projeto ação. Com isto. . mas. . com isto. na qualidade de atores sociais. Ela também cumpre pelo menos três funções no processo de ensino: a função pedagógica didática. f. Reflete a unidade objetivos-conteúdos-métodos. Certamente. Prova escrita dissertativa. o autor sintetiza as principais características da avaliação escolar. para este fim. . . Questões do tipo "teste de respostas curtas" ou de evocação simples. Questões certo-errado (C ou E). Prova escrita de questões objetivas. de diálogo clarificador do pensamento e preparador de decisões. Questões de lacunas (para completar). Os dados relevantes aqui se referem às ações didáticas. A construção do projeto é um processo de implicação das pessoas.saber agir em situação.

por fim. o ensino tornar-se-á "inautêntico. Esta avaliação tem também uma função de controle. quando se torna consciente de certos aspectos de sua estrutura dinâmica. A partir desses breves comentários. cada sujeito conhece e desempenha seu papel específico. mostra como se deve aproximar notas decimais. pode-se compreender a importância do tão divulgado "momento de sensibilização" na implementação de planos. é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal. E isto só é possível tendo em conta os conhecimentos adquiridos de experiência feitos" pelas crianças e adultos antes de chegarem à escola. De acordo com a etimologia da palavra. participação tornou-se um conceito nuclear.63). cabe perguntar: como estamos trabalhando. expressando o resultado em notas e conceitos. 14). "Executar uma ação não significa ter parte. que se propõe de forma explícita ou implícita uma tarefa que constitui sua finalidade" (pp. eventos) como no processo de implementação. decidir e agir em conjunto. propriedade do organismo vivo de perceber as modificações do meio externo e interno e de reagir a elas de maneira adequada" (FERREIRA. Como aponta Lück et al. que educar não é a mera transferência de conhecimentos. do trabalho associado de pessoas analisando situações. educar é como viver. a partir da competência e vontade de compreender. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho".) é um tempo de possibilidades e não de determinismo"(p. Finalizando.15). CONSTRUINDO UM CONCEITO DE PARTICIPAÇÃO A preocupação com a melhoria da qualidade da Educação levantou a necessidade de descentralização e democratização da gestão escolar e. toda a curiosidade de saber exige uma reflexão crítica e prática. cultural e histórico que faz dos homens e das mulheres seres responsáveis. decidindo sobre seu encaminhamento e agir sobre elas em conjunto" (p. possa contribuir na reconstrução de uma escola de que precisamos? PEDAGOGIA DA AUTONOMIA Paulo Freire Pedagogia da Autonomia é um livro pequeno em tamanho. p. domestica"(p. social. Atribuição de notas ou conceitos As notas demonstram de forma abreviada os resultados do processo de avaliação. Para Freire. participação origina-se do latim "participatio" (pars + in + actio) que significa ter parte na ação. com sua subjetividade. tanto nas decisões e construções de propostas (planos. constantemente. que não valoriza o processo. articuladas por sua mútua representação interna interatuando através de complexos mecanismos de assunção e atribuição de papéis. (1998) a participação tem como característica fundamental a força de atuação consciente. fazer com que ela participe de alguma coisa de forma inteira. faculdade de sentir. acompanhamento e avaliação. mas gigante em esperança e otimismo. s/d). Freire salienta. portanto. para ele. ações. isto é. Sensibilidade é "qualidade de ser sensível. Neste sentido. Portanto. Pichon-Rivière (ibdem) diz que a resistência à mudança é conseqüência dos medos básicos que são o "medo à perda" das estruturas existentes e "medo do ataque" frente às novas situações. "o educador que 'castra' a curiosidade do educando em nome da eficácia da memorização mecânica do ensino dos conteúdos. de modo algum produto de uma mente "burocratizada".58). de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática. Para Lück et al. educar é construir. exige a consciência do inacabado porque a "História em que me faço com os outros (. Sensibilizar. Segundo Freire. "o entendimento do conceito de gestão já pressupõe. (1998). senão não terá eficácia. nas quais a pessoa se sente insegura por falta de instrumentação. que condena as mentalidades fatalistas que se conformam com a ideologia imobilizante de que "a realidade é assim mesmo. a participação é fundamental por garantir a gestão democrática da escola. Por outro lado.. de acordo com as leis da complementaridade" (p. 6566). No entanto. projetos. ou instrumentos. mas abaixo dele está o que é implícito. ou seja. a idéia de participação. Para ter parte na ação é necessário ter acesso ao agir e às decisões que orientam o agir. de uma equipe) reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na determinação da dinâmica. Não forma. a sua capacidade de aventurar-se. tempo de possibilidades condicionadas pela herança do genético. Trabalhar em conjunto. torna-se imprescindível "solidariedade social e política para se evitar um ensino elitista e autoritário como quem tem o exclusivo do "saber articulado". responsabilidade sobre a ação. Este é constituído de medos básicos (diante de mudanças. e não apenas a prova no fim do bimestre como grande nota absoluta. reconhecendo que a história é um tempo de possibilidades. programas. na convicção de que a mudança é possível. consequentemente. Ensinar é algo de profundo e dinâmico onde a questão de identidade cultural que atinge a dimensão individual e a classe dos educandos.. da cultura da unidade social. com abertura ao risco e a aventura do ser.62). ora alternativas transformadoras ora resistência à mudança). é essencial à "prática educativa progressista". sobretudo quando "a decência pode ser negada e a liberdade ofendida e recusada"(p. 1995.69). Com diz Libâneo (2001). O que se diz explícito é justamente o observável. que podemos fazer?" Para estes basta o treino técnico indispensável à sobrevivência. programas e projetos.2. Em um grupo operativo. o homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança. Em Paulo Freire. É um "ato comunicante. Ficha sintética de dados dos alunos. co-participado". no sentido do desenvolvimento de grupos operativos. palavreado vazio e inoperante"(p. caso contrário. é provocar e tornar a pessoa sensível. onde cada sujeito. E só será sujeito da ação quem puder decidir sobre ela" (BENINCÁ. Igualmente. em si. A autonomia. No entanto. pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina. pois é assim que todos os envolvidos no processo educacional da instituição estarão presentes. a dignidade e a identidade do educando tem de ser respeitada. E de novo. tolhe a liberdade do educando. o concreto. mas sim conscientização e testemunho de vida. O autor fala também da importância de se valorizar todas as formas de avaliação. 53). Propõe uma escala de pontos ensinando como utilizar médias aritméticas para pesos diferentes. pela qual os membros de uma unidade social (de um grupo. Aprender é uma descoberta criadora. requer compreensão dos processos grupais para desenvolver competências que permitam realmente aprender com o outro e construir de forma participativa. Para Pichin-Rivière (1991) grupo é um "conjunto restrito de pessoas ligadas entre si por constantes de espaço e tempo. afirma que qualquer iniciativa de alfabetização só toma . no sentido de formação de grupo. lembra Pichon-Riviére (1991) que "um grupo obtém uma adaptação ativa à realidade quando adquire insight.

O autor não fecha os olhos para as injustiças que acontecem com os "esfarrapados do mundo". a ética e estética.106-107). o filósofo. A sua pedagogia é "fundada na ética. ambos crescem como seres humanos.105).. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. Esta ensina os professores e as professoras a navegar rotas nos mares da educação orientados por uma bússola que aponta entre outros os seguintes pontos cardeais: a rigorosidade metódica e a pesquisa. Paulo Freire demonstra a todos os falantes da língua portuguesa. até a consideração dos educandos como seres humanos. ações terroristas sejam tomadas. e freqüentemente se dirige ao leitor para que ele lembre que não está sendo descrita uma "educação de anjos". com amor pelo que faz. a corporeificação. Conseqüentemente..12). o saber dialogar e escutar. é uma forma de intervenção no mundo. mas é bondosa e competente" e até justifica sua raiva frente a posturas deste tipo. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. à terra. onde ambos aprendem. mas em sua complexidade.11). como libertação da culpa (imposta) pelo "seu fracasso no mundo". um Professor que através da sua vida não só procurou perceber os problemas educativos da sociedade brasileira e mundial. o professor. o querer bem aos educandos. É a mensagem de que para ensinar precisamos. Os princípios enunciados por Paulo Freire. uma decisão. do direito ao trabalho. o ter curiosidade. autoridade de liberdade. a mãe! A impressão geral do livro é que Paulo Freire escreve e discursa. Ensinar. nascerá um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre "a autoridade docente e as liberdades dos alunos. da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação. mas propôs uma prática educativa para os resolver. Ele mesmo percebe isso. a qual tem mantido invisível metade da humanidade os seres femininos. a rejeição de toda e qualquer forma de discriminação.. até uma ruptura com o passado e o presente. Paulo Freire refere-se a mudanças reais na sociedade: no campo da economia. Para Paulo Freire o ensino é muito mais que uma profissão. Freire insiste na "especificidade humana" do ensino. Beira o moralismo também quando se refere a crianças de escola pública que depredam o próprio patrimônio (ou seja. uma tomada de posição. a aluna. das relações humanas. o pai mas também a mulher. Para Freire. pois ninguém se pode contentar com uma maneira neutra de estar no mundo. portanto. Discute desde frases do tipo "Maria é negra. que a língua Portuguesa também nos proporciona as possibilidades do uso de linguagem que respeita a comparticipação visível e dignificante da mulher no mundo atual. enquanto competência profissional e generosidade pessoal. a professora. do qual nasce autêntica solidariedade entre educador e educandos. acima de tudo.progressista em favor da AUTONOMIA dos alunos (pois FORMAR é muito mais do que simplesmente EDUCAR). O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam. ambos adquirem e sanam dúvidas. é o significado do ensinar. às vezes de maneira sutil. É necessário que "o saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitada ajudem a evitar a "degradação humana" e o discurso fatalista da globalização"(p. ensinar e educar. ignorância de saber. E é "vigilante contra todas as práticas de desumanização"(p. a educação é ideológica mas dialogante e atentiva. Paulo Freire A temática central deste livro é a formação de professores. inserida numa reflexão sobre a prática educativo. Está ao lado deles. Só assim. Grande parte do livro é dedicada a discussões sobre o quanto as atitudes que o professor toma dentro de sala e fora dela influenciam o que ele passa para seus alunos. porque "como cobrar das crianças um mínimo de respeito (. o ter a consciência do inacabado. desejos e sonhos. Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. esta é dotada do rigor metódico. ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. a competência profissional. É com a mais brilhante vocação que o autor mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. sem autoritarismos e arrogância. respeito ao professor de respeito aos alunos. em referência clara a situação no Brasil e noutros países da América Latina.) reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia"(p. seres histórico-sociais dotados de uma noção mínima de ética. Os professores têm grande responsabilidade ao ensinar e devem ser dotados de ÉTICA (universal do ser humano.Na verdade. ensinar de aprender” (p. é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos.. A idéia de coerência profissional. Como princípios basilares a uma prática educativa que transforma educadores e educandos e lhes garante o direito a autonomia pessoal na construção duma sociedade democrática que a todos respeita e dignifica. à saúde(.. englobando desde recomendações sobre a tomada de consciência de que os alunos têm uma cultura e uma curiosidade que precedem a imposição da escola. no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando"(p. indica que o ensino exige do docente comprometimento existencial.porque opressoras. Para Paulo Freire não existe unicamente o homem. a reflexão crítica da prática pedagógica. o Professor que por excelência verdadeiramente promoveu a inclusão de todos os alunos e alunas numa escolaridade que dignifica e respeita os educandos porque respeita a sua leitura do mundo como ponte de libertação e autonomia de ser pensante e influente no seu próprio desenvolvimento. o homem.12). do criticismo). à educação. sentimentos e emoções. o respeito pelos saberes do educando e o reconhecimento da identidade cultural. mas uma "educação de homens e mulheres". por essência. a escola). ao meu ver. sem cinismos). Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. por vezes. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a pena. procurando alertar o leitor sobre a diferença entre treinar. Paulo Freire beira o moralismo quando se põe a discutir sobre os preconceitos embutidos consciente ou insconscientemente no processo educativo. diz ele. entre gente.dimensão humana quando se realiza a "expulsão do opressor de dentro do oprimido". não se poderá separar "prática de teoria.. embora não aceite que. sobre a qual também existe menção. A Pedagogia da Autonomia é sem dúvida uma das grandes obras da humanidade em prol duma educação que respeita todo o educando (incluindo os mais desfavorecidos) e liberta o seu pensamento de tradições desumanizantes . para que as injustiças acabem. temas freqüentes na obra deste autor. com alma. Enfim. da propriedade. tendo como foco os professores que se dizem "progressistas" mas . o ter alegria e esperança.) se o Poder Público revela absoluta desconsideração à coisa pública?". o ter liberdade e autoridade. pois enquanto aquela se baseia apenas na experiência cotidiana. antes de mais nada. combatendo a malvadez da ética de mercado mundial (baseada em lucros). o aluno.. Talvez isso seja uma reflexão de ideologia esquerdista.123). a discussão sobre a mudança de "curiosidade ingênua" para "curiosidade epistemológica" (que não diferem em sua essência. A esperança e o otimismo na possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação científica do professor ou da professora que "deve coincidir com sua retidão ética" (p.18). Paulo Freire. o enfoque não foge muito do que poderia ser chamado de "ética do ensino". sendo esta intimamente relacionada ao seu preparo científico.. Por outro lado. acostumados à maneira masculina de ver o mundo. quando fala de "educação como intervenção".)"(p. Pois. (. para que se possa estabelecer a autêntica comunicação da aprendizagem.

A esperança faz parte do ser humano. Com base nestes apontamentos iniciais.se renderam à rotina neocapitalista. Com base nisso. assim como o aluno. Porém. positiva ou negativamente. 19) O professor. . o professor deve tomar uma postura política que o permita lutar contra esta ofensa. prática esta que pode acabar levando a disciplina à indisciplina. Existem. algumas relações que nunca podem ser desenlaçadas. respeito ao professor com respeito ao aluno. Um educador não deve falar PARA o educando. E. Freire tem. 17) Deve haver alegria e esperança. não está assim. e aplicá-los aos conteúdos ensinados (REALIDADE DENTRO DO APRENDIZADO).liberdade. higiênicas. O ser humano também é inacabado e justamente por isso. 7) É necessário ensinar o educando a PENSAR CERTO. O corpo docente deve lutar pelos seus direitos (como um salário digno). Porém. seja ela um conteúdo escolar ou não. após todos estes apontamentos. isto faz parte da prática de lecionar. isto não significa que elas sejam DETERMINADAS por ele (os obstáculos não são eternos). Autoridade não pode ser entendida como autoritarismo. e como o professor é um desses exemplos. leva tempo para ser construída.11) O ensino e sua prática não podem ser tratados como algo definitivo. também é movido pela curiosidade. Aspectos políticos também sempre devem ser levados em conta. Um grande cuidado também é extremamente necessário ao educador: de que a educação é ideológica e que. para que se transforme em prática aplicável. principalmente daqueles vindos de classes mais baixas.Não deve haver discriminação. 8) Deve. da construção e produção de conhecimentos. no entanto. 22) Não se deve falar de cima para baixo. deve ficar muito claro para o educador que a autonomia não vem de um dia para o outro. ensinar com aprender. competente e generoso. 13) O respeito pela autonomia do aluno é exigido pela ética. então.vem de perguntas e respostas: momentos explicativos do educador são necessários. espaciais e estéticas. devendo haver uma troca de ensinamentos e aprendizagens entre educador e educando (este. Contudo. Entretanto. 12) É necessária a consciência de que as pessoas podem ser CONDICIONADAS de acordo com o meio. para que a pedagogia da autonomia seja aplicável: ensino dos conteúdos com formação ética dos educandos. e negá-la contradiz a prática progressista da educação e a ética (sempre contra a frase: "O QUE FAZER? A REALIDADE É ASSIM MESMO"). mas excessivamente confiante na vontade das pessoas de se tornarem melhores (i. 20) É preciso tomar muito cuidado com a relação autoridade. por exemplo na avaliação. encarnado. com relação aos favelados e aos sem. mas sempre recomenda a postura crítica frente a qualquer atitude. 10) O conhecimento do professor precisa ser vivido por ele. 9) O professor tem que estar ciente de que suas atitudes podem influenciar profundamente a vida de um aluno. inicialmente ingênua. 4) Os conhecimentos dos alunos têm que ser respeitados. além de repensar sobre a eficácia das greves. Proporciona um diálogo entre o professor e o aluno. 18) O futuro deve ser tratado como problema. 15) Para a realização da docência decente. com a aplicação da prática pedagógicoprogressista. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno .2) O professor não pode somente transferir conhecimento. porque essa postura crítica é o que caracteriza a "curiosidade epistemológica" e permite que. uma vez identificados os erros. Entretanto. cada vez mais curioso. pois se ele tiver curiosidade e capacidade de se arriscar. o professor tem que estar convencido de que mudanças são possíveis. dependendo da ideologia. atitudes estas que exigem esforço e moralidade. por fim. sempre ameaçadas pela prática do autoritarismo e da licenciosidade. autoridade com liberdade. ignorância com saber (seja de educador ou educando). a partir da curiosidade dos alunos. Se o ensino for transformado em pura técnica. 3) É preciso reforçar a capacidade crítica do educando e sua insubmissão. 21) O educador tem que ser seguro. este diálogo não deve ser tratado como apenas um vai. ele pode acabar aceitando idéias perigosas (o mundo é assim. E essas mudanças são aquelas que levariam à melhoria das condições de vida de cada um. prática com teoria. de defender uma opinião própria. que pode ser solucionado. e portanto julgar as próprias ações. isto não significa que ele está condenado. achar que é o dono da verdade. pode superar esta falha. O professor tem que entender.e. deve ficar muito claro que uma docência decente.se assumir a identidade cultural de cada um. e isso só é possível quando o educador sabe escutar. o ato de ensinar/aprender deve ser permanente. apoiarem atitudes "progressistas"). o educador distancia. pontos falhos do aluno. pois além de várias vezes ser utópico.se epistemológica. porque a ideologia do professor contamina o que ele se dispuser a discutir) e ainda tem uma visão excessivamente centrada no ser humano. 5) A crítica deve estar inserida no ensino. Ao invés de reprimi-lo. ela é uma boa forma de se fazer questionamentos sobre o que está sendo exposto. no aspecto teórico da epistemologia. por exemplo). neste livro. Existe ainda uma preocupação com a caracterização do meio escolar como um meio de convívio social onde existem exemplos humanos além dos que se encontram nos livros didáticos. mas sim COM ele. Freire não insiste. não se separa da afetividade que o professor tem por seus alunos (embora ela não deva interferir. 14) Sobre a avaliação: seria boa uma forma na qual fosse feita junto com os alunos. Classes dominantes enxergam a educação como IMOBILIZADORA E OCULTADORA de verdades. por exemplo. Isto pode ser refletido numa maneira crítica e justa de avaliação. O professor deve estar aberto aos questionamentos e dificuldades dos alunos. dentro de uma rigorosidade metódica. colocando animais (inclusive mamíferos) como seres inferiores (o que é negativo principalmente na formação de Ciências Naturais). Ela é a mola propulsora do aprendizado e do ensino do educador. sejam feitas mudanças. devem existir condições favoráveis. e nem signifique que o educador deva amar todos seus alunos de maneira igual). e não como inexorável. Porém. e não para o educador. a escuta não deve ser passiva. Freire parece. de qualidade. poderá criar sempre mais). Todas elas devem ser respeitadas e tratadas com responsabilidade. em certas ocasiões. não utópico. são passíveis de mudança. várias distorções de visão.Bom senso. 16) Se a educação é ofendida (principalmente nas escolas públicas). . tem que ajudá-lo.se da ética. assunção esta incompatível com os pensamentos elitistas. a educação é uma forma de se intervir no mundo. Esta. Freire introduz a Pedagogia da Autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. ele deve ter plena consciência disso. para que nenhuma perca seu sentido ou importância. pode tornar. 6) Necessidade de decência e pureza (que não pode ser entendida como puritanismo). então. Cada um possui particularidades e pensamentos que não podem ser minimizados ou ridicularizados. Se isto acontecer. para que ele não se torne um simples "memorizador". a ética é transgredida. ou ao progresso.terra. podem ser citadas algumas das considerações sobre a prática docente: 1) Deve existir uma reflexão crítica entre a relação Teoria/ Prática. pois esta prática fere a dignidade do ser humano e não se aplica à democracia. se o aluno foi submetido a um falso ensinar. ao ser superada. pois a avaliação é para eles. sugere que se leve discussões políticas para a sala de aula (o que é negativo para a formação de Ciências Sociais. com humildade e tolerância.

