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HERRERO, J. Javier. A tica em Kant. Sntese Revista de Filosofia. UFMG. Belo Horizonte, v. 28, n 90, 2001.

. Kant quis dar ao homem a conscincia de ser moralmente livre e autnomo. Moral em Kant uma moral da razo pura prtica, porque s pela razo que o homem consegue autarquia e se torna autnomo. ... o homem mesmo como autolegislador, e ao mesmo tempo como destinatrio de suas prprias leis, que d sua existncia o carter de necessidade, de autodomnio e de superioridade sobre todos os outros estados que provm de fora... Por isso no mundo h muitas coisas boas, aes e relaes, que so boas para algo, mas s a boa vontade o bem incondicionado. Este bem no o resultado de qualquer ao, no uma vontade de bom corao ou disposta a ajudar, mas a vontade que o homem produziu ao constituir-se como senhor de si, como legislador de si mesmo. Boa vontade unicamente aquela que se determina pela sua prpria lei, a lei da razo, e a partir dessa atitude, dessa Gesinnung que poder se propor fins que sero bons, que poder avaliar todas as outras coisas como boas ou ms...(p 20). ... o conceito de boa vontade passa pelos conceitos de dever e de sentimento de respeito e se eleva at o princpio do conhecimento moral da razo comum dos homens... (p 21). Devo proceder sempre de maneira que eu possa querer tambm que a minha mxima se torne uma lei universal. ... o dever (isto , a necessidade das minhas aes por puro respeito lei prtica) a condio de uma vontade boa em si. (p 22). ... O imperativo categrico, pelo contrrio, expressa e prescreve a priori uma sntese necessria: ele liga o querer de uma ao com o conceito de uma vontade de um ser racional (p. 22). ... a moralidade no uma quimera v, isto , uma vez que for mostrado que o imperativo categrico, e com ele a autonomia da vontade, so princpios a priori verdadeiros e absolutamente necessrios. Mas para isso preciso admitir um uso sinttico da razo pura prtica, o que, por sua vez, no se poder tentar sem o fazer preceder de uma crtica desta faculdade da razo (p 23).