. A superação da ingenuidade levando à criticidade segundo pensar correto de Freire demanda profundidade e superficialidade na compreensão e interpretação dos fatos. deve se esforçar para estar à altura de sua profissão. que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano" (p. mais precisamente. há esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar. a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar. e orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo. Nessa obra. O inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. em seus receios. 23). 32). com questionamentos. a sua sintaxe e a sua prosódia. a qual chama de "ética universal do ser humano" (p. que o minimiza. não tem o porquê contrair uma raiva desmedida. e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas" (p. que manda que "ele se ponha em seu lugar" ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima. O professor precisa estar disposto a ouvir. como pode. faz com que o docente aprenda a falar com ele. assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno.. O bom professor deve ser curioso e deve provocar curiosidade. e um gostar de aprender e de incentivar a aprendizagem. ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando. e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça. o professor que ironiza o aluno. 96).. E não apenas permanece. não se reduzem à condição de objeto.traz para a escola. intervindo no mundo. melhor ou mais inteligente. Uma das tarefas primordiais dos educadores é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se aproximar dos objetos cognicíveis. onde há vida. 15). classes. Faz-se necessário. além de fazerem a cada dia a opção pelo melhor.. mesmo do acerto do seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele. e quem é formado forma-se e forma ao ser formado" (p. mas um querer bem pelo ser humano em desenvolvimento que está ao seu lado. a sua linguagem. porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina. "É preciso. é a capacidade de. seu dever (p. É digna de nota a capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar.) O professor que desrespeita a curiosidade do educando. portanto há sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Para ter segurança o professor deve estudar e preparar suas aulas. e seus sujeitos. Resgatar nos saberes cotidianos. para Freire. enquanto instiga o leitor a criticá-lo e acrescentar a seu trabalho outros pontos importantes. mas não por isso situa o observador em erro. não de forma ingênua. É esta força misteriosa. 66).) É por esta ética inseparável da prática educativa. indispensável mesmo. enriquecedor. Inicia afirmando que "não há docência sem discência" (p. um sentir prazer em ver o aluno descobrindo o conhecimento.. O esforço para atingir estas metas fornece a moral necessária para que o professor transpareça a segurança de seus conhecimentos e sua autoridade nos assuntos que vai ensinar. Ensinar. se há tentativas.. mas absolutizá-lo e desconhecer que.. menciona alguns itens que considera fundamentais para a prática docente. Justifica assim o pensamento de que o professor não é superior. um do outro. O ser inacabado sabe que a passagem pelo mundo não é pré-determinada. Paulo Freire orienta ao mesmo tempo que incentiva os educadores e educadoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos. É ouvindo o aluno com paciência e criticamente que aprendemos a falar com ele. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (p. mas especialmente aperfeiçoando o trabalho. participante do mesmo processo da construção da aprendizagem. Se esta troca não ocorrer. expondo os saberes que considera necessários à prática docente. requer aceitar os riscos do desafio do novo. tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno. buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. modificando aquilo que acharem preciso. o estímulo à capacidade criadora do educando. saber pensar é duvidar de suas próprias certezas. conhecer o mundo (. Não podemos nos assumir como sujeitos da procura. as duas se explicam. com o tempo o professor se verá diante de uma situação . Esta curiosidade deve ser incentivada para que mantenha viva a chama do querer saber. o seu gosto estético. uma vez que o erro não está em ter um ponto de vista. gostar do trabalho e do educando. seu meio social. Se o docente faz isso. Quem ensina aprende ao ensinar.31). do querer entender. É ter certeza de que faz parte de um processo inconcluso. transformadores. a ponto de dedicar-se. "Não há docência sem discência. ainda que vindos de curiosidade ingênua. pré-estabelecida. Define essa postura como ética e defende a idéia de que o educador deve buscar essa ética. O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros (.. como o aluno. sua cidade. É importante que professores e alunos sejam curiosos. Esse pesquisar. Quem pensa certo é quem busca seriamente a segurança na argumentação. visto ser ele um sujeito social e histórico. Acima de tudo. ou que sente pena da situação de menos experiente do aluno. relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida. que se proporcionem momentos para experiências. Quem observa.. não ingênua. como pesquisador. é preciso querer bem. para buscas. estimular e desenvolver em nós o gosto de querer bem e gosto da alegria sem a qual a prática educativa perde o sentido. apesar da imoralidade dos salários. que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele permanece. jovens ou com adultos. essencial para o trabalho docente. mas cumpre. ouvindo suas dúvidas. terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito. Segue sua análise colocando como absolutamente necessário o rigor metódico e intelectual que o educador deve desenvolver em si próprio. que permite atitudes erradas e não impõe limites. Não com um gostar ou um querer bem ingênuo. de doar-se e de trocar experiências. Em sua análise. 161). ou ainda que deixa tudo como está que o tempo resolve. debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. a sua inquietude. 25). 17 e 19). portanto. que busca o saber e o assimila de uma forma crítica. como seres históricos. enquanto inovador. mas com certeza de que.) Ensinar. apesar das diferenças que os conotam. O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo. da decisão.25). Dessa forma. tem consciência do inacabamento. a dialogar. deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor. o faz segundo um ponto de vista. 16). sujeito curioso. pois "quem forma se forma e re-forma ao formar. Afirma que "não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino" (p. da opção. portanto. questionar suas verdades. não importa se trabalhamos com crianças. instigadores. como sujeitos históricos. às vezes chamada vocação. mas é. apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado. a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (. Para Freire. da ruptura. Aprendendo a escutar o educando. em sua incompetência provisória. A diferença entre um ser inacabado e o ser determinado é que o primeiro muito embora seja condicionado. e é o que discordando do seu oponente. que se furta ao dever de ensinar. que devemos lutar (p. e o seu “destino” não é um dado mas algo que precisa ser feito e de sua própria responsabilidade. Para tanto. de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando. aprender e pesquisar lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente (p. e quem aprende ensina ao aprender" (p. há inacabamento.

A curiosidade deve ser democrática. (Dos Santos. O gestor deverá animar e articular a comunidade educativa na execução do projeto educacional. costumase classificar a gestão escolar em três áreas. Como dirigente.83) O gestor escolar tem de se conscientizar de que ele. O professor deve descartar como falsa a separação radical entre seriedade docente e afetividade. respeitando as pessoas e suas opiniões. paternalista da maneira de ensinar. Avalia o desempenho dos alunos. organização. (grifo meu) Gestão de Recursos Humanos e Gestão Administrativa. no clima de organização da escola que pressupõe a liberdade de decidir no processo educativo e não nos gabinetes burocráticos. É a mensagem de que para ensinar precisamos. relativamente recente. Cuida de gerir a área educativa propriamente dita da escola e da educação escolar. O gestor escolar tem de se conscientizar de que ele. É com a mais brilhante vocação que o autor nos mostra em simples palavras que ensinar é todo um processo de troca entre aluno e professor. O caminho é a descentralização. O diretor não pode ater-se apenas às questões administrativas. Propõe metas a serem atingidas. com amor pelo que faz. Assim. . Uma das principais mensagens que o autor deixa nesta obra. 2006. da escola. Define as linhas de atuação de acordo com os objetivos e o perfil da comunidade e dos alunos. também denominado Proposta Pedagógica. o professor Paulo Freire nos dá uma aula de ensinar. de motivação e de coordenação. mas deve-se ter consciência da sua indevida utilização como meio de reprodução de ideologias dominantes. professores e funcionários. (Borges. Parte do Plano Escolar ou Plano Político-Pedagógico de Gestão Escolar também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos. que não deve ter medo de expressá-la. O gestor é o articulados/mediador entre escola e comunidade. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. Para isso. Mas podem demonstrar que é possível mudar. A prática tem mostrado que o diretor é fundamental para dinamizar a construção coletiva do projeto. avaliação e treinamento da equipe escolar. (Libâneo. p. Significa. Suas especificidades estão enunciadas no Regime Escolar e no Projeto Político-Pedagógico. p. Enfim. sua implantação e o acompanhamento e verificação da realização prática do teoricamente proposto.332) Considera-se a Gestão Pedagógica o lado mais importante e significativo da gestão escolar. Não se que dizer com isso que o sucesso da escola reside unicamente na pessoa do gestor ou em uma estrutura administrativa autocrática na qual ele centraliza todas as decisões. 2004. professores e funcionários. (Hengemuhle. conduzindo a gestão da escola em seus aspectos administrativos. a escola deve estar bem coordenada e administrada. não pode administrar todos os problemas da escola. Profissionais competentes. ambos adquirem e sanam dúvidas. acima de tudo. econômicos. O caminho é a descentralização. para o ensino.130) Toda a comunidade educativa na intencionalização (projetualização) da educação. Estabelece objetivos. que impedem o exercício livre da curiosidade. 2005. Para fim de melhor entendimento. 2008. de fato. o gestor é a figura que deve possuir e liderança. isto é. do corpo docente e da equipe escolar como um todo. ambos crescem como seres humanos. Na opinião de Paulo Freire. entendida como elaboração do conhecimento. e nos fornece com um pensamento livre e despojado uma grande inspiração: de que ensinar vale a pena. de modo integrado ou sistêmico: Gestão Pedagógica. pelos apoios pedagógicos. os desejos. cabe-lhe ter uma visão de conjunto e uma atuação que apreenda a escola em seus aspectos pedagógicos. ao nosso ver. avaliação) de forma integrada e articulada. Nossa impressão geral do livro é que Paulo Freire escreve e discursa. Esta abertura ao querer bem não significa que. O que se chama de gestão democrática onde todos os atores envolvidos no processo participam das decisões. A gestão escolar relativa ao processo docente educativo e o papel orientador do gestor Francisca Martins dos Santos O conceito de Gestão Escolar. Ao contrário. o compartilhamento de responsabilidades com alunos. obrigue a querer bem todos os alunos de maneira igual. antes de mais nada. o de alguém que consegue aglutinar as aspirações. ainda. é preciso pô-las em práticas.quase estática. gerais e específicos. plano de curso. plano de aula. E isto reforça nele ou nela a importância de sua tarefa político– pedagógica. pais. participativamente. aquisição de habilidades e formação de valores. é o significado do ensinar. pais. metas. auxiliado. e em outras ocasiões de maneira objetiva e absolutamente sincera. p. No entanto. jurídicos e sociais. onde ambos aprendem. às vezes de maneira sutil.191) Sua função envolve atividades de mobilização. Ele deve incentivar a participação. que funcionam interligadas. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas e dos objetivos e o cumprimento das metas. p. O autor vai lentamente introduzindo conceitos que se misturam e se complementam. o compartilhamento de responsabilidades com alunos. Elabora os conteúdos curriculares. isto é. Uma vez tomada. incrementando a gestão participativa da ação pedagógico-administrativa. trata-se de entender o papel do gestor como líder cooperativo. é de extrema importância para que se tenha uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos e oferecer. dado que estará expondo suas opiniões e ensinando muitos conceitos baseados em sua visão de mundo. ter a consciência da importância e da beleza desta tarefa. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão em um projeto comum. trata-se as decisões coletivamente. O diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. como professor. sozinho. nessa tarefa. não é possível ao bom professor ser um ser completamente apolítico. A educação deve também servir de meio e forma para transformações sociais. líderes que tenham capacidade para coordenar esforços coletivos. administrativos. cabe ao gestor escolar assegurar que a escola realize sua missão: ser um local de educação. que a afetividade não deve assustar o docente. no que chamamos de gestão democrática. da importância de se poder fazer a diferença num sistema socio-econômico-político com certezas às vezes tão opressoras e cruéis àqueles que não dispõe de meios financeiros para obter cultura e informação. financeiros e culturais. Dirigir uma escola implica colocar em ação os elementos do processo organizacional (planejamento. sozinho. não pode administrar todos os problemas da escola. A curiosidade que silencia a outra se nega a si própria.

Espera-se. um líder pedagógico onde professores e gestor devem reunir-se e trocarem idéias. e que nada contribui para a busca de maior eficiência na realização de seu fim educativo. No entanto abordaram-se vários aspectos referentes à função do gestor na escola pública.130) O gestor escolar deve ser um líder pedagógico que apóia o estabelecimento das prioridades. os docentes acreditam que o gestor deve exercer papel importante no planejamento pedagógico. Na prática. Consideramos que todo gestor precisa de algum tipo de preparação prévia antes de assumir o cargo de gestor antes mesmo que se cogite a possibilidade de se assumir o cargo. tornando a sociedade mais humana e justa. e fica disposto a fazer mudanças fundamentadas para melhorar o trabalho da escola. conseqüentemente. muitas vezes. auxiliando os profissionais a melhor compreender a realidade educacional em que atuam. bem como enfatizando os resultados alcançados pelos alunos. Mostram-se opiniões que sua participação no planejamento pedagógico é importante mais que não precisa ser um líder pedagógico e acredita não ser necessária a troca com os docentes de métodos e técnicas pedagógicas. não compartilhar as responsabilidades com os diversos atores da comunidade escolar. a "autoridade máxima na escola e o responsável último por ela" (Paro 1995. financeiras e principalmente pedagógicas. as relações de poder que se estabelecem. avaliando. 2005. na maioria das vezes. e tomando em conta que o pedagogo principal da escola é o gestor. p332) Análise de resultado Gestor: A maioria admite não ter recebido nenhum treinamento ou preparação para exercer a função de gestor. o que se dá é a mera rotinização e burocratização das atividades no interior da escola. pois é a pedra angular do edifício educativo que o coletivo docente deve construir dia a dia na escola. como por em ordem questões administrativas. isso mostra o seu despreparo para assumir um cargo de gestor escolar. incluindo liderança. mais especificamente ao planejamento. estimulando os docentes a debaterem em grupo. sem dúvida. • NÍVEL DE CONSCIENTIZAÇÃO DOS PROFESSORES E DO GESTOR COM RESULTADOS ÓTIMOS DE UM BOM PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO. • POLÍTICA DE PREPARAÇÃO PRÉVIA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PARA OS GESTORES. capacidade de gestão e conhecimento de questões pedagógico-didáticas. incentivando a sua equipe a descobrir o que é necessário para dar um passo à frente. métodos e técnicas pedagógicas e permitir sua aplicação com o objetivo de obter resultados positivos no processo ensino aprendizagem e melhorar o trabalho da escola em todas as suas dimensões. • CONHECIMENTO DO GESTOR E DOS PROFESSORES SOBRE O PAPEL DO GESTOR NA ESCOLA NO CAMPO DO PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO. Observou-se que esse problema é tratado por muitos profissionais nos últimos cinco anos. ou seja.Isso. Seguem os resultados obtidos nas pesquisas no qual se pode observar que existem paradoxos e contradições em relação ao papel do gestor e as questões pedagógicas que precisam ser quebradas ousando construir um projeto de escola que reflete as (novas) utopias da educação. se reconhece tempo é insuficientes segundo os professores para desenvolver um trabalho de qualidade. Aonde a responsabilidade maior em conduzir todo este processo está voltada para sua pessoa Decidir aplicar dois instrumentos de medição (questionário). financeira e principalmente pedagógica. (Libâneo.se a grande preocupação dos professores em relação à questão pedagógica. caso a escola queira democratizar a gestão da escola pública e avançar na melhoria da qualidade do ensino e. demonstrar. QUE SE IDENTIFIQUEM COM: • EXPERIÉNCIAS PEDAGÓGICAS DO GESTOR E DE CADA PROFESSOR. Para concluir deve-se frisar que o gestor escolar deve ser o principal pedagogo. Além disso. a colocação de sua função pedagógica em segundo plano. bem como a importância do exercício da liderança. a sua importância como articulador pedagógico e mediador entre a escola e os segmentos da comunidade escolar e local. a refletirem sobre sua prática pedagógica e a experimentarem novas possibilidades. Esta preparação deveria fazer parte das políticas educacionais da secretaria de educação ou de outra entidade responsável em executar tal tarefa. cooperando na solução de problemas pedagógicos. entretanto. O diretor é. 2008. (Paro. a parte burocrática à qual são condicionadas. decorre do fato de o gestor centralizar tudo. É muito importante observar a divergência que há entre os professores e gestor quanto ao trabalho docente e o planejamento pedagógico. na qualidade de vida dos educandos. As contradições existentes são inúmeras. Considerarmos que o papel do gestor é muito importante para o bom funcionamento da escola. OS INSTUMENTOS MEDIRAM CARACTERISTICAS E QUALIDADES. afirma permitir a aplicação de novas técnicas e idéias no enriquecimento do processo ensino aprendizagem. É desejável que os candidatos à eleição ao cargo de gestor tenham formação profissional específica e competência técnica. como as funções mencionadas são essenciais ao gestor. Portanto deve haver um processo de seleção muito sério na escolha dos gestores. a uma amostra de professores e de gestores com objetivo de medir as ações dos gestores em um determinado número de escolas. além de estarmos conscientes de algumas dificuldades que tem nossa escola referente ao planejamento pedagógico. p. É notável a afirmação do gestor quando ele diz que não deve ser um líder pedagógico em contrapartida 100% dos docentes acreditam que o gestor deve ser o líder natural da escola. como o caráter burocrático no qual se encontra tão envolvido. relatam que há um distanciamento entre o gestor escolar e o planejamento pedagógico. faltando-lhe. Professores: Constatou. • NÍVEL DE PRIORIDADE QUE Os PROFESSORES DÃO AO TRABALHO DO GESTOR NO PROCESSO PEDAGÓGICO. As instituições de educação deveriam destinar recursos para uma política eficiente de preparação destinada aos gestores com isso se evitariam transtornos que muitas vezes que gestores despreparados causam ao sistema educacional. tempo para cuidar da parte pedagógica. . e o maior responsável pelo processo ensino aprendizagem. Entendemos que a participação do gestor é fundamental em todas as áreas: administrativa. construindo assim uma gestão democrática e participativa. participando na elaboração de programas de ensino e de programas de desenvolvimento e capacitação de funcionários. p. 89). alguns professores relatam que nunca houve a participação do gestor escolar durante tal ação.

diz que a Didática é o principal ramo de estudo da pedagogia para poder estudar melhor os modos e condições de realizarmos o ensino e instrução. fala também dos índices de escolarização no Brasil. pesquisa e outras facetas práticas do trabalho do professor. Estuda também os tipos de educação. Já mais adiante. Libâneo situa a educação como fenômeno social universal determinando o caráter existencial e essencial da mesma. A primeira destas dimensões é a teórico-científica formada de conhecimentos de filosofia. As tarefas da escola pública democrática Todos sabemos da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. (1994. ao escrever a primeira obra sobre a didática &quot. 4. Controle e avaliação da aprendizagem. Os objetivos sóciopedagógicos. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. condições para que aconteça a instrução. dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. Sintetizando. mas considera. Afirma que a pedagogia investiga estas finalidades da educação na sociedade e a sua inserção na mesma. A didática como atividade pedagógica escolar os temas fundamentais da didática são: 1. Os conteúdos escolares. O autor coloca que as práticas educativas é que verdadeiramente podem determinar as ações da escola e seu comprometimento social com a transformação. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). que representa o trabalho docente incluindo a didática. 2. Porém. * Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar. assim como no formalismo e o idealismo. . Libâneo define a didática como a mediação entre as dimensões teórico-científica e a prática docente. O ensino por sua vez é conceituado aqui como as ações. A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática &quot. habilidades e atitudes. Já a intencional refere-se àquelas que têm objetivos e intenções definidos. de igualdade nas oportunidades em educação. A Didática e a formação profissional do professor Existem duas dimensões da formação profissional do professor para o trabalho didático em sala de aula.A didática Magna&quot. que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. como principal. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. As formas organizadas do ensino. Educação escolar. políticas e culturais.. A educação pode ser também. o autor fala mais detalhadamente deste grave problema do nosso sistema escolar. 2. detalha gráficos que apontam para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. O autor lista as tarefas principais das escolas públicas.Didática: é uma ciência cujo objetivo fundamental é ocupar-se das estratégias de ensino. O Fracasso escolar precisa ser derrotado Nessa parte. poderíamos dizer que ela funciona como o elemento transformador da teoria na prática.. Ação de ensinar. formal ou não-formal. Os componentes do processo didático o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. Libâneo. metodologias. Entretanto. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. * O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. Aplicação de técnicas e recursos. Os métodos de ensino aprendizagem. estabelecendo na obra alguns princípios com: A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. entre elas. A segunda é a técnico–prática. que podemos sintetizar como uma modalidade de influências e inter-relações que convergem para a formação da personalidade social e o caráter. Ação de aprender. aquela que está inserida em um contexto único. * Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente. A Didática segundo Libâneo Prática educativa e sociedade Os professores são parte integrante do processo educativo. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. sistematizados e com alto grau de organização. dando a importância da mesma para uma democratização maior dos conhecimentos. meios. cabendo mais adiante a outro pesquisador faze-lo. A Escolarização e as lutas democráticas Realmente a escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. Os princípios didáticos. destacam-se: Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. o autor endente democracia como um conjunto de conquistas de condições sociais. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita. Neste subtítulo. mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. 35) cita Guiomar Namo de Mello: &quot. 3. mediante o domínio de certos conhecimentos. * O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. dependendo sempre dos objetivos. Sua busca de cientificidade se apóia em posturas filosóficas como o funcionalismo. * A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. refere-se a influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. Desenvolvimento histórico da Didática e tendências pedagógicas O autor afirma que a didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. Henrique Pestalozzi (1746-1827). Educação. o positivismo. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. Estas relações criam uma relação intrincada destes três conceitos que são responsáveis pelo educar. sociologia. das questões práticas relativas à metodologia e das estratégias de aprendizagem. Conteúdos das matérias. determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. sendo importantes para a formação das gerações e para os padrões de sociedade que buscamos. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino. a didática aparece em obra em meados do século XVII. história da educação e pedagogia. da formação de suas capacidades. * Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. com João Amos Comenio. Pedagogia e Didática A educação escolar é um sistema de instrução e ensino de objetivos intencionais. Já a instrução está relacionada à formação e ao desenvolvimento das capacidades cognoscitivas. instrução e ensino A educação é apresentada com um conceito amplo. Aponta muitos motivos para isto. a falta de preparo da organização escolar. este autor não colocou suas idéias em prática. sendo assim uma instituição social. que trabalhava com a educação de crianças pobres. a não intencional. Observa-se que a instrução está subordinada à educação.

o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. * Dirigir e controlar atividade do professor para os objetivos da aprendizagem.Tendências pedagógicas no Brasil e a Didática Nos últimos anos. o ensino é a combinação entre a condução do processo de ensino pelo professor e a assimilação ativa do aluno. aluno/aluno e observa e revisão de matérias anteriores. listados aqui como pelo autor: Exercícios de reprodução . sob a direção e orientação do professor. O autor propõe que entendamos o processo de ensino como visando alcançar resultados tendo com ponto de partida o nível de conhecimentos dos alunos e determinando algumas características como: o ensino é um processo. A aprendizagem pode ocorrer de duas formas: casual. o professor deve se satisfazer se o aluno compreende a matéria e tem possibilidade de pensar de forma independente e criativa sobre ela. a matéria de acordo. pois isto vai determinar a relação com os alunos. Isto prova que sempre conscientemente ou não. o trabalho docente está restrito às paredes da sala de aula. porém.. A atividade de estudo e o desenvolvimento intelectual Neste subtítulo. cada tarefa didática será uma tarefa de pensamento para o aluno. De início. Isto significa que podemos aprender conhecimentos sistematizados. por isto obedece a uma direção. habilidades. este processo visa alcançar determinados resultados como domínio de conhecimentos. eleger mais do que um livro de referência. hábitos.Diálogo estabelecido entre o professor/aluno. * Transmissão /assimilação da matéria nova. igual para todas as matérias. Porém. * Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades. * Ajuda os alunos nas suas possibilidades de aprender. Tarefa de preparação para o estudo . Levanta dificuldades do trabalho docente para estimular aos alunos.&quot. ou seja. motivacionais e atitudes do próprio aluno. o ensino é somente transmitido com dificuldades para detectar o ritmo de cada aluno no aprender. com o livro didático. antes. Algumas formas de estudo ativo O estudo ativo envolve inúmeros procedimentos para despertar no aluno hábitos. Isto determina uma interligação nos momentos da assimilação ativa. pode pensar que o conhecimento se baseia em dados da realidade. intencional e dirigida. Os objetivos têm pelo menos três referências fundamentais para a sua formulação. Podemos ainda dizer que existem dois níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o cognitivo. conhecer melhor as características dos seus alunos. hábitos. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. Mostra-se também a unidade necessária entre ensino e a aprendizagem. é importante definir o ensino e o autor coloca-o como o meio fundamental do processo intelectual dos alunos. didáticas e metodologias. implicando nas atividades mentais e práticas. * Aplicação de conhecimentos. com falta de entusiasmo e sem adequação com o mundo prático e real do aluno. não sendo em hipótese alguma casual ou espontânea. estar atualizado com as notícias. produzidos na história da humanidade.. Tarefas de fases de assimilação de matérias . geralmente. no Brasil. Processos didáticos básicos: ensino e aprendizagem O livro mostra novamente a importância de garantir a unidade didática entre ensino e aprendizagem e propõe que analisemos cada parte deste processo separadamente. estas dificuldades podem ser superadas com um domínio maior do conteúdo por parte do professor. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem.Atividades que favoreçam o confronto entre os conhecimentos sistematizados e a realidade dos alunos. habilidades e hábitos. Desta forma os objetivos são fundamentais para determinação de propósitos definidos e explícitos quanto às qualidades humanas que precisam ser adquiridas. A estruturação do trabalho docente O autor reflete sobre este entendimento errôneo de que o trabalho docente na escola é o de &quot.  30. não se identifica com leia. ajuda o aluno a prender. Devemos ter claro que o trabalho docente é uma atividade que envolve opções sobre nosso conceito de sociedade. centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico.O objetivo da escola e do professor é formar pessoas inteligentes. * As necessidades e expectativas da maioria da sociedade. Neste aspecto. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. A aprendizagem esta presente em qualquer atividade humana em que possamos aprender algo. Com isto. vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. dominar técnicas. Neste sentido. Com isto. habilidades de caráter permanente. afinal o processo de ensino deve estabelecer apenas exigências e expectativas que os alunos possam cumprir para poder realmente envolvê-los neste processo e mobilizar as suas energias. convicções e desenvolvimento das capacidades cognoscitivas. o autor declara algo muito importante e já dito em outros momentos humanos &quot. É importante destacar que estas três referências não devem ser tomadas separadamente. . * Os valores e idéias ditos na legislação educacional. atitudes e valores.passar&quot. Com isto define-se a aprendizagem escolar como um processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e mental. combinando as atividades do professor com as do aluno. compreensão. * Os conteúdos básicos das ciências. principalmente porque o professor usa um estilo convencional de aula. dando ao ensino este caráter bilateral. * Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. O livro coloca a aprendizagem escolar como uma atividade planejada. reflexão e aplicação que se desenvolve com os meios intelectuais. é dada uma excessiva importância a matéria do livro sem dar a ele um caráter vivo. com regras e procedimentos padrões. A importância dos objetivos educacionais A prática educacional baseia-se nos objetivos por meio de uma ação intencional e sistemática para oferecer aprendizagem. pois devem se apresentar juntos no ambiente escolar. Tarefas na fase de consolidação e aplicação – compõem-se de exercícios e revisão de fixação. habilidades e hábitos. atitudes. O ensino tem três funções inseparáveis: *Organizar os conteúdos para transmissão. Para isto temos várias tarefas e exercícios específicos para este fim. A cinco momentos da metodologia de ensino na sala de aula: * Orientação inicial dos objetivos de ensino aprendizagem. ligado estreitamente com a metodologia específica das matérias. temos ou traçamos objetivos.testes rápidos para verificar assimilação e domínio de habilidades. temos o processo de assimilação ativa que oferece uma percepção. As características do processo de ensino Inicia-se analisando as características do ensino tradicional e suas principais limitações pedagógicas: o professor só passa a matéria e o aluno recebe e reproduz mecanicamente o que absorve. E mostra que a estrutura da aula deve ter um trabalho ativo e conjunto entre professor e aluno. quando for espontânea ou organizada quando for aprender um conhecimento específico. oferecendo ao aluno relação subjetiva com os mesmos.

f) institucionalizar os processos de participação envolvendo todas as partes formadoras da realidade escolar. Tem-se que entender o plano como um guia de orientação devendo este possuir uma ordem seqüencial. A relação objetivo-conteúdo-método Um entendimento global sobre esta relação é que os métodos não têm vida sem os objetivos e conteúdos. * Ser objetiva. Relevância social. Definindo os conteúdos. buscando a assimilação ativa e aplicação prática na vida dos alunos. muitos professores fazem a idéia de que os conteúdos são o conhecimento correspondente a cada matéria. este é apenas um detalhe do método.A avaliação é um ato pedagógico&quot. É importante entender que cada ramo do conhecimento desenvolve seus próprios métodos. c) assegurar a estas crianças o desenvolvimento máximo de suas potencialidades. Organização e planejamento do ensino: globalização. segundo Libâneo. organizados pedagógica e didaticamente. devemos estudar o ensino dos conteúdos como uma ação recíproca entre a matéria. observa-se então métodos matemáticos. o método também pode ser conteúdo quando for objeto da assimilação. o autor vem reiterando a idéia que as escolas têm. Características da avaliação escolar Agora. * Ajuda a desenvolver capacidades e habilidades. pedagógico e profissional das ações do professor. atualizar constantemente o conteúdo do plano. Com isto. e) formar convicções para a vida futura. eixos temáticos.como centros de interesse. (Libâneo. hábitos. organização e coordenação da ação do professor. passos e procedimentos que chamamos também de método. * Possibilita a revisão do plano de ensino. sendo também flexível. conteúdos e métodos. Os dados relevantes aqui se referem às ações didáticas. ter um bom plano de aula. Portanto. pois há sempre três elementos no ensino: matéria. Caráter sistemático. professor e o aluno. ou mesmo. mais recentemente. temas culturais" e. Importância do planejamento escolar O planejamento do trabalho docente é um processo de racionalização. o segundo é determinado pela escola que estabelece as diretrizes e princípios do trabalho escolar. O primeiro nível é o sistema escolar que determina as finalidades educativas de acordo com a sociedade em que está inserido. a democratização dos conhecimentos. que são a matéria do livro didático. Critérios de seleção Aqui. e claro.O autor fala que esta visão não é completamente errada. 1994. organização e coordenação do trabalho. tendo as seguintes funções: explicar princípios. Esses saberes vêm sendo organizados através da listagem de conteúdos a serem vencidos pelos estudantes por etapas. temas geradores. interdisciplinaridade e integração curricular Ao longo da história da escola. sem nenhum tipo de discriminação cultural. d) formar nos alunos a capacidade crítica e criativa em relação a matérias e sua aplicação. nalguns casos. Aspectos cognoscitivos da interação O autor define como cognoscitivo o processo ou movimentos que transcorre no ato de ensinar e no ato de aprender. b) oferecer a todos as crianças. uma preparação cultural e científica a partir do ensino das materiais. * Ajuda na autopercepção do professor. habilidades. Com isto. Sob este aspecto. * Volta-se para a atividade dos alunos. diretrizes e procedimentos do trabalho. a função de diagnóstico e a função de controle. na transposição didática dos saberes científicos em saberes escolares. porém. assegurar a racionalização. Para se ter um bom resultado de interação nos aspectos cognoscitivo deve-se: manejar os recursos de linguagem. prever objetivos. a maior característica deste processo é a interdependência. eles são o conjunto de conhecimentos. metodologia de projetos e unidades de trabalho da "Escola Nova" . o ensino e o estudo dos alunos. no início da .até as "proposições contemporâneas" que retomam as propostas de integração curricular do escolanovismo ressignificando-as e. Luckesi. pedagógicos. Uma definição de avaliação escolar Segundo o professor Cipriano C. facilitar a preparação das aulas. p. * Reflete a unidade objetivos-conteúdos-métodos. assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente. Caráter científico. o trabalho do professor é um constante vai e vem entre as tarefas cognoscitivas e o nível dos alunos. objetivos claros. Abaixo. onde o conteúdo determina o método por ser a base informativa dos objetivos. Alguns objetivos educacionais podem auxiliar os professores a determinar seus objetivos específicos e conteúdos de ensino. Sob este ponto de vista. coloca-se esta forma ordenada de elaborar os conteúdos de ensino: Correspondência entre os objetivos gerais e os conteúdos. Já ao professor em sala de aula cabe estimular e dirigir o processo de ensino utilizando um conjunto de ações. objetividade e coerência entre os objetivos gerais e específicos. modos valorativos e atitudes.203). o autor sintetiza as principais características da avaliação escolar. Agora não se pode pensar em método como apenas um conjunto de procedimentos. conhecer o nível dos alunos. o autor propõe uma forma mais didática de resolver esta difícil tarefa de selecionar os conteúdos a serem ministrados em sala de aula. é indispensável o uso correto da língua Portuguesa. retomando a "pedagogia de projetos". Neste aspecto. da chamada "educação tradicional". Entre estes objetivos educacionais destacam-se: a) colocar a educação no conjunto de lutas pela democratização da sociedade. São métodos adequados para realizar os objetivos. politizando-as de forma mais explícita através do uso de "temas emergentes. a avaliação é uma análise quantitativa dos dados relevantes do processo de ensino aprendizagem que auxilia o professor na tomada de decisões. garantindo uma base cultural para jovens e crianças. o terceiro nível é o professor que concretiza tudo isto em ações práticas na sala de aula. Ela também cumpre pelo menos três funções no processo de ensino: a função pedagógica didática. Por isto é muito importante que os conteúdos tenham em si momentos de vivências práticas para dar significado aos mesmos. passando pelas propostas de organização destes conteúdos em torno de um assunto .  38. Os objetivos gerais explicam-se a partir de três níveis de abrangência. Os conteúdos de Ensino Desde o início do livro. Conceito de métodos de ensino Um conceito simples de método é ser o caminho para atingir um objetivo. a qualificação e a apreciação qualitativa. Todas estas propostas didático-pedagógicas têm em comum a compreensão de que uma visão globalizante e interdisciplinar deve presidir a organização dos conteúdos nas propostas de trabalho. * Esta frase marca este subtítulo &quot. o método corresponde à seqüência de atividades do professor e do aluno.Objetivos gerais e objetivos específicos Os objetivos são o marco inicial do processo pedagógico e social. sociológicos. diferentes maneiras de planejar o ensino têm sido preconizadas. nos diversos momentos de ensino a avaliação tem como tarefa: a verificação. O que realmente importa é que esta relação de unidade entre objetivo-conteúdo–método constitua a base do processo didático. pelo mínimo. como tarefa fundamental. entre outros. Acessibilidade e solidez.. político. * Reflete valores e expectativas do professor em relação aos alunos. expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico. racial ou política. dessa forma a assimilação dos conteúdos depende dos métodos de ensino e aprendizagem.

excursões. Muito se tem avançado na pedagogia do discurso. nos limites das áreas disciplinares. ainda hoje. a ciência e a cultura. ao estudo autônomo. Santomé (1998. . É preciso também ouvir segmentos da sociedade. apud Santomé.às relações pessoais entre estudantes e professores e professoras devido ao desmembramento artificial da realidade em disciplinas diferenciadas. os interesses e os ritmos dos estudantes na organização das propostas de trabalho. Há um dissociamento do processo de pensar do de atuar. nesta forma.190). pela ação desencadeada. ainda segundo o mesmo autor. O mesmo autor defende que devem ser respeitados os conhecimentos prévios. . em sala de aula.levar a pensar interdisciplinarmente. . logo é preciso ouvir esta mesma sociedade sobre o tipo de escola desejada para seus filhos e filhas. a autora destaca. desde meados do século. experiências diferenciadas. quanto mais em blocos lhes surge o mundo das coisas. o desenvolvimento de aptidões. as principais críticas a esta forma de organização partem da percepção de que. a seus níveis de compreensão. .às dificuldades de aprendizagem decorrentes da constante mudança de atenção de uma matéria para outra. . em 1996 (1979). O processo de aprendizagem é um processo global. porém de tamanha grandeza a . resgatando a idéia de "corpo docente". de Ivani Catarina Arantes Fazenda. que os ajudem em sua localização na comunidade de forma autônoma. . ou o conjunto de disciplinas justapostas. perguntas mais vitais. p. . como coisas opostas.texto. Para Arroyo (1994). sendo. A afirmação do Parecer 853/71 . considerando.ao papel do professor e da professora como pesquisadores capazes de diagnosticar. substituindo a forma fragmentária pela unitária do ser humano.estimular a análise de problemas concretos e reais e o conseqüente surgimento de pessoas criativas e inovadoras.preparar para a mobilidade profissional futura.favorecer a visibilidade dos valores. E. crítica e solidária. tanto técnicas como sociais. 1982.à inflexibilidade de organização do tempo. . . Integração e Interdisciplinaridade no Ensino Brasileiro: efetividade ou ideologia. Apesar de todo o destaque teórico dado para a necessidade de a criança fazer – aprendizagem através da atividade -.à incapacidade para ajustar ao currículo questões práticas. tomando atitudes. nas exigências de silêncio e imobilidade. interdisciplinares. da palavra. dos fatos e das idéias". a ênfase ainda hoje recai no ensino verbalista. ideologias e interesses presentes em todas as questões sociais e culturais. também é preciso redescobrir o vínculo entre a sala de aula e a realidade social: conjugar o aprender a aprender com o aprender "a viver. da intervenção. 1988. Há uma supervalorização dos processos cognitivos em detrimento dos demais.trabalhar conteúdos culturais relevantes. desencadeado nos Estados Unidos e também na Europa com o advento da Escola Nova. Dá-se ênfase na nossa cultura escolar à atividade intelectual. à atividade crítica e à curiosidade intelectual.CFÉ (apud Feldens. Organização dos currículos: o modelo linear disciplinar A forma mais clássica de organização do conteúdo escolar. com a conseqüente não estimulação dos necessários conflitos sociocognitivos. Ensina-se pelas experiências proporcionadas. O "currículo por atividades" não passa muitas vezes de um rótulo sem significado. Para que tal objetivo seja alcançado. em defesa dessa forma de organização no Currículo por Atividades da Educação Fundamental.escolarização. . Aprende-se participando.14). O currículo integrado: possibilidades O currículo integrado permite: . escolhendo procedimentos. e continua-se muito distante da pedagogia da ação. questões e problemas que precisam ser trabalhados e que não' se enquadram. Na defesa de projetos curriculares integrados. p. . o saber e o fazer. conseqüentemente.à pesquisa. publicado pelas Edições Loyola. os padrões de verdade . Não se concebe o conhecimento enquanto ação. é o modelo linear disciplinar. na supervalorização do cognitivo. A proposta de currículo integrado surgiu como uma alternativa progressista aos modelos empresariais de objetivos comportamentais que eram oferecidos.à problemática específica do meio sociocultural e ambiental do alunado. . para tal.. principalmente quando é privilegiado o uso do livro. não fazem parte dos "currículos por disciplina" surgidos com a modernidade. . especialistas de diferentes áreas. o trabalho intelectual e o trabalho manual.favorecer o trabalho colegiado nas escolas. aborda a interdisciplinaridade como uma nova atitude a ser assumida perante a questão do conhecimento. . p. pelos problemas criados..que permitam enfrentar novos problemas e desafios. Para Santomé (1998. de modo bastante simples. geralmente..aumentar a probabilidade de surgimento de novas carreiras e especialidades -interdisciplinaridades . justifica esta proposta a partir da forma como a criança percebe o mundo: "Tanto mais imaturos sejam eles.187) afirma que a utilidade social do currículo está em permitir aos alunos e alunas compreender a sociedade em que vivem. nas áreas de conhecimento tradicionais e. para isso.. na sua 4ª edição. Na escola são trabalhados o "sistema de conhecimentos de uma sociedade ( . . pois. seus ritmos. propor e avaliar projetos e currículos.à falta de nexos entre as disciplinas e o decorrente esforço de memorização que tal fato acarreta. excluídos das salas de aula. na maioria das vezes de uma forma bastante arbitrária. p. ). na maioria das vezes. para melhorar o desempenho de estudantes nas instituições de ensino. há temas. vivenciando sentimentos. atuais. " (Inglis. no recinto escolar.lIO). espaço e recursos humanos para viabilizar visitas. Logo é preciso aumentar o poder de participação e de decisão dos mesmos na escola. o que a organização do currículo por disciplinas dificulta perceber. não confinadas. para romper o isolamento que caracteriza ambos os mundos. criando hábitos intelectuais de levar em consideração diferentes possibilidades e pontos de vista.aos interesses dos estudantes.à experiência prévia dos estudantes.abordar conteúdos que são objetos de atenção em várias áreas de conhecimento. . favorecendo. a teoria e a prática. presta-se insuficiente atenção: .

bem como estabelecendo um paralelo legal. interdisciplina. Alguns. contribui para amenizar a relação dicotômica existente entre ensino e pesquisa. pois como ele – um dos muitos parceiros de Ivani – mesmo destaca. facilmente chega-se a presumir que a interdisciplinaridade é apontada como uma exigência interna das disciplinas para restabelecer o saber em sua unidade. Assim. fica ressaltada que a proposta de educação inclusiva não é específica para alunos e alunas com necessidades educacionais especiais ou outro termo que se escolha. mais moderados. Em contrapartida. evoluindo para o ‘modelo’ de suporte. Conforme a intenção de pesquisa – atitude esta primordial para a constituição da aprendizagem interdisciplinar. ao mesmo tempo. da metamorfose que se revela uma constante na interdisciplinaridade. Desse modo. apenas vive-se”. com a incerteza sobre o fazer interdisciplinar e sobre as responsabilidades que são direcionadas aos pesquisadores que se propõe desvelar questões dessa natureza. destaca dificuldades epistemológicas. sujeitos aprendentes e ensinantes. por direito de cidadania. estabelecendo uma reflexão crítica da realidade. não de totalidade sobre o conhecimento. De acordo com Hilton Japiassú. Além disso. ou defendem a permanência da educação especial no seu ‘modelo’ de serviços. dentre os quais se destacam disciplina. pois apresenta-se como forma de compreender e modificar o mundo com diferentes olhares. Concomitante com essas reflexões acerca da integração/interação e objetividade/subjetividade. novamente. tomarmos ciência desses termos para poder agir de modo fidedigno às suas origens. Essa análise é bastante interessante porque caminha entre e sobre a legislação. por muitas vezes. Para tanto. ainda não há consenso quanto à forma de levar o sistema gestor de políticas educacionais e nossas escolas a assumirem a orientação inclusiva. não se aprende. quando se trata de educação inclusiva. pois deles acabam surgindo razões de força para novas pesquisas. Inúmeros desafios são identificados e precisam ser removidos. Educação Inclusiva: do que estamos falando? Rosita Edler Carvalho O texto reflete as principais questões que têm sido discutidas nacional e internacionalmente. Quando discute o conceito de integração. Retomando trechos da Declaração de Salamanca. particularmente pelos preconceitos e estereótipos com que a diversidade biológica tem sido tratada e internalizada no imaginário coletivo. dialético e complexo diz respeito a qualquer aluno que. materiais e relacionadas à formação dos professores. somos novamente lançados à vida e a ela somos convidados e instigados a atribuir cores novas. com os nossos limites. Conceitos. significados e pregações. Estadual e Municipal (SP) para a efetivação do ensino de 1º e 2º Graus e Ensino Superior. os conhecimentos e contribui para com a transformação da realidade. aflorando a necessidade de nós. Como processo contínuo. desde a atitude que mantém diante da questão do conhecimento. Japiassú comunga com as idéias de Fazenda e aponta que essa incerteza/subjetividade que circunda a questão do conhecimento revitaliza a produção científica. trata que integração estaria relacionada. enquanto professores. para que se possa “interagir” de forma produtiva com o meio e com o conhecimento. revelando as similaridades existentes entre as referidas leis. como o clareamento de determinados conceitos que cerceiam a prática interdisciplinar. Embora todos os educadores estejam de acordo quanto à necessidade de melhorarmos a qualidade das respostas educativas de nossas instituições de ensino-aprendizagem para todos os aprendizes: crianças. aparentemente ”encasulados”. bem como o seu incentivo à formação de novos pesquisadores e novas pesquisas. culturais. a ser e onde participe. a interdisciplinaridade poderá vir a ser utilizada de diferentes formas e apresentar-se como o ponto de encontro e de renovação da atitude perante o conhecimento. entendem que a educação especial precisa rever seus princípios e seus procedimentos. pois une. Enquanto que “interação é condição “sine quan non” para a efetivação da interdisciplinaridade. após habitar a construção de conceitos. ou. ou seja. olhares estes. aspectos de uma melhor formação geral e profissional são apontados. o revelar das possibilidades e não possibilidades para a concretude da interdisciplinaridade. dando uma visão parcial. outros. sensibiliza-nos como seres aprendentes. habitados pela atitude interdisciplinar. dentre eles o aspecto atitudinal se destaca. integração e interação. Esse viver a interdisciplinaridade é por ela habitado. Dessa maneira. Convém. Estadual e Municipal (SP). a nível Federal. de modo bastante formal. Entretanto. Em relação às benécies da interdisciplinaridade. Logo. mais radicais. de Educação Básica. . revela os obstáculos de efetivação da interdisciplinaridade. a autora percorre o caminho sobre a formação do conceito de interdisciplinaridade e percebe que este não possui um único sentido e uma estabilidade. que prefaciou o livro. jovens e adultos. embriaga-nos e revitaliza-nos pela e com a possibilidade se sentirmos impregnados em nosso ser o desejo da mudança. deparamo-nos. da pesquisa e da não conformidade. multidisciplina. bem como no que se tem avançado – ou não. no entanto. institucionais. Porém.questão interdisciplinar ao enfatizar que esta “não se ensina. nos seus níveis Fundamental e Médio e Educação Superior. defendem o desmonte da educação especial. Essas possibilidades e não possibilidades para a concretização da interdisciplinaridade são subsidiadas pela análise legal que a autora estabelece com a legislação Federal. Nessas condições. de fato. para que a aplicação de uma proposta de aprendizagem unificadora venha realmente processar-se. classificados hoje. para contribuirmos com a materialização de uma educação verdadeiramente unificadora. psicossociológicas. é preciso que façamos a substituição da “Pedagogia da Certeza” pela “Pedagogia da Incerteza”. inacabados diante do saber. onde aprenda a aprender. “o conhecimento nasce da dúvida”. destacar a reflexão que Ivani Fazenda tece acerca da não compreensão de alguns conceitos relacionados à atitude interdisciplinar e aos aspectos legais. a fazer. pluridisciplina. deve freqüentar escolas de boa qualidade. transdisciplina. ativamente. é preciso manter um constante contato com as nossas dúvidas. adolescentes. discorre acerca da não separação do conhecimento para com a prática dos sujeitos e aponta algumas das utilidades e obstáculos que implicam a prática da interdisciplinaridade. tornando viva a nossa capacidade de viver. às disciplinas. metodológicas. novas facetas pessoais e sociais e diferentes formas e atitudes para lidar com o conhecimento.

teológica ou jurídica” (p. por respeito às diferenças e muito menos por tolerância. quando é utilizada como forma de apelo para garantir a presença de aprendizes em situação de deficiência nas turmas comuns. o que inclui. a partir das quais as escolas passam a ter o estado de inclusivas. exercitar sua cidadania. principalmente. imagino que alguns leitores devem estar interrogando se estou adotando uma nova terminologia. a expressão pessoa em situação de deficiência apresenta a vantagem de relacionar as influências do meio com as capacidades que as pessoas podem desenvolver e manifestar. publicada em 2001. as pessoas em situação de deficiência. definitivamente. o respeito às diferenças traz um ranço conservador e determinista. social e escolar. para todos? Penso ser esta uma provocação interessante para provocar debates. qualidade e intensidade das ajudas e apoios especializados que receberam. os que são vítimas das práticas elitistas e injustas de nossa sociedade. aprendendo e participando.que reflete o comportamento social de um indivíduo-. estou me valendo dos ensinamentos do Professor Plaisance baseados numa nova classificação dos níveis de deficiência. aos próprios sujeitos da inclusão. obviamente. Servem como exemplo. em termos de precocidade. agimos em consonância com o princípio da igualdade de oportunidades. duas pessoas com a mesma deficiência e que. de certo modo ocorreu para evidenciar a exclusão da inclusão das necessidades educacionais especiais de tantos e tantos alunos que precisam. de modo geral. Na verdade. com os fatores contextuais que a cercam. pois. portanto. Na medida em que. Não deve ser concebida como um preceito administrativo. na medida em que focaliza o sujeito significativamente diferente. Aquilo que é necessariamente diferente do ensino escolar para melhor atender às especificidades dos alunos com deficiência. bloqueadoras de seu pleno desenvolvimento. a expressão respeito à diferença. Fechando o longo parêntesis creio que. retardo mental. buscamos aprimorar as respostas educativas de nossas escolas. tolerando-as. também. em obediência à hierarquia do poder ou a pressões ideológicas. De outro lado. por exemplos. ao direito igual de cada um de ingressar na escola e. os que não recebem as respostas educativas que atendam às suas necessidades. principalmente. os que enfrentam barreiras para a aprendizagem e para a participação. Destaco que a idéia-força que orientou o texto de Salamanca é a da escola para todos e não apenas para as pessoas com deficiência. instrumentos necessários à eliminação das barreiras que as pessoas com deficiência têm para relacionar-se com o ambiente externo. Assim. Infelizmente estamos nos referindo a uma considerável parcela de nossa população. na medida em que me refiro às pessoas em situação de deficiência. as que apresentam condutas típicas de síndromes neurológicas. Abrindo um parêntese. penso que a tolerância . como muitos supõem ser o eixo vertebrador da Declaração. os que lá estão e experimentam discriminações. Não por apelos sentimentais. equivocadamente. segundo a situação e as condições em que vivem. A tolerância. que leva a estabelecer datas. apenas. será que devemos entender ‘igualdade de oportunidades’ como sinônimo de ‘oportunidades iguais’ (as mesmas).. em vez da tradicional classificação da OMS de 1980 que se refere à deficiência. relacionada apenas às pessoas em situação de deficiência. em 1994. Apesar de a tolerância ser uma virtude pessoal . Lendo o texto da Declaração. como forma de aceitação passiva do Outro-. atendendo a todos e a cada um. além das superdotadas/ com altas habilidades.A inclusão educacional tem ocupado significativo espaço de reflexões em todo o mundo. pode ser considerada como mais um desdobramento da análise sobre o moralismo abstrato. parece não haver dúvidas de que os sujeitos da inclusão são todos: os que nunca estiveram em escolas. como retórica e se efetive na prática. de modo que o direito de todos à educação não fique. E o evento de Salamanca. psiquiátricas ou com quadros psicológicos graves. mantêm ou reforçam as diferenças. uso de recursos da informática e outras ferramentas tecnológicas. mesmo sem apresentarem perturbações no nível biológico como cegueira. sem que lhes seja possível evoluir. respeitá-las. Inúmeros alunos com dificuldades de aprendizagem podem ser considerados em situação de deficiência decorrente de condições sociais e econômicas adversas. reconheço sua importância. relacionando-o. De um lado. às escolas. constar das políticas educacionais e das práticas pedagógicas de todas as escolas. nela. à qual se seguem as Linhas de Ação com diretrizes para a universalização da escola. Mas. Deve ser entendida como princípio (um valor) e como processo contínuo e permanente. particularmente a partir da década de 90. As situações contextuais que as envolvem sendo diferentes. As barreiras existentes Sob essa denominação cumpre-nos examinar aspectos mais objetivos.. particularmente porque consta de mandamentos legais e dos documentos nacionais e internacionais que nos apontam diretrizes para a educação inclusiva. bem como a qualidade de seu ‘ funcionamento’ pessoal. aos recursos humanos e. as palavras são fundantes dos sujeitos e dos objetos de que falam. os que se evadem precocemente e. de aprender e de participar. paralisia cerebral. ao lado do respeito à diferença. de gentileza em “agüentar” sua presença -. deixa de enfatizar as normas e as práticas educativas que criam. os sujeitos da inclusão devem ser identificados dentre aqueles que não têm acesso aos bens e serviços histórica e socialmente disponíveis.23). dado a priori. vão encontrar maiores ou menores barreiras para suas necessidades de ir e vir. estão no conjunto de práticas de moralismo abstrato e utópico e na contramão da ética da inclusão. porque referidos aos sistemas educacionais.como uma espécie de favor.. O princípio geral é o da igualdade de direitos a oportunidades isto é. Quem são eles? De modo geral. A igualdade de oportunidades é uma outra expressão que merece nossas reflexões. No que tange às pessoas que apresentam necessidades especiais decorrentes de uma situação de deficiência ou não. mais uma vez. tomados com base em considerações de ordem política. do código Braille. restando-nos. igualmente diferentes serão os níveis de autonomia e de participação que poderão desenvolver. surdez. a proposta de educação inclusiva está.. Nesta. Embora considere que discutir termos e expressões nem sempre nos ajude a descobrir os caminhos da inclusão. intimamente. na medida em que esse apelo pode influenciar a formação de um imaginário coletivo no qual as pessoas com diversidade biológica acentuada estão e serão como são. a nova classificação ressalta o funcionamento global das pessoas. como bem sabemos – desde Foucault com ‘As Palavras e as Coisas’. Por exemplo: o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras). incapacidade e impedimento (desvantagem social). além de linguagens que . precisamos reconhecer que tem conotações que “remetem à capacidade fisiológica de suportar determinados remédios ou a uma decisão dos poderes públicos.

. principalmente. com vistas a identificar e operacionalizar as providências pedagógicas a serem adotadas pelos professores.este voltado para pessoas com necessidades educacionais especiais-. E. é substituída pelo entendimento da educação especial como um processo geral e que se traduz. Penso que. Ferreira e Nunes (2003) mostram que as classes especiais não estão integradas no cotidiano das escolas. precisamos rever nosso entendimento sobre o papel das classes e das escolas especiais. sugerindo que sejam aprofundados e ampliados pelos colegas que se disponham a discutir as idéias que apresento neste artigo. como mudanças não ocorrem no vácuo. com uma visão mais ‘moderada’ da educação inclusiva. orientados para a educação regular. traduzem-se por necessidades das escolas. ‘Recursos’(instrumentos) específicos têm conotação bem diferente do sentido de ‘atendimento especializado’. no desenvolvimento de escolas regulares de melhor qualidade. Trata-se de mudança nos conceitos e nas práticas. em sala de aula. Sem nenhuma pretensão de me aprofundar no tema. nas escolas. A própria Declaração de Salamanca adverte que as políticas educativas deverão levar em conta as diferenças individuais e as diversas situações. políticas e práticas inclusivas. com ênfase para a cultura do pensar. Do ponto de vista clínico. o atendimento educacional especializado traduz-se.. o diagnóstico clínico nem sempre oferece aos educadores as pistas do que devem fazer. não são pequenos. a visão dicotômica que identifica um sistema comum e outro especial de educação . Estudos realizados por alunos de Mestrado e Doutorado e que estão sumarizados por Mendes. pelos recursos lingüísticos diferenciados o que. até o desenvolvimento da aprendizagem cooperativa. a começar pela problematização de alguns aspectos que vão desde a arrumação da sala de aula. urgentemente. precisamos analisar nossas próprias atitudes frente à diferença. que acabam sendo encaminhados para ambientes muito restritivos. valorizando o trabalho na diversidade. com vistas a tratamento é importante diagnosticar. com bom senso e sem os extremismos apaixonados que nos impedem de perceber falhas e aspectos que precisam ser. a começar pela identificação dos alunos que. Estas precisam ser examinadas. além das dos alunos. De modo geral. necessitam dessas modalidades de atendimento educacional especializado. como da exclusão deles em nosso imaginário. nem para seu novo professor. Sob a ótica da mudança. políticas e práticas. o que implica. mas considerando-se as limitações existentes em nossos sistemas de ensino e em nossas escolas.. não mais como um sistema paralelo e muito menos com a permanência de suas práticas. . buscar as causas e fazer prognósticos terapêuticos. pois as transformações devem se processar a partir de nós mesmos. Sob essa ótica. modificados. Outros autores sugerem que as discussões sobre educação especial devam ocorrer no contexto de uma agenda mais ampla. entendida como um recurso e não como obstáculo? O que nos falta para desenvolver práticas pedagógicas com direção inclusiva? Este tema precisa ser objeto de nossas reflexões. Estou me referindo ao modelo do déficit que responsabiliza o aprendiz e apenas ele pelas dificuldades que manifesta e enfrenta. realmente. Essa concepção tem gerado movimentos de segregação. O que fazer com e nas classes e escolas especiais são questões em aberto a merecer nossas considerações. é suscetível de problematização. no âmbito pedagógico. não se dá com facilidade nem para o aluno. o de sinalizar as mudanças que precisam ocorrer. O desafio implica numa nova visão de necessidades educacionais especiais que.As estratégias de alavancagem para mover um sistema educacional numa direção inclusiva levam-nos a pensar nos princípios que embasam a política educacional adotada e nas formas de administração consideradas como eficazes. A avaliação não deve ter o papel de prática rotuladora que estigmatiza e segrega. mas. como reintegração. A grande questão parece ser: como planejar e desenvolver práticas pedagógicas verdadeiramente inclusivas. Quanto ao aproveitamento na aprendizagem. Talvez. Segundo este conceito. Outro desafio que tem sido enfrentado pelas escolas regulares diz respeito à avaliação. segundo as diferenças individuais e as diversas situações dos alunos. faz parte da cultura das escolas explicar as dificuldades escolares de muitos e muitos alunos como resultantes de suas limitações pessoais e do contexto social em que vivem. não só dos alunos. mas para não deixálo ‘ em branco’. das quais uma é especializada. A inclusão educacional exige que expliquemos dificuldades escolares não só tendo os alunos como focos. segundo a na tureza da deficiência e a especificidade das barreiras enfrentadas pelos sujeitos. necessariamente. vou me ater a alguns aspectos. cabendo examinar as causas. Esse tema é tão complexo e importante que justificaria um outro artigo. Igualmente. Sob esse aspecto. mais importante é avaliar os fatores que bloqueiam ou facilitam a aprendizagem. dos professores e de todos os recursos humanos que nelas trabalham. Mas. ao último tópico proposto. nem de um dia para outro. em benefício de todos os aprendizes. Com essas e outras constatações temos que reconhecer que as classes especiais e as salas de recursos não têm cumprido seu papel. nas escolas comuns. muito compatível com o modelo do déficit e que queremos substituir. Do ponto de vista pedagógico. o maior desafio está nas salas de aula onde o processo ensino-aprendizagem ocorre de forma sistemática e programada. Penso que tais evidências não implicam na eliminação dos serviços oferecidos como educação especial. na medida em que este pressupõe a relação entre pessoas.Os desafios para as escolas regulares assumirem uma orientação inclusiva em suas culturas. por culturas. Outras observações dignas de registro evidenciam que: (a) os professores das salas de recursos nem sempre organizam seus planos de trabalho juntamente com os professores das classes comuns e (b) que a passagem de alunos das classes especiais para as comuns. Passemos. embora precisem ser repensados. O primeiro dos aspectos diz respeito à avaliação diagnóstica. uma boa pista esteja na tipologia dos apoios que devem ser oferecidos. educacionalmente. assim como há desarticulação entre o projeto pedagógico da escola e os trabalhos desenvolvidos nas referidas classes. de modo a atender a todos e a cada um. aplica-se a qualquer aluno. necessariamente. inclusive no uso dos ‘instrumentos’ necessários. com foco na educação para todos. o destino da educação especial alarga seu leque de compromissos. tudo o que se tem criticado sobre a avaliação como aferição do rendimento escolar. as ações da educação especial também devem ser ressignificadas como um conjunto de serviços e de recursos de apoio. como é o caso de alunos surdos e surdos-cegos para os quais é mais conveniente que a educação seja ministrada em escolas ou em classes especiais. .precisam estar disponíveis nas escolas comuns para que elas possam atender com qualidade aos alunos com e sem deficiência (p. Nossa forma tradicional de pensar tem-nos levado a procurar o que “falta” em nossos alunos para compensá-los.8). finalmente. a meu ver.

então.a 8a. nas Escolas. nas Universidades. onde foi solicitado a todos os alunos que escrevessem para o Secretário Municipal de Educação. Se democráticos e centrados na aprendizagem em vez do ensino. é preciso que cada um avance em seu ritmo. também. Queixam-se das condições materiais em que trabalham. constitui o que ele chama de "perspectiva ingênua da eqüidade". é a principal de todas as alavancas. a lógica da avaliação. gostemos ou não".. Mas não dependem de boa-vontade e sim de efetivas ações que garantam o funcionamento de escolas de boa qualidade para todos e com todos.o autor inicia a discussão sobre como se organizam os tempos e os espaços da escola.. uma boa administração precisa de dados confiáveis sobre alunos. Explica que. pois ensinar de maneira tradicional (verbal e por série) é mais rápido que por métodos ativos (pesquisa). Lembro-me. de fato. Em qualquer dos níveis de planejamento e administração de sistemas inclusivos. governo e educadores. isto é. agora. passa a acontecer. usando todo o tempo que lhe seja necessário. apresenta o argumento de que "há que se diversificar o tempo de aprendizagem". na prática. Nesse aspecto nos deparamos. Ciclos. Nesse ponto o autor problematiza as raízes da avaliação na escola e a própria lógica da escola capitalista. em vez de valorizar aquilo que medimos temos que aprender a avaliar aquilo que valorizamos! Penso que esses temas. dos valores. e. analisa em quatro breves capítulos a lógica da escola. em outro módulo. da falta de tempo para. Mel: temos. na medida em que o que está previsto nos objetivos. realmente. pois essas e outras justas reclamações dos nossos educadores são bem antigas. Recupera alguns ideais da educação moderna. LuizCarlosde. Em outras palavras. parafraseando o Prof. seja nas classes comuns.Os princípios e valores que embasam as políticas educacionais constituem a base axiológica que move os formuladores de política.. seja nas classes e escolas especiais. diz o autor. Sua construção histórica determina a sala de aula como espaço mais importante da produção pedagógica. recursos humanos para alimentar a produção hierarquizada e fragmentada. de modo que a desigualdade social deve ser compensada com os recursos pedagógicos da escola. que se faz no tempo da seriação dos anos escolares. nas escolas. Neste livro o professor Luiz Carlos de Freitas discute. Podemos estar presentes e excluídos. a máxima liberal de que a escola deve ensinar tudo a todos. trocando “figurinhas”. os princípios serão verdadeiras alavancas que fazem sair da retórica para a prática. creio. Sabendo que vontade política é um ingrediente indispensável na busca de soluções. com os processos de aprendizagem artificiais. Secretarias de Educação de Estados. na formação social capitalista e no desenvolvimento de suas forças produtivas. O conceito de inclusão é. particularmente se não forem removidas as justificáveis insatisfações que a quase totalidade dos educadores manifesta. em série. quando problematizei o conceito de inclusão. ou nas salas de recursos e por serviços itinerantes. dentre outros. Ensinar tudo a todos "pode ser o nosso desejo. sobre a /ógicada escola. agrupou em um módulo as séries de Ia. Ao tratar. o mais sutil porque inclusão é processo e não um estado. 96p. mas está longe de ser o compromisso social da escola na atual sociedade". ou seja. também. A progressão continuada. de uma experiência muito interessante ocorrida em São Luiz. discutirem práticas pedagógicas. permito-me questionar. precisam ser discutidos nas Secretarias de Educação. concluiremos pela necessidade de rever a natureza das práticas que temos adotado. como. Movê-la não depende só dos educadores e das escolas. na Comunidade e por políticos voltados para o bem comum e não para seus interesses pessoais. SãoPaulo:Moderna. .Numa exposição clara e bastante didática. pode ser traduzido em princípios. vontade coletiva de tornar nossas escolas inclusivas? Esta. dentro da temática da avaliação. . Certamente não estou me referindo a nada de novo. merece ser desdobrada em suas instâncias hierárquicas desde os gestores a nível central (MEC.. Mas. Se chegarmos a alguns consensos. Sei que é mais fácil falar ou escrever. que prevalece até os dias de hoje. dos seus baixos salários. Precisa ouvir a voz das próprias pessoas em situação de deficiência. pois a forma como a sociedade está organizada afeta o cumprimento desse papel da escola.os modelos de seriaçãoou ciclos. professores e gestores. colocando o leitor a par dessa polêmica. instituída no Estado de São Paulo em 1998. sendo bem mais difícil concretizar. no primeiro capítulo. os dados obtidos nas cartas foram muito mais significativos e propositivos de mudanças do que aqueles coletados nas estatísticas e relatórios disponíveis! As práticas dialógicas envolvendo os atores são muito recomendáveis no espírito da administração compartilhada em que todos são. de tolerância e de igualdade de oportunidades. a discussão dos princípios deve alavancar as decisões a serem tomadas e as providências cabíveis para atingir objetivos. estive no terreno dos princípios. 2003. porque a movimentação física de alunos para que estejam presentes nas classes comuns não garante que estejam integrados com seus colegas e aprendendo e participando. de respeito às diferenças. Maranhão. Segundo informações do próprio Secretário. Precisa “ouvir a voz das crianças”. dentre eles. sob os argumentos do respeito aos ritmos diferenciados de aprendizagem e da eficácia dos recursos escolares. De certo modo. do número de alunos por turma. pois "há uma hierarquia econômica fora da escolaque afeta a constituição das hierarquias escolares . por exemplo. Seriação e Avaliação: confronto de lógicas FREITAS. as sériesde 5a. a 4a. (p. esse ideal. a função da escola é preparar rapidamente. de Municípios ou do Distrito Federal).queiramos ou não. estudarem juntos. o que requer um olhar para a necessidade de eliminação dos desníveis socioeconômicos e da distribuição do capital cultural/social entre os alunos. Para Freitas. autores. quando suas práticas servem para qualificar o progresso das escolas e dos alunos e não como “medição”.18) Analisando em alguns autores os antecedentes da concepção de progressão continuada. até os dirigentes das escolas. Quanto às formas de administração dos sistemas. a lógica dos ciclos e a lógica das políticas públicas. A articulação entre as políticas públicas para a remoção das barreiras existentes é tarefa de todos nós. do despreparo decorrente de sua formação inicial e continuada. E o papel da avaliação.

)" (p. O sistema de avaliação resultante em notas tem o sentido de estimular o aluno para os estudos -'~prender para trocar por nota" (p.. subdivididos entre infância.. o autor apresenta a lógicatk avaliação como aquela que leva a "aprender para mostrar conhecimento ao professor".a escola deve ser o palco dessa aprendizagem (. "Devolver essa relação à sua naturalidade é algo fundamental como princípio educativo". nesse sistema. 2°. visando a obediências.. estabelecendo diferenças entre os princípios e as concepções do sistema de Progressão Continuada (concepção conservadora e liberal) e aqueles dos Ciclos (propostas transformadoras e progressistas). já devem ser apoiados. De forma didática. tempo de conhecer bem os alunos.28).A forma atual da escola diz respeito às necessidades de preparação de mão-de-obra do capitalismo: o conhecimento foi partido em disciplinas e distribuído por anos. (p. O terceiro capítulo analisa a lógicadosciclos. em São Paulo. "Deixadas ao acaso. Só por isso. O autor apresenta um quadro esquemático.estabelecendo forte vínculo com a realidade social (no sentido de apontar suas contradições). de prestar atenção em cada um deles. a avaliação assume papel de controle e atua para implementar verticalmente uma política pública..5l). comparação e premiação. Nesse aspecto. a lógica da exclusão e a lógica da submissão se completam: caso as crianças não aprendam o conteúdo escolar. No quarto capítulo. O autor aborda de forma positiva as experiências lançadas pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e de Porto Alegre.. tão presente nos discursos pedagógicos atuais. através de provas e trabalhos. Orientando-se pelo tempo de formação do próprio desenvolvimento humano. ao discutir a lógicadas políticas públicas. iludi-lo pelo caminho da inovação alienante.) Comportamento: expressa o controle e o poder do professor sobre o comportamento do aluno. e não "aprender para intervir na realidade". Esta obra do professor Luiz Carlos de Freitas expressa seu valor pela atualidade da temática e pela profundidade das críticas que apresenta sobre a escola.39). essas lógicas usuais se cumprem" (p. mas redefinem seu papel (. "Convencionou-se que uma certa quantidade de conhecimento devia ser dominada pelos alunos dentro de um determinado tempo" (p. no entanto. tempo de compreender seus jeitos de aprender e tempo de mediação. A avaliação do desempenho da escola.as escolas devem ter autonomia para fazer a opção pelos ciclos. punição. Para Freitas. marcada pela generosidade de não culpar apressadamente o professor pelos problemas surgidos na realidade. na implantação dos "ciclos de formação". tão "eficientes"quanto aqueles expressos na falsa neutralidade da avaliação formal. humilhando-o. No processo histórico de constituição escolar. Não eliminam a avaliação formal. "Ao 're-situarmos' a posição do aluno. como uma categoria importante que desvelamecanismos de exclusão da escola. Conclui o autor que os ciclos devem ser vistos como um processo de mobilização e tomada de consciência dos reais impedimentos para que os estudantes aprendam.) . desenvolve a ação avaliativa em três tempos. de reinventar as práticas avaliativas para não deixar nenhum estudante sem aprender. tendo em vista que as relações devem ser horizontalizadas e não baseadas na aprendizagem da subordinação.) Valores e Atitudes: sua avaliação se revela-nos momentos em que o professor critica os valores e atitudes do aluno. pré-adolescência e adolescência. Também se revela a noção do trabalho coletivo e da solidariedade como ancoragem da aprendizagem: "estudantes não 'exploram' o professor. (p.27). sem. através dos mecanismos de competição. muito menos a informal. a avaliação surge como um "motivador artificial" para a aprendizagem. sem resistências. prepara-a para um quase mercado.e Freitas afirma: "os ciclos procutam contrariar a lógica da escola seriada e sua avaliação". seremos levados a discutir a posição de todos os atores no processo educativo (. "Não foi o professor quem inventou essa lógica: ela faz parte da própria gênese da escolà' (p.59) Outra dimensão apontada pelo autor diz respeito à auto-organização dos estudantes. pela escola. Suas considerações teóricas aparecem exemplificadas com interessantes estudos de casos e outros exemplos Parte I Entre claros e escuros da avaliação Avaliação formativa ou avaliação mediadora? Processo subjetivo e multidimensional Uma ação em três tempos Uma concepção formativa e mediadora As contribuições de Piaget e Vygotsky .62). 3°. o autor opina que os ciclos não devem ser implantados como política pública que determine sua adoção em massa . os parâmetros a serem seguidos pelo professor baseiam-se nas características pessoais e nas vivências socioculturais. o autor critica a implantação da progressão continuada no Estado de São Paulo. gerados por uma estrutura social injusta. pois. professor não 'explorá o estudante e estudante não pode 'explorar' estudante". .aprenderão a ser submissas. Conclui o autor que essa é a lógica da escola e que decretos não chegam a afetar a trama do processo educativo. A diferença está no fato de o professor ser mais experiente do que o estudante. Elabora três segmentos de avaliação do processo pedagógico que ocorre em sala de aula entre professor e alunos: 10.) Instrucional: baseia-se na demonstração do domínio de conteúdos e habilidades pelo aluno. O autor acrescenta a essa visão a noção de que os ciclos devem planejar suas vivências. Ela propõe que os educadores experimentem fazer o contrário do que vêm fazendo no sentido de não comparar os alunos.. No segundo capítulo. O Jogo do contrário em avaliação Jussara Hoffmann O título deste livro revela o posicionamento da autora frente às práticas avaliativas excludentes e ainda vigentes no país.30).)" (p. Tal explicação evidencia o peso da avaliação informal no processo ensinoaprendizagem.59).

O papel mediador do professor Aprender ou não aprender? Com que critérios avaliamos? Leituras positivas e negativas O aprender sem complementos Evolução e conjunto das aprendizagens O aprender e o desejo de aprender Respeitar ou valorizar as diferenças? Cuidados especiais Uma pedagogia do contágio Quantidade ou qualidade em avaliação? Qualidade e aprendizagem: conceitos multidimensionais Da observação à ação reflexiva: relatórios e dossiês Relatórios: compreender e compartilhar histórias de vida Relatórios: do pensar ao agir na formação docente Sistema de avaliação é causa ou consequência do fracasso escolar? A discussão sobre regimes não seriados e reprovação Sobre o princípio de não reprovar Acesso e permanência na escola Movidos pela aprendizagem? Parte II Fazendo o jogo do contrário em avaliação O jogo do contrário em avaliação Observar aluno por aluno Os “difíceis” estudos de caso Avaliação mediadora em três tempos Tempo de admiração: conhecer para justificar o “não sido” ou compreender para promover oportunidades? O princípio de compreender O exercício do aprendizado do olhar O compartilhamento do olhar avaliativo A multidimensionalidade do olhar E o que se admira afinal dos e nos alunos? A perigosa prioridade às questões atitudinais Valoração objetiva e subjetiva: um olhar em ação Autoavaliação: um olhar que “realiza” o próprio aluno Conselhos de classe: compreender para encaminhar? Arquivos e registros: constituindo histórias Leitura positiva com apoio multidisciplinar Tempo de reflexão: corrigir tarefas ou interpretar situações de aprendizagem? Interpreta-se para compreender Tempo de reflexão: entrelaçando olhares Sobre o cenário avaliativo Sobre as relações afetivas Mediando a aprendizagem da leitura e da escrita Sobre a dinâmica das aprendizagens Análise dos avanços e necessidades percebidas Percursos possíveis de um olhar reflexivo A qualidade dos instrumentos de avaliação O tempo de reflexão e a dimensão do sensível Tempo de reconstrução: avaliar para aprovar e reprovar ou formar para vida? A experiência dos países que avançaram Finlândia: a leitura em primeiro lugar Malásia: diversidade e multidimensionalidade Experiências em avaliação mediadora no país Relatos de casos Sobre o inédito-viável Avaliação formativa ou avaliação mediadora? .

Ou denominar por avaliação apenas a correção de sua tarefa ou teste e o registro das notas. da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. sua relação. hoje. seja em termos de Conselho de Classe ou de apoio pedagógico de qualquer natureza. estabelecer-se-á de forma diferente com cada um deles. Somente se constitui o processo como tal. decorrente da interpretação das tarefas. Ao avaliar efetiva-se um conjunto de procedimentos didáticos que se estendem sempre por um longo tempo e se dão em vários espaços escolares. A avaliação da aprendizagem. livros paradidáticos que levantam questões sobre o negro brasileiro sem reduzi-lo a objeto começam a aparecer. como se defendeu de início. é não fazer a intervenção pedagógica no tempo certo. são pequenas “paradas” de um trem em movimento. não podem ser determinantes da sistemática de avaliação. resultando em atitudes e respostas diversas por parte destes. cada aluno irá estabelecer maiores ou menores vínculos intelectuais e afetivos com cada professor. Em vigor desde janeiro de 2003. Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. estratégias interativas decorrentes. A aprovação da lei 10. então. não houve a mediação. O objetivo de “promover melhores condições de aprendizagem” resulta em mudanças essenciais das práticas avaliativas e das relações com os educandos. analisar e promover melhores oportunidades de aprendizagem. Da mesma forma. Nesse caso. a obra também está sendo usada em cursos de graduação de outras universidades. nenhuma atenção aos alunos é considerada em demasia (como muito se fala. provas ou exercícios (instrumentos de avaliação). Tal processo é alicerce ao desenvolvimento dos alunos em todas as áreas de conhecimento. uma ação pedagógica desafiadora e favorecedora à superação intelectual dos alunos.A lei vem provar que o Brasil não era uma democracia racial. Perder tempo.639 torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em todas as escolas de ensino fundamental e médio públicas e particulares. defendeu o sistema de cotas e apresentou algumas idéias de sua obra. Bimestres. Da mesma forma. ou seja. seja em termos de estratégias de sala de aula. Voltado para Educação de Jovens e Adultos (antigo supletivo). as anotações sobre seu desempenho bimestral. a intervenção pedagógica. não podendo ocorrer por etapas delimitadas. No sentido de sua sistematização. E ela não caiu do céu. fichas. É preciso refletir. dossiês dos alunos (registros de avaliação). por exemplo. mais especificamente. concepções de educação. de sociedade. Por meio da ação mediadora. portanto. ou seja. do próprio professor ou de professores que lhe sucederem. porque. o significado essencial desses registros é servirem de pontos de referência para a continuidade das ações educativas. Nova legislação e política de cotas desencadeariam ascensão econômica e inclusão dos negros. procedimentos de caráter múltiplo e complexo tal como se delineia um processo. São essas as concepções que regem o fazer avaliativo e que lhe dão sentido. conversou sobre a educação no Brasil. Dessa forma. Se antes a temática não representava um mercado potencial para as editoras. Esta justificativa não é pertinente! Todo processo avaliativo tem por intenção: a) observar o aprendiz. que possibilitam aos alunos superar quaisquer desafios. Mesmo que o educador trabalhe com muitos alunos. Muito menos se deve nomear por avaliação boletins.Para se entender de avaliação. mas é resultado da luta do movimento .639 ajuda a desconstruir o mito da democracia racial no Brasil? Kabengele Munanga . b) analisar e compreender suas estratégias de aprendizagem. de “alunos que tomam tempo”). Reconstruir as práticas avaliativas sem discutir o significado desse processo é como preparar as malas sem saber o destino da viagem. uma vez que as posturas avaliativas inclusivas ou excludentes afetam seriamente os sujeitos educativos. Portanto. no processo avaliativo. diz professor Até agora ausente das prateleiras de bibliotecas e das salas de aula. realidades. o professor Kabengele. Em entrevista ao USP Online. tanto intelectuais quanto afetivos. a nova legislação já dá mostras de avanços concretos. problemas e caminhos (Global Editora/Ação Educativa) foi escrito pelo antropólogo Kabengele Munanga. de sujeito. compreender. etc. Alguém (educando) que é avaliado por alguém (educador). se ocorrerem os três tempos: observar. trimestres. É preciso. tempos de análise de tarefas e devolução aos alunos. nesse caso. anos letivos. e por Nilma Lino Gomes. instrumentos de testagem e formas de registro. a lei federal 10. acolher os alunos em suas diferenças e estratégias próprias de aprendizagem para planejar e ajustar ações pedagógicas favorecedoras a cada um e ao grupo como um todo. Não se pode dizer que se avaliou porque se observou algo do aluno. com a prerrogativa de que se avaliam muitos alunos nas escolas e universidades. uma vez que toda observação ou “exigência” do professor passa a vir acompanhada de apoios. que nasceu na República Democrática do Congo e leciona na USP desde 1980. Mas tratando-se a avaliação de um processo. Essa é a intenção do avaliador: conhecer. da Faculdade de Filosofia. o processo avaliativo é sempre de caráter singular no que se refere aos estudantes. pensar primeiro em como os educadores pensam a avaliação antes de mudar metodologias. pelo contrário. semestres. O livro Para entender o negro no Brasil de hoje: história. sobre procedimentos adotados como justos. momentos de o professor dar notícias sobre o caminho percorrido pelo aluno até aquele momento. é contínua e evolutiva. ele estará afetando vidas e influenciando aprendizagens individuais. da tomada de decisão. o primeiro passo é conceber o termo na amplitude que lhe é de direito. Métodos e instrumentos de avaliação estão fundamentados em valores morais. e c) tomar decisões pedagógicas favoráveis à continuidade do processo. ainda mais quando se trata de acompanhar os alunos no processo evolutivo da leitura e da escrita. no que se refere aos registros escolares. envolve e diz respeito diretamente a dois elementos do processo: educador/avaliador e educando/avaliando. quando são feitos ao final de anos letivos. pois levou 115 anos para introduzir no ensino o estudo da matriz cultural africana. Decorre daí que não se deve denominar por avaliação testes. relatórios. devem-se programar tarefas avaliativas.

como se não houvesse outras experiências em outros lugares? K. Quantos negros há na Universidade de São Paulo? Como surgiu o debate sobre cotas? K. três anos após a independência do país. como no caso específico da Frente Negra. como os árabes. Na Índia o governo também adotou a política das cotas para as castas dos "intocáveis" desde 1950. a partir das lutas pelos direitos cívicos nos anos 1960.. Parto do princípio de que muitas delas perceberam que o Estado não estava cumprindo suas obrigações. O discurso é também um dispositivo de dominação. Munanga . Movimentos negros anteriores. é preciso que o poder seja legitimado pelo discurso. Mas se não fosse a lei. por exemplo. Se o governo conseguisse fazer isso [melhorar a escola pública] seria ótimo. é uma nova história que será ensinada. Mas a partir do momento em que pobres e ricos mandarem seus filhos para as escolas públicas. Simba Safári. K. dos EUA. É como dizer que a sociedade deixou de ser machista. no sistema de poder. os impérios e reinos africanos.social negro. É isso o que a lei pretende corrigir. Munanga . o que tornaria todos os cidadãos brasileiros capazes de competir. se contar apenas com a boa vontade do cidadão. tem especificidade. idade. um dos fundadores da Frente Negra Brasileira. expressão artística etc. Não é verdade. Porém. uma medida obrigatória. É essa África que foi ensinada na historiografia oficial. Isso também tenta justificar a posição do negro na sociedade brasileira. Para se justificar a dominação através do discurso da Missão Civilizadora. Mesmo porque isso significaria acabar com a clientela das escolas particulares. A mulher está ocupando espaços .Foram tentativas. Eles acham que a questão é simplesmente econômica. religião. essas memórias foram apagadas.. O problema de cotas irá se colocar novamente. Munanga . não cruzam os braços. e só depois a academia foi estudá-lo. Munanga . É o caso. A nova lei tem tudo de positivo. pois não colaboro com ONGs e conheço muito pouco sobre elas. engenheiros até na NASA. que as maiores civilizações se desenvolveram lá. Ele certamente passará em um concurso público. com intelectuais nas grandes universidades. mas há uma saída. O pobre estudava nas escolas particulares. ciência e tecnologia. Muitos acham que o caminho para corrigir as desigualdades sociais seria uma política universalista. eles acham que podem fazer algo. O senhor explica que foi após a conferência de Berlim (1885) que se deu a passagem de uma imagem positiva do povo e continente africanos para uma negativa. relatando as formas de organização política. A diferença é que os movimentos negros atuais. haverá outras formas de excluir o negro. que a civilização egípcia era negra? Nunca se viu na historiografia oficial. o nomeia. mas o social não é algo abstrato. Porém. Não se esqueça que quando as escolas públicas no Brasil eram boas. Munanga .Seria uma injustiça dizer isso. ninguém se mobilizaria. de classes.Os primeiros viajantes na África. baseada na melhoria da escola pública. A Frente Negra Brasileira foi um movimento social fundado por uma elite negra dos anos 30. Um aluno que entra pelas cotas e se forma. A África é simplesmente tida como tribo. vai encontrar as mesmas barreiras do preconceito no mercado de trabalho. que surgiram em 1975. A experiência deles deu certo. Além de introduzir a história da África no currículo. que vai lhe abrir muitas portas. mas esteriotipada. Então haveria um círculo vicioso? K. Aqueles negros colocaram o mesmo problema que hoje estamos colocando: a educação é um dos caminhos para poder integrar o negro no mercado de trabalho. cor. muitas organizações contribuíram com os países africanos. Munanga . onde os negros são cerca de 12% da população e. O senhor vê resquícios dos princípios da Missão Civilizadora em alguns trabalhos assistencialistas de organizações não-governamentais. Não copiam as cotas porque não querem. Se essa política já existe em outros países. médicos em grandes hospitais. que pretendem salvar o negro e pobre (já que no Brasil pobreza tem cor)? K. uma parcela deles conquistou uma grande mobilidade social e econômica. Nesse sentido. Não basta força militar.A África que nós conhecemos é a do Tarzan. fome. saberá lutar por seus direitos. ambos os movimentos lutam para que o negro faça parte do sistema educacional. ou poderá ter emprego e dinheiro para contratar um advogado.Chegou um momento em que movimentos sociais negros eles descobriram que o único caminho para garantir o acesso do negro à educação superior de boa qualidade era através de uma política pública. é preciso que ela seja efetivamente implementada e que seja definido exatamente o conteúdo a ser ministrado. foi preciso negar os atributos daquelas sociedades. Não creio que eles estavam fazendo isso com o espírito da Missão Colonizadora. Como membros da sociedade e conscientes das injustiças cometidas contra essas sociedades. Munanga . Então não adianta dizer que basta melhorar o nível das escolas públicas. Há uma classe média negra bastante notável. sexo. A África é um continente de 56 países e ilhas. Qual a importância da Frente Negra Brasileira e do Teatro Experimental do Negro para a educação e inclusão dos negros? K. nada vai acontecer. além de reivindicar a escola também querem que ela reconheça sua identidade. Quando começou a colonização da África. E quando ele encontrar alguma porta fechada. E se isso não for feito. Todas as questões que tocam a vida do coletivo são sociais. tem endereço. por que no Brasil ela tem um tom de novidade. nos livros didáticos. Como é o ensino da cultura afro-brasileira e africana na escola? K. Mas isso é um discurso para manter o status quo. das tribos. Havia uniformes caros e outros mecanismos que os excluíam. Como se o machismo e a homofobia não fossem uma questão social. em que a identidade africana e dos afro-descendentes é apresentada de maneira positiva. Muitos brasileiros ainda não acreditam na existência do racismo no Brasil. ensine a história e cultura dos negros africanos.Sim. que possuem um forte lobby e não tem nenhum interesse em ver escola pública de boa qualidade. fazendo o que o governo não fazia no sistema de saúde e educação. A lei não disse que África e Brasil ensinar. queriam simplesmente se integrar na cultura dominante. é ele que legitima a situação do "outro". É claro que o sistema de cotas é uma experiência que já foi vivida por outros países do mundo. ou uma questão social. classe social. guerras. Ela foi a primeira a denunciar o mito da democracia racial. deixavam documentos sinceros sobre aquela sociedade. porque enquanto se diz isso nada é feito. pois ele terá sólida formação. Mas a situação dele será diferente. como foi o caso de José Corrêa Leite. Será que a África é só isso? Já viu algum livro didático mostrar que a África é o berço da humanidade. os negros e pobres não tiveram acesso a ela.Justamente porque não há vontade política para mudar as coisas. Os livros escritos depois da colonização não trazem mais uma África autêntica. Aids. Quantas coisas o Brasil copia dos Estados Unidos? Modelo econômico. É uma grande diferença.

Não há uma categoria de escravo natural. não "escravo". Os homens trabalhavam como serventes dos reis. o conceito de "escravo" vem de outra visão de mundo. passou por uma boa universidade.. A Arábia Saudita a aboliu em 1962. E todas têm o efeito multiplicador. Em qualquer circunstância. o senhor desconstrói o mito de um sistema escravista africano que justificaria e legitimaria as formas de escravidão que deram origem aos tráficos. Qual era o conceito de "escravo" na África antes dos tráficos liderados por europeus e árabes? K. Munanga . Quando se fala de escravidão na África só se pensa no tráfico liderado pelos europeus. Petronilha Silva. a educação tem fator de multiplicação. 112 p. Munanga . Além do mais. pois o sistema escravista pressupõe que os escravizados sejam bem mais numerosos que os senhores. que fez pós-doutorado em Sociologia pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales (Paris-França). Em compensação. A expansão do ensino público leva tempo. O texto em questão possui como tema central o multiculturalismo.públicos porque ela lutou e se capacitou. Luiz Gonçalves. Serve igualmente aos indivíduos que querem “apenas” praticar a ação de respeitar o outro.. Esses parentes poderiam trabalhar em outras famílias temporariamente ou para sempre. (Coleção Cultura Negra e Identidades). Petronilha Beatriz Gonçalves e. não é verdade. pois não era uma sociedade de acúmulo de capital. como para o que está se formando educador. Começou no século VI e terminou no século XX. Isso porque era freqüente a castração dos negros.Sim. o multiculturalismo recoloca “[. pois as mulheres negras são as maiores vítimas da discriminação. Dito de outra forma. a existência do chamado "escravo" não é razão para aceitar a escravidão. Em outros casos. embora muitas outras estejam fechadas. Em hipótese alguma havia um escravismo como sistema de produção. Um jovem que foi para a escola.” (p. É uma história que ninguém conhece.Em primeiro lugar. mas de subsistência. esse conceito já está enraizado na literatura. algumas sociedades africanas não queriam nem guardar o cativo. Porém. famílias penhoravam algum parente quando havia grandes calamidades. não deixará seus filhos passarem pelo mesmo caminho. Isso é um ganho. hoje se tem mais de 40 mil afro-descendentes que entraram nessas escolas particulares. ed. Em seu livro e em outras obras. Há faculdades particulares de qualidade. No Brasil. De autoria do professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E a responsabilidade árabe com a escravidão através das rotas oriental e transaariana? K. O homem nasce livre até que alguém o escravize.” (p. a escravidão é uma instituição desumanizante e deve ser condenada. Munanga . Mas este fato também não justifica a escravidão. capturando negros de outros grupos étnicos para vendê-los como escravizados. 17). Como essa mulher também não tinha uma formação política. Luiz Alberto Oliveira. Enquanto isso os jovens que terminaram o Ensino Médio não podem estudar? Graças ao ProUni. O senhor se refere às mulheres brancas? K. O acesso que ele tem a uma certa mobilidade social e ascensão econômica faz com que seus filhos possam estudar em uma boa escola. Serve tanto para o que educa. Essa categoria de cativo africano foi traduzida como escravo. . “Multiculturalismo e educação nos Estados Unidos”..Não se fala sobre isso porque a escravidão liderada pelos árabes é anterior à européia. caso sua família original não tivesse condições de adquiri-lo de volta. e da professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). por quatro capítulos assim denominados: “O multiculturalismo e seus significados”. Belo Horizonte: Autêntica. além da Apresentação e das Referências. que eram prisioneiros de guerra ou pessoas que cometiam algum delito na sociedade e eram levadas por outros grupos étnicos. Inclusive quando as pessoas dizem que o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Talvez não se fale muito porque não se vê tantos negros mestiços nos países árabes como se vê nas Américas. Não sei como as escolas particulares trabalham as questões raciais. príncipes e guerreiros.] o problema da diversidade cultural no centro dos debates políticos de sua época. “O multiculturalismo na América Latina” e “Estudos culturais e pesquisa em educação no Brasil”.Creio que sim. E ele pode também se tornar aquele referencial que o negro não tem. o livro “O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos” faz parte de uma coleção denominada “Cultura Negra e Identidades”. cuja coordenação é da educadora Nilma Lino Gomes. enquanto as mulheres se tornavam esposas e reprodutoras das famílias reais. aos quais foi negado o direito de preservarem suas características culturais. tem consciência dos problemas da sociedade. Como em outras sociedades. e os desdobramentos dessa política identitária no mundo contemporâneo. diferente da africana. SILVA. Resenha: O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos GONÇALVES. a taxa de mortalidade dos negros era alta. produz hiatos e descontinuidades na forma como as Ciências Sociais apresentam a sociedade a qual estudam.. Os escravizados foram deportados para os países do Oriente Médio. que possui pós-doutoramento em Teoria da Educação pela University of South Africa (Pretória-África do Sul). achava que seu lugar era na cozinha e na maternidade. Apesar de as mulheres servirem como concubinas nos haréns. que é uma forma de questionar a ideologia etnocêntrica ou o eurocentrismo. Munanga . para servi-lo no outro mundo. Portanto. achavam que ele não servia para nada. no sentido de propiciar a conscientização política e ascensão econômica de pobres e negros? K. São duplamente discriminadas. “[. muitos trabalhavam como eunucos. O correto é "escravizado". até século XVII. na África existia a categoria de cativos. Por isso alguns eram enterrados vivos com reis. Mas o acesso à educação propicia melhor conscientização e capacidade de lutar pelos seus direitos. enquanto mulheres e enquanto negras. 22). 4. os negros eram cerca de 70% da população. A competência abre muitas portas.] o multiculturalismo desde sua origem aparece como princípio ético que tem orientado a ação de grupos culturalmente dominados. A obra é composta. Em segundo lugar. tanto na educação dos filhos como na futura ascensão econômica deles. Muitos reis e príncipes colaboraram com o tráfico negreiro para outros continentes. 2006. A importância dessa obra é patente para quaisquer sujeitos. O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos. o próprio conceito está errado. O ProUni (Programa Universidade para Todos) teria os mesmos resultados que as cotas em universidades púbicas. Além disso. mas o aluno que entra pelo ProUni se informa sobre o programa e sabe porque está indo à universidade. Todos os filhos dos cativos eram livres. Mas não o é.

é extremamente complexo. o Estado nacional constitui-se como um objeto que também precisa ser re-significado pelos agentes multiculturalistas. A reflexão mostra que o desenvolvimento infantil se dá pelo movimento. PALAVRAS-CHAVE: Desenvolvimento sensório-motor – Programa de atendimento em intervenção precoce e criança cega. tanto na Educação Básica como na Educação Superior. porém o ritmo é mais lento. foram externadas as organizações afro-brasileiras existentes no Brasil e as políticas multiculturais por elas empreendidas para alterar os currículos escolares. no tocante à postura e a deslocamentos. Posteriormente. ao contrário. aprendizado da diversidade e foram externadas também algumas críticas feitas à educação multicutural. o multiculturalismo passou a ser uma forma de defender também outras questões. Os reflexos são análogos. por sua vez. Estudos Índio-americanos. educação multicultural. de uma forma ou outra.] não se têm claramente formulada uma proposta que garanta. favorecendo as estruturas do pensamento e da linguagem. que são. Estudos Afroamercianos. uma formação permanente de professores e uma política cultural de envergadura nacional.. O terceiro capítulo trata do movimento multicultural na América Latina. O Estado. No dizer dos autores. 96). tais como: gênero. em síntese. Contudo. tal como ocorre com os currículos escolares das instituições ensino. serve inegavelmente para denunciar e alterar a realidade de exploração na qual vivem milhões de agentes históricos. pode-se destacar a contestação da “imagem de paraíso racional” existente no Brasil. desenvolver-se. INTERVENÇÃO PRECOCE: REFLEXÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA CEGA ATÉ DOIS ANOS DE IDADE Gérson Carneiro de Farias* RESUMO O artigo envolve a reflexão do processo de desenvolvimento infantil da criança cega até dois anos de idade (período sensório-motor): as aquisições motoras tais como o desenvolvimento da preensão. Portanto. Para demonstrar como se deram essas questões foram explicitados os significados de inúmeros temas-assuntos. cujo tema central de investigação foi o multiculturalismo. adaptar-se. ou seja. quem faz a leitura da obra não pode negar que o Brasil e também o mundo são extremamente multiculturais. No último capítulo tem-se um estado da arte da produção científica realizada em Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras. vale frisar que o livro “O jogo das diferenças” é um instrumento muito relevante para evidenciar a diversidade cultural que compõe a sociedade brasileira. a proposta desta comunicação é analisar o desenvolvimento da criança cega até dois anos de idade para aplicação de um programa de intervenção precoce do tipo Follow-up com crianças cegas. na criança que não vê. bem como a análise do programa de atendimento em intervenção precoce. bem como explicitam que inicialmente este tinha como centralidade a questão étnica e procurava dar visibilidade aos negros e indígenas. afrocentrismo. Estudos Negros. da literatura militante e da corrente culturalista. da linguagem. embora existam vários movimentos sociais lutando para ampliar o espaço de tais políticas. o que ocorre é que as políticas multiculturais ainda são pouco contempladas nos currículos escolares. Nesse sentido. preferência sexual. INTRODUÇÃO A educação especial como linha de pesquisa do programa de pós-graduação em educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) adota um enfoque psicossocial: centrado nas pessoas com deficiências. Africologia e o nome do seu fundador. ao procurar construir uma suposta identidade nacional.” (p. em especial o brasileiro. esse trabalho não é nada fácil. por exemplo. Na realidade. acaba. participar da vida em sociedade e exercitar sua cidadania. Os dados não são nada favoráveis à produção multicultural. a sociedade brasileira. a noção do objeto. Nesse sentido. A análise do programa mostra que seu sucesso depende do atendimento direto prestado à criança. por inibir/coibir a pluralidade cultural de inúmeros povos. “[. a Teoria da Negritude e a Teoria do Sujeito. e à família com orientações e integração de esforços. a ausência da visão irá interferir na construção do seu .No primeiro capítulo os autores externam pormenorizadamente várias compreensões sobre o significado do que é multiculturalismo. Essa denúncia foi e é feita por meio da poesia. De acordo com estudos realizados na área de intervenção precoce. resguardando a função óculo manual da criança que enxerga e que. que possui o monopólio da força legalizada. a seqüência do desenvolvimento da criança cega é igual a da criança vidente. quais sejam: Black Studies. filosofia afrocêntrica. tendo em vista que os primeiros estudos multiculturais datam do final do século XIX. Além desses assuntos. são mencionados no penúltimo capítulo os movimentos sociais que se engajaram na luta pelo respeito à diversidade cultural. um delineamento que leva em conta as possibilidades do sujeito para aprender. da música. bem como o chamado “mito da democracia racial”. sobretudo as contribuições no campo dos direitos civis e na área educacional.. para que os mesmos contemplem a diversidade cultural que compõe. Por fim. Destaca-se ainda nesse capítulo as transformações alavancadas pelo multiculturalismo na sociedade em geral e as contribuições dele (dos agentes que o integram) para determinadas parcelas da população. da afirmação da cidadania e da participação ativa dos “excluídos” na sociedade norte-americana. Esses elementos são desconstruídos à luz do multiculturalismo afrobrasileiro que. geração e pessoas que portam o que se chama de necessidades especiais. pedagogia da eqüidade. particularmente com a mãe. Ou seja. Dentre os assuntos abordados. A pós-graduação desenvolve pesquisas do tipo Follow-up: efeitos de programas para enriquecimento. que comparam crianças cegas1 com crianças videntes (que enxergam). assim como a relação com o ambiente e com as pessoas. em níveis acadêmicos. O segundo capítulo analisa o surgimento do multiculturalismo nos Estados Unidos da América (EUA) e define quais questões o mesmo defendia e continua a defender nessa sociedade. Estudos Asiático-americanos. por exemplo. o vínculo mãe/criança. o principal campo de atuação dos multiculturalistas. Apenas uma pequena parte das dissertações de mestrado e das teses de doutorado abordou a questão multicultural. efetivamente. com regularidade e continuidade do trabalho em casa. São externados também os sujeitos que empreenderam lutas em prol dos direitos civis. quem nega a multiculturalidade acaba por negar também a sua própria história. Sendo assim.

quanto para o desenvolvimento das estruturas cognitivas e de linguagem. O período de desenvolvimento intelectual a ser considerado nesta comunicação é o sensório-motor de Piaget (1975).1976). 3-Reação Circular Secundária (de 4 a 8 meses). Com a audição e a mão funcionando em conjunto. E. 1984). Ou seja. . assim como a síndrome da superproteção. Vygotsky (1989) ressalta que. facilitando desse modo seu processo de locomoção: rolar.. ou seja. as crianças resolvem suas tarefas práticas com a ajuda da fala. equilibrar. Isso mostra que a criança cega necessita da ação do outro e do objeto. Por exemplo. mas pode haver uma aversão à voz de estranhos no oitavo mês (WARREN. neste estágio. a criança aprende a planejar sua atividade. mas procurando e preparando tais estímulos de forma a tornálos úteis para a solução da questão e para o planejamento de ações futuras. alguns objetos são sugados. SMITH e ADELSON. Sendo a cegueira fator de restrição ao processo de desenvolvimento no seu campo de ação no tocante a gesto e rapidez. que a criança constrói gradativamente o conhecimento de si própria e do ambiente na e por meio da sua contínua interação com o ambiente físico e social. outros não. a manipulação dos objetos ajudará na construção da inteligência prática futura e na noção do objeto.. Ferrel. vocalizando e imitando seus mediadores. dirigida para a solução do problema em questão [. a criança continua sorrindo em resposta à voz da mãe. assim como dos olhos e das mãos [. A criança vidente produz ações que causam efeitos no ambiente. apoiar e andar. 1989).1995.. 1-Reflexos (do nascimento até 1 mês). a criança está em constante interação com os adultos. são processos interativos entre mãe e criança que irão fortalecer o desenvolvimento da linguagem futura. 1984). além de uma nova organização do próprio comportamento [. a criança vai desenvolvendo atitude inteligente no mundo que a cerca: a manipulação de objetos e o relacionamento com as pessoas vão se estabelecendo de forma segura e autônoma. Este período subdivide-se em seis estágios. 1984). que indica dois processos de aprendizagem que ocorrem na primeira infância: a) aprendizagem iniciada pela criança e b) aprendizagem facilitada pelo adulto (NUNES.1965) e a ausência de estimulação vestibular3: mudanças de posição da criança ou balançá-la no colo. por exemplo. ANÁLISE SOBRE O PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR Com base nesses estudos e levando-se em consideração o período sensório-motor. a repetição das ações se dá somente pelo prazer e não são ainda controladas pelos efeitos no ambiente. acarretando na área da locomoção a perda do equilíbrio. o desenvolvimento da criança cega é semelhante ao da criança vidente neste estágio (WARREN. VYGOTSKY. da coordenação motora e do sentido de justeza dos passos (MILLER. Tais estudos reforçam ainda que a cegueira é fator de restrição ao processo de desenvolvimento como um todo.. bem como na aquisição da fala. mediante experiências repetidas. Shaw e Deitz (1998) acrescentam que o tempo se encarrega de diminuir a diferença que existe entre as aquisições básicas de desenvolvimento da criança cega em relação à criança vidente. por meio da motricidade social. 1995). arrastar. a criança pode sorrir em resposta à voz dos pais.. 1979).]. permitindo-nos a reflexão de que um programa de atendimento em intervenção precoce poderá minimizar ainda mais essa diferença (FARIAS. neste estágio. é neste período que o desenvolvimento infantil. a criança começa a controlar o ambiente com a ajuda da fala. 1984). De um modo geral. tendo assim seu processo de aprendizagem facilitado (WALLON. de atenção. Freedman e Cannady (1971) assinalam que a restrição ambiental incide mais no processo de orientação e mobilidade2 do que a perda da visão. 1967. Em um ambiente rico em estímulos e graças ao movimento. o qual Wallon (1976) chama de diálogo tônico com a mãe e o brinquedo cantado (música). Inicia-se a exploração dos objetos sonoros em experiências auditivas e táteis: a voz da mãe. A criança começa a produzir sons silábicos. Segundo Freedman (1964). a integração das atitudes do outro na criança se faz mediante seu jogo tônico e. que não só asseguram sua sobrevivência. isto é. O comportamento infantil é caracterizado inicialmente por respostas reflexas do próprio corpo da criança e por alguns aspectos do ambiente externo. que a satisfazem e são interessantes para ela. Essas ações inicialmente são dirigidas mais para seu próprio corpo do que para os objetos a sua volta. mas também mediam sua relação com o mundo. Contudo. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO De acordo com a teoria de Piaget (1975). requisita assistência de outra pessoa. controlando-a e tornandoa parte necessária de sua atividade prática. progredirá de simples reflexos para a representação e internalização do pensamento. o presente artigo foi redigido. até o quarto mês a criança cega fará uso da mão e da boca de modo limitado e ao acaso para conhecimento do objeto. organização e estruturação espaciais. O contato corporal. Vygotsky (1989. Alguns refinamentos da ação reflexa ocorrem com as descobertas infantis. p. a criança cega deve ser colocada em ambientes ricos em estímulos auditivos e táteis para que sua audição e mão aprendam a funcionar em conjunto. que a satisfazem e que sejam interessantes para ela. os passos e o colo. Mostra controle geral dos movimentos dos braços e pernas. Outros fatores que interferem no processo de desenvolvimento infantil da criança cega é o pouco contato da mãe com a criança (BURLINGHAM. Com o objetivo de refletir sobre o desenvolvimento da criança cega até dois anos de idade e a atitude do educador a ser tomada frente ao programa de atendimento em intervenção precoce. Em outras palavras. usando como instrumento não somente os objetos à mão. fala e ação faz parte de uma mesma função psicológica complexa. a criança vem a estruturar as situações afetivas em esquemas tônico-emocionais específicos. do nascimento até dois anos de idade. devido à imaturidade motora.. por exemplo (WARREN. reforçando ainda o vínculo afetivo entre os dois. Isso produz novas relações com o ambiente. Desse modo. Continua o uso da boca e das mãos. e na orientação e identificação dos objetos e pessoas (WARREN.esquema corporal futuro: lateralidade. A criança interioriza um aspecto de outra pessoa e se transforma em função desta. fazendo incursões no pensamento de Wallon (1976) da linguagem e o vínculo mãe-criança. 2-Reação Circular Primária (de 1 a 4 meses). 27-9) esclarece que antes de controlar o próprio comportamento. pela experiência vivida de seu corpo em movimento. Nesse sentido.].]. FRAIBERG. Para Piaget (1975). Necessita de carinho. desde que nasce. a criança tem um período muito longo de dependência do adulto. esclarece Vygotsky (1989). afirmam Warren e Kocon (1974). Este estágio marca o início da orientação eficaz no ambiente. iniciando desse modo seu processo de aprendizagem. A criança vidente começa a repetir ações que produzem efeitos no ambiente. 1995). de alimentação e higiene. Na criança cega pode haver atraso nos reflexos e um desenvolvimento motor mais lento. em um extremo processo de adaptação e progressiva conquista deste ambiente (NUNES. de abrigo. a ação da criança sobre o seu corpo e sobre os objetos que a rodeiam é fundamental tanto para o desenvolvimento da motricidade e da percepção. É nesse período. quadrupedar. Sobre esse assunto. dos reflexos de proteção. denominado sensório-motor.

estará preparada para falar e futuramente até escrever a palavra “bola” que representa a idéia “bola”. e construir desta forma a noção do eu e do outro (p. memorizadas em um esquema global. porém táteis. O desenvolvimento do esquema corporal futuro se dará por experiências do corpo em sensações cutâneas com o meio. o desenvolvimento da preensão se dará por experiências de enfiar contas. a outras pessoas e objetos.22). A atividade que antes precisou ser mediada passa a ser independente. saltar. portanto. Segundo Vygotsky (1989). Assim.. num primeiro momento. Ao internalizar as experiências fornecidas pela cultura. Assim.. é da percepção e ação da criança sobre o ambiente que se forma a representação mental da realidade. e na ampliação de seu repertório de palavras no diálogo com a mãe. os apelos do meio ambiente e a aprendizagem facilitada pelo adulto implicam em novas atribuições do educador precoce. Isto é. para conhecer a realidade. mediante percepções tátil e auditiva que vão ajudá-la a organizar seu espaço. A criança cega. caberá ao educador: (1) intensificar certas dimensões relevantes desses estímulos. auditiva. correr. Por isso. A criança antecipa os efeitos de sua ação e os efeitos das ações de outras pessoas. Usa de meios específicos para atingir fins específicos. rodar. O influxo do meio ambiente e as atividades concretas de estimulação vão contribuir para a aquisição da linguagem e a consciência do seu próprio corpo. esconder e buscar objetos. é que ele planeje sua atividade. em que a criança vidente coordena suas ações em relação ao ambiente de diferentes modos. por exemplo. cheia etc. .Reação Circular Terciária (de 12 a 18 meses). segundo Bruno (1993). sem características visuais. conforme frisado. o ambiente e as pessoas. a criança cega só poderá pensar o que significa a palavra “bola”. o desenvolvimento da criança. quando se bloqueia um canal de entrada existem outros canais que se desenvolvem. Ela necessita se empenhar. a criança cega precisa saber que existe alguma coisa. elaborar e organizar o seu próprio conhecimento rumo à competência social. Que ela possa ainda aumentar seu repertório de palavras. Num segundo momento. Assim. e a riqueza dos estímulos auditivos e táteis seja uma constante. as experiências de andar. forma-se a “imagem” (esquema mental) de relação entre as coisas. explorar o mundo. grupar objetos pequenos. a criança cega não terá dificuldades para aprender se lhe for propiciado estimulação em tempo e de forma adequada. habilidade. A criança cega inicia suas próprias descobertas no ambiente. necessita de vivência corporal significativa para poder organizar sua ação no espaço. seguindo a mesma seqüência do desenvolvimento da criança que enxerga. cinestésica. Observa-se que o sistema motor favorece as bases do desenvolvimento do pensamento lógico e a percepção influi na representação mental (SALTINI. A coordenação dinâmica geral dessas atividades irá ao encontro da formação de seu esquema corporal futuro. depois que tiver tocado ou brincado com ela. À medida que as informações vindas do ambiente. para poder perceber o próprio corpo em relação ao do outro. presente na criança que vê. onde a criança possa em experiências repetidas conhecer os objetos. favorecendo sempre que possível a exploração livre pela criança. chutar. sem a intervenção de outras pessoas a criança se apropria da aprendizagem. subir e descer escadas. será compensada pela ação do adulto (outro) e pelo contato. que servem para lhe dar outras percepções e outras dimensões. esta desenvolve outras formas de comunicação. Este autor afirma que a construção da imagem corporal advém também da oportunidade de relacionar-se com crianças da sua idade. empurrar. ou seja. que envolvem a sua motricidade. a “imagem” (esquema mental) inclui suas características essenciais: redonda. pai e parceiros. Essas práticas de exploração vão ajudar a criança na formação de conceito (noção do objeto). O controle da cabeça e do tronco nas posições sentada e de pé será ajudado pelo arrastar. bem como suas relações sociais desenvolvidas frente àquele objeto. estará sendo construído também seu processo de linguagem e de pensamento. A questão é saber qual dos canais de percepção pode substituir a visão para que a criança identifique objetos e pessoas e adquira a estrutura espacial. olfativa ou gustativa. terá dificuldade para representá-la simbolicamente. são imediatamente checadas ou integradas com informações armazenadas. ao pai. e (3) estabelecer conseqüências adequadas para essas respostas do sujeito (NUNES. O início da intencionalidade é visto neste estágio. sentar. chutar.4-Reação Circular Secundária de Coordenação (de 8 a 12 meses). porém um pouco mais tarde. mediante percepção tátil. Além de prover um ambiente rico em estímulos. O contato imediato com o objeto reforçará a noção do objeto e a compreensão das primeiras palavras. tais como brincar. a criança se apropria do comportamento. Na criança cega. autonomia e independência. audição. quadrupedar e posteriormente andar. Parece buscar novidades por querer aprender mais sobre o ambiente. Ela começa a ser capaz de imaginar suas ações e conseqüências. auxiliarão a aumentar sua confiança. em cuja direção é preciso se movimentar. auditiva e tátil. um ambiente rico em experiências onde ela possa trabalhar sensório-motoras integradas e significativas ajudarão a criança cega a se conhecer. não por muito tempo. da cultura e dos modos de funcionamento psicológico do seu grupo cultural. é mediado pelo outro. o processo de desenvolvimento da criança está enraizado nas ligações entre a sua história social e individual. auditivas e de outro tipo daquele objeto concreto com o mundo exterior. em atividades de ensaio e erro. internalizando-os. Ou seja. mediante oportunidades de ação sobre o meio e de vivências sensoriais variadas e significativas. Num segundo momento. (2) ensinar à criança um repertório de comportamentos adaptativos. 6-Internalização do Pensamento (de 18 a 24 meses). levantar e transportar. para melhor pensar sobre possíveis efeitos que causam. Nesse sentido. No caso da criança cega. este estágio é um marco em que a criança liberta suas próprias percepções e ações. Ilustrando. O que se exige do educador. 5. gustação e olfato. Neste estágio.1995). Isto é. processadas pelo Sistema Nervoso Central. A construção de sua identidade se dá na interação e comunicação com o outro. 1994). entre as partes desse objeto concreto com o mundo externo (as suas qualidades) e os conceitos. será favorecida a coordenação preensãoaudição. É possível afirmar que. puxar. onde objetos e pessoas se fazem necessários. Todavia. Sua ação torna-se mais flexível e ela pode sistematicamente variá-la para obter objetivos específicos. Caso ela não tenha oportunidade de usar os sentidos do tato. a criança cega precisa ser incentivada ao movimento e à procura do objeto sonoro no ambiente. ao manipular a bola. No exemplo acima. pegar etc. Por exemplo. a criança que enxerga se envolve em atividades de tentativas e erros. atividades de apoio e sem apoio. sua autonomia frente à mãe. Este estágio marca o início do pensamento internalizado na criança vidente. a criança reconstrói individualmente os modos de ação realizados externamente e aprende a organizar os próprios processos mentais. De acordo com Piaget (1975). demonstrando a organização do seu desenvolvimento no ambiente. tocando os objetos com a boca. Explorando os objetos com as mãos e os pés. garanta a segurança de um ambiente propício e use de uma metodologia adaptada à ausência da visão. mais particularmente pelo córtex cerebral. A imitação e a imagem especular (do espelho). arrastando-se e se expondo ao sol e ao vento etc.

boa alimentação. sobretudo nas áreas de motricidade. transformando o nível de desenvolvimento potencial em real.Em outras palavras. competência social e cognição. o valor da estimulação em diversos ambientes e a segurança (vacinação. juntamente com um programa adequado ao ambiente familiar e paralelo a um trabalho sistemático de saúde e nutrição. Mostra também a importância do envolvimento dos pais. competência social e cognição. exames complementares. ou seja. na qual são avaliados os fatores de risco e os dados que constatam a presença de deficiências. o que ela consegue fazer sozinha é restringido pela ausência da visão. decorrentes de fatores biológicos. tornando-se uma prática de representação: representa o trabalho desenvolvido na intervenção precoce. como também projetam o seu fazer. o educador elabora. responsabilidade. afetivo. da qual os pais devem fazer parte. havendo a necessidade de se trabalhar mais o seu nível de desenvolvimento potencial pela ação do outro. linguagem. da continuidade do trabalho em casa e da freqüência e regularidade no trabalho de intervenção precoce. o desenvolvimento da criança acontece a partir das constantes interações com o meio social em que vive mediante aprendizagem. a criança. Quando ela modifica o ambiente físico e social por meio do seu cognição. recomenda-se: (I) que o educador utilize o ensino real e potencial. plano de saúde. para Vygotsky (1989). cuja fonte é a criança. são incluídos. iniciando o trabalho com atividades já conhecidas pela criança. na criança cega o seu nível de desenvolvimento real. Como frisado. Por meio dela.) oferecida pela família vão contribuir para o desenvolvimento da criança. Portanto. permitindo acompanhar o desenvolvimento da criança. cumprindo assim seu papel social. possibilitandolhes um processo evolutivo tão equilibrado quanto possível. em seus primeiros anos de vida. não sabendo ler ou escrever. podemos dar conta não só dos processos de maturação já completados. Como ela afirma: um veículo facilitador do processo de intervenção precoce. Ele delega e intermedia a passagem da fala oral para a escrita. Em outras palavras. de apostar na capacidade da criança. tais como os de laboratório. ambientais ou socioculturais. numa perspectiva de longa duração. aquilo que a criança é capaz de fazer independentemente (nível de desenvolvimento real) e aquilo que ela faz com ajuda (nível de desenvolvimento potencial). quer sejam normais. para completar. Portanto. ela sabe para quem escreve e como escreve (GÓMES. realizada por meio da história familiar e dos antecedentes da própria criança. avó etc. de Sampaio (2000). Acrescentam eles que esses programas precisam ser imbuídos de entusiasmo. O espaço de atuação do educador de intervenção precoce se dá no intervalo entre o nível de desenvolvimento potencial e o real. Isso mostra. A competência social é um constructo que se integra aos domínios cognitivo. identificando potencialidades e atrasos no desenvolvimento. linguagem e competência social. Segundo Guralnick e Neville (1979). Reforçando este pensamento. e. a evidência e a necessidade de uma intervenção efetiva. sensibilidade e flexibilidade de quem os aplica (os mediadores). Realizada a avaliação diagnóstica de forma transdisciplinar. iniciando-a nas primeiras idades do desenvolvimento infantil. mediante os quais se procede a análise de anomalias maiores e menores que auxiliam a identificação precoce de quadros de deficiência. mais sociável e mais firme emocionalmente. assim como da identidade de quem a escreve: mãe. por meio do discurso que a mãe descreve. portanto. Nesse sentido. quando necessário. (c) a avaliação psicológica. esses programas também promovem a competência social nas crianças. após. PROGRAMA DE ATENDIMENTO EM INTERVENÇÃO PRECOCE Os programas de intervenção precoce para crianças com necessidades educacionais especiais têm se mostrado efetivo (NUNES. demonstrando que aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje poderá fazer sozinha amanhã. em que se analisa o desenvolvimento da criança. está relacionada às aquisições básicas da criança. seu sucesso depende da estrutura familiar. ou seja. facilitando desse modo às aquisições sensório-motoras. o plano individual de ensino com os objetivos a serem alcançados nas diferentes áreas do desenvolvimento: motor. transformando a si mesma. A mediação influencia outras relações da criança com outros mediadores. Isso induz novas atividades. (b) os exames médicos. emprego. se a família tem moradia. o objetivo principal desses programas é o de impulsionar o desenvolvimento das habilidades básicas das crianças. A organização da aprendizagem pelo outro induz o desenvolvimento mental. de risco ou com distúrbios no desenvolvimento. a variedade de brinquedos e materiais disponíveis. cuja meta é prevenir ou minimizar problemas de desenvolvimento para criança de risco. pois. 1995). pedem a individual e o coletivo. Resumindo. ou que poderão se instalar. o “caderno de linguagem: caminhando juntos” descreve toda a história do processo de intervenção precoce na vida da criança. Guralnick (1997) acrescenta que a freqüência e a qualidade dos contatos com diferentes adultos. registrar as atividades e servir de intercâmbio entre diferentes profissionais. o nível potencial com ajuda. Esses programas têm uma preocupação em detectar e diagnosticar o problema da criança de forma transdisciplinar4 . a análise da estimulação do ambiente do qual procede a criança. além da orientação individual a eles encarregada em função das condições particulares da própria criança e da prática de atividades que devem realizar com a criança em casa. 2002). da eficiência de quem atende. nutrição. Além disso. Os procedimentos do diagnóstico incluem: (a) a anamnese. pai. Assim. O “caderno de linguagem: caminhando juntos”. Ou seja. na interação com sua mãe e familiares. a fim de prevenir ou minorar os “déficits” instalados. em planejar e coordenar os serviços de forma sistêmica. propondo um tipo de trabalho que considere mais suas qualidades do que seus defeitos. a competência social torna a criança mais segura de suas ações e menos dependente da mãe. o “caderno de linguagem: caminhando juntos” testemunha e conta a história da intervenção precoce para as gerações futuras. (II) que o ensino seja funcional. isto é. de linguagem. uma vez mais. Refiro-me às mães e/ou responsáveis que. juntamente com a equipe. presta-se a esse serviço. para que auxiliem efetivamente no desenvolvimento de sua criança. As palavras que usa não somente revelam o seu pensar. da comunidade local e da família. amor etc. Desse modo. Desse modo podemos concluir que. na medida em que permite um confronto entre as práticas anteriores e posteriores. Trata-se. isto é. que inicie pelo nível de desenvolvimento real para promover sucesso (motivação). refletindo ainda na autonomia e independência da criança. mas também dos processos em vias de desenvolvimento. isto é. persistência. significa criar situações reais de intervenção. motor e de comunicação. (d) e. oftalmologistas etc. aberto ao diálogo transdisciplinar. a que Vygotsky (1989) denomina zona de desenvolvimento proximal. Desse modo. assim. tais como neuropediatras. vai transformando esse meio familiar em função do atendimento às suas necessidades básicas. e os encaminhamentos a neuropediatras. tia. a ação pedagógica deve ser norteada visando a promover o desenvolvimento das habilidades sensóriomotoras da criança. Seu sucesso depende da integração de esforços. é mais adequado ensinar à criança cega o conceito de bola quando ela estiver brincando no “play-ground” do . oftalmologistas etc. a intervenção precoce tem esse propósito.

a inter-relação existente entre a intervenção precoce e a motricidade infantil. (3) e. . acelerando-o ou retardando-o. e. bem como da estrutura genética da criança. bem como das aprendizagens. Esses fatores afetam não só os padrões de interação mãe/criança em termos de melhoria na quantidade e qualidade. para orientá-los no processo de educação da criança. o programa de atendimento deve ir ao encontro das necessidades da família. portanto. Deduz-se que o enriquecimento adequado de um ambiente precariamente estimulador. Ou seja. a intervenção precoce adequada e consistente. (2) as variáveis ambientais modificam o ritmo e a extensão do processo evolutivo infantil. De acordo com Wallon. tais como: linguagem e competência social. segundo Piaget. 1998). Se a bola é retirada de suas mãos. RAMEY S. geradas pela ausência da visão. duração do estímulo e observação das respostas. (III) que a estimulação seja adequada e consistente. ao longo do processo e em diferentes situações. Em outras palavras. assim. em que a linguagem. (IV) que se adaptem as atividades às condições da deficiência da criança. favorecerá a demonstração dos progressos e o aperfeiçoamento dos procedimentos do ensino. Não é à toa que Piaget chama esse período de sensório-motor. o desenvolvimento da criança cega até dois anos de idade se dá pelo movimento. afetivo e motor. essencialmente. ambiente propício. O registro de observação do desempenho da criança de forma sistemática. mas também sobre as áreas comportamentais relacionadas. permitindo indicar as linhas básicas dos correspondentes programas de intervenção precoce (PÉREZ-RAMOS. parece coerente afirmar que as intervenções efetuadas durante este período não só demonstram efeitos imediatos. finalmente. Assim. é reconhecido como determinante no desenvolvimento posterior. amenizando as suas dificuldades. cuidado. já que a sua evolução também depende do substrato biológico que a criança traz consigo.que na sala de intervenção. PÉREZ-RAMOS. além de apresentar a linguagem corporal como importante meio de comunicação tônico-afetiva. por exemplo. da competência social e cognição. demonstra que: (1) os efeitos positivos de um ambiente verbalmente estimulado sobre o desenvolvimento cognitivo dependem. como também as áreas específicas do desenvolvimento da criança. se o objetivo é favorecer o desenvolvimento da noção de permanência do objeto à criança cega. em grande parte. os efeitos negativos das variáveis ambientais inadequadas. Portanto. (V) que se avalie e se registre o desempenho da criança. a avaliação do plano de ação do programa de atendimento em intervenção precoce que analisa os efeitos dessa intervenção sobre o desenvolvimento infantil. ou seja. Um ambiente saudável e os recursos que a comunidade pode prover vão contribuir também para o desenvolvimento da motricidade. que certas condições do meio circundante podem influir no desenvolvimento infantil. A avaliação contínua do comportamento da criança faz parte do processo de intervenção precoce. implica tornar a relação criança/adulto sintonizada com o interesse da criança. psicologicamente integrado e espiritualmente fecundo: caloroso para a criança e para a mãe. os estímulos visuais deverão ser substituídos por auditivos e táteis. O período sensório-motor. favorece a evolução das estruturas motoras de base. da linguagem. A complementação alimentar produz benefícios não só sobre o crescimento físico. estimulação e ensino). é pela aprendizagem nas relações com os outros que a criança vai construindo seu conhecimento que permite o desenvolvimento mental. na colaboração entre profissionais e responsáveis pela criança e no saber ouvir os pais nas suas crenças. particularmente o período sensório-motor. a qualidade da relação mãe/filho interfere na evolução da criança. mas também capacitam a criança à aprendizagem futura. que dependem da estrutura genética e ambiental (nutrição. mas não em sua totalidade. o educador deve balançar a bola com guizo perto da criança e permitir que ela a manuseie. No caso da bola. dos padrões mais abstratos da linguagem utilizada no meio familiar e da forma de relacionamento do adulto com a criança. o conhecimento é construído socialmente no âmbito das relações humanas. atitudes e valores. a aprendizagem no meio familiar em rotinas diárias e a convivência social é que trarão a reboque o desenvolvimento da criança cega. o símbolo e o movimento desempenham importantes papéis. é preciso tornar este ambiente materialmente sustentável. Assim. repercute favoravelmente no desenvolvimento infantil.. CONCLUSÃO Concluindo. Para Vygotsky. ela demonstrará a aquisição da noção do objeto esticando a mão para pegá-la. que são fatores cruciais para o desenvolvimento (RAMEY. compensando. efetuado desde os primeiros tempos de vida. Nesse sentido. 1996).

